Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 21/03/2021 às 03h00

Assim como ocorreu no passado, quando as epidemias e crises sanitárias de meados do século 19 e início do século 20 motivaram mudanças no planejamento das cidades, criando o urbanismo moderno, a pandemia de covid-19 traz aprendizados e abre caminho para uma nova utilização dos espaços públicos. Especialistas destacam que. apesar dos flagrantes desigualdades sociais observadas cm municípios de todos os portes. liá uiua chance para que possam emergir dessa crise cidades mais humanas, descentralizadas, verdes, saudáveis c sustentáveis. Em Sào Paulo, o primeiro ensinamento que a pandemia trouxe foi a constatação da desigualdade estrutural da cidade, avalia Jorge Abrahào, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis. 'T m exemplo é que 60% dos leitos de lÍTÍ na cidade de São Paulo estão concentrados eni três tias 32 subprefeituras”. compara. Outra confirmação foi da extrema vulnerabilidade das habitações precárias, onde o adensamento populacional c a baixa oferta de condições de higiene dificultam o necessário isolamento social. O urbanista Vicente Loureiro concorda que há uma evidente falta de equidade socio territorial nos grandes centros urbanos. “As pessoas perceberam que certos setores das cidades não oferecem acesso aos serviços e que os equipamentos públicos não estão bem distribuídos, listão concentrados nas áreas mais valorizadas”, afinua. Gabriela Cclani e Stdney Bernardini são prolêssores da Faculdade de Arquitetura c l rbauismo da Uiiicamp. Para eles, a pandemia atingiu os mais vulneráveis com maior imensidade. “As pessoas de mais baixa renda, que moram longe do emprego, foram mais afetadas”, afirma Gabriela. O que implica importantes desafios de mobilidade e descentralização dos centros urbanos. "A crise escancarou problemas que carregamos há décadas, como o acesso ao saneamento, e questões de infraestru tura de água. esgoto c drenagem", lembra Bemardini. URBANISMO TÁTICO A percepção dessas deficiências é um ponto de partida para a busca das soluções, segundo Koberi Muggah, coíündador e diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Igarapé. “A pandemia está forçando um repensarem muitas partes do mundo sobre como tornaras cidades mais pró .saúde, digitaliza dase resilientes." Muggali acrescenta que prefeitos esclarecidos, conselhos municipais e empreendedores cívicos eüi iodo o mundo estão introduzindo mudanças no zoiieameuto. projetos inovadores de construção, prestação de serviços, mobilidade e uso de energia, mestuo enfrentando enormes défieirs orçamentários. A professora Gabriela sugere que ações reversíveis em espaços públicos, o chamado urbanismo tático, podem servir de testes para grandes mudanças. A adoção de edifícios se voltando para fora. como um museu da Dinamarca que expôs suas obras i ias janelas, é porte público”, comenta 1 .out eiro. “Cidades que são abertas, transparentes, colaborarivase que adoram respostas abrangentes tendem a estar mais bem equipadas para gerenciar surtos de doenças infecciosas do que aquelas que não o são”, concorda Miiggali. A professora da Uiiícainp diz que já observa mudanças de comportamento das pessoas nos espaços públicos, que estão caminhando, correndo ou fazendo exercícios ao ar livre, o que pode ajudara nortear o planejamento dos espaços. “Perdeu-se o hábito antigo dc passear pela cidade, porque as pessoas iinliani como opção dc lazer os shopping cctucrs. c isso pode ser retomado”, sugere. Claro que tudo vai depender do combate a um histórico déficit estrutural dos espaços públicos, com a renovação das praças, áreas que muitas vezes se cxmfiguram como única opção para cidades menores. Em Juiz de Fora, município da Zona da Mata mineira, por exemplo. existem 95 praças, mas com manutenção precária, afirma Klmis Chaves, professor de Arquitetura c Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora < 11FJF). “Fizemos um levantamento no final de 2019 c apenas 61% desses espaços possuíam lixeiras, só quatro ti nliain banheiros e unia única praça oferecia bebedouro”, diz Chaves. Bemardini, da llmeamp, defende que uma maior participação tia sociedade civil, reivindicando as mudanças, pode gerai “unia nova ética no urbanismo”. menos 30% não se sentem incluídos nos bairros ou comunidades onde moram. Essa sensação de não pertencimento é maior entre os paulistanos de 35 a I I anos. Jorge Abrahào. cooidenador-geraldo Instituto Cidades Sustentáv eis, acredita que uma parcela da população percebeu que faliam espaços de contato em áreas próximas às suas residências. “Muitagente passou a discutir o acesso a serviços e a postos de trabalho numa determinada distância tle suas casas”, afirma A preocupação com o tempo gasto em deslocamentos fez surgir propostas como a de Paris, na França, da cidade de 15 minutos, meta de tempo médio para os moradores resolvcrem problemas cotkliaitos. Santos cisa empreendimento como os CEUs como centros de atração das comunidades para seus bairros. Abrahào reforça que a periferia tem uma riqueza cultural que ainda não foi totalmeiite descoberta, com produção artística, musical c de esportes. “Sc o poder público der o devido suporte, esse potencial podería desabrochar. Seria interessante fazer essa inflexão, abrir para o novo. Não priorizar apenas amigo padrão estabelecido e investir no que está surgindo”, afinua. Quando é citado o tema da ocupação de espaços vazios. Santos lembra da importância da habitação social e do zoiieainento de uso misto. Ele destaca que a própria região central da cidade já passou por processo semelhante quando as sedes dos bancos migraram para regiões inais nobres. Parte dos prédios é hoje ocupada por faculdades. Filtre as sugestões para voltar a atrair moradores mais jovens para o Centro, o professor da PUC-Csiupinas propõe atrair a economia criai iva para a região, como a espanhola Se\ illta fez liá poucos anos. (KL) j.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/03/2021 às 07h00

A explosão dos casos de covid-19 está pressionando de forma inédita os hospitais. Desde o ano passado, entretanto, os principais centros de medicina do País perceberam rapidamente que não se tratava apenas de uma crise de saúde. Era algo muito maior. Os desafios são também sanitários, econômicos e humanitários. Diante disso, integrar conhecimentos e soluções de diferentes áreas é o que tem funcionado no InCor, ligado à USP, no Hospital São Paulo, atrelado à Unifesp, e no Hospital Sírio-Libanês. Nos hospitais voltados para o conhecimento universitário, como o da USP e o da Unifesp, a proposta é compreender as manifestações da doença e sequelas, aprimorar o tratamento e encontrar tecnologias que se traduzam em ganho para a sociedade no longo prazo – para além da covid-19. A Unifesp está atenta aos sintomas e sequelas neurológicas da doença, e tem um projeto de pesquisa liderado pelas áreas de psiquiatria e neurociência para checar a relação entre pacientes recuperados de covid e perda de memória parcial, distração e depressão. Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa O vírus tem caráter inflamatório e uma hipótese, segundo Soraya Samali, reitora da Unifesp, é a de que ele provoca uma inflamação nos neurônios. “Se sabemos cientificamente qual é o processo inflamatório que está provocando o sintoma, conseguimos tratar a inflamação de modo que não tenhamos sequela”, resume a reitora. No InCor, parte do Hospital das Clínicas e campo de ensino e de pesquisa para a Faculdade de Medicina da USP, é feita uma coleta de dados de pacientes que receberam alta hospitalar há três, seis e 12 meses. Também há necropsia dos pacientes internados que vieram a óbito, e foi essa frente de estudos que permitiu o entendimento da presença de microtrombos em alguns casos. Isso foi decisivo para atualizar a conduta clínica em pacientes internados em todo o País. Dados clínicos coletados na pandemia permitiram o aprimoramento de um aparelho de impedância elétrica, fruto da parceria entre InCor e Poli-USP, e desenvolvido há mais de 10 anos. O equipamento, usado internacionalmente, registra informações sobre a qualidade de oxigenação do sangue. “Isso ajuda a saber a hora de entubar e o momento de sair do tubo”, registra Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Pneumologia do InCor. Ainda, o avanço no conhecimento sobre a mecânica nas trocas gasosas adquirido na pandemia ativou parcerias do InCor com empresas que produzem camas hospitalares. A proposta é melhorar o potencial de inclinação dos leitos para ajudar paciente e equipe médica tanto em quadros de covid-19 quanto fora deles. Como as manifestações cardiológicas estão entre as mais importantes da doença, o InCor lidera o estudo CoronaHeart, com mais de dois mil pacientes, para averiguar complicações cardíacas e os efeitos pós-covid em pessoas que precisaram de internação. Por ora, os dados ainda estão em análise, afirma Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor e coordenador da pesquisa. Evoluções no tratamento No Hospital Sírio-Libanês, um dos principais hospitais de ponta do País, a pandemia endossou a importância da cooperação entre as áreas além da saúde. Até porque, antes da condução dos casos de covid-19, foi preciso preparar o terreno. O apoio da engenharia clínica e de obra foi crucial para disponibilizar leitos e separar as áreas para pacientes de covid-19 das demais, lembra Fernando Ganem, diretor de Governança Clínica do Sírio-Libanês. Do ponto de vista técnico, houve mudanças nas diretrizes ao longo desse um ano de pandemia. “No começo, pacientes eram entubados mais precocemente e hoje adotamos a ventilação não invasiva [que dispensa o tubo] em alguns casos”, menciona Ganem. Outra mudança é o uso mais frequente da oxigenação extracorpórea (ECMO) para oxigenar o sangue nos casos em que a insuficiência respiratória é bem grave. A conduta também foi atualizada no Hospital Israelita Albert Einstein, que agora faz fisioterapia mesmo nos pacientes em enfermaria. “Fazemos fisioterapia precoce, para abrir os pulmões do paciente e evitar uma evolução para o tubo”, explica Moacyr Júnior, da UTI Adulto do hospital. Telemedicina ajuda no combate ao câncer Ainda era março de 2020 quando o Brasil pensou que a pandemia da covid-19 se resolveria após uma quarentena de um ou dois meses. Clínicas e laboratórios reduziram consultas, hospitais adiaram procedimentos não urgentes e o ‘Fica em Casa’, de certo modo, significou a postergação dos exames de rotina. Mas quem tem câncer tem pressa, lembrou uma campanha do A. C. Camargo, centro exclusivo para tratamento da doença, lançada em junho de 2020. “O paciente com câncer está mais frágil e químio e radioterapia continuaram”, lembra José Marcelo, CEO do centro. Mas houve algumas mudanças. Em tempos de pandemia, o senso de urgência do tratamento do paciente oncológico depende de vários fatores. É analisada a gravidade do tumor, a presença do novo coronavírus no organismo e se existem outros casos mais complexos que precisam de uma intervenção mais imediata. Para ajudar nessas decisões, o A. C. Camargo usa teste de PCR para ter mais claro quem são os pacientes prioritários. O exame é feito mesmo em quem não tem sintoma, mas está com a cirurgia marcada. “Em cada caso analisamos se vale seguir com a cirurgia ou adiá-la por 21 dias”, explica Victor Piana, diretor médico do hospital. Se mantida a agenda, adaptações são feitas no bloco cirúrgico. Quem tem o procedimento adiado recebe ligações diárias de médicos do A. C. Camargo, que monitoram a condição clínica para evitar uma piora descontrolada. Pacientes estáveis conseguem acessar um software que os ajuda a identificar se é hora de ir para o hospital devido a um sintoma que pode evoluir mal. Dos 304 pacientes que usaram a plataforma, 74 receberam a recomendação de ir encontrar os médicos. “O grande desafio é manter todo o atendimento para todos os pacientes, principalmente na etapa curativa. A preocupação é sustentar o tratamento em fase crítica e dar suporte em fases iniciais”, afirma Marcelo. Sem diagnóstico precoce Por medo de contaminação, as pessoas abriram mão de consultas e exames de rotina. O efeito foi a queda na quantidade de diagnóstico precoce de câncer e outras doenças complexas. No A. C. Camargo, o efeito veio no segundo semestre, com um boom no número de casos, agora já não tão iniciais. “Em cânceres intermediários, como intestino e pulmão, o sintoma progride em três meses. Em 2020, 25% dos pacientes com câncer colorretal chegaram em estágio mais avançado do que em 2019. Não era mais possível não fazer químio”, explica Piana. “É uma doença que detectamos em exames de rotina, e quando sintomas como dor na região ou sangramento aparecem, é porque o tumor está mais avançado, impondo um tratamento mais longo e mais caro.” O Programa Oncologia da SulAmérica tem como objetivo orientar o beneficiário com câncer em todas as fases da doença; oferecer suporte e orientação ao segurado no momento do diagnóstico, durante o tratamento, até a remissão da doença ou indicação de cuidados paliativos; cuidados para a prevenção das complicações; orientação quanto à evolução da sua condição de saúde; fornecer conforto emocional e apoio aos pacientes e familiares; diminuir os efeitos colaterais do tratamento; estimular a adesão ao tratamento, melhorar integração entre médico-paciente. Seguradoras de saúde, como a SulAmérica, também desenvolveram produtos para ajudar no acompanhamento de pacientes oncológicos. Segundo a empresa, quase 8 mil pessoas foram beneficiadas pela iniciativa até agora. O programa contempla a participação de uma equipe multiprofissional (enfermeiro, assistente social, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista), que realiza a classificação dos beneficiários por fase (diagnóstico, tratamento e remissão). O sistema também utiliza uma escala de performance para medir o grau de bem-estar do paciente. O acompanhamento é realizado por telemonitoramento e também por visitas domiciliares quando for necessário. (SA).

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | ESPECIAL
Data Veiculação: 21/03/2021 às 03h00

No Sírio-Libanês, os fluxos estão muito bem-organizados. Dos profissionais de saúde ao pessoal técnico e da limpeza, quem trabalha no setor destinado à covid-19 não acessa os demais” Roberta Saretta, gerente médica do Centro de Cardiologia Fonte: Hospital Sírio-Libanês II Um ano após a notificação do primeiro caso de covid-19 no Brasil, o mundo volta seu olhar e preocupação para o pior momento da pandemia no País. Diante desse cenário, e com a velocidade da vacinação aquém do necessário para imunizar prioritariamente a população mais vulnerável, os especialistas são unânimes: mais do que nunca é preciso reforçar todas as medidas que contribuam para reduzir a propagação do vírus. “O distanciamento social e o isolamento são instrumentos importantíssimos neste momento”, afirma o cardiologista Luiz Cardoso, superintendente de Pacientes Internados e Práticas Médicas e coordenador do Comitê Covid-19 do Sírio-Libanês. “Países que conseguiram restringir a circulação de pessoas durante pelo menos 15 dias reduziram drasticamente o número de novos casos”, completa Mirian Dal Ben, infectologista do hospital. A questão é que, por aqui, a população ainda não parece estar convencida dessa necessidade. “Ficamos, então, com Países que conseguiram restringira circulação de pessoas durante pelo menos 15 dias reduziram drasticamente o número de novos casos” Mirian Dal Ben, infectologista do Sírio-Libanês o pior dos mundos: temos os malefícios econômicos do fechamento do comércio, mas sem obter os benefícios do isolamento, ou seja, a diminuição da transmissão”, lamenta a infectologista. “A gente sabe onde estão os riscos maiores de se contaminar. É quando a pessoa se reúne em restaurantes, bares, em grupos familiares. São situações nas quais em geral se tirar a máscara para comer, para ficar conversando”, analisa Cardoso. O uso de máscara de maneira correta, aliás, é outro recurso que, por mais óbvio que pareça, ainda tem deixado muito a desejar. “Nessa questão, não cabe livre-arbítrio. Quando alguém sai sem máscara está impactando diretamente também a saúde do outro”, enfatiza Mirian. Na hora de escolher o modelo, se optar pela de pano, ela deve ter três camadas. E tanto esse tipo como as cirúrgicas ou a N-95 precisam estar colocadas sobre a boca e o nariz, de forma que não fique nenhum espaço entre a máscara e o rosto. “No hospital, desde o início da pandemia seguimos protocolos de maneira impecável, para preservar tanto os pacientes como a própria equipe. Além dos equipamentos de proteção especiais, recebemos orientações claras sobre todos os cuidados ao entrar e sair dos quartos”, conta Keila Cristina Karolczyk Albano, enfermeira que atua na linha de frente do atendimento aos pacientes com covid-19. Desde maio de 2020, o Sírio-Libanês implantou o Programa Proteger, para reforçar as boas práticas de prevenção ao vírus, apoiar as equipes com mais proximidade e cuidar da segurança de todos enquanto desempenham seu trabalho na instituição. §0>» Menos diagnósticos* De março a agosto de 2020, caiu significativamente o número de exames para detecção de diferentes doenças, comparado ao mesmo período de 2019: Sorologia HIV -34,6% Mamografia (câncer de PSA total (câncer de próstata) -39,5% mama) Papanicolau -46,2% (câncer de colo de útero) -49,2% Fonte: Associação Brasileira de Medicina Diagnostica (Abramed) Não Pare de Se Cuidar O Sírio-Libanês está promovendo a campanha Não Pare de Se Cuidar, que pretende reforçar um importante movimento de engajamento às formas de reduzir a transmissão da covid-19. Use máscaras, higienize as mãos com frequência e evite aglomerações. Somente com a adoção dessas medidas vamos conseguir, juntos, proteger uns aos outros. Aponte sua câmera e assista ao vídeo ou acesse hsl.org.br/ compromisso-com-a-saude A saúde não pode esperar “As outras doenças não deixaram de existir e precisam ser diagnosticadas e tratadas”, diz o radiologista Cesar Nomura, superintendente de Medicina Diagnostica do Sírio-Libanês. “Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnostica (Abramed), houve uma queda de quase 50% das mamografias e de cerca de 40% no número de biópsias nesse período”, exemplifica. Para o oncologista Gustavo Fernandes, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, as pessoas estão deixando de fazer seus exames periódicos até diante de sintomas importantes, o que deve gerar uma explosão de casos avançados de câncer daqui a um tempo. “Nossa recomendação é: não tome decisões sozinho. Hoje temos o recurso da teleconsulta e, juntos, médico e paciente podem avaliar a possibilidade de adiar um exame, atrasar um ciclo de quimioterapia ou uma cirurgia”, diz. Também na cardiologia a falta de acompanhamento preocupa. “Grande parte dos que sofrem com doenças crônicas, como os hipertensos, os que têm insuficiência cardíaca e os transplantados, corre risco de agravamento de suas condições por não procurar assistência”, alerta Roberta Saretta, gerente médica do Centro de Cardiologia do Hospital. Se a situação pede uma consulta presencial, é importante saber que os procedimentos são feitos com segurança. “No Sírio-Libanês, os fluxos estão muito bem organizados. Dos profissionais de saúde ao pessoal técnico e da limpeza, quem trabalha no setor destinado à covid-19 não acessa os demais”, finaliza a cardiologista.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | ESPECIAL
Data Veiculação: 21/03/2021 às 03h00

A explosào dos casos de covid-19 está pressionando de forma inédita os hospitais. Desde o ano passado, entretanto, os principais centros de medicina do País perceberam rapidamente que não se tratava apenas de uma crise de saúde. Era algo muito maior. Os desafios são também sanitários, econômicos e humanitários. I )milc disso, integrar conhecimentos e soluções de diferentes áreas é o que tem funcionado no InCor. ligado à l !SP, no I Hospital São Paulo, atrelado à Unifesp, e no Hospital Sírio-Libanês. Nos hospitais voltados para o conhecimento universitário, conto o da ÜSP c o da l nifesp, a proposta é compreender as manifestações da doença e sequelas, aprimorar o tratamento c encontrar tecnologias qtie sc traduzam ent ganho pant a sociedade no longo prazo para além da covid-19. A l nifesp está atenta aos sintomas r sequelas neurológicas da doença, e tem um projeto de pesquisa liderado pelas áreas de psiquiatria e nenrodéncia para checar a relação entre pacientes recuperados de covid e perda de memória parcial, distração c depressão. O tinis tetn caráter inflamatório e uma hipótese, segundo Soraya Samali. reitora da l nifesp. c a de que ele provoca uma inflamação nos neurônios. "Sc sabemos cíen tilicamenre qual é o processo inflamatório que está provocando o sintoma, conseguimos tintar a inflamação de modo que não tenha mos sequela”, resume a reitora. No InCor. parte do I Hospital das Clínicas c campo de ensino e de pesquisa para a Faculdade de Medicina da USP, é feita uma coleta de dados de pacientes que receberam alta hospitalar há três, seis e 12 meses. Também há necropsia dos pacientes internados que vienun a óbito, c lói essa frente de estudos que permitiu o entendimento da presença de inicrotrombos em alguns casos. Isso foi decisivo pant atualizar a conduta clínica cm pacientes internados em todo o País. Dados clínicos coletados na paudeiitia permitiram o aprimoramento de um aparelho de iiupedãncia elétrica, fruto da parceria entre InCor e Poli-USP, c desenvolvido há mais de 10 anos. O equipamento, usado iiiiemaeionahnente. registra informações sobre a qualidade de oxigenação do sangue. “Isso ajuda a saber a hora de entubar c o momento de sair (Jo tubo”, registra Carlos Carvalho, diretor da Divisão de Píieumologia do InCor. Ainda, o avanço no conhecimento sobre a mecânica nas trocas gasosas adquirido na pandemia ativou parcerias do InCor com empresas que produzem tatuas hospitalares. A proposta c melhorar o potencial de inclinação dos leitos para ajudar paciente e equipe médica tanto cm quadros de covid-19 quanto fora deles. Como as manifestações cardiológieas estão entre as mais importantes da doença, o InCor lidera o estudo CoronaHeart, com mais de dois mi! pacientes, para averiguar complicações cardíacas c os efeitos pós-cw id em )>essoas que precisaram de internação. Por ora, os dados ainda estão cm análise, afirma Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor e coordenador da pesquisa. EVOLUÇÕES NO TRATAMENTO No I Hospital Sírio-Libanês, um dos principais hospitais de ponta do País. a pandemia endossou a importância da cooperação entre as áreas atem da saúde. Até porque, antes da condução dos casos dc covid-19. foi preciso preparar o terreno. O apoio da engenharia clínica e de obra foi crucial para disponibilizar leitos e separar as áreas para pacientes de covid-19 das dentais, lembra Fernando Caneiu. diretor de Governança Clínica do Sírio-I.ibanês. Do ponto dc vista técnico, houve mudanças nas diretrizes ao longo desse um ano de pandemia. “No começo, pacientes eram entubados ntais precocemcnte e boje adotamos a ventilação não invasiva [que dispensa o ittboj em alguns casos”, menciona Ganem. Outra mudança é o uso mais frequente da oxigenaçâo cxtracorpórea (ECMO) para oxigenar o sangue nos casos em que a insuficiência respiratória é bem grave. A conduta também foi atualizada no Hospital Israelita Albert Einstein. que agora faz fisioterapia mesmo nos pacientes em enfermaria. “Fazemos fisioterapia precoce. para abrir os pulmões do paciente e evitar uma evolução para o tubo”, explicaMoacyr Júnior, da IjTI Adulto do hospital. Telemedicina ajuda no combate ao câncer OUTUBRO 1G.01C, Ainda era março dc 2020 quando o brasil pensou que a pandemia da covid-19 sc resolvería após uma quarentena dc imi ou dois meses. Clínicas c laboratórios reduziram consultas, hospitais adiaram procedimentos nâo ingentes c o ‘Fica ciu Casa’. de certo modo. significou a postergação dos exames de rotina. Mas quem tem câncer tem pressa, lembrou uma campaiilia do .A C. Camargo, centro exclusivo para tratamento da doença, lançada cm junho dc 2020. “O paciente com câncer está mais frágil e quimioterapia e radioterapia continuaram”.lembraJosé Marcelo, CFO do centro. Mas houve algumas mudanças. Fm tempos de pandemia, o senso dc urgência «Io tratamento do paciente oncológtco depende de vários fatores. É analisada a gravidade do tumor, a presença do novo Covid19 no organismo e sc existem outros casos mais complexos que precisam dc uma intervenção mais imediata. Para ajudar nessas decisões, o A. C. Camargo usa teste de PCR para ter mais claro quem são os pacientes prioritários, O exame é feito mesmo em quem não tem sintoma, mas está com a cirurgia mareada. "Km cada caso analisamos se vale seguir com a cirurgia nu adiá-la por 2 I dias”, explica Vicror Piana. diretor médico do hospital. Se mantida a agenda, adaptações são feitas no bloco cirúrgico. Quem tem o procedimento adiado recebe ligações diárias de médicos do A. G. Camargo, que monitoram a condição clínica para evitar urna piora descontrolada. Pacientes estáveis conseguem acessar utu software que os ajuda a identificar se c hora de ir para o hospital devido a hui sintoma que pode evoluir mal. Dos 301 pacientes que usaram a plataforma, 71 receberam a recomendação de ir encontrar os médicos. "O grande desafio é manter rodo o atendimento para todos os pacientes, principalmente na etapa curativa. A preocupação é sustentar o tratamento cm fase critica c dar suporte cm fases iniciaisafirma Marcelo. SEM DIAGNÓSTICO PRECOCE Por medo dc contaminação, as pessoas abriram mão de consultas c exames dc rotina. O efeiro foi a queda na quantidade de diagnóstico precoce de câncer c outras doenças complexas. No A. C. Camargo, o efeito veio no segundo semestre, com um boorn no número de rasos, agora já não tão iniciais. “Em càncercs intermediários, como intestino e pulmão, o sintoma progride em três meses. Em 2020, 25% dos pacientes com câncer colorretal chegaram em estágio mais avançado do que em 2019. Não era mais possível não fazei qnímio”. explica Piana. “F uma doença que detectamos cm exames de rotina, e quando sintomas como dor na região ou saiignuuemo aparecem, é porque o tumor está mais avançado. impondo nm tratamento mais longo e mais caro." O Programa Oncologia da SulAmérica tem corno objetivo orientar o beneficiário com câncer cm todas as fases da doença: oferecer suporte e orientação ao segurado tio momento do diagnóstico, durante o tratamento, até a remissão da doença ou indicação dc cuidados paliativos: cuidados para a prevenção das complicações; orientação quanto à evolução da sua condição de saúde; fornecer conforto emoek u íal e aj mio a< «s paciet ites e familiares: diminuir os efeitos colaterais do tratamento; esti imilar a adesão ao tratamento, melhorar integração entre médico-paciente. Seguradoras dc saúde, como a SulAmérica. também desenvolveram produtos para ajudar HO acompanhamento de pacientes oi teológicos. Segundo a empresa, quase 8 mil pessoas foram beneficiadas pela iniciativa até agora. () programa contempla a participação dc uma equipe mui ti profissional (enfermeiro, assistente social, fonoaiidiólogo, fisioterapeuta, nutricionista), que realiza a classificação dos beneficiários por fase (diagnóstico, tnitailinuo c remissão). O sistema também utiliza uma escala dc performance paia medir o grau de bem-estar do paciente. O acompanhamento é realizado por iclemonitoramcnto e também por visitas domiciliares quando for necessário. (SA) AGOSTO/2020 5ETEMBR0/2Q20