Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 25/09/2020 às 06h31

O vice-prefeito de Itapecerica da Serra, Paulo Pereira (DEM), entrou com um recurso na Justiça nesta quinta-feira (24) contra a decisão que indeferiu uma liminar para suspender a posse do prefeito Jorge Costa (PTB), que estava afastado do cargo depois de ser hospitalizado por complicações da Covid-19 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Paulo Pereira chegou a assumir o cargo de prefeito no dia 17 de setembro, depois de 10 dias do afastamento do prefeito Jorge Costa, conforme prevê a lei orgânica do município. No período em que esteve no cargo o vice exonerou, ao todo, 65 funcionários públicos da prefeitura, sendo 13 secretários municipais. Em entrevista à TV Globo, o vice conta que o principal motivo para as exonerações foram “funcionários fantasmas” que ele teria encontrado. “Ninguém queria dar satisfação sobre quem eram aquelas pessoas que estavam na lista de pagamento e decidi exonerar para ter acesso à documentação”, conta Paulo Pereira. Três dias depois, no dia 20 de setembro, o prefeito Jorge Costa reassumiu o cargo e renomeou novamente todos os 13 secretários municipais e alguns funcionários públicos que haviam sido exonerados. De acordo com Paulo Pereira, o presidente da Câmara Municipal da cidade, Pastor Márcio, foi até o hospital para que Jorge Costa assinasse o documento que permitiria a retomada do cargo de prefeito da cidade. “Eles foram levar essa posse para o prefeito dentro do hospital sem me notificar e, na segunda (21), quando o jurídico foi me comunicar, já havia portaria oficializando a posse no Diário Oficial da cidade”, diz o vice-prefeito. Para anular a posse do prefeito Jorge Costa, o vice entrou com um pedido de liminar para reassumir o poder, mas teve a decisão negada pela juíza da 1ª Vara Judicial da Comarca de Itapecerica da Serra. Com o objetivo de suspender essa decisão, ele entrou com um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta quinta (24) e aguarda uma deliberação. O embate político entre os dois chefes do Executivo da cidade ocorre em meio à campanha das eleições municipais. Paulo Pereira (DEM) e Jorge Costa (PTB) são candidatos na disputa pelo cargo de prefeito no pleito em novembro. O que determina a lei do município De acordo com Flávio de Leão Bastos Pereira, professor de direito constitucional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, houve uma “violação tanto da Constituição Federal quanto da própria lei orgânica do município”. Ele lembra que o artigo 54 da lei orgânica do município de Itapecerica da Serra estabelece que “substituirá o prefeito, no caso de impedimentos, e suceder-lhes-á no caso de vaga, o vice-prefeito” e que essa é uma cláusula pétrea que não pode ser alterada. “O vice-prefeito é eleito tanto quanto o prefeito. Então, não cabe ao prefeito por um decreto afastar o vice-prefeito que tem o cargo por direito, competência e dever”, comenta o especialista em direito constitucional. Além disso, segundo o especialista, houve uma ilegalidade do prefeito Jorge Costa ao permitir que o secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Cláudio Silvestre Rodrigues Junior, assinasse, junto com ele decretos, leis e ofícios que foram publicados no Diário Oficial de Itapecerica da Serra. “Independente de quem assinou, tirando os atos que o secretário assinou na condição de secretário de Assuntos Jurídicos, o que ele assinou que envolve gestão do município e competência do prefeito, caberia ao vice-prefeito”, analisa Bastos Pereira. O que diz a prefeitura da cidade O prefeito Jorge Costa e a Prefeitura de Itapecerica da Serra foram procurados e não se posicionaram até a publicação desta reportagem. Na noite de quinta (24), o prefeito Jorge Costa gravou um vídeo no leito do hospital em que alerta para o uso de máscara e álcool gel, além de agradecer as mensagens de carinho de moradores da cidade e o trabalho dos funcionários públicos durante a pandemia. “Quero mandar um forte abraço a todos os funcionários e a todos os colaboradores da prefeitura, que não arredaram o pé um segundo sequer dos seus compromissos com a nossa população”, afirmou ele.

AGORA SÃO PAULO/SÃO PAULO | Geral
Data Veiculação: 25/09/2020 às 03h00

EM 18 DIAS Mortes por corona crescem 43% em bairro da zona oeste A* Mortes por Covid19 na Vila Sônia crescem 43% em apenas 18 dias Óbitos pela doença saltaram de 96 para 137 no período, a maior alta percentual na capital paulista TAYGUARA RIBEIRO ■ A Vila Sônia (zona oeste) é o distrito da capital que teve maior crescimento percentual de mortes provocadas pelo novo coronavírus em 18 dias, segundo mapas mais recentes de óbitos pela doença, da Secretaria Municipal da Saúde. 0 número de mortes no distrito saltou de 96, conforme o mapa de 31 de agosto, para 137, segundo ode 18 de setembro —41 óbitos a mais ou aumento de 42,71%. Em quarto lugar no crescimento percentual de mortes no período (veja ao lado) está o Morumbi, distrito vizinho à Vila Sônia. No Morumbi, as mortes passaram de 47 para 62 (15 casos ou 31,91% de alta). Em números absolutos, Sapopemba (zona leste) é o distrito com o maior número de mortes (527), seguido pela Brasilândia (zona norte), com 437, e Grajaú (zona sul), com 423. Segundo boletim divulgado nesta quinta (24) pela gestão Bruno Covas (PSDB), a capital tem 13.527 mortes confirmadas pela doença. Em nota, a secretaria diz que o inquérito sorológico que está sendo realizado na cidade tem evidenciado a prevalência maior dos casos de Covid-19 entre pessoas que não respeitam o distanciamento social, uso de máscaras em locais públicos e demais medidas de proteção e prevenção. Mas não explica porque houve o salto de mortes em regiões com o da Vila Sônia. Gloria Selegatto, infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Sírio-Libanês, diz que é natural algum tipo de variação nos dados sobre o coronavírus. A -Médica explica que "é totalmente esperada uma flutuação neste atual momento da pandemia", de uma forma geral. A médica ressalta que há um momento de estabilização da doença em São Paulo, embora ainda seja necessário cuidado porque a pandemia não acabou. Por isso, ela afirma que a recomendação ainda é a de se evitar a circulação, quando possível, e de usar máscaras e o álcool em gel. /■ ■ Em nota, a Prefeitura de São Paulo diz que entre os RESPOSTA Gestão diz que 75 têm queda Pedestres em rua da Vila Sônia, na zona oeste; distrito tem alerta com mortes pelo corona Rivaldo Gomes/Foihapress ritos da capital paulista, 75 registraram queda no número de mortes pelo novo coronavírus. "É por isso que a prefeitura por meio da Secretaria Municipal da Saúde fortaleceu ações nas regiões que apresentam os maiores números de casos suspeitos e confirmados de Covid-19 na cidade de São Paulo", diz a gestão Bruno Covas (PSDB). Segundo a nota, todas as iniciativas de levantamento de informações, orientação e prevenção do novo; junto à população resultaram na queda dos casos e óbitos na capital paulista decorrentes da doença. "São Paulo chegou ater 60% dos casos no Brasil e atualmente concentra 8,5% dos casos e menos de 10% dos óbitos no país." A administração municipal afirma ainda que que mais de 565 mil pacientes com sintomas leves e moderados, diagnosticados com a Covid-19, já foram monitorados pelas equipes das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade, (tr) COVID-19 | AVANÇO DE MORTES EM DISTRITOS AS MAIORES ALTAS Distrito 31/8 18/9 Variação Vila Sônia 96 137 41 Aricanduva 129 177 48 Penha 181 245 64 Morumbi 47 62 15 Jardim Paulista 92 121 29 Saúde 159 208 49 Jaguara 26 34 8 Vila Matilde 155 202 47 Tucuruvi 140 182 42 Pinheiros 67 87 20 Percentual Pessoas não usam máscara, diz moradora '.m ■ A comerciante Cleonice Bezerra, 65 anos, moradora da Vila Sônia, afirma que tem visto muitas pessoas nas ruas sem máscara. "A gente fica com receito, mas não tem muito o que fazer, só esperar passar tudo isso isso", afirma. Jhonny de Jesus Silva, 34, atendente em uma lanchonete no distrito da zona sul, também afirma que tem visto mais pessoas nas ruas sem proteção. "Eu mesmo tenho circulado um pouco mais e, dependendo do lugar, a gente se sente maistranquilodeficarsem máscara", afirma. (TR)

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 25/09/2020 às 03h00

Transplantes caem 37% Queda do número de transplantes de órgãos no País entre janeiro e julho é atribuída à pandemia. pág. ais Transplantes de órgãos caem 37% em 2020 Larissa Gaspar O Brasil registrou queda de 37% no número de transplantes de órgãos realizados entre janeiro e julho deste ano. Em 2019, foram feitos 15.827 transplantes e, no mesmo período em 2020, o número de procedimentos foi de 9.952. As doações de órgãos tiveram queda de 8,4% em relação aos dados de 2019. Até 31 de julho, existiam 46.181 pacientes aguardando por transplante. A redução foi consequência da pandemia do coronavírus, de acordo com nota divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. Os transplantes de medula óssea, pelo alto impacto imunológico, tiveram redução em 25,82%, passando de 2.130 em 2019 para 1.580 em 2020. Os transplantes de coração caíram 25,10%, passando de 231 para 173, prejudicados pela dificuldade de logística, redução no número de doadores e estrutura de UTI livre de covid-19. O médico cirurgião do Hospital Sírio-Libânes e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) Paulo Pego Fernandes comenta que os hospitais ficaram cheios com pacientes infectados pela covid-19 e as famílias tiveram medo. “Não havia espaço para realização de transplantes e ainda não conhecíamos adoença para identificar se o doador possuía o vírus, como a covid-19 poderia ser passada para um paciente de transplante e como evitar isso. Hoje, estamos retomando até com um volume maior por causa da demanda reprimida”, diz Fernandes.