Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/12/2020 às 15h09

Quem deu a ideia foi meu velho amigo Raul Cutait, professor de Medicina da USP e cirurgião do Sírio-Libanês, que publicou um artigo na Folha deste domingo conclamando a mídia a se unir numa grande companha a favor da vida e contra o obscurantismo reinante no país. Enquanto o capitão-presidente dá entrevistas aos filhos para criticar as medidas de prevenção e sabotar a campanha de vacinação em massa nas redes sociais _ "por que tanta pressa?" _ e seu general-ministro da Saúde pergunta se haverá demanda, é mesmo hora de a sociedade civil tomar as rédeas do combate à pandemia que se agrava a cada dia. Com o título "Responsabilidade de todos", Cutait chama a atenção para o fato de que os impactos da vacinação em massa para o controle da pandemia não ocorrerão antes de meados de 2021, e por isso é preciso promover desde já uma mobilização para evitar a explosão do número de casos e de óbitos. Isso só poderá ser feito com o apoio de todas as mídias, numa campanha educativa de esclarecimento sobre os perigos que todos estamos correndo neste momento, com a chegada das festas e das férias, que ameaçam o distanciamento social, diante da campanha de desinformação negacionista promovida pelo governo federal. Raul Cutait sabe do que está falando: apesar de todos os cuidados, ele mesmo foi uma das primeiras vítimas da Covid-19, que o fez passar vários dias entre a vida e a morte numa UTI. Além de dar a ideia da união urgente de todas as mídias, o médico dá a receita para uma campanha de prevenção, "quem sabe, até mesmo com depoimentos de pessoas que sobreviveram, que perderam entes queridos ou que simplesmente se resguardam, com todos os sacrifícios impostos por tal atitude". Da mesma forma como o consórcio dos veículos de imprensa foi formado às pressas para suprir a ausência de dados confiáveis do Ministério da Saúde, agora os seus responsáveis poderiam se unir para criar uma força-tarefa, capaz desencadear uma campanha massiva, por todos os meios, e impedir a matança provocada pela ignorância, a má-fé e o fascismo dos que deveriam zelar pela saúde pública. Para criar essa campanha, poderiam chamar os maiores publicitários do país, a começar por Washington Olivetto e Nizan Guanaes, que certamente fariam esse trabalho pró-bono, e contariam com a ajuda de outros profissionais, em especial, os influenciadores das mídias digitais, como o Filipe Neto. Se cada um não fizer a sua parte, estamos todos condenados a ver mais amigos e parentes morrendo, sem vagas nos hospitais, que já estão recusando pacientes por falta de vagas. A próxima vítima pode ser qualquer um de nós. Não adianta ter o melhor plano de saúde do mundo, com direito a todos os melhores hospitais, se não houver leitos disponíveis e médicos para atender. É como diz Raul Cutait no final do seu artigo: "O fato é que somos todos responsáveis por uma grande missão, que é cuidar de si próprio, de sua família e de seu próximo! Em prol da vida. Com a palavra, os meios de comunicação!" Vida que segue.

UOL VIVA BEM/UOL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/12/2020 às 10h20

Grave complicação que pode ocorrer em pacientes com a covid-19, a tempestade de citocinas, reação exacerbada do sistema imunológico que pode afetar o funcionamento de órgãos vitais, é um dos eventos que agravam o estado do paciente, podendo até levá-lo à morte. Para tentar evitar esse quadro de tempestade inflamatória, pesquisadores do Hospital Albert Einstein estão testando em pacientes com casos leves a moderados um medicamento para artrite reumatoide que tem a capacidade de modular o sistema imunológico. "É um imunomodulador para evitar a tempestade de citocinas. Ele inibe uma das vias mais importantes da imunomodulação que são conhecidas nas doenças, como a jak", afirma Otávio Berwanger, diretor da Academic Research Organization (ARO) do Einstein. Eles vão estudar a evolução de 289 internados com sintomas como febre e pneumonia, mas que não necessitam de ventilação mecânica nem internação em UTI. "Alguns pioram, passando a precisar de suporte intensivo e desenvolvem a tempestade de citocinas, resposta inflamatória intensa que começa a causar danos em muitos órgãos. Causa insuficiência respiratória, dano grave no pulmão, no coração, rins, falência múltipla dos órgãos. A gente quer pegar isso antes", explica Berwanger. O medicamento utilizado é o Tofacitinibe, vendido pelo nome comercial Xeljanz, da farmacêutica Pfizer. "Resolvemos usar alguma medicação mais sofisticada para modular o sistema imunológico e evitar a exacerbação. Essa droga teve muito sucesso em artrite reumatoide e colite ulcerativa. É via oral, pode ser controlada." Berwanger alerta que, mesmo que os resultados se comprovem, o medicamento não deve ser tomado em casa. "É para ambiente hospitalar, onde a pessoa pode ser monitorada. Não é indicada para covid-19 e, se aprovada, será necessária prescrição médica, porque ela tem contraindicações." O estudo, que teve início em outubro, será controlado por placebo, está sendo feito em 24 centros em todo o País e com pacientes acima de 18 anos. "Se a gente conseguir êxito, vamos reduzir a mortalidade e a necessidade de suporte de oxigênio mais intenso." Os resultados devem ser publicados até março. O estudo Stop Covid é uma colaboração entre ARO Einstein e Pfizer, e inclui a participação da Coalizão Covid-19 Brasil, que, além do Einstein, reúne outros cinco hospitais - HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e BP, além do BCRI e da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 20/12/2020 às 04h42

Como se não bastasse contrair o novo coronavírus, a luta de muitos pacientes que testaram positivo para a doença não se encerra quando o vírus deixa o corpo. Mesmo pessoas que não ficaram internadas podem sofrer efeitos provocados pela doença depois da cura. As sequelas vão desde problemas no sistema respiratório, na coordenação motora, perda de olfato e paladar a médio e longo prazos. Aos 60 anos e com a notícia recente de um câncer de pulmão diagnosticado em novembro, Iracira Lúcia Soares Rocha enfrentou o coronavírus e ficou internada no Hospital de Base (HB). O filho de Iracira, Felipe Soares Rocha, 29, conta que a mãe testou positivo para a Covid-19 no início de dezembro e apresentou sequelas. “Minha mãe começou a ter alguns sintomas, mas pareciam com os da quimioterapia. Depois descobrimos o diagnóstico. Ela teve sorte e reagiu muito bem ao vírus”, disse o filho. Pela fraqueza no tratamento que já se encontrava a mulher ficou quase sem fala e com os movimentos reduzidos. No início do mês, foi encaminhada ao 7º andar da unidade de saúde, onde é oferecida a reabilitação pós-Covid-19. Após 10 dias de tratamento, já consegue falar melhor e demonstrar entusiasmo na recuperação. “Os médicos e todos estão me tratando muito bem. Tenho melhorado a cada dia. Agora, preciso de autoestima. Tive melhoras nos meus movimentos e na tosse, que não parava. A fisioterapeuta tem me ajudado muito”, contou Iracira. Segundo Felipe, o tratamento da mãe superou as expectativas. “Temos sentido muita firmeza e confiança nos médicos. A equipe é excelente e bem prestativa. Percebemos uma melhora significativa. ” Veja imagens do tratamento realizado com a paciente: Reabilitação Assim como outros internados no andar de reabilitação da Covid-19, que conta com 15 leitos, Iracira é atendida por enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais. A fonoaudióloga do HB Viviane Wesgueber é uma das profissionais que ajudam a cuidar de Iracira na reabilitação pós-Covid-19. “O fonoaudiólogo acaba recebendo pacientes direcionados da UTI que sofreram processo de intubação orotraqueal e todo o trato pode ficar com alteração de sensibilidade e mobilidade. O trabalho é pertinente para verificar se tem déficit. Em outros casos, pacientes que foram acometidos com a Covid-19, observamos alteração do padrão respiratório. Como é o combustível essencial para a fala e deglutição, atuamos para resgatar as habilidades com segurança no intuito de evitar outras complicações pulmonares”, explicou a médica. No caso de Iracira, Wesgueber explicou que ela passou por um momento de muita depressão e dificuldade em relação ao diagnóstico do câncer associada à sobrecarga da Covid-19. “Chegou com alteração da fala, fraquinha e uma redução da musculatura da boca. O trabalho da fonoaudiologia foi fundamental para que ela voltasse a se comunicar melhor. Hoje, ela tem uma expectativa de melhor qualidade de vida e é isso que queremos entregar para os nossos pacientes”, disse. Thília Cerqueira é fisioterapeuta do Hospital de Base e também compõe a equipe do projeto de reabilitação. “Nós trabalhamos tanto a parte motora quanto respiratória durante o nosso atendimento. A terapia é feita com base nas queixas do paciente. Se ele relata cansaço, falta de ar ou fraqueza muscular, trabalhamos em cima da avaliação para conseguir evoluir tudo isso. Estamos diminuindo o tempo de internação e melhorando a funcionalidade dos pacientes que ficam muito tempo internados e com independência reduzida”, afirmou. O que é o projeto de reabilitação? O Reab pós-Covid-19 faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde. Participam do projeto apenas cinco unidades hospitalares em todo o país: o Hospital de Base, o Hospital Geral de Fortaleza, o Hospital Geral de Palmas, o Hospital de Contagem e o Hospital do Trabalho de Curitiba. Os pacientes ficam internados recebendo orientações e auxílio dos profissionais para a retomada do condicionamento respiratório, fortalecimento muscular, entre outras terapias de acordo com a avaliação individual do paciente. O serviço é voltado para aqueles que ficaram internados no Hospital de Base para tratamento da Covid-19 e aos que forem encaminhados pelo Complexo Regulador da Secretaria de Saúde do DF. É necessária indicação pelo médico da continuidade de assistência para a reabilitação momento da alta da UTI. De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), aniciativa em parceria com o Hospital Sírio-Libanês completou dois meses e mostrou resultados positivos. O serviço de reabilitação de pacientes graves que ficaram com sequelas da Covid-19 reduziu em 57% o tempo de permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O tempo médio de permanência dos pacientes internados na UTI antes do início do projeto era de 10,8 dias. Até dezembro, esse número foi reduzido para 4,6 dias. Entre os principais resultados do projeto estão o maior controle e mapeamento dos pacientes; a padronização dos leitos — com identificação padrão e planos de cuidados multidisciplinares dos internados —; e os resultados assistenciais apresentados na unidade, como o quantitativo de altas e óbitos. O Hospital de Base ainda passará por mais quatro meses de monitoramento pelo projeto Reab pós-Covid.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/12/2020 às 04h00

É falso que as vacinas em desenvolvimento contra a covid-19 que utilizam como tecnologia vetor viral (adenovírus), vacina de DNA e vacina de RNA mensageiro possam provocar alterações genéticas ou câncer. É enganosa também a alegação de que as mesmas vacinas, para serem seguras, teriam de ser testadas durante 20 ou 30 anos. As afirmações foram feitas pelo médico Alessandro Loiola durante uma entrevista publicada em vídeo e compartilhada, na primeira semana de dezembro, pelo deputado federal do Rio de Janeiro Daniel Silveira (PSL) em seu perfil do Facebook. Ao contrário do que defende o médico na entrevista, não há provas de que haja um tempo mínimo para que uma vacina seja desenvolvida para que possa ser considerada segura. Do mesmo modo, não existem estudos científicos catalogados de que no futuro as vacinas contra o novo coronavírus possam causar câncer ou alterações genéticas em quem se imunizar. É válido reforçar que os imunizantes em desenvolvimento contra a covid-19 estão sendo testados em conjunto por laboratórios e instituições de pesquisa de várias partes do mundo, com o aval de órgãos regulatórios de diferentes países. Em entrevista ao Comprova, Rafael Dhalia, especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA vírus pela Fiocruz, lembrou que a eficácia demonstrada nos testes por essas vacinas que utilizam as tecnologias adenovírus e RNA mensageiro, ambas citadas pelo médico no vídeo verificado pelo Comprova, é de 92 a 95%. E que elas não têm apresentado efeitos adversos graves. Sobre as possíveis alterações genéticas, o Comprova já checou outros conteúdos semelhantes e, ao entrevistar especialistas como o virologista Flávio Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais e do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG, constatou que não existem vacinas que tenham a capacidade de alterar o nosso material genético. Além disso, em outra checagem, o Comprova mostrou que todas as vacinas em teste no Brasil passaram pela fase pré-clínica. O Comprova entrou em contato por Facebook e e-mail com o deputado federal Daniel Silveira, que compartilhou o vídeo. Além disso, tentou contato com o médico que fez as alegações, Alessandro Loiola. No entanto, até a publicação desta verificação não obtivemos resposta. Como verificamos? Para esta verificação, primeiramente, entramos em contato com especialistas para tentar sanar dúvidas relacionadas às afirmações feitas pelo médico Alessandro Loiola durante uma entrevista. Dentre elas, esclarecer as diferentes tecnologias utilizadas nas vacinas em desenvolvimento e o que elas podem causar nas pessoas. Conversamos com Rafael Dhalia, da Fiocruz, com Gladys Prado, médica infectologista do Hospital Sírio-Libanês e parte da equipe de educadores da ONG Uneafro e com o virologista Flávio Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais e do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG, que contribuíram com informações para que pudéssemos entender quais são as propostas da vacina, seus efeitos e a veracidade do conteúdo verificado. Em seguida, buscamos por registros com o nome de Alessandro Loiola no Conselho Federal de Medicina e por menções no Google a seu cargo como Coordenador-Geral do Departamento de Empreendedorismo Cultural, da Secretaria da Economia Criativa, da Secretaria Especial da Cultura. Fizemos também uma busca no Google com o nome do deputado federal Daniel Silveira, que compartilhou o vídeo no seu perfil do Facebook. Até o fechamento desta verificação, o deputado federal Daniel Silveira não havia respondido ao e-mail e nem à mensagem privada enviada na própria rede da publicação, como tentativa de contato pelo Comprova. Procurado por e-mail, Alessandro Loiola também não retornou. O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 16 de dezembro de 2020. Verificação no vídeo checado, além de o médico Alessandro Loiola afirmar que as vacinas poderão alterar o código genético e futuramente causar câncer, ele levanta outros questionamentos para tentar desqualificar as pesquisas e testes realizados para a vacina contra a covid-19 e diminuir a gravidade da pandemia, mesmo com a iminência de uma segunda onda do vírus e aumento significativo de casos. Na segunda parte da legenda do post, o deputado federal Daniel Silveira escreveu: "A estratégia sempre foi muito clara: 'vamos espalhar o medo em escala global, e assim, podemos emplacar nossos experimentos como cura.' Tecnologias utilizadas nas vacinas Durante a entrevista, Alessandro Loiola coloca em xeque a segurança de três tecnologias utilizadas em algumas vacinas em desenvolvimento contra a covid-19: utilização de vetor viral (adenovírus), vacina de DNA e vacina de RNA mensageiro. De acordo com o médico, por serem tecnologias novas e as vacinas nunca terem sido testadas em humanos, elas poderão provocar alterações no material genético das pessoas com consequências desconhecidas. Isso não é verdade. O especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA vírus pela Fiocruz, Rafael Dhalia, confirmou a utilização dessas novas tecnologias em algumas vacinas da covid-19. "No momento, na última fase de desenvolvimento [fase 3], temos quatro vacinas de vetor viral. A chinesa (Sinovac), a russa (Centro Gamaleya), a inglesa (AstraZeneca e Oxford) e a americana (Johnson & Johnson). E duas de RNA mensageiro, a americana (Moderna) e a americana/alemã (Pfizer e BioNTech)". Ele disse também que nenhuma vacina de DNA entrou na fase 3 ainda e que a inglesa, produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, "foi a escolhida pelo governo brasileiro para a vacinação em massa caso venha a ser aprovada". "Embora todas elas tenham como base o material genético do vírus, nas vacinas de vetor viral esse material é transportado para nossas células por um vírus deficiente, que não causa doença grave. Enquanto as vacinas de RNA são transportadas para as nossas células dentro de partículas lipídicas", explicou Dhalia. O especialista da Fiocruz pontuou ainda que os resultados mais recentes divulgados das vacinas que utilizam as tecnologias adenovírus e RNA mensageiro, ambas citadas pelo médico no vídeo, "vêm demonstrando bons resultados de eficácia, entre 92 e 95%" e que "os dados de segurança não vêm demonstrando efeitos adversos graves". "Resultados mais recentes da empresa Moderna (vacina de RNA) demonstraram, inclusive, que dos 95 participantes do estudo que tiveram covid-19, 11 evoluíram para as formas graves. Nenhum desses recebeu a vacina. Demonstrando que esta vacina parece proteger inclusive das formas mais graves", completou. Para o especialista, "não é à toa" que o Reino Unido optou por começar a vacinação dos seus profissionais de saúde e idosos com as vacinas de RNA. E também, que a Rússia tenha iniciado a imunização pela vacina de adenovírus. "Uma análise técnica rigorosa por parte de especialistas foi com certeza realizada", pontuou. A vacina pode alterar o material genético, DNA? No vídeo compartilhado, Alessandro Loiola afirma que a vacina pode alterar o código genético de quem receber as doses. No entanto, os especialistas entrevistados pelo Comprova afirmaram que esse processo não pode ocorrer. O virologista Flávio Fonseca, da UFMG, explicou que "nosso organismo está acostumado a receber uma quantidade de material genético estrangeiro enorme e nossas células sabem como lidar com esses materiais genéticos". "No núcleo da célula tem várias enzimas que patrulham esse espaço corrigindo imperfeições no genoma e evitando que o material genético estrangeiro possa trazer algum problema. E isso é um resultado de milhões de anos de evolução para evitar que a gente seja sujeita a isso", acrescentou. A médica infectologista Gladys Prado, do Sírio Libanês, explica que a vacina traz proteínas que estimulam o sistema imunológico enquanto nossos anticorpos reconhecem essas proteínas. Mas, quando uma pessoa é contaminada pelo coronavírus o processo é bem diferente: em vez de fortalecer o sistema imunológico, o vírus vindo da contaminação torna-se um "hospedeiro" e faz com que a célula trabalhe para ele. A vacina de vetor viral pode provocar câncer? Sem apresentar provas ou evidências, o médico no vídeo verificado diz ainda que "daqui há 30 anos poderemos ter uma epidemia de câncer". Recentemente, o Comprova classificou como falso outro conteúdo que também sugeria que as vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus que utilizam RNAs mensageiros poderiam causar câncer. Na ocasião, conversamos com a microbiologista Jordana Coelho dos Reis, que atua no Laboratório de Virologia Básica e Aplicada do Departamento de Microbiologia, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela reforçou que os RNAs que estão sendo utilizados nos testes para algumas vacinas não têm a capacidade de alterar nosso DNA e que, portanto, são seguros. "A gente pode confirmar com segurança, com pé no chão, tranquilamente que essas vacinas não representam um risco para câncer nesse sentido de alterar genoma, não tem a menor chance de isso acontecer". Quem é o deputado que compartilhou o vídeo Daniel Lúcio da Silveira, 38, é ex-policial militar e atualmente é deputado federal pelo Rio de Janeiro, filiado ao Partido Social Liberal (PSL). Em 2018, quando ainda era candidato, se notabilizou por quebrar uma placa em memória à ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em março do mesmo ano, como mostra esta reportagem do portal UOL. Neste ano, o parlamentar se tornou um dos alvos da operação da Polícia Federal no inquérito das fake news e na investigação da origem de recursos e a estrutura de financiamento de grupos suspeitos da prática de atos contra a democracia. Em agosto, a agência de notícias The Intercept Brasil publicou uma reportagem trazendo informações sobre o histórico policial de Silveira. A reportagem mostra que o ex-policial militar chegou a passar 80 dias preso no quartel entre os anos de 2013 e 2017. De acordo com a apuração da agência, "entre os motivos que levaram o deputado a ser detido tanto tempo estão mau comportamento, faltas, atrasos e, sobretudo, a gravação e postagem de vídeos ofensivos durante ações de patrulhamento". Quem é o médico entrevistado no vídeo O entrevistado que aparece no vídeo é o médico vitoriense Alessandro Lemos Passos Loiola, 49, formado pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), no Espírito Santo. Constam no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) três registros em seu nome, em diferentes estados: Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Isso é possível porque um médico precisa ter registro em cada estado onde atua. No seu estado de origem, a situação do registro de Loiola aparece como "transferido". Já nos outros dois, os registros estão ativos. Nos conselhos regionais de Minas Gerais e Espírito Santo, constam como áreas de atuação médica a cirurgia geral e a proctologia ou coloproctologia. Em São Paulo não há indicação de especialidades. Ele tem mais de 49 mil seguidores no Instagram. Na descrição, está a seguinte definição: "escritor, palestrante, médico" e um link que direciona para um canal no aplicativo Telegram. Em um dos destaques do perfil contém um Stories com a frase "um canal para compartilhar ideias e reflexões censuradas pelos redbirds nas outras redes". Na tradução livre "redbirds" significa pássaros vermelhos. Em sua conta no Twitter, com mais de 88 mil seguidores, há um link para um site que aparentemente tem como foco o público masculino. Ele contém publicações de Loiola abordando diferentes temas, dentre eles, assuntos relacionados à pandemia, como um texto em que ele fala sobre "os riscos da vacina" e outro em que se posiciona contra o uso de máscaras de pano. No site constam ainda cursos para discutir "as falácias esquerdistas". Ambos os perfis têm postagens dele divulgando um livro de sua autoria, em que, na orelha, além de se apresentar como médico, ele menciona que foi, também, coordenador da Secretaria Especial de Cultura do governo federal. Em novembro de 2019, como mostra matéria do portal Metrópoles, Alessandro Loiola foi escalado pelo então secretário da cultura, Roberto Alvim, para se tornar coordenador de cultura. A nomeação para o cargo de Coordenador-Geral de Empreendedorismo e Inovação, do Departamento de Empreendedorismo Cultural, da Secretaria da Economia Criativa, da Secretaria Especial da Cultura, foi assinada pelo então ministro do Turismo, Marcelo Henrique Teixeira Dias, mais conhecido como Marcelo Álvaro Antônio, e publicada no Diário Oficial da União de 27 de novembro de 2019. Menos de dois meses depois, ele e outros dois funcionários da Secretaria Especial da Cultura foram exonerados dos cargos também pelo ministro Dias. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União no dia 24 de janeiro de 2020. Os três tinham sido nomeados pelo ex-secretário Roberto Alvim, que foi demitido dez dias antes, após fazer um pronunciamento oficial com referências nazistas, como mostra esta reportagem publicada por O Globo. Alessandro Loiola já foi foco de verificações realizadas pelo Comprova e em nenhuma delas foi encontrado um currículo do médico na Plataforma Lattes, que reúne pesquisadores do país. Em outubro o Comprova publicou uma checagem que comprovou que médico tirou de contexto dados de estudo para sugerir que máscaras são ineficientes. No mês seguinte, as declarações enganosas de Loiola que, inclusive, não participou da pesquisa sobre o uso de máscaras N95, foram usadas por uma deputada e novamente o Comprova constatou que o estudo recomendava o uso de máscara contra a covid-19. Recentemente, o Estadão Verifica, que participa do Comprova, publicou uma verificação sobre um vídeo que circulou no WhatsApp em que o médico fazia uma comparação entre tuberculose e covid-19, minimizando a gravidade da doença provocada pelo vírus. De acordo com a checagem, a comparação feita pelo médico ignora aspectos importantes de ambas as doenças. Por que investigamos? Em sua terceira fase, o Projeto Comprova verifica conteúdos duvidosos relacionados a políticas públicas do governo federal e à pandemia do novo coronavírus, incluindo publicações que veiculam informações suspeitas relacionadas à vacina contra a covid-19. No caso deste vídeo verificado, a divulgação desse conteúdo é ainda mais grave, porque ele coloca em descrédito as vacinas que estão em desenvolvimento para conter o vírus que já tirou a vida de mais de 182 mil brasileiros, de acordo com os dados do Ministério da Saúde atualizados em 15 de dezembro. Nesta verificação, o vídeo com informações falsas foi publicado no Facebook e teve mais de 142 mil visualizações, até dia 15 de dezembro. Além de contribuir para o descrédito das vacinas, o conteúdo também desencoraja a população a se imunizar por meio da vacinação, o meio mais efetivo, segundo especialistas, para conter a covid-19. Na publicação o descrédito das vacinas se dá pelas diversas afirmações, sem apresentar outras provas, sobre "danos genéticos em potencial" que poderão ser provocados pelos imunizantes em desenvolvimento. Por isso, o Comprova tenta contribuir com o entendimento dos estudos sobre as vacinas, ouvindo especialistas e, assim, sanar dúvidas da população e aumentar a confiança das pessoas sobre as informações catalogadas nas pesquisas científicas. O Comprova já checou outros conteúdos falsos que também distorciam fatos e disseminavam medo entre a população em relação aos imunizantes. Recentemente o Comprova publicou uma verificação em que constatou que as vacinas não são uma iniciativa globalista para reduzir a população. Mostrou também que eram falsas as afirmações de um vídeo que dizia que médico teria morrido por conta de efeitos da vacina de Oxford e as alegações de um áudio de que as vacinas poderiam causar câncer, danos genéticos ou homossexualismo. Também mostrou que é enganoso dizer que expor a população ao vírus é melhor para acabar com a pandemia do que a vacinação, que todas as vacinas em teste no Brasil passaram por fase pré-clínica, ao contrário do que diz médico e que tuíte engana ao sugerir que vacina contra a covid-19 é desnecessária. Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira. *O material foi produzido por veículos integrantes do projeto Comprova: Agência Mural, Alma Preta e Favela em Pauta.