Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

ISTOÉ DINHEIRO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 21/08/2020 às 03h00

ESTILO Paraísos ã espera de brasileiros Em lugares como Ilhas Seicheles, Jamaica e Tanzânia, hotéis de luxo começam a reabrir as portas, com os encantos de sempre e os novos cuidados que a pandemia exige. E muitos já aceitam turistas do Brasil poucos setores sofreram e ainda sofrem tanto com a pandemia do novo coronavírus quanto o turismo. Responsável por mais de 10% de toda a atividade econômica global, movimentando quase US$ 9 trilhões por ano o equivalente a cinco vezes o Produto Interno Bruto (PI B) do Brasil do ano passado (US$ 1,8 trilhão) o segmento terá o pior ano do século. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), os estragos causados pela Covid-19 no setor devem ficarem torno de USS 1,2 trilhão. Para amenizar, ao menos um pouco, essa pancada, vários hotéis já estão reabrindo suas portas, sempre seguindo os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Alguns deles são estabelecimento de luxo, erguidos em verdadeiros paraísos, como as praias do Caribe, as savanas da África e o magnífico Oceano Índico. Para o público brasileiro, há mais uma boa nova. Muitos desses lugares já estão aceitando viajantes do País, desde que apresentando exame negativo para a Covid-19 feito com até 72 horas de antecedência. FOTOSDíVUlGAÇÂO PARECE SONHO Erguido às margens do Oceano Indico, o Four Seasons Seychelles tem a Residence Villa (na pâg. ao lado, à esq. e abaixo). A mansão tem 1,6 mil m^, seis quartos, piscina com borda infinita e acomoda até 14 hóspedes. Para o grupo, a diária custa 11.090 euros Unia das maiores companhias de hotéis de luxo do planeta está nessa lista. Com cerca de 100 estabelecimentos em 43 países, 30 mil funcionários e faturamento anual na casa dos US$ 5 bilhões, o grupo Four Seasons chegou a fechar mais de 90% de todos os seus hotéis. Hoje, 74% já estão operando novamente. A reabertura segue nos próximos meses, incluindo duas novas unidades do núcleo que a empresa chama de “Four Seasons Private Retreats", espécies de residências de altíssimo requinte, erguidas nos hotéis e resorts da rede. A partir de setembro, entram em operação o Serengheti Lodgc e o Four Seasons Seychelles, ambos com essa pegada de sofisticação e exclusividade extremas. O primeiro, numa das regiões mais belas da África, na Tanzânia, dispõe de cinco residências, todas com vista para as savanas. Nos passeios ao Parque Nacional do Serengheti, é possível observar os famosos bigfive: búfalo, elefante, leão, leopardo e rinoceronte. A experiência de ver essas maravilhas da fauna africana em seu hábitat é inesquecível. Assim como o prazer de se hospedar numa das unidades do Serengheti Lodge. A mais luxuosa de todas é a Presidential Villa, que pode acomodar até seis pessoas e é ideal para famílias ou grupo de amigos. Com diárias que custam USS 11.900, tem 242m2 de área, três suítes (todas com camas king-size e varanda), piscina privativa, banheira, cozinha equipada, academia própria e até um chef particular à sua disposição, para preparar os pratos da sua preferência. A sala de estar tem janelas de vidro que vão do chão ao teto, proporcionando uma fabulosa vista das planícies africanas. Há, ainda, um mordomo disposição da unidade, 24h por dia, tratamentos de beleza no spa e um churrasco de cortesia, servido à beira da piscina. O Four Seasons Seychelles segue a mesma proposta, de oferecer serviço altamente qualificado num lugar de natureza exuberante. Encravadas num penhasco de frente ao Oceano Índico, as cinco vilas são espaçosas e confortáveis, com destaque para a Residence Villa, com seus quase 1,6 mil m2 e capacidade para receber até 14 pessoas. A mansão possui dois andares, seis quartos, piscina privativa com borda infinita e 20 metros de comprimento, sete banheiros, edredons e travesseiros de plumas, cozinha completa e mordomo próprio. Por tudo isso incluindo uma vista deslumbrante do mar azul-turquesa do Indico -, o hóspede só precisa pagar 9.890 euros pela diária para duas pessoas ou 11.090 euros para um grupo de até 14. Além das belezas da própria acomodação, o viajante ainda tem direito a aulas de ioga, sessões de cinema num telão à beira da piscina e tratamentos de beleza. Sem falar, claro, na linda praia de Petite Anse bem ali na frente. ÁFRICA PARA POUCOS No Serengheti Lodge. na Tanzânia, a acomodação mais luxuosa é a Presidential Villa (abaixo), com 242m2, suítes com vista para a savana e diária de US$ 11.900. Nos passeios, as estrelas são os leões BRINDE COM CHANDON Os hóspedes da Five Bedroom Classic Villa. do resort Casa de Campo, na República Dominicana, ganham uma garrafa de champanhe. Com diária a partir de US$ 1 mil. a casa pode receber até dez pessoas FOTOS-CHRIS1IANHORANI DIVUlGAÇÃO REFÚGIO DE ESTRELAS O ator Jude Law e a modelo Naomi Campbell sempre ficam na Fleming Villa, do hotel GoldenEye, na Jamaica. São 520m2, cinco quartos e diária que custa até US$10.600 HOTEL COM CONSULTORIA HOSPITALAR Com dez hotéis em sete estados do País e cerca de 1.5 mil funcionários, a rede GJP ainda não reabriu todas as suas unidades. Mas já estruturou um bom plano para esse processo, levando em consideração os cuidados necessários, da hora da chegada â saída do hóspede. Para tanto, a companhia teve a colaboração de uma grife da saúde nacional, o Hospital Sírio-libanês. de São Paulo, um dos mais respeitados do Brasil. As ações vão da marcação das vagas que podem ser utilizadas no estacionamento à disposição das mesas nos restaurantes, ambas com o propósito de assegurar o distanciamento social. Logo na chegada, os hóspedes têm a sua temperatura aferida e as bagagens higienizadas. Placas destacando a obrigatoriedade do uso de máscaras e frascos de álcool gel em todas as áreas comuns também estão no plano. Dentro dos quartos, a limpeza é feita por equipes treinadas por profissionais do Sírio-libanês. especialistas em garantir a higienização total do ambiente. "Nessa nova realidade, os protocolos de segurança e limpeza são determinantes para a confiança dos hóspedes", afirmou o CEO da GJP. Fábio Godinho. Com cinco quartos, mordomo próprio, acesso direto à praia e cercada de uma belíssima mata nativa, a casa pode acomodar até dez pessoas e ainda dispõe de sala de jantar e piscina privativa. São quase 520m2 de área, com diárias que vão de US$ 6.360, na baixa temporada, a US$ 10.600, na alta estação. A apenas cerca de 750km de distância, fica outro hotel de alto padrão aberto a brasileiros. Diversas vezes eleito o melhor resort de golfe do Caribe, o Casa de Campo Resort &• Villas fica na República Dominicana e tem 247 quartos, oito restaurantes, marina, centro equestre e três lindas praias exclusivas. Sua acomodação mais luxuosa é a Five Bedroom Classic Villa, um casarão que como o nome deixa claro tem cinco quartos, ocupa área de quase 945m2 e acomoda até dez pessoas. Com diárias a partir de US$ 1 mil, oferece aos seus hóspedes café da manhã preparado na casa, uma garrafa de champanhe Chandon, churrasqueira, sala de estar ao ar livre, sala de jantar e piscina privativa. Para quem curte jogar golfe, há três carrinhos à disposição da vila. Tanzânia, Ilhas Seicheles, Jamaica, República Dominicana. As opções são muitas e sedutoras. E a vontade de viajar, cada vez maior. M DE JAMES BONDA NAOMI CAMPBELL Não é apenas o grupo Four Seasons que está reabrindo suas unidades e aceitando turistas do Brasil. Outra excelente dica de hotel de luxo já aberto aos brasileiros é o GoldenEye, um dos mais tradicionais e sofisticados da Jamaica. Desde antes de se transformar num hotel, em 2010, a propriedade já recebia convidados ilustres, como o cantor Bob Marley e o autor Ian Fleming, criador do personagem James Bond e que escreveu várias histórias do agente secreto enquanto descansava no local. De lá para cá, o GoldenEye seguiu atraindo hóspedes famosos, como o ator Jude Lavve a modelo Naomi Campbell. Quando está por lá, Naomi sempre fica na maior e mais exclusiva das 47 acomodações do hotel, a Fleming Villa, que tem esse nome por ter sido refúgio do criador de 007.

MSN BRASIL
Data Veiculação: 21/08/2020 às 00h00

A pandemia e o isolamento social colocaram a educação num impasse. Ou ela se transforma, porque o velho mundo acabou, ou ela não vai mais funcionar. As coisas nunca mais serão como antes e é preciso recuperar o tempo de aprendizado que está sendo perdido e estabelecer uma estratégia de retomada. É um momento de alta tensão, mas há luz no horizonte. Será necessário um trabalho duro e capacidade inovadora para superar as consequências do isolamento prolongado e oferecer para as crianças e adolescentes novas perspectivas de ensino. A volta das atividades presenciais está se iniciando em algumas cidades e, em outras, existe muita incerteza e preocupação sobre um eventual retorno. Mas independentemente do momento da retomada, o ensino, daqui para frente, se tornará cada vez mais híbrido, combinando atividades presenciais e não presenciais. O problema é que no Brasil há uma desigualdade gritante e milhões de alunos de todos os níveis estão excluídos digitalmente. Calcula-se que um quinto dos estudantes brasileiros estejam, hoje, sem realizar qualquer atividade escolar. O desafio que se tem pela frente é mundial e tão grave, que, há duas semanas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que o mundo está diante de uma “catástrofe geracional” por causa da interrupção ou da precarização das aulas em todo o mundo. Segundo Guterres, até meados de julho, as escolas estavam fechadas em 160 países, afetando diretamente mais de 1 bilhão de estudantes. Pelo menos 40 milhões de crianças perderam a pré-escola neste ano. “Agora, encaramos uma catástrofe geracional que pode desperdiçar incontável potencial humano, prejudicar décadas de progresso e exacerbar desigualdades entrincheiradas”, disse o secretário-geral da ONU, ao lançar a campanha “Salve nosso Futuro”. “Assim que a transmissão local de Covid-19 estiver sob controle, colocar os alunos de volta às escolas e instituições de ensino, com o máximo de segurança possível, precisa ser uma prioridade”, disse. Apesar de prioritária, não há consenso de quando e de que forma ela deve ser feita. Tudo depende da evolução da pandemia. E, por enquanto, o risco é alto e não vale a pena arriscar. Pesquisa do Instituto Datafolha mostra que 79% da população são contra uma abertura precipitada. “Para que haja a volta às aulas é necessário que a transmissão esteja em queda”, afirma o infectologista Leonardo Weissmann, médico do hospital Emilio Ribas e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “E a situação ainda está fora de controle”. Manaus (AM), lugar onde, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, já se verifica uma tendência de desaceleração da pandemia, foi a primeira capital do País a tomar a decisão de reabrir as escolas públicas e privadas, na segunda-feira 10. Vários cuidados estão sendo tomados, como regras de distanciamento, uso de máscaras, medição de temperatura, recomendação de lavagem frequente das mãos e disponibilidade de álcool em gel. Mesmo assim, o sentimento de risco de infecção é alto e se percebe um medo generalizado dos alunos de voltar a frequentar as aulas. ” É um grande desafio fazer com que as crianças respeitem as regras durante todo o tempo”, diz Weissmann. Um estudo recém-concluído pela Escola de Medicina da Universidade de Harvard mostra que as crianças têm alta carga viral e podem ser mais contagiosas do que adultos. Na capital amazonense, retornaram às aulas cerca de 110 mil estudantes do ensino público e 60 mil do privado. Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas descartou a reabertura das escolas antes de outubro. No Rio de Janeiro, as aulas presenciais estão previstas para voltar dia 15 de setembro nas escolas privadas e dia 5 de outubro nas públicas. “Temos pouco conhecimento sobre a Covid-19 e por isso a população está contra a volta das escolas. Há insegurança e incerteza”, diz Raquel Teixeira, conselheira do Conselho de Gestão de Educação do governo de São Paulo. A capital paulista chegou a anunciar a retomada do ensino presencial, mas a reação negativa fez com que a medida fosse adiada. A volta, antes prevista para o dia 8 de setembro, será dia 7 de outubro. Baseado em pesquisas e análises de profissionais da área, o governo estadual optou pela autonomia dos municípios na gestão da crise. “Talvez, em um primeiro momento, a escola fique disponível para um, dois, três alunos e professores que precisem usufruir de uma boa internet e melhor infraestrutura”, prevê. Para a educadora Maria Helena Castro, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), o ponto de partida da retomada das aulas é o respeito às decisões das autoridades sanitárias. “A preocupação da ONU com uma catástrofe é real e o maior problema imediato que temos é a evasão dos alunos do ensino médio”, diz. “Estudantes mais vulneráveis, com dificuldade de acesso à internet, poderão ser prejudicados pelo resto da vida”. Em 2018, o índice de abandono, no primeiro ano do ensino médio, foi de 28%. Os desistentes, em geral, são adolescentes com atraso escolar e idades que variam de 16 a 18 anos. A pressão sobre esse grupo, que já é alta, devido ao abandono da escola para entrada no mercado de trabalho, se intensificou mais com a pandemia e causou perda de motivação e dificuldades adicionais para continuar nos estudos. Segundo Maria Helena, a desistência nessa fase da vida estudantil é verificada em várias partes do mundo. Em Nova York, diz, 20% dos alunos abandonaram o curso. Maior desigualdade Maria Helena também destaca que se a retomada não for bem feita pode aumentar a desigualdade escolar, um problema grave do sistema de ensino. Atualmente, 85% dos 48 milhões de estudantes brasileiros estão em escolas públicas. É esse grupo que está sendo mais afetado pela interrupção das atividades presenciais. Nas escolas privadas, que contam com as ferramentas necessárias para desenvolver atividades remotas, os avanços em direção a um modelo de ensino híbrido foram intensificados. Há, também, apoio de consultorias, prestadas por hospitais como Albert Einstein e Sírio Libanês, para estabelecer protocolos de retorno personalizados. Na rede pública, porém, a situação é diferente e bastante desigual. Além do ensino médio, os alunos de alfabetização também formam um grupo com alto risco de sofrer graves prejuízos com a interrupção das atividades presenciais. São estudantes que precisarão de uma educação intensiva e de um plano individual de recuperação. “O ano não está completamente perdido, os alunos estão desenvolvendo habilidades socioemocionais e se familiarizando com atividades remotas e interativas”, diz Maria Helena. “Daqui para frente, o grande desafio da escola pública será garantir a conectividade”. Na zona sul da capital paulista, Catarina, Eduarda e João, 11, 8 e 6 anos, respectivamente, vivem o ensino à distância de maneiras distintas. João, o caçula, que está em fase de alfabetização, é o pólo mais fraco quando a questão é estudo remoto. A pouca idade faz com que ele fique irritado e disperse muito mais rápido do que os outros irmãos. Para João, computador virou sinônimo de incômodo. A tela não é atrativa, os amiguinhos estão distantes e o professor já não mais acompanha ao vivo o seu desenvolvimento. “Dos meus três filhos, o João é o que mais está sofrendo, principalmente porque ele está começando a vida escolar”, diz Paulo Curio, diretor executivo do aplicativo iFood. Dentro do apartamento, Curio pôde observar o ensino remoto pela perspectiva de três faixas etárias diferentes e viu que, com os mais velhos, ela é eficaz. De qualquer forma, a rotina está tumultuada. E a imediata volta às aulas é descartada. “É muito difícil não ter essa vontade para que eles voltem, mas gostaria de um horizonte mais claro. Não tem a menor possibilidade de a escola ser normal até todo mundo estar vacinado”, diz Curio. “Um legado da pandemia será o ensino híbrido. Vamos integrar a tecnologia com a aprendizagem presencial”, diz Mozart Neves, professor catedrático da USP. O coronavírus está possibilitando um jogo de tentativa e erro para a construção de um novo modelo escolar. As mudanças feitas no susto, a partir da pandemia, poderão se tornar um bom caminho para traçar novas metas e possibilidades de desenvolvimento para os alunos. A tecnologia, antes vista como adversária de um modelo tradicional, passou a ser a principal aliada de estudantes e professores. Sendo assim, o ensino presencial e o não presencial passarão a andar juntos. “O mundo digital faz parte do século XXI. Dizer que isso não fará parte da educação daqui para a frente é desconsiderar tudo o que foi feito ao longo da pandemia”, diz Neves. A ideia é transformar o aluno em tempo integral, para que os recursos presenciais e tecnológicos andem lado a lado, de forma a melhorar o desempenho. “Só o online não funciona, mas uma junção dos dois seria uma melhora importante”, diz Rodrigo Portella, estudante de 15 anos da rede privada que não vê a hora de retomar as atividades. “Eu só aprendo 40% com o conteúdo tecnológico”. A empresária e mãe do adolescente, Juliana Portella, acompanha o desespero do filho de perto e, por isso, acredita que o ano letivo só será recuperado em 2021. “Se as escolas em São Paulo reabrirem agora serão só três meses de aulas antes das férias, o que vai impactar no aprendizado”, diz. Mesmo em meio a uma terrível crise sanitária, está todo mundo descobrindo novas formas interativas e interessantes de ensinar e aprender à distância. Ainda que o quadro de enorme desigualdade educacional que existe no Brasil tenda a se agravar e o risco de uma catástrofe geracional seja real, a experiência da pandemia contribui para transformar a escola, num movimento sem volta. Silenciosamente, a educação está sendo reinventada. Guerra aos livros Se já não bastasse o conturbado cenário do ensino brasileiro, o ministro da Economia Paulo Guedes propôs uma reforma tributária que prevê uma taxação de 12% em livros, que eram isentos de impostos desde 2004. Detalhe: em um País em que a média de leitura é de somente dois livros por ano. Ainda assim, o ministro diz que isso beneficiaria a economia porque os consumidores pagarão mais impostos. Só que a matemática desse cálculo é clara: livros mais caros, menos leitores.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 20h50

O papel de crianças infectadas pelo novo coronavírus na transmissão do patógeno na sociedade segue sem ser totalmente compreendido, segundo infectologistas pediátricos. Isso aumenta as dúvidas da população com relação à volta às aulas, que está prevista para acontecer em outubro em São Paulo e vai fazer crescer a circulação de crianças e a exposição dos mais jovens à Covid-19. Um estudo publicado nesta semana apontou que a carga viral do coronavírus nos mais jovens nos dois primeiros dias dos sintomas pode ser maior do que em adultos hospitalizados em estado grave, mesmo quando os sintomas nas crianças são mais leves. O achado mobilizou cientistas e médicos no mundo todo, que alertaram para conclusões precipitadas sobre o artigo. Médicos ouvidos pela Folha chamaram a atenção para uma série de ressalvas. Apesar da diferença nos dois primeiros dias, ao longo do tempo as cargas virais de adultos em estado grave e crianças infectadas pelo vírus não apresentaram diferenças, segundo o estudo, publicado na revista científica The Journal of Pedriatics por pesquisadores da Universidade Harvard e do Massachusetts General Hospital (MGH), nos Estados Unidos. No texto, os pesquisadores escrevem que os resultados podem indicar que as crianças sejam uma fonte potencial de contágio. Apesar de possível, essa interpretação está fora do alcance do estudo, alertam especialistas. Além disso, o número de participantes do estudo é considerado pequeno. Ao todo, 192 pacientes do MGH com menos de 22 anos de idade participaram da pesquisa, 49 deles com a confirmação da infecção pelo Sars-CoV-2. Essas crianças haviam passado pelo hospital com algum sintoma relacionado à Covid-19. Os pesquisadores solicitaram autorização aos responsáveis dos jovens para só depois coletar o material, uma amostra da secreção nasal. O procedimento é geralmente incômodo para crianças pequenas, e, por isso, a maior parte dos participantes do estudo tinham mais de 11 anos de idade. "É esperada uma carga viral mais alta nos primeiros dias dos sintomas. Já os pacientes mais graves são internados cerca de sete dias após o início das manifestações, geralmente depois do pico de detecção do vírus no corpo", afirma Luciana Becker Mau, infectologista pediátrica no Hospital Sírio-Libanês, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. "Ainda não está provado que quem tem a carga viral mais alta tem a doença mais grave ou transmite mais o vírus. Os autores do artigo falam que as crianças podem transmitir mais o vírus, mas não fazem esse teste", diz a médica. "A relação entre carga viral mais alta e maior transmissão ainda é incerta, e esse estudo não tem o poder de responder isso. Ele não investigou a transmissão", afirma também o infectologista pediátrico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Para Sáfadi, há outros fatores que determinam o potencial de transmissão além da carga viral. Ele destaca que, como a maioria das crianças é assintomática, a disseminação de partículas virais através de tosse, espirro ou vômito também é menor. "Não há como concluir que somente a carga viral determina a transmissão", afirma. Segundo o médico, a maior parte dos estudos é consistente em demonstrar, conjuntamente, que as crianças se infectam menos e, quando desenvolvem a doença, apresentam sintomas mais leves. Já o estudo americano não tem uma amostra aleatória, mas demonstra um viés ao selecionar apenas jovens que procuraram o hospital, um grupo mais suscetível a carregar uma carga viral mais alta. O artigo dos pesquisadores de Harvard também demonstra que o receptor ECA2, ao qual o coronavírus se liga para infectar células humanas, é menos presente em crianças menores. Para os especialistas, esse resultado também já era esperado e havia sido demonstrado por investigações anteriores. Um artigo publicado ainda em maio por cientistas de instituições americanas no Journal of the American Medical Association demonstrou que o ECA2 é menos comum nos mais jovens e fica mais numeroso conforme a idade aumenta. A hipótese dos cientistas, ainda não completamente comprovada, é de que uma menor quantidade desse receptor seja responsável por menos infecções e menos casos graves entre as crianças. Levantamentos e estimativas apontam que crianças e adolescentes são menos de 10% dos infectados pelo vírus no mundo, mesmo representando cerca de 25% da população total. Cientistas lembram que, com as quarentenas impostas, as crianças circulam menos do que os adultos e ficam menos expostas à doença. Por serem geralmente assintomáticas, elas também fazem menos exames para detectar o vírus. Para Adriana Paixão, infectologista pediátrica da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), é positivo que o artigo chame a atenção para a possibilidade de que as crianças sejam reservatórios do vírus. "Sabemos que mesmo quem não desenvolve a doença ou tem sintomas mais leves pode trasmitir o vírus", diz. Segundo ela, não está descartado que uma carga viral elevada possa indicar maior transmissibilidade, e isso deve ser levado em consideração no planejamento da volta às aulas. Para Sáfadi, o retorno para a escola é necessário. Ele afirma que os dados europeus sobre a reabertura das escolas indicam que realizar a volta às aulas com os índices de transmissão controlados e estáveis não é um fator de impacto no crescimento de novos casos, embora possa causar surtos pontuais da doença. Segundo Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento de Infectologia da SPSP, a atenção aos números da doença é essencial para planejar o retorno à escola. "Os países que voltaram às aulas estavam com a transmissão em uma curva descendente; nossa transmissão ainda é alta", afirma. "Os adultos circulam mais e devem começar o processo, adotando uma conduta adequada com cuidados de afastamento social e higiene, para que a volta das crianças às escolas seja possível", conclui.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 18h52

Os efeitos de medicamentos para o tratamento do HIV e da hepatite C em pacientes com quadros moderados do novo coronavírus serão estudados a partir deste mês por pesquisadores do grupo Coalizão Covid19 Brasil, que reúne hospitais e institutos de pesquisa do País. O objetivo é verificar o potencial das substâncias — que já se mostraram eficazes para a redução da carga viral em testes in vitro feitos pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) — em pacientes internados, mas que não evoluíram para as formas mais graves da doença. Pouco mais de mil pacientes devem participar da pesquisa, que deve ter os resultados divulgados em dezembro. Pacientes de 35 centros de regiões onde a doença está em ascensão serão escolhidos por sorteio e divididos em grupos que vão receber atazanavir, indicado para o HIV, uma combinação de sofosbuvir com daclatasvir ou apenas o daclatasvir, estes dois últimos são remédios usados em pacientes com hepatite C. Participantes também vão receber placebo e será um estudo duplo cego: nem os pacientes nem os pesquisadores vão saber quais medicamentos foram utilizados ou se era placebo. “Esta etapa da pesquisa começou a partir da ideia de estudar antivirais, porque essas substâncias se mostraram eficazes como alternativa ao remdesivir, usado para o ebola e que diminuiu a gravidade da doença, mas que é extremamente caro, não temos no Brasil e a patente ainda não foi quebrada. Esses são medicamentos baratos e a gente busca achar uma medicação que seja viável para a população em massa”, explica Israel Maia, pesquisador do HCor e membro do grupo, que engloba o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa de São Paulo, HCor, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). A pesquisa será feita em parceria com a Fiocruz. No estudo, os pesquisadores querem verificar a eficácia dos tratamentos para reduzir a carga viral e se os pacientes apresentaram melhora por meio da análise do número de dias que eles permaneceram sem necessidade de suporte respiratório. “A gente chegou a um desenho mais robusto e, em vez de estudar só uma substância, vamos fazer três estudos ao mesmo tempo, respondendo, em uma sequência, se tem ação contra o Sars coV-1, se é seguro e se melhora os desfechos clínicos. Até dezembro, vamos saber qual antiviral faz mais efeito.” A expectativa é de que até 1.012 pacientes participem do estudo. Estudo é o nono realizado pelo grupo durante a pandemia A Coalizão Covid Brasil tem realizado estudos em mais de 100 centros de saúde brasileiros e analisado opções de combate à doença que também estão sendo pesquisadas em outros países. “A gente tem uma diferença muito grande de região para região em termos populacionais que nos dá diferentes prevalências da covid em diferentes lugares. Nós ficamos muito atentos aos novos estudos e novas pesquisas in vitro ou iniciais em seres humanos que têm mais plausibilidade biológica. Tudo que é de tendência internacional que vemos na literatura a possibilidade de desenvolver, fazemos estudos robustos que possam responder se aquela intervenção é melhor do que a não-intervenção”, explica Maia. Em julho, o grupo publicou na revista científica The New England Journal of Medicine um estudo com 667 apontando que a hidroxicloroquina, associada ou não à azitromicina, não apresentou eficácia para o tratamento de casos leves a moderados do novo coronavírus. Também já analisou os impactos do uso da dexametasona, que teve resultados positivos em testes no Reino Unido para redução de mortalidade em casos graves, e com tocilizumabe, usado no tratamento de artrite reumatoide e que seria capaz de bloquear a “tempestade inflamatória” causada pela doença. “Além dos antivirais, estamos começando um estudo com anticoagulantes, porque a covid tem tendência a ser coagulante e causar eventos trombóticos. A coalizão não trabalha com um tema, mas com vários. A realocação de medicação é muito importante para que a gente possa buscar alternativas para combater essa doença”, diz Maia.

#AGITOSP/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 09h41

Hospital Sírio-Libanês faz mapa de risco para evitar contágio em corridas da 99 • App e consultoria desenvolvem manual de boas práticas para “novo normal” • Protocolo inédito faz parte de Pacote de Proteção com investimento de R$ 32 mi • Confira dicas de especialistas e médicos da instituição A empresa de transporte por aplicativo 99 anuncia nesta sexta-feira (21) que fechou uma parceria com a área de Consultoria do Hospital Sírio-Libanês para enfrentar a Covid-19 em corridas da plataforma. O projeto prevê uma série de iniciativas e avaliações sobre o período de crise e retomada, entre elas um inédito mapa de risco contra contágio em veículos e um manual de boas práticas com dicas para diminuir a chance de contaminação no app, com foco no chamado “novo normal”. A cooperação faz parte do Pacote de Proteção da 99, que já conta com investimento de mais de R$ 32 milhões em ações contra o novo coronavírus. Aos poucos a rotina da população vai sendo normalizada, especialmente o retorno ao trabalho. Porém, o cenário da pandemia ainda exige muitos cuidados. Diante da projeção de retorno do deslocamento pelas cidades e a busca de carros de aplicativo para evitar transportes com aglomeração, a 99 e a Consultoria Sírio-Libanês firmaram uma parceria para avaliar os desafios presentes e projeções das possibilidades futuras. Relacionado

ISTOÉ ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 09h30

SEGURANÇA Na volta às aulas, em Manaus, funcionários de escola pública medem a temperatura dos alunos: crianças têm alta carga viral (Crédito: Yago Frota) A pandemia e o isolamento social colocaram a educação num impasse. Ou ela se transforma, porque o velho mundo acabou, ou ela não vai mais funcionar. As coisas nunca mais serão como antes e é preciso recuperar o tempo de aprendizado que está sendo perdido e estabelecer uma estratégia de retomada. É um momento de alta tensão, mas há luz no horizonte. Será necessário um trabalho duro e capacidade inovadora para superar as consequências do isolamento prolongado e oferecer para as crianças e adolescentes novas perspectivas de ensino. A volta das atividades presenciais está se iniciando em algumas cidades e, em outras, existe muita incerteza e preocupação sobre um eventual retorno. Mas independentemente do momento da retomada, o ensino, daqui para frente, se tornará cada vez mais híbrido, combinando atividades presenciais e não presenciais. O problema é que no Brasil há uma desigualdade gritante e milhões de alunos de todos os níveis estão excluídos digitalmente. Calcula-se que um quinto dos estudantes brasileiros estejam, hoje, sem realizar qualquer atividade escolar. O desafio que se tem pela frente é mundial e tão grave, que, há duas semanas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que o mundo está diante de uma “catástrofe geracional” por causa da interrupção ou da precarização das aulas em todo o mundo. Segundo Guterres, até meados de julho, as escolas estavam fechadas em 160 países, afetando diretamente mais de 1 bilhão de estudantes. Pelo menos 40 milhões de crianças perderam a pré-escola neste ano. “Agora, encaramos uma catástrofe geracional que pode desperdiçar incontável potencial humano, prejudicar décadas de progresso e exacerbar desigualdades entrincheiradas”, disse o secretário-geral da ONU, ao lançar a campanha “Salve nosso Futuro”. “Assim que a transmissão local de Covid-19 estiver sob controle, colocar os alunos de volta às escolas e instituições de ensino, com o máximo de segurança possível, precisa ser uma prioridade”, disse. Apesar de prioritária, não há consenso de quando e de que forma ela deve ser feita. Tudo depende da evolução da pandemia. E, por enquanto, o risco é alto e não vale a pena arriscar. Pesquisa do Instituto Datafolha mostra que 79% da população são contra uma abertura precipitada. DÚVIDAS Na casa da família Portella o ensino à distância não é totalmente eficiente: aprendizagem defasada sem o convívio das salas de aula (Crédito:GABRIELREIS) “Para que haja a volta às aulas é necessário que a transmissão esteja em queda”, afirma o infectologista Leonardo Weissmann, médico do hospital Emilio Ribas e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “E a situação ainda está fora de controle”. Manaus (AM), lugar onde, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, já se verifica uma tendência de desaceleração da pandemia, foi a primeira capital do País a tomar a decisão de reabrir as escolas públicas e privadas, na segunda-feira 10. Vários cuidados estão sendo tomados, como regras de distanciamento, uso de máscaras, medição de temperatura, recomendação de lavagem frequente das mãos e disponibilidade de álcool em gel. Mesmo assim, o sentimento de risco de infecção é alto e se percebe um medo generalizado dos alunos de voltar a frequentar as aulas. ”É um grande desafio fazer com que as crianças respeitem as regras durante todo o tempo”, diz Weissmann. Um estudo recém-concluído pela Escola de Medicina da Universidade de Harvard mostra que as crianças têm alta carga viral e podem ser mais contagiosas do que adultos. “O ano não está perdido. Os alunos estão desenvolvendo novas habilidades socioemocionais e se familiarizando com atividades remotas” Maria Helena Castro, membro do CNE (Crédito: GABRIEL REIS) na capital amazonense, retornaram às aulas cerca de 110 mil estudantes do ensino público e 60 mil do privado. Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas descartou a reabertura das escolas antes de outubro. No Rio de Janeiro, as aulas presenciais estão previstas para voltar dia 15 de setembro nas escolas privadas e dia 5 de outubro nas públicas. “Temos pouco conhecimento sobre a Covid-19 e por isso a população está contra a volta das escolas. Há insegurança e incerteza”, diz Raquel Teixeira, conselheira do Conselho de Gestão de Educação do governo de São Paulo. A capital paulista chegou a anunciar a retomada do ensino presencial, mas a reação negativa fez com que a medida fosse adiada. A volta, antes prevista para o dia 8 de setembro, será dia 7 de outubro. Baseado em pesquisas e análises de profissionais da área, o governo estadual optou pela autonomia dos municípios na gestão da crise. “Talvez, em um primeiro momento, a escola fique disponível para um, dois, três alunos e professores que precisem usufruir de uma boa internet e melhor infraestrutura”, prevê. Para a educadora Maria Helena Castro, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), o ponto de partida da retomada das aulas é o respeito às decisões das autoridades sanitárias. “A preocupação da ONU com uma catástrofe é real e o maior problema imediato que temos é a evasão dos alunos do ensino médio”, diz. “Estudantes mais vulneráveis, com dificuldade de acesso à internet, poderão ser prejudicados pelo resto da vida”. Em 2018, o índice de abandono, no primeiro ano do ensino médio, foi de 28%. Os desistentes, em geral, são adolescentes com atraso escolar e idades que variam de 16 a 18 anos. A pressão sobre esse grupo, que já é alta, devido ao abandono da escola para entrada no mercado de trabalho, se intensificou mais com a pandemia e causou perda de motivação e dificuldades adicionais para continuar nos estudos. Segundo Maria Helena, a desistência nessa fase da vida estudantil é verificada em várias partes do mundo. Em Nova York, diz, 20% dos alunos abandonaram o curso. DISPERSÃO Catarina (à frente), Eduarda e João: rotina de estudos tumultuada e dificuldade de acompanhamento de atividades não presenciais (Crédito:RodrigoZaim) Maior desigualdade Maria Helena também destaca que se a retomada não for bem feita pode aumentar a desigualdade escolar, um problema grave do sistema de ensino. Atualmente, 85% dos 48 milhões de estudantes brasileiros estão em escolas públicas. É esse grupo que está sendo mais afetado pela interrupção das atividades presenciais. Nas escolas privadas, que contam com as ferramentas necessárias para desenvolver atividades remotas, os avanços em direção a um modelo de ensino híbrido foram intensificados. Há, também, apoio de consultorias, prestadas por hospitais como Albert Einstein e Sírio Libanês, para estabelecer protocolos de retorno personalizados. Na rede pública, porém, a situação é diferente e bastante desigual. Além do ensino médio, os alunos de alfabetização também formam um grupo com alto risco de sofrer graves prejuízos com a interrupção das atividades presenciais. São estudantes que precisarão de uma educação intensiva e de um plano individual de recuperação. “O ano não está completamente perdido, os alunos estão desenvolvendo habilidades socioemocionais e se familiarizando com atividades remotas e interativas”, diz Maria Helena. “Daqui para frente, o grande desafio da escola pública será garantir a conectividade”. Na zona sul da capital paulista, Catarina, Eduarda e João, 11, 8 e 6 anos, respectivamente, vivem o ensino à distância de maneiras distintas. João, o caçula, que está em fase de alfabetização, é o polo mais fraco quando a questão é estudo remoto. A pouca idade faz com que ele fique irritado e disperse muito mais rápido do que os outros irmãos. “Um legado da pandemia será o ensino híbrido, a integração da tecnologia com a aprendizagem presencial” Mozart Neves, professor da USP (Crédito:Leo Caldas) Para João, computador virou sinônimo de incômodo. A tela não é atrativa, os amiguinhos estão distantes e o professor já não mais acompanha ao vivo o seu desenvolvimento. “Dos meus três filhos, o João é o que mais está sofrendo, principalmente porque ele está começando a vida escolar”, diz Paulo Curio, diretor executivo do aplicativo iFood. Dentro do apartamento, Curio pôde observar o ensino remoto pela perspectiva de três faixas etárias diferentes e viu que, com os mais velhos, ela é eficaz. De qualquer forma, a rotina está tumultuada. E a imediata volta às aulas é descartada. “É muito difícil não ter essa vontade para que eles voltem, mas gostaria de um horizonte mais claro. Não tem a menor possibilidade de a escola ser normal até todo mundo estar vacinado”, diz Curio. “Um legado da pandemia será o ensino híbrido. Vamos integrar a tecnologia com a aprendizagem presencial”, diz Mozart Neves, professor catedrático da USP. O coronavírus está possibilitando um jogo de tentativa e erro para a construção de um novo modelo escolar. As mudanças feitas no susto, a partir da pandemia, poderão se tornar um bom caminho para traçar novas metas e possibilidades de desenvolvimento para os alunos. A tecnologia, antes vista como adversária de um modelo tradicional, passou a ser a principal aliada de estudantes e professores. Sendo assim, o ensino presencial e o não presencial passarão a andar juntos. “O mundo digital faz parte do século XXI. Dizer que isso não fará parte da educação daqui para a frente é desconsiderar tudo o que foi feito ao longo da pandemia”, diz Neves. A ideia é transformar o aluno em tempo integral, para que os recursos presenciais e tecnológicos andem lado a lado, de forma a melhorar o desempenho. “Só o online não funciona, mas uma junção dos dois seria uma melhora importante”, diz Rodrigo Portella, estudante de 15 anos da rede privada que não vê a hora de retomar as atividades. “Eu só aprendo 40% com o conteúdo tecnológico”. A empresária e mãe do adolescente, Juliana Portella, acompanha o desespero do filho de perto e, por isso, acredita que o ano letivo só será recuperado em 2021. “Se as escolas em São Paulo reabrirem agora serão só três meses de aulas antes das férias, o que vai impactar no aprendizado”, diz. Mesmo em meio a uma terrível crise sanitária, está todo mundo descobrindo novas formas interativas e interessantes de ensinar e aprender à distância. Ainda que o quadro de enorme desigualdade educacional que existe no Brasil tenda a se agravar e o risco de uma catástrofe geracional seja real, a experiência da pandemia contribui para transformar a escola, num movimento sem volta. Silenciosamente, a educação está sendo reinventada. Guerra aos livros RETOMADA Agentes sanitários fazem a desinfecção em pátio de escola pública em Taguatinga (DF): pandemia pode aumentar o gargalo da alfabetização (Crédito:Eraldo Peres) Se já não bastasse o conturbado cenário do ensino brasileiro, o ministro da Economia Paulo Guedes propôs uma reforma tributária que prevê uma taxação de 12% em livros, que eram isentos de impostos desde 2004. Detalhe: em um País em que a média de leitura é de somente dois livros por ano. Ainda assim, o ministro diz que isso beneficiaria a economia porque os consumidores pagarão mais impostos. Só que a matemática desse cálculo é clara: livros mais caros, menos leitores.

VOCÊ S/A ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 09h18

Cleverson de Azevedo Silva, agente de limpeza urbana da Amlurb (Filipe Redondo/VOCÊ S/A) Você já imaginou como seria o período de quarentena sem a disponibilidade do serviço de logística? Ou como ficaria a cidade sem a limpeza urbana? E se a distribuidora de eletricidade decidisse manter todos os funcionários em casa? Pois é. Embora escolas, bancos, escritórios, empresas públicas e privadas estejam operando em regime de home office, os chamados serviços essenciais são realizados por milhares de profissionais que todos os dias têm de sair às ruas. Medo e apreensão são sentimentos que vêm à tona quando se pensa no risco de deixar o lar para ir trabalhar em um cenário de doença pandêmica, há outro lado dessa moeda: a valorização das funções. “Esses profissionais sentem uma importância maior em relação ao seu trabalho e, com isso, maior estabilidade e segurança em seu emprego”, diz Roberto Aylmer, consultor, professor na Fundação Dom Cabral e psicoterapeuta. “Alguns desses cargos eram subestimados socialmente e também subjugados profissionalmente. Agora a compreensão da importância é outra, e o que se espera é que essa valorização perdure, assim como o olhar humanizado atribuído no momento.” VOCÊ S/A ouviu alguns desses profissionais para entender sua nova realidade. Conheça as histórias a seguir. Daniela Marinho, funcionária da distribuidora de energia EDP Daniela Marinho, funcionária da distribuidora de energia EDP (Marília Camelo/VOCÊ S/A) “No geral as pessoas não pensam no operador da usina termelétrica, mas ele está lá”, diz Daniela Marinho, de 35 anos, funcionária da distribuidora de energia EDP. Faz nove anos que a eletrotécnica atua na Usina Termelétrica do Pecém, no Ceará, estado onde nasceu. Alguns anos atrás, se alguém lhe dissesse que teria de se dividir entre o trabalho no campo e o home office, ela não acreditaria. Mas foi o que aconteceu. “Desde o início da pandemia estamos em regime de isolamento. São 15 dias em casa e 15 dias em campo direto, quando descansamos numa pousada alugada pela EDP para abrigar os funcionários”, conta. Para o sistema dar certo, a empresa transferiu todas as funções administrativas para o home office. Treinamentos, reuniões, atualização de informações, acompanhamento psicológico, tudo é feito nos dias em que os operadores estão em casa. “O serviço em campo não muda muito, a diferença agora está na menor quantidade de pessoas, no uso da máscara e na higienização das mãos constantemente.” Mãe de Lucas Levi, de 8 anos, os dias longe do filho causam estranhamento, ainda que por um bom motivo. “Ele fica com a minha mãe em casa. É bastante doloroso, mas é um cuidado importante e ele sabe disso, já entende que é uma doença perigosa. Mantemos o contato sempre e quando estou em casa dou toda a atenção que posso.” Embora o contexto externo seja complexo, Daniela está esperançosa. “Hoje eu vejo muitas possibilidades na usina. Quem diria que esse serviço poderia ter home office? Mas fizemos acontecer. A visão se expande e eu acredito num futuro melhor.” Nilson Soares Alves, onde é supervisor de operações das ferrovias de Contagem (MG) da VLI Nilson Soares Alves, onde é supervisor de operações das ferrovias de Contagem (MG) da VLI (Alexandre Rezende/Nitro) Algo mudou na rotina matinal de Nilson Soares Alves, de 43 anos. Agora, quando está a caminho das ferrovias de Contagem (MG) da VLI, onde é supervisor de operações, ele sempre escuta a saudação “bom trabalho” das pessoas com quem cruza na rua. “É como um agradecimento velado”, diz ele, que atua no setor ferroviário há mais de 20 anos. A operação dos trens se mantém a mesma desde o início da pandemia, porém, a companhia optou pelo sistema de distanciamento social: três dias em campo e três dias em casa. Dessa forma, ele teve de se adaptar ao home office. “Esse foi um dos grandes aprendizados que tive: gerir a parte administrativa em casa, que inclui registro dos trens, análise das planilhas, controle de recursos”, diz. Além disso, também se conecta diariamente com sua equipe de 60 pessoas por meio de lives. “Falamos sobre as dificuldades e adaptações do dia a dia, como está o sistema de metas, o que a empresa está disponibilizando e solicitações individuais também. É um contato que traz segurança.” Pai de três filhos, é motivo de orgulho para ele dizer que os protocolos de segurança têm protegido não só sua equipe, mas sua família. “Desde o começo adotamos todas as ações de higienização e equipamentos de proteção. Meus filhos e esposa podem fazer a quarentena em casa, mas, como estou em campo, sinto essa responsabilidade muito forte.” Ninguém sabe quando a pandemia vai passar por definitivo, mas para Nilson as medidas estabelecidas neste momento vieram para ficar. “Vivemos uma forma nova de trabalhar e enxergar a gestão. São práticas de contratação, liderança, saúde e segurança que não vão retroceder.” Clara Esther dos Santos, enfermeira líder da terapia intensiva do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Clara Esther dos Santos, enfermeira líder da terapia intensiva do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. (Filipe Redondo/VOCÊ S/A) “A sensação que eu tenho é de que tudo o que aprendi até agora foi para viver este momento.” Graduada em enfermagem, com 13 anos de profissão, esse é o sentimento de Clara Esther dos Santos, de 35 anos, enfermeira líder da terapia intensiva do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Antes da pandemia, sua ala atendia pacientes de pós-operatório que não completavam 48 horas de UTI. “Mas tudo mudou. O mais impactante é a diferença no perfil dos pacientes. Mais de 80% deles precisam ser entubados, são casos complexos e ficam dias internados.” Atualmente, toda a unidade de terapia sob responsabilidade de Clara é voltada para casos de covid-19. “Temos horário para entrar, mas não temos hora para ir embora. Nossa demanda de cuidados não é só física, mas também psicológica.” Como chefe, ela se viu na posição de dar segurança à sua equipe e lidar com os receios que cercam os profissionais. “Não é medo de se contaminar, sabemos que estamos sujeitos a isso. Nosso medo é de levar o vírus para casa, de transmiti-lo para nossos entes queridos.” Mas sua ligação com o propósito de cuidar do outro é o que lhe dá segurança para seguir em frente — e o que a fez escolher essa carreira. “A essência da enfermagem é o cuidado. Entendemos que o médico trata a doença, mas é o enfermeiro que cuida do doente. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida.” Para Clara, o momento é de evidência da profissão, não só pela sociedade, mas por outros profissionais de saúde. “Eu acredito que essa valorização vá continuar. A gente nunca imagina que vai passar por uma situação dessas na vida. Parece história de ficção.” Cleverson de Azevedo Silva, agente de limpeza urbana da Amlurb Cleverson de Azevedo Silva, agente de limpeza urbana da Amlurb (Filipe Redondo/VOCÊ S/A) “Existe muito preconceito, as pessoas veem como um serviço inferior, mas, se parar de ser feito, tudo fica comprometido na cidade”, diz Cleverson de Azevedo Silva, de 22 anos, agente de limpeza urbana da Amlurb. Há um ano, o profissional realiza atividades de capina, raspagem, pintura, remoção de propaganda irregular e roçagem de matos no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Seu horário de entrada é às 6 horas e ele trabalha até as 14h30, de segunda a sábado. Sua rotina não mudou, nem mesmo com a pandemia. “A diferença agora está nos equipamentos que tenho de usar: máscara, luvas no transporte público e álcool em gel sempre, além do distanciamento social.” No início da quarentena, as ruas pareciam mais limpas. Mas, em junho, as coisas voltam aos poucos, ao que era antes. “Tem mais gente na rua de novo e o risco aumenta. A gente toma cuidado com a higiene para a proteção própria e a da família, mas o medo não muda.” Filho de enfermeira, ele está sempre atento aos protocolos sanitários. “A gente tem um cuidado redobrado. Minha mãe, por estar em contato direto com pessoas doentes, e eu, por estar na rua, bastante exposto.” A faculdade cursada por Cleverson também ensina sobre o assunto: biomedicina. “Tem muita ligação com limpeza urbana e higiene. O curso é sobre saúde e sobre doenças, como o coronavírus.” Faltam dois anos para a conclusão da graduação e, nesse meio-tempo, ele planeja continuar trabalhando com a limpeza urbana, principalmente porque foi graças a esse emprego que ele pôde dar continuidade aos estudos e ajudar a mãe com as despesas da casa. “Eu tenho muito orgulho do meu trabalho e sei da importância que ele tem para a sociedade, mesmo que as pessoas não o valorizem. Sinto que estou no caminho certo.”

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 21/08/2020 às 06h00

No início da pandemia da covid-19, pesquisadores detectaram indícios de que essa nova enfermidade poderia causar danos graves ao sistema circulatório. Um estudo publicado na última edição da revista The Lancet Microbe dá mais força a essa teoria. No trabalho, cientistas britânicos relatam como encontraram coágulos sanguíneos e lesões pulmonares nos tecidos de indivíduos que morreram devido à infecção pelo novo coronavírus. Os dados corroboram a importância do uso de medicamentos anticoagulantes no tratamento da infecção e podem ajudar a desenvolver novas maneiras de monitorar e tratar a doença, segundo os autores. Embora o número de pacientes examinados no estudo tenha sido pequeno, 10, os autores da pesquisa destacam que essa é a maior investigação feita, até o momento, com base em tecidos de indivíduos que faleceram devido à infecção. “A covid-19 é uma doença nova, e tivemos oportunidades limitadas de analisar os tecidos de pacientes em autópsia”, afirma, em comunicado, Michael Osborn, professor de patologia no Imperial College London e um dos autores do estudo. Osborn e sua equipe analisaram amostas de pacientes que tinham entre 22 e 97 anos e morreram entre março e junho. Em todo o grupo, a hipertensão e problemas pulmonares foram os fatores que mais contribuíram para o óbito. Os pacientes desenvolveram febre e apresentaram pelo menos dois sintomas respiratórios, como tosse e falta de ar, durante os estágios iniciais da doença. Vários tipos de tratamentos foram usados durante a internação, segundo os autores do trabalho. Nas análises, os pesquisadores descobriram que todos os pacientes tinham lesões pulmonares e cicatrizes nos pulmões causadas pela infecção, além de danos nos rins. Nove pacientes também tiveram trombose em ao menos um de três órgãos importantes: coração, pulmão ou rim. A trombose impede que o sangue flua através do sistema circulatório e pode causar derrames e ataques cardíacos. Os cientistas acreditam que esses dados apoiam suspeita de que a covid-19 pode provocar complicações circulatórias. “Nosso estudo é o primeiro desse tipo no país a apoiar as teorias existentes de pesquisadores e médicos sobre lesões pulmonares e trombose como características mais proeminentes em casos graves da covid-19”, destaca Osborn. “Vimos também evidências de lesões renais e, em alguns casos, de pancreatite”, completa. Estudo brasileiro em abril, uma equipe de médicos do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo observou que o uso da heparina, anticoagulante usado para a prevenção da trombose, reduziu o tempo de internação em metade de um grupo composto por 27 pacientes com covid-19. Idealizadora da pesquisa, que foi publicada na revista especializada British Medical Journal (BMJ), a pneumologista Elnara Marcia Negri ressalta que os dados obtidos pelo estudo britânico confirmam o que foi visto por ela e sua equipe. “Esse trabalho, assim como outros que foram feitos após a nossa publicação, traz mais dados que entram em concordância com o que vimos naquela época e que seguimos observando diariamente na prática clínica”, enfatiza a médica. “Vemos que essa enfermidade não está restrita a danos respiratórios. Ela pode atingir outros órgãos e também tem um efeito sobre a circulação, independentemente da idade do paciente. Mais uma vez, encontramos dados que nos mostram porque usar esse tipo de medicamento pode fazer tanta diferença.” Os brasileiros seguem pesquisando o efeito da heparina em pacientes com covid-19. “Atuamos em duas frentes agora: um estudo retrospectivo, com dados de todos que foram tratados no hospital, e também uma parceria com outras instituições, do Canadá, da Holanda e também brasileiros, como pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), que tentam entender o efeito dos anticoagulantes no tratamento da covid-19”, conta a pneumologista. Mais perguntas Segundo Elnara Marcia Negri, alguns detalhes importantes relacionados ao uso de remédios que combatem os coágulos precisam ser melhor definidos. “Precisamos esclarecer um tema ainda polêmico, que é a administração precoce desses medicamentos, logo no início da infecção, para evitar complicações e sequelas. Essa ainda é uma discussão entre especialistas, muitos defendem o uso apenas com o agravamento da situação do paciente com a covid-19”, ilustra. “Mas já podemos ressaltar dois pontos importantes que observamos: o monitoramento da oxigenação sanguínea — se houver falhas, indica o momento de usar o remédio — e a administração do anticoagulante depois de o paciente ter alta, para manter a prevenção da trombose.” A equipe britânica também firmou parcerias, com cientistas locais e internacionais, para realizar análises mais detalhadas do material coletado dos 10 pacientes. Para eles, os resultados já obtidos e as novas investigações podem ajudar médicos na escolha de melhores tratamentos e no monitoramento da doença. “A análise baseada em autópsia da covid-19 é vital para aprendermos mais sobre essa enfermidade conforme a pandemia se desenvolve. Somos extremamente gratos àqueles que consentiram com essa pesquisa”, enfatiza Osborn.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 21/08/2020 às 03h00

Novos sinais de danos ao sistema circulatório Cientistas britânicos identificam coágulos sanguíneos e lesões pulmonares em pacientes que morreram em decorrência da covid-19. Das 10 vítimas estudadas, nove sofreram tromboses que comprometeram o coração, os pulmões ou os rins o início da pandemia da covid-19, pesquisadores detectaram indícios de que essa nova enfermidade poderia causar danos graves ao sistema circulatório. Um estudo publicado na última edição da revista The Lancet Microbe dá mais força a essa teoria. No trabalho, cientistas britânicos relatam como encontraram coágulos sanguíneos e lesões pulmonares nos tecidos de indivíduos que morreram devido à infecção pelo novo coronavírus. Os dados corroboram a importância do uso de medicamentos anticoagulantes no tratamento da infecção e podem ajudar a desenvolver novas maneiras de monitorar e tratar a doença, segundo os autores. Embora o número de pacientes examinados no estudo tenha sido pequeno, 10, os autores da pesquisa destacam que essa é a maior investigação feita, até o momento, com base em tecidos de indivíduos que faleceram devido à infecção. “A covid-19 é uma doença nova, e tivemos oportunidades limitadas de analisar os tecidos de pacientes em autópsia”, afirma, em comunicado, Michael Osborn, professor de patologia no Imperial College London e um dos autores do estudo. Osborn e sua equipe analisaram amostras de pacientes que tinham entre 22 e 97 anos e morreram entre março e junho. Em todo o grupo, a hipertensão e problemas pulmonares foram os fatores que mais contribuíram para o óbito. Os pacientes desenvolveram febre e apresentaram pelo menos dois sintomas respiratórios, como tosse e falta de ar, durante os estágios iniciais da doença. Vários tipos de tratamentos foram usados durante a internação, segundo os autores do trabalho. Nas análises, os pesquisadores descobriram que todos os pacientes tinham lesões pulmonares e cicatrizes nos pulmões causadas pela infecção, além de danos nos rins. Nove pacientes também tiveram trombose em ao menos um de três órgãos importantes: coração, pulmão ou rim. A trombose impede que o sangue flua através do sistema circulatório e pode causar derrames e ataques cardíacos. Os cientistas acreditam que esses dados apoiam suspeita de que pior se há comorbidades Um estudo chinês publicado na revista New England Journal of Medicine mostrou dados de 1.099 pacientes infectados pelo Sars-CoV-2. Nas análises, os pesquisadores observaram que indivíduos com comorbidades relacionadas a problemas na circulação, como hipertensão, diabete, doença coronariana e doença ateroesclerótica, tinham mais risco de sofrer com complicações mais graves da covid-19. a covid-19 pode provocar complicações circulatórias. “Nosso estudo é o primeiro desse tipo no país a apoiar as teorias existentes de pesquisadores e médicos sobre lesões pulmonares e trombose como características mais proeminentes em casos graves da covid-19", destaca Osborn. “Vimos também evidências de lesões renais e, em alguns casos, de pancreatite”, completa. Estudo brasileiro em abril, uma equipe de médicos do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo observou que o uso da heparina, anticoagulante usado para a prevenção da trombo se, reduziu o tempo de internação em metade de um grupo composto por 27 pacientes com covid-19. Idealizadora da pesquisa, que foi publicada na revista especializada British Medicai Journal (BMJ), a pneumologista Elnara Mareia Negri ressalta que os dados obtidos pelo estudo britânico confirmam o que foi visto por ela e sua equipe. “Esse trabalho, assim como outros que foram feitos após a nossa publicação, traz mais dados que entram em concordância com o que vimos naquela época e que seguimos observando diariamente na prática clínica”, enfatiza a médica. “Vemos que essa enfermidade não está restrita a danos respiratórios. Ela pode atingir outros órgãos e também tem um efeito sobre a circulação, independentemente da idade do paciente. Mais uma vez, encontramos dados que nos mostram porque usar esse tipo de medicamento pode fazer tanta diferença.” Os brasileiros seguem pesquisando o efeito da heparina em pacientes com covid-19. “Atuamos em duas frentes agora: um estudo retrospectivo, com dados de todos que foram tratados no hospital, e também uma parceria com outras instituições, do Canadá, da Holanda e também brasileiros, como pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), que tentam entender o efeito dos anticoagulantes no tratamento da covid 19”, conta a pneumologista. Mais perguntas Segundo Elnara Mareia Negri, alguns detalhes importantes relacionados ao uso de remédios que combatem os coágulos precisam ser melhor definidos. “Precisamos esclarecer um tema ainda polêmico, que é a administração precoce desses medicamentos, logo no início da infecção, para evitar complicações e sequelas. Essa ainda é uma discussão entre especialistas, muitos defendem o uso apenas com o agravamento da situação do paciente com a covid-19”, ilustra. “Mas já podemos ressaltar dois pontos importantes que observamos: o monitoramento daoxigenação sanguínea—se houver falhas, indica o momento de usar o remédio — e a administração do anticoagulante depois de o paciente ter alta, para manter a prevenção da trombose.” A equipe britânica também firmou parcerias, com cientistas locais e internacionais, para realizar análises mais detalhadas do material coletado dos 10 pacientes. Para eles, os resultados já obtidos e as novas investigações podem ajudar médicos na escolha de melhores tratamentos e no monitoramento da doença. “A análise baseada em autópsia da covid-19 é vital para aprendermos mais sobre essa enfermidade conforme a pandemia se desenvolve. Somos extremamente gratos àqueles que consentiram com essa pesquisa”, enfatiza Osborn. » Palavra de especialista discutindo os anticoagulantes "Já tínhamos dados semelhantes em estudos feitos por outras instituições, de pesquisadores chineses, italianos e americanos. Todos eles encontraram essas pequenas tromboses acometendo órgãos importantes de pacientes com covid-19. Esse estudo é importante porque mostra detalhes além da trombose, como esses problemas renais. As análises feitas em tecidos de pessoas que morreram nos ajudam a entender melhor a doença e saber como tratá-la. Nesse caso, temos mais dados relacionados especificamente ao uso de anticoagulantes, que já estão sendo usados na covid-19, só que ainda deforma profilática, ou seja, em pequenas doses para prevenir problemas de coagula - ção. Essa é uma discussão atual: quando usar esses medicamentos e em qual quantidade, pois uma dose grande também pode provocar hemorragia. Só estudos comparativos, que estão em andamento, poderão revelar essas respostas." Eduardo Flávio Ribeiro, médico hematologista e coordenador de Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília Pedro Pardo/AFP Resultado confirma entendimento de que a doença não é apenas respiratória: coágulos podem levar a d erram es e ataques cardíacos » VILHENA SOARES

ISTOÉ/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 21/08/2020 às 03h00

Não há condições, no momento, de um retorno seguro às atividades escolares, sem o risco de agravar a pandemia. O ano letivo parece perdido, comprometendo uma geração inteira de estudantes. O grande desafio do País será o resgate do déficit no aprendizado. De uma forma ou de outra, o novo modelo de ensino será híbrido (presencial e à distância), como nunca ocorreu antes Capa/Educação 0 RISCO DE UMA CATÁSTROFE GERACIONAL Não, ainda não é hora de voltar às aulas. O risco de contágio pelo coronavírus continua altíssimo. Mas como será o futuro? Como ficará o processo de aprendizado? Estamos perdendo tempo? Alguns dos principais pesquisadores do assunto no País dizem que para sair dessa enrascada educacional e pavimentar uma retomada sólida nos próximos meses, será preciso desenvolver, daqui para frente, novas modalidades de ensino híbrido, que combina atividades presenciais e não presenciais. O maior problema, porém, é que no Brasil há milhões de estudantes digitalmente excluídos, que estão, no momento, sem qualquer atividade escolar Vicente Vilardaga e Mariana Ferrari Capa/Educação A pandemia e o isolamento sodal colocaram a educação num impasse. Ou ela se transforma, porque o velho mundo acabou, ou ela não vai mais funcionar. As coisas nunca mais serão como antes e é preciso recuperar o tempo de aprendizado que está sendo perdido e estabelecer uma estratégia de retomada. É um momento de alta tensão, mas há luz no horizonte. Será necessário um trabalho duro e capacidade inovadora para superar as consequências do isolamento prolongado e oferecer para as crianças e adolescentes novas perspectivas de ensino. A volta das atividades presenciais está se iniciando em algumas cidades e, em outras, existe muita incerteza e preocupação sobre um eventual retorno. Mas independentemente do momento da retomada, o ensino, daqui para frente, se tornará cada vez mais híbrido, combinando atividades presenciais e não presenciais. SEGURANÇA Na volta às aulas, em Manaus, funcionários de escola pública medem a temperatura dos alunos: crianças têm alta carga viral 40 ISTOÉ 2641 26/8/2020 DÚVIDAS Na casa da família Portella o ensino à distância não é totalmente eficiente: aprendizagem defasada sem o convívio das salas de aula O problema é que no Brasil há uma desigualdade gritante e milhões de alunos de todos os níveis estão excluídos digitalmente. Calcula-se que um quinto dos estudantes brasileiros estejam, hoje, sem realizar qualquer atividade escolar. O desafio que se tem pela frente é mundial e tão grave, que, há duas se manas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antônio Guterres, disse que o mundo está diante de uma "catástrofe geradonal" por causa da interrupção ou da precarização das aulas em todo o mundo. Segundo Guterres, até meados de julho, as escolas estavam fechadas em 160 países, afetando diretamente mais de 1 bilhão de estudantes. Pelo menos 40 milhões de crianças perderam a pré-escola neste ano. "Agora, encaramos uma catástrofe geradonal que pode desperdiçar incontável potencial humano, prejudicar décadas de progresso e exacerbar desigualdades entrincheiradas", disse o secretário geral da ONU, ao lançar a campanha "Salve nosso Futuro". "Assim que a transmissão local de Covid-19 estiver sob controle, colocar os alunos de volta às escolas e instituições de ensino, com o máximo de segurança possível, precisa ser uma prioridade", disse. Apesar de prioritária, não há consenso de quando e de que forma ela deve ser feita. Tudo depende da evolução da pandemia. E, por enquanto, o risco é alto e não vale a pena arriscar. Pesquisa do Instituto Datafolha mostra que 79% da população são contra uma abertura precipitada. "Para que haja a volta às aulas é necessário que a transmissão esteja em queda", afirma o infectologista Leonardo Weissmann, médico do hospital Emilio Ribas e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). "E a situação ainda está fora de controle". Manaus (AM), lugar onde, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, já se verifica uma tendência de desaceleração da pandemia, foi a primeira capital do País a tomar a decisão de reabrir as escolas públicas e privadas, na segunda-feira 10. Vários cuidados estão sendo tomados, como regras de distanciamento, uso de máscaras, medição de temperatura, recomendação de lavagem frequente das mãos e disponibilidade de álcool em geL Mesmo assim, o sentimento de risco de infecção é alto e se percebe um medo generalizado dos alunos de voltar a frequentar as aulas. "É um grande desafio fazer com que as crianças respeitem as regras durante todo o tempo", diz Weissmann. Um estudo recém-concluído pela Escola de Medicina da Universidade de Harvard mostra que as crianças têm alta carga viral e podem ser mais contagiosas do que adultos. Na capital amazonense, retomaram às aulas cerca de 110 mil estudantes do ensino público e 60 mil do privado. Em São Paulo, o prefeito Bmno Covas descartou a reabertura das escolas antes de outubro. No Rio de Janeiro, as aulas presenciais estão previstas para voltar dia 15 de setembro nas escolas privadas e dia 5 de outubro nas públicas. "Temos pouco conhecimento sobre a Covid-19 e por isso a população está contra a volta das escolas. Há insegurança e incerteza", diz Raquel Teixeira, conselheira do Conselho de Gestão de Educação do governo de São Paulo. A capital paulista chegou a anunciar a retomada do ensino presencial, mas a reação negativa fez com que a medida fosse adiada. A volta, antes prevista para o dia 8 de setembro, será dia 7 de outubro. Baseado em pesquisas e análises de profissionais da área, o governo estadual optou pela autonomia dos municípios na gestão da crise. "Talvez, em um primeiro momento, a escola fique disponível para um, dois, três alunos e professores que precisem usufruir de uma boa internet e melhor infraestrutura", prevê. Para a educadora Maria Helena Castro, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), o ponto de partida da retomada das aulas é o respeito às decisões das autoridades sanitárias. "A preocupação da ONU com uma catástrofe é real e o maior problema imediato que temos é a evasão “O ano não está perdido. Os alunos estão desenvolvendo novas habilidades socioemocionais e se familiarizando com atividades remotas” Maria Helena Castro, membro do CNE FOTOS: YAGO FROTA/PHOTO PREMIUM/FOLHAPRESS: GABRIEL REIS 41 Capa/Educação DISPERSÃO Catarina (à frente), Eduarda e João: rotina de estudos tumultuada e dificuldade de acompanhamento de atividades não presenciais dos alunos do ensino médio", diz. "Estudantes mais vulneráveis, com dificuldade de acesso à internet, poderão ser prejudicados pelo resto da vida". Em 2018, o índice de abandono, no primeiro ano do ensino médio, foi de 28%. Os desistentes, em geral, são adolescentes com atraso escolar e idades que variam de 16 a 18 anos. A pressão sobre esse grupo, que já é alta, devido ao abandono da escola para entrada no mercado de trabalho, se intensificou mais com a pandemia e causou perda de motivação e dificuldades adicionais para continuar nos estudos. Segundo Maria Helena, a desistência nessa fase da vida estudantil é verificada em várias partes do mundo. Em Nova York, diz, 20% dos alunos abandonaram o curso. MAOR DESIGUALDADE Maria Helena também destaca que se a retomada não for bem feita pode aumentar a desigualdade escolar, um problema grave do sistema de ensino. Atualmente, 85% dos 48 milhões de estudantes brasileiros estão em escolas públicas. É esse grupo que está sendo mais afetado pela interrupção das atividades presenciais. Nas escolas privadas, que contam com as ferramentas necessárias para desenvolver atividades remotas, os avanços em direção a um modelo de ensino híbrido foram intensificados. Há, também, apoio de consultorias, prestadas por hospitais como Albert Einstein e Sírio libanês, para estabelecer protocolos de retomo personalizados. Na rede pública, porém, a situação é diferente e bastante desigual. Além do ensino médio, os alunos de alfabetização também formam um grupo com alto risco de sofrer graves prejuízos com a interrupção das atividades presenciais. São estudantes que precisarão de uma educação intensiva e de um plano individual de recuperação. "O ano não está completamente perdido, os alunos estão desenvolvendo habilidades sodo emocionais e se familiarizando com atividades remotas e íntegra- FUTURO INCERTO O QUE PENSAM... OS PAIS Ainda que esgotados e temerosos, eles não se sentem seguros para a retomada do ensino presencial. Entendem que as aulas online não têm o mesmo peso das salas de aula, mas a proliferação do vírus faz com que prefiram esperar a queda dos ainda assustadores números da pandemia. OSALUNOS Os estudantes estão balançados com duas questões importantes: falta de concentração e medo de contaminar parentes. Uma coisa é certa, para eles, o ensino à distância não tem a mesma eficácia na aprendizagem do que o olho no olho. No começo estavam animados e, agora, não aguentam mais a tecnologia. OS PROFESSORES Trabalho dobrado. Essa foi a rotina dos educadores depois do início da pandemia. Indo de encontro a tudo o que esses profissionais estavam acostumados que era, justamente, o convívio social ao lado da aprendizagem. As aulas online estão sendo desgastantes. E para a retomada, eles entendem que é necessário pensar caso a caso. OS INFECTOLOGISTAS Ainda não é o momento de volta às aulas, já que a transmissão do coronavírus continua em alta. O convívio entre os alunos nas escolas é um fator de propagação da doença e ameaça não só os próprios estudantes, como seus familiares e professores. Teme-se que as crianças e os adolescentes desrespeitem as regras de proteção. 42 ISTOÉ 2641 26/8/2020 INFOGRÁFICO: GERSON NASCIMENTO FOTOS: RODRIGO ZAIM: LEO CALDAS tivas", diz Maria Helena. "Daqui para frente, o grande desafio da escola pública será garantir a conectividade". Na zona sul da capital paulista, Catarina, Eduarda e João, 11,8 e 6 anos, respectivamente, vivem o ensino à distância de maneiras distintas. João, o caçula que está em fase de alfabetização, é o polo mais fraco quando a questão é estudo remoto. A pouca idade faz com que ele fique irritado e disperse muito mais rápido do que os outros irmãos. Para João, computador virou sinônimo de incômodo. A tela não é atrativa, os amiguinhos estão distantes e o professor já não mais acompanha ao vivo o seu desenvolvimento. "Dos meus três filhos, o João é o que mais está sofrendo, principalmente porque ele está começando a vida escolar", diz Paulo Curio, diretor executivo do aplicativo iFood. Dentro do apartamento, Curio pôde observar o ensino remoto pela perspectiva de três faixas etárias diferentes e viu que, com os mais velhos, ela é eficaz. De qualquer forma, a rotina está tumultuada. E a imediata volta às aulas é descartada. "É muito difícil não ter essa vontade para que eles voltem, mas gostaria de um horizonte mais daro. Não tem a menor possibilidade de a escola ser normal até todo mundo estar vacinado", diz Curio. "Um legado da pandemia será o ensino GUERRA AOS LIVROS Se já não bastasse o conturbado cenário do ensino brasileiro, o ministro da Economia Paulo Guedes propôs uma reforma tributária que prevê uma taxação de 12% em livros, que eram isentos de impostos desde 2004. Detalhe: em um País em que a média de leitura é de somente dois livros por ano. Ainda assim, o ministro diz que isso beneficiaria a economia porque os consumidores pagarão mais impostos. Só que a matemática desse cálculo é clara: livros mais caros, menos leitores. “Um legado da pandemia será o ensino híbrido, a integração da tecnologia com a aprendizagem presencial” Mozart Neves, professor da USP híbrido. Vamos integrar a tecnologia com a aprendizagem presencial", diz Mozart Neves, professor catedrático da USP. O coronavírus está possibilitando um jogo de tentativa e erro para a construção de um novo modelo escolar. As mudanças feitas no susto, a partir da pandemia, poderão se tomar um bom caminho para traçar novas metas e possibilidades de desenvolvimento para os alunos. A tecnologia, antes vista como adversária de um modelo tradicional, passou a ser a principal aliada de estudantes e professores. Sendo assim, o ensino presencial e o não presencial passarão a andar juntos. "O mundo digital fáz parte do século XXI. Dizer que isso não fará parte da educação daqui para a frente é desconsiderar tudo o que foi feito ao longo da pandemia", diz Neves. A ideia é transformar o aluno em tempo integral, para que os recursos presenciais e tecnológicos andem lado a lado, de forma a melhorar o desempenho. "Só o online não funciona, mas uma junção dos dois seria uma melhora importante", diz Rodrigo Portella, estudante de 15 anos da rede privada que não vê a hora de retomar as atividades. "Eu só aprendo 40% com o conteúdo tecnológico". A empresária e mãe do adolescente, Juliana Portella, acompanha o desespero do filho de perto e, por isso, acredita que o ano letivo só será recuperado em 2021. "Se as escolas em São Paulo reabrirem agora serão só três meses de aulas antes das férias, o que vai impactar no aprendizado", diz. Mesmo em meio a uma terrível crise sanitária, está todo mundo descobrindo novas formas interativas e interessantes de ensinar e aprender à distância. Ainda que o quadro de enorme desigualdade educacional que existe no Brasil tenda a se agravar e o risco de uma catástrofe geracional seja real, a experiência da pandemia contribui para transformar a escola, num movimento sem volta. Silendosamente, a educação está sendo reinventada. ■ RETOMADA Agentes sanitários fazem a desinfecção em pátio de escola pública em Taguatinga (DF): pandemia pode aumentar o gargalo da alfabetização FOTO: ERALDO PERES/AP PHOTO 43

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | CADERNO 2
Data Veiculação: 21/08/2020 às 03h00

DIRETO DA FONTE SOM A RACY © Blog: estadão.com.br/diretodafonte Facebook: facebook.com/SoniaRacyEstadao instagram: @colunadiretodafonte Colaboração Cecília Ramos cecilia.ramos@estadao.com Marcela Paes marcela.paes@estadao.com Tic tac Josias Teófilo, diretor do filme O Jardim das Aflições sobre Olavo de Carvalho ganhou causano TJ de Pernambuco contra o diretor de fotografia no longa Daniel Aragão. O cineasta e Matheus Bazzo, produtor executivo do filme, acionaram a Justiça por danos morais e ofensas pessoais. Tic tac 2 À coluna, Teófilo avisa que aceita até “aquele Opalado filme Aquarius que pertence a Aragão como parte da indenização”. Refere-se ao veículo de famosa cena do filme de Kleber Mendonça Filho representante do Brasil em Cannesem 2016. Tic tac 3 Essa briga, segundo Teófilo, causou até problemas de família: orompimentoentre Heloísae o pai, Olavo. “Heloísa ficou do lado de Daniel Aragão”. Tic tac 4 Da Finlândia, onde mora desde 2018, Aragão diz desconhecer o teor da decisão judicial, que não constituiu advogado no processo e que sequer tem bens em seu nome no Brasil “se tivesse, não pagaria”. Afirmaque não recebeu pelo trabalho “fui enganado por ser nerd”. Por que deixou o País? “Não vou viver no Brasil pra tá brigando com olavista”. POLAROID Após um período de adaptação à rotina na pandemia, Paulo Miklos voltou a compor para lançar novo disco. E, amanhã, o ex-Titãs participa da Virada SP Online. “No começo, foi difícil trabalhar a criatividade, esse foco ficou na distribuição dos afazeres domésticos, por exemplo, aprender a cozinhar com Renata, minha mulher", conta. Mas há algo que ele lamenta não ter podido ir para Barcelona receber prêmio de melhor ator no festival de Barciff. Pela sua atuação no filme Homem Cordial. IARA MORSELLI/ESTADÃO Tendência Sem poder aglomerar, précandidatos em SP estão se virando com soluções online. O prefeiturável Emídio de Souza, por exemplo, lançou o “E agora, Osasco?”, plataforma para moradores enviarem sugestões por mensagens. RESPONSABILIDADE SOCIAL • Carola Matarazzo (Movimento Bem Maior), Paula Fabiani (IDIS) e Maria Gullo (BSocial) montaram, em apenas sete dias, um fundo emergencial para saúde. Conseguiram reunir 10 mil doadores e arrecadaram R$ 40 milhões. • Em tempos de pandemia, o Kuma abriu delivery de comi- dajaponesa. • André Esteves faz live com Bill Ackman, da Pershing Square Capital Management. Na segunda, com transmissão no canal do BTG Pactuai no YouTube. Verde O Itaú Unibancomonta, em dezembro, a primeira Conferência Brasileira Beneficente sobre Amazônia. Para arrecadar recursos para projetos e ONGs na região. Serão dois dias de intensas discussões abertas por meio de plataforma virtual. Verde 2 O movimento Todos pela Saúde, liderado pelo banco, fechou parceria com a Fundação Amazonas Sustentável. Vou de táxi A 99 fez parceria com a consultoria do Sírio Libanês. Motoristas do aplicativo terão acesso a ‘mapa’ covid-19 mostrando quais locais do carro apresentam maior risco de contágio. Tech ecologia Supercomputadores brasileiros entraram, pela primeira vez, no ranking Greensoo lista de computadores com maior eficiência energética no mundo: o Atlas e o Fênix, da Petrobrás. IARA MORSELLI/ESTADÃO A válvula de escape da performer e atriz Renata Bastos tem sido as festas no Zoom, por causa da troca com o público. Daí surgiu a idéia de transmitir conversas com pessoas lgbtqia+, da moda, cinema e áudio. "Para mim, que sou menina trans, isso é deixar de ser invisível”.

BLOGS DO ESTADÃO
Data Veiculação: 21/08/2020 às 00h55

JOSIAS TEÓFILO E DANIEL ARAGÃO – FOTO: ARQUIVO PESSOAL Josias Teófilo, diretor do filme O Jardim das Aflições – sobre Olavo de Carvalho – ganhou causa no TJ de Pernambuco contra o seu então diretor de fotografia Daniel Aragão. O cineasta e Matheus Bazzo, produtor executivo do longa, acionaram a Justiça por danos morais e ofensas pessoais. Tic tac 2 À coluna, Teófilo avisa que aceita até “aquele Opala do filme Aquarius que pertence a Aragão como parte da indenização”. Refere-se ao veículo de famosa cena do filme de Kleber Mendonça Filho – representante do Brasil em Cannes em 2016. Tic tac 3 Essa briga, segundo Teófilo, causou até problemas de família: o rompimento entre Heloísa e o pai, Olavo. “Heloísa ficou do lado de Daniel Aragão”. Tic tac 4 Da Finlândia, onde mora desde 2018, Aragão diz desconhecer o teor da decisão do tribunal, que não constituiu advogado no processo e sequer tem bens em seu nome no Brasil – “e, se tivesse, não pagaria”. Afirma que não recebeu pelo trabalho – “fui enganado por ser nerd”. Por que deixou o País? “Não vou viver no Brasil pra tá brigando com olavista”. Tendência Sem poder aglomerar, pré-candidatos em SP estão se virando com soluções online. O prefeiturável Emídio de Souza, por exemplo, lançou o “E agora, Osasco?”, plataforma para moradores enviarem sugestões por mensagens. Verde O Itaú Unibanco monta, em dezembro, a primeira Conferência Brasileira Beneficente sobre Amazônia. Para arrecadar recursos para projetos e ONGs na região. Serão dois dias de intensas discussões abertas por meio de plataforma virtual. Verde 2 O movimento Todos pela Saúde, liderado pelo banco, fechou parceria com a Fundação Amazonas Sustentável. Vou de táxi A 99 fez parceria com a consultoria do Sírio Libanês. Motoristas do aplicativo terão acesso a ‘mapa’ covid-19 mostrando quais locais do carro apresentam maior risco de contágio. Tech ecologia Supercomputadores brasileiros entraram, pela primeira vez, no ranking Green500 – lista de computadores com maior eficiência energética no mundo: o Atlas e o Fênix, da Petrobras.