Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

CARTA CAPITAL ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/09/2020 às 00h00

A interrupção dos testes da vacina desenvolvida por cientistas italianos e produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford foi breve: durou apenas sete dias. Embora suspensões desse tipo sejam comuns em pesquisas dessa monta, acendeu o sinal amarelo em relação às expectativas mundiais por uma vacina contra o coronavírus. Quanto maior a fadiga com o isolamento social, cresce a ansiedade pelo dia de ir até o posto de saúde mais próximo, erguer a manga da camisa e ficar livre da doença. Há, porém, muitas questões em aberto. Quem serão os primeiros a recebê-la? Quanto tempo durará o efeito imunizador? Quantos serão protegidos? Uma única dose será suficiente? De olho nos dividendos eleitorais, muitos políticos prometem uma vacina no fim do ano. As perspectivas da Organização Mundial da Saúde (OMS), contudo, são bem mais modestas: só a partir de 2022, estima-se, teremos uma parcela significativa de imunizados. Diante da realidade, é razoável não apostar todas as fichas na seringa. Em entrevista a CartaCapital em agosto, a médica Mariângela Simão, diretora-geral-assistente da OMS para vacinas e novos medicamentos, destacou a importância da busca de alternativas. “A humanidade vai conviver com este vírus por mais algum tempo. Ao menos até que tenhamos três coisas. A primeira, testes rápidos, baratos e que funcionem. A segunda, um medicamento: precisamos de uma droga para impedir que se morra pelo coronavírus. Essas coisas precisam caminhar juntas.” Mais de 150 medicamentos estão em teste no mundo, a maioria nos estágios iniciais de pesquisa Há mais de 150 medicamentos em testes no mundo. Alguns acumulam evidências de eficácia, mas a maioria ainda está nos estágios iniciais de pesquisa. Esses estudos podem ser divididos em três grandes frentes: antivirais que atacam a capacidade do coronavírus de se desenvolver no organismo, drogas que acalmam o sistema imunológico e anticorpos retirados do plasma sanguíneo dos sobreviventes. Até agora, a mais promissora delas pertence ao primeiro grupo. É a dexametasona, corticóide usado há décadas para aliviar inflamações e tratar doenças que requerem controle da resposta imune, como a artrite reumatoide, alergias e asma. Cientistas sabem que os casos mais graves da Covid-19 estão relacionados a uma resposta inflamatória que atinge todo o organismo. É como se, para combater o frio, o morador de uma casa ateasse fogo nos móveis. Até aqui, a dexametasona só tem, no entanto, demonstrado benefícios a pacientes em estado crítico. O estudo Recovery, conduzido pela Universidade de Oxford em parceria com o governo britânico e a Fundação Gates, indicou que a dexametasona reduziu em 35% as mortes em pacientes ventilados e em 20% entre aqueles que receberam apenas oxigênio. No Brasil, uma pesquisa conduzida pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa reforçou o efeito benéfico: pacientes em estado grave que receberam a droga ficaram seis dias sem respiração artificial. Os que não receberam, quatro. Outro medicamento potencial é o remdesivir, antiviral da Gilead testado, sem sucesso, contra o ebola e a hepatite C. Primeiro remédio contra a Covid-19 a ser aprovado pelo FDA dos Estados Unidos, o remdesivir é promissor, mas carece de evidências mais robustas. Uma pesquisa patrocinada pela Gilead concluiu que a droga pode encurtar o tempo até a melhora clínica e, com isso, diminuir a mortalidade, mas não teve efeito sobre a necessidade de intubação nem sobre o período de internação hospitalar. Um estudo posterior não apontou nenhum efeito na redução da mortalidade. Na segunda-feira 14, a farmacêutica Eli Lilly anunciou que um anti-inflamatório lançado em 2017, o baricitinibe, reduziu o tempo de internação de pacientes em estado grave. Mas o estudo não foi revistado por pares nem apresenta benefícios tão grandiosos. Os mil pacientes da pesquisa foram divididos em dois grupos: um recebeu remdesivir e o outro a nova droga. Neste segundo grupo, houve redução de mais um dia no tempo de internação. Em tempos habituais, a busca pela cura seria diferente. “Geralmente, as primeiras fases de pesquisas duram um ano, dois anos. Isso só para descobrir as potenciais substâncias”, explica Carina Carvalho Silvestre, professora-adjunta do departamento de Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Para ganhar tempo contra a Covid-19, descreve, as farmacêuticas e os cientistas têm apostado em medicamentos existentes. Esse cenário também abre caminho à pseudociência, agora impulsionada pela ultradireita no poder. O exemplo mais evidente é o da cloroquina e da sua versão mais light, a hidroxicloroquina. Incensado por Donald Trump e Jair Bolsonaro, o antimalárico passou por estudos científicos padrão-ouro em todo o mundo. Nenhum deles sugeriu qualquer eficácia da droga contra a doença. Entre engodos e descobertas, nesses quase dez meses de pandemia a medicina e a ciência têm aprendido com a doença. Nos hospitais, as técnicas de tratamento hospitalar se aperfeiçoam. Algumas são relativamente simples, como manter os pacientes de bruços por algumas horas. “Isso auxilia na proteção pulmonar e na oxigenação inclusive em pacientes não-entubados”, aponta Fábio Rodrigues, fisioterapeuta especializado em recuperação cardiorrespiratória do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A respiração mecânica continua, no entanto, a técnica mais utilizada nos casos graves. No HC, os pacientes em terapia intensiva ficam em média 11 dias internados. Para contornar essa crise, será necessária gama cada vez mais ampla de terapias. “Sozinhos, os medicamentos não conseguem conter epidemias”, avalia Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP. “As soluções não farmacológicas foram decisivas na redução de casos de tuberculose, malária, esquistossomose…, Mas os medicamentos são importantes para os indivíduos.” Diante dos repiques de casos, embora menos letais, e da aparição de um número pequeno, mas crescente de reinfecções, é ilusão sonhar com uma cura a jato. Talvez nunca se tenha uma “cura”: não há para gripe, o resfriado e outras infecções semelhantes. Um tratamento eficaz pode não ser suficiente para derrotar o vírus, mas tornaria a doença mais branda. Além da razão óbvia de salvar vidas, um remédio eficaz pode aliviar as rígidas restrições à circulação e o contato entre os seres humanos. Passados 37 anos da descoberta da AIDS, a vacina contra a doença não saiu do papel. A ciência foi, no entanto, capaz de desenvolver coquetéis que controlam o vírus e impedem o avanço da doença, garantindo não apenas sobrevivência, mas qualidade de vida aos infectados. No caso da tuberculose, doença viral e respiratória e mortal como o coronavírus, o tratamento via remédios contribuiu para reduzir o contágio da doença: em 2018, o Brasil teve em 36,2 casos para cada 100 mil habitantes contra 51,3 em 1990.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 19/09/2020 às 03h00

Covid19 se espalha entre autoridades após eventos em uma semana, autoridades em Brasília foram a pelo menos três eventos e com aglomeração e falta de máscara. Dias após a posse de Luiz Fux como chefe do Supremo, ele e Rodrigo Maia disseram estar com Covid19. PoderA6 poder coronavírus □ relembre frases de Bolsonaro sobre a pandemia Em 9.mar à comunidade brasileira em Miami “Tem a questão do e o coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus. Então talvez esteja sendo potencializado até por questão econômica.” EmIO.mar em evento em Miami “Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga.” Em16.mar à rádio Bandeirantes “Está havendo uma histeria. Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse dessas lideranças política? Se acabar economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo.” Em 20.mar em entrevista “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não.” Em12.abr à rádio Jovem Pan “A gente vai junto com pastores e religiosos anunciar para pedir um dia de jejum ao povo em nome de que o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível.” Em12.abr em videoconferência com religiosos “Parece que está começando a ir embora essa questão do vírus, mas está chegando e batendo forte a questão do desemprego.” Em20.abr questionado pela Folha sobre a quantidade de mortos “Eu não sou coveiro.” Em28.abr questionado sobre o recorde de mortes diárias registrado “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.” Em19.mai na live semanal “Toma quem quiser, quem não quiser, não toma. Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína.” Em2.jun a apoiadora “Agente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo.” Em25.jun na live semanal “Não podemos ter aquele pavor lá de trás, que chegou junto à população e houve, no meu entender, um excesso de preocupação apenas com uma questão [saúde] e não podia despreocupar com a outra [economia].” Em7.jul em entrevista, na qual confirmou ter contraído o vírus “Vamos tomar cuidado, em especial os mais idosos, que têm comorbidade. E os mais jovens, tomem cuidado. Mas se forem acometidos do vírus, fiquem tranquilos porque, para vocês, a possibilidade de algo mais grave é próximo de zero.” Emó.ago na live semanal “Agente lamenta todas as mortes, vamos chegar a 100 mil, mas vamos tocar a vida e se safar desse problema.” Em eventos sem proteção, autoridades ignoram Covid Casos da doença se espalham após encontros sem máscara e distanciamento Daniel Carvalho brasília A pandemia não terminou nem há vacina para a Covid-19, mas, em Brasília, autoridades retomaram festas e cerimônias. No país, são 4 milhões de casos e 135 mil mortes pelo novo coronavírus. Em uma semana, houve posse no STF (Supremo Tribunal Federal), casamento de filha de ministro e celebração do Ano-Novo judaico. Houve aglomeração, falta de máscara e cumprimentos com abraços e apertos de mão. O Supremo tem realizado sessões remotas por causa da pandemia. Porém, parte dos ministros voltou à corte para prestigiar a posse do ministro Luiz Fux como novo presidente, na semana passada. Até esta sexta-feira (18), após a cerimônia, sete autoridades presentes haviam recebido diagnóstico de Covid-19. O evento no Supremo foi realizado com alguns cuidados. Foi reduzido o número de convidados em plenário, e ministros e presidentes de Poderes, separados por placas de acrílico. Jornalistas ficaram do lado de fora, e a TV Justiça transmitiu apenas a cerimônia oficial, quando pessoas sem máscara foram vistas apenas no momento de discursar ao microfone. Nas redes sociais, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) publicou uma foto do dia do evento. Nela, dois ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) aparecem sem máscara ao lado da presidente da entidade, a juíza Renata Gil, também sem proteção. Dias depois, Fux, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os dois ministros da foto —Luís Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro—, a presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministra Maria Cristina Peduzzi, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, informaram estar com Covid-19. Após a solenidade, Fux ainda recebeu convidados mais próximos em coquetel no gabinete da presidência. O Supremo afirmou que o cerimonial está em contato com todos os convidados sobre a importância de buscar o serviço médico. “A presidência do STF vem prestar solidariedade e votos de ampla recuperação aos que eventualmente contraíram a Covid-19.” A corte afirmou que todas as medidas de segurança, protocolos e procedimentos recomendados pelo Ministério da Saúde e pela OMS (Organização Mundial da Saúde) foram adotados rigorosamente. Autoridades da posse participaram ainda de outros eventos. No sábado (12), houve o casamento da advogada Anna Carolina Noronha, filhado ministro João Otávio de Noronha, ex-presidente do STJ. Yossi Shelley e Michelle Bolsonaro em festa de Rosh Hashaná Micheiie Boisoiwono mstagram-15.set.20 Luiz Fux e Renata Gil na posse de Fux como presidente do STF AMB-io.set.2o/Divuigaçã<> 0 ex- presidente Lula em encontro com Renan Calheiros no hospital, em São Paulo Renan Calheiros no Instagram Jair Bolsonaro com ministros e parlamentares em entrevista Pedro Ladeira 1-.set.20/Foihapress A festa foi na casa do noivo, o empresário Eduardo Oliveira Fllno, e os convidados receberam potinhos de álcool em gel personalizados na entrada. O presidente Jair Bolsonaro (sempartido), que esteve na posse e era aguardado no casamento, não apareceu. Ele já foi contaminado pelo vírus, assim como seu filho Jair Renan, que foi à festa com a mãe, Ana Cristina Siqueira Valle. A celebração contou com a presença de Maia e de Luís Roberto Barroso, que estavam na posse no STF. Fotos publicadas em sites locais mostram convidados sem máscaras. Segundo relatos de convidados feitos à Folha, Maia foi um dos que passaram parte da noite sem o item de proteção. Na quarta (16), ele divulgou estar doente. O ministro Noronha não se manifestou. Anna Carolina não foi localizada. Nesta semana, novo evento na capital provocou aglomeração com convidados sem máscara. Foi o Rosh Hashaná, o Ano -Bovo judaico. O embaixador de Israel, Yossi Shelley, recebeu convidados na terçafeira (15) na sede da representação do país. A embaixada divulgou a presença dos ministros Paulo Guedes (Economia), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Milton Ribeiro (Educação), Braga Netto (Casa Civil), da primeira-dama Michelle Bolsonaro, do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSDSP) e de Aras. O procurador-geral, que teve a contaminação confirmada na quinta, aparece em foto sem máscara ao lado de Michelle, que também já se infectou. Dos convidados divulgados, só Guedes e Salles não pegaram Covid-19. Bolsonaro não foi à festa. A assessoria de imprensa da embaixada de Israel afirmou não saber informar se o embaixador ou outro convidado do evento teve resultado positivo no exame de Covid-19. Nesta quinta, Bolsonaro levou uma comitiva a Core mas (PB), a 400 km de João Pessoa. Durante a cerimônia, ele e ministros como Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) dispensaram as máscaras mesmo quando não estavam discursando na inauguração de uma usina fotovoltaica. A Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto disse que não iria se manifestar ao conversar com uma apoiadora que reclamava do fechamento do comércio na cidade, Bolsonaro mencionou na quinta-feira os casos da capital: “Várias autoridades em Brasília agora estão com o vírus. Não adianta, vai pegar”. O ex-presidente Lula, 74, também quebrou a quarentena ao visitar o senador Renan Calheiros (MDB-AL), 65, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Uma foto em que os dois aparecem juntos e sem máscara foi publicada nesta quinta (17) nas redes sociais do parlamentar O ex-presidente do Senado foi internado em 9 de setembro e operado para a extração de um tumor no rim direito. Já Lula, segundo interlocutores do ex-presidente, tinha exames de rotina marcados com seus médicos nesta semana, no mesmo hospital. Ministro do Turismo é 7Q infectado após posse de Fux brasília O Ministério do Turismo informou nesta sexta (18) que Marcelo Álvaro Antônio foi diagnosticado com o novo coronavírus. A pasta ressaltou que o ministro está assintomático e que passará a trabalhar de casa, “adotando os protocolos recomendados pelo Ministério da Saúde”. Com o ministro, já são sete as autoridades que receberam diagnóstico da doença após terem participado da cerimônia de posse de Luiz Fux na presidência do STF. Além de Álvaro Antônio e do próprio Fux, estão com a Covid o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o procurador-geral da República, Augusto Áras, os ministros Luís Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro, ambos do STJ (Superior Tribunal de Justiça) , e a ministra Maria Cristina Peduzzi, do TST (Tribunal Superior do Trabalho). Álvaro Antônio é também o nono ministro da equipe de Jair Bolsonaro que recebeu o diagnóstico da doença, sem contar o próprio presidente e a primeira-dama, MicheDe. Na cerimônia realizada na semana passada no Supremo, havia 48 convidados de Fux no plenário. O local comporta até 250 pessoas. Assessores de autoridades presentes, servidores do tribunal e os dragões da independência (que fazem a recepção em cerimônias oficiais), porém, se acumularam do lado de fora, emmuitos casos sem respeitar o distanciamento recomendado. O Supremo reservou um espaço na área externa para profissionais da imprensa. Depois da solenidade, Fux ainda recebeu pessoas mais próximas em um coquetel no gabinete da presidência. Na cerimônia, inicialmente Fux estava de máscara, mas a retirou logo no começo para ler o termo de posse, assim como Rosa Weber, que assumiu a vice-presidência do STF. Depois, ambos colocaram novamente a proteção facial para o restante do encontro. Marco Aurélio, responsável por falar em nome do STF, também retirou a máscara para discursar, assim como o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz. Dias Toffoli, que passou o comando do STF a Fux, foi o único a não retirar a proteção ao usar o microfone. Gustavo Uribe