Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

BBC BRASIL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/09/2020 às 10h56

A cada verão que passa, mais aparelhos de ar-condicionado são comprados no Brasil — nos últimos anos, esse mercado tem crescido no país, apesar da crise econômica e da queda no consumo impactando a venda de outros produtos. Mas depois da pandemia de 2020, há dúvidas se, com o calor que se aproxima, poderemos ligar esses milhões de aparelhos que estão nas nossas casas, pequenos comércios, lojas, shoppings, carros e transporte público. Afinal, há cada vez mais indícios da transmissão do vírus pelo ar, e em julho um estudo da China surpreendeu ao apontar o ar-condicionado de um restaurante como vilão na infecção de 10 pessoas de três famílias diferentes almoçando ali. Se você já está suando frio com a possibilidade de não poder usar estes aparelhos, adiantamos logo algumas respostas obtidas com especialistas entrevistados pela BBC News Brasil. Primeiro, o ar-condicionado em si não é o vilão, mas sim o confinamento coletivo — ou seja, seu uso em ambientes fechados, em que há pouca ou nenhuma circulação de ar, com presença de outras pessoas que podem estar infectadas. Por isso, com o coronavírus circulando, deixar portas e janelas fechadas enquanto o ar está ligado não é aconselhável. No cenário atual, deverá ser necessário apelar para aparelhos que convivam melhor com estas aberturas, como ventiladores e climatizadores; ou usar o ar-condicionado com frestas abertas; ou ainda o ar-condicionado associado a ventiladores e janelas abertas. Isso a não ser que o sistema de refrigeração em questão inclua equipamentos de renovação mecânica — o que, segundo especialistas, seria o ideal, mas exige planejamento e altos custos de manutenção, sendo raramente visto no Brasil. Vamos às explicações — mas vale antes lembrar que ainda há muito a ser conhecido sobre o vírus e estudos em curso, portanto elas não são definitivas. O restaurante chinês: ar-condicionado central, exaustor e sem janelas O científico sobre o restaurante chinês que colocou o ar-condicionado sob holofotes foi publicado por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Guangzhou no periódico científico Emerging Infectious Diseases, editado pelos CDCs (Centros de Controle de Doenças) dos Estados Unidos. Eles rastrearam pessoas que almoçaram no dia 24 de janeiro em um restaurante de cinco andares, sem nenhuma janela, com exaustores e ar-condicionado central (sistema capaz de climatizar vários ambientes a partir de um único equipamento; os modelos variam em porte e na tecnologia empregada pra distribuir o ar frio, sendo comumente encontrados em bancos, supermercados e shoppings). Um cliente, ainda assintomático, tinha viajado de Wuhan, cidade chinesa em que o vírus começou a infectar humanos, para Guangzhou, onde fica o restaurante. Ele e sua família se sentaram em uma mesa ao lado de outras duas, com distância de cerca de um metro entre elas. As três mesas estavam na reta de um aparelho de ar condicionado. Ao longo dos dias seguintes, o cliente vindo de Wuhan e mais nove pessoas presentes nessas três mesas foram diagnosticadas com covid-19. Os autores defenderam que a transmissão do coronavírus seja explicada não só pelas gotículas de material infeccioso (como a saliva de uma pessoa contaminada), que têm tamanho maior, correm distâncias menores e duram menos tempo no ar, mas também pelos aerossóis, partículas menores do material infeccioso que ficam suspensas no ar por mais tempo e têm alcance mais distante. No caso do restaurante em Guangzhou, os pesquisadores dizem que não há certeza que a infecção tenha ocorrido por meio dos aerossóis, já que outros clientes e funcionários no mesmo ambiente não foram infectados. Mas eles sugerem que os aerossóis possivelmente estavam mais concentrados na área das mesas próximas, carregados por correntes do ar condicionado. A conclusão do artigo recomenda que restaurantes aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação. Diversos cientistas criticam que autoridades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão subestimando o potencial transmissivo dos aerossóis (leia: ). Em julho, um grupo de mais de 200 pesquisadores escreveu uma carta defendendo o reconhecimento dessa via de transmissão. Uma das autoras da carta, Lidia Morawska, professora da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, respondeu à BBC News Brasil por e-mail não acreditar que os aparelhos de ar-condicionado sejam um problema ou risco em si, e sim a falta de ventilação — que ajuda a diluir contaminantes. "Não ter ventilação significa a não retirada de partículas infectadas de ambientes internos. O ar pode ser condicionado — o que significa ser esfriado ou aquecido —, mas uma ventilação eficiente precisa ser garantida", escreveu Morawaska, também consultora da OMS sobre qualidade do ar. Falando do artigo sobre o restaurante chinês, ela mencionou também o direcionamento do ar. "As correntes de ar estavam passando pela pessoa infectada e carregaram o vírus para outras pessoas. O mesmo acontece em aviões, por exemplo, onde a corrente de ar é unidirecional, e em outras situações. A questão é a direção da corrente de ar, que pode ser induzida por diferentes fatores, como uma porta aberta." Cuidado com ventilação e qualidade do ar é pouco comum no Brasil, apontam entrevistados Entretanto, ao menos no Brasil, é comum que as pessoas se preocupem simplesmente com que o ar-condicionado abaixe a temperatura, e não com as condições de ventilação ou qualidade do ar, diz Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Aparelhos mais simples, como do tipo minisplit, não apenas se valem da recirculação do ar — ou seja, pegam o "mesmo" ar de um ambiente para reciclá-lo, o que é um problema se este estiver contaminado —, como normalmente não vêm acompanhados de mecanismos de renovação mecânica do ar. No caso de aparelhos de janela, alguns modelos têm a opção da renovação, mas nem todos. Até existem opções no mercado de aparelhos para fazer isso, como insufladores (que incluem filtro e ventilação) e caixas de ventilação, mas é "raríssimo" que isso seja uma preocupação em casas ou pequenos negócios, diz Bueno. E deveria ser alvo de maior atenção mesmo antes da covid-19, pois o ar pode concentrar outros vírus, bactérias e fungos, além de gases tóxicos. "O grande mercado brasileiro hoje é o das pequenas instalações, sejam residenciais ou comerciais. Imagina um consultório de dentista: ele vai ter uma pequena máquina funcionando. Essa máquinas representam cerca de 75% de todo e qualquer equipamento no mercado brasileiro. E todas vezes que essas máquinas são instaladas, não há preocupação com o ar externo", explica o engenheiro, recomendando que, com a pandemia, esses aparelhos sejam usados com janelas e portas abertas, e até mesmo junto com ventiladores perto destas, ainda que isso faça os ambientes ficarem menos frios que o ideal. Erick Campos, engenheiro mecânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), do campus de Governador Valadares, escreveu um justamente sobre os impactos da pandemia nos sistemas de ar condicionado na realidade brasileira, em conjunto com o professor Bruno Augusto Guedes, também da UFJF. Campos diz que, mesmo em cenários em que a ventilação não foi prevista, uma nova adaptação para tempos de covid-19 pode ser inviabilizada por custos, não só com a instalação, mas também com o maior gasto de energia. Afinal, a renovação retira ar mais frio e insere o ar externo, geralmente mais quente, então o trabalho para refrigerar é maior. Isso significa também que em muitos casos a potência dos aparelhos pode ser insuficiente para tal adaptação, já que originalmente não foi calculada a entrada de mais ar externo. "As informações disponíveis indicam que é arriscado usar o ar-condicionado sem esse sistema de ventilação. O risco é que os aerossóis aumentem sua concentração naquele ambiente, e uma pessoa que aspire estas partículas pode ser contaminada. A solução é contraintuitiva, como usar o ar-condicionado com janelas e portas abertas ou, se possível, buscar alternativas para o ar-condicionado por um tempo", afirma o engenheiro da UFJF, sugerindo ventiladores e climatizadores (ou refrigeradores evaporativos), que convivem melhor com ambientes abertos. Ele pondera, entretanto, que em casas onde vive uma família os riscos de transmissão acontecem em várias situações, e o contato continua sendo mais importante para a transmissão do coronavírus do que uma eventual transmissão por meio das correntes de ar condicionado. Por isso, em todos os casos, o uso de máscaras e o distanciamento continuam sendo fundamentais. A importância da ventilação vale também para carros e ônibus, embora alguns veículos tenham no seu sistema de climatização a opção de renovação do ar, com troca entre o interno e externo. Em relação aos filtros convencionais, que normalmente retêm contaminantes nos aparelhos, as evidências indicam que, para o coronavírus, eles não são tão eficazes — pois o patógeno é leve o bastante para ser aspirado pelo ar-condicionado e ao mesmo tempo pequeno para atravessar os filtros, explica Campos. Mas Bueno lembra que os filtros são importantes também para conter partículas de outros patógenos e também da poluição, o que contribui para a proteção do sistema respiratório das pessoas — ainda mais os filtros mais eficazes, com eficácia mínima de 50% para partículas menores que 0,4 µm. Entretanto, aparelhos simples como o minisplit tampouco têm filtro, e sim uma tela de proteção que, segundo os especialistas, é insuficiente. Adaptações em shoppings Já sistemas maiores, como em prédios comerciais ou shoppings, costumam ter mecanismos de renovação do ar — em que o ar "usado" é extraído do ambiente interno e canalizado para uma unidade de tratamento, geralmente no telhado, onde há mistura com ar fresco. Esses sistemas costumam permitir até mesmo a regulação da quantidade de ar fresco que será injetada no prédio. No contexto de pandemia, quanto mais, melhor — mas isso traz também mais gastos com energia. Bueno lembra que o ar externo é tão importante pois sua limpeza acontece naturalmente, com a ajuda da chuva e dos ventos. Mesmo em locais com renovação mecânica, a abertura para o ar externo também é desejável — em uma cartilha da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, recomenda-se por exemplo que as portas dos shoppings permaneçam abertas e que exaustores em sanitários e cozinhas operem em nível máximo de vazão de ar. "Instalações completas, funcionando de acordo com seu projeto, tendo plano de manutenção e controle, são saudáveis e vão proteger. Foi prevista a filtragem e a renovação do ar", explica Oswaldo Bueno, apontando que sistemas de climatização em áreas públicas costumam ser submetidos a mais normas e leis, desde seu planejamento. Segundo uma lei federal de 2018, todos os ambientes de uso público e coletivo com ar condicionado devem ter um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), com controle por exemplo de níveis de concentração de poluentes, um indicador sobre a qualidade do ar. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fiscalização do plano é de responsabilidade de órgãos de vigilância locais, e não há dados nacionais sobre autuações e multas. A perspectiva é que o país tenha mais e mais aparelhos de ar-condicionado com o passar dos anos, segundo o relatório internacional The future of cooling, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), publicado em 2018. Em 2016, o Brasil tinha aproximadamente 27 milhões de aparelhos de ar-condicionado, incluídos aí residenciais e comerciais. A previsão é que, em 2050, o número chegue a 165 milhões de aparelhos. Mas o país está longe da liderança mundial — apenas China, Japão e Estados Unidos concentram dois terços de todos os aparelhos do mundo. Já assistiu aos nossos novos vídeos no ? Inscreva-se no nosso canal!

MSN BRASIL
Data Veiculação: 20/09/2020 às 23h53

Vilhena Soares No início da pandemia da COVID-19, pesquisadores detectaram indícios de que essa nova enfermidade poderia causar danos graves ao sistema circulatório. Um estudo publicado na revista The Lancet Microbe dá mais força a essa teoria. No trabalho, cientistas britânicos relatam como encontraram coágulos sanguíneos e lesões pulmonares nos tecidos de indivíduos que morreram devido à infecção pelo novo coronavírus. Os dados corroboram a importância do uso de medicamentos anticoagulantes no tratamento da infecção e podem ajudar a desenvolver novas maneiras de monitorar e tratar a doença, segundo os autores. Embora o número de pacientes examinados no estudo tenha sido pequeno, 10, os autores da pesquisa destacam que essa é a maior investigação feita, até o momento, com base em tecidos de indivíduos que faleceram devido à infecção. “A COVID-19 é uma doença nova, e tivemos oportunidades limitadas de analisar os tecidos de pacientes em autópsia”, afirma, em comunicado, Michael Osborn, professor de patologia no Imperial College London e um dos autores do estudo. Osborn e sua equipe analisaram amostras de pacientes que tinham entre 22 e 97 anos e morreram entre março e junho. Em todo o grupo, a hipertensão e problemas pulmonares foram os fatores que mais contribuíram para o óbito. Os pacientes desenvolveram febre e apresentaram pelo menos dois sintomas respiratórios, como tosse e falta de ar, durante os estágios iniciais da doença. Vários tipos de tratamentos foram usados durante a internação, segundo os autores do trabalho. Nas análises, os pesquisadores descobriram que todos os pacientes tinham lesões pulmonares e cicatrizes nos pulmões causadas pela infecção, além de danos nos rins. Nove pacientes também tiveram trombose em ao menos um de três órgãos importantes: coração, pulmão ou rim. A trombose impede que o sangue flua através do sistema circulatório e pode causar derrames e ataques cardíacos. Os cientistas acreditam que esses dados apoiam a suspeita de que a COVID-19 pode provocar complicações circulatórias. “Nosso estudo é o primeiro desse tipo no país a apoiar as teorias existentes de pesquisadores e médicos sobre lesões pulmonares e trombose como características mais proeminentes em casos graves da COVID-19”, destaca Osborn. “Vimos também evidências de lesões renais e, em alguns casos, de pancreatite”, completa. Estudo brasileiro em abril, uma equipe de médicos do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo observou que o uso da heparina, anticoagulante usado para a prevenção da trombose, reduziu o tempo de internação em metade de um grupo composto por 27 pacientes com COVID-19. Idealizadora da pesquisa, que foi publicada na revista especializada British Medical Journal (BMJ), a pneumologista Elnara Marcia Negri ressalta que os dados obtidos pelo estudo britânico confirmam o que foi visto por ela e sua equipe. “Esse trabalho, assim como outros que foram feitos após a nossa publicação, trazem mais dados que entram em concordância com o que vimos naquela época e que seguimos observando diariamente na prática clínica”, enfatiza a médica. “Vemos que essa enfermidade não está restrita a danos respiratórios. Ela pode atingir outros órgãos e também tem um efeito sobre a circulação, independentemente da idade do paciente. Mais uma vez, encontramos dados que nos mostram porque usar esse tipo de medicamento pode fazer tanta diferença.” Os brasileiros seguem pesquisando o efeito da heparina em pacientes com COVID-19. “Atuamos em duas frentes agora: um estudo retrospectivo, com dados de todos que foram tratados no hospital, e também uma parceria com outras instituições, do Canadá, da Holanda e também brasileiros, como pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), que tentam entender o efeito dos anticoagulantes no tratamento da COVID-19”, conta a pneumologista. Perguntas Segundo Elnara Marcia Negri, alguns detalhes importantes relacionados ao uso de remédios que combatem os coágulos precisam ser melhor definidos. “Precisamos esclarecer um tema ainda polêmico, que é a administração precoce desses medicamentos, logo no início da infecção, para evitar complicações e sequelas. Essa ainda é uma discussão entre especialistas, muitos defendem o uso apenas com o agravamento da situação do paciente com a COVID-19”, afirma. “Mas já podemos ressaltar dois pontos importantes que observamos: o monitoramento da oxigenação sanguínea – se houver falhas, indica o momento de usar o remédio – e a administração do anticoagulante depois de o paciente ter alta, para manter a prevenção da trombose.” A equipe britânica também firmou parcerias, com cientistas locais e internacionais, para realizar análises mais detalhadas do material coletado dos 10 pacientes. Para eles, os resultados já obtidos e as novas investigações podem ajudar médicos na escolha de melhores tratamentos e no monitoramento da doença. “A análise baseada em autópsia da COVID-19 é vital para aprendermos mais sobre essa enfermidade conforme a pandemia se desenvolve. Somos gratos àqueles que consentiram com essa pesquisa. Palavra de especialista Eduardo Flávio Ribeiro médico hematologista e coordenador de Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília Discutindo os anticoagulantes “Já tínhamos dados semelhantes em estudos feitos por outras instituições, de pesquisadores chineses, italianos e americanos. Todos eles encontraram essas pequenas tromboses acometendo órgãos importantes de pacientes com COVID-19. Esse estudo é importante porque mostra detalhes além da trombose, como esses problemas renais. As análises feitas em tecidos de pessoas que morreram nos ajudam a entender melhor a doença e saber como tratá-la. Nesse caso, temos mais dados relacionados especificamente ao uso de anticoagulantes, que já estão sendo usados na COVID-19, só que ainda de forma profilática, ou seja, em pequenas doses para prevenir problemas de coagulação. Essa é uma discussão atual: quando usar esses medicamentos e em qual quantidade, pois uma dose grande também pode provocar hemorragia. Só estudos comparativos, que estão em andamento, poderão revelar essas respostas.” Duas drogas serão testadas no Brasil A combinação dos medicamentos sofosbuvir e daclatasvir se mostrou capaz de reduzir o tempo de internação e o número de mortes entre pacientes com COVID-19. A conclusão é de três estudos publicados na revista especializada Jornal of Antimicrobial Chemotherapy, editada pela Universidade de Oxford. Os três estudos foram realizados no Irã, país que vem registrando cerca de 2.500 casos e 200 mortes por COVID-19 diariamente. Nos testes, os cientistas testaram os efeitos do sofosbuvir e do daclatasvir administrados de forma combinada, algo que já é feito para tratar a hepatite-c. Os resultados foram tão promissores que o país asiático decidiu fazer um estudo em massa e iniciou a fabricação de uma nova pílula que reúne as duas substâncias. O Brasil, cada vez mais procurado para a realização de testes, participará do estudo. Em um dos estudos, 66 pacientes foram divididos em dois grupos. Enquanto um recebeu o novo tratamento, o outro recebeu placebo. Enquanto no primeiro grupo, 88% dos pacientes se curou em até 14 dias, no grupo do placebo esse índice foi de 66%. Já a média de internação foi de seis dias com a administração das drogas, enquanto no grupo de placebo, oito dias. Quanto a mortes, o grupo tratado registrou três óbitos. O do placebo, cinco. Em outro estudo, comparou-se a eficácia do tratamento com os dois remédios com um tratamento à base de lopinavir, ritonavir e hidroxicloroquina. Mais uma vez, a abordagem com sofosbuvir e daclatasvir se mostrou mais eficaz. O tempo de internação caiu de nove para cinco dias, e a mortalidade reduziu de 33% para 6%. AMPLIAÇÃO Segundo os cientistas que realizaram os testes, o uso combinado de sofosbuvir e daclatasvir pode reduzir tanto o tempo de internação quanto o índice de mortes em pacientes com casos medianos e graves de COVID-19. É o que eles esperam comprovar com um teste mais amplo. "Apesar dos resultados iniciais encorajadores, é muito cedo para chegarmos a um veredito. Estudos mais bem projetados são necessários para confirmar nossos dados", disse Shahin Merat, líder de uma das pesquisas. "Uma rede de cinco estudos clínicos foi elaborada para testar o sofosbuvir mais o daclatasvir em mais de 2 mil pacientes no Irã, no Brasil, no Egito e na África do Sul. Por volta de outubro, nós deveremos saber se esse tratamento pode ser aprovado para uso em escala mundial." Pior se há comorbidades um estudo chinês publicado na revista New England Journal of Medicine mostrou dados de 1.099 pacientes infectados pelo Sars-CoV-2. Nas análises, os pesquisadores observaram que indivíduos com comorbidades relacionadas a problemas na circulação, como hipertensão, diabete, doença coronariana e doença ateroesclerótica, tinham mais risco de sofrer com complicações mais graves da COVID-19.

MSN BRASIL
Data Veiculação: 20/09/2020 às 18h54

Monique Evans, de 64 anos, anunciou por meio de redes sociais que pode estar com o novo coronavírus. A apresentadora está em isolamento no estúdio da namorada, a DJ Cacá Werneck, que também tem sintomas de infecção pela covid-19. “Nada de cloroquina, estou tomando os remédios certos que o médico mandou”, disse no vídeo. “Não é uma gripinha, é uma coisa muito pior. Por favor, usem máscara e, se puderem, fiquem em casa.” Na postagem, ela disse que o plano de saúde não está realizando o exame, mas, pela tomografia, o quadro é de pneumonia. Abaixo, assista ao depoimento. View this post on Instagram Notícias falsas, remédios ineficazes O maior estudo brasileiro já feito sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves ou moderados de covid-19 atestou aquilo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros órgãos internacionais já haviam apontado: a droga não tem eficácia no combate contra o novo coronavírus. A conclusão é de uma pesquisa feita pela coalizão liderada pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês. Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa, pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). #NessaQuarentenaEuVou – Dicas durante o isolamento: Repetir vídeo CONFIGURAÇÕES DESLIGADO HD HQ SD LO Pular Publicidade Vacinação na China Algumas vacinas que ainda estão em estudo já estão a sendo aplicadas na China dede julho. De acordo com o governo, elas foram oferecidas a trabalhadores essenciais dentro de um programa de emergência. Médicos e aqueles que trabalham em mercados de alimentos e nos setores de transporte e serviços formam o público alvo. No Brasil, tudo já sendo preparado para iniciar a produção da CoronaVac. Em novembro, serão iniciadas obras na fábrica na fábrica do Instituto Butantan, que ficou responsável pela produção interna da vacina do grupo Sinovac. O local ficará inicialmente voltado para a produção dessa vacina específica, mas futuramente poderá fabricar outros tipos de imunizantes.

ONCOLOGIA BRASIL
Data Veiculação: 20/09/2020 às 17h21

COVID-19: saúde pública, principais descobertas e desafios científicos 20/09/2020 3 min. de leitura Dr. Bruno Wance, oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, comentou as atualizações relacionadas à COVID-19, destacando o pronunciamento feito pelo Dr. Antony A. Fauci durante a cerimônia de abertura oficial do ESMO Virtual Congress 2020. O epidemiologista americano é médico diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases e diretor do National Institutes of Health (NIH), membro principal da Força-Tarefa para Coronavírus da Casa Branca e focou sua apresentação sob a ótica de saúde pública, trazendo as principais descobertas e os desafios científicos enfrentados mundialmente. Dr. Fauci iniciou relembrando o surgimento da pandemia em Wuhan, na China, que rapidamente se alastrou ao redor do mundo, algo visto pela última vez com a gripe espanhol, há mais de 100 anos. Até o momento, mais de 27 milhões de casos foram identificados mundialmente, contabilizando aproximadamente 900.000 mortes. O epidemiologista apresentou uma comparação de curvas de novos casos dos Estados Unidos e países europeus e correlação das medidas de mobilidade da população nesses países, uma vez que ir e vir de pessoas foi severamente afetado. Os dados mostraram que as medidas adotadas pela Europa logo no início da pandemia proporcionaram drástica diminuição no número de novos casos, ao contrário do que houve nos EUA. O especialista ainda apontou que, embora a quantidade de casos tenha reduzido inicialmente em determinadas regiões, observou-se um aumento esperado de infectados após a reabertura econômica e do comércio dos países europeus. Apesar de baixa taxa de mortalidade na população em geral, os pacientes idosos e portadores de comorbidades crônicas, como os pacientes oncológicos, apresentam forte risco de evolução desfavorável com maiores taxas de complicações e mortes. Nesse contexto, Dr. Fauci destacou os avanços dos métodos diagnósticos e os estudos positivos com dexametasona e remdesivir, capazes de melhorar desfechos dos pacientes hospitalizados. Por fim, o médico americano falou dos esforços em relação aos estudos para o desenvolvimento das vacinas (diversas já em andamento), destacando pelo menos três estudos já em fase 2/3, que são as vacinas mais promissoras a serem liberadas possivelmente no final do ano de 2020 ou início de 2021. Dr. Wance conclui, no vídeo, que muito se tem avançado no conhecimento científico em várias frentes em relação ao COVID-19, ainda que não haja uma grande e única descoberta no momento para acabar com a pandemia. A reflexão final do médico é “de que maneira os profissionais da saúde podem levar o conhecimento científico para a população para que as pessoas possam tomar suas melhores decisões estando mais informadas sobre a pandemia”. O vídeo do Dr. Bruno Wance também está disponível em podcast. Ouça agora: Referências: COVID-19: Public health and scientific challenges, A. Fauci, NIH – National Institutes of Health, Bethesda, US. ESMO 2020. Beigel JH, Tomashek KM, Dodd LE, Mehta AK, Zingman BS, Kalil AC, Hohmann E, Chu HY, Luetkemeyer A, Kline S, Lopez de Castilla D. Remdesivir for the treatment of Covid-19—preliminary report. New England Journal of Medicine. 2020 May 22. RECOVERY Collaborative Group. Dexamethasone in Hospitalized Patients with Covid-19—Preliminary Report. New England Journal of Medicine. 2020 Jul 17. Fauci AS. COVID-19: Public health and scientific challenges. Presentation ID 5541. ESMO 2020

CATRACA LIVRE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/09/2020 às 15h54

Apresentadora disse que não usará cloroquina, só o medicamento que o médico recomendar 20/09/2020 - 15:54 Ouça este conteúdo Monique Evans, de 64 anos, anunciou por meio de redes sociais que pode estar com o novo coronavírus. A apresentadora está em isolamento no estúdio da namorada, a DJ Cacá Werneck, que também tem sintomas de infecção pela covid-19. “Nada de cloroquina, estou tomando os remédios certos que o médico mandou”, disse no vídeo. “Não é uma gripinha, é uma coisa muito pior. Por favor, usem máscara e, se puderem, fiquem em casa.” Na postagem, ela disse que o plano de saúde não está realizando o exame, mas, pela tomografia, o quadro é de pneumonia. Abaixo, assista ao depoimento. View this post on Instagram A post shared by famaglamour (@famaglamour2020) on Sep 20, 2020 at 6:38am PDT Notícias falsas, remédios ineficazes O maior estudo brasileiro já feito sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves ou moderados de covid-19 atestou aquilo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros órgãos internacionais já haviam apontado: a droga não tem eficácia no combate contra o novo coronavírus. A conclusão é de uma pesquisa feita pela coalizão liderada pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês. Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa, pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). #NessaQuarentenaEuVou – Dicas durante o isolamento: Lista de serviços de acolhimento emocional à distância 3 motivos para curtir a sua própria companhia 5 dicas essenciais para os ansiosos de plantão 4 dicas de autocuidado com a saúde mental 3 tipos de meditação para dormir melhor Receitas de doces e salgados para você testar Cursos e plataformas online para estudar Agenda de lives para dançar e cantar no quarto Vacinação na China Algumas vacinas que ainda estão em estudo já estão a sendo aplicadas na China dede julho. De acordo com o governo, elas foram oferecidas a trabalhadores essenciais dentro de um programa de emergência. Médicos e aqueles que trabalham em mercados de alimentos e nos setores de transporte e serviços formam o público alvo. No Brasil, tudo já sendo preparado para iniciar a produção da CoronaVac. Em novembro, serão iniciadas obras na fábrica na fábrica do Instituto Butantan, que ficou responsável pela produção interna da vacina do grupo Sinovac. O local ficará inicialmente voltado para a produção dessa vacina específica, mas futuramente poderá fabricar outros tipos de imunizantes. Veja também: China afirma que vacina pode estar disponível em novembro Compartilhe: Tags: #Coronavírus

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 20/09/2020 às 08h40

A cada verão que passa, mais aparelhos de ar-condicionado são comprados no Brasil — nos últimos anos, esse mercado tem crescido no país, apesar da crise econômica e da queda no consumo impactando a venda de outros produtos. Mas depois da pandemia de coronavírus de 2020, há dúvidas se, com o calor que se aproxima, poderemos ligar esses milhões de aparelhos que estão nas nossas casas, pequenos comércios, lojas, shoppings, carros e transporte público. Afinal, há cada vez mais indícios da transmissão do vírus pelo ar, e em julho um estudo da China surpreendeu ao apontar o ar-condicionado de um restaurante como vilão na infecção de 10 pessoas de três famílias diferentes almoçando ali. Se você já está suando frio com a possibilidade de não poder usar estes aparelhos, adiantamos logo algumas respostas obtidas com especialistas entrevistados pela BBC News Brasil. Primeiro, o ar-condicionado em si não é o vilão, mas sim o confinamento coletivo — ou seja, seu uso em ambientes fechados, em que há pouca ou nenhuma circulação de ar, com presença de outras pessoas que podem estar infectadas. Por isso, com o coronavírus circulando, deixar portas e janelas fechadas enquanto o ar está ligado não é aconselhável. No cenário atual, deverá ser necessário apelar para aparelhos que convivam melhor com estas aberturas, como ventiladores e climatizadores; ou usar o ar-condicionado com frestas abertas; ou ainda o ar-condicionado associado a ventiladores e janelas abertas. Isso a não ser que o sistema de refrigeração em questão inclua equipamentos de renovação mecânica — o que, segundo especialistas, seria o ideal, mas exige planejamento e altos custos de manutenção, sendo raramente visto no Brasil. Vamos às explicações — mas vale antes lembrar que ainda há muito a ser conhecido sobre o vírus e estudos em curso, portanto elas não são definitivas. O restaurante chinês: ar-condicionado central, exaustor e sem janelas O artigo científico sobre o restaurante chinês que colocou o ar-condicionado sob holofotes foi publicado por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Guangzhou no periódico científico Emerging Infectious Diseases, editado pelos CDCs (Centros de Controle de Doenças) dos Estados Unidos. Eles rastrearam pessoas que almoçaram no dia 24 de janeiro em um restaurante de cinco andares, sem nenhuma janela, com exaustores e ar-condicionado central (sistema capaz de climatizar vários ambientes a partir de um único equipamento; os modelos variam em porte e na tecnologia empregada pra distribuir o ar frio, sendo comumente encontrados em bancos, supermercados e shoppings). Um cliente, ainda assintomático, tinha viajado de Wuhan, cidade chinesa em que o vírus começou a infectar humanos, para Guangzhou, onde fica o restaurante. Ele e sua família se sentaram em uma mesa ao lado de outras duas, com distância de cerca de um metro entre elas. As três mesas estavam na reta de um aparelho de ar condicionado. Ao longo dos dias seguintes, o cliente vindo de Wuhan e mais nove pessoas presentes nessas três mesas foram diagnosticadas com covid-19. Os autores defenderam que a transmissão do coronavírus seja explicada não só pelas gotículas de material infeccioso (como a saliva de uma pessoa contaminada), que têm tamanho maior, correm distâncias menores e duram menos tempo no ar, mas também pelos aerossóis, partículas menores do material infeccioso que ficam suspensas no ar por mais tempo e têm alcance mais distante. No caso do restaurante em Guangzhou, os pesquisadores dizem que não há certeza que a infecção tenha ocorrido por meio dos aerossóis, já que outros clientes e funcionários no mesmo ambiente não foram infectados. Mas eles sugerem que os aerossóis possivelmente estavam mais concentrados na área das mesas próximas, carregados por correntes do ar condicionado. A conclusão do artigo recomenda que restaurantes aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação. Diversos cientistas criticam que autoridades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão subestimando o potencial transmissivo dos aerossóis (leia: Cientista crítica visão da OMS sobre contágio pelo ar: 'Não deixam a gente se proteger direito'). Em julho, um grupo de mais de 200 pesquisadores escreveu uma carta defendendo o reconhecimento dessa via de transmissão. Uma das autoras da carta, Lidia Morawska, professora da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, respondeu à BBC News Brasil por e-mail não acreditar que os aparelhos de ar-condicionado sejam um problema ou risco em si, e sim a falta de ventilação — que ajuda a diluir contaminantes. "Não ter ventilação significa a não retirada de partículas infectadas de ambientes internos. O ar pode ser condicionado — o que significa ser esfriado ou aquecido —, mas uma ventilação eficiente precisa ser garantida", escreveu Morawaska, também consultora da OMS sobre qualidade do ar. Falando do artigo sobre o restaurante chinês, ela mencionou também o direcionamento do ar. "As correntes de ar estavam passando pela pessoa infectada e carregaram o vírus para outras pessoas. O mesmo acontece em aviões, por exemplo, onde a corrente de ar é unidirecional, e em outras situações. A questão é a direção da corrente de ar, que pode ser induzida por diferentes fatores, como uma porta aberta." Cuidado com ventilação e qualidade do ar é pouco comum no Brasil, apontam entrevistados Entretanto, ao menos no Brasil, é comum que as pessoas se preocupem simplesmente com que o ar-condicionado abaixe a temperatura, e não com as condições de ventilação ou qualidade do ar, diz Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Aparelhos mais simples, como do tipo minisplit, não apenas se valem da recirculação do ar — ou seja, pegam o "mesmo" ar de um ambiente para reciclá-lo, o que é um problema se este estiver contaminado —, como normalmente não vêm acompanhados de mecanismos de renovação mecânica do ar. No caso de aparelhos de janela, alguns modelos têm a opção da renovação, mas nem todos. Até existem opções no mercado de aparelhos para fazer isso, como insufladores (que incluem filtro e ventilação) e caixas de ventilação, mas é "raríssimo" que isso seja uma preocupação em casas ou pequenos negócios, diz Bueno. E deveria ser alvo de maior atenção mesmo antes da covid-19, pois o ar pode concentrar outros vírus, bactérias e fungos, além de gases tóxicos. "O grande mercado brasileiro hoje é o das pequenas instalações, sejam residenciais ou comerciais. Imagina um consultório de dentista: ele vai ter uma pequena máquina funcionando. Essa máquinas representam cerca de 75% de todo e qualquer equipamento no mercado brasileiro. E todas vezes que essas máquinas são instaladas, não há preocupação com o ar externo", explica o engenheiro, recomendando que, com a pandemia, esses aparelhos sejam usados com janelas e portas abertas, e até mesmo junto com ventiladores perto destas, ainda que isso faça os ambientes ficarem menos frios que o ideal. Erick Campos, engenheiro mecânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), do campus de Governador Valadares, escreveu um relatório justamente sobre os impactos da pandemia nos sistemas de ar condicionado na realidade brasileira, em conjunto com o professor Bruno Augusto Guedes, também da UFJF. Campos diz que, mesmo em cenários em que a ventilação não foi prevista, uma nova adaptação para tempos de covid-19 pode ser inviabilizada por custos, não só com a instalação, mas também com o maior gasto de energia. Afinal, a renovação retira ar mais frio e insere o ar externo, geralmente mais quente, então o trabalho para refrigerar é maior. Isso significa também que em muitos casos a potência dos aparelhos pode ser insuficiente para tal adaptação, já que originalmente não foi calculada a entrada de mais ar externo. "As informações disponíveis indicam que é arriscado usar o ar-condicionado sem esse sistema de ventilação. O risco é que os aerossóis aumentem sua concentração naquele ambiente, e uma pessoa que aspire estas partículas pode ser contaminada. A solução é contraintuitiva, como usar o ar-condicionado com janelas e portas abertas ou, se possível, buscar alternativas para o ar-condicionado por um tempo", afirma o engenheiro da UFJF, sugerindo ventiladores e climatizadores (ou refrigeradores evaporativos), que convivem melhor com ambientes abertos. Ele pondera, entretanto, que em casas onde vive uma família os riscos de transmissão acontecem em várias situações, e o contato continua sendo mais importante para a transmissão do coronavírus do que uma eventual transmissão por meio das correntes de ar condicionado. Por isso, em todos os casos, o uso de máscaras e o distanciamento continuam sendo fundamentais. A importância da ventilação vale também para carros e ônibus, embora alguns veículos tenham no seu sistema de climatização a opção de renovação do ar, com troca entre o interno e externo. Em relação aos filtros convencionais, que normalmente retêm contaminantes nos aparelhos, as evidências indicam que, para o coronavírus, eles não são tão eficazes — pois o patógeno é leve o bastante para ser aspirado pelo ar-condicionado e ao mesmo tempo pequeno para atravessar os filtros, explica Campos. Mas Bueno lembra que os filtros são importantes também para conter partículas de outros patógenos e também da poluição, o que contribui para a proteção do sistema respiratório das pessoas — ainda mais os filtros mais eficazes, com eficácia mínima de 50% para partículas menores que 0,4 µm. Entretanto, aparelhos simples como o minisplit tampouco têm filtro, e sim uma tela de proteção que, segundo os especialistas, é insuficiente. Adaptações em shoppings Já sistemas maiores, como em prédios comerciais ou shoppings, costumam ter mecanismos de renovação do ar — em que o ar "usado" é extraído do ambiente interno e canalizado para uma unidade de tratamento, geralmente no telhado, onde há mistura com ar fresco. Esses sistemas costumam permitir até mesmo a regulação da quantidade de ar fresco que será injetada no prédio. No contexto de pandemia, quanto mais, melhor — mas isso traz também mais gastos com energia. Bueno lembra que o ar externo é tão importante pois sua limpeza acontece naturalmente, com a ajuda da chuva e dos ventos. Mesmo em locais com renovação mecânica, a abertura para o ar externo também é desejável — em uma cartilha da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, recomenda-se por exemplo que as portas dos shoppings permaneçam abertas e que exaustores em sanitários e cozinhas operem em nível máximo de vazão de ar. "Instalações completas, funcionando de acordo com seu projeto, tendo plano de manutenção e controle, são saudáveis e vão proteger. Foi prevista a filtragem e a renovação do ar", explica Oswaldo Bueno, apontando que sistemas de climatização em áreas públicas costumam ser submetidos a mais normas e leis, desde seu planejamento. Segundo uma lei federal de 2018, todos os ambientes de uso público e coletivo com ar condicionado devem ter um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), com controle por exemplo de níveis de concentração de poluentes, um indicador sobre a qualidade do ar. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fiscalização do plano é de responsabilidade de órgãos de vigilância locais, e não há dados nacionais sobre autuações e multas. A perspectiva é que o país tenha mais e mais aparelhos de ar-condicionado com o passar dos anos, segundo o relatório internacional The future of cooling, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), publicado em 2018. Em 2016, o Brasil tinha aproximadamente 27 milhões de aparelhos de ar-condicionado, incluídos aí residenciais e comerciais. A previsão é que, em 2050, o número chegue a 165 milhões de aparelhos. Mas o país está longe da liderança mundial — apenas China, Japão e Estados Unidos concentram dois terços de todos os aparelhos do mundo.

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Data Veiculação: 20/09/2020 às 08h09

A cada verão que passa, mais aparelhos de ar-condicionado são comprados no Brasil? nos últimos anos, esse mercado tem crescido no país, apesar da crise econômica e da queda no consumo impactando a venda de outros produtos. Mas depois da pandemia de coronavírus de 2020, há dúvidas se, com o calor que se aproxima, poderemos ligar esses milhões de aparelhos que estão nas nossas casas, pequenos comércios, lojas, shoppings, carros e transporte público. Afinal, há cada vez mais indícios da transmissão do vírus pelo ar, e em julho um estudo da China surpreendeu ao apontar o ar-condicionado de um restaurante como vilão na infecção de 10 pessoas de três famílias diferentes almoçando ali. Se você já está suando frio com a possibilidade de não poder usar estes aparelhos, adiantamos logo algumas respostas obtidas com especialistas entrevistados pela BBC News Brasil. Primeiro, o ar-condicionado em si não é o vilão, mas sim o confinamento coletivo ? ou seja, seu uso em ambientes fechados, em que há pouca ou nenhuma circulação de ar, com presença de outras pessoas que podem estar infectadas. Por isso, com o coronavírus circulando, deixar portas e janelas fechadas enquanto o ar está ligado não é aconselhável. No cenário atual, deverá ser necessário apelar para aparelhos que convivam melhor com estas aberturas, como ventiladores e climatizadores; ou usar o ar-condicionado com frestas abertas; ou ainda o ar-condicionado associado a ventiladores e janelas abertas. Isso a não ser que o sistema de refrigeração em questão inclua equipamentos de renovação mecânica ? o que, segundo especialistas, seria o ideal, mas exige planejamento e altos custos de manutenção, sendo raramente visto no Brasil. Vamos às explicações ? mas vale antes lembrar que ainda há muito a ser conhecido sobre o vírus e estudos em curso, portanto elas não são definitivas. O restaurante chinês: ar-condicionado central, exaustor e sem janelas O artigo científico sobre o restaurante chinês que colocou o ar-condicionado sob holofotes foi publicado por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Guangzhou no periódico científico Emerging Infectious Diseases, editado pelos CDCs (Centros de Controle de Doenças) dos Estados Unidos. Eles rastrearam pessoas que almoçaram no dia 24 de janeiro em um restaurante de cinco andares, sem nenhuma janela, com exaustores e ar-condicionado central (sistema capaz de climatizar vários ambientes a partir de um único equipamento; os modelos variam em porte e na tecnologia empregada pra distribuir o ar frio, sendo comumente encontrados em bancos, supermercados e shoppings). Um cliente, ainda assintomático, tinha viajado de Wuhan, cidade chinesa em que o vírus começou a infectar humanos, para Guangzhou, onde fica o restaurante. Ele e sua família se sentaram em uma mesa ao lado de outras duas, com distância de cerca de um metro entre elas. As três mesas estavam na reta de um aparelho de ar condicionado. Ao longo dos dias seguintes, o cliente vindo de Wuhan e mais nove pessoas presentes nessas três mesas foram diagnosticadas com covid-19. Os autores defenderam que a transmissão do coronavírus seja explicada não só pelas gotículas de material infeccioso (como a saliva de uma pessoa contaminada), que têm tamanho maior, correm distâncias menores e duram menos tempo no ar, mas também pelos aerossóis, partículas menores do material infeccioso que ficam suspensas no ar por mais tempo e têm alcance mais distante. No caso do restaurante em Guangzhou, os pesquisadores dizem que não há certeza que a infecção tenha ocorrido por meio dos aerossóis, já que outros clientes e funcionários no mesmo ambiente não foram infectados. Mas eles sugerem que os aerossóis possivelmente estavam mais concentrados na área das mesas próximas, carregados por correntes do ar condicionado. A conclusão do artigo recomenda que restaurantes aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação. Diversos cientistas criticam que autoridades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão subestimando o potencial transmissivo dos aerossóis (leia: Cientista crítica visão da OMS sobre contágio pelo ar: 'Não deixam a gente se proteger direito'). Em julho, um grupo de mais de 200 pesquisadores escreveu uma carta defendendo o reconhecimento dessa via de transmissão. Uma das autoras da carta, Lidia Morawska, professora da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, respondeu à BBC News Brasil por e-mail não acreditar que os aparelhos de ar-condicionado sejam um problema ou risco em si, e sim a falta de ventilação? que ajuda a diluir contaminantes. "Não ter ventilação significa a não retirada de partículas infectadas de ambientes internos. O ar pode ser condicionado? o que significa ser esfriado ou aquecido? mas uma ventilação eficiente precisa ser garantida", escreveu Morawaska, também consultora da OMS sobre qualidade do ar. Falando do artigo sobre o restaurante chinês, ela mencionou também o direcionamento do ar. "As correntes de ar estavam passando pela pessoa infectada e carregaram o vírus para outras pessoas. O mesmo acontece em aviões, por exemplo, onde a corrente de ar é unidirecional, e em outras situações. A questão é a direção da corrente de ar, que pode ser induzida por diferentes fatores, como uma porta aberta." Como se proteger da covid-19 no ônibus, no trem e no metrô afinal, dá para pegar covid-19 mais de uma vez? Entenda o que a ciência sabe até agora Cuidado com ventilação e qualidade do ar é pouco comum no Brasil, apontam entrevistados Entretanto, ao menos no Brasil, é comum que as pessoas se preocupem simplesmente com que o ar-condicionado abaixe a temperatura, e não com as condições de ventilação ou qualidade do ar, diz Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Aparelhos mais simples, como do tipo minisplit, não apenas se valem da recirculação do ar ? ou seja, pegam o "mesmo" ar de um ambiente para reciclá-lo, o que é um problema se este estiver contaminado ?, como normalmente não vêm acompanhados de mecanismos de renovação mecânica do ar. No caso de aparelhos de janela, alguns modelos têm a opção da renovação, mas nem todos. Até existem opções no mercado de aparelhos para fazer isso, como insufladores (que incluem filtro e ventilação) e caixas de ventilação, mas é "raríssimo" que isso seja uma preocupação em casas ou pequenos negócios, diz Bueno. E deveria ser alvo de maior atenção mesmo antes da covid-19, pois o ar pode concentrar outros vírus, bactérias e fungos, além de gases tóxicos. "O grande mercado brasileiro hoje é o das pequenas instalações, sejam residenciais ou comerciais. Imagina um consultório de dentista: ele vai ter uma pequena máquina funcionando. Essa máquinas representam cerca de 75% de todo e qualquer equipamento no mercado brasileiro. E todas vezes que essas máquinas são instaladas, não há preocupação com o ar externo", explica o engenheiro, recomendando que, com a pandemia, esses aparelhos sejam usados com janelas e portas abertas, e até mesmo junto com ventiladores perto destas, ainda que isso faça os ambientes ficarem menos frios que o ideal. Erick Campos, engenheiro mecânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), do campus de Governador Valadares, escreveu um relatório justamente sobre os impactos da pandemia nos sistemas de ar condicionado na realidade brasileira, em conjunto com o professor Bruno Augusto Guedes, também da UFJF. Campos diz que, mesmo em cenários em que a ventilação não foi prevista, uma nova adaptação para tempos de covid-19 pode ser inviabilizada por custos, não só com a instalação, mas também com o maior gasto de energia. Afinal, a renovação retira ar mais frio e insere o ar externo, geralmente mais quente, então o trabalho para refrigerar é maior. Isso significa também que em muitos casos a potência dos aparelhos pode ser insuficiente para tal adaptação, já que originalmente não foi calculada a entrada de mais ar externo. "As informações disponíveis indicam que é arriscado usar o ar-condicionado sem esse sistema de ventilação. O risco é que os aerossóis aumentem sua concentração naquele ambiente, e uma pessoa que aspire estas partículas pode ser contaminada. A solução é contraintuitiva, como usar o ar-condicionado com janelas e portas abertas ou, se possível, buscar alternativas para o ar-condicionado por um tempo", afirma o engenheiro da UFJF, sugerindo ventiladores e climatiza dores (ou refrigeradores evaporativos), que convivem melhor com ambientes abertos. Ele pondera, entretanto, que em casas onde vive uma família os riscos de transmissão acontecem em várias situações, e o contato continua sendo mais importante para a transmissão do coronavírus do que uma eventual transmissão por meio das correntes de ar condicionado. Por isso, em todos os casos, o uso de máscaras e o distanciamento continuam sendo fundamentais. A importância da ventilação vale também para carros e ônibus, embora alguns veículos tenham no seu sistema de climatização a opção de renovação do ar, com troca entre o interno e externo. Em relação aos filtros convencionais, que normalmente retêm contaminantes nos aparelhos, as evidências indicam que, para o coronavírus, eles não são tão eficazes? pois o patógeno é leve o bastante para ser aspirado pelo ar-condicionado e ao mesmo tempo pequeno para atravessar os filtros, explica Campos. Mas Bueno lembra que os filtros são importantes também para conter partículas de outros patógenos e também da poluição, o que contribui para a proteção do sistema respiratório das pessoas? ainda mais os filtros mais eficazes, com eficácia mínima de 50% para partículas menores que 0,4 µm. Entretanto, aparelhos simples como o minisplit tampouco têm filtro, e sim uma tela de proteção que, segundo os especialistas, é insuficiente. Adaptações em shoppings Já sistemas maiores, como em prédios comerciais ou shoppings, costumam ter mecanismos de renovação do ar? em que o ar "usado" é extraído do ambiente interno e canalizado para uma unidade de tratamento, geralmente no telhado, onde há mistura com ar fresco. Esses sistemas costumam permitir até mesmo a regulação da quantidade de ar fresco que será injetada no prédio. No contexto de pandemia, quanto mais, melhor? mas isso traz também mais gastos com energia. Bueno lembra que o ar externo é tão importante pois sua limpeza acontece naturalmente, com a ajuda da chuva e dos ventos. Mesmo em locais com renovação mecânica, a abertura para o ar externo também é desejável ? em uma cartilha da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, recomenda-se por exemplo que as portas dos shoppings permaneçam abertas e que exaustores em sanitários e cozinhas operem em nível máximo de vazão de ar. "Instalações completas, funcionando de acordo com seu projeto, tendo plano de manutenção e controle, são saudáveis e vão proteger. Foi prevista a filtragem e a renovação do ar", explica Oswaldo Bueno, apontando que sistemas de climatização em áreas públicas costumam ser submetidos a mais normas e leis, desde seu planejamento. Segundo uma lei federal de 2018, todos os ambientes de uso público e coletivo com ar condicionado devem ter um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), com controle por exemplo de níveis de concentração de poluentes, um indicador sobre a qualidade do ar. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fiscalização do plano é de responsabilidade de órgãos de vigilância locais, e não há dados nacionais sobre autuações e multas. A perspectiva é que o país tenha mais e mais aparelhos de ar-condicionado com o passar dos anos, segundo o relatório internacional The future of cooling, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), publicado em 2018. Em 2016, o Brasil tinha aproximadamente 27 milhões de aparelhos de ar-condicionado, incluídos aí residenciais e comerciais. A previsão é que, em 2050, o número chegue a 165 milhões de aparelhos. Mas o país está longe da liderança mundial? apenas China, Japão e Estados Unidos concentram dois terços de todos os aparelhos do mundo.