Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 22/09/2020 às 23h18

Bebês nascidos de gestantes com covid-19 apresentam poucos problemas adversos. É o que mostra um estudo feito por cientistas americanos. Os investigadores acompanharam o parto de mais de 200 mulheres e constataram que apenas 1% dos filhos das infectadas pelo novo coronavírus testou positivo para a enfermidade. Os pesquisadores também observaram que, quando alguma complicação foi registrada, a maioria dos recém-nascidos ficou bem em até oito semanas. Os dados foram divulgados na revista especializada Clinical Infectious Diseases. No artigo, os autores destacam que já se sabe que grávidas infectadas pelo vírus da gripe correm o risco de sofrerem alterações no sistema imunológico, o que pode aumentar a possibilidade de surgimento de doenças graves. Os cientistas resolveram investigar se o patógeno da covid-19 também poderia gerar complicações nessas mulheres. “Embora estudos relatem que a infecção pelo Sars-CoV-2 em grávidas aumenta o risco de parto prematuro e que essa enfermidade pode ser transmitida da mãe para o bebê, os riscos gerais para as crianças não eram conhecidos e quase nenhuma informação sobre como a covid-19 afeta os bebês à medida que elas crescem está disponível”, detalham. Os cientistas acompanharam o parto de 179 mães com teste positivo para a infecção pelo Sars-CoV-2 e 84, com teste negativo. As mulheres tinham, em média, 31 anos. Os nascimentos das crianças ocorreram em mais de 100 hospitais dos Estados Unidos. Do total de 263 bebês, 44 precisaram ser admitidos em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Nenhum deles apresentava problemas respiratórios, como pneumonia. E não houve registro de complicações maiores nas oito semanas seguintes. Entre os bebês nascidos de mães com teste positivo para o coronavírus, a incidência de Sars-CoV-2 positivo foi baixa: 1,1%. A infecção pareceu não afetar esses bebês, segundo os autores. “Eles estão bem, e isso é maravilhoso”, destaca, em comunicado, Valerie J. Flaherman, professora-associada de pediatria e de epidemiologia e bioestatística da Universidade da Califórnia. “Quando o coronavírus apareceu pela primeira vez, havia muitas complicações estranhas e infelizes associadas a ele, mas quase não tínhamos informações sobre como esse vírus afeta as mulheres grávidas e os recém-nascidos. Não sabíamos o que esperar dos bebês. Então, essas são boas notícias.” Os pesquisadores também observaram que dois bebês nascidos de mães com teste positivo tinham defeitos congênitos. Um apresentou anomalias cardíacas, vertebrais, renais e pulmonares. O outro, anomalias faciais, genitais, renais, cerebrais e cardíacas. Uma mãe com teste negativo para o Sars-CoV-2 teve um bebê com anomalias gastrointestinais, renais e cardíacas. Para os autores, como as alterações foram registradas em um número pequeno de crianças, não é possível afirmar que eles estão relacionados ao coronavírus. Limitações Os pesquisadores explicam que as descobertas do trabalho podem ajudar especialistas da área médica e autoridades que trabalham no combate à pandemia, mas ponderam que o estudo tem algumas limitações, como uma possível influência de testes de covid-19 com resultados falso positivo ou falso negativo, além de um número pouco representativo de mulheres latinas e negras. “No geral, as descobertas iniciais sobre a saúde infantil são tranquilizantes, mas é importante notar que a maioria desses nascimentos que acompanhamos foi de grávidas que se infectaram no terceiro trimestre da gestação. Acreditamos que análises futuras e mais completas nos darão um quadro ainda maior e mais valioso a ser analisado,” contextualiza Flaherman. José Gomes Moura, médico ginecologista do Hospital Anchieta em Brasília, explica que as informações vistas no trabalho americano estão em concordância com resultados de outras pesquisas similares. “Temos ainda poucos dados relacionados ao efeito da covid-19 nas gestantes, mas, até agora, todos os estudos andam nessa mesma linha. Temos visto poucos efeitos do vírus em bebês, o que é muito positivo”, diz. Moura explica que ainda não é possível dizer que as grávidas e seus filhos estão livres de efeitos adversos da covid-19 e que esse é um tema que precisar ser mais investigado. “Infelizmente, a área de pesquisas relacionadas a gravidas infectadas pelo novo coronavírus ainda é muito pobre. Precisamos que mais análises sejam feitas, até porque essa é uma doença muito nova. Quando falamos de vírus, nós nos preocupamos com o efeito poderoso que alguns deles mostraram ter em relação à formação do feto, como é o caso do zika, que causa microcefalia”, justifica “É importante termos mais dados até para nos ajudar a orientar as grávidas durante as consultas.” » Palavra de especialista um pouco de tranquilidade “Ainda não temos registros suficientes para entender como a covid-19 pode influenciar o público gestante, e elas sempre são uma preocupação quando surgem doenças que se espalham em determinados momentos, como foi com a H1N1. Esse estudo é um dos primeiros em que temos uma grande quantidade de grávidas que foram acompanhadas. Nele, vemos que não tivemos problemas graves registrados na maioria das crianças, principalmente os respiratórios, que seriam alguns dos esperados. Isso é um dado muito positivo, principalmente neste momento em que sabemos pouco dessa enfermidade. Como ela tem como característica uma fácil transmissão, isso faz com que as gestantes fiquem preocupadas. O resultado é algo positivo, ajuda a nos tranquilizar” Max Igor Lopes, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo » Para saber mais Transmissão fetal confirmada No começo da pandemia da covid-19, não se sabia se gestantes infectadas pelo Sars-CoV-2 poderiam passar o vírus aos fetos. As investigações científicas foram mostrando que sim. Feita com 31 mulheres, uma pesquisa da Universidade de Milão, na Itália, apresentada em julho na conferência virtual Aids 2020, mostrou resquícios do patógeno e de anticorpos que respondem à doença no cordão umbilical, na vagina, na placenta e no leite materno da maior parte das analisadas. Outro estudo publicado também em julho, na revista Nature, mostrou que uma mulher de 23 anos que estava infectada pela covid-19 deu à luz uma criança que também testou positivo para a doença. Os autores do estudo acreditam que esse tipo de transmissão deve ser considerado um evento raro, já que poucos casos semelhantes foram registrados.

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 22/09/2020 às 17h23

Internada desde a semana passada após ser diagnosticada com a covid-19, a presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Maria Cristina Peduzzi, foi transferida para São Paulo e segue sem previsão de alta. De acordo com boletim médico divulgado nesta terça-feira pelo hospital Sírio Libanês, a ministra encontra-se estável, com uso de um respirador de oxigênio e medicamentos venosos. Acompanhada pelas equipes médicas do Dr. Roberto Kalil, Dr. David Uip e Dr. Carlos Carvalho, Maria foi admitida na unidade do hospital de Brasília e transferida para a unidade de São Paulo no último domingo (20). A presidente do TST foi uma das autoridades que contraiu a doença respiratória causada pelo novo coronavírus após participar da cerimônia de posse do ministro Luiz Fux como presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Veja algumas das autoridades presentes na posse de Fux no STF

VEJA SAÚDE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 22/09/2020 às 11h08

A pandemia do coronavírus mobilizou todo o ecossistema de pesquisa, assistência e cuidados com a saúde em 2020. E é por isso que estudos, ações e campanhas contra a Covid-19 serão o foco da terceira edição do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica. De experimentos em laboratório a estratégias de educação e prevenção em massa, a premiação buscará reconhecer profissionais e instituições brasileiras que fizeram diferença na compreensão e no enfrentamento da infecção pelo coronavírus, bem como seus efeitos indiretos no sistema de saúde. Para isso, o Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica – Edição Especial Covid-19 conta com um júri técnico formado por grandes nomes da ciência e da medicina brasileira. Os especialistas avaliarão os trabalhos indicados à premiação que preencham de maneira satisfatória os critérios estipulados no regulamento da iniciativa. Os projetos podem concorrer em cinco categorias: Inovação em Medicina Diagnóstica; Inovação em Genética; Inovação em Tratamento; Inovação em Prevenção; e Inovação em Medicina Social. Conheça agora os jurados que analisarão os estudos e ações submetidos à premiação em 2020: Alberto Chebabo, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e gerente médico da Dasa; Clovis Arns da Cunha, infectologista, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI); Cristiana Toscano, infectologista e epidemiologista, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro efetivo do Grupo de Trabalho de Vacinas para Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS); Denizar Vianna, cardiologista e doutor em saúde coletiva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; Elie Fiss, pneumologista, professor da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador do Centro de Pneumologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP); Emerson Gasparetto, radiologista, mestre e doutor pela UFRJ, ex-VP da área médica da Dasa e chief medical officer (CMO) da Ímpar, rede hospitalar que integra o Grupo Dasa; Gonzalo Vecina Neto, sanitarista, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), ex-secretário municipal de saúde de São Paulo e ex-CEO do Hospital Sírio-Libanês (SP); Gustavo Campana, patologista, especialista em medicina laboratorial e gestão de saúde, diretor médico da Dasa e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial; Jefferson Gomes Fernandes, neurologista, vice-presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde e presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine & Digital Health da Associação Paulista de Medicina (APM); Margareth Dalcolmo, pneumologista, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Nancy Bellei, infectologista, pesquisadora e coordenadora da pós-graduação em infectologia na área de viroses respiratórias da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Natalia Pasternak, microbiologista, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC); Paulo Lotufo, epidemiologista, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da USP; Romeu Côrtes Domingues, radiologista, presidente do conselho da Dasa e membro do conselho da Sociedade de Radiologia da América do Norte. Com os votos dessa verdadeira seleção, serão escolhidos os cinco vencedores (um por categoria). Eles serão revelados no início de dezembro em evento virtual organizado pelos grupos Abril e Dasa. A comissão organizadora do prêmio agradece “a generosidade e o empenho dos professores que aceitaram fazer parte do júri no esforço de reconhecer profissionais que estão fazendo a diferença na história de combate à Covid-19 no país.”

HEALTHCARE MANAGEMENT/RIBEIRÃO PRETO | Outros
Data Veiculação: 22/09/2020 às 03h00

COALIZÃO COVID-19 BRASIL PESQUISA APRESENTA RESULTADO DE ESTUDO COM MEDICAMENTOS CONTRA COVID-19 Pesquisa feita por instituições indicou que o uso de hidroxicloquina, sozinha ou associada com azitromicina, não teve efeito favorável na evolução clínica de pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas de Covid-19-O estudo foi feito pelos Hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Alemão Oswaldo Cruz, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinicai Research Institute e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva. Denominada Coalizão COVID-19 Brasil, a iniciativa conduz nove estudos sobre o novo coronavírus.

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 22/09/2020 às 01h00

A importância das pesquisas clínicas ganhou as manchetes por causa da corrida mundial pelo desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus. O grande público passou a conhecer pormenores desse processo e, principalmente, seu papel fundamental na definição da segurança e da eficácia de vacinas e medicamentos. Um aspecto menos explorado no noticiário é o papel estratégico das pesquisas clínicas de medicamentos para o avanço da inovação, como rota de aprimoramento da base científica e tecnológica dos países e de atração de investimentos para suas empresas e instituições públicas e privadas da área da saúde. Esta regra vale para o Brasil e para o mundo. O Brasil tem tradição e experiência em ensaios clínicos; possui pesquisadores, hospitais e centros de pesquisa de renome internacional. Tanto assim, que três vacinas promissoras contra o SARS-CoV-2 estão sendo testadas atualmente no país, em fase 3. Mas há um problema: o excesso de regras burocráticas emperra esse processo, impedindo que o país faça mais estudos e tire proveito de sua comprovada experiência nesse campo. O país perde investimentos de mais de R$ 2 bilhões todos os anos por causa dessa morosidade e de dispositivos que, por gerarem insegurança jurídica, afugentam os patrocinadores das pesquisas clínicas. Além disso, o fortalecimento do sistema de ensaios clínicos é essencial para o desenvolvimento e a oferta de novos medicamentos e vacinas no Brasil. Para que esse sistema prospere, é necessário estabelecer um sistema rápido e juridicamente seguro, que mantenha a ética e a proteção do paciente, garanta o rigor técnico-científico e esteja alinhado com os procedimentos adotados nos principais centros de pesquisa clínica do mundo – Estados Unidos, União Europeia, Japão etc. A atual situação no Brasil é insustentável. No cenário global, o país tem os prazos mais longos de aprovação de ensaios clínicos. Ao ser protocolado, um projeto demora, em média, oito meses para avaliação ética e sanitária dos estudos clínicos, podendo chegar a mais de um ano. Some-se a isso as inevitáveis pendências e exigências de alteração dos protocolos de pesquisa durante o seu desenvolvimento. Nos EUA, este prazo é de 45 dias; na Europa, é de 60 dias; na Argentina e no México, varia entre 30 e 90 dias. Num modelo ideal, instituições com reputação internacional na condução de ensaios clínicos como o Hospital Sírio-Libanês, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Hospital Moinhos de Vento, o Hospital Israelita Albert Einstein, e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, dentre outros importantes centros de pesquisa no país, devem ter mais autonomia nas decisões e nos ajustes dos protocolos durante a realização dos ensaios, cabendo à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e aos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) a atribuição de orientar e supervisionar os trabalhos. Urge, portanto, adotar um modelo de análise e aprovação de pesquisas clínicas eficiente e descentralizado, que, ao mesmo tempo, dê a necessária segurança jurídica para pacientes, pesquisadores, instituições médicas e patrocinadores. E este modelo já existe. O Projeto de Lei 7082/2017, de autoria da senadora Ana Amélia, com texto substitutivo do deputado federal Hiran Gonçalves, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, oferece uma proposta bem fundamentada, que contempla todos os aspectos relevantes da questão. Apoiada pelas entidades que reúnem os principais especialistas em pesquisa clínica do país — Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica (SBMF) e Aliança Pesquisa Clínica, entre elas —, essa proposta estabelece a descentralização do sistema, fixa prazos para as aprovações regulatórias, garante segurança jurídica e dá autonomia à Conep, definindo sua atuação como órgão de educação, credenciamento, fiscalização e de segunda instância de avaliação. No momento em que o país começa a rediscutir seus grandes temas sociais e econômicos num cenário de pós-pandemia, o aperfeiçoamento do marco regulatório de pesquisa clínica aponta para a direção correta. Mostra como conciliar e promover inovação, saúde e desenvolvimento. Nelson Mussolini é presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos e membro do Conselho Nacional de Saúde.