Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

PFARMA.COM.BR
Data Veiculação: 22/11/2021 às 20h58

Dose de heparina capaz de evitar mortes por COVID-19 é quatro vezes maior que a recomendada pela OMS Constatação foi feita em ensaio clínico com 465 pacientes atendidos em 28 hospitais de seis países, entre eles o Brasil. No grupo que recebeu a dose terapêutica do fármaco anticoagulante o risco de morte foi 78% menor O anticoagulante heparina reduz em 78% o risco de morrer por complicações da COVID-19 se administrado em dose terapêutica assim que o paciente chega ao hospital com sinais de insuficiência respiratória, indica estudo publicado nesta quinta-feira (14/10) no Bristish Medical Journal. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda para esses casos apenas uma dose profilática do fármaco (indicada para prevenir trombose), que é quatro vezes menor que a dose terapêutica e não mostrou benefícios no ensaio clínico randomizado. A pesquisa envolveu 465 pacientes atendidos em 28 hospitais de seis países, entre eles o Brasil. “A gente acredita que esses resultados devem mudar a prática clínica”, diz à Agência FAPESP a médica Elnara Negri, coautora do artigo e integrante das equipes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e do Hospital Sírio-Libanês. A pesquisadora ressalta, porém, que a recomendação não vale para todo mundo que for diagnosticado com a COVID-19. “O tratamento é indicado apenas para quem for internado e somente sob supervisão médica. Se uma pessoa tomar anticoagulante sem necessidade ou orientação pode sangrar até morrer.” Participaram do ensaio clínico pacientes de ambos os sexos, com idade média de 60 anos, que deram entrada no hospital com saturação de oxigênio igual ou inferior a 93%. O objetivo foi avaliar o efeito da heparina sobre vários possíveis desfechos da infecção pelo SARS-CoV-2. Além de redução na mortalidade, portanto, buscou-se observar se o tratamento reduziria a necessidade de ventilação não invasiva (com cateter de alto fluxo ou máscara de oxigênio), de intubação e de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os voluntários foram divididos em dois grupos, um tratado com a dose terapêutica e outro que recebeu apenas a dose profilática (grupo controle). O efeito sobre os desfechos foram avaliados 28 dias após a administração do fármaco. “Não vimos diferença expressiva em termos de necessidade de internação em UTI, de ventilação não invasiva ou de intubação. Mas o número de mortes foi significativamente menor no grupo que recebeu a dose terapêutica. E a ocorrência de sangramentos importantes, que foi o principal efeito adverso observado no estudo, foi muito baixa. Ou seja, a terapia é segura”, afirma a médica. Os resultados evidenciam ainda que, para trazer benefícios, a heparina deve ser administrada entre o sétimo e o 14o dia após o início dos sintomas. Estudos anteriores já haviam mostrado que a anticoagulação não traz resultados importantes quando é feita após a internação em UTI. A médica destaca que os benefícios nessa fase da doença foram observados apenas com o uso de heparina injetável. Anticoagulantes ministrados por via oral não surtiram efeito. “Isso possivelmente se deve ao fato de esse fármaco também ter efeitos antivirais e anti-inflamatórios já confirmados no contexto da COVID-19. A boa notícia é que se trata de uma droga barata e disponível no SUS [Sistema Único de Saúde].” Primeiras evidências em parceria com os colegas do Departamento de Patologia da FM-USP Marisa Dolhnikoff e Paulo Saldiva, Negri foi uma das primeiras pessoas no mundo a levantar a hipótese de que distúrbios de coagulação sanguínea estariam na base dos sintomas mais graves da COVID-19 – entre eles insuficiência respiratória e fibrose pulmonar. O grupo publicou o primeiro artigo da literatura científica que descreveu “evidências patológicas de fenômenos trombóticos pulmonares em COVID-19 grave” (leia mais em: agencia.fapesp.br/33175). “O vírus entra pelo sistema respiratório e alguns organismos conseguem contê-lo antes que chegue aos alvéolos pulmonares. Mas quando ele invade os capilares que irrigam o pulmão começa a fazer buracos no endotélio [camada de células que reveste a parte interna dos vasos] e isso faz com que o sangue comece a empelotar. Formam-se microtrombos que impedem a passagem do sangue para as estruturas pulmonares onde ocorrem as trocas gasosas”, explica. A heparina ajuda a evitar que isso ocorra por dois mecanismos: o fármaco desfaz os microtrombos que impedem o oxigênio de passar do alvéolo para as pequenas artérias pulmonares e, além disso, ajuda na recuperação do endotélio vascular. Estudos publicados no último ano indicam que aproximadamente 15% dos infectados pelo novo coronavírus desenvolvem alterações na coagulação sanguínea. “Essa é a população que pode se beneficiar do tratamento com heparina, mas o timing é fundamental”, diz Negri. O artigo Effectiveness of therapeutic heparin versus prophylactic heparin on death, mechanical ventilation, or intensive care unit admission in moderately ill patients with covid-19 admitted to hospital: RAPID randomised clinical trial pode ser lido em: www.bmj.com/content/375/bmj.n2400.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 22/11/2021 às 06h00

Diante de uma realidade mais controlada da pandemia da covid-19, o Brasil assiste a alguns países da Europa e os Estados Unidos enfrentarem uma nova onda de casos e mortes pela doença e à retomada de restrições. O problema lá fora acontece por um conjunto de fatores, como uma baixa taxa de cobertura vacinal em alguns países, além da presença da variante delta — conhecida por ser mais transmissível —, além da aproximação do inverno no Hemisfério Norte. Apesar de terem desembarcado, na manhã de ontem, no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), mais de dois milhões de doses de vacinas contra a covid-19 doadas pelos Estados Unidos, especialistas indicam que o Brasil não está alheio às novas ondas que acometem outras nações. Por causa disso, apontam estratégias que podem fazer o país não ter de voltar a conviver com uma escalada de mortes causadas pelo novo coronavírus. André Bon, infectologista do Hospital Brasília, afirma que a vantagem brasileira é que a expansão da vacinação pode ser um fator inibidor do avanço da covid-19. "A cobertura vacinal cada vez mais ampla na nossa população nos dá certa segurança quanto a essa questão", salienta. O infectologista lembra que a adesão às campanhas de vacinação no Brasil é mais um aspecto que o diferencia de outros países. "A gente tem, culturalmente, uma população que adere muito à vacinação, bem maior do que países europeus e Estados Unidos", observa. Infectologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, Valéria Paes concorda e ressalta que o momento de maior tranquilidade vivido no Brasil está relacionado à vacinação, que já imunizou completamente contra a covid-19 131 milhões de pessoas. "Como vemos lá fora, esse aumento de casos ocorre principalmente entre os não vacinados. Temos que buscar quem não tomou a primeira dose e fazer com que quem tomou apenas esta tome a segunda", aponta. Terceira dose Jonas Brant, epidemiologista e coordenador da sala de situação de saúde da Universidade de Brasília (UnB), lembra que a dose de reforço vem como um "ganho" no combate contra uma nova onda de covid-19. "A gente tem visto que, a partir do quinto ou sexto mês, a imunidade contra o vírus começa a diminuir. Logo, a aplicação da dose de reforço garante que as pessoas voltem a ter um nível alto de imunidade contra o vírus", explica. Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da aplicação da injeção adicional, que agora deve ser ministrada a toda a população adulta brasileira cinco meses depois da segunda dose. Valéria Paes vê o anúncio da expansão da dose de reforço como uma vantagem do Brasil. "O fato de essa terceira dose ser viabilizada no Brasil, antes de uma nova onda, diferentemente da Europa, é uma vantagem. Começar a vacinar quando já se vive um aumento de casos é pior. Se a gente puder antecipar essa injeção para evitar uma nova onda, com certeza ela vai ajudar a evitar um aumento de casos", avalia. Atenção Brant e os especialistas ouvidos pelo Correio ressaltam que, apesar de tudo, o Brasil não está alheio às novas ondas que acometem outros países. O epidemiologista diz que é preciso estar atento à situação da Europa. "Com as férias de fim de ano, há um grande trânsito entre o Brasil e Europa, e isso pode nos levar a ter um maior número de exposições a outras variantes do vírus", alerta. Ele explica que essas novas cepas podem ganhar vantagem na "competição" com outras que circulam no Brasil. Além disso, Jonas Brant reforça que a vacinação sozinha não é suficiente. Ele elege o tripé "vigilância, organização dos serviços (para detectar os casos rapidamente) e ações de bloqueio" como determinante para evitar uma nova onda. "O Brasil tem apostado muito no fortalecimento da vacinação. Mas também precisa fortalecer a atenção primária, a vigilância e a testagem para que estejamos preparados para detectar rapidamente qualquer nova variante, novos casos, e isolar essa transmissão", observa. *Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 22/11/2021 às 03h00

País alerta contra nova onda de covid Vacinação é o trunfo brasileiro para evitar que chegue aqui o avanço da doença como na Europa e nos EUA iante de uma realidade mais controlada da pandemia da covid-19, o Brasil assiste a alguns países da Europa e os Estados Unidos enfrentarem uma nova onda de casos e mortes pela doença e à retomada de restrições. O problema lá fora acontece por um conjunto de fatores, como uma baixa taxa de cobertura vacinai em alguns países, além da presença da variante delta — conhecida por ser mais transmissível —, além da aproximação do inverno no Hemisfério Norte. Apesar de terem desembarcado, na manhã de ontem, no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), mais de dois milhões de doses de vacinas contra a covid-19 doadas pelos Estados Unidos, especialistas indicam que o Brasil não está alheio às novas ondas que acometem outras nações. Por causa disso, apontam estratégias que podem fazer o país não ter de voltar a conviver com uma escalada de mortes causadas pelo novo coronavírus. André Bon, infectologista do Hospital Brasília, afirma que a vantagem brasileira é que a expansão da vacinação pode ser um fator inibidor do avanço da covid-19. “A cobertura vacinai cada vez mais ampla na nossa população nos dá certa segurança quanto a essa questão”, salienta. O infectologista lembra que a adesão às campanhas de vacinação no Brasil é mais um aspecto que o diferencia de outros países. “A gente tem, culturalmente, uma população que adere muito à vacinação, bem maior do que países europeus e Estados Unidos”, observa. Infectologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, Valéria Paes concorda e ressalta que o momento de maior tranquilidade vivido no Brasil está relacionado à vacinação, que já imunizou completamente contra a covid-19 131 milhões de pessoas. “Como vemos lá fora, esse aumento de casos ocorre principalmente entre os não vacinados. Temos que buscar quem não tomou a primeira dose e fazer com que quem tomou apenas esta tome a segunda", aponta. Terceira dose Jonas Brant, epidemiologista e coordenador da sala de situação de saúde da Universidade de Brasília (UnB), lembra que a dose de reforço vem como um “ganho” no combate contra uma nova onda de covid-19. “A gente tem visto que, a partir do quinto ou sexto mês, a imunidade contra o vírus começa a diminuir. Logo, a aplicação da dose de reforço garante que as pessoas voltem a ter um nível alto de imunidade contra o virus”, explica. Na semana passada, 0 Ministério da Saúde anunciou a ampliação da aplicação da injeção adicional, que agora deve ser ministrada a toda a população adulta brasileira cinco meses depois da segunda dose. Valéria Paes vê 0 anúncio da expansão da dose de reforço como uma vantagem do Brasil. “O fato de essa terceira dose ser viabilizada no Brasil, antes de uma nova onda, diferentemente da Europa, é uma vantagem. Começar a vacinar quando já se vive um aumento de casos é pior. Se a gente puder antecipar essa injeção para evitar uma nova onda, com certeza ela vai ajudar a evitar um aumento de casos”, avalia. Atenção > Brant e os especialistas ouvidos pelo Correio ressaltam que, apesar de tudo, 0 Brasil não está alheio às novas ondas que acometem outros países. O epidemiologista diz que é preciso estar atento à situação da Europa. “Com as férias de fim de ano, há um grande trânsito entre o Brasil e Europa, e isso pode nos levar a ter um maior número de exposições a outras variantes do vírus”, alerta. Ele explica que essas novas cepas podem ganhar vantagem na “competição” com outras que circulam no Brasil. Além disso, Jonas Brant reforça que a vacinação sozinha não é suficiente. Ele elege 0 tripé “vigilância, organização dos serviços (para detectar os casos rapidamente) e ações de bloqueio" como determinante para evitar uma nova onda. “O Brasil tem apostado muito no fortalecimento da vacinação. Mas também precisa fortalecer a atenção primária, a vigilância e a testagem para que estejamos preparados para detectar rapidamente qualquer nova variante, novos casos, e isolar essa transmissão”, observa.