Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

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Data Veiculação: 20/08/2020 às 03h00

SAÚDECOALIZAO COVID-19 BRASILAPRESENTA PRIMEIRORESULTADO DE ESTUDO COMMEDICAMENTOS CONTRA OCORONAVÍRUSPesquisa feita por grupo de hospitais associados da Anahp junto de rede e instituto de pesquisa brasileiros verificou que o uso dehidroxicloquma, sozinha ou associada com azitromicma, não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes hospitalizados com formas leves ou moderadas de covid-19Uma aliança para condução de pesquisas formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, HCor,Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinicai ResearchInstitute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes infectados pelo novo coronavírus. DenominadaANAHP Edição 75 - Ano 15"Coalizão COVID-19 Brasil", a iniciativa conduz nove estudos voltados a diferentes populações de pacientes com a patologia. A primeira pesquisa, nomeada Coalizão I, avaliou se a hidroxicloroquina associada ou não à azitromicina, poderia trazer benefícios pacientes adultos hospitalizados com formas leves a moderadas decovid-19, e o resultado foi publicado no periódico científico NewEngland Jornal of Medicine nodai 23 de julho. O estudo contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Resolvemos juntar esforços para fazer uma colaboração científica, mas que ao mesmo tempo tivesse utilidade clínica", relata o cardiologista e diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ÁlvaVOLTAR PARAO Início Avezum, integrante do CoalizãoCOVID-19 Brasil. Ele explica que grupo propôs diversas questões no ambiente covid-19 a serem estudadas, pacientes dentro e forçado hospital e quadros leves a mais graves. "A abrangência da Coalizão pega todas as áreas de tratamento da covid-19, e nós estamos respondendo a perguntas que o mundo inteiro precisa saber. "Para o pesquisador, a Coalizão é a prova de que no Brasil se faz pesquisa de qualidade e com resultados capazes de mudar a prática clínica. "Pesquisa deve ser feita por uma razão simples, que é melhorar a saúde populacional”, diz Avezum. E completa: "E a saúde da população tem que ser melhorada por meio de conhecimento gerado e implementado". MÉTODOO Coalizão I teve início no dia29 de março, com inclusão do último paciente em 17 de maio, e seguimento clínico finalizado em2 de junho. Foram incluídos 667pacientes com quadros leves ou moderados (que não precisavam de oxigênio ou precisavam de, no máximo, 4 litros por minuto de oxigênio suplementar), em55 hospitais brasileiros. Por meio de randomização (sorteio) os pacientes receberam combinação de hidroxicloroquina, azitromicina mais suporte clínico padrão (217 pacientes); hidroxicloroquina mais suporte clínico padrão (221 pacientes); ou apenas suporte clínico padrão (grupo controle, 227 pacientes). A hidroxicloroquina foi usada durante 7dias na dose de 400 mg a cada12 horas e a azitromicina 500 mg cada 24 horas por 7 dias. O suporte clínico padrão foi de acordo com a equipe médica que assistia aos pacientes, mas não poderia incluir hidroxicloroquinaou azitromicina. A avaliação do efeito do tratamento com hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, considerou como resultado principal status clínico dos pacientes 15dias após a inclusão - caracterizando sete níveis, sendo o primeiro a alta do paciente e o último o óbito. Ao fim do processo status clínico foi similar em todosos grupos, levando à conclusão deque o tratamento com tais medicamentos não promoveu melhoria na evolução clínica dos pacientes. Segundo o diretor do BCRI, Renato Lopes, existia uma “plausibilidade biológica" de alguns estudos in vitro de que a cloroquina talvez tivesse efeito contra o vírus. "Mas para poder aplicar, eu preciso comprovar que isso é realmente verdade através da melhor evidência científica, o que para nós [pesquisadores] é o ensaio clínico randomizado", explica. "A randomização faz com o que os grupos testados sejam exatamente iguais, com exceção do que se está testando. "O estudo foi realizado com pacientes considerados parte do grupo de risco. A maioria era do sexo masculino com idade em torno de 50 anos. Dos participantes, 40% eram hipertensos, 21%diabéticos e 17% obesos. Os casos avaliados tinham iniciado com sintomas até, no máximo, sete dias e eram recém-internados (até 48 horas). "Quando temos um estudo dessa robustez científica, que é randomizado, em desenhado, bem monitorado, temos maior grau de confiabilidade de que o resultado é mais próximo da verdade que conseguimos chegar", diz Lopes. SAÚDEÓBITOS E EVENTOSADVERSOSEm 15 dias, o número de óbitos foi semelhante em todos os grupos, em torno de 3%. E no que diz respeito aos efeitos adversos, a pesquisa evidenciou dois pontos de destaque: aumento do intervalo QT, que representa maior risco para arritmias, e alteração de exames que podem representar lesão hepática (aumento de enzimasTGO/TGP no sangue) nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina,com ou sem azitromicina. S< APRÓXIMOS ESTUDOSDA COALIZÃOCOVID-19 Brasil. _________________________y~ACOALIZÃO IIAvaliou casos mais graves de covid-19, que necessitaram de maiorsuporte respiratório. Todos os pacientes receberam hidroxicloroquinae, de forma aleatória, foram alocados em dois grupos: um que recebia adicionalmente azitromicina, e outro que não recebia azitromicina (grupo controle). Todos os pacientes receberam tratamento padrão que incluíahidroxicloroquina. Os resultados serão divulgados em breve. COALIZÃO Avaliou a efetividade da dexametasona (medicação com ação anti-inflamatória) para casos de covid-19 com síndrome respiratória aguda grave. Inclusão de pacientes encerrada com299 casos em 40 centros. Os resultados serão divulgados em breve. COALIZÃO IV Está avaliando se a anticoagulação plena com rivaroxabana traz benefícios para pacientes com covid-19 com risco aumentado para eventos tromboembólicos. Foram incluídos 10 de um total previsto de 600pacientes em 40 centros. I COALIZÃO Está avaliando se a hidroxicloroquinaprevine o agravamento da covid-19em pacientes que não precisam de internação hospitalar. Foram incluídos 454 de um total previsto de1. 300 pacientes em 68 centros. COALIZÃO VI Avaliou se o tocilizumab, um inibidora interleucina 6, é capaz de melhorara evolução clínica de pacientes hospitalizados com covid-19 e fatores de risco para formas graves inflamatórias da doença. Inclusão de pacientes encerrada com 129 casos em 12 centros. Atualmente os pacientes estão sob acompanhamento clínico e os resultados deverão ser publicados em breve. COALIZÃO Vista avaliando o impacto a longo prazo, após alta hospitalar, incluindo qualidade de vida, de pacientes que tiveram covid-19 e foram participantes dos demais estudos da Coalizão. Em andamento. COALIZÃO VIIIAvaliará se anticoagulação com rivaroxabana previne agravamento da doença com necessidade de hospitalização em pacientes não-hospitalizados com formas leves da covid-19. Previsão de início de inclusão em agosto. < ACOALIZÃO Avaliará se drogas antivirais isoladas e/ou em combinação entre si são efetivas para tratar casos de covid-19 hospitalizados com doença moderada. Os antivirais a serem testados são atazanai, daclatasvir edadatasvir associados a sofosbuvir. Previsão de início em agosto.

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STARTUPS DE SAÚDE CRESCEM COM NOVAS OPORTUNIDADES TRAZIDAS PELA CRISE 0 TODOS PELA SAUDE:ALIANÇA CONTRA A COVID-19Paulo Chapchap lidera o grupo que cuida de uma das maiores doações feitas pela iniciativa privada no combate à pandemia de coronavírusEntre as muitas ações promovidas pela iniciativa privada brasileira para contribuir como enfrentamento da pandemia de coronavírus, está o Todos Ela Saúde, do Itaú Unibanco. O banco anunciou no início de abril a doação de R$ 1 bilhão para coordenar uma série doações em apoio ao SUS, estados e municípios na gestão da crise - considerada a maior doação feita por uma instituição privada até então no combate à covid-19. As ações promovidas pela iniciativa se encaixam em quatro frentes: informar, proteger, cuidar e retomar. Entre elas estão a produção de conteúdo orientativo em diversos canais; distribuição de equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos hospitalares nas diversas regiões brasileiras; instalação de novas centrais para testagem por RT-PCR; centros de acolhimento para pessoas infectadas pelo coronavírus; além de investimentos no preparo da sociedade para retorno à normalidade. Para liderar a gestão desses recursos, o banco convidou Paulo Chapchap, conselheiro daAnahp e diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, que ficou responsável por montar uma equipe de sete médicos e especialistas em saúde que contribuem no planejamento e tomada de decisão. Entre eles estão Gonzalo Vacina Neto, fundador da Anvisa e professor na Faculdade de Saúde Pública da USP;Drauzio Varella, médico infectologista; e o presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com Chacha, quefalou sobre os desafios desse projeto, as estratégias que estão sendo traçadas e destacou algumas das principais ações colocadas em prática até agora. Em que contexto esse convite foi realizado e quais foram as orientações iniciais dadas pelo Itaú Unibanco para que o Todos Pela Saúde iniciasse asatividades?Paulo Chapchap: O espírito desse convite é que os acionistas do Itaú Unibanco haviam decidido fazer uma doação orçamentária para o enfrentamento da pandemia de R$ 1 bilhão e, por não terem expertise nesse assunto, queriam que e coordenasse um grupo que tomasse decisões em relação aos objetos desse fomento. E nos garantiram autonomia técnica total para alocar esses recursos, dizendo também que se, porventura, faltasse recurso um aumento desse orçamento poderia ser estudado. Então montei um grupo deste especialistas, tentando colocar uma diversidade de experiências e de saberes na área pública e privada, contando comum grupo de suporte tanto do Itaú Unibanco quanto das equipes, primordialmente, do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Israelita Albert Einstein. A partir daí decidimos os quatro eixos fundamentais da nossa atuação (informar, proteger, cuidar e retomar) e começamos a elencar ruma série de iniciativas que já existiam e que nós poderiamosampliar o campo de atuação. O seu papel é liderar um time de sete médicos e especialistas na área da saúde que está decidindo o destino der 1 bilhão na gestão da crise. Qual tem sido o maior desafio até agora? Chapchap: Estabelecer prioridades. Obviamente as necessidades são muito maiores do que esses recursos sozinhos vão conseguir atender. Então, é preciso fazer um balanceamento do que é uma ajuda aguda, naquele momento e naquele lugar, mas sem perder de perspectiva que o problema pode ficar mais agudo e mais grave em outro lu"MONTEI UM GRUPO DE SETE ESPECIALISTAS,TENTANDO COLOCAR UMA DIVERSIDADE DEEXPERIÊNCIAS E DE SABERES NA ÁREA PÚBLICA EPRIVADA [. ] A PARTIR DAÍ DECIDIMOS OS DUATROEIXOS FUNDAMENTAIS DA NOSSA ATUAÇÃO (INFORMAR, PROTEGER, CUIDAR E RETOMAR]"gar. muito rapidamente. Em uma ou duas semanas a figura pode mudar, então temos que decidir por algumas ações que permitam fazer uma adaptação às necessidades. E, paralelamente, agente tende a escolher aquelas iniciativas que não só salvam vidas rapidamente ou agudamente, mas que também deixam no lugar um legado estruturante para o Sistema Único de Saúde, para enfrentamento de outras doenças que são graves no Brasil e permanentes. O Brasil é um país de proporções continentais e com déficits na área da saúde que foram reforçados com a pandemia. Qual tem sido a estratégia do grupo para que esse fundo seja o mais eficiente possível em um cenário como esse? Chapchap: O Brasil é grande, desigual e sem sincronia descomprometimento em todas as localidades do País, ou mesmo dos estados. Para poder alocar propriamente os recursos onde os benefícios serão maiores, preciso fazer uma análise permanente de impacto de comprometimento na pandemia. E uma das coisas que percebemos rapidamente foi que precisaríamos deum fluxo de informações que nos permitisse monitorar as necessidades a partir das localidades mais atingidas. Então, montamos gabinetes diários de enfrentamento nos principais hospitais "FORAM R$ 260 MILHÕES SÓ EM COMPRA EDISTRIBUIÇÃO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃOINDIVIDUAL. TAMBÉM FOMOS PARA POPULAÇÕESMAIS VULNERÁVEIS, INSTITUIÇÕES DE LONGAPERMANÊNCIA PARA IDOSOS, PARA ATUAR FAZENDOTESTE E ISOLANDO OS CASOS POSITIVOS. "desses locais, que não só ajudam estabelecendo fluxos, separação de pacientes e compartilhando protocolos de tratamento, mas também colhem dados em quatro dimensões: disponibilidade de espaço, leitos de UTI e enfermaria, equipamentos médicos equipamentos de proteção individual e de equipes. Esses dados, coletados por um aplicativo desenvolvido pela equipe de tecnologia da informação do Itaú Unibanco, são agrupados em dashboards, ou centros de comando, que ficam nas secretarias estaduais de saúde. Por orientação do Ministério da Saúde, desde o começo da pandemia, todas as secretarias têm centros de operação de emergência localizados nos estados e que recebem dados diariamente para que os recursos possam ser alocados de forma eficiente. Um dos papéis da equipe do Todos pela Saúde é reunir dados sobre a pandemia parque as ações estejam alinhadas com a necessidade real dos hospitais, cidades e estados. Trabalhar com dados de saúde no Brasil pode ser considerado um desafio? Chapchap: Isso também é muito desigual no País. Existem hospitais públicos e privados que já estão num alto grau de maturidade em relação à capacidade de coleta e análise de dados, além de saber dar respostas baseadas em dados. Infelizmente, essas instituições ainda são exceção, é um grande espectro de prestadores de serviços dessaúde. Então, temos que montar estruturas que nos permitam ter esse fluxo e análise dedados para tomada de decisão. Sim, é uma dificuldade do Países um dos problemas que estamos enfrentando na pandemia. Mas tem um caminho nítido aids apoio, de desenvolvimento, que é compartilhar os benefícios de se tomar decisão baseada em dados. Sem dúvida, é preciso ser feito um grande investimento para infraestrutura e recursos humanos que sejam capazes de trabalhar dessa forma. E não estou nem falando de tecnologias mais evoluídas, baseadas em inteligência artificial. Estou falando ainda dos primeiros estágios de maturidade que é preciso implantar, como arquitetura de dados, para garantir alguma prontidão das informações mais básicas que precisamos para operação dos hospitais. Até agora, quais são as ações encabeçadas por esse comitê que você considera as principais? Por quê? Chapchap: É difícil dizer uma única ação. O problema é tão grande que eu diria que tudo o que decidimos teve um impacto. Sobre o eixo proteger, por exemplo, rapidamente os países perceberam que, se tivéssemos que escolher apenas uma entre múltiplas ações para a proteção de pessoas, seria ouso de máscara em ambientes coletivos. Essa é a medida mais impactante de todas. Então, fizemos uma ampla campanha para toda população, usando os recursos que a gente tinha- o Drauzio [Varella] foi muito fundamental nisso. E para dar substância, distribuímos um número enorme - 16 milhões - de máscaras para a população em entradas de estações de metrô, pontos de ônibus. Também fizemos uma campanha publicitária enorme, de impacto no Brasil inteiro, pensando que as pessoas podem conseguir suas próprias máscaras. Uma outra coisa, ainda no eixo proteger, é equipamento de proteção individual para profissionais de saúde. Distribuímos quase 100 milhões de unidades de EPI e, provavelmente, ainda vamos investir mais nisso. Foram$ 260 milhões só em compra e distribuição de equipamento de proteção individual. Também fomos para populações mais vulneráveis, instituições de longa permanência para idosos, para atuar fazendo teste e isolando-os casos positivos. Isso porque uma porcentagem muito grande dos mortos em outros países foi de pessoas que estavam em asilos. Em alguns lugares esse número chegou a representar até50% ou 60% dos que morreram. Além disso, trouxemos da China duas centrais de testagem para ampliar a nossa capacidade de testes no Brasil, podemos fazer mais 25 mil testes por dia de PCR. E esse é um legado que fica para o enfrentamento de doenças infecciosas pandemias para o país inteiro. E eu não tenho dúvida de que esse auxílio à governança nos hospitais e nos centros de regulação, nas secretarias estaduais, ajudou muito a compreender o que estava acontecendo. Então, são ações que, somadas, têm um impacto importante. Falando sobre o cenário da saúde brasileiro de forma mais geral, se estivesse em suas mãos enquanto médico e gestor, qual seria a sua primeira providência para começar a melhorar o sistema de saúde do Brasil? Chacha: O conceito humanitário por trás do SUS é preciosíssimo. Considerar a saúde umdireito é um passo gigantesco no sentido da inclusão social. É uma transferência de valor a partir do estado para as populações mais vulneráveis., que é uma forma dos cuidados dessaúde. Então, a primeira coisa é reconhecer a potência dos conceitos do SUS. A segunda, é reconhecer que, apesar de todas as críticas, de problemas de gestão e de financiamento, ossos diferencia o País de outros que não têm um sistema como o nosso. Temos programas extraordinários, como de vacinação, de enfrentamento do HIV/Aids, de transplantes de órgãos, de entrega de medicamentos. É realmente um equalizador no Brasil. Mas o que eu faria? Garantiria uma boa coordenação entre as três esferas de poder, a tripartite federal, estadual e municipal. Para mim, tem que haver uma enorme coordenação de ações e de políticas entre os três entes cooperativos. Entraria a regulação um pouco de volta para as macrorregiões dessaúde, tirando dos municípios, que hoje são responsáveis por grande parte desse trabalho. Seria até aceitável em grandes municípios ou nas capitais, mas que existe é um desperdício por não enxergarmos a saúde no Brasil por macrorregiões. Eu também trabalharia intensamente para informatização do sistema, para garantir a coleta de dados e orientar as decisões partir deles. Sem dúvida nenhuma, reforçaria os programas de saúde da família em comunidades, e garantiria um sistema de vigilância com alguns postos centrais no Brasil para irradiar nossa capacidade de análise epidemiológica, de dados e tomada de decisão. Talvez fossem organismos ligados ao Ministério da Saúde, mas com algum grau de autonomia. E eu cuidaria com muito cuidado da formação profissional para ampliar nossa disponibilidade de bons recursos no tratamento das doenças. Para começar, seria isso.

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•JNECESSÁRIAdedainovaçao e um do: empresa. Contudo executivo, as prinCom a crise sanitária trazida pelo coronavírus, empresas de tecnologia viram uma oportunidade de crescimento para atender às novas demandas do mercado Em meio à pandemia, a necessidade de produzir soluções diversas para a área da saúde, desde equipamentos que fazem a esterilização do ambiente com ozônio até o avanço deferramentas para telemedicina, jogou luz sobre empresas que já existiam, mas passavam despercebidas pela maior parte da população: as hea/th techs ou startups voltadas para o setor. A comoção mundial alcançou esses empreendedores acostumados a colocar a tecnologia a serviço de soluções rápidas e objetivas de diferentes maneiras. Há-os que contribuem no desenvolvimento de soluções inovadoras e os que receberam novas demandas dentro do que já faziam. "Houve um incentivo global à criação de soluções por causada covid-19, isso fez com que o mercado se movimentasse. Não temos visto a criação de novas startups, mas o que notamos foi movimentação de empresas tradicionais para inovar criando soluções para a nova doença e se adaptando", afirma JeffPlentz, presidente da Textos- aceleradora de inovação e plataforma de negócios que conecta hospitais, startups, pacientes, governo e investidores. Permitir que as relações do setor passem a funcionar deforma mais rápida e barata por meio da escalabilidade dada naadoçãopapéissegundo ocupais dificuldades do mercado brasileiro estão na capacidade de negócio e na ineficiência da captura de valor. "Hoje, enquanto o mundo transforma cerca de 40% da propriedade intelectual gerada em produtos e serviços, o Brasil transforma de 13% a 17%. Dentro dos centros de pesquisados hospitais continuam surgindo soluções geniais na medicina brasileira, mas apurar um modelo de negócio com essa inovação gerada, buscar os investimentos e ter um canal que leve isso ao mercado para que se popularize, é onde estamos perdendo espaço", detalha. De acordo com Plentz, o contexto atual permitiu um efeito de aceleração para as empresas que já estavam preparadas. "As soluções que vão permanecerão aquelas que têm um caminho consistente sendo criado e que focaram na covid-19 como uma oportunidade de acelerar sua entrada no mercado. Masteemos visto soluções criadas agora que estão longe de ter um processo sustentável a médio e longo prazo", diz o presidente, revelando que, com o aumento da demanda, parte do plano de desenvolvimento da Techtoolsde dois anos teve que se desenvolver em dois meses. Neste sentido, Felipe Lacerda, CEO da BeeCorp, ressalta que as soluções de inovação apresentadas para as empresas devem "resolver o problema, não criar um". E completa:” o que notamos é que muitas empresas de inovação têm dificuldade para entrar no mercadoB2B [business to business]. Para vender, o serviço tem que estar contextualizado para ser incorporado no dia a dia, é preciso gerar relatório, ter um plano de comunicação, passar segurança ao cliente. "Junto com a pandemia, vieram também novos comportamentos e hábitos, seja no aumento da procura por serviços digitais dos mais variados ou na preocupação com a saúde, que se tornou uma questão muito presente entre a população. E BeeCorp, empresa focada em oferecer soluções para promoção da saúde nas organizações, com mais de 50 programas voltados para o bem-estar físico, emocional e relacionai, observou uma mudança nos tipos desserviços procurados, além deum aumento de 40% no faturamento dos últimos 120 dias. "Tínhamos vários programas presenciais já com possibilidade de serem digitais, que foram digitalizados para terem uma continuidade, como no caso daqueles voltados para a saúde mental do colaborador", contão CEO da empresa. "A questão do confinamento é nova, percebemos alguns desafios do ponto de vista emocional que os líderes precisaram lidar, e isso se refletiu na nossa entrega. "Outra demanda que aumentou nesse cenário, segundo Lacerda, foi o serviço de atenção primária à saúde. Contar comeste tipo de solução dentro da empresa, seja por meio de uma estrutura mais completa de ambulatório, com médico, enfermeiro e equipamentos alocados, ou apenas um técnico capaz de tirar as dúvidas dos colaboradores em relação à pandemia, foi um dos maiores ganhos na visão do executivo. "As empresas começaram se preocupar em como ter uma estrutura para poder falar de saúde de verdade. Antes, reparávamos que as empresas falavam de saúde quando dava, com pouca ferramenta efetiva, pouco conhecimento da sua população. Agora aumentou a necessidade de um perfil epidemiológico dos colaboradores, identificar quem tem alguma comorbidade, por exemplo, porque isso foi diretamente afetado no contexto da pandemia”, esclarece o executivo. Entre os produtos oferecidos ela BeeCorp durante a crise, duas marcas se diferenciam por suas soluções: a JIMCO ea Termo. A primeira trata-se de uma empresa dinamarquesa que oferece uma alternativa para limpeza e desinfecção dos ambientes por meio de uma tecnologia baseada em UV-C e ozônio, que elimina vírus e bactérias, reduzindo a propagação de doenças infecciosas. A segunda é uma empresa brasileira que permite triagem por temperatura através de câmeras termográficas com inteligência artificial. Além de ser uma alternativa segura e sem contato físico, ideal para locais com grande circulação de pessoas, a tecnologia detecta formato efetivo da mudança na temperatura, identificando casos suspeitos de covid-19. TECNOLOGIA E SAI TECNOLOGIA E Com a chegada da pandemia ao Brasil e a declaração do Ministério da Saúde sobre a regulamentação da telemedicina para viabilizar os atendimentos à distância durante a crise, o Conselho Federal de Medicina(CFM) reconheceu que a prática poderia ser aplicada no enfrentamento do novo coronavírus, e Lei 13. 989, publicada em 15de abril de 2020, autorizou ouso em caráter de emergência. Foi então que a plataforma de telemedicina Conexa Saúde viu sua carteira de vidas saltar de100 mil para 1 milhão em apenas uma semana. Segundo o CEO da marca, Guilherme Weigert, a utilização da telemedicina no Brasil já vinha crescendo, mas ainda precisaria de mais alguns anos para alcançar a maturidade de outros países. "Com a covid-19, esse cenário mudou bastante, pois houve uma curva de adoção acelerada na digitalização da saúde, gerando movimentação em todo ecossistema necessário para consolidar a telemedicina, incluindo o paciente, profissionais de saúde, hospitais, planos de saúde, empresas e corretoras de saúde", revela. Essa rápida mudança fez com que a plataforma antecipasse plano de crescimento que havia sido elaborado para ser colocado em prática dentro deum ano. Weigert conta que, em termos de tecnologia, já estava tudo pronto para atender à nova demanda, pois haviam acabado de investir em melhorias estruturais que possibilitaram uma arquitetura tecnológica altamente escalável. No entanto, foi preciso contratar mais colaboradores para assumir atividades relacionadas à implantação de plataformas, atendimento ao cliente técnicos - dobrando a equipe. "Fechamos o primeiro semestre de 2020 com atendimento de 600 mil tele consultas. Nossameta é realizar mais de 20 mil por dia, conquistar 4 milhões de usuários e se conectar a mais de 15 mil médicos. Até 2021, a expectativa é faturar R$ 50 milhões", afirma o CEO da Conexa Saúde, que tem entre seus clientes o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Sabará Hospital Infantil, Hospital 9 de Julho, SegurosUnimed, Instituto de Oncologia Santa Paula (IOSP), além de parcerias com governos, como em Minas Gerais, para o serviço de telemedicina direcionado para usuários do Sistema Único dessaúde (SUS). Para o executivo, a utilização da telemedicina foi um recurso importante para atender a necessidade de isolamento social manutenção de atendimento médico durante a crise, mas ainda há um grande desafio pé afrente. "É preciso quebrar abarreira cultural das pessoas em relação à telemedicina, embora isso já tenha se enfraquecido um pouco com a pandemia. No que se refere às questões regulatórias, muitas foram aceleradas ela necessidade de utilização da tecnologia e devem se resolver no pós-pandemia", opina. Outra área que apresentou uma demanda sem precedentes foi a de testes de diagnósticos. No início da pandemia, especialistas concordaram que a testagem em massa da população seria uma boa estratégia para conhecer o perfil epidemiológico do Brasil, o número real de casos e ajudar a conter o avanço do corona vírus. No entanto, a escassez de insumos para os testes foi uma das grandes barreiras para que essa medida fosse colocada em prática. Foi neste contexto que o laboratório brasileiro especializado em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), mandélicas, desenvolveu um exame que utiliza a metodologia RT-LAMP (ReverseTranscription Loop-MediatedIsothermal Amplificativo). A partir da simples coleta de saliva do paciente, o teste identifica a presença do SARS-CoV-2 por meio de uma análise molecular que reconhece o material genético viral. O método leva apenas 1 hora, o que permite liberar os resultados em até 24 horas, além de possuir especificidade superiora 99% (não foram identificados resultados falso-positivos) uma sensibilidade comparável ao teste de RT-PCR. "A maior parte dos exames existentes que identificam o vírus SARS-CoV-2 coleta a amostra por meio de um swap nasal (um tipo de cotonete alongado) para chegar até a garganta e obter amostras das secreções. A partir do método aperfeiçoado pela Mandélicas, o próprio paciente realiza a coleta de amostras de saliva em um tubo estéril, resolvendo ainda o problema de demanda de kits de coleta nasofaringe, fator que tem limitado diretamente a capacidade de coleta e testagem no Brasil", explica David Schlesinger, CEO da empresa. De acordo com o executivo, o RT-LAMP foi validado em conjunto com o Hospital Sírio-Libanês e desde então tem atendido inúmeras empresas de grande porte, em todo o território nacional. Schlesinger conta que esse é o teste com maior capacidade de processamento lançado no país até o momento, com potencial de testagem diária demais de 100 mil amostras. "A parceria com o hospital foi fundamental para que pudéssemos trazer esse teste mais rápido para o Brasil. O Hospital Sírio-Libanês nos ajudou implementar um projeto de pesquisa, aprovado em comitê de ética, em que pudemos validar todos os resultados que tínhamos, em paralelo com pacientes que estavam ativamente infectados, com sintomas, sendo testados com o RT-PCR. Então comparamos um swabnasal com RT-PCR de hospitais e laboratórios de ponta com oeste novo. Com isso, tivemos confiança de que estávamos entregando o mesmo nível de qualidade dos melhores testes, porém com custo menor, mais rapidez e com maior facilidade de coleta", detalha o CEO. <

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UM NOVOEVENTOIO CONAHP 2020 SERÁ GRATUITO, 1 00% DIGITAL E COM CUNHO, SOCIAL, E REUNIRÁ ESPECIALISTAS E LÍDERES DA SAÚDE DO MUNDOTODO PARA DISCUTIR O FUTURO DO SETOR PÓS-PANDEMIA Uma pandemia sem precedentes mudou a história e fez com que o mundo se reinventasse. Para compartilhar as transformações com todos, neste ano, excepcional mente, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) irá realizar o Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) totalmente online e com acesso gratuito. As inscrições para o evento, que acontecerá de 16 a 20 de novembro, já estão abertas e podem ser feitas pelo site conahp. org. br. Com o mote "Vamos fazer juntos", o maior congresso de saúde da América Latina vai reunir entidades, gestores, profissionais do setor e cidadãos que têm sido fortemente impactados nesse período, para discutir o tema “Lições da pandemia: desafios e perspectivas para o sistema dessaúdem brasileiro". São esperados mais de 70 palestrantes nacionais e internacionais, em 30 horas de conteúdo e com experiências interativas em 3D. "Acreditamos que, à medida que o Brasil e o mundo se reergam após meses de crise, o Conahpserá o ambiente propício para discutir a retomada das atividades do setor de saúde no país, atuando como um fórum para dividirmos os aprendizados desses meses de intenso combate a uma das piores pandemias vividas no mundo, certos de que teremos de nos adaptara um novo normal", afirma Eduardo Amaro, presidente do Conselho de Administração da Anahp. O presidente da Comissão Científica do Conahp 2020 e diretor do Instituto de Qualidade e Segurança do Hospital Sírio-Libanês, José Mauro Vieira Jr., destaca que, mesmo com as mudanças necessárias para essa edição, a qualidade do conteúdo oferecido seguirá o mesmo caminho de anos anteriores. "Nosso intuito é entregar um evento coma mesma excelência que nos fez conquistar reconhecimento ao longo das sete edições que tivemos até agora, mas desta vez deforma gratuita e com um alcance ainda maior e mais democrático, uma vez que o assunto é essencial para o país, dentro e fora do setor hospitalar", afirma. Durante o evento, os participantes poderão acompanhar e interagir nas plenárias e nos debates sobre as perspectivas na saúde em três eixos principais: Pessoas, Sustentabilidade e Assistencial. Entre os temas de destaque estão “Um novo olhar para os sistemas de saúde no mundo: o que a covid-19 nos ensinou", na plenária de abertura; "Burnout inevitável: a exaustão dos profissionais de saúde no pós-covid-19", em PANORAMA ANAHP 17Pessoas; "As consequências socioeconômicas da pandemia de covid-19 : dimensões nacional e internacional dos danos", em Sustentabilidade; e "O papel decisivo das políticas públicas dessaúde adotadas no processo de enfrentamento da covid-19", na perspectiva Assistencial. Segundo Vieira, "os eixos selecionados para o Conahp 2020já são prementes e relevantes para o setor por si só. A crise que enfrentamos trouxe os temas de sustentabilidade, pessoas e modelos assistenciais mais ainda para o topo da agenda". E sobre as expectativas, afirma: “certamente chegaremos em novembro com maturidade para construir um Conahp digital exitoso, não apenas assegurando o melhor conteúdo científico, mas também um maior alcance e interação, o que enriquece e legitima mais ainda o debate. "O vice-presidente da Comissão Científica do Conahp 2020e diretor de Operações da RedeMater Dei de Saúde, José Henrique Dias Salvador, completa: "é papel do Conahp instrumentalizar os participantes com experienciasse ferramentas que se mostraram efetivas e levar a reflexão sobre como momentos como esse irão influenciar transformações em seus modelos de negócio edetrabalho. Teremos a oportunidade de beber diretamente da fonte das maiores referências mundiais e preparar as organizações para novos tempos. "Para Viera, o Conahp tem se mostrado um fórum que viabiliza o debate com todos os atores da cadeia, formadores de opinião e pensadores da saúde, além de permitir um aprendizado com exemplos dos principais sistemas de saúde. "É uma tradição do evento o compartilhamento de modelos de eficiência de gestão e o fomento do debate para a geração de valor em saúde. Nossa proposta atual é trazer os cases de países e sistemas de saúde que demonstraram capacidadeEVENTOSde resiliência e efetividade na resposta para protegera população e os provedores, bem como plasticidade para se moldar às novas demandas e pressões, e se preparar para a retomada. "Além de digital e gratuito, oConahp 2020 tem caráter social, ou seja, os participantes poderão doar uma quantia em dinheiro para instituição de saúde a ser definida pela Anahp. A inscrição não está condicionada à doação. Outra forma de disseminar as melhores práticas do setor da saúde no enfrentamento à covid-19, será por meio da tradicional Sessão Pôster do Conahp, em que serão apresentados os melhores trabalhos científicos inscritos. O regulamento e o cronograma podem ser acessados pelo site do congresso. Também serão exibidas ao público as principais e mais inovadoras soluções que: CONAP Congresso Nacional de Hospitais Privados2020VAMOS FAZER JUNTOS podem contribuir para a saúde, na terceira edição do projeto Startups Anahp. Outro destaque será área de exposição, onde empresas dos mais variados segmentos- como indústria farmacêutica, serviços, equipamentos, tecnologia, laboratórios, engenharia, entre outros - levarão seus serviços e produtos ao participante por um estande virtual. "É muito provável que saiamos dessa crise com uma nova visão do setor, com novos desafios e com novas soluções. Coma pandemia de covid-19 nossas desigualdades, fragilidades, defeitos, gargalos, insustentabilidade, ficaram mais aparentes e conspícuos. Portanto, é inevitável discutir as perspectivas da saúde sob a ótica do impacto que essa crise nos causou", declara o presidente da Comissão Científica do Conahp 2020. associação Nacional de HospitaisBfivadCe PANORAMA ANAHP

REVISTA PANORAMA ANAHP | OUTROS
Data Veiculação: 20/08/2020 às 03h00

A PAUTA DO MOMENTO ANAHP LANÇA WEBSÉRIE COM DEBATES DE TEMAS ESSENCIAIS PARA O SETOR DE SAÚDE DURANTE A PANDEMIA Com a pandemia do coronavírus, o direcionamento para evitar aglomerações e adotar o isolamento social, a tecnologia se tornou grande aliada de boa parte dos setores, em especial o de eventos. Pensando em continuar levando aos profissionais de saúde o conteúdo de qualidade que a Anahp propaga em seus seminários, workshops e encontros, a associação criou um modelo de webinar para debater temas pertinentes relacionados ao atual momento, o Anahp AO VIVO. Desde o primeiro evento, em junho, já foram cinco edições abordando os mais variados aspectos que foram impactos pela covid-19. Repletos de especialistas e importantes players do setor, os encontros são transmitidos ao vivo no canal da associação no youtube e já foram assistidos por mais de 5 mil pessoas. Entre as pautas discutidas nos encontros, estava: como transformar dados em informações relevantes para a tomada de decisão durante a pandemia; os desafios contemporâneos de comunicação e o poder da informação; inovação em saúde durante a pandemia e onde estão as oportunidades; como a covid-19 tem transformado a relação das instituições com os colaboradores da linha de frente; e a importância do compliance e da transparência em tempos de pandemia. Já passaram pelas edições debatedores que puderam compartilhar suas experiências e trocar informações e entre eles estavam representantes de hospitais de excelência, como Sírio-Libanês, Einstein, Oswaldo Cruz, HCor e Moinhos de Vento. Também participaram representantes de empresas e instituições do setor e de órgãos de governos municipais e federal.

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 20/08/2020 às 00h00

O grupo Coalizão Covid-19 Brasil, formado por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), inicia em agosto o estudo Coalizão IX, que avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias com antivirais para pacientes com Covid-19. A pesquisa será conduzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os medicamentos a serem testados já são aprovados para uso corrente em outras doenças virais, como AIDS e Hepatite C, e se mostraram muito eficazes em reduzir a carga viral do SARS-COv2 em estudos in vitro realizados pela Fiocruz. São eles: atazanavir (Grupo I), sofosbuvir associado ao daclatasvir (Grupo II) e somente daclatasvir (Grupo III). Estudos clínicos com esses medicamentos em pacientes com Covid-19 já foram iniciados no Irã, Egito, África do Sul e Argélia. A pesquisa, que é a nona a ser realizada pela aliança (a iniciativa conduz nove estudos voltados a diferentes intervenções em pacientes infectados pelo novo coronavírus), testará se os antivirais isolados e/ou em combinação serão eficazes para tratar casos de Covid-19 em pacientes hospitalizados com doença moderada, observando a potencial diminuição da carga viral na primeira fase do estudo, seguida de uma segunda fase em que se avaliará melhora clínica através da quantidade de dias livres de suporte respiratório. Serão recrutados, de forma aleatória (sorteio), participantes que estejam na primeira semana da doença, em 35 centros distribuídos nas regiões onde a pandemia está em ascensão. A estimativa dos pesquisadores é recrutar até 1012 pacientes em 90 dias, somando as duas fases do estudo. A iniciativa conta com a colaboração de pesquisadores da Fiocruz e com a doação das medicações pelas indústrias Farmanguinhos e Blanver/Microbiológica. Resultados do primeiro estudo no dia 23 de julho, a Coalizão Covid-19 Brasil divulgou o resultado do estudo Coalizão I, que avaliou se a hidroxicloroquina, associada ou não à azitromicina, poderia trazer benefícios a pacientes adultos hospitalizados com formas leves a moderadas de Covid-19. Publicada no periódico científico New England Journal of Medicine, a pesquisa indicou que as drogas não promoveram melhoria na evolução clínica dos pacientes. A avaliação do efeito do tratamento com hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, considerou como resultado principal o status clínicos dos 667 pacientes incluídos no estudo 15 dias após a inclusão. Os outros estudos da Coalizão Covid-19 Brasil finalizados ou em andamento Coalizão II – Avaliou casos de Covid-19 mais graves que necessitaram de maior suporte respiratório. Todos os pacientes receberam hidroxicloroquina, e de forma aleatória (sorteio), os pacientes foram alocados em dois grupos: um que recebia adicionalmente azitromicina, e outro que não recebia azitromicina (grupo controle). Todos os pacientes receberam tratamento padrão que incluía hidroxicloroquina. Em breve os resultados serão divulgados. Coalizão III – Avaliou a efetividade da dexametasona para casos de Covid-19 com síndrome respiratória aguda grave. A dexametasona é uma medicação com ação anti-inflamatória. Inclusão de pacientes encerrada com 299 casos em 40 centros. Resultados devem ser publicados brevemente. Coalizão IV – Está avaliando se a anticoagulação plena com rivaroxabana traz benefícios para pacientes com Covid-19 com risco aumentado para eventos tromboembólicos. Foram incluídos 53 de um total previsto de 600 pacientes em 40 centros. Coalizão V – Está avaliando se a hidroxicloroquina previne o agravamento da Covid-19 em pacientes que não precisam de internação hospitalar. Foram incluídos mais de 600 de um total previsto de 1300 pacientes em 68 centros. Coalizão VI – Avaliou se o tocilizumabe, um inibidor da interleucina 6, é capaz de melhorar a evolução clínica de pacientes hospitalizados com Covid-19 e fatores de risco para formas graves inflamatórias da doença. Inclusão de pacientes encerrada com 129 casos em 12 centros. Os pacientes estão sob acompanhamento clínico e os resultados deverão ser publicados em breve. Coalizão VII – Está avaliando o impacto a longo prazo, após alta hospitalar, incluindo qualidade de vida, de pacientes que tiveram Covid-19 e foram participantes dos demais estudos da Coalizão. Em andamento. Foram incluídos 529 pacientes. Coalizão VIII – Avaliará se anticoagulação com rivaroxabana previne agravamento da doença com necessidade de hospitalização em pacientes com formas leves da Covid-19. Previsão de início de inclusão em setembro de 2020 (1.000 pacientes).

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 22h04

O Supremo Tribunal Federal (STF) informou na noite de hoje que a cirurgia do ministro Celso de Mello foi bem-sucedida. Segundo comunicado, a alta está prevista para este sábado (22) e o magistrado "está se sentindo bem". Celso de Mello pediu licença de suas atividades na corte ontem para ser submetido a um "pequeno procedimento cirúrgico". No início de agosto, o gabinete do ministro já havia informado que ele realizava exames médicos e poderia passar por uma nova cirurgia. O decano, que se aposenta do STF em novembro quando completará 75 anos, fez uma cirurgia em janeiro no quadril no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista. Durante a pandemia do novo coronavírus, tem trabalhado de casa em São Paulo, participando de julgamentos virtualmente. Atualmente, Celso de Mello é relator do inquérito em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é investigado por ter, segundo acusação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, tentado interferir na Polícia Federal. *Com informações da Reuters

VEJA SAÚDE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 19h30

Após analisar resultados de exames laboratoriais de quase 179 mil pessoas testadas para Covid-19 no Brasil – 33,2 mil delas com diagnóstico confirmado – um grupo de pesquisadores identificou diferentes perfis clínicos da doença que são influenciados pelo sexo e pela idade do paciente, bem como pela gravidade do quadro. Os resultados do estudo, apoiado pela Fapesp, foram descritos em artigo disponível na plataforma medRxiv, ainda sem revisão de outros cientistas. Segundo os autores, os achados podem servir de referência para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus. “O vírus Sars-CoV-2 pode desencadear um amplo espectro de manifestações clínicas, variando de doença assintomática ou leve a doença grave e morte. Os parâmetros laboratoriais também variam de acordo com a idade e o sexo do paciente e, muitas vezes, os médicos têm dificuldade para interpretar os resultados dos exames e identificar uma alteração significativa. Esperamos que este trabalho possa ajudar nesse processo de avaliação”, diz à Agência Fapesp Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP). Por métodos de bioinformática, o grupo coordenado por Nakaya analisou mais de 200 parâmetros laboratoriais dos milhares de pacientes da amostra, entre eles contagem completa de células sanguíneas e dosagem de eletrólitos, metabólitos, gases no sangue arterial, enzimas hepáticas, hormônios e biomarcadores de inflamação. Tais exames fazem parte da rotina de investigação clínica de pacientes com suspeita de Covid-19 e outras doenças infecciosas. Continua após a publicidade Os dados usados na pesquisa foram obtidos no COVID-19 Data Sharing/BR, um repositório de acesso aberto criado pela Fapesp e pela USP para abrigar, inicialmente, informações de pacientes que fizeram teste para o coronavírus nos laboratórios do Grupo Fleury, em todo o país, ou nos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês, ambos na cidade de São Paulo. “Trata-se da maior coorte de pacientes com Covid-19 cujos dados laboratoriais foram sistematicamente analisados até o momento”, comenta Nakaya. De acordo com o pesquisador, o primeiro passo foi separar os diferentes grupos de pacientes a serem analisados considerando, principalmente, a idade, o sexo e o resultado do teste diagnóstico. Após o processamento das informações, uma série de análises foi feita para traçar o perfil laboratorial da Covid-19 nos diferentes grupos de pacientes. Tudo isso foi comparado com indivíduos submetidos aos mesmos exames, mas sem diagnóstico confirmado. Relacionadas Mais Lidas Podcast Os desafios da volta às aulas em meio à Covid-1920 ago 2020 - 07h08 MedicinaComo é o tratamento do novo coronavírus, dos cuidados em casa à UTI27 mar 2020 - 15h03 MedicinaIvermectina: o que sabemos sobre seu uso contra o coronavírus15 jul 2020 - 19h07 Veja.com.brO perfil com maior risco de morte por Covid-19 MedicinaMedicina1Remédios para o colesterol podem ajudar no tratamento da Covid-19 MedicinaMedicina2Ivermectina: o que sabemos sobre seu uso contra o coronavírus MedicinaMedicina3“Não conhecemos os efeitos do uso indiscriminado da ivermectina” MedicinaMedicina4A transmissão do coronavírus por pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas Problema complexo Inicialmente considerada uma infecção de vias respiratórias, a Covid-19 tem se revelado uma doença sistêmica, que pode estar associada a distúrbios gastrointestinais, hepáticos, cardiovasculares e neurológicos, podendo evoluir para síndrome do desconforto respiratório agudo, falência de múltiplos órgãos e morte. Continua após a publicidade “Tais manifestações extrapulmonares estão associadas a alterações nos níveis circulantes de diversos parâmetros bioquímicos, como bilirrubina, ureia, creatinina, mioglobina e fatores de coagulação. E ainda pouco se sabe sobre a influência do sexo e da idade do paciente no padrão desses parâmetros”, explica o médico Bruno Andrade, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Salvador, na Bahia, e coautor do artigo. Segundo Andrade, estudos observacionais – baseados na análise de internações e óbitos – indicam que indivíduos idosos e do sexo masculino são os que apresentam maior risco de evoluir para quadros graves. “Contudo, essa associação ainda carece de confirmação biológica e o mecanismo fisiopatológico não foi totalmente esclarecido”, diz. Nas análises descritas no artigo, a infecção pelo Sars-CoV-2 em indivíduos de 13 a 60 anos se mostrou associada a alteração em diversos parâmetros laboratoriais de maneira muito mais frequente em homens do que em mulheres. Em pessoas com mais de 60 anos, as alterações laboratoriais parecem ter afetado igualmente homens e mulheres. Indicadores usados para avaliar a presença de inflamação sistêmica, como a proteína C-reativa (PCR) e a ferritina, mostraram um padrão de alteração importante na presença de Covid-19, especialmente em homens idosos (acima dos 60 anos). Esses resultados sugerem que o alto índice de complicações e mortalidade documentado nessa subpopulação pode ter associação direta com a inflamação sistêmica desregulada. Continua após a publicidade Alteração em testes de função hepática (AST, ALT, gama-GT) foi comumente observada em vários grupos etários, exceto em mulheres jovens. Na avaliação dos autores, esses resultados indicam que a disfunção hepática é um fenômeno corriqueiro no contexto dessa infecção. “Essa observação é importante, pois o fígado é um órgão central e coordena a produção de uma série de proteínas e outras moléculas que regulam processos como inflamação e coagulação. Alterações hepáticas podem ser um fator determinante para o descontrole de inflamação sistêmica associada a desfechos clínicos mais desfavoráveis”, explica Andrade. Por fim, nos pacientes internados em UTI, o grupo notou alterações importantes em exames que avaliam o sistema de coagulação sanguínea (como d-dímero), contagem mais elevada de neutrófilos e maiores concentrações de marcadores de inflamação sistêmica (como a proteína C-reativa) e de dano celular e tecidual (como o lactato desidrogenase). “Esses resultados sugerem uma clara associação entre a gravidade da doença e a ativação descontrolada de processos inflamatórios que possivelmente desencadeiam coagulação. O gatilho inflamatório da atividade de coagulação é uma hipótese relevante, pois implica que o controle terapêutico pode ser otimizado por meio de terapia anti-inflamatória. Porém, ainda são necessários estudos futuros desenhados para testar diretamente essa ideia”, afirma o médico. Continua após a publicidade este conteúdo é da Agência Fapesp. Relacionadas Mais Lidas Medicina Remédios anticoagulantes e coronavírus: o que você precisa saber30 abr 2020 - 20h04 Bem-Estar Os super idosos que venceram o coronavírus4 ago 2020 - 10h08 Medicina Por que o coronavírus é mais perigoso nos homens do que nas mulheres27 Maio 2020 - 15h05 MedicinaMedicina1Remédios para o colesterol podem ajudar no tratamento da Covid-19 MedicinaMedicina2Ivermectina: o que sabemos sobre seu uso contra o coronavírus MedicinaMedicina3“Não conhecemos os efeitos do uso indiscriminado da ivermectina” MedicinaMedicina4A transmissão do coronavírus por pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 17h13

O médico Elsimar Coutinho, morto em 17 de agosto, aos 90 anos, vítima da Covid-19, costumava contar uma história dos tempos de estudante da Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia. Nos anos 1950, o argentino Bernardo Houssay —vencedor do prêmio Nobel de Medicina— visitou a faculdade e ficou impressionado com a vista da janela para a Baía de Todos dos Santos. “Se eu tivesse nascido aqui, jamais teria recebido o prêmio Nobel”, disse Houssay, explicando que morar numa cidade fria e feia era melhor para dedicar-se aos estudos. O jovem Elsimar questionou o argentino sobre o que deveria fazer quem não pudesse sair dali. “Tem que fechar as janelas”, sugeriu Houssay, dizendo que dessa forma as portas da carreira se abririam. No Brasil e no exterior, Elsimar Coutinho fechou sempre as janelas para trabalhar. Fez pós-graduação na Sorbonne, na França, graças a uma bolsa que recebeu com a ajuda de Anísio Teixeira, então diretor da Capes e estudou no Instituto Rockfeller, em Nova York. Em 1967, Elsimar Coutinho ganhou destaque quando desenvolveu o primeiro contraceptivo injetável de longa duração. Referência em planejamento familiar e na área hormonal, teve trabalhos publicados em importantes revistas científicas. No Brasil, ganhou notoriedade com aparições em diversos programas de entrevistas na televisão, quase sempre falando sobre a supressão da menstruação, tema que abordou no livro “Menstruação, a sangria inútil”. “Minha maior contribuição à humanidade foi ter me dado conta de que a menstruação era desnecessária, era um fenômeno descartável”, declarou em seu site oficial. Ao todo, publicou mais de dez livros, o último deles lançado no ano passado, a autobiografia “Janelas fechadas, portas abertas”. Em 1984, Elsimar Coutinho fundou o CEPARH (Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana). Em 1993, fundou a Elmeco, empresa especializada em implantes hormonais. Atendia pacientes em seus consultórios em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Também era membro de mais de 20 entidades de pesquisas médicas no Brasil e no exterior, além de conselheiro da Organização Mundial de Saúde. Em 20 de julho, Elsimar Coutinho foi internado no Hospital Aliança, em Salvador, diagnosticado com a Covid-19. Nove dias depois, foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde foi acompanhado pelo médico Roberto Kalil. Pelas redes sociais, o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o governador da Bahia, Rui Costa, lamentaram o falecimento do médico. “A Bahia e o Brasil perdem um patrimônio, uma inteligência rara, com essa triste partida do professor Elsimar Coutinho, cuja contribuição para a medicina e para a ciência é reconhecida em todo o planeta”, postou o prefeito. “Elsimar Coutinho foi antes de tudo um homem inquieto, dedicado ao seu trabalho como médico e pesquisador, levando o nome da Bahia para todo o mundo”, concluiu o governador, que decretou luto oficial de um dia pela morte do médico. Elsimar Coutinho dizia que seu lema era uma frase que estava escrita em latim na entrada da velha Faculdade de Medicina: “Em primeiro lugar, não faça o mal”. Ele deixa a esposa Tereza, cinco filhos, dez netos e quatro bisnetos.

GALILEU ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 11h44

Após analisar resultados de exames laboratoriais de quase 179 mil pessoas testadas para Covid-19 no Brasil – 33,2 mil delas com diagnóstico confirmado – um grupo de pesquisadores identificou diferentes perfis clínicos da doença que são influenciados pelo sexo e pela idade do paciente, bem como pela gravidade do quadro. Os resultados do estudo, apoiado pela Fapesp, foram descritos em artigo disponível na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares. Segundo os autores, os achados podem servir de referência para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia. “O vírus Sars-CoV-2 pode desencadear um amplo espectro de manifestações clínicas, variando de doença assintomática ou leve a doença grave e morte. Os parâmetros laboratoriais também variam muito de acordo com a idade e o sexo do paciente e, muitas vezes, os médicos têm dificuldade para interpretar os resultados dos exames e identificar uma alteração significativa. Esperamos que este trabalho possa ajudar nesse processo de avaliação”, diz à Agência Fapesp Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP). Por métodos de bioinformática, o grupo coordenado por Nakaya analisou mais de 200 parâmetros laboratoriais dos milhares de pacientes da amostra, entre eles contagem completa de células sanguíneas e dosagem de eletrólitos, metabólitos, gases no sangue arterial, enzimas hepáticas, hormônios e biomarcadores de inflamação. Tais exames fazem parte da rotina de investigação clínica de pacientes com suspeita de Covid-19 e outras doenças infecciosas. Os dados usados na pesquisa foram obtidos no Covid-19 Data Sharing/BR, um repositório de acesso aberto criado pela Fapesp e pela USP para abrigar, inicialmente, informações de pacientes que fizeram teste para Covid-19 nos laboratórios do Grupo Fleury, em todo o país, ou nos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês, ambos na cidade de São Paulo (leia mais em agencia.fapesp.br/33526/ e em agencia.fapesp.br/33427/). “Trata-se da maior coorte de pacientes com Covid-19 cujos dados laboratoriais foram sistematicamente analisados até o momento. Trabalhos anteriores já haviam investigado a relação da doença com muitos desses parâmetros – principalmente as citocinas [moléculas que desencadeiam o processo inflamatório] e a proteína C-reativa [principal biomarcador de inflamação sistêmica]. Mas, até então, havia apenas artigos que relatavam o estudo de alguns poucos parâmetros em muitos indivíduos ou de muitos parâmetros em poucos indivíduos”, comenta Nakaya. De acordo com o pesquisador, o primeiro passo foi separar os diferentes grupos de pacientes a serem analisados considerando, principalmente, a idade, o sexo e o resultado do teste diagnóstico. Em seguida, foi necessário filtrar as informações em comum nos diversos centros médicos que alimentam o repositório – eliminando redundâncias e harmonizando dados discrepantes (nomenclaturas diferentes para um mesmo exame, por exemplo). Após o processamento das informações em um só banco de dados harmonizados, uma série de análises foi feita para traçar o perfil laboratorial da Covid-19 nos diferentes grupos de pacientes e compará-lo com os controles (indivíduos submetidos aos mesmos exames, mas sem diagnóstico confirmado). Para a maioria dos indivíduos da amostra, as informações sobre o desfecho do caso não estavam disponíveis, ou seja, não era possível saber se o paciente precisou ser internado, se morreu ou se teve somente sintomas leves e se recuperou. Porém, parte dos dados fornecidos pelo Hospital Sírio-Libanês foi identificada como sendo de pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Isso tornou possível investigar o perfil laboratorial dos doentes que necessitaram de cuidados intensivos, como ventilação mecânica, e compará-lo com o de pacientes não internados. Problema complexo inicialmente considerada uma infecção de vias respiratórias, a Covid-19 tem se revelado uma doença sistêmica, que pode estar associada a distúrbios gastrointestinais, hepáticos, cardiovasculares e neurológicos, podendo evoluir para síndrome do desconforto respiratório agudo, falência de múltiplos órgãos e morte. “Tais manifestações extrapulmonares estão associadas a alterações nos níveis circulantes de diversos parâmetros bioquímicos, como bilirrubina, ureia, creatinina, mioglobina e fatores de coagulação. E ainda pouco se sabe sobre a influência do sexo e da idade do paciente no padrão desses parâmetros”, explica o médico Bruno Andrade, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Salvador, na Bahia, e coautor do artigo. Segundo Andrade, estudos observacionais – baseados na análise de internações e óbitos – indicam que indivíduos idosos e do sexo masculino são os que apresentam maior risco de evoluir para quadros graves. “Contudo, essa associação ainda carece de confirmação biológica e o mecanismo fisiopatológico ainda não foi totalmente esclarecido", diz. Nas análises descritas no artigo, a infecção pelo Sars-CoV-2 em indivíduos de 13 a 60 anos se mostrou associada a alteração em diversos parâmetros laboratoriais de maneira muito mais frequente em homens do que em mulheres. Em pessoas com mais de 60 anos, as alterações laboratoriais parecem ter afetado igualmente homens e mulheres. Indicadores usados pelos médicos para avaliar a presença de inflamação sistêmica, como a proteína C-reativa (PCR) e a ferritina, mostraram um padrão de alteração importante na presença de Covid-19, especialmente em homens idosos (acima dos 60 anos). Esses resultados sugerem que o alto índice de complicações e mortalidade documentado nessa subpopulação de pacientes em outros estudos pode ter associação direta com a inflamação sistêmica desregulada. Alteração em testes de função hepática (AST, ALT, gama-GT) foi comumente observada em vários grupos etários, exceto em mulheres jovens. Na avaliação dos autores, esses resultados indicam que disfunção hepática é um fenômeno corriqueiro no contexto da Covid-19. “Essa observação é importante, pois o fígado é um órgão central e coordena a produção de uma série de proteínas e outras moléculas que regulam processos como inflamação e coagulação. Alterações hepáticas podem ser um fator determinante para o descontrole de inflamação sistêmica associada a desfechos clínicos mais desfavoráveis”, explica Andrade. Ao avaliar a contagem dos diversos tipos de leucócitos no sangue, os pesquisadores observaram que concentrações baixas de basófilos e de eosinófilos (células importantes para a imunidade antiviral) foram mais frequentes em idosos com Covid-19, independentemente do sexo. Os homens com diagnóstico confirmado da doença apresentaram as maiores concentrações de neutrófilos – que tendiam a aumentar ainda mais com a idade. De acordo com Andrade, valores altos na contagem de neutrófilos são um indicativo de inflamação sistêmica aguda. Por fim, nos pacientes internados em UTI, o grupo notou alterações importantes em exames que avaliam o sistema de coagulação sanguínea (como d-dímero), contagem mais elevada de neutrófilos e maiores concentrações de marcadores de inflamação sistêmica (como a proteína C-reativa) e de dano celular e tecidual (como o lactato desidrogenase). “Esses resultados sugerem uma clara associação entre a gravidade da doença e a ativação descontrolada de processos inflamatórios que possivelmente desencadeiam coagulação. O gatilho inflamatório da atividade de coagulação é uma hipótese relevante, pois implica que o controle terapêutico pode ser otimizado por meio de terapia anti-inflamatória. Porém, ainda são necessários estudos futuros desenhados para testar diretamente essa ideia”, afirma o médico. Ciência aberta A pesquisa coordenada por Nakaya contou com a participação de pesquisadores da USP, da Fiocruz e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e recebeu financiamento da Fapesp por meio de diversos projetos (2018/14933-2, 2018/21934-5, 2017/27131-9, 2013/08216-2, 2019/27139-5 e 2019/13880-5). “Trata-se do primeiro artigo que analisa dados do Covid-19 Data Sharing/BR. Submetemos para publicação cerca de um mês após o repositório entrar em funcionamento, mostrando ser possível usar rapidamente um grande volume de dados compartilhados por vários centros”, afirma Nakaya. O banco público disponibiliza três categorias de informação: dados demográficos (gênero, ano de nascimento e região de residência), resultados de exames clínicos e/ou laboratoriais e, quando disponíveis, informações sobre a movimentação do paciente (internação, por exemplo) e desfecho do caso (recuperação ou óbito). De acordo com Fátima Nunes, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) e diretora do Centro de Tecnologia de Informação de São Paulo, quase 5 mil visitas e mais de 2 mil downloads já foram registrados nos três conjuntos de dados do repositório desde o lançamento, em 1o de julho. Em uma segunda etapa, o Covid-19 Data Sharing/BR abrigará também dados de imagens, como radiografias e tomografias. “É um repositório poderoso, de grande valia para pesquisas sobre a doença. Desconheço iniciativa similar no Brasil”, comenta Andrade. O artigo In-depth Analysis of Laboratory Parameters Reveals the Interplay Between Sex, Age and Systemic Inflammation in Individuals with Covid-19 pode ser lido em www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.08.07.20170043v2#disqus_thread.

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 10h03

Colégios particulares de São Paulo que estão se organizando para o retorno às aulas presenciais — ainda sem data definida na capital — contrataram a consultoria de importantes hospitais e laboratórios para elaborar protocolos personalizados. O serviço inclui adaptação das salas de aula, testagem para funcionários e colaboradores, telemedicina e serviços médicos. Além de seguir as recomendações de entidades de saúde, casos de sucesso de outros países também servirão de inspiração. Os Hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, por exemplo, já têm essa consultoria há quase dez anos, mas direcionada a redes de saúde. “A demanda foi grande, cerca de 50 escolas entraram em contato. Agora, devemos estar com 20 a 30”, diz Anarita Buffe, da área de Projetos e Consultoria do Einstein. O preço dessa consultoria é determinado por vários fatores – área da escola, professores, alunos, espaços internos e prazo. O valor inclui todo o trabalho prestado pela equipe médica posta a serviço. No Albert Einstein, por exemplo, os preços variam entre R$ 80 mil e R$ 250 mil. Na maioria dos casos, fica em torno de R$ 150 mil, diz a consultora Anarita. Embora os colégios tenham estruturas muito parecidas, a forma como os estudantes circulam pelos espaços e acessam os ambientes são peculiares. Esse é o desafio de todas as consultorias: adaptar as recomendações dos órgãos de saúde à realidade de cada escola. E a preparação não se limita a medir o distanciamento social ou fornecer álcool em gel. “Quando a gente começou a se aprofundar na preparação do colégio, viu que era complexo e era melhor ter um parceiro forte, então entrou o Einstein. Eles têm alguns escopos e um deles é avaliar toda a infraestrutura, o fluxo das pessoas, os protocolos a serem desenhados, o acesso à sala de aula e ao restaurante”, relata Caio Thomas, diretor-geral do Colégio Visconde de Porto Seguro, na zona sul da capital. Preparados Thomas avisa que o colégio já está pronto para receber os estudantes assim que for definida a data do retorno. A escola investiu em “pistolas” de medição de temperatura e câmeras térmicas para as entradas de maior fluxo. Os bebedouros são ativados por um sensor de aproximação e há mais de 900 pontos de álcool em gel na área. Salas de aula também estão equipadas com câmeras, microfones e tripés para transmitir aulas ao vivo aos estudantes que estiverem em casa. Na Escola Morumbi de Alphaville, zona oeste da região metropolitana, o mantenedor Diamantino dos Santos Jr. afirma que as alterações serão mínimas. “Nossa escola tem capacidade para mais de 1,8 mil alunos e de manhã recebe aproximadamente 700 – não chega a 35% da capacidade. Mas vamos atender a todas as exigências”, diz. A instituição, em fase de compra de equipamentos de temperatura e de sinalizar os espaços, é a mais recente cliente de consultoria do Grupo Fleury. A principal demanda das escolas é ter o ambiente mais seguro possível para que estudantes, professores, funcionários e colaboradores tenham o menor risco de contágio. De acordo com as necessidades de cada uma, os serviços contratados podem variar. Jeane Tsutsui, diretora de Negócios do Grupo Fleury, diz que “o cuidado integrado envolve avaliação de todos os espaços físicos, orientação sobre o protocolo de segurança, consultoria médica, serviço de telemedicina, suporte a colaboradores e parte de laboratório para exames”. Por enquanto, o Fleury atua com duas escolas. Os protocolos têm como base planos de retomada dos governos e recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Personalização A palavra-chave das consultoria é personalização. Com projetos em 24 escolas, o Sírio-Libanês acrescenta às avaliações de espaço, pessoal, oferta de testes e médicos itens como visitas técnicas, avaliação de fluxos e reestruturação das salas de aula segundo informa sua gerente do Controle de Infecção Hospitalar, Maura Salaroli de Oliveira. Outra aposta das consultorias é na comunicação. As empresas realizam transmissões ao vivo com especialistas e seminários online para professores e colaboradores. No Colégio Bandeirantes, primeiro a fechar com o Sírio Libanês, a ideia é que o serviço continue sendo prestado após o retorno das aulas. O mesmo será visto no Porto Seguro, que prevê ficar com o suporte do Einstein até dezembro.

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 08h27

Colégios particulares de São Paulo que estão se organizando para o retorno às aulas presenciais — ainda sem data definida na capital — contrataram a consultoria de importantes hospitais e laboratórios para elaborar protocolos personalizados. O serviço inclui adaptação das salas de aula, testagem para funcionários e colaboradores, telemedicina e serviços médicos. Além de seguir as recomendações de entidades de saúde, casos de sucesso de outros países também servirão de inspiração. Leia mais: Governo de SP planeja testar alunos e professores antes da volta às aulas Os Hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, por exemplo, já têm essa consultoria há quase dez anos, mas direcionada a redes de saúde. "A demanda foi grande, cerca de 50 escolas entraram em contato. Agora, devemos estar com 20 a 30", diz Anarita Buffe, da área de Projetos e Consultoria do Einstein. O preço dessa consultoria é determinado por vários fatores — área da escola, professores, alunos, espaços internos e prazo. O valor inclui todo o trabalho prestado pela equipe médica posta a serviço. No Albert Einstein, por exemplo, os preços variam entre R$ 80 mil e R$ 250 mil. Na maioria dos casos, fica em torno de R$ 150 mil, diz a consultora Anarita. Embora os colégios tenham estruturas muito parecidas, a forma como os estudantes circulam pelos espaços e acessam os ambientes são peculiares. Esse é o desafio de todas as consultorias: adaptar as recomendações dos órgãos de saúde à realidade de cada escola. E a preparação não se limita a medir o distanciamento social ou fornecer álcool em gel. "Quando a gente começou a se aprofundar na preparação do colégio, viu que era complexo e era melhor ter um parceiro forte, então entrou o Einstein. Eles têm alguns escopos e um deles é avaliar toda a infraestrutura, o fluxo das pessoas, os protocolos a serem desenhados, o acesso à sala de aula e ao restaurante", relata Caio Thomas, diretor-geral do Colégio Visconde de Porto Seguro, na zona sul da capital. Preparados Thomas avisa que o colégio já está pronto para receber os estudantes assim que for definida a data do retorno. A escola investiu em "pistolas" de medição de temperatura e câmeras térmicas para as entradas de maior fluxo. Os bebedouros são ativados por um sensor de aproximação e há mais de 900 pontos de álcool em gel na área. Salas de aula também estão equipadas com câmeras, microfones e tripés para transmitir aulas ao vivo aos estudantes que estiverem em casa. Na Escola Morumbi de Alphaville, zona oeste da região metropolitana, o mantenedor Diamantino dos Santos Jr. afirma que as alterações serão mínimas. "Nossa escola tem capacidade para mais de 1,8 mil alunos e de manhã recebe aproximadamente 700 — não chega a 35% da capacidade. Mas vamos atender a todas as exigências", diz. A instituição, em fase de compra de equipamentos de temperatura e de sinalizar os espaços, é a mais recente cliente de consultoria do Grupo Fleury. A principal demanda das escolas é ter o ambiente mais seguro possível para que estudantes, professores, funcionários e colaboradores tenham o menor risco de contágio. De acordo com as necessidades de cada uma, os serviços contratados podem variar. Jeane Tsutsui, diretora de Negócios do Grupo Fleury, diz que "o cuidado integrado envolve avaliação de todos os espaços físicos, orientação sobre o protocolo de segurança, consultoria médica, serviço de telemedicina, suporte a colaboradores e parte de laboratório para exames". Por enquanto, o Fleury atua com duas escolas. Os protocolos têm como base planos de retomada dos governos e recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Personalização A palavra-chave das consultoria é personalização. Com projetos em 24 escolas, o Sírio-Libanês acrescenta às avaliações de espaço, pessoal, oferta de testes e médicos itens como visitas técnicas, avaliação de fluxos e reestruturação das salas de aula segundo informa sua gerente do Controle de Infecção Hospitalar, Maura Salaroli de Oliveira. Outra aposta das consultorias é na comunicação. As empresas realizam transmissões ao vivo com especialistas e seminários online para professores e colaboradores. No Colégio Bandeirantes, primeiro a fechar com o Sírio Libanês, a ideia é que o serviço continue sendo prestado após o retorno das aulas. O mesmo será visto no Porto Seguro, que prevê ficar com o suporte do Einstein até dezembro. Copyright © Estadão. Todos os direitos reservados.

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 20/08/2020 às 04h50

Entre os moradores do Distrito Federal, uma a cada quatro vítimas que perderam a vida em decorrência do novo coronavírus tem menos de 60 anos. Boletim da Secretaria de Saúde dessa quarta-feira (19/8) mostra que 27% dos óbitos ocorreram entre a parcela mais jovem da população, o que representa 532 mortes. O cálculo leva em conta as 1.969 mortes de pessoas que moram na capital. O total de pessoas que morreu em função da Covid-19 em unidades hospitalares do DF, contudo, é de 2.158, pois há fatalidades são de pessoas vindas de outros estados (veja tabela abaixo). Apesar de a maior parte das mortes entre moradores da capital ser de pessoas abaixo dos 60, a taxa de letalidade é mais alta entre a população idosa. Enquanto contaminados com 20, 30 ou 40 anos morrem em menos de 1% dos casos, o percentual de vítimas entre idosos passa dos 5%. Já para a população com mais de 80 anos, o índice é de 25%. De acordo com Lucas Vargas, coordenador da clínica médica de hospitais da Rede Santa Lúcia, o número pode ser considerado expressivo e serve de alerta. “A Covid-19 não é uma doença só respiratória, a gente não sabe como ela reage dentro do organismo. Uma carga viral mais alta ou alguma comorbidade pode aumentar as chances de um resultado negativo”, conta. Para ele, a retomada das atividades econômicas expõe muito mais as pessoas entre 20 e 59 anos, o que pode fazer com que essa proporção possa aumentar. “Quanto maior o número de infectados, maior a possibilidade de morte”, diz. Teletrabalho Por esse motivo, o médico recomenda que o teletrabalho continue sendo utilizado quando possível. “Aglomerar pessoas neste momento é complicado. As empresas precisam se reinventar. Com esse calor, é necessário um ambiente arejado, evitando ar condicionado”, pontua. Já o infectologista Alexandre Cunha, do Hospital Sírio-Libanês, diz que a porcentagem de 27% de mortos ser de pessoas abaixo dos 60 anos precisa ser analisada levando em conta uma série de fatores. “Parece que muitas pessoas jovens estão morrendo. Seria necessário saber quantas pessoas realmente estão com a doença no DF para podermos calcular a letalidade entre cada faixa etária”, explica. Isso não significa, no entanto, que pessoas mais jovens não precisam se preocupar com a doença. “Não tem como garantir que qualquer infectado vai evoluir bem, pois não existe tratamento preventivo. Levando para o caso de saúde pública, é um leito que será ocupado por alguém que poderia ter evitado a doença e um idoso que fica sem assistência”, afirma.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 20/08/2020 às 03h00

Turismo B14 Em retomada no sul da Bahia, hóspede é recebido com álcool em gele termômetro Hóspede é recebido com água de coco e termômetro em resort no sul da Bahia Na retomada das atividades, hotel acaba com self-service e oferece álcool em gel até na piscina Marília Miragaia una (ba) De certa forma, viajar depois do coronavírus contínua a mesma coisa de antes: você ainda pode enfiar os pés na areia para sentir que chegou à praia. Mas, agora, vai encontrar álcool em gel no bar da piscina, o telefone do quarto do hotel vai estar ensacado e você terá de usar máscara mesmo com roupa de banho. Aos poucos, hotéis fechados por meses começam a reabrir no país, e turistas passaram a pensar nas próximas férias. Segundo pesquisa da agência Decolar, cerca de 57% de mil clientes consultados pretendem fazer uma viagem nacional entre outubro e novembro deste ano —o Nordeste é o destino escolhido por 42%. Com isso, muitas redes hoteleiras recorreram a certificações de protocolos de segurança —o hospital Sírio Libanês, por exemplo, deu consultoria para o grupo GJP. No sul da Bahia, o resort Transamerica Comandatuba (diária a partir de R$ 1.269 para duas pessoas, mínimo de três noites) reabriu em 25 de julho após auditoria do Bureau Veritas, órgão certificador. O visitante que chega à ilha de Comandatuba é saudado com água de coco e verificação de temperatura. Depois, passa rapidamente pelo hall, onde recebe um envelope com pulseira, cartão de acesso e ficha para preencher no quarto e, depois, depositar em uma urna. Antes de prosseguir, o hóspede deixa seu número de celular como concierge, que envia a programação, cardápios e tira dúvidas por WhatsApp. Depois da reabertura, os apartamentos estão mais vazios: saíram objetos que dificultam a higienização (almofadas, vasos). A limpeza ficou 40% mais longa e é feita com um produto recomendado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Após a esterilização, telefone, controle remoto, toalhas e kit de amenities (agora com álcool em gel) são revestidos por sacos plásticos. "A pandemia trouxe alguns cuidados, mas isso está gerando um problema com mais plástico. O hotel é muito sustentável, mas não tem o que fazer agora”, diz Charles Giudici, 61, diretor de operações. A cobertura plástica atua como uma proteção extra contra o vírus, segundo a médica Tânia Chaves, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará. As medidas soam burocráticas, mas ajudam a passar Divulgação uma sensação de segurança. Depois do coronavírus, o hóspede terá um comportamento mais observador, e os protocolos devem ser fator decisivo na hora de escolher um destino, diz Mareia Harumi Miyazaki, coordenadora de desenvolvimento da área de hotelaria do Senac São Paulo. Um vídeo que mostra as adaptações que o Transamerica Comandatuba fez para reabrir ajudou a convencer a dentista Viviane Morini, 47, e seu marido, Juliano, 42, desenvolvedor de sistemas, a fazer a viagem com o filho. Para Viviane, o protocolo adotado é equilibrado: ajuda a transmitir segurança, mas não sufoca o viajante. “A gente até se esquece um pouco do coronavírus”, diz. O uso de máscara é recomendado em todo o resort, mas é permitido retirá-la à beira da piscina ou ao sentar-se para fazer a refeição. No salão dos restaurantes, mal entra um hóspede e um funcionário já se aproxima para fazer a higienização da mesa à vista do cliente. Garçom no local há 25 anos, Lenaldo Santos, 47, explica que a superfície já estava limpa. “Mas a pessoa ver o procedimento é uma coisa que dá uma segurança a mais”, diz. Lenaldo troca de máscara ao menos três vezes por turno e substitui as luvas cerca de dez vezes a cada refeição. Uma barreira de acrílico é, agora, parte dos bufês de ca- □ Baianas recebem visitantes no resort Transamerica Comandatuba, na Bahia Área de lazer em fim de semana com baixa ocupação de hóspedes O Frutas envoltas em filme plástico □ Telefone embalado após esterilização Fotos Marília Miragaia/ Folhapress fé da manhã e de entradas nas outras refeições. O cliente observa por meio da proteção, faz um gesto indicando o que quer e recebe a comida de um funcionário. No almoço e jantar, pratos principais e bebidas são servidos à mesa —os copos vêm protegidos por filme plástico, assim como frutas e legumes, dispo níveis para levar. Outra mudança, mais sutil, aconteceu na área de lazer: o hotel substituiu o axé e o sertanejo que saía da caixa de som por MPB. “A noite aqui tinha festa, hoje temos uma apresentação com violão. A gente quer que a pessoa tire um tempo da quarentena com serenidade”, diz o diretor de operações. A programação com atividades físicas foi reduzida e, na região da piscina, antes mais agitada, agora o que se vê são famílias relativamente isoladas. Os quiosques com espreguiçadeiras estão separados por cerca de três metros. O movimento inicial, com baixo número de hóspedes, ajuda a manter a distância de outros visitantes. Segundo o hotel, a equipe é instruída a relembrar o visitante do uso de máscaras se houver falha no cumprimento das regras. Mesmo em datas de maior procura, como o Ano-Novo, o notei não deve superar uma ocupação de 50%. No fim de semana do dia 15 de agosto, por exemplo, havia 125 hóspedes, cerca de 12% da capacidade. Com essa taxa, o hotel tem prejuízo, mas a ideia é que a reabertura ajude a reaquecer o mercado. Mesmo preocupada com a opinião de amigos e familiares, Fabíola Marineli Maceo, 40, dona de uma agência de publicidade em Campos do Jordão (SP), decidiu viajar com o marido e sócio, Marcelo Maceo, 42. “Para a gente, a principal questão foi a perda da liberdade durante o isolamento, uma sensação que se acumulou”, diz Marcelo. A necessidade de adaptação à Covid-19 gerou um processo de estresse e sentimentos intensos, como angústia e medo, explica a psicóloga Denise Fará Diniz Romaldini, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A decisão de viajar, diz ela, pode representar para algumas pessoas um resgate da autonomia e da liberdade de escolha perdidos com as restrições para combater o vírus. Essa sensação, para quem viveu em confinamento nos últimos meses, é experimentada em caminhadas pela areia da praia, mergulhos no mare refeições em família. A percepção, porém, convive com lembretes de que a pandemia não acabou —encontrar o pote de álcool em gel no bar da piscina após um mergulho, por exemplo. Se a estratégia para desestressar é viajar, ela não deve se tornar outra fonte de aborrecimento, diz Romaldini. “É preciso estar atento para gerenciar essa escolha.” A jornalista viajou a convite do Transamerica Comandatuba