Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

AGÊNCIA O GLOBO
Data Veiculação: 23/03/2021 às 10h29

O número de mortes por doenças cardiovasculares durante a pandemia cresceu em todo o mundo, inclusive no Brasil. De acordo com estudos recente de pesquisadores de universidades brasileiras e entidades de saúde, incluindo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o número de mortes por doenças cardiovasculares cresceu até 132% no país. O trabalho envolveu análise aprofundada em seis capitais: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Manaus (AM), Belém (PA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). De acordo com os pesquisadores, parte desse aumento reflete a baixa adesão ao tratamento de doenças prévias durante a pandemia. “Tive conhecimento desse estudo brasileiro e falo por experiência médica: estima-se que o impacto tenha sido em todo o país, já que a procura por atendimento e continuidade de tratamentos de doenças cardiovasculares diminuíram em decorrência do medo de buscar clínicas, hospitais e médicos”, opina Fabio Brito Jr., cardiologista intervencionista dos hospitais Sírio-Libanês e Instituto do Coração. O mesmo aconteceu em outros países, a exemplo dos Estados Unidos. De acordo com estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology, aproximadamente um terço das 225.530 mortes ocorridas nos primeiros meses da pandemia e que poderiam ter sido evitadas não tiveram a covid-19 entre as causas. Somente em Nova York, as mortes por doença cardíaca isquêmica (obstrução de artérias do coração) aumentaram 139%. Já as causadas por doenças hipertensivas, subiram 164%. Ainda de acordo com o trabalho, entre as causas dessas mortes estão adiamento de procedimentos cirúrgicos, maior pressão sobre os serviços hospitalares para cuidar de pessoas infectadas pelo coronavírus e o medo dos pacientes de ir ao hospital pelo risco de contaminação. Doenças cardiovasculares já são as principais causas de morte em todo o mundo. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que tais doenças causam o dobro de mortes que àquelas relacionadas a todos os tipos de câncer juntos, 2,3 vezes mais que todas as causas externas (a exemplo de acidentes), três vezes mais que doenças respiratórias, e seis vezes mais que todas as infecções, incluindo AIDS. “O tratamento de doenças crônicas cardiovasculares deve ser feito ainda com mais rigor durante a pandemia, para evitar que uma descompensação aguda acabe exigindo mais cuidados e até internações hospitalares dos pacientes”, explica Fabio Brito Jr. Website: http://www.pcicardio.com.br

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 23/03/2021 às 09h26

Em duas reuniões com empresários em São Paulo, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), receberam o alerta de que a crise sanitária vai piorar em abril e discutiram com representantes de hospitais do setor privado a aprovação de um projeto de lei para aumentar o número de leitos disponíveis para tratamento da Covid-19. Os encontros foram organizados pelo presidente da Câmara. Lira prometeu negociar em Brasília com o governo federal um projeto de lei que estimularia os hospitais privados a destinarem mais leitos de Unidades de terapia intensiva (UTI) para tratamento da Covid-19. A ideia apresentada por Lira é que os hospitais privados possam deduzir do pagamento do Imposto de Renda do próximo ano os custos investidos nos leitos para tratamento de pessoas que contraíram a Covid-19. Segundo o presidente da Câmara, a medida seria aplicada em caráter excepcional em 2021 para auxiliar no enfrentamento da crise sanitária, que se agravou neste momento. Atualmente, alguns hospitais da rede privada têm disponibilidade de leitos, mas alegam que o custo para o tratamento da Covid-19 é muito elevado e que teriam prejuízo. Uma das reuniões foi realizada com representantes de hospitais privados e planos de saúde, como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Amil e Dasa. Na ocasião, Lira e Pacheco foram alertados de que a crise vai piorar em abril, de que há risco de falta de medicamentos para intubação e oxigênio, e de que há necessidade de aumentar o número de leitos de UTIs nos próximos meses. O outro encontro foi com empresários e banqueiros, entre eles, Abílio Diniz e Luiz Carlos Trabuco. Nas reuniões, os dois comandantes do Congresso ouviram reclamações da falta de coordenação nacional por parte do governo federal para enfrentar a crise sanitária. Lira e Pacheco disseram que estão abertos a discutir medidas dentro do Congresso Nacional, citando o projeto já aprovado e sancionado que facilita a compra de vacinas. No entanto, os presidentes disseram que não podem substituir o governo federal, que deveria estar fazendo todo o trabalho de coordenação nacional de enfrentamento da Covid-19. Neste ponto, empresários criticaram o presidente Jair Bolsonaro e sua postura em relação à pandemia. VÍDEOS: Tudo sobre política no Brasil e no mundo.

VEJA SAÚDE/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 23/03/2021 às 03h00

Após um ano de pandemia no país, investigamos o que funciona e o que não passa de mito no controle da doença—e as perspectivas para melhorar o tratamento da infecção e suas sequelas Avanços e aprendizados sobre a doença ampliam as chances de vencer a infecção e lidar com suas sequelas. Mas a insistência em táticas ineficazes e perigosas coloca o Brasil na contramão da estrada rumo à cura lextoCHLOÉ PINHEIRO dfesign LETÍCIA RAPOSO ilysfrcçòes OTÁVIO SILVEIRA e RODRIGO DAMATI A semana que marcou um ano de pandemia no país é tragicamente simbólica. No dia 24 de fevereiro, atingimos 250 mil mortos por Covid-19, o mesmo número de pessoas que lotariam os estádios do Maracanã* Um dia antes, enquanto médicos da linha de frente precisavam escolher quem deveria receber um leito de l TI em diversas cidades, alguns dos principais jornais brasileiros traziam em seus espaços publicitários um manifesto assinado pela Associação Médicos pela Vida. No texto, a entili. ;i|:ivsi. iil;r. n ccmm soluçaii o r.iMaiiciloprecoce, estratégia que mistura remédios já eontraindieados por dezenas de sociedades médicas e autoridades em saúde ao redor do mundo. Em meia página, o grupo defendia a “combinação corretaT de medicamentos para evitar o agravamento da infecção, com base crndados questionáveis, eriliçados pela comunidade científica, e um forte apelo emocional E «alimentava a noção de um suposto beco sem saída: na iminênda de um colapso da saúde, seria melhor ficar de braços cruzados ou lançar mão do que está disponível e se fiar num pretenso conhecimento empírico para trazer esperança aos pacientes com conDnavírus? COVID-19 Numa nação em que parcela significativa da população é contrária a medidas de isolamento social, ã idéia tie tocara vida protegido por algumas pílulas caiu corno uma luva. Mas pesa contra ela uma fragi 1 idade óbvia. Se o tratamento precoce, encampado pelo Ministério da Saúde, fosse unia saída, o que explica a devastação imposta pelo vírus âars-CoV-2 a tantas cidades brasileiras? Ou o êxito de outros países que não recorreram a ele para domar a Covid-19? Apesar de inúmeros estudos e da própria Qrgan í zação M u n di a I da Saúde (O M S) reful arem cloroquina e companhia, a venda desses fámiatos decolou por aqui. E a tática continua sendo empregada a torto e a direito, “É difíci l ter de ilear justificando algo tão básico como o fato de qiic não devei i ms 11 sar OU prescrever reruedims eomprovudumenle indica 2£S" sintetiza 0 ínfedologista Celso Ramos, que lida com epidemias desde os anos 1970, Membro da Academia Nacional de Medicina. Ramos é uma das muitas vozes a denunciar a politizaçao cm torno do tratamento da Covid-19 e seus reveses — dos riscos à saúde de quem toma comprimidos sem respaldo cientifico no desperdício de recursos que poderíam evitar mortes. %) Brasil é hoje o maior exemplo de estratégia equivocada no controle da pandemia". diz o infecto logísta Gerson Salvador, da Universidade de São Paulo (USP). Desde março do ano passado, na mesma velocidade em que surgiui n pesquisas mostrando ô que lazer eo que não fazer. 11 '"kit Covid" prosperou, sob a vista grossa de autoridades e o i ncentivo de governantes. Doze meses depois, cá estamos em meio a novas variantes do vírus pipocando em solo nacional, I JTls lotadas e longe de levar á maioria da população o único “tratamento preven í ivc f que funciona, as vacinas, ainda que os iinuiiizautes sejam decisivos para vencer a Cov ki l % a ciência segue em busca de remédios, terapias e outras soluções para quem se i nfectou ou tem de lidar com as sequelas da doença. No que confiar hoje? O que podemos esperar? Como sair desse buraco? AMENTO No inicio da pandemia, os profissionais de saúde notaram que, embora a maioria dos casos fosse leve ou assintomática, uma íraçao nada desprezível dós infcçladas evoluía mil' e corria alio risco de morrer. E não era ^apenas" por causa de uma pneumonia capaz de provocar a chamada sindrome respiratória aguda grave, mas também devido a uma tempestade intlamatória sistêmica e imprevisível. que levava a tromboses, lesava órgãos como os rins eresullava em miados. No aíTi de leutarim pedir esse processo, os médicos começaram a fazer o uso off labei (fora da indicação original) de medicações conhecidas e disponíveis. A doroquinaf a liidroxicloroquina e a azitromidna foram as primeiras eleitas, amparadas em estudos prévios que sugeriam uma ação anliviral e iruunomoduladoit e no conhecimento do comportamento de in fecçoes bacterianas que podem aparecer na esteira de uma gripe. “Isso fazia sentido, diante da urgência e do embasamento teórico.. Mas. a partir do momento em que as evidencias negai ivas começaram a sair, o resto do mundo foi abandonando a estralo;;-! ia". tmila a pnenmoiogista 1 .elida Kuwano Dourado, do painel da OMS que elabora as diretrizes de tratamento contra a Covid-19. Quando as provas mais contundentes da ineficácia da cloroquina e os alertas sobre seus riscos vieram á tona, entre junho e agosto, já havia uma nova candidata à espreita, a ivermeetina. Em abril, um cxpcrimer rio australiano leito em cnlluras de células; isoladas in li cava que o comprimido, usado Iw doca das para combater parasitas -como o piolho, neutralizava o coronavírus — a mesma ação fbi observada em outras tipos de vírus no passado. Embora isso nunca tenha sido confirmado em gente como a gente, foi o suficiente para alçar o composto, antigo e IradEcionai, á lama. Ele explodiu em popularidade e superou até a cloroquina nas vendas. Mas havia uma pegadinha. "Para repetir o efeito observado na bancada do laboratório, seria necessária uma dose dezenas de vezes superior ao limite usado habitual mente, o que tornaria a droga tóxica". relata o tarmacéutieo Leandro Medeiros, professor da l iiivvrsidadr Católica de Pernambuco. "Além disso, ela não tem seletividade, ou seja, ataca nào só o vírus mas também as células infectadas por ele", esclarece o biólogo Lúcio Freitas, da ESP. que coordena desde o ano passado uma das maiores investigações nacionais sobre o uso de fánnacos [à existenles contra a infecção. E, agora, unia pes quisu fresquiiithíi publicada nn periódico da Asso ciaçào Médica Americana englobando 100 pacientes comprovou que a ivermectina não influencia na resolução de casos leves da doença. © UM ANO DE COMBATE Enquanto os < pesquisadores w z baseavam uJ 0 respostas, tratamentos ineficazes se disseminaram eá pandemia saiu do < z controle no Brasil -J in 3 SÉ O z Estudo francês indico que o cloroquina cura a Covid-19, Mais tarde, se descobre que houve omissão de dados para manipular os resulte d os. Conselho Federal de Medicina (CFM; emite parecer favorável à cloroquina, difundida pelo pais junto à azitromidna Crescem indícios de que a c Iarpquina Iroz riscos para quem esta infectado. Surgem pistas dc atividade anliviral da ivermectina. Ministério da Saúde (MS) reforça o uso do tratamento precoce. Médica da pasto diz que negar a prescrição pode ser enquadrado como crime. Pesquisas robustas c amp rpva rn a in pficác ia e o perigo da cloroquina, que caí ele vez em desgraça cientifica. A i ver medi na explode em popularidade. O kitCovid c distribuído por prefeituras e convênios, até paro pessoas sem diagnóstico fechada. A EXPLOSÃO DA IVERMECTINA Ô aniipamsitèrio tombou em vendas nas farmácias Brasil afora—mesmo sem evidências de efeito contra a Covid-19 Distrito Federal Roraima de aumento em vendas de aumento Minas Gerais de aumenlo de aumento MENOS DE 250' DE AUMENTO ENTRE 250 E 500% DE AUMENTO de aumento MAIS DE SOO'.. DE AUMENTO Papel dos carlicaides rios casos graves e confirmada, assim como a ineficácia da azitramicina na ausência de infecções bacíenanas. Ensaio brasileira da nitazoxanida e publicado em periódica internacional sem demonstrar beneficias na recuperação das pacientes. Dais estudos apontam benefícios (com incertezas) sobre a coldiicina Outro teste reaviva expectativas com o anticorpo todlizumabe. - Se/üar2020 Nov-Dei 2020 i n/Fev2021 Governo lanço campanha "Não Espere" , incentivando a busca por tratamento precoce ao surgirem os primeiros sintomas da doença. MS associa queda na taxa de letalidade docoranovirus no Brasil ã adoção do tratamento precoce. Os casos estavam, iia verdade, voltando a sulmS MS envia comitiva a Manaus poro difundir tratamento precoce nas unidades básicas ■ saúde. Àpp do governo instrui uso de dragas sem eficácia. VEJA SAUDE MARÇO 2021 Mars de 53 milhões de comprimidos de ivermectina foram vendidos no Brasil em 2020, um aumento de 557% em comparação ao ano de 2019 / TO 7\ ) MT BA Fonte: Concho Federal de Formado Apesar dos fracassos da cloro quina e da ivermectina, o reposicionamento de medicamentos já comercializados para outros problemas continua flemtotimeamjnbo promissor paraencon irar armas contra a Covíd-19, É uma via mais rápida e barata do que criar uma droga do zero. A equipe de Freitas rodou mais de 75 mil testes com 5 mil compostos e combinações com essa finalidade, Ainda em análise. os dados animam. “Conseguimos encontrar 100 bonseamlidaios» incluindo un: íiioterápico, e agora vamos aos estudos com animais”, detalha, Isso por que nâo bastam as teorias e as experiências com células isoladas. Se o fármaco demonstrar efeito nos primeiros testes, deve seguirem frente até se provar dct ivu e seguro em um grande número de pessoas. Do coulrário, pode causar mais mal do que bem, corno tem acontecido com o t;il tratamento precoce. *0 adepto se cura e acredita que foi o remédio, mas isso ocorrería independentemente do que ele fez em mais de 90% dos casos'; diz o infeetologista Alexandre Zavaseki* professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sim, o próprio organismo d chi: Ia o vírus na maioria das ve zes, E sem ter de padecer com reações adversas disparadas pelas medicações. O coquetel pode até parecer inofensivo, mas nâo é. Para complicar, quem se submete ao protocolo e se recupera (a maioria, como explicamos) não raro influencia a decisão do próximo, sugerindo saídas similares que, se não zoneiam o corpo, podem atrasar a bus ca por cuidado qualificado no hospital. Meu remédio favorito Saiu há pouco o primeiro estudo brasileiro avaliando os eventos adversos de fâirnacos prescriios contra ti Covíd 19.0 trabalho, publicado nos Cmkrrws de Saúde Pública, avaliou registros do sisteoia de farmacovigilânda da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no pico da pandemia entre março c agosto de 2020. Xo período, furam notificadas 631 reações em mais de 400 pacienl es, a maior parte delas (e as mm graves) causadas por cloroquina e azitromicina, "Os resultados indicam que, nos tempos de incerteza em que vivemos, é muito importante se ater ao uso de medicamentos coei siderando sua eficácia e segurança aprovadas apôs ensaios experimentais”, afirma o autor da análise, José Komérin Rabelo Melo, especialista cm re gulação sanitária da Anvisa. Essa é uma das provas, na vida real. dos riscos do suposto tratamento precoce. F é de imaginar que a coisa tenh a ficado ainda mais feia se pensarmos que a coleta de dados foi feita atiles da explosão da ivermeclina/Além disso. O OUTRO LADO DO KIT COVÍD Uscrr ou misíurar remédios sem avai cientifico rende efeitos co/aterars Cérebro • A ivermecfinutem potencial ncurot oxi co Além disso, ouso acaba funcionando como uma forma equivocada de e; !:r itir*€Íi::ci:: q,.e realmente nos protegem do coronavinis. Pulmões Tomar corticoideso rodo ou por canta tende a intensificara ataque do vírus. Fora que a demora na busca por atendimento pode fazer com que a oxige nação caia a níveis perigosos. Coração 1 Alterações de rilrno cardíaco, que indicam arritmias e elevam a risco de morte súbita, foram reportadas em pessoas tratadas com ctoroquina —dentro e fora do hospital. Aparelho digestivo Parece a fé um coquetel molotov por aqui. Nauseas, diarréias, vômitos, dores abdominais e enjoos êSlàa entre as reações mais frequentes, i Vasos sanguíneos O uso sem critério deanticoagulantes em cosos leves está associado ci hemorragias internas e sangromenios importantes caso ocorra algum acidente. 1 Fígado Alterações nas enzimas hepáticas c casos de hepatite medicamentosa, quadro grave que pode levar à morte, tem sido assoei adas a palifarmácia. * Rins Asuperdosagemde vitamina D. parte do kit„pode levara ihsuficiência renal. Aliás, alguns remédios nào podem ser usados por quem tem problemas nesses órgãos. ' Sistema imune üs antibióticos desnecessários financiam infecções hac ler ia nas resistentes às medicações, questão queja preocupava c pode explodir no pós-p ande mia. 11 estados não encaminharam casos suspeitos e sabemos que a subnotâfieação é um problema, podendo chegar a 95% do total de reações que de fato acontecem no pais" , porilua Mela “Na mundo ocidental, m remédios se tomaram um produto de conveniência, como um chiclete, algo que pode ser consumido sem critério", avalia o farmacêutico Wdlington Barras, consultor aú Ihk do Conselho Federal de Farmácia (CFF). Tamanha bánali/açiloelmnecla a chamada aulomçdi caçOu ir radonal Inclusive porque, no Brasil, ás vezes é mais fácil recorrer ao balcão da drogaria do que obter atendimento médico. No vácuo de respostas da ciência, a resolução simples e compactada cm cápsulas e comprimidos ganha ares sedutores — e ai reencenaoios filmes já vistos» “Na pandeuiia da gripe espanhola, o Brasil já apostava em ca ms milagrosas, entre elas o quinino, um ancedral da. cloroquina '. conto Barros. “É triste ver que estamos repetindo erros de um século atrás", lamenta. Os farmacêuticos enxergam nesse cenário uma oportunidade de repensar a maneira que lidamos cem i os medicam mios. “F preciso eulemlcr que Ia Íamos de tecnologias complexas, que demoram anos para sair do papel e podem ter também consequências negativas", reflete o farmacêutico Fláviu Emery, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USPüe Ribeirão Freto. Dados da bula não devem ser extrapolados para -nutras, indicações especi alm cn l:e se o objetivo for mi st u ntr drogas em doses e combinações inéditas e destina-las a um organismojã combalido. Nessas circunstâncias. o rernéd io pode v ira r veneno. (t- OS VÍRUS SIM REMÉDIO Com exceção da aidsr dos casos graves de herpes e das hepatites B e C, poucas doenças provocadas por vírus são combatidas com antívirais, Er mesmo no caso da aids, o HÍV permanece latente no organismo. Isso porque esses patágenos se embrenham nas células humanas e a ide ia é derrotà-los sem destrui-las e sofrem mutações constantes, o que faz muitos remédios perderem o efeito. Com a Covid-19, tudo leva a crer que as dificuldades sejam parecidas. 90% dos casos de Covid-19 melhoram sem a necessidade de internação, oxigênio ou remédios A cultura de “medicamentalizar" tudo não é nova nem exclusiva do Brasil O que nos diferencia á a persistência em seguir na dkeç&o errada na panderniu. “Até ternos defensores de protocolos do tipo em outros países* mas eles ficam k margem do debate público", aponta Salvador. Para citar um exemplo; o francês Didier RaoulL arauto da cloroquina, foi denunciado pelos colegas ao conselho de infeclõlõgistüsdeseu país e está sujeito a punições põr ler alardea do benefícios que. depois, não furam confirmados por outras pesquisas. Aqui. especialistas criticam o Conselho Federal de Medicina (CFM). que podería intervir e aconselhar melhor os profissionais da linha de frente, O órgão mantem há quase um ano a postura assumida em abril de 2020 diante da doruquina: apoiar a autonomia do médico em receitai' o que ele julgar adequado* desde que o paciente concorde com a prescrição sem embasamento de estudos e os riscos imbuídos nela. ■'Mas eu não posso, sob o pretexto da autonomia, submeter alguém a uma cirurgia desnecessária ou abrir mão de Iralainculos reconhecida*. F! corno a liberdade de expressão, tem Omites”, opina Zavascld Se a prerrogativa de I.ornar decisões não fosse dependente de evidências e condicionada a trazer mais benefícios que danos, o profissional podería fazer qualquer coisa e nunca ser processado por erro medico. '‘Temos uma situação delicada, pois, além do 1Lvre-arbitrio concedido pelo CFM, o médico é pressionado politicamentec pelo próprio paciente n prescrever algum remédio” analisa Patrícia Ftoeeo, chefe cio Laboratório de Investigação Pulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJJl A médica concluiu no ano passado uma pesquisa com um dos ingredientes do kil CovuJ. li nita^oxaiiida, outro vemiifugO. A investigação demonstrou redução de carga vinil dos estágios iniciais da doença, mas sem melhora nos sintomas. Só que os resultados foram divulgados com pompa pelo governo, como se gabaritassem o medicamento para permanecer no graal farmaealógim “Nossos achados apenas indicam que a droga merece ser mais hem estudada, não autorizam o usu iml i sai mi riâdr argumenl a Patrícia, A história da nitazoxanidu é uma dentre as muitas que ilustram outra face da pandemia. Como deij' otar o vírus é uma prioridade global, é de interesse de todos divulgar os melhores resultados e as perspectivas quinto antes. Assim, não apenas fomos obrigados-dcLinm hora puni a outra ;-i erikíndiT (èulé opinar sobre) o métiercientifico corno airnla temos de navegar num cenário atípico, em que estudos são divulgados sem a revisão dos pares, processo fundamental para podar vieses e talhas metodológicas e O BALANÇO DOS REMÉDIOS O que funaona, nào funciona e ainda está eme suidc con/ra o Covidí9 AVALIAÇÃO POSITIVA AVALIAÇÃO NEGATIVA ANTICORPOS MONQCLÜNAIS CÜRTKOIDE5 ANTICOAGULANTES COLCHICINA Na UH com oxigênio internados com risco Ainda em estudos Ainda em es tudos Beneficie obter dados confiáveis. Logo depois do anúncio de uma novidade, comeea uma corrida entre m aeadê- i» micos preocupados em analisara fundo a suposta evitlenda e emitir urc parecer. F, se de For niinisna mente animador, pronto: há chances de ser distorcí do por gente interessada, ficar descontextnalizado nas redes sociais ou até mesmo vi rar fake news. nos não aprendemos o método cientifico na faculdade, o que não é demérito nenhum, porque a medicina exige muitos outros sabores, mas devemos ci11ender essa lirnilaçãt:ierediIa Zavascki. \essa hora, é preciso ter humildade e contar com o apoio dos pesquisadores para checar se hipóteses se materializaram em estudos controlados — até eles suEsse circuito vicioso prejudica até aquelas estratégia j.. ocmisideradas eleti vas. Os eortieoides são boas íipções para I ralar casck gravese jpaeieiites ínlub;id<*s a dexametasoria foi o primeiro remédio a .se mns trar eficaz contra a Covid-19 nessas circunstâncias. Só que, alertam os experts. tem gente prescrevendo cedo demais ou abusando da dose. "Como modula a imunidade, o remédio deve ser usado no estágio avançado. No começo da infecção, a carga vira] é alta e ele pode, na verdâde, reduzir nossa capacidade de defesa" esclarece o infectologista Moacyr Silva Junior, do Ilospital Israelita Albert Einstdn, em São Paulo, A instituição, que atendeu o primeiro paciente com coronavírus no pais, implementou processos que aprimoraram o manejo da doença, mas aind a vi gente chegando ao pronlo socorro t;m:i sintonias que se complicaram pelo uso de corticoides (além da jeitos a falhas. A ciência não tem resposta para tudo e não é perfeita, mas é a melhor ferramenta d ispe tr i i vet fiar; i c< h is I ru ir a ml :ecir i icn tu. Nesse sentido, desmentir unia teoria dá fiirifo Ira balho quanto comprová-la. Foram meses para bater o martelo de que a cloroquiim não funciona. “Sé que houve uma drenagem considerável de recursos para . ■ i eu a j s s.uic , |ili:;,j;, I I'é *:: ;i ideologia não raro passa por cima dos dados científicos e tias boas práticas mediais. "Somos obrigados a prescrever drogas por ordem de superiores e sol iv mos ameaças veladas se nos recusamos" , denuncia um médico paulistano demitido do pronto-socorro de um convênio que, além de distribuir o kit. aposta em megadosesde vitamina D. "Existem indícios de que repor a deficiência do TUilrieiUe pode ser útil, em especial aos idosos, mas não recomendamos dosa- 5% dos pacientes ficam em estado critico c precisam de uma UTI dexametasonn, prednisdona) na hora errada. Separai o joio do trigo não é tãcil para a população e, às vezes, nem para os médicos. “Muitos de gens altas, que têm efeitos colaterais graves-', explica aendocriuologista Marise Lazaretti Castro, da Universidade Federal de São Paulo i;Un i tésp). © PLASMA CONVALESCENTE SUPLEMENTOS VITAMINA C E ZINCO CLORO QUI NA E HIDROXICLORO QUINA ANTIBIÓTICOS iDOXICILINA eazitflomicina: □ ESI VIR IVEHMECTINA 3 discreto Amda em estudos Sõ se houver coktíeeção Não funcionam Não fmdomm dos pacientes que precisam de ventilação mecânica morrem até seis meses depois da alta dos que foram internados pela Covid-19 precisam ser internados nova mente A polllica não ofusca a parte boa dessa história: a dos avanços concret os e qi i e es iãc»por v ir cíÉii Covid 19. Os especialistas têm esperança de que encontraremos tratamentos cada vez melhores para a doença, Hoje inclusive já temos medidas hospitalares e medicações eficazes na internação, quando a infecção e suas complicações são preocupantes. A já citada dexamelasona é a descoberta mais só ida até agora, '1-l;i reduz a mortalidade err cerca de um terço dos doentes com necessidade de ventilação mecânica invasíva ou ECMü {mpirador artificial que simula o trabalho dos pulmões], e em um quarto dos que precisam de qualquer tipo de suporte de oxigênio" resume o médico Guilherme Pessoa AiuoríisK da Universidade de Oxford, na Inglaterra. O pesquisador português ê um dos coordenadores do Recovery, mega iniciativa internacional que visa trazer respostas rápidas sobre medicamentos sem abrir mão do rigor cientifico. Em menos de urn ano, quase 40 mil voluntários participaram dos diferentes braços do projeto, que Iam bém trouxe evidências negativas sobre duroquina e azitromidna(elas de novo!), oantívinil lopinavir e a terapia de plasma do convalescente. Os próximos resultados a serem publicados pelo grupo devem destrine&ar eolchíciua e aspirina, dois comprimidos ámplamente iildi/ados.: o primeiro contra a gota; o segundo para amenizar dores e afinar o sangue. I ora dessa iniciativa, milhares de substâncias ainda estão em testes. Mas quem decolou pelas redes recentemente foi a oolchícina. Um pequeno estudo da USP de Ribeirão Preto constai ou que ela diminuiu o tempo de internação e a necessidade de oxigênio etn Indivíduos internados. Outro trabalho, o Colem ona do canadense Montreal I leart institute, mostrou que a molécula pode reduzir o risco de internação em quem tem fatores que compI icam a Covid-19, como idade avançada e doenças crônicas. “Mas a propaganda nesse caso íot maior que os dados reais. Nu fim das coalas, o sinal positivo foi fraco", interpreta opneumologista Rodolfo Augusto Ba celar de Athayde, do Complexo Hospitalar Dr. Clemeritino Fraga, em João Pessoa. Trocando em miúdos, seria preciso tratar uma grande quantidade de indivíduos para ter alguma diferença eslatistiea nu número de ntorles e hospiializações. Tudo a ser confirmado em novos ensaios. Ê o acumulado de provas criveis e favoráveis o que conta — sempre! Outra família fánnaoológica que tem melhorado o desfecho de alguns quadros mais sérios são os anticoagulantes* “Para a pequena parcela de pacicíiles que piora em ve/ de melhorar pur volla du sétimo dia de doença, eles ajudam a evitar fenômenos trombóticosó explica a pneumologista Elnnra Ncgri, do Hospital Sirio-Libanês, em São Paulo, e uma das primeiras médicas a notar que a infecção provocava entupimentos na chamada mierocircukiçfii i de diversos órgãos. Por enquanto, oxanlico agulantes são adotados em dose profilat ica, menor que a do tratamento de uma trombose. Mas pode ser que isso mude. “Estamos avaliando se usar a terapia plena no grupo de alto risco, com alterações nos exames, seria ainda melhor, inclusive para reduzir a ocorrência de sequelas que aparecem por causa desses micrcicoáguiOscouta F.inarâ. Cabe ressaltar que aqui se fala na administração de amticoflgulantes por meio de injeções em âmbito hospitalar. “O uso dos comprimidas em casa. além de não ajudar, ainda contribui para sangramcnlns". avisa a médica,, que até tem prescrito a versão oral, mas apenas após a alia do paciente. "Depois que a Covid-19 passa, os vasos sanguíneos ficam como uma estrada esburacada, por onde o sangue tem dificuldades de passar* justifica. Não é por menos que ouvimos relatos de pessoas que inTartaram depois de vencer a fase aguda, ou com sequelas inexplicáveis, como deli ei Is de menu) ria. (F-Irmnbns rns pequenos vasosOTiuni um pape nisso, mas não só eks... <íCom a inflamação sistêmica e adessaturaçâode oxigênio, que nem sempre é grave a ponto de exigir a suplementação, o cérebro pode ler seu funcionamento prejudicado, rnesiuu sem alterações rins exames de imagem" , diz a ricumpsicóloga Livía Stoceo Sandi.es Viilcrilin, do Insiitulo do Coração (InCor), que usa urn jogo virtual pura fia grar e amenizar prejuízos cognitivas. 0 pós-€ovid é um alerta soando cada vez mais alto para a urgência de aprimora r o tratamento, © 0TRATAMENTO CONTINUA DEPOIS DA CURA Snrfdfncu prolongados da Covid19 -IQ desafiam as profissionais Cérebro Raciocínio lento, dificuldade poro se lembrar de coisas simples eaté mesmo cic palavras podem surgir. Depressão e ansiedade estao se nd o rei alodas. Pulmões As marcas da ba 1 olha se transformam em cicatrizes, traduzidas em cansaço na realização de tareias diárias. Oxigênio pode ser necessário. Rins Até 30% das pessoas que passam pela UTI acabam precisando de hemodiàlise devido a danos nesse par de ürgâos. Cuidados continuam apos a aha. Músculos A perda de massa ocorre em pacientes internados na geral, mas a Covid-19 parece provocar um quadro ainda mais intenso, que abala a autonomia. Circulação 0 impacto d a infecção e do inflamação nos vasas sanguíneos kw subir o risca de infartos, tromboses e AVCs. Remédios são convocados. A Covid-19 é dividida em duas fases. Na prime ira, a aguda, os sintomas são intensas, mas o infectado se recupera em poucos dias, sem precisar de suporte hospitalar Para cerca de 10 a 15% deles, contudo, a história será outra. É o grupo que encara a tal da tempestade inflamaiória, uma resposta exagerada das defesas do corpo, que causa incêndios dos pés à cabeça, trava de vez os pulmões c pode levar à morte. Ela é a principal preocupação de quem enfrenta a doença.“Ainda lemos dificuldade de saber quem vai evoluir para essa segunda fase e não temos como impedir que ela ocorra", nota o médico Guilherme Furtado, Jider da intectologla do I ICor. em São Paulo. Éjustamente dessa tentativa de coordenar a defesa do corpo que devem sair os próximos achados positivos no tratamento. Se a dexametasona Ma de maneira mais generalizada a cascata de inflamação, vêm se somar a esse arsenal os anticorpos raonodonais. Essas medicações atuam em alvos específicos no organismo, num sistema de chave e fechadura. "Nos últimos meses, foram desenvolvidas novas rnulét nlas na tentativa de superar a ação limitada das substâncias reposidonadas de seu uso originar, conta Emery. Nessa toada, surgiram o bamlanivimab, da Eli Lilly, eocasirivinmbe o imdevimab» da Regenerou, anticorpos sintéticos inspirados naqueles criados pelo nosso organismo para identificar e neutralizar o Sãrs-CoV-2. Ainda em testes, eles receberam autorização emergrndal nos Estados l rii dos. L ainda são alvo de pesquisas anticorpos monodonaisjá existentes, como o tocilizumahe — que bloqueia a jjiterleucina-6, envolvida na inflamação, “Estudos grandes com ele tiveram resultados corilrudilõrios. Fm alguns, parecia potencializara ação doCOrtiCOide, nms, Tia nossa invedigação, houve um aumento no número de mortes. Então esta mos. reunindo todos esses dados para ver se existe um perfil específico que se beneficiaria dele" , relata a médica inlensivista Viviam Cordeiro Veiga, coordenadora da UTI da BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Entre as li mil ações dá estratégia. estariam o preço e a disponibilidade em larga escala, pois a fabricação é complexa. "Esses anticorpos são moléculas diferentes entre si. algumas promissoras, mas que enfrentam desafios logísticos. fora o ralo de serem injetáveis”, complementa Viviami„ que represenlá n Coalizão G)vid 19 RraC, grupo formado por aipins dos principais hospitais do pais e que integra a força-tarefa globa l coordenada pela OMS em busca de tratamento. A Coalizão, aliás, é um exemplo de investimento hem alocado e com propósito para ajudar a salvar os milhares de pacientes com a doença. Seus achados conversam com os do Reeovery, confirmando vantagens ou levantando dúvidas quando preciso, corno ocorreu com. o todlizumaho. Outro trunfo da investigação itrazer a realidade brasileira para o centro das pesquisas. Um dos braços da empreitada avalia os efeitos de longo prazo da Covid-19 no organismo, üs cientistas do grupo já viram, por exemplo, que até um quarto dos indivíduos com quadras graves morre cm até seis meses depois da alta, “E nossos dados indicam que mes müquem tem sintomas leves ou moderados pode ter sequelas a longo prazo que comprometem a qualidade de vida”, revela o intensivista Luciano Cesar Azevedo, do Hospital Sirio-Libanês. Esperança à vista? Se a medicina ainda luta para encontrar um jeito de evitar que a doença se agrave, pelo menos ela aprendeu a assistir o paciente para que ele não só sobreviva à infecção mas também não safra tantas i plicações. Um levantamento internacional mostra que, entre março e outubro, a mortalidade geral em UTls caiu de 60 para 39% ao redor do globo. O Brasil não foi incluído na conta, mas os dados nacionais trazem disparidades consideráveis entre sistema publico e privado, além de denunciarem uma realidade preocupante. A análise das priiticiras 250 mil hospitalizações no país, publicada no The Lancei Resptratoiy Medicine, revela que a letalidade aqui chega aos 80% para quem precisa de ventilação mecânica. Para salvar uma vida, não basta abrir mais leitos ou comprar oxigênio. “O segredo é ter uma equipe multidiseiplinar treinada, do técnico de enfermagem ao fisioterapeu ta, disponível para estar ao lado do indivíduo e detectar precocemente alterações que podem complicar o quadra Cada minuto conta” diz o intensivista Felipe Cabral, coordenador do TeleUTL projeto liderado pelo Hospital Moinhos de Vento, cm Porto Alegre, que orienta a distância 1 Tis dc Covid-19 do SUS ejá conseguiu reduzirem20% a mortalidade imsiuiida des atendidas. Iniciat ivas como essa, a Coalizão e tantas outras pelo Brasil têm tido um papel exemplar, mas precisam de apoio e coordenação das esferas superiores para consolidar e ampliar seu impacto. No inicio de 2021, em Manaus, médicos chegaram a ter que cuidar da 40 doentes mlieos ao mesmo tempo. Esses pacientes poderíam nem estar alL caso medidas preventivas tivessem sido implementadas a contento. Espera-se que a situação desoladora sirva, ao menos, para despertar una tratamento precoce contra as más decisões que só piorarn a pandemia. • A taxo de múrtúlkkjdenas UTls brasileiras es tâ em 35%. Ela fica em28t5% fio rede privada e sobe para CASOS GRAVES HOSPITALIZAÇÃO CASOS LEVES O TRATAMENTO IDEAL Co/t? o deve ser o atendimento nas diferentes evotuções da Covid-19 it+nv i&k ► Se q oxígenoção cai muito, a despeito do fornecimento de oxigênio» ou o estado de saúde gera! piora, o paciente vai a UTI. Para melhorar o circulação de ar nos pulmões, em certos casos o indivíduo na posição ( para baixo). I nimba ré uma decisão tomada em ultimo caso, quando o situação ja está bem grave. 0 método exige sedação profunda. 14 □ □□soa □ Diante de sintomas Só se deve Queixas mais Seo quadro piorar. brandos {ou com tomar remédios intensas melhoram com falta de ar, teste positivo), e que amenizam cm cerca de uma febre persistente. melhor ficar em sintomas como semana. Idosos cansaço extremo casa, isolado por febre e dor. Serviços e portadores de ou mal-estar 14 dias. Repouso e de telemedieina doenças crônicas generalizado, hora hi d ralação ajudam. orientam cuidados. demandam atenção. de ir ao hospital. Uma equipe mu Ifi profissional, capacitada para a UTI e sem sobrecarga de trabalho, e essencial. —■ iB — — Se o paciente Na hospital, o Medicamentos 0 oxigênio, se está com baixa oxigênio é medido como os necessário, é saturação de o todo momento e antícoagulantés oferecido por um oxigênio ou com o paciente realizo c outros entram cateter simples outros sinais de exame 5 periódicos em cena para ou máscaras não agravamento. para avaliar o combater invasivas, quando fica internado. corpo lodo. complicações. ei demanda é baixa. Dois a cada três infubados por causa da o A pessoa esta, enfim, recuperada. Mas deve Lü Covid-39 morrem. Os cuidados paliativos ■<4 o < QC ficar de olho nas complicações tardias, que £ ajudam a dar conforto no final da vida, podem surgir inclusive nos casos leves. Ficar O £ ^ e a humanizaçâo faz diferença aqui. Alguns hospitais tem permitido visitas mesmo na UTI, Em meio a tantos óbitos, é fundamental falar sobre isso. LU a u LU Gfi ^ com dificuldade para a nd ar, ca asado demais e com raciocínio lento não é normal, mas os idosos, especial mente, tendem a achar que “faz parte'" e deixam de procurar ajuda.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 23/03/2021 às 03h00

No atual momento da pandemia, as palavras vacinas e variantes fazem parte do cotidiano dos brasileiros. No entanto, entre cientistas, esses termos nunca deixaram o dia a dia: vacinas, pela certeza de que são a principal arma para sairmos da pandemia; e variantes, que, inevitavelmente, surgiriam em função da replicação viral numa população suscetível. Desde os primeiros seres vivos, a evolução se explica pela incorporação de erros na duplicação do genoma. Assim é com o Sars-CoV-2, um vírus cujo genoma é um RNA de aproximadamente 30 mil bases. Livre para se multiplicar numa população desprovida de resposta imune específica, o Sars-CoV-2 se propagou e acumulou alterações no seu genoma. Mas, para que elas sejam fixadas, essas alterações deveriam representar uma vantagem seletiva. Vejamos as girafas. Em algum momento da evolução, pescoço longo representou uma vantagem seletiva para acesso aos alimentos mais altos. Assim, a característica genética que define pescoço longo se fixou na espécie. Os dados mostram que as variantes identificadas na Inglaterra, na África do Sul e em Manaus oferecem essa vantagem seletiva: a maior eficiência da proteína S no processo de penetração nas células, o que lhe garante maior infectividade. Vários grupos investigam se, além de mais infectantes, essas variantes causam doença mais grave. Sabe-se hoje que, para a variante inglesa, há um aumento no risco de morte em idades mais avançadas. O maior aumento (de 17% para 25%) foi observado em homens com 85 anos ou mais. Hoje, a principal pressão seletiva que o SarsCoV-2 sofre é a resposta imune que infectados e vacinados desenvolveram. Assim, é esperado que algumas variantes escapem da defesa do organismo, em especial, dos anticorpos neutralizantes. Já temos evidências de que isso, de fato, ocorreu. Essas variantes são menos sensíveis, mas não refratárias aos mecanismos de neutralização. Dados publicados para diferentes variantes testadas contra soro de pacientes convalescentes ou vacinados com a vacina da Pfizer/BioNtech mostraram que a atividade neutralizante permanece. Dados de São Paulo mostram que o soro de vacinados com a CoronaVac ou soro de pacientes que se recuperaram da Covid-19 neutralizaram as cepas Original, PI (de Manaus) e P2 (do Rio de Janeiro) com eficácia comparável. E fundamental fazer o sequenciamento dos vírus circulantes para a detecção de novas variantes, estudá-las e, eventualmente, orientar a produção de novas gerações de vacinas. Porém o surgimento dessas variantes é um fenômeno autolimitante. Alterações na forma da proteína S podem também prejudicar a entrada na célula. Assim, é de esperar que, ao longo do tempo, tenhamos um equilíbrio na dinâmica da população do Sars-CoV-2. Nenhuma vacina se mostrou 100% eficaz na prevenção da infecção, mas várias mostraram eficácia na prevenção da quase totalidade das hospitalizações e dos óbitos. Por isso, observamos que pacientes já vacinados se infectam pelo vírus original ou por variantes. O que precisamos monitorar é se a evolução clínica dos pacientes vacinados se comporta de modo ines- As variantes com maior infectividade contribuem para o quadro que vivemos hoje? Sim, mas transferir a elas toda a culpa é fugir da nossa responsabilidade. As imagens de desrespeito ao distanciamento social são uma afronta ao conhecimento e às regras mínimas de cidadania. Conter a pressão no sistema de saúde e as mortes é prioridade. Se o vírus é capaz de se adaptar para viver mais, precisamos fazer o mesmo: comportamento seguro para a preservação de vidas. Luiz Reis é doutor em Imunologia e diretor de ensino e pesquisa do Hospital Sírio-Libanês; Paulo Chapchap é doutor em Cirurgia e diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês.