Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

NSC TOTAL/FLORIANÓPOLIS
Data Veiculação: 21/07/2021 às 17h00

0 crescente aumento de casos de Covid-19 provocado pela variante Delta do coronavírus preocupa autoridades de saúde do mundo todo. A pergunta que se faz: depois do certo alívio proporcionado pelo avanço da imunização, estaríamos entrando em uma nova onda, desta vez causada por uma cepa do Sars-CoV-2 mais transmissível? Não há resposta à questão, até porque, como já se aprendeu ao longo de um ano e meio, a complexidade com que a pandemia se desenrola impede certezas no que diz respeito à sua evolução. Contudo, é possível afirmar que neste momento vive-se, sim, uma terceira onda, mas eia é de outra natureza. É formada por milhões de pacientes que passaram pela fase aguda da Covid-19 mas permanecem com sintomas que por vezes exigem tratamentos tão ou mais intensos do que os ministrados durante a manifestação clínica do vírus. Por essa razão, milhares perderam o emprego, interromperam os estudos, tornaram-se um fardo para a família. Para esse grupo, I a vida realmente deixou de ser o que ^ era antes. Ficou muito pior. Eles são | vítimas do que está sendo chamado de? Covid19 longa, condição que não pode, | de forma alguma, ser desdenhada, I apesar da esperança no horizonte. Por se tratar de algo novo — mais I um relacionado ao Sars-CoV-2 —, o fenômeno não tem nome oficial nem definição de características. Porém, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só nos primeiros meses de 2021 o termo Covid19 longa gerou 1,5 milhão de menções nas redes sociais, o que dã a ideia de quanto o assunto despertou interesse. Diante da ausência de designação oficial, o quadro pode ser descrito como a persistência da manifestação ou piora de sintomas, surgimento de novos sinais ou a combinação entre ambos depois do quadro agudo. Não está estabelecido por quanto tempo. Na tentativa de padronizar definições e tratamentos, a OMS criou, cm fevereiro, uma comissão de especialistas de diversas áreas e países e de pacientes ou familiares. O médico intensivista brasileiro Regis Goulart Rosa integra o grupo. Nesta primeira etapa, o objetivo é uniformizar o padrão de pesquisa a ser aplicado na investigação científica para que os dados sejam obtidos por uma mesma metodologia, assegurando solidez. “O trabalho resultará em diretrizes para que governos e autoridades de saúde adotem ações que identifiquem e tratem a condição” diz Regis, pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. As sequelas da Covid-19, ressaltese, deixaram de ser um problema individual e se tornaram uma bombarelógio para os sistemas de saúde. De acordo com as pesquisas mais recentes.

NSC TOTAL/FLORIANÓPOLIS
Data Veiculação: 21/07/2021 às 17h00

A confirmação dos acendeu um sinal de alerta em todo o Estado. Um estudo, que teve participação de pesquisadores ligados à Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Imperial College London, sugere que essa cepa seja a mais contagiosa entre as que já surgiram. Porém, ainda não se tem confirmação de que ela seja mais agressiva ou letal. Leia mais A variante Delta teve origem na Índia e se espalhou rapidamente pelo mundo. No Brasil, são mais de 100 casos de Covid19 causados por ela. A cepa predomina em alguns países e já motiva o endurecimento de medidas restritivas, mesmo com um alto percentual de vacinação. Até agora há poucos dados científicos sobre o quanto a variante Delta causa mais mortes do que as outras. Segundo Drauzio Varella, médico e cientista, a doença não deve se manifestar mais gravemente apenas por conta da cepa, mas a velocidade com que ela se propaga no meio, de forma silenciosa, precisa de uma atenção especial. A OMS estima que a variante Delta, já presente em 124 países, seja responsável por mais de 75% dos novos casos de Covid-19 nos próximos meses, em diversos países. De acordo com o virologista André Mansur, isso deve acontecer no Brasil se a variante Delta conseguir deslocar a variante Gamma, descoberta na Amazônia e que representa cerca de 90% dos casos brasileiros no momento: - Temos que ver no cenário brasileiro se a variante Delta conseguiria ser mais rápida do que a Gamma, que já é bem transmissível. A vacinação completa, segundo Mansur, é o suficiente para impedir casos graves e mortes. Por esse motivo, é importante que as pessoas completem a imunização com a segunda dose. Ainda não se tem estudos completos sobre a proteção das vacinas em relação às variantes, porém, em países onde a Delta já se instalou, as vacinas da Pfizer e da Astrazeneca se mostraram eficazes para evitar casos graves e mortes de Covid no local. O virologista relembra a importância de se vacinar por completo: - Não dá pra falar que com uma dose só a gente estaria protegido contra a doença. As duas doses são necessárias para atingir a eficácia das vacinas. Em entrevista ao G1, o especialista André Bon, médico infectologista do hospital Sírio-Libanês, disse que a circulação da variante vai exigir que mais pessoas sejam vacinadas para que os países tenham a “imunidade coletiva”. "Com a variante original, uma pessoa infectava duas a três pessoas. Isso faz com que a gente precisasse de uma cobertura vacinal entre 60% e 70%. Com a variante delta, uma pessoa infecta 5 a 8 pessoas diferentes, então, você precisa de uma proporção muito maior de vacinados para reduzir a circulação do vírus de forma sustentável". Outras variantes Já se passaram mais de 12 meses desde que o primeiro registro oficial de Covid-19 foi feito. O vírus se espalhou pelo mundo e enquanto o coronavírus se replica, naturalmente, novas mutações genéticas vão surgindo. Quatro delas deixam os cientistas em alerta: Variante Alfa (descoberta no Reino Unido), Beta (identificada na África do Sul), Gamma (descoberta no Brasil) e a variante Delta (descoberta na Ìndia). Todas já chegaram no Brasil. A Gamma é a cepa que mais predomina nos casos ativos de Covid-19 no país no momento, porém, a Delta, que já apresenta mais de 100 casos, preocupa pesquisadores.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 21/07/2021 às 03h00

Pelo menos 1,5 milhão de crianças no mundo perderam o pai, a mãe, um avô ou avó ou um responsável em razão da Covid-19 durante a pandemia, segundo estudo publicado ontem na revista científica The Lancet. No Brasil, de acordo com estimativa dos pesquisadores, 130.363 crianças vivem essa situação. O estudo oferece, pela primeira vez, estimativas mundiais de crianças que enfrentaram a morte de um responsável por sua criação. O levantamento foi feito a partir de dados de 21 países, considerando estatísticas de mortalidade e fertilidade e usando métodos semelhantes aos da Unaids (Programa da ONU para HIV/Aids) para estimar o número de crianças órfãs devido à Aids. “A cada duas mortes de Covid-19 em todo o mundo, uma criança é deixada para trás para enfrentar a morte de um pai ou responsável”, escreveu Susan Hillis, pesquisadora dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e uma das autoras do estudo. Segundo os especialistas, crianças que perdem o responsável correm o risco de efeitos adversos profundos de curto e longo prazos em sua saúde, segurança e bem-estar, como aumento do risco de doenças, problemas de saúde mental, abuso físico, violência sexual e gravidez na adolescência. Assim, os pesquisadores cobram políticas públicas para amparar as crianças e os que se tornam responsáveis por elas. “Precisamos apoiar parentes e famílias adotivas para cuidar das crianças, com fortalecimento econômico, programas de apoio e acesso à escola. É preciso agir rápido porque, a cada 12 segundos, uma criança perde seu cuidador para a Covid19”, afirmou Lucie Cluver, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e outra autora do estudo. TABU A pesquisa aborda ainda a importância dos avós na criação dos netos, tanto no sentido afetivo quanto no apoio prático e financeiro. A porcentagem de crianças que vivem em lares que incluem avós é de 38% em todo o mundo e, segundo o estudo, no Brasil, 70% das crianças recebem apoio financeiro dos avós. Para a psicóloga Andréia Mutarelli, da pediatria do Hospital Sírio-Libanês, o tema já se configura como mais um problema de saúde pública provocada pela pandemia: — Várias questões se acumulam ao luto da perda de um responsável, que já é importante, como a perda dos rituais presenciais, as perdas financeiras e o isolamento social. Uma rede de apoio indisponível ou insuficiente é um fator de risco complicado para o luto. Denise Lopes Madureira, coordenadora da Equipe de Cuidados Paliativos do Sabará Hospital Infantil, ressalta ainda a importância de quebrar o tabu em torno da morte: — A sociedade precisa aprender a encarar a morte e discutir o tema na escola, na igreja e em família para que o assunto não seja empurrado para debaixo do tapete. Não tem como esconder o momento histórico que estamos vivendo, está na mídia, na televisão e nas conversas. Fica difícil afastar a criança dessa realidade. Espero que haja uma mudança de concepção. E, para Sandra Mutarelli Setúbal, especialista de um programa infantil também do Sabará, aumenta a necessidade de acolher as crianças que enfrentam essa dor: — Importante saber que ela é um ser em desenvolvimento, e cada faixa etária tem uma noção da morte. E preciso conversar e acolher. Poupar uma criança do luto familiar é isolála no seu sofrimento.