Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

AE BROADCAST/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 08h00

Belo Horizonte, Nos últimos anos, muito se discutiu sobre a importância de promover ações coordenadas para incentivar o transporte coletivo e compartilhado. A pandemia do coronavírus, porém, exigiu mudanças na forma de locomoção. Receosos com a contaminação pela Covid-19, 40% dos brasileiros passaram a preferir meios alternativos para evitar o transporte público, como a bicicleta e o carro próprio e corridas por aplicativo, segundo pesquisa do C6 Bank. A criação do “novo normal” exigiu ainda investimentos e a adoção de medidas de segurança para proteger a população, como a obrigatoriedade do uso de máscara, álcool em gel, maior higienização dos veículos, distanciamento, entre outras. No transporte por aplicativo, por exemplo, os passageiros agora seguem viagem apenas no banco de trás, entre outras ações implementadas em protocolos criados por especialistas no assunto. Além dos meios alternativos, muitos apostaram também no “isolamento veicular”. Prova disso é a venda de carros usados, que segue em plena expansão, com crescimento de 5% na comparação com setembro, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). A alta, aliás, vem sendo registrada mês após mês durante essa fase. Se por um lado muitos preferem comprar um veículo para tentar se proteger, por outro, essa atitude gera dúvidas. É o que comprova pesquisa do DataFolha. De acordo com o levantamento, 62% dos entrevistados em seis grandes capitais brasileiras se mostraram preocupados com os congestionamentos durante a pandemia. Além disso, 47% afirmaram que estão insatisfeitos. Necessidade de locomoção A necessidade de sair de casa para chegar até o serviço mesmo durante a pandemia mudou também o perfil dos passageiros. Na periferia, a procura aumentou. Levantamento divulgado pela 99 apontou um crescimento de 25% entre os mais pobres. Por sua vez, a redução foi de 25% na fatia dos mais ricos. Entre os entrevistados, 19% não cumpriram a quarentena exatamente porque precisaram trabalhar. Belo Horizonte, por exemplo, apresenta um cenário semelhante ao restante do País. A rotina no transporte público da cidade mudou. Números da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) comprovam isso. Antes da pandemia, o sistema transportava cerca de 1.250 milhão de usuários em 24.500 viagens a cada dia útil. Em abril, a quantidade de usuários caiu para 375.704, redução de 30%. Por sua vez, a média de viagens passou para 12.215, baixa de 51%. Mesmo com a redução da procura, os ônibus e terminais tiveram aglomerações em um primeiro momento. Especialista em Segurança no Trânsito, Roberta Torres, acredita que essa situação causou preocupação e, consequentemente, a busca por outras opções. “Isso acabou criando um incômodo grande”. Dessa forma, a solução foi seguir para caminhadas, bicicletas e o transporte por app. Roberta lembra que as empresas de transporte por aplicativo adotaram protocolos de segurança rígidos, buscando ferramentas para proteger tanto para os usuários quanto para os motoristas. “A possibilidade de viajar sozinho traz uma sensação de segurança aos passageiros, que ficam no banco de trás”. Empresária em Belo Horizonte, Jéssica Sabrina de Carvalho, 21 anos, foi uma das pessoas que intensificou a utilização do transporte por aplicativo. Acostumada também a se deslocar de ônibus e motocicleta, optou por fazer mais viagens com o app por causa das medidas protetivas adotadas. “Certamente traz mais segurança”. Ela também adotou esse hábito para os colaboradores, que precisam sair da empresa para a realização do trabalho. “Não foi possível parar durante a pandemia”. Investimentos as características do serviço e as ações de segurança adotadas pelas empresas refletiram no comportamento do passageiro. Em pesquisa, o uso de carros por aplicativo foi apontado como o mais desejado pelos entrevistados (52%), tornando-se o meio de locomoção com maior aumento nessa fase. Do total, 95% alegaram que começaram a fazer o uso recorrente do app. Mais da metade (55%) aumentou a utilização do serviço durante a pandemia. O preço, porém, segue como fator decisivo para o deslocamento diário. Já para trajetos dentro do próprio bairro, a maioria segue a pé (65%), com carro por app (46%) e com ônibus (19%). As quantias investidas pelas empresas para promover as medidas de segurança necessárias foram expressivas. A 99, por exemplo, desprendeu até agora R$ 32 milhões nas iniciativas de combate à Covid-19. “Buscamos criar novas ações e aumentar a efetividade das já existentes”, afirma Thiago Hipólito, diretor de Segurança da empresa. Entre as soluções, uma parceria com a Consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. A iniciativa permitiu o desenvolvimento de uma série de medidas, como a criação do mapa de risco contra o contágio em veículos e o manual de boas práticas com dicas para diminuir a chance de contaminação no app. “Ao colocar essas medidas em prática e comunicar de forma efetiva aos usuários, as chances de replicar esse comportamento para outros ambientes é muito grande e ajudará a multiplicar ainda mais esse efeito”, destaca Rafael Saad, gerente da consultoria do Sírio-Libanês. A empresa desenvolveu ainda tecnologias como o reconhecimento facial para verificar se o condutor está com a máscara e uma segunda checagem com o passageiro para constatar se o profissional manteve o equipamento vestido durante a corrida. Qualquer usuário, passageiro ou motorista também pode reportar o não-uso da máscara durante as corridas da plataforma. Em bases espalhadas pelo Brasil são realizadas as sanitizações veiculares para reduzir o risco de contaminação, além da distribuição de álcool em gel e de máscaras.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 20h30

Pessoas infectadas pelo novo coronavírus Sars-CoV-2 que desenvolvem a Covid-19 transmitem mais o vírus nos primeiros cinco dias após o início dos sintomas. Depois de nove dias de doença, nenhum vírus ativo —que pode iniciar uma infecção— foi encontrado em amostras, embora o material genético do patógeno possa ser detectado nessas pessoas semanas e até meses após o começo da infecção. Os resultados são de um artigo publicado nesta quinta-feira (19) na revista científica The Lancet Microbe por pesquisadores de instituições do Reino Unido. Os cientistas revisaram dados de 98 estudos publicados entre 2003 e junho de 2020 com informações sobre a dinâmica da carga viral em pacientes de três coronavírus: o Sars-CoV-2 (79 artigos), causador da Covid-19, o Sars-Cov (8), que causa a Sars (síndrome respiratória aguda), e o Mers-Cov (11), que causa a Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio). Segundo os pesquisadores, os dados desses estudos indicam que os pacientes de Covid-19 têm a maior quantidade de vírus no nariz e na garganta (áreas consideradas pelos cientistas como as principais fontes de transmissão) logo quando os sintomas aparecem, e a situação permanece assim por cerca de cinco dias. No caso dos outros coronavírus pesquisados, o pico da quantidade de vírus nessa região do corpo aparece geralmente na segunda semana da doença. Essa seria, portanto, uma das causas para o novo coronavírus circular entre as pessoas com maior facilidade do que os coronavírus anteriores, uma vez que o paciente com Covid-19 precisa fazer o isolamento de uma maneira muito mais rápida para evitar a transmissão da doença, afirmam os autores. Muge Cevik, pesquisador da Universidade de St. Andrews (Escócia) e autor principal do artigo, disse em comunicado à imprensa que os resultados sugerem ainda que a repetição do teste PCR (que detecta o material genético do vírus) talvez não seja necessária para liberar o paciente do isolamento. O teste pode permanecer positivo por um período mais longo, e como detecta partes inativas do vírus, não indica necessariamente que o paciente esteja contagioso. "Em pacientes sem sintomas severos, o período infeccioso pode ser de dez dias após o início das manifestações", afirmou Cevik. As orientações sobre a duração do isolamento variam de 10 a 15 dias, dependendo da instituição. Pacientes que ficam em estado mais grave são mantidos em confinamento por período mais longo geralmente. "Entender a transmissão da doença nos dá as dicas de como realizar melhor as medidas de prevenção", afirma a infectologista Maura Salaroli de Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês. "Esses resultados mostram que as pessoas não devem banalizar os sinais da Covid-19, que é o que temos visto". "Tão logo sintomas como dor, febre, perda de olfato ou paladar se iniciem, deve-se começar a fazer o isolamento domiciliar, sem frequentar lugares públicos, até que o teste possa ser feito. Não é adequado esperar o resultado do teste para só então tomar a medida", diz Oliveira. Segundo a médica, as pessoas devem estar atentas também ao surgimento de manifestações atípicas da Covid19, como náusea e diarreia. No artigo, os pesquisadores afirmam que não há dados suficientes para determinar o período potencial de transmissão dos chamados pacientes assintomáticos, um contingente grande de pessoas que foram infectadas pelo Sars-Cov-2, mas não desenvolveram nenhum dos sintomas da Covid-19. Dessa forma, cuidados como distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos são essenciais para evitar o contágio, de acordo com a infectologista. "Percebo pessoas na rua que fazem distanciamento e usam máscara, mas ao encontrarem um conhecido abraçam e beijam, quando na verdade qualquer pessoa, mesmo nossos amigos, pode estar infectada", afirma Oliveira. "Todos estamos cansados dessas medidas, mas por enquanto deve ser assim", diz

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 11h00

Membro do Centro de Contingência contra o Coronavírus do governo de São Paulo, o infectologista David Uip atribui a festas e eventos o novo aumento de casos da covid-19 no Estado. De acordo com o especialista, que também atua nos hospitais Sírio-Libanês e Nove de Julho, a população, sobretudo os jovens, reagiu de forma errada à reabertura, agindo como se a pandemia tivesse acabado. “Academias, salões de beleza, restaurantes estão protocolados. Vejo as pessoas seguindo as normas de segurança nesses locais. Não está aí o problema. Também não está nas escolas. O problema está nas festas, nas aglomerações, nos encontros de múltiplas pessoas sem qualquer cuidado”, disse ele, em entrevista ao Estadão. O infectologista ressalta ainda que, com a experiência dos últimos meses, os médicos aprenderam melhores condutas para lidar com os pacientes graves e destaca que, diante da ameaça de um novo pico da pandemia, os hospitais não devem desmobilizar os leitos para covid19. Leia abaixo os principais trechos da entrevista: Como o senhor avalia esse novo aumento de casos de covid19? Ele era esperado para esse momento? Desde o começo, haviam três preocupações: como as pessoas reagiriam à reabertura, como seria a volta às aulas e como seriam as eleições. A volta às aulas não teve problema porque a maioria das escolas nem reabriu e as que reabriram estão seguindo protocolos. O problema foi como as pessoas reagiram à reabertura. Os jovens foram para as festas como se nada tivesse acontecido, como se a pandemia tivesse acabado. Atendi um caso de um grupo de amigos que foi passear de barco. Dos nove que estavam no passeio, oito estão infectados. Eu fico sabendo de festas com 500 pessoas. O problema é que esses jovens acabam infectando pais e avós. E as pessoas mais velhas também voltaram a se encontrar, ver familiares e amigos. Quanto às eleições, o dia da votação funcionou muito bem. O problema foi antes. As pessoas não entenderam as recomendações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e fizeram palanque, aglomeração, carreata. Outra questão foi a sequência de feriados. Quem viu as praias e outros espaços cheios sabia que ia vir aumento de casos. Já podemos falar em segunda onda? Como ela se diferencia da primeira? Não acho que é segunda onda, acho que continua a primeira. São Paulo teve uma queda muito boa de casos, mas voltou a subir. O manuseio do doente grave nós aprendemos. Tem que fazer sustentação da vida com recursos de assistência respiratória e renal e aparelhos sofisticados como o ECMO, que é uma membrana extracorpórea que funciona como um pulmão artificial enquanto o pulmão da pessoa, atacado pelo vírus, fica descansando por até 14 dias. Temos casos espetaculares de pessoas com quadros graves que saíram vivas por usarem esses recursos. Um doente grave precisa de um hospital estruturado, com equipes treinadas e protocoladas em todas as áreas, com fisioterapeutas, que fazem toda a diferença na UTI. Muita gente olha a UTI como reta final, mas ela é a porta de saída para a doença. Salvamos muita gente graças aos recursos e equipes das UTIs. E quanto aos medicamentos? O que mudou em relação ao início da pandemia? A única droga comprovada para pacientes graves é o corticoide, o dexametasona. Os antivirais não mostraram sucesso. Como apoio, também há os anticoagulantes. Quando fiquei doente (ele foi infectado pela covid-19 em março), ainda não estava claro o papel deles. Hoje já sabemos que ajudam. Então você usa corticoide, anticoagulante e, quando tem infecções bacterianas, tem uma sequência de antibióticos que você pode usar. O restante é suporte de vida, que evoluiu bastante. Os pneumologistas e fisioterapeutas hoje sabem como adequar melhor as fases de ventilação, quando usar cateter, máscara de oxigênio e a ventilação. Diante desse aumento de infecções, não seria o caso de impor algumas restrições? O centro de contingência (do governo de São Paulo) recomendou e o governador (João Doria) adotou a suspensão de qualquer flexibilização. Outra sugestão que fizemos é não desmobilizar os hospitais e os leitos voltados para covid19. Outra coisa é a necessidade do financiamento desses leitos, o Ministério da Saúde tem que manter o financiamento deles. E continuar conversando com Estados e municípios para manter a vigilância sanitária epidemiológica. Todos os dias damos sugestões ao governador. As coisas não são estanques. A flexibilização progride, mas também pode regredir. Agora ela ficou estagnada, mas novas decisões vão depender dos números. E quais são os critérios que levariam a decretar restrições mais rígidas? A decisão de hoje vale pra hoje. Monitoramos o índice de ocupação de leitos gerais e de UTI. Tanto uma coisa como a outra estão abaixo de 50% no Estado. A pressão agora está nos hospitais privados. Agora precisamos monitorar se vai ocorrer o mesmo que no início da pandemia, ou seja, se na sequência teremos um aumento de contaminação nas periferias. Não sabemos se será igual, não sabemos o percentual de pessoas já contaminadas anteriormente em cada região. E como os hospitais privados estão lidando com esse novo aumento de casos? Eu atuo no Sírio-Libanês e no Nove de Julho. Apesar do aumento de casos, os hospitais estão dando conta. Inclusive foi divulgado um vídeo falso que dizia que eu havia falado que pessoas estavam sendo atendidas em corredores. Isso é falso. O que mais te preocupa sobre a chegada de uma nova onda? A falta de conscientização das pessoas. Não podemos dizer que as pessoas não estão informadas. Isso não é verdade. Mas, muitas vezes, a informação não implica em mudança de comportamento. As pessoas estão informadas, mas não se conscientizaram e agem como se a pandemia tivesse acabado. Eu entendo que as pessoas estão exauridas com tudo isso, mas o vírus não está. Ele continua muito ativo. Mas, por mais que as pessoas estejam informadas, a reabertura de tantos serviços não essenciais, como restaurantes, bares e academias, não pode ter passado a impressão a elas de que a pandemia estava sob controle? A gente tinha números para fazer isso (a flexibilização). Ela não foi feita de maneira afoita ou sem critérios. Só que ninguém falou que poderia haver festas, aglomerações. Ninguém falou que a vida continuava como se nada houvesse. Então o senhor considera que os maiores responsáveis por esse novo aumento de casos são essas festas e eventos que geram aglomerações? Eu não tenho a menor dúvida. Academias, salões de beleza, restaurantes estão protocolados. Vejo as pessoas seguindo as normas de segurança nesses locais. Não está aí o problema. Também não está nas escolas. O problema está nas festas, nas aglomerações, nos encontros de múltiplas pessoas sem qualquer cuidado. Primeiro, essas pessoas frequentam esse tipo de evento, o que é já uma imprudência. Segundo, eles não têm regras. Como o senhor vê a preparação do sistema de saúde para essa nova onda? São Paulo conseguiu resistir. Ninguém deixou de ser atendido ou internado. Ninguém foi enterrado em vala comum. Existe toda essa estrutura prévia, mas temos que ver como será no dia a dia. Não tem como garantir o que vai acontecer.

YAHOO! FINANÇAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 10h40

19 de novembro de 2020 5:40 AM · 6 minutos de leitura O número de internações por Covid19 na rede municipal de São Paulo saltou 26% na última semana e atingiu o mesmo nível do início de outubro, preocupando médicos com a decisão do governo paulista de revisar o Plano SP de medidas de isolamento social apenas no fim do mês. Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar Siga o Yahoo Notícias no Google News Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos Siga o Yahoo Notícias no Instagram Na capital paulista, as hospitalizações passaram de 644 no dia 11 para 814 na terça (17). As internações em UTI subiram 33%, de 339 para 451. A taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva aumentou de 32% passou 44%. Leia também Recusa de Trump em admitir derrota e cooperar com transição pode atrasar vacina em meses, diz Biden Ministério da Saúde diz que publicação a favor de isolamento social foi 'erro humano' 'Não há segunda onda da Covid-19 em São Paulo', diz infectologista David Uip Na última semana, cidades da Grande São Paulo, do interior e da Baixada Santista também apresentaram alta nas hospitalizações por Covid19. Em Santo André, por exemplo, de 39% (255 para 355), São Caetano do Sul, de 30,6% (111 para 145), Praia Grande, de 37,5% (de 24 para 33), e Sorocaba, de 24% (172 para 213). A análise é do projeto InfoTracker, da USP e da Unesp, que monitora a pandemia no estado desde seu início. Diferentemente dos números de casos e óbitos, os dados de internação não foram afetados pela falha no sistema do Ministério da Saúde neste mês. Para pesquisadores que acompanham a epidemia no estado, esse aumento não aparenta ser mera oscilação e sim o prelúdio de uma segunda onda, ou o recrudescimento da primeira, como descrevem alguns epidemiologistas. Na avaliação desses especialistas, é temerário que o governo paulista espere até o dia 30 para atualizar o Plano SP, que regulamenta os estágios da quarentena no o estado. Na terça (17), o governo de São Paulo publicou no Diário Oficial o decreto que prorroga a quarentena até 16 de dezembro após aumento constatado de 18% nas internações por Covid19. Hoje parte do estado, inclusive a capital, está no estágio verde, os penúltimos na escala de liberação, e parte no amarelo, que permite a abertura de estabelecimentos mas limita o horário. Continue lendo, No entanto, disse que o dado precisa ser analisado em conjunto com estatísticas de novos casos e mortes, que são fornecidas pelo Ministério da Saúde, com problema de atualização nos últimos dias. "Não tem oscilações naturais nessa magnitude [nas internações]. Subir dessa maneira, de forma rápida, só no início da pandemia", diz Wallace Casaca, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e coordenador do projeto Covid-19 InfoTracker. O índice de contágio (RT), que aponta quantas pessoas serão contaminadas por um infectado e ajuda a estimar a velocidade de transmissão da doença, voltou a pairar acima de 1 no país no dia 13. Em São Paulo, está em 1,38. O número deve estar sempre abaixo 1 para que a tendência de queda de casos se mantenha. O InfoTracker e o Imperial College de Londres monitoram esse indicador. "A capital paulista estava com tendência de queda do RT no final de outubro, a partir do dia 4 de novembro ela começou a aumentar de forma expressiva. Passou de 1,04 e bateu nesta quarta [18], 1,38." Para Casaca, esse conjunto de dados, associado ao aumento de casos confirmados da doença, são sinais suficientes para que as restrições de circulação sejam revistas logo. "Seria necessário algum tipo de intervenção do governo e, obviamente, o apoio da população para tentar conter esse aumento. Uma força tarefa conjunta", diz. Eliseu Waldman, professor epidemiologia da Faculdade de Medicina da USP, afirma que o aumento das internações e dos casos precisa ser reavaliados diariamente porque, se a alta continuar nos próximos dias, não dá para esperar até o dia 30. "Isso ocorre em um momento em que os hospitais diminuíram as vagas específicas para Covid19 e começaram a atender a demanda represada de outras doenças. Os hospitais de campanha foram desmontados. Mobilizar rapidamente leitos será bem difícil." Segundo ele, já começa a faltar leitos em hospitais públicos do litoral paulista, que registra alta de casos, e há pacientes sendo transferidos para a capital, além de uma pressão de prefeitos para que o governo libere recursos para a ampliação de leitos para a Covid19. A cardiologista Ludhmila Abrahao Hajjar, que atua no InCor (Instituto do Coração) e no Hospital Vila Nova Star, também considera arriscado esperar até o fim do mês para atualizar o Plano SP. "A gente já sabe que está aumentando, que dobrou a taxa de transmissão no país. Tem que tomar medidas mais restritivas, tem que ter campanha alertando a população. Não dá para esperar mais." Para ela, o período eleitoral, com comícios e grandes aglomerações, foi um dos fatores que levaram ao aumento de casos e de internações. "Teve comício no Nordeste com 3.000 pessoas. O povo relaxou total. As pessoas acham que, se não pegaram até agora, não vão pegar mais e que a vacina está chegando. É um conjunto de desinformações, um desequilíbrio de mensagens entre estados, municípios e governo federal." Segundo a médica, o aumento de internações por Covid19 nos hospitais privados já está levando gestores a estudarem adiamento de cirurgias eletivas. "Onde é que vai ficar o câncer, a doença cardiovascular?", questiona. Os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz negam que haja plano suspensão de cirurgias eletivas. "Não suspendemos nada. Nem cirurgias, nem endoscopias. Da outra vez, a gente viu um aumento muito grande da gravidade de outras doenças, como câncer, doenças cardíacas e neurológicas avançadas. Trabalharemos o tempo todo para evitar que isso aconteça", diz Paulo Chachap, diretor-geral do Sírio-Libanês. O hospital mantém entre 120 a 130 pacientes internados com Covid19 (ante uma média de 80 em outubro), mas, com a perspectiva de a procura crescer, está aumentando a capacidade instalada. Hoje há 135 leitos para Covid19. Serão abertos mais 50 leitos, totalizando 550 leitos. "A gente primeiro amplia e depois separa para Covid e não Covid, dependendo da pressão na porta. Se a curva continuar como está, é provável que esses novos leitos sejam designados para Covid." Chapchap diz que uma mudança verificada nos últimos dias foi que os pacientes de São Paulo, que antes representavam 50% dos internados, agora totalizam 80%. "Como ocorreu da outra vez, a gente sentiu primeiro nos hospitais que não atendem o SUS e depois nos hospitais que atendem o SUS. Tem um descasamento aí de uma, duas semanas entre as duas pressões", diz. Para ele, além da necessidade de o governo paulista dar um novo direcionamento para essa atual realidade de aumento de casos, é importante que as pessoas se comportem de maneira diferente, já que o risco cresceu. "O restaurante pode estar aberto, mas, como indivíduo, eu posso decidir que não vou ao restaurante." Segundo Chapchap, o momento pede solidariedade. "Se você não está com medo por você, pense nos profissionais de saúde que estão esgotados, pense nas pessoas que têm outras doenças e que não podem mais adiar o tratamento." POPULARES 1. O que explica a ascensão do PSOL com Boulos em São Paulo 2. 'Voando', Veiga faz gol de número 300 do Palmeiras na Copa do Brasil 3. Produção de vacina da Moderna ganha ritmo, diz parceira Lonza 4. Arábia Saudita recebe G20 virtual em plena pandemia e crise econômica 5. Jornalistas debatem sobreposição de calendário do futebol nacional, que rendeu preocupação de Infantino.

AE BROADCAST/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 08h00

Nos últimos anos, muito se discutiu sobre a importância de promover ações coordenadas para incentivar o transporte coletivo e compartilhado. A pandemia do coronavírus, porém, exigiu mudanças na forma de locomoção. Receosos com a contaminação pela Covid-19, 40% dos brasileiros passaram a preferir meios alternativos para evitar o transporte público, como a bicicleta e o carro próprio e corridas por aplicativo, segundo pesquisa do C6 Bank. A criação do “novo normal” exigiu ainda investimentos e a adoção de medidas de segurança para proteger a população, como a obrigatoriedade do uso de máscara, álcool em gel, maior higienização dos veículos, distanciamento, entre outras. No transporte por aplicativo, por exemplo, os passageiros agora seguem viagem apenas no banco de trás, entre outras ações implementadas em protocolos criados por especialistas no assunto. Além dos meios alternativos, muitos apostaram também no “isolamento veicular”. Prova disso é a venda de carros usados, que segue em plena expansão, com crescimento de 5% na comparação com setembro, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). A alta, aliás, vem sendo registrada mês após mês durante essa fase. Se por um lado muitos preferem comprar um veículo para tentar se proteger, por outro, essa atitude gera dúvidas. É o que comprova pesquisa do DataFolha. De acordo com o levantamento, 62% dos entrevistados em seis grandes capitais brasileiras se mostraram preocupados com os congestionamentos durante a pandemia. Além disso, 47% afirmaram que estão insatisfeitos. Necessidade de locomoção A necessidade de sair de casa para chegar até o serviço mesmo durante a pandemia mudou também o perfil dos passageiros. Na periferia, a procura aumentou. Levantamento divulgado pela 99 apontou um crescimento de 25% entre os mais pobres. Por sua vez, a redução foi de 25% na fatia dos mais ricos. Entre os entrevistados, 19% não cumpriram a quarentena exatamente porque precisaram trabalhar. Belo Horizonte, por exemplo, apresenta um cenário semelhante ao restante do País. A rotina no transporte público da cidade mudou. Números da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) comprovam isso. Antes da pandemia, o sistema transportava cerca de 1.250 milhão de usuários em 24.500 viagens a cada dia útil. Em abril, a quantidade de usuários caiu para 375.704, redução de 30%. Por sua vez, a média de viagens passou para 12.215, baixa de 51%. Mesmo com a redução da procura, os ônibus e terminais tiveram aglomerações em um primeiro momento. Especialista em Segurança no Trânsito, Roberta Torres, acredita que essa situação causou preocupação e, consequentemente, a busca por outras opções. “Isso acabou criando um incômodo grande”. Dessa forma, a solução foi seguir para caminhadas, bicicletas e o transporte por app. Roberta lembra que as empresas de transporte por aplicativo adotaram protocolos de segurança rígidos, buscando ferramentas para proteger tanto para os usuários quanto para os motoristas. “A possibilidade de viajar sozinho traz uma sensação de segurança aos passageiros, que ficam no banco de trás”. Empresária em Belo Horizonte, Jéssica Sabrina de Carvalho, 21 anos, foi uma das pessoas que intensificou a utilização do transporte por aplicativo. Acostumada também a se deslocar de ônibus e motocicleta, optou por fazer mais viagens com o app por causa das medidas protetivas adotadas. “Certamente traz mais segurança”. Ela também adotou esse hábito para os colaboradores, que precisam sair da empresa para a realização do trabalho. “Não foi possível parar durante a pandemia”. Investimentos as características do serviço e as ações de segurança adotadas pelas empresas refletiram no comportamento do passageiro. Em pesquisa, o uso de carros por aplicativo foi apontado como o mais desejado pelos entrevistados (52%), tornando-se o meio de locomoção com maior aumento nessa fase. Do total, 95% alegaram que começaram a fazer o uso recorrente do app. Mais da metade (55%) aumentou a utilização do serviço durante a pandemia. O preço, porém, segue como fator decisivo para o deslocamento diário. Já para trajetos dentro do próprio bairro, a maioria segue a pé (65%), com carro por app (46%) e com ônibus (19%). As quantias investidas pelas empresas para promover as medidas de segurança necessárias foram expressivas. A 99, por exemplo, desprendeu até agora R$ 32 milhões nas iniciativas de combate à Covid-19. “Buscamos criar novas ações e aumentar a efetividade das já existentes”, afirma Thiago Hipólito, diretor de Segurança da empresa. Entre as soluções, uma parceria com a Consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. A iniciativa permitiu o desenvolvimento de uma série de medidas, como a criação do mapa de risco contra o contágio em veículos e o manual de boas práticas com dicas para diminuir a chance de contaminação no app. “Ao colocar essas medidas em prática e comunicar de forma efetiva aos usuários, as chances de replicar esse comportamento para outros ambientes é muito grande e ajudará a multiplicar ainda mais esse efeito”, destaca Rafael Saad, gerente da consultoria do Sírio-Libanês. A empresa desenvolveu ainda tecnologias como o reconhecimento facial para verificar se o condutor está com a máscara e uma segunda checagem com o passageiro para constatar se o profissional manteve o equipamento vestido durante a corrida. Qualquer usuário, passageiro ou motorista também pode reportar o não-uso da máscara durante as corridas da plataforma. Em bases espalhadas pelo Brasil são realizadas as sanitizações veiculares para reduzir o risco de contaminação, além da distribuição de álcool em gel e de máscaras.

GLOBOESPORTE.COM SÃO PAULO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 04h00

Segundo clube da Série A com mais casos positivos de Covid-19, o Santos começa a planejar o processo de retorno de 10 dos 11 infectados – o goleiro Vladimir, que também testou positivo para o coronavírus, se recupera de cirurgia no pé e é desfalque por tempo indeterminado. O departamento médico do Santos estuda as possibilidades para a reapresentação e nova testagem dos atletas, o que pode ocorrer ainda nesta semana. Pelo protocolo da CBF, os atletas que contraíram o vírus precisam ficar pelo menos 10 dias isolados. O goleiro João Paulo, o lateral-direito Madson e o zagueiro Lucas Veríssimo foram os primeiros diagnosticados com Covid-19 e estão afastados desde o dia 9 de novembro. Em tese, a reavaliação do trio seria na sexta-feira, 11 dias depois de receber o resultado positivo e na data da viagem do Santos para Curitiba, onde enfrenta o Athletico no sábado. Há uma possibilidade desses três jogadores ficarem ao menos à disposição. Claro, dependendo do resultado do exame e do procedimento que será tomado pelos departamentos médico e de futebol. Além do isolamento por causa do coronavírus, o longo período sem treinos também pode pesar na decisão. Mais notícias do Santos: Outros casos positivos do elenco, os meio-campistas Diego Pituca, Jobson, Jean Mota, Alison e Sandry e o zagueiro Alex, foram afastados um dia depois, em 10 de novembro. Ainda seguindo a lógica, o cenário mais provável é que eles fiquem aptos para passarem pelos procedimentos de retorno apenas no sábado, dia do jogo contra o Athletico. A tendência, portanto, é que eles sigam fora da equipe na partida em Curitiba. O Santos se preocupa também com as condições físicas dos infectados, principalmente, para o duelo contra a LDU, na próxima terça-feira, no Equador, válido pela ida das oitavas de final da Copa Libertadores. O Peixe estuda o que fazer para ter todos à disposição. O garoto Ângelo, de 15 anos, só testou positivo para a Covid-19 no dia 13 de novembro, quando estava com a seleção brasileira sub-17, e ainda ficará isolado mais alguns dias antes de poder voltar a atuar. O técnico recebeu alta do Hospital Sírio-Libanês, onde ficou internado desde o dia 7 de novembro até a última segunda-feira. Cuca, agora, seguirá o tratamento em casa, com indicação de mais dez dias de repouso – ele é cardiopata, o que aumenta a precaução do clube sobre o estado de saúde. Com isso, o técnico deve perder os jogos contra Athletico e LDU. A provável volta do treinador ao comando do Peixe deverá ocorrer somente no dia 28, contra o Sport, na Vila Belmiro. SEJA SÓCIO REI AGORA!

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 19/11/2020 às 03h00

Em meio à 2ª onda, mundo se aproxima de vacina emergencial Rio tem maior número de mortes no país, 505 em 14 dias. A Pfizer anunciou que pedirá autorização para uso emergencial de sua vacina nos EUA. O Ministério da Saúde já se reuniu com a empresa e tem encontros agendados com outras farmacêuticas que desenvolvem imunizantes. No Rio, especialistas tentam explicar o que levou a cidade a registrar 505 mortes por Covid19. A marca, maior do país, ocorreu nos últimos 14 dias e pode indicar uma segunda onda. páginas 21 e 23 ONDA QUE MATA Rio e São Paulo puxam nova alta de óbitos por Covid-19 no país. Ainda não é possível cravar se o Brasil enfrenta uma segunda onda da Covid-19, dizem especialistas. Os números da doença no país, porém, voltaram a subir de maneira preocupante, e setores que acabaram de reabrir já estão sob ameaça de novo fechamento. Um levantamento aponta que o Rio de Janeiro foi a cidade que mais registrou mortes por Covid-19 nas duas semanas que antecederam o dia 17 de novembro. Foram505 mortes no período, contra404 óbitos ocorridos na capital paulista, que sempre apresentou os piores índices da doença e aparece em segundo lugar. O Rio só fica atrás em número de casos, que voltou a disparar em São Paulo: nos mesmos dias, mais 15.476 pessoas foram infectadas lá, contra 8.045 pacientes cariocas. O fenômeno tem dominado os debates entre especialistas porque o município do Rio, pelos parâmetros científicos, ainda não teria saído da primeira onda. As análises são, agora, para tentar entender esse novo pico e saber para onde o vírus está nos levando, num cenário de desmonte dos hospitais de campanha e de flexibilização das regras sanitárias. De festas de fim de ano e de volta às aulas presenciais. Responsável por compilar dados em que compara a situação de casos e mortes nas principais capitais do país, o pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa, destaca que o deslocamento da mancha do coronavírus, que há alguns meses era mais forte nas regiões Norte e Nordeste, não acontece por acaso: — A “onda epidêmica” se move novamente para Sul e Sudeste. E natural e esperado que a epidemia atinja com mais intensidade lugares diferentes, em momentos diferentes, como acontece agora com as cidades do Rio e São Paulo. Isso depende do comportamento social das pessoas em cada cidade, do nível de isolamento social, de restrições adotadas e do uso de máscaras. UTIS VOLTAM A LOTAR Na cidade do Rio, a taxa de ocupação de leitos de UTIs para pacientes com Covid19 bate recorde, alcançando 97% das 251 vagas disponíveis, o que pressiona grandes unidades, muito procuradas pela população, como o Hospital Miguel Couto, na Gávea. Em toda a rede SUS no município —que inclui vagas estaduais e federais —, 80% estavam ocupadas ontem. Em 18 de outubro, na Grande São Paulo, 40,5% das UTIs tinham pacientes, mas, ontem, o percentual chegava a 43,1%. Na rede particular do Rio, a Unimed já informou que a unidade da Barra da Tijuca está com alta demanda de pessoas infectadas. Em São Paulo, o Sírio Libanês tem atualmente 124 pacientes hospitalizados com o vírus, sendo 32 na UTI. O número é maior do que o registrado em abril, pico da doença no hospital, quando 120 estavam internados. Com Rio e São Paulo puxando de novo os números da doença para cima, fica até difícil separar o que é medo da população e o que é crescimento do contágio. O fato é que a Associação Brasileira de Medicina Diagnostica constatou um aumento de 30% do número de exames para detecção da Covid-19 em todo o país nos últimos 15 dias. Também há, no mesmo período, segundo a entidade, aumento de 25% no volume de resultados positivos. A paisagem de incertezas gera críticas de cientistas que acham que cidades como o Rio se precipitaram ao desmontar o aparato dos hospitais de campanha. Agora, novos pacientes pressionam a rede SUS. A providência imediata, na opinião de Ligia Bahia, especialista em saúde pública da UFRJ, é preparar hospitais e abrir leitos: —O que está acontecendo é resultado da decisão caótica e absurda de abrir bares, restaurantes e autorizar festas. E, ao mesmo tempo, permitir aglomerações e fechar leitos. O infectologista Roberto Medronho fala em “repique da primeira onda”: —Pode ser um alarme falso? Pode, mas não acredito que seja apenas uma flutuação. Na dúvida, não podemos arriscar. A desmobilização da rede hospitalar como um todo foi um grave erro estratégico, afirma Marcos Junqueira do Lago, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj. — Na Europa, fizeram um lockdown rigoroso e frearam a disseminação. Aqui no Brasil, a primeira onda foi muito forte, depois diminuiu, mas não conseguimos interromper a transmissão. A média móvel de mortes mais baixa chega a 300 mortos por dia, o que é um patamar altíssimo. Com esses números, não poderia haver desmobilização dos hospitais de campanha. ‘UM PASSO ATRÁS’ Quem também defendeu a manutenção dessas unidades de apoio até a disponibilização de uma vacina foi a microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do GLOBO, Natalia Pasternak. Ela ressalta que vamos atravessar mais um período de risco com as férias e as festas de Natal e Ano Novo: —Nos preocupa a possibilidade de ocorrer aqui uma segunda onda tão forte como na Europa. E preciso usar máscaras, evitar festas e qualquer aglomeração. Apesar do recrudescimento da doença, Hubert Alqueres, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, não acha que seja o caso de suspender as aulas mais uma vez: — O problema não está dentro da escola. Na economia, a preocupação é sobreviver num mercado devastado pela pandemia. De acordo com Percival Maricato, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo, o temor é gigante. —O desastre continua, e o setor ainda tem que pagar os empréstimos que pegou com bancos —diz. Para o coordenador do Sistema Infogripe da Fiocruz, Marcelo Gomes, no entanto, é preciso ter coragem de dar um passo atrás se for necessário: — Assim como o isolamento não era para sempre, a flexibilização também não é. Todo cenário é volátil. Procurada, a prefeitura de São Paulo afirmou que não há indícios de novo pico da doença e não respondeu sobre um possível endurecimento da quarentena. Já o prefeito Marcelo Crivella anunciou que o hospital de campanha do Riocentro, que fecharia em dezembro, ficará aberto enquanto houver demanda por leitos.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 19/11/2020 às 03h00

Salto de 26% nos casos faz médicos verem risco em espera do governo O número de internações por Covid-19 na rede municipal de São Paulo saltou 26% na última semana e atinge hoje os mesmos níveis do início de outubro. Na capital, as hospitalizações passaram de 644 no dia 11 para 814 na terça (17). As internações em UTI subiram 33%, de 339 para 451. Cidades da Grande São Paulo, interior e litoral seguem a mesma tendência de alta nas hospitalizações. Segundo pesquisadores que acompanham a epidemia no estado, o aumento não parece apenas oscilação, mas sim prelúdio do início de uma segunda onda, ou recrudescimento da primeira, como preferem alguns epidemiologistas. Para eles, é temerário que o governo espere até o dia 30 para atualizar o Plano São Paulo, que regulamenta os estágios da quarentena em todo o estado, saúde B4 Internações por Covid19 saltam 26% em SP, e médicos criticam inação Salto semanal faz cidade perder 40 dias de melhora, alertam monitores; revisão de plano é dia 30 Cláudia Collucci são paulo O número de internações por Covid19 na rede municipal de São Paulo saltou 26% na última semana e atingiu o mesmo nível do início de outubro, preocupando médicos com a decisão do governo paulista de revisar o Plano SP de medidas de isolamento social apenas no fim do mês. Na capital paulista, as hospitalizações passaram de 644 no dia u para 814 na terça (17). As internações em UTI subiram 33%, de 339 para 451. A taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva aumentou de 32% para 44%. Na última semana, cidades da Grande São Paulo, do interior e da Baixada Santista também apresentaram alta nas hospitalizações por Covid19. Em Santo André, por exemplo, de 39% (255 para 355), São Caetano do Sul, de 30,6% (111 para 145), Praia Grande, de 37,5% (de 24 para 33), e Sorocaba, de 24% (172 para 213). A análise é do projeto InfoTracker, da USP e da Unesp, que monitora a pandemia no estado desde seu início. Diferentemente dos números de casos e óbitos, os dados de internação não foram afetados pela falha no sistema do Ministério da Saúde neste mês. Para pesquisadores que acompanham a epidemia no estado, esse aumento não aparenta ser mera oscilação e sim o prelúdio de uma segunda onda, ou o recrudescimento da primeira, como descrevem alguns epidemiologistas. Na avaliação desses especialistas, é temerário que o governo paulista espere até o dia 30 para atualizar o Plano SP, que regulamenta os estágios da quarentena no estado. Na terça (17), o governo de São Paulo publicou no Diário Oficial o decreto que prorroga a quarentena até 16 de dezembro após aumento constatado de 18% nas internações por Covid19. Hoje parte do estado, inclusive a capital, está no estágio verde, o penúltimo na escala de liberação, e parte no amarelo, que permite a abertura de estabelecimentos mas limita o horário. No entanto, disse que o dado precisa ser analisado em conjunto com estatísticas de novos casos e mortes, que são fornecidas pelo Ministério da Saúde, com problema de atualização nos últimos dias. “Não tem oscilações naturais nessa magnitude [nas internações]. Subir dessa maneira, de forma rápida, só no início da pandemia”, diz Wallace Casaca, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e coordenador do projeto Covid-19 InfoTracker. O índice de contágio (Rt), que aponta quantas pessoas serão contaminadas por um infectado e ajuda a estimar a velocidade de transmissão da doença, voltou a pairar acima de 1 no país no dia 13. Em São Paulo, está em 1,38. O número deve estar sempre abaixo 1 para que a tendência de queda de casos se mantenha. O InfoTrackere o Imperial College de Londres monitora esse indicador. “A capital paulista estava com tendência de queda do Rt no final de outubro, a partir do dia 4 de novembro ela começou a aumentar de for- Internações por Covid-19 em alta na cidade de São Paulo Ocupação dos leitos de UTI, média móvel de 7 dias, em% 100_ 0 mai. jun. jul. ago. set. out. nov. 2020 Número de novas internações (UTI e enfermaria) de pacientes confirmados ou com suspeita de Covid-19 nos últimos 7 dias 6000 5.679 1.000 mai. jun. jul. ago. set. out. nov. 2020 Fonte: Seade expressiva. Passou de 1,04 e bateu nesta quarta [18], 1,38.” Para Casaca, esse conjunto de dados, associado ao aumento de casos confirmados da doença, são sinais suficientes para que as restrições de circulação sejam revistas logo. “Seria necessário algum tipo de intervenção do governo e, obviamente, o apoio da população para tentar conter esse aumento. Uma força tarefa conjunta”, diz. Eliseu Waldman, professor epidemiologia da Faculdade de Medicina da USR afirma que o aumento das internações e dos casos precisa ser reavaliado diariamente porque, se a alta continuar nos próximos dias, não dá para esperar até o dia 30. “Isso ocorre em um momento em que os hospitais diminuíram as vagas específicas para Covid19 e começaram a atender a demanda represada de outras doenças. Os hospitais de campanha foram desmontados. Mobilizar rapidamente leitos será bem difícil. ” Segundo ele, já começa a faltar leitos em hospitais públicos do litoral paulista, que registra alta de casos, e há pacientes sendo transferidos para a capital, além de uma pressão de prefeitos para que o governo libere recursos para a ampliação de leitos para a Covid19. A cardiologista Ludhmila Abrahao Hajjar, que atua no InCor (Instituto do Coração) e no Hospital Vila Nova Star, também considera arriscado esperar até o fim do mês para atualizar o Plano SR “A gente já sabe que está aumentando, que dobrou a taxa de transmissão no país. Tem que tomar medidas mais restritivas, tem que ter campanha alertando a população. Não dá para esperar mais. ” Para ela, o período eleitoral, com comícios e grandes aglomerações, foi um dos fatores que levaram ao aumento de casos e de internações. “Teve comício no Nordeste com 3.000 pessoas. O povo relaxou total as pessoas acham que, se não pegaram até agora, não vão pegar mais e que a vacina está chegando. É um conjunto de desinformações, um desequilíbrio de mensagens entre estados, municípios e governo federal. ” Segundo a médica, o aumento de internações por Covid19 nos hospitais privados já está levando gestores a estudarem adiamento de cirurgias eletivas. “Onde é que vai ficar o câncer, a doença cardiovascular? ” Questiona. Os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz negam que haja plano suspensão de cirurgia eletivas. “Não suspendemos nada. Nem cirurgias, nem endoscopias. Da outra vez, a gente viu um aumento muito grande da gravidade de outras doenças, como câncer, doenças cardíacas e neurológicas avançadas. Trabalharemos o tempo todo para evitar que isso aconteça”, diz Paulo Chachap, diretor-geral do Sírio-Libanês. O hospital mantém entre 120 e 130 pacientes internados com Covid19 (ante uma média de 80 em outubro), mas, coma perspectiva de a procura crescer, está aumentando a capacidade instalada. Hoje há 135 leitos para Covid19. Serão abertos mais 50 leitos, totalizando 550 leitos. “A gente primeiro amplia e depois separa para Covid19 e não Covid, dependendo da pressão na porta. Se a curva continuar como está, é provável que esses novos leitos sejam designados para Covid19.” Chapchap diz que uma mudança verificada nos últimos dias foi que os pacientes de São Paulo, que antes representavam 50% dos internados, agora totalizam 80%. “Como ocorreu da outra vez, a gente sentiu primeiro nos hospitais que não atendem o SUS e depois nos hospitais que atendem o SUS. Tem um descasamento aí de uma, duas semanas entre as duas pressões”, diz. Para ele, além da necessidade de o governo paulista dar um novo direcionamento para essa atual realidade de aumento de casos, é importante que as pessoas se comportem de maneira diferente, já que o risco cresceu. “O restaurante pode estar aberto, mas, como indivíduo, eu posso decidir que não vou ao restaurante. ” Segundo Chapchap, o momento pede solidariedade. “Se você não está com medo por você, pense nos profissionais de saúde que estão esgotados, pense nas pessoas que têm outras doenças e que não podem mais adiar o tratamento. ”