Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 22/08/2020 às 03h00

Pela 1vez, nenhuma região de SP está na fase vermelha Mapa do estado segundo fases do Plano SP S. José do Rio Preto Barretos Franca Araçatuba Presidente Prudente Sorocaba Ribeirão Preto Araraquara/São Carlos S. João da Boa Vista Piracicaba Taubaté ub-região Oeste RMSP* Sub-região Norte RMSP* Sub-região Leste RMSP* Sub-região Sudeste RMSP* Município de São Paulo Sub-região Sudoeste RMSP Registro Baixada Santista São Paulo Pela primeira vez, nenhuma região do Estado de São Paulo está na fase vermelha, a mais restritiva, do plano de reabertura da pandemia de Covid-19. Todas as 17 regiões administrativas estão nas fases amarela ou laranja do plano, que permitem a retomada de serviços e atividades econômicas. Segundo o governo paulista, na última semana houve queda no número de casos, mortes e internações em todo o estado. “A pandemia começa a deixar São Paulo. O estado começou a sair do platô, mas ainda é preciso cautela e não podemos descuidar”, afirmou Rodrigo Garcia, vice-governador do estado. Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, destacou que a classificação desta sexta-feira (21) é a que coloca o estado em situação mais homogênea de controle da pandemia. “Nós havíamos registrado um avanço da doença da capital para o interior, mas agora há uma estabilização e um controle em todo o nosso território”, disse. Com a nova classificação, 88% da população paulista está em regiões na fase amarela (a terceira para a reabertura do comércio e atividades). A inclusão nessa fase exige que a ocupação de leitos de UTI da região esteja abaixo de 80%. Apesar do avanço, duas regiões tiveram piora na classificação: Marília e São João da Boa Vista, que regrediram da fase amarela para a laranja. O vice-governador também anunciou que São Paulo vai ampliar a testagem da população para o novo coronavírus. Atualmente, o estado tem feito cerca de 40 mil testes diários —uma média de 86 testes para cada 100 mil habitantes. Garcia, no entanto, não informou a meta de testes diários que pretende alcançar com a ampliação, mas disse que fará um inquérito sorológieo (para ver a presença de anticorpos contra a Covid-19) entre alunos e professores da rede estadual de todas as regiões do estado para planejar a retomada das aulas presenciais. ■ Fase 1 Vermelha Taxa de ocupação hospitalar acima de 80% e taxa de incidência de casos e óbitos diários acima de 2. Somente atividades essenciais são permitidas Fase 2 Laranja Taxa de ocupação hospitalar entre 80% e 75% e taxa de incidência de casos e óbitos acima de 2 e entre 1 e 2, respectivamente. Shoppings, comércio e serviços são permitidos com capacidade limitada a 20% e horário reduzido a 4h diárias *Região Metropolitana de São Paulo Fase 3 Amarela Taxa de ocupação hospitalar entre 80% e 75-70% e taxa de incidência de casos e óbitos entre 1 e 2 e abaixo de 1, respectivamente. Além de shoppings e comércio, bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e academias são permitidos, desde que com medidas de higiene e distanciamento, capacidade máxima de 40% e horário reduzido ■ Fase 4-Verde Taxa de ocupação hospitalar abaixo de 75-70% e taxa de incidência de casos abaixo de 1 e de óbitos abaixo de 1 estável nos últimos 14 dias. Para chegar à fase verde, o município precisa permanecer por pelo menos 28 dias na fase anterior. Atividades culturais, como cinemas e eventos agora são permitidos. Capacidade dos centros comerciais, bares, restaurantes, academias, salões de beleza, barbearias e atividades culturais de até 60% Curado da Covid-19, Doria pode voltar ao trabalho neste sábado O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), 62, foi liberado da quarentena a que se submeteu após receber 0 diagnóstico de que havia contraído o novo coronavírus. O resultado está em um boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, da capital paulista. "Sábado já voltarei ao normal" afirmou 0 governador à Folha Sua mulher, Bia, 60, também estava infectada e foi examinada. Como 0 marido, ela também recebeu alta após testes clínicos, laboratoriais e de imagem. O casal ficou isolado até esta sexta (21), quando se completaram dez dias do diagnóstico. Esse é 0 novo protocolo adotado pela Organização Mundial da Saúde para casos assintomáticos da infecção. Se os resultados de exames estiverem normais dez dias depois do teste positivo, 0 paciente pode voltar às suas atividades fora do isolamento. Doria passou todo 0 período em casa com Bia. O governador agora deverá voltar às atividades presenciais no Palácio dos Bandeirantes e em outros locais. Fonte: Secretaria Estadual de Saúde/Governo de São Paulo

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 22/08/2020 às 03h00

Carga viral maior em mais novos não significa mais contágios Everton Lopes Batista São Paulo O papel de crianças infectadas pelo novo coronavírus na transmissão do patógeno na sociedade segue sem ser totalmente compreendido, segundo infectologistas pediátricos. Isso aumenta as dúvidas da em relação à volta às aulas, prevista para outubro em São Paulo. Estudo publicado nesta semana apontou que a carga viral do coronavírus nos mais jovens nos dois primeiros dias dos sintomas pode ser maior do que em adultos hospitalizados em estado grave, mesmo quando os sintomas são mais leves. O achado mobilizou cientistas e médicos, que alertaram para conclusões precipitadas sobre o artigo. Médicos ouvidos pela Folha chamaram a atenção para uma série de ressalvas. Apesar da diferença nos dois primeiros dias, ao longo do tempo as cargas de adultos em estado grave e crianças não apresentaram diferenças, segundo o estudo, publicado na revista científica The Journal of Pedriaties por pesquisadores da Universidade Harvard e do Massaehusetts General Hospital (MGH), nos EUA. No texto, eles escrevem que os resultados podem indicar que crianças sejam uma fonte potencial de contágio. Apesar de possível, essa interpretação está fora do alcance do estudo, alertam especialistas. Além disso, o número de participantes da pesquisa é considerado pequeno. Ao todo, 192 pacientes do MGH com menos de 22 anos participaram, 49 deles com confirmação da infecção por Covid-19. Essas crianças haviam passado pelo hospital com algum sintoma relacionado à doença. Os pesquisadores coletaram uma amostra de sua secreção nasal. O procedimento é incômodo para crianças pequenas, e, por isso, a maior parte dos participantes tinha mais de 11 anos. “É esperada carga viral mais alta nos primeiros dias dos sintomas. Já os pacientes mais graves são internados cerca de sete dias após o início das manifestações, geralmente depois do pico de detecção do vírus no corpo”, diz Luciana Becker Mau, infectologista pediátrica no Sírio-Libanês. “Ainda não está provado que quem tem a carga viral mais alta tem a doença mais grave ou transmite mais o vírus. Os autores do artigo falam que as crianças podem transmitir mais o vírus, mas não fazem esse teste”, diz a médica. “A relação entre carga viral mais alta e maior transmissão ainda é incerta, e esse estudo não investigou a transmissão”, afirma o infectologista pediátrico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Para Sáfadi, há outros fatores que determinam o potencial de transmissão além da carga viral. Ele destaca que, como a maioria das crianças é assintomática, a disseminação de partículas virais por meio de tosse, espirro ou vômito também é menor. “Não há como concluir que somente a carga viral determina a transmissão", afirma. Segundo o médico, o estudo americano não tem uma amostra aleatória, mas demonstra um viés ao selecionar apenas jovens que procuraram o hospital, um grupo mais suscetível a carregar uma carga viral mais alta. O artigo de Harvand também demonstra que o receptor ECA2, ao qual o eoronavírus se liga para infectar células humanas, é menos presente em crianças menores. Para os especialistas, esse resultado também era esperado e havia sido demonstrado por investigações anteriores. Artigo publicado em maio por cientistas de instituições americanas no Journal of the American Medicai Association demonstrou que o ECA2 é menos comum nos mais jovens e fica mais numeroso conforme a idade aumenta. A hipótese dos cientistas, ainda não completamente comprovada, é de que uma menor quantidade aesse receptor seja responsável por menos infecçõese menos casos graves entre as crianças. Levantamentos e estimativas apontam que crianças e adolescentes são menos de 10% dos infectados pelo vírus no mundo, mesmo representando cerca de 25% da população total. Para Adriana Paixão, infectologista pediátrica da Beneficência Portuguesa de São Paulo, é positivo que o artigo chame a atenção para a possibilidade de que as crianças sejam reservatórios do vírus. “Sabemos que mesmo quem não desenvolve a doença ou tem sintomas mais leves pode transmitir”. Segundo ela, não está descartado que uma carga viral elevada possa indicar maior transmissibilidade, e isso deve ser levado em consideração para a volta às aulas. Para Sáfadi, o retomo para a escola é necessário. Ele afirma que os dados europeus sobre a reabertura das escolas indicam que realizar a volta às aulas com transmissão controlada e estável não é um fator de impacto no crescimento de novos casos, embora possa causar surtos pontuais.