Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 21/02/2021 às 18h17

Há quase um ano, quando foi diagnosticado o primeiro caso de coronavírus em território brasileiro, o Sars-CoV-2 era um mistério para a ciência e a medicina. Um vírus completamente novo, com sintomas leves que evoluíam rapidamente e levavam o paciente a óbito, sem que houvesse o que fazer. Nas primeiras semanas da pandemia no Brasil, a taxa de letalidade, ou seja, a quantidade de óbitos registrados em relação aos casos confirmados, era de 6,9%, de acordo com um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia. Hoje, o cenário mudou. A letalidade caiu e, apesar do número ainda alto de novos casos contabilizados diariamente, a taxa se estabilizou por volta de 2,4%. As novas opções de tratamento, os medicamentos passando por testes em estudos clínicos, os hospitais sendo expandidos e a experiência adquirida por parte dos profissionais de saúde aumentaram as chances de os pacientes com Covid-19 sobreviverem. O infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que, na prática, a taxa de letalidade deve ser ainda menor. Como ela é calculada levando em consideração o número de casos confirmados, que é subestimado, a conta final pode mostrar índice diferente. O tratamento Infectologista do Hospital Sírio-Libanês e vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, Alexandre Cunha conta que, nos primeiros atendimentos, a única coisa que podia ser feita era oferecer oxigênio ao paciente. “Não tínhamos nenhum tratamento específico para o quadro, o que fazíamos era dar suporte ventilatório e suplementação de oxigênio ao paciente que não tinha oxigenação adequada. Inclusive, um dos equívocos no início da pandemia era intubar o paciente precocemente, o que não se mostrou uma boa alternativa”, pontua. Nas primeiras semanas, como tudo ainda era um mistério, foram testados vários medicamentos, como a cloroquina e a azitromicina, por exemplo, além de um antiviral usado para HIV. Depois, estudos comprovaram que nenhum dos dois fármacos fazem diferença no prognóstico do paciente com Covid-19. No meio do ano, surgiu a primeira luz para ajudar no tratamento: o corticoide dexametasona, que mostrou ser útil aos pacientes que precisam de oxigênio. A descoberta se deu a partir de um grande estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Hoje, todos as pessoas hospitalizadas com quadro mais avançado da doença recebem o medicamento. Outra classe de remédios incorporada ao longo dos meses foi a dos anticoagulantes, principalmente em quadros mais graves. O objetivo é evitar a formação de trombos sanguíneos, muito comuns e, às vezes, perigosos. Os compostos usados até agora são apenas para pacientes hospitalizados e com necessidade de suplementação de oxigênio e ventilação mecânica – eles podem fazer mal a pessoas com sintomas leves. Até o momento, não há medicação que tenha mostrado eficácia em casos brandos da Covid-19. “Foram dois grandes ganhos. Além disso, sem ser tratamento medicamentoso, melhoramos muito as técnicas de ventilação mecânica e os cuidados de UTI, há diversas formas de oxigenação não invasiva. O uso de estratégias de UTI facilitaram o manejo desses pacientes”, explica Cunha. Oxigênio no sangue A medicina também descobriu, com o passar dos meses, a possibilidade de os pacientes desenvolverem hipoxia silenciosa, condição em que o indivíduo apresenta redução nos níveis de oxigênio no sangue, mas sem manifestação clínica – ou seja, sem falta de ar. Hoje, os profissionais de saúde já orientam o uso do oxímetro para que a pessoa saiba o momento certo de procurar o serviço de emergência. Quando tratada no começo, a situação tem um desenrolar mais favorável. Para Weissmann, os profissionais de saúde, bem como a comunidade científica, estão em curva de aprendizagem desde o começo da pandemia e, hoje, conseguem lidar melhor com o paciente que chega ao serviço de urgência infectado pelo novo coronavírus. “Nosso objetivo é salvar vidas. A redução da letalidade é uma consequência positiva do trabalho desenvolvido”, afirma o infectologista. Cunha conta que, no dia a dia, é possível perceber a queda da taxa de letalidade, principalmente entre os internados, que agora têm considerável chance de sobrevida. “Conseguimos oferecer um tratamento melhor. A maior diferença hoje é ter acesso a um bom serviço de saúde. O que pode aumentar a letalidade novamente é a falta de leito, de oxigênio, de assistência médica, etc.”, frisa. Apesar de já termos caminhado uma longa estrada desde a descoberta do novo coronavírus, ainda há muito o que precisamos saber sobre o vírus que colocou o mundo de cabeça para baixo. Falta evidência suficiente para o uso de plasma convalescente (parte do sangue que contém anticorpos de pessoas que já tiveram a doença) e a utilização de outros medicamentos. Também não se sabe muito sobre as consequências a longo prazo. “Não dá para dizer que a Covid-19 seja menos assustadora. Ainda vemos muita gente morrendo. Conforme o tempo vai passando, cada vez mais vamos descobrindo informações sobre o vírus e a doença”, pondera Weissmann.

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 21/02/2021 às 15h55

Carlos Alberto de Nóbrega foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no sábado (21), com sintomas de covid-19. O comunicador de 84 anos foi hospitalizado dois dias depois da mulher, Renata Domingues de Nóbrega, ser diagnosticada com a doença. Os dois estão em quartos lado a lado. O filho de Carlos Alberto, João Victor, fruto do relacionamento dele com Andréa Nóbrega, também foi infectado pelo novo coronavírus e está isolado em casa. Nas redes sociais, o apresentador postou uma foto em que aparece no hospital e tranquilizou os fãs. "Meus queridos e fiéis amigos: estou ótimo. Já comecei o tratamento e estou sem dor, mal-estar, nada. Pude até ir no quarto da Renata, que está bem melhor, sem ter mais dores. Meu caçula João Victor está em isolamento, em sua casa, e não sente rigorosamente nada." A mulher de Carlos Alberto também gravou um vídeo nos stories para falar sobre o estado de saúde dos dois: "Acabei tendo diagnóstico de covid na quinta-feira. Como apresentei febre, dor no corpo, acabei vindo para o Sírio-Libanês e quem me aparece aqui no sábado? Digníssimo Carlos Alberto. Está aqui do ladinho, mas está tudo bem, graças a Deus". O casal ainda agradeceu as mensagens de apoio que tem recebido de amigos e fãs Veja as publicações Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Carlos Alberto De Nobrega (@calbertonobrega) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Carlos Alberto De Nobrega (@calbertonobrega)

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 21/02/2021 às 03h00

Janssen mantém no escuro voluntários de teste de vacina contra a Covid-19 Farmacêutica diz que imunização do grupo placebo acontecerá em algum momento de março Marcelo Leite são paulo A vacina antiCovid da Janssen seria excelente para o Brasil: dose única, refrigeração usual, 66% eficaz contra casos moderados e graves, estudo de fase 3 feito no país, entre as mais baratas do mercado. Nem os voluntários brasileiros do teste clínico Ensemble, porém, sabem se e quando poderão contar com ela. A subsidiária da Johnson & Johnson anunciou os dados de eficácia há mais de três semanas, em29 de janeiro, 12 dias depois de iniciada a vacinação por aqui com a Coronavac. Como a maioria dos cerca de 7.000 voluntários brasileiros j á têm direito a imunizar-se, por serem profissionais de saúde, eles precisam saber se receberam a vacina ou placebo. A Jaassen não abriu ainda o duplo cego para todos os voluntários, ou seja, não informa quem tomou 0 quê. Pessoas que contribuíram com seu tempo para o estudo, com risco ainda que mínimo de reações adversas, mas que tenham recebido placebo, têm em princípio direito a ser vacinadas pelo patrocinador. "Desde que foi publicado o resultado internacional do estudo nos Estados Unidos, que inclui o Brasil, a vacinação do grupo placebo se coloca, e principalmente a quebra da questão do pegamento. Muitos participantes estão sendo chamados para tomar outra vacina e não sabem se estão vacinados ou não”, diz o médico Jorge Venâneio, coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Esclarecimento: este repórter é parte interessada, tendo participado do teste que foi conduzido no Hospital SírioLibanês de São Paulo. Por outro lado, aos 63 anos, não integra nenhum grupo no alto da escala de prioridade para vacinação no SUS. No Sírio, voluntários recebem informação de que a abertura do grupo placebo deve acontecer em março, sem indicação de prazo. A Folha precisou esperar uma semana para obter posição oficial da Janssen a respeito, e ela não foi esclarecedora. Após vários prazos descumpridos, a empresa se limitou a dizer, por assessoria de imprensa, que aguarda autorização da vacina por ao menos uma autoridade reguladora independente antes de resolver a questão do grupo placebo. "Se a vacina da Janssen contra a Covid-19 estiver autorizada, será preparada uma emenda ao protocolo do estudo clínico descrevendo de que forma os participantes no braço do placebo receberão a vacina da Janssen contra a Covid-19. A emenda do protocolo da pesquisa precisa passar pelos processos de aprovação das autoridades regula tórias locais”, informou. “O tempo para essa autorização pode variar nos diferentes países, de acordo com cada processo de aprovação.” O pedido para uso emergencial foi apresentado nos EUA, no último dia 4, mas não no Brasil. Os dados submetidos pe la Ja nsse n ser ão debatidos pela FDA (agência americana de fármacos) na próxima sexta-feira (26). A farmacêutica diz que só fará solicitação equivalente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) após aprovação pela FDA. Na página de acompanhamento da Anvisa sobre licenciamento de vacinas, a da Janssen aparece com 22% de documentação com análise concluída. Outros 49% aguardam complementação, e 29% dos dados requisitados nem foram submetidos. A empresa diz manter "conversas” com Anvisa e Ministério da Saúde, mas náo se está em negociação de fornecimento ao Brasil. A Janssen tem compromisso com o governo americano de fornecer 100 milhões de doses até junho, com opção para compra de mais 200 milhões. A Casa Branca deu US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) ao laboratório para desenvolver a vacina. O Brasil não é prioridade. Segundo Venâneio, da Conep, houve várias reuniões com pesquisadores dos e entre envolvidos para providenciar imediatamente a quebra do paegamento, já autorizada em princípio pela comissão. “O que eu entendi é que a Jaassen está aguardando a aprovação pela FDA para lazer a vacinação, coisa que imagino seja questão de poucos dias”, diz. "Aguardar alguns dias para vacinação do braço placebo não é exatamente o ideal, mas não chega a ser uma coisa que faria diferença gigantesca. Agora, a quebra do pagamento tem de ser imediata, não tem lógica retardar, porque as pessoas estão sendo chamadas para tomar outra vacina, e elas vão acabar tomando e saindo da pesquisa.” Isso prejudicaria não só o participante como a própria pesquisa, porque vai haver uma debandada, segundo o coordenador da Conep. A partir daí não caberia medir mais a imunogenicidade, por exemplo, porque não havería como saber de qual vacina seria o efeito. Consultada sobre a posição da Conep, a (anssen disse que o protocolo original da pesquisa previa a abertura do pagamento só no término o estudo e que sua modificação teria de ser submetida à Conep e à Anvisa. Segundo a Anvisa, entretanto, essa submissão independe de autorização para uso emergencial: "O pedido de uso emergencial no Brasil não depende da aprovação em outros países. Como a Janssen tem pesquisa sendo conduzida no Brasil o eventual pedido de uso emergencial seria analisado em até dez dias.” Em duas páginas de informações datadas de 18 de janeiro entregues aos participantes (no meu caso, durante entrevista presencial em 12 de fevereiro, o 72o dia após tomar a injeção), os voluntários que já podem ser vacinados foram orientados a procurar a equipe de pesquisa para "discutir opções”, o que "pode incluir a quebra do caráter cego”. “Se houver a quebra do caráter cego e soubermos que você recebeu placebo, será aconselhado que você receba a vacina autorizada" (ou seja, do SUS), diz a orientação. Em casos como o deste repórter, no entanto, essa opção aindanão existe, nem há como saber quando se materializará, pois o estoque garantido pelo governo federal mal dá para o primeiro grupo prioritário. Resta o consolo de ter contribuído para o avanço da ciência e o desenvolvimento de uma vacina que tão cedo não vai beneficiar ninguém além da população dos EUA.