Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 26/03/2021 às 13h54

Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação pede demissão Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação pede demissão Nova York começará vacinação contra Covid-19 para maiores de 16 anos em 6 de abril PUBLICIDADE DPU pede ao Supremo que coordene 'sala de situação' para centralizar o fornecimento de oxigênio medicinal no país Vaticano pune dois bispos acusados de encobrir abusos sexuais na Polônia Rússia recebe solicitação de registro de vacina de dose única Sputnik-Light Hospital Sírio Libanês em Brasília restringe atendimento em pronto-socorro por 15 dias.

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 26/03/2021 às 11h51

RIO — Parte dos hospitais particulares do país só tem medicamentos necessários para atender pacientes com Covid-19 até domingo ou segunda-feira. O alerta, em meio ao agravamento da pandemia em todo país, foi feito em nota pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Entenda: Como são usados os remédios do 'kit intubação'? Segundo a entidade, a recente requisição de estoques de produtos anestésicos, essenciais para o tratamento da doença, pelo Ministério da Saúde, provocou a "desorganização da cadeia de suprimentos". O Ministério, por sua vez, requisitou administrativamente, na semana passada, mais de 665,5 mil remédios usados para intubação, o que seria suficiente para apenas 15 dias de uso, devido aos baixos estoques e até a falta dos produtos já detectada pontualmente, provocada pela alta de internações pela Covid-19. A Anahp, que representa 118 hospitais particulares do país, cobra a colaboração da Saúde para uma "urgente distribuição de estoques" decorrentes da requisição feita pelo ministério. Caso contrário, alertam, "muitos hospitais privados" perderão, até segunda-feira, "as condições de atendimento aos pacientes com Covid-19". Fazem parte da entidade os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein e os da rede D'Or. Covid-19: Butantan anuncia 'primeira vacina 100% nacional' e pede autorização para testes clínicos A Anahp informa que os hospitais associados já definiram uma estratégia de acesso a fornecedores internacionais, por meio de importações extraordinárias dos produtos em falta, mas destaca que o tempo mínimo necessário para que cheguem ao Brasil exige uma colaboração "imediata" do Ministério da Saúde. A possibilidade dessas futuras importações se tornou viável após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter alterado procedimentos administrativos, acelerando o processo. Em nota, o Ministério da Saúde informou que irá distribuir distribuindo nesta semana mais de 2,8 milhões de unidades de medicamentos de intubação orotraqueal (IOT) para todo o Brasil, em parceria com três empresas fabricantes. Complexos farmacêuticos como Cristália e Eurofarma começaram a fazer entregas no dia 23 de março e a União Química iniciará a distribuição na próxima terça-feira. Segundo a Saúde, o cronograma de entregas é feito com base no monitoramento realizado nos estados e municípios, em parceria com Conass, Conasems e Anvisa. A pasta não informou, no entanto, se as remessas serão entregues em tempo para não desfalcarem o sistema privado. Consórcio em SP O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo também afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira, que planeja auxiliar as unidades privadas do estado a criar um consórcio para importar de forma coletiva medicamentos destinados ao "kit intubação".

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 26/03/2021 às 03h00

Doente entra em fila de transplante por usar ‘kit Covid’ Mesmo com evidência de que o “tratamento precoce" não funciona, ele continua sendo prescrito, assim como drogas como ivermectina e azitromicina. Em caso relatado pelo HC da Unicamp, uma pessoa teve hepatite medicamentosa e precisará de transplante de fígado após usar o “kit Covid”. saúde b& Paciente entra na fila do transplante após uso de ‘kit Covid’ Everton Lopes Batista e Phillippe Watanabe são paulo Mesmo eom evidências científicas de que o chamado tratamento precoce (conjunto de remédios como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina) não funciona contra a Covid-19, uma quantidade expressiva de médicos segue prescrevendo os medicamentos para prevenir ou tratar a doença. E, com a cloroquina e a hidroxicloroquina como principais símbolos do "kit Covid”, citadas diversas vezes pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), as drogas azitromieina e ivermectina parecem estar assumindo um papel de destaque e sendo prescritas e utilizadas mesmo por quem já sabe que o tal "kit Covid” não tem eficácia comprovada. Médicos relatam que o conjunto de remédios, quando usados em doses inadequadas e contínuas, ou por pessoas com algumas doenças prévias, pode causar efeitos graves como arritmia e hepatite medicamentosa. Segundo um caso documentado pelo Hospital das Clínicas da Unicamp, uma pessoa saudável desenvolveu hepatite medicamentosa após contrair o coronavírus em dezembro e ser medicada com as drogas do "kit Covid”. O paciente entrará para a lista de transplante de fígado, segundo Ilka Boin, professora da Unicamp e diretora da unidade de transplante hepático da universidade. Acreditava-se que a hepatite do paciente poderia ser um quadro pós-Covid, considerando que a doença afeta diversos órgãos. Biópsias feitas em janeiro e fevereiro, porém, confirmaram que as lesões estavam associadas a uma hepatite medicamentosa. O histórico clínico da pessoa apontava somente para o uso das drogas do kit, e assim foi feita a associação. Além da pele e dos olhos amarelados, o paciente apresentou fadiga e coceira. Ele está em casa, com quadro estável, mas ainda sendo observado por especialistas. A presença do paciente na lista de transplante não significa, necessariamente, que a operação será necessária. A inclusão facilita o processo em caso de piora do quadro. Boin afirma que chegou a ver uma prescrição com 16 drogas, quase todas sem eficácia. “Tinha uma dipirona [analgésico e antipirético] pra tomar quatro vezes por dia”, diz, sobre a única medicação no receituário que fazia sentido. Na lista também havia dutasterida, uma droga contra aumento de próstata. Os possíveis efeitos colaterais do medicamento incluem impotência, diminuição da libido e ginecomastia (crescimento de mamas em homens). Mas, se a cloroquina parece ter saído um pouco de cena, o arsenal ineficaz só cresce, com, por exemplo, vitamina D e zinco. Segundo Christian Morinaga, gerente-médico do pronto-atendimento do Hospital Sírio-Libanês, os pacientes continuam chegando à instituição em busca de atendimento após reação mais grave ao "kit Covid". Morinaga diz que os pacientes têm tomado altas doses de vitamina D, o que pode elevar os níveis de cálcio no sangue e até causar danos renais. O que realmente funciona contra a Covid Algumas das drogas e técnicas que têm sido usadas com sucesso no tratamento da Covid Em casa, sintomas leves e iniciais • Antitérmicos, analgésicos, líquidos, descanso ■ Uso de oximetro Mede a saturação do oxigênio no sangue; quando o valor fica abaixo de 93%, é importante procurar ajuda. Saturação abaixo de 90 é preocupante Pacientes com Covid severa ou crítica Internação com uso de oxigênio ■ Ajuda na respiração com ventilação não invasiva ou cateter de alto fluxo ■ Posição pronada: exerce menor pressão nos pulmões e, com isso, diminui o esforço para o paciente respirar ■ Cortiesteroide Dexametasona ■ Anticoagulantes como profilaxia: a Covid forma trombos que podem causar a obstrução de vasos sanguíneos em diversas partes do corpo; o uso de anticoagulantes ajuda a evitar o agravamento da situação • Antiviral Remdesivir (ainda não disponível no Brasil) ■ Anticorpo monoclonal Tocilizumabe (se disponível) Intubação • Dexametasona • Anticoagulantes como profilaxia • Tociluzumabe (se disponível) Fontes: NIH, OMS, Opencriticalcare.org; Luciano Azevedo, professor de terapia intensiva da USPe pesquisador do Hospital Sírio-libanês “A suplementação de vitamina D vai ser importante para algunspacientes, nas doses recomendadas. Muitos acham que quanto mais, melhor, mas não é bem assim” afirma. No caso da azitromieina, Morinaga diz que o remédio é indicado para pacientes que tenham alguma infecção bacteriana associada à Covid-19. Em outros casos, o uso é desencorajado, uma vez que os antibióticos em excesso podem levar à resistência bacteriana. A angústia por oferecer algum medicamento aos pacientes que chegam desesperados e a falta de embasamento científico estão entre as principais motivações para que os médicos continuem indicando esses remédios a seus pacientes, segundo especialistas. Morinaga conta que pacientes que chegam com suspeita de Covid ou com a doença confirmada muitas vezes pedem para receber os remédios do “tratamento precoce” e questionam os profissionais sobre a prescrição de medicamentos que recebem. "Não é um trabalho fácil tratar a Covid-19. Existe uma grande ansiedade na população, muita falta de informação e notícias falsas. O trabalho de convencimento que o médico tem que fazer é muito difícil”, afirma Morinaga Para o cardiologista Luís Correia, professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, onde dirige o Centro de Medicina Baseada em Evidência, falta racionalidade científica para os médicos que prescrevem essas drogas apesar dos estudos já publicados. "Naturalmente, muitos médicos tendem a superestimar o que fazem e subestimam o dano que podem causar. Diante da pandemia, tentam ajudar, mas, se a racionalidade científica não está bem construída, acabam abrindo guarda para os vieses. Deixam o viés da crença prevalecer sobre o princípio científico do ceticismo", afirma Correia. Na segunda-feira (22), a EMA (agência europeia de medicamentos) publicou um comunicado afirmando que o uso da ivermectina para tratamento da Covid-19 não possui suporte fora de estudos clínicos bem planejados. Segundo a agência, foram revisados os dados mais recentes de testes feitos com a ivermectina contra o coronavírus. Nenhum pedido para uso do remédio contra a Covid19 foi feito na União Euro peia, de acordo com a EMA. “Estudos de laboratório mostraram que a ivermectina pode bloquear a replicação do Sars-CoV-2, mas em concentrações do remédio muito mais altas do que as doses atualmente autorizadas [para aso contra alguns tipos de parasitas]”, diz a agência. A própria desenvolvedora da droga, a farmacêutica Merck (MSD, no Brasil), já afirmou que os estudos feitos não apontam eficácia da ivermectina contra a Covid. A Associação Médica Brasileira pediu o banimento do chamado “kit Covid” na terça-feira (23). "Medicações como hidroxicloroquina e cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromieina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da Covid-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas da doença", afirmou a organização em nota.