Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 17h29

Renata Domingues de Nóbrega, mulher de Carlos Alberto de Nóbrega, segue internada se recuperando da covid-19 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A médica, inclusive, está no quarto ao lado do comunicador de 84 anos, que também foi diagnosticado com a doença. Nas redes sociais, Renata compartilhou, nesta terça-feira (23) uma das sessões de fisioterapia e disse que faz os exercícios diariamente. Na segunda (22), Carlos Alberto e a mulher falaram sobre o estado de saúde deles e tranquilizaram os fãs. O apresentador foi levado ao hospital no último sábado (20), dois dias depois de Renata. Eles seguem internados, sem previsão de alta médica. Mumuzinho, Preta Gil, Luisa Mell: famosos que venceram a covid-19

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 15h19

SÃO PAULO - Um dos principais infectologistas do País, conhecido por tratar celebridades e políticos e por atuar no combate de epidemias há décadas, David Uip enfrentou um desafio diferente na pandemia de covid-19. Membro do centro de contingência contra o coronavírus do governo de São Paulo, o especialista e sua família foram alvos de ataques raivosos nas redes sociais e em sua clínica por causa da polêmica em torno de um possível tratamento do médico com hidroxicloroquina quando ele teve o diagnóstico da doença, no início da pandemia. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, 22, ao Estadão sobre o balanço de um ano da pandemia no País, Uip detalha as consequências da perseguição que sofreu e revela diz até ter sido chamado de criminoso por pacientes que o conheciam há anos. "Eu tive pacientes antigos que ligaram para o consultório e me chamaram de criminoso por eu 'não querer que as pessoas se curassem como eu me curei'. Foi algo muito pesado para a minha esposa, filhos e netos. Todo mundo que tem sobrenome Uip sofreu demais." Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa O especialista conta que, mesmo com décadas de atuação e experiência em epidemias como as de Aids, febre amarela e H1N1, nunca imaginou passar por isso. "Eu fui totalmente surpreendido com essa história em paralelo. Eu já era um indivíduo que combatia as fake news há anos. Tem reportagens minhas falando que fake news em saúde são uma desumanidade, mas o que aconteceu dessa vez superou qualquer das piores expectativas. Nem de perto eu esperei algo parecido." Ele afirma que a divulgação de desinformação foi um dos principais entraves para o combate à pandemia no País e diz estar preocupado com os próximos meses, com aumento de aglomerações e circulação de novas cepas. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. No início da pandemia e considerando sua experiência como infectologista em outras epidemias, você esperava que o Brasil teria um cenário tão catastrófico? Se você lembrar, no início da pandemia, vazou um vídeo de uma aula que eu fui dar no Incor (). Naquele vídeo, eu criava cenários, de 1% a 10% de contaminação (), justamente pra tentar estimar o que seria preciso fazer especialmente na questão do número de leitos. Até então, ninguém tinha ideia da dimensão naquele momento. Acho que começamos a ter dimensão quando foram divulgados os casos da Europa. Até então, os casos da China estavam muito localizados. A história tomou vulto com a divulgação da situação da Itália, da França, Espanha, Alemanha e percebeu-se que o problema tinha uma dimensão maior do que se imaginava. Mas de qualquer forma, quando você cria cenários, é uma forma de o gestor se preparar de diversas formas. O que importava eram as contas de que 80% iam ser indivíduos assintomáticos ou com poucos sintomas; 20%, sintomáticos precisando de alguma atenção médica; e 5% precisariam de UTI. O Estado de São Paulo, naquele momento, tinha 7 mil leitos de UTI: 3.500 de adultos e 3.500 de crianças. A primeira hipótese era transformar os leitos de crianças em leitos de adultos, o que não foi possível porque a estrutura é totalmente diferente e porque não se sabia como seriam as infecções de crianças e as outras infecções habituais. Então, de forma acertada, não se mexeu nos leitos infantis. Tivemos que aumentar os leitos de UTI, que chegaram a praticamente 10 mil. Então, esses cenários foram importantes para criar situações que embasaram decisões de governo. A pandemia é um aprendizado por dia, uma surpresa por hora. Em que momento o Brasil perdeu o controle da pandemia? Eu acompanhei o governo federal e ajudei em tudo que eu pude enquanto o Mandetta foi ministro. Quando o Nelson Teich passou a ser ministro, passei a colaborar e ajudar o Nelson, com quem eu mantenho uma ótima relação. Depois, eu me afastei totalmente do governo federal, não tive nenhuma participação e não tenho nenhuma observação a fazer. Não falo sobre o governo federal, não falo sobre o Ministério da Saúde. Você teve uma situação pessoal delicada, que foi a contaminação pela covid e a exposição de que você supostamente teria usado hidroxicloroquina (o que gerou ataques de seguidores do presidente Jair Bolsonaro). Isso te fez, de alguma forma, querer ficar mais longe dessas questões de análise das políticas da pandemia? Na verdade, eu só não voltei a coordenar o centro de contingência, mas eu continuo participando normalmente, nunca deixei de participar. Agora, aquilo que me aconteceu foi algo que não só me envolveu, mas foi uma crueldade com a minha família em cima de algo que nunca teve o menor nexo. Ao não divulgar o tratamento naquele momento, fiz algo que a ética recomendava. Se eu divulgasse que eu tomei qualquer medicamento, as pessoas iam sair comprando, tomando sem nenhum critério de controle. Se eu falasse que eu não tomei, era desesperança. Então, eu agi dentro de critérios éticos. Eticamente, você não pode ficar divulgando qualquer resultado de droga off label (uso de um remédio para condição diferente da prevista na bula). Naquele momento, não se sabia o valor positivo ou negativo de vários medicamentos, diferentemente de hoje. Então, eu acho que a minha postura foi totalmente ética. Jamais revelei tratamentos de pacientes e entendi que minha privacidade foi invadida, com consequências. Hoje, eu processo a pessoa que invadiu a minha privacidade divulgando uma receita que não tinha nada a ver comigo. Aquela receita, se você olhar a data, é de 5 de março. E eu tive o diagnóstico no dia 23 de março. Quando nós começamos a ver o tamanho da pandemia, aqui na clínica nós resolvemos comprar diversos medicamentos: antibióticos, anti-inflamatórios, antitérmicos, inclusive a cloroquina. É só ver a data e o número de comprimidos. Então, tudo aquilo que aconteceu nunca teve nenhum sentido. Foi algo muito pesado para a minha esposa, filhos e netos. Todo mundo que tem sobrenome Uip sofreu demais. Eram ataques nas redes sociais? Quais eram os argumentos? Eu tive pacientes antigos que ligaram para o consultório e me chamaram de criminoso por eu 'não querer que as pessoas se curassem como eu me curei'. Você conversa com as secretárias daqui, você não tem ideia do que aconteceu. Eu, criminoso? O que eu fiz de errado? A hipótese dessas pessoas é que você tinha usado o remédio e não queria divulgar para que outras pessoas tivessem o mesmo direito? Pois é, e foi exatamente o contrário, eu me preocupei com a população. Me preocupei com a possibilidade de as pessoas se automedicarem sem controle. Continuo achando que eu estava absolutamente correto. E que tipos de ataques fizeram contra a sua família? As redes sociais viraram uma loucura. Inclusive eu chamei os Uips e pedi para que ninguém se manifestasse, porque não adiantava. E o volume ia aumentando de uma forma que você não tem controle. Eu tenho um neto de 12 anos que tem acesso à internet. Calcula o impacto para ele. O jornalismo oficial e responsável me ajudou muito esclarecendo, mas nas redes sociais ninguém tem controle, para o bem e para o mal. E foram cruéis. Uma coisa é eu ser atacado, primeiro que eu não acho justo. Outra coisa é atacarem minha família. Isso é inadmissível. E mais: o que fiz de errado? Eu não tinha cargo, não tinha pretensão política e nunca fui remunerado, era um trabalho voluntário, que eu via como missão, por conta da minha história. Nunca vi sentido nesses ataques. E vocês descobriram quem vazou aquela receita? Descobrimos. Quando a receita vazou, os meus pacientes da minha clínica ficaram muito inseguros. Isso aqui é uma clínica complicada, tem muitos pacientes com doenças complexas, doenças que as pessoas querem privacidade. Quando vazou, houve um sentimento de quebra de sigilo da clínica, e não foi. A quebra de sigilo foi na farmácia, isso está identificado, processado e correndo na Justiça. O responsável vai responder por isso. Quem vazou foi a farmácia. Isso é importante esclarecer porque nós temos o maior cuidado em preservar todos os dados da clínica. Eu tenho consultório desde 1978, nunca vazou dado. Somos rigorosos quanto ao sigilo. Essa foi a outra consequência dessa história. E mais: naquela receita, estava o meu endereço residencial, todo mundo soube onde eu morava. Você esperava ter que lidar com isso em meio a tantas outras preocupações médicas sobre a pandemia? Já tinha passado por isso? Eu fui totalmente surpreendido com essa história em paralelo. Eu já era um indivíduo que combatia as fake news há anos. Tem reportagens minhas falando que fake news em saúde são uma desumanidade, mas o que aconteceu dessa vez superou qualquer das piores expectativas. Nem de perto eu esperei algo parecido. Você chegou a ter pacientes que deixaram a clínica? É uma coisa curiosa. Quando isso apertou, eu chamei meus filhos e falei: se tem uma coisa que vai prevalecer é a verdade. A verdade vai surgir. Para você ter ideia, eu tive paciente que me atacou e disse que nunca mais voltaria no meu consultório. Depois de dias, a pessoa teve covid e me chamou para acompanhar. E você aceitou? Claro, eu sou profissional. Não misturo as coisas. Pena que as pessoas misturaram. Mas eu, não. Acho que hoje todo mundo entendeu o que aconteceu, especialmente porque tentaram politizar a minha vida achando que eu estava usando daquela minha posição objetivando cargos ou eleições. Todo mundo percebeu que não tinha nada a ver, como nunca teve. Eu nunca tive pretensão política. Para além do seu caso, o quanto você acha que a disseminação de fake news ou de informações distorcidas atrapalhou o combate à pandemia? Eu ouvi coisas inacreditáveis de uma porção de médicos. Uns defendendo tratamentos não provados, outros dizendo que era uma doença sem consequências, que teríamos poucos casos no Brasil. Teve um que falou que teríamos só 3 mil casos no Brasil. Coisas que você se pergunta de onde saiu. Isso eu vi demais, de uma forma totalmente inconsequente e irresponsável e atrapalhou, sim, atrapalhou muito. Ainda hoje as pessoas duvidam da gravidade. Uma paciente minha de anos veio aqui na semana passada e falou: “Você está exagerando, não é tudo isso que você diz. Eu não tenho nenhum amigo que foi internado grave. Isso é coisa que vocês inventaram”. Tenho outra paciente que está tranquila porque está tomando ivermectina semanalmente e que acha que não vai pegar. Não consigo entender. Hoje, um ano depois, o que temos, de fato, comprovado sobre tratamento contra a covid? Nós não temos o tratamento etiológico (). O que nós fazemos é suporte de vida. Isso melhorou muito porque as equipes multiprofissionais estão muito mais treinadas. Hoje nós sabemos como lidar com doente grave. Para isso, precisa de equipes multiprofissionais treinadas e protocoladas e hospitais bem equipados. Isso faz diferença. Estamos chegando em limites como o uso do ECMO (), que é uma coisa que já existia, mas não para essa indicação de insuficiência respiratória aguda, e está ajudando a salvar muitos pacientes. Anticoagulação está muito melhor estudada. A hierarquização do suporte respiratório também. Tudo isso evoluiu, e muitos pacientes graves estão saindo vivos. Agora, o que falta é um remédio antiviral, faltam anticorpos monoclonais e que você consiga universalizar a vacina. Na sua visão, de que forma as novas cepas vão impactar a pandemia? Precisamos ser muito cuidadosos e, ao mesmo tempo, temos urgência nas respostas. Cuidadosos em responsabilizar essas alterações genômicas como mais infectantes, mais mórbidas e mais letais. O que está provado até hoje é que a cepa da Inglaterra é mais infectante, o resto nós precisamos provar. Nós temos urgência em provar. Não só a infectividade, morbidade e letalidade, mas como se comportam as vacinas Coronavac e a da AstraZeneca contra esse novo perfil de mutação. Uma coisa que me preocupa é que, em paralelo, isso coincide com momentos de maiores aglomerações. E qual deve ser a prioridade nesse momento? Vacinar, vacinar e vacinar. Mas com a limitação de doses, não teremos vacinas para todo mundo num curto período de tempo... Acredito que a falta de vacina é sazonal. Daqui a pouco nós teremos várias vacinas e múltiplas vacinas. Mas é um momento complicadíssimo porque estamos ainda sem conseguir vacinar um maior número de pessoas e aumentando o número de casos. Esses próximos meses serão complexos. Nesse cenário, acredita que há risco de colapso mesmo em sistemas mais estruturados, como São Paulo? Eu acho que São Paulo sustentou essa história até hoje. Foi pressionado, mas sustentou. Agora, temos desafios pela frente, e não são poucos. Tem que ver o índice de ocupação de UTIs, tem que ver o número de infectados por 100 mil habitantes, são novos desafios que têm que ser enfrentados imediatamente. O centro de contingência tem como atribuição, de forma científica e prática, assessorar o secretário e o governo. E é isso que o centro tem feito todas as semanas. Amanhã (), vamos ter uma reunião que trata de todos esses assuntos. Agora, o centro é um órgão assessor de governo, mas sempre a decisão final é do governo. A quarentena, no nível que temos hoje, está adequada ou terá que ficar mais rígida? Seguramente terá que ser alterada. Após um ano, o que mais te preocupa em relação a esses próximos meses de pandemia e como ela se diferencia de outras situações de emergência em saúde pública que você viveu? As pessoas estão cansadas, as pessoas precisam trabalhar, agora o que eu não entendo são as atitudes inconsequentes: festas, aglomerações, irresponsabilidades. Isso eu não entendo e acho que não há precedente. Nas crises anteriores, você tinha situações diferentes. Agora, você precisa de um envolvimento de toda a sociedade, e de uma vez. Isso, para mim, é inusitado. E o que fica de maior aprendizado? Para mim, na pandemia você aprende todo dia e você tem que ter a competência e a humildade de mudar de opinião. Você pensa de um jeito e, de repente, você se depara com uma situação que você não previa e você tem que se posicionar de outra forma. Pandemia é isso, um aprendizado por dia e você tem que ter muita humildade e senso crítico para ir aprendendo e mudando.

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 14h21

Especialistas afirmam que a falta de testagem e de sequenciamento genético de amostras dos infectados no Brasil são barreiras para entender o peso das novas mutações do Sars-CoV-2 na alta de internações de pacientes com a covid-19, mas acreditam que a influência dessas variantes ainda está no início. Em São Paulo, o total de pacientes na UTI é recorde na pandemia. Também preocupam as aglomerações vistas nas últimas semanas, como nas festas de ano-novo e no feriado do carnaval. A pandemia mexeu com a economia e os negócios no mundo todo. Venha aprender com quem conhece na EXAME Invest Pro O infectologista Max Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês, acredita que os efeitos das variantes podem estar no começo. "Ainda não tínhamos essas variantes quando a segunda onda começou (fim de 2020). Começamos a ter a contribuição das variantes agora e em localidades específicas", diz. "O que acontece é que temos um grande número de casos e, agora, essas variantes começam a ocupar porcentual maior deles." Pelo menos dez Estados já registraram a cepa amazônica do vírus, cujos estudos iniciais já apontaram maior potencial de transmissão. O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 de São Paulo Paulo Menezes, disse que a variante de Manaus é um "fator de muita preocupação". "Entendemos que a circulação da variante ainda tem uma proporção pequena, mas se ela for de fato mais transmissível é algo que pode contribuir para o recrudescimento de casos, internações e mortes", afirma. Ele aponta que as medidas restritivas são a única forma de reduzir a transmissão, mas que o balanço é difícil diante do impacto na vida das pessoas. De acordo com especialistas, o aumento de internações está relacionado com o afrouxamento das medidas de isolamento social, como aglomerações e reabertura de setores econômicos, além de viagens e festas durante o fim de ano e o carnaval. Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, não dá para "prever" a situação de outras cidades com base em Manaus e Araraquara, pois a letalidade é dependente não só da alta circulação, mas da capacidade de atendimento hospitalar em cada região. "Mas os ingredientes para termos o aumento estão todos aí: permeabilidade muito grande nas fronteiras no País, a gente não faz 'lockdown', os voos saem direto de Manaus para lá e para cá, as medidas de isolamento não têm grande adesão da população. A quantidade de pessoas não vacinadas ainda é enorme. Então, a produção de variantes Brasil afora é fato", afirma Kfouri.

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 13h30

Especialistas afirmam que a falta de testagem e de sequenciamento genético de amostras dos infectados no Brasil são barreiras para entender o peso das novas mutações do Sars-CoV-2 na alta de internações de pacientes com a covid-19, mas acreditam que a influência dessas variantes ainda está no início. Em São Paulo, o total de pacientes na UTI é recorde na pandemia. Também preocupam as aglomerações vistas nas últimas semanas, como nas festas de ano-novo e no feriado do carnaval. O infectologista Max Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês, acredita que os efeitos das variantes podem estar no começo. "Ainda não tínhamos essas variantes quando a segunda onda começou (fim de 2020). Começamos a ter a contribuição das variantes agora e em localidades específicas", diz. "O que acontece é que temos um grande número de casos e, agora, essas variantes começam a ocupar porcentual maior deles." Pelo menos dez Estados já registraram a cepa amazônica do vírus, cujos estudos iniciais já apontaram maior potencial de transmissão. O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 de São Paulo, Paulo Menezes, disse que a variante de Manaus é um "fator de muita preocupação". "Entendemos que a circulação da variante ainda tem uma proporção pequena, mas se ela for de fato mais transmissível é algo que pode contribuir para o recrudescimento de casos, internações e mortes", afirma. Ele aponta que as medidas restritivas são a única forma de reduzir a transmissão, mas que o balanço é difícil diante do impacto na vida das pessoas. De acordo com especialistas, o aumento de internações está relacionado com o afrouxamento das medidas de isolamento social, como aglomerações e reabertura de setores econômicos, além de viagens e festas durante o fim de ano e o carnaval. Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, não dá para "prever" a situação de outras cidades com base em Manaus e Araraquara, pois a letalidade é dependente não só da alta circulação, mas da capacidade de atendimento hospitalar em cada região. "Mas os ingredientes para termos o aumento estão todos aí: permeabilidade muito grande nas fronteiras no País, a gente não faz 'lockdown', os voos saem direto de Manaus para lá e para cá, as medidas de isolamento não têm grande adesão da população. A quantidade de pessoas não vacinadas ainda é enorme. Então, a produção de variantes Brasil afora é fato", afirma Kfouri. Copyright © Estadão. Todos os direitos reservados.

JORNAL HOJE/TV GLOBO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 13h43

Utis este é o maior número desde o início da pandemia a situação nos hospitais está fazendo com que cidades adotem restrições mais rígidas em relação ao que é estabelecido pelo governo do estado os moradores da rua japão tão acostumados a viver juntos mas separados é que essa rua residencial de vinte e duas cidades da grande são paulo do lado de cá onde mora a dona efigênia é são bernardo do campo atravessando a rua do lado de lá na casa do júnior é diadema já a partir do próximo fim de semana vai ter mais uma divisão entre eles e os porque os moradores de são bernardo do campo do lado de lá da rua vão ter que ficar em casa das dez da noite até às cinco da manhã júlio diadema desse lado aqui não vão ter por enquanto essa restrição um guarda pode sair o outro não vai ficar estranho para nós vamos ajudar em uma parte mais gelada de lá cabe à população obedecer cumpri-la em são bernardo decretou toque de recolher e também suspendeu o retorno das aulas por causa do aumento de casos segundo a prefeitura a ocupação das utis chegou num patamar jamais visto desde o início da pandemia ontem a rede pública estava com oitenta e sete por cento e a particular com noventa e um por cento dos leitos ocupados tivemos que interditar um evento com jovens com mais de quinhentas pessoas de um local aglomerado ninguém usando máscara mas ao fato de ter o toque de recolher nos permite um controle ainda maior essa médica infectologista do hospital sírio libanês explica que para frear a disseminação do vírus em regiões com grande circulação de pessoas as medidas e não podem ser isoladas e não é muito eficaz você por exemplo decretar lockdown um toque de recolher por exemplo a noite numa cidade quando esta cidade está inserida num contexto em que você tem várias cidades onde ocorre a circulação de pessoas entre uma cidade e outra então gente tem que ter essa visão mais macro o consórcio que reúne prefeitos da região do abc onde fica são bernardo vai se reunir hoje para discutir a situação no interior do estado cidades que estão com o número de casos e ocupação dos hospitais em alta estão adotando medidas para conter o vírus em araraquara o terceiro e último dia de lockdown foi de exército nas ruas e limpeza dos militares vão ficar até domingo ajudando na higienização da cidade e nas unidades de saúde fevereiro ainda nem acabou mas já é o mês com mais mortes e mais casos de ovídio dezenove em araraquara desde o início da pandemia já faz uma semana que as taxas de ocupação de uti e a enfermaria bateram cem por cento a situação fez com que quatro cidades vizinhas adotassem medidas mais restritivas para conter a circulação do vírus em campinas o sistema de saúde também está no limite ontem noventa e sete por cento dos leitos de uti estavam ocupados por isso de hoje até segunda-feira somente os serviços essenciais podem funcionar depois das nove da noite até às cinco da manhã já a prefeitura de jaú flexibilizou as regras que proibiam até que qualquer tipo de sistema drive-thru as restrições duraram uma semana e foram impostas porque não havia mais vagas em uti mas a flexibilização não significa que a situação esteja controlada só ontem treze mortes foram confirmadas por convite dezenove é o maior número de registros num único dia desde o início da pandemia e segundo a prefeitura hoje dos vinte e cinco leitos de uti há somente dois vagos na cidade o secretário de desenvolvimento regional do estado diz que monitora o avanço da convide dezenove e não descarta medidas mais restritivas as prefeituras têm essa responsabilidade e essa autonomia para serem mais restritivas que o estado de são paulo e seu regramento do supremo tribunal federal e também a responsabilidade de cada um deles deles então assim que identificarmos se identificarmos a necessidade no abc em qualquer região do estado de aumentar as restrições faremos imediatamente no nosso giro pelo país a gente para agora no rio grande do sul que vivem o pior momento desde o início da pandemia a ocupação de utis com pacientes com Covid19

AGÊNCIA FAPESP/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 12h07

Elton Alisson | Agência FAPESP – O COVID-19 Data Sharing/BR disponibilizou uma nova carga de dados, depositados por instituições participantes do primeiro repositório de acesso aberto do país com informações demográficas e de exames clínicos e laboratoriais anonimizados de pacientes que fizeram algum exame relacionado à COVID-19. A plataforma lançada em junho de 2020 por iniciativa da FAPESP em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) com o objetivo de subsidiar pesquisas científicas sobre a doença reúne, agora, dados anonimizados de 485 mil pacientes, aproximadamente 47 mil registros de desfecho e mais de 23 milhões de registros de exames clínicos e laboratoriais. Os dados abrangem o período de novembro de 2019 a dezembro de 2020. Ainda que o primeiro caso da doença no Brasil tenha sido registrado em fevereiro de 2020, pelo Hospital Albert Einstein, o período de cobertura dos dados permite aos pesquisadores analisarem o histórico de saúde, bem como buscar evidências de sintomas da COVID-19 em pacientes atendidos anteriormente. “Não se trata apenas de um aumento no volume de dados, o que seria esperado porque o período coberto é maior. Agora também há no repositório dados de mais duas instituições, o que permite ampliar o universo de estudos”, avalia Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e participante do projeto. “Há maior diversidade de dados de desfecho, por exemplo. Esse novo conjunto de informações, agora, cobre todo o ano de 2020, desde o primeiro registro da doença no Brasil, permitindo aos pesquisadores entender melhor a evolução da COVID-19 e analisar as novas ‘ondas’ de casos no país”, avalia Medeiros. A última carga de dados no repositório, feita em agosto de 2020, reunia informações de pacientes, dados de desfecho e exames clínicos e laboratoriais realizados em todo o país pelo Grupo Fleury, e na cidade de São Paulo pelos hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein. A nova carga reúne dados disponibilizados por essas instituições e também pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FM-USP) e pela BP – a Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Havia uma demanda por dados recentes no repositório. O aporte de dados feitos por essas novas instituições ampliou muito a variedade de informações disponíveis na plataforma e a cobertura temporal. Isso permitirá ampliar as pesquisas atuais e a realização de novos estudos mais abrangentes”, estima Medeiros. As instituições participantes da plataforma disponibilizam, além das informações, infraestrutura, tecnologias e recursos humanos próprios para viabilizar o compartilhamento de dados. “O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está contribuindo com um volume bastante expressivo de dados relativos às internações de milhares de pacientes atendidos em 2020, durante uma extraordinária operação que mobilizou toda a instituição”, diz Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, diretor da FM-USP. “Além do grande volume de informações que aportamos, estamos possibilitando um incremento importante da diversidade de dados que integram esse repositório de dados multi-institucional”, avalia. A BP também se mobilizou para fornecer dados de qualidade para pesquisas. Além de informações como data de nascimento, sexo, cidade e estado, a instituição disponibilizou todos os resultados de exames laboratoriais de pacientes que coletaram material biológico para o exame para detecção da COVID-19, independentemente do resultado. “A disponibilização de dados de desfecho permite também acompanhar a evolução dos pacientes. A exportação de dados é totalmente anonimizada, seguindo as tratativas da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais”, sublinha Lilian Quintal Hoffmann, diretora-executiva de tecnologia e operações da BP. Também integram a iniciativa a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), Instituto Pensi de Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil – vinculado ao Hospital Infantil Sabará – e Real Hospital Português de Beneficência, em Recife (PE). Tipos de dados os dados são disponibilizados em três categorias: demográficos (gênero, ano de nascimento e região de residência do paciente), de exames clínicos e/ou laboratoriais, além de informações, quando disponíveis, sobre a movimentação do paciente, como internações, por exemplo, e desfecho dos casos, como recuperação ou óbitos. Com base na análise dos resultados disponíveis no repositório de exames laboratoriais de quase 179 mil pessoas testadas para COVID-19 no Brasil – das quais 33,2 mil com diagnóstico confirmado –, um grupo de pesquisadores brasileiros identificou diferentes perfis clínicos da doença que são influenciados pelo sexo e pela idade do paciente, bem como pela gravidade do quadro (leia mais em agencia.fapesp.br/33927/). Além de fins científicos, os dados disponíveis na plataforma também têm sido utilizados por empresas para o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao combate da COVID-19, como um sistema de inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico e prognóstico de doenças criado pela startup DiagoNow. A plataforma digital, que utiliza dados de pacientes para criar indicadores e auxiliar médicos a tomar decisões clínicas, é capaz de detectar casos falso-negativos de COVID-19 com 95% de precisão utilizando apenas um hemograma. Para chegar a esse nível de acurácia, os pesquisadores participantes do projeto utilizaram mais de 30 mil amostras de análises de hemograma disponíveis no repositório. “O sistema ainda não está disponível comercialmente. Estamos avançando em parcerias com o Grupo Fleury e instituições como a Unimed de Florianópolis, a Santa Casa de Ourinhos e a BP, que estão nos ajudando no processo de validação da plataforma”, diz Molina Garcia, estudante de graduação em engenharia de computação na USP, em São Carlos, e líder de estratégia do projeto (leia mais em agencia.fapesp.br/34018/).

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 23/02/2021 às 05h00

Especialistas afirmam que a falta de testagem e de sequenciamento genético de amostras dos infectados no Brasil são barreiras para entender o peso das novas mutações do Sars-CoV-2 na alta de internações de pacientes com a covid-19, mas acreditam que a influência dessas variantes ainda está no início. Em São Paulo, o total de pacientes na UTI é recorde na pandemia.Também preocupam as aglomerações vistas nas últimas semanas, como nas festas de ano-novo e no feriado do carnaval. Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa O infectologista Max Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês, acredita que os efeitos das variantes podem estar no começo. “Ainda não tínhamos essas variantes quando a segunda onda começou (fim de 2020). Começamos a ter a contribuição das variantes agora e em localidades específicas”, diz. “O que acontece é que temos um grande número de casos e, agora, essas variantes começam a ocupar porcentual maior deles.” Pelo menos dez Estados já registraram a cepa amazônica do vírus, cujos estudos iniciais já apontaram maior potencial de transmissão. O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 de São Paulo, Paulo Menezes, disse que a variante de Manaus é um “fator de muita preocupação”. “Entendemos que a circulação da variante ainda tem uma proporção pequena, mas se ela for de fato mais transmissível é algo que pode contribuir para o recrudescimento de casos, internações e mortes”, afirma. Ela aponta que as medidas restritivas são a única forma de reduzir a transmissão, mas que o balanço é difícil diante do impacto na vida das pessoas. De acordo com especialistas, o aumento de internações está relacionado com o afrouxamento das medidas de isolamento social, como aglomerações e reabertura de setores econômicos, além de viagens e festas durante o fim de ano e o carnaval. Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, não dá para “prever” a situação de outras cidades com base em Manaus e Araraquara, pois a letalidade é dependente não só da alta circulação, mas da capacidade de atendimento hospitalar em cada região. “Mas os ingredientes para termos o aumento estão todos aí: permeabilidade muito grande nas fronteiras no País, a gente não faz lockdown, os voos saem direto de Manaus para lá e para cá, as medidas de isolamento não têm grande adesão da população. A quantidade de pessoas não vacinadas ainda é enorme. Então, a produção de variantes Brasil afora é fato”, afirma Kfouri.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | Outros
Data Veiculação: 23/02/2021 às 03h00

Sem data para receber novas doses em reunião com o governo federal, ontem, gestores da Secretaria de Saúde do DF foram informados de que o Lote de vacinas previsto para chegar hoje será entregue até o início de março. Contudo, não há prazo definido nem previsão de quantidade população do Distrito Federal esperava receber, hoje, mais doses de vacina contra a covid-19. No entanto, após a Secretaria de Saúde (SES-DF) ter a informação de que o repasse de novas unidades deve sofrer atrasos, a campanha de imunização corre risco de ser interrompida nesta semana. O informe saiu ontem, após reunião entre representantes da pasta e do Ministério da Saúde — que garantiram o envio dos imunizantes até o início de março. Até ontem, a capital federal tinha em estoque, aproximadamente, 6 mil unidades para aplicação da primeira dose. A quantidade é suficiente para mais um dia de vacinação, considerada a média diária. Caso fosse entregue na data esperada, o novo lote permitiria ampliar a campanha para, ao menos, pessoas com 78 anos. No entanto, com o atraso e sem um indicativo do total de novas vacinas que chegarão, integrantes da SES-DF não sabem quando novos grupos farão parte do processo de imunização. Os gestores da SES-DF também se preocupam com uma possível pausa forçada na aplicação da primeira dose, devido à falta de imunizantes. No estoque, restam 23.435 vacinas ao todo — sendo 17.249 reservadas para o reforço. Para o infectologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília Alexandre Cunha, a notícia do atraso é ruim. “Quanto mais demorarmos para avançar na imunização da população, mais a pandemia vai se estender. Todo atraso é relevante”, destaca. Alexandre Cunha acrescenta que o DF não está em uma situação confortável em relação à pandemia. “Não estamos em meio ao caos igual a outras unidades da Federação, mas, também, não está tranquilo. Neste momento, é importante reforçarmos as medidas de segurança sanitária, para evitar mais proliferação da covid19”, completa o médico. Pressão Após saber do atraso na entrega de mais doses e, consequentemente, da ampliação da campanha, representantes do Legislativo se pronunciaram. A Comissão da Vacinação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), por exemplo, informou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir celeridade no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) do governo da Bahia. O objetivo é pedir a anulação da medida provisória (MP) que centraliza no Ministério da Saúde a compra de imunizantes (leia na coluna Eixo Capital, na página 14). Integrantes da bancada do DF na Câmara dos Deputados informaram que devem levar a pauta da vacinação à reunião com o governador Ibaneis Rocha (MDB), amanhã, e que cobrarão respostas do governo federal em relação à disponibilidade de vacinas em todo o país. Os senadores que representam a capital federal pretendem reforçar na agenda questões relacionadas à vacinação. O Ministério da Saúde informou que o cronograma de envio das vacinas contra a covid19 será divulgado após a entrega dos produtos pelos laboratórios fornecedores. A pasta acrescentou que está prevista para esta semana a chegada de 2 milhões de doses da Covishield — da AstraZeneca/Oxford — importadas da índia. Outra remessa, com 2,7 milhões de doses da Corona-Vac, deve ser entregue ao governo federal nesta semana, pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O Ministério teria adotado estratégia para priorizar as unidades da Federação em situação mais críticas, segundo fontes informaram ao Correio. Entre elas, estariam estados com mais casos, mortes e maior ocupação de leitos por pacientes com covid-19. Pandemia Entre domingo e ontem, a SESDF confirmou 951 novos casos da doença e mais nove mortes. O total de registros chegou a 290.771, sendo que cerca de 280 mil (96,5%) se recuperaram e 4.766 (1,6%) não resistiram às complicações da infecção. A ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) voltadas ao tratamento de pacientes com o novo coronavírus chegou a 90,3% na capital federal. Atualmente, há 172 vagas na rede pública e 220, no particular. Do total, 310 estão ocupados, 64 livres e 18 bloqueados, aguardando liberação. A secretaria informou, por meio de nota, que ativou 40 leitos no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e 15 no Hospital Daher. Até amanhã, a pasta pretende abrir 13 vagas, sendo sete no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), com inauguração de nova ala, e seis no Hospital de Campanha da Polícia Militar. Em relação à quantidade de vacinas disponíveis até a noite de ontem, o total era suficiente para meio dia de atendimento hoje, com aplicação da primeira dose. No caso do reforço, as disponíveis no estoque permitem a vacinação por 19 dias. Segundo balanço mais recente divulgado pela SES-DF, 116.604 pessoas receberam a primeira dose no DF, e 23.791,a segunda. tf Quanto mais demorarmos para avançar na imunização da 3 população, mais a pandemia vai se estender. Todo atraso é relevante" Alexandre Cunha, infectologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília Palavra de especialista Situação no DF exige prevenção Prevemos que as próximas semanas serão as piores no Distrito Federal, em relação ao número de casos eà ocupação de leitos em hospitais que tratam covid-19, devido às aglomerações e festas clandestinas registradas no feriado de Carnaval. O impacto da pausa da vacinação não será imediato, mas, quanto mais tempo demorarmos para vacinaras pessoas e ampliar a campanha de imunização, mais casos vão aparecer, mais pessoas vão precisar ser hospitalizadas e, consequentemente, teremos mais mortes. Isso tudo somado pode levar a vários outros problemas, como surgimento de mais variantes do novo coronavírus e sobrecarga do sistema de saúde. Reforço que, neste momento, é necessário prevenção. A falta de vacinas é um problema que atinge todo o país, mas é preciso que, enquanto os imunizantes não chegarem, todos façam sua parte. Usem máscaras, realmente evitem aglomerações e higienizem as mãos constantemente. Leandro Machado, infectologista e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Ed Alves/CB/D.A Press Com 6 mil unidades em estoque para a primeira dose, vacinação corre o risco de ser interrompida hoje; distritais vão ao STF para pedir compra direta SAMARA SCHWINGEL

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 23/02/2021 às 03h00

Internações atingem pico e Estado terá mais restrições O Estado de São Paulo registrou alta de 5,6% nas internações em UTIs, com 6.410 pacientes, o maior número desde o início da pandemia. Na capital, a taxa de ocupação das UTIs é de 70%, a mais elevada em três meses, e 22% dos 1.218 internados são de outras cidades. O governo endurecerá as medidas de restrição, metrópole / pág. ais houve alta de 5,6% em relação à semana anterior. 0 interior é um dos principais focos de atenção e especialistas se preocupam com as novas variantes do coronavírus, como a cepa de Manaus. Na capital, a ocupação das UTIs é de 70%, a mais elevada em três meses SP tem o maior ne de internações em UTI por covid e vai endurecer restrições Paulo Favero Marco Antônio Carvalho Erika Motoda O Estado de São Paulo atingiu o maior número de internações em UTI desde o início da pandemia, em março de 2020. Houve alta de 5,6% em relação à semana anterior. O interior é um dos principais focos de atenção e especialistas se preocupam com as novas variantes do coronavírus, como a cepa de Manaus. Estudos preliminares indicam que ela tem maior potencial de transmissão. A gestão João Doria (PSDB) já prevê endurecer medidas de restrição ainda esta semana. “Nossa atenção está ainda maior. Esse incremento de 5,6% no número de internações mostra o quanto existe a circulação intensa do vírus. Em julho de 2020, tivemos o pico de 6.250 internados, agora atingimos o número de 6.410 internados em UTI. Ultrapassamos o maior número da história da pandemia e temos de ter atenção especial a algumas regiões do Estado”, disse Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde. No Estado, a taxa de ocupação de UTIs é de 67,9%. e 67,8% na Grande São Paulo. Na capital, a taxa de ocupação das UTIs é de 70%, amais elevada em três meses, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. Dos pacientes de terapia intensiva, 22% são moradores de outras cidades. “A gente acaba recebendo muita gente de outros municípios. Estamos fazendo um monitoramento intenso e faremos reuniões sobre isso. Mas a cidade sempre foi mais restritiva do que as medidas previstas pelo Plano São Paulo (programa estadual de reabertura econômica'). Não há problema em tomar medidas nesse sentido”, afirma Aparecido. A gestão Doria também tem cobrado aumento de verba da União para vagas em UTI o governo paulista reclama de diminuição dos repasses. O Ministério Público Federal pediu na semana passada que a Justiça análise com urgência a situação de leitos financiados pelo Ministério da Saúde no Estado. Segundo João Gabbardo, GOVERNO SP Recorde. Doria e a equipe da Saúde ontem: aumento nas internações ‘mostra a circulação intensa do vírus’; circulação de variante ‘ainda é pequena’ Vacmòmetro 'ji'. ” J7- - . Íí • ■ A. São Bernardo terá toque de recolher e atrasa volta às aulas • Diante do aumento no número de mortes pela covid-19 e superlotação nos leitos de terapia intensiva (UTI), a prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC, anunciou que haverá toque de recolher na cidade a partir de sábado, entre 22 horas e 5 horas. Além disso, também decretou a suspensão das aulas presenciais na rede pública e na rede privada. 0 retorno deveria acontecer no próximo dia l9 e ficou agora para dia 15. De acordo com o Ministério da Saúde, o total de casos em São Bernardo chegou a coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, órgão ligado ao governo, preocupa o quadro no interior. “O Centro de Contingência apresentou re- 43.327 e mortes são 1.471. Presidente Prudente e Barretos também terão medidas mais restritivas no plano de combate à covid-19, regredindo para a fase vermelha do Plano SP. Em Araraquara, o lockdown total voltou a deixar as ruas desertas nesta segunda-feira. Bancos estão fechados, supermercados só atendem por delivery e blitze na cidade abordam os poucos carros em circulação. Com medo do novo coronavírus e de suas mutações, quatro cidades próximas de Araraquara também decretaram lockdown. São: Américo Brasiliense, Boa Esperança do Sul, Rincão e Santa Lúcia. Linhas de ônibus entre cidades foram suspensas, /josé MARIA TOMAZELA comendações extraordinárias e o governo está fazendo análise disso. Essas medidas adicionais ao Plano São Paulo serão anunciadas na quarta, para entrarem em vigor na sexta. Entre elas está a redução da mobilidade, que é o que podemos fazer neste momento para reduzir a transmissibilidade”, disse, sem detalhar as futuras medidas. Algumas cidades do interior já decretaram lockdown para tentar reduzir a transmissão do vírus. Araraquara é um dos municípios que fecharam tudo incluindo supermercados para tentar conter a contaminação. Ao menos quatro regiões do Estado (Presidente Prudente, Barretos, Araraquara/São Carlos e Bauru) estão no alerta máximo, a fase vermelha. Com o agravamento da pandemia, gestores têm endurecido as medidas de isolamento. Medidas de toque de recolher têm sido adotadas em outros Estados, como Bahia, Ceará e Paraná. Causas. Especialistas afirmam que a falta de testagem e de sequenciamento genético de amostras dos infectados são barreiras para entender o peso das novas mutações do Sars- C0V-2 no aumento de internações. Pelo menos dez Estados já registraram a cepa amazônica. Também preocupam as aglomerações vistas nas últimas semanas, como nas festas de ano-novo e no feriado do carnaval. “Entendemos que a circulação da variante ainda tem uma proporção pequena, mas se ela for de fato mais transmissível é algo que pode contribuir para o recrudescimento de casos, internações e mortes”, afirma Paulo Menezes, do Centro de Contingência. O infectologistaMax Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês, acredita que os efeitos das variantes podem estar no começo. “Ain- • Média acima de mil A média móvel de mortes por covid-19 ficou em 1.055 nesta segunda-feira, segundo o consórcio de veículos de imprensa. Foram registrados 716 novos óbitos e 30.231 casos. da não tínhamos essas variantes quando a segunda onda começou (fim de 2026). Começamos a ter a contribuição das variantes agora e em localidades específicas”, diz. “O que acontece é que temos um grande número de casos e, agora, essas variantes começam a ocupar porcentual maior deles.” Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, não dá para “prever” a situação de outras cidades com base em Manaus e Araraquara, pois a letalidade é dependente não só da alta circulação, mas da capacidade de atendimento hospitalar em cada região. “Mas os ingredientes para termos o aumento estão todos aí: permeabilidade muito grande nas fronteiras no País, a gente não faz lockdown, os voos saem direto de Manaus para lá e para cá, as medidas de isolamento não têm grande adesão da população. A quantidade de pessoas não vacinadas ainda é enorme. Então, a produção de variantes Brasil afora é fato”, disse.