Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 18/11/2020 às 20h52

O número de internações por Covid19 na rede municipal de São Paulo saltou 26% na última semana e atingiu o mesmo nível do início de outubro, preocupando médicos com a decisão do governo paulista de revisar o Plano SP de medidas de isolamento social apenas no fim do mês. Na capital paulista, as hospitalizações passaram de 644 no dia 11 para 814 na terça (17). As internações em UTI subiram 33%, de 339 para 451. A taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva aumentou de 32% passou 44%. Na última semana, cidades da Grande São Paulo, do interior e da Baixada Santista também apresentaram alta nas hospitalizações por Covid19. Em Santo André, por exemplo, de 39% (255 para 355), São Caetano do Sul, de 30,6% (111 para 145), Praia Grande, de 37,5% (de 24 para 33), e Sorocaba, de 24% (172 para 213). A análise é do projeto InfoTracker, da USP e da Unesp, que monitora a pandemia no estado desde seu início. Diferentemente dos números de casos e óbitos, os dados de internação não foram afetados pela falha no sistema do Ministério da Saúde neste mês. Para pesquisadores que acompanham a epidemia no estado, esse aumento não aparenta ser mera oscilação e sim o prelúdio de uma segunda onda, ou o recrudescimento da primeira, como descrevem alguns epidemiologistas. Na avaliação desses especialistas, é temerário que o governo paulista espere até o dia 30 para atualizar o Plano SP, que regulamenta os estágios da quarentena no o estado. Na terça (17), o governo de São Paulo publicou no Diário Oficial o decreto que prorroga a quarentena até 16 de dezembro após aumento constatado de 18% nas internações por Covid19. Hoje parte do estado, inclusive a capital, está no estágio verde, os penúltimos na escala de liberação, e parte no amarelo, que permite a abertura de estabelecimentos mas limita o horário. No entanto, disse que o dado precisa ser analisado em conjunto com estatísticas de novos casos e mortes, que são fornecidas pelo Ministério da Saúde, com problema de atualização nos últimos dias. “Não tem oscilações naturais nessa magnitude [nas internações]. Subir dessa maneira, de forma rápida, só no início da pandemia”, diz Wallace Casaca, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e coordenador do projeto Covid-19 InfoTracker. O índice de contágio (RT), que aponta quantas pessoas serão contaminadas por um infectado e ajuda a estimar a velocidade de transmissão da doença, voltou a pairar acima de 1 no país no dia 13. Em São Paulo, está em 1,38. O número deve estar sempre abaixo 1 para que a tendência de queda de casos se mantenha. O InfoTracker e o Imperial College de Londres monitoram esse indicador. “A capital paulista estava com tendência de queda do RT no final de outubro, a partir do dia 4 de novembro ela começou a aumentar de forma expressiva. Passou de 1,04 e bateu nesta quarta [18], 1,38. ” Para Casaca, esse conjunto de dados, associado ao aumento de casos confirmados da doença, são sinais suficientes para que as restrições de circulação sejam revistas logo. “Seria necessário algum tipo de intervenção do governo e, obviamente, o apoio da população para tentar conter esse aumento. Uma força tarefa conjunta”, diz. Eliseu Waldman, professor epidemiologia da Faculdade de Medicina da USP, afirma que o aumento das internações e dos casos precisa ser reavaliados diariamente porque, se a alta continuar nos próximos dias, não dá para esperar até o dia 30. “Isso ocorre em um momento em que os hospitais diminuíram as vagas específicas para Covid19 e começaram a atender a demanda represada de outras doenças. Os hospitais de campanha foram desmontados. Mobilizar rapidamente leitos será bem difícil. ” Segundo ele, já começa a faltar leitos em hospitais públicos do litoral paulista, que registra alta de casos, e há pacientes sendo transferidos para a capital, além de uma pressão de prefeitos para que o governo libere recursos para a ampliação de leitos para a Covid19. A cardiologista Ludhmila Abrahao Hajjar, que atua no InCor (Instituto do Coração) e no Hospital Vila Nova Star, também considera arriscado esperar até o fim do mês para atualizar o Plano SP. “A gente já sabe que está aumentando, que dobrou a taxa de transmissão no país. Tem que tomar medidas mais restritivas, tem que ter campanha alertando a população. Não dá para esperar mais. ” Para ela, o período eleitoral, com comícios e grandes aglomerações, foi um dos fatores que levaram ao aumento de casos e de internações. “Teve comício no Nordeste com 3.000 pessoas. O povo relaxou total. As pessoas acham que, se não pegaram até agora, não vão pegar mais e que a vacina está chegando. É um conjunto de desinformações, um desequilíbrio de mensagens entre estados, municípios e governo federal. ” Segundo a médica, o aumento de internações por Covid19 nos hospitais privados já está levando gestores a estudarem adiamento de cirurgias eletivas. “Onde é que vai ficar o câncer, a doença cardiovascular? ”, questiona. Os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz negam que haja plano suspensão de cirurgias eletivas. “Não suspendemos nada. Nem cirurgias, nem endoscopias. Da outra vez, a gente viu um aumento muito grande da gravidade de outras doenças, como câncer, doenças cardíacas e neurológicas avançadas. Trabalharemos o tempo todo para evitar que isso aconteça”, diz Paulo Chachap, diretor-geral do Sírio-Libanês. O hospital mantém entre 120 a 130 pacientes internados com Covid19 (ante uma média de 80 em outubro), mas, com a perspectiva de a procura crescer, está aumentando a capacidade instalada. Hoje há 135 leitos para Covid19. Serão abertos mais 50 leitos, totalizando 550 leitos. “A gente primeiro amplia e depois separa para Covid e não Covid, dependendo da pressão na porta. Se a curva continuar como está, é provável que esses novos leitos sejam designados para Covid.” Chapchap diz que uma mudança verificada nos últimos dias foi que os pacientes de São Paulo, que antes representavam 50% dos internados, agora totalizam 80%. “Como ocorreu da outra vez, a gente sentiu primeiro nos hospitais que não atendem o SUS e depois nos hospitais que atendem o SUS. Tem um descasamento aí de uma, duas semanas entre as duas pressões”, diz. Para ele, além da necessidade de o governo paulista dar um novo direcionamento para essa atual realidade de aumento de casos, é importante que as pessoas se comportem de maneira diferente, já que o risco cresceu. “O restaurante pode estar aberto, mas, como indivíduo, eu posso decidir que não vou ao restaurante. ” Segundo Chapchap, o momento pede solidariedade. “Se você não está com medo por você, pense nos profissionais de saúde que estão esgotados, pense nas pessoas que têm outras doenças e que não podem mais adiar o tratamento. ”

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 18/11/2020 às 20h12

Pacientes da capital paulista estão enfrentando dificuldades para conseguir vaga em leitos de UTI de hospitais da rede particular de São Paulo. Segundo relatos ouvidos pelo G1, o aumento no número de internações por coronavírus seria o responsável pela lotação na rede privada na cidade. Familiares de pacientes ouvidos pela reportagem afirmam que não conseguiram leitos nesta quarta-feira (18) em ao menos três grandes hospitais da cidade: Albert Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz. O problema afeta tanto pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19 quanto de outras doenças. Em nota, o Hospital Israelita Albert Einstein não confirmou a falta de vagas, mas disse que no momento "há 91 leitos ocupados por pacientes com diagnóstico confirmado para a Covid-19" e que "da última semana de setembro ao dia 12 de novembro, a média de internações oscilou entre 50 e 55 pacientes com o novo coronavírus". Médicos que atuam na rede particular e municipal de SP também confirmam ao G1 a saturação do sistema particular. Um dos profissionais ouvidos pela reportagem revelou que nesta terça-feira (17), em seis horas de plantão em um hospital particular na Zona Oeste, atendeu ao menos 25 pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. Além da escassez de vagas, os funcionários dos hospitais privados estão sendo orientados a redobrar os critérios para liberação dos poucos leitos que ainda restam, principalmente de UTI. Em entrevista à GloboNews na manhã desta quarta-feira (18), o infectologista Davi Uip, membro do Centro de Contingência do Coronavírus de SP, disse que o comitê pediu ao governo João Doria (PSDB) que os leitos de Covid-19 não sejam desmontados no estado. A solicitação ocorre após a alta de casos da doença registrados na cidade de São Paulo e também no interior paulista. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a procura por exames para detecção da Covid-19 aumentou 30% nos últimos 15 dias. Já o percentual de resultados positivos aumentou 25% no mesmo período. Outros hospitais particulares O Hospital 9 de julho, localizado na região central de São Paulo, informou, por meio de nota, que "após a estabilização no número de casos entre os meses de maio a outubro, nos primeiros 17 dias de novembro foi registrado um aumento de cerca de 30% nas internações de pacientes com Covid-19". A unidade disse ainda que dispõe de 470 leitos, sendo 110 de UTI, e que nas últimas duas semanas registrou aumento na taxa de ocupação em quarto privativo por pacientes com doenças respiratórias. O Hospital São Camilo informou que "atualmente, a taxa de ocupação dos leitos de UTI por Covid-19 na Rede é de cerca de 86%. No entanto, como este número pode variar constantemente, novos leitos poderão ser abertos conforme a necessidade". Em nota, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz disse que "registrou alta no número de casos de Covid-19 tratados pela Instituição, frente ao patamar de outubro" e "a maior procura de vagas por pacientes de outros estados". Com relação à ocupação dos leitos, a unidade de saúde informou que os números são repassados exclusivamente às secretarias de saúde do Estado e do Município. Já o Hospital Samaritano informou que não está com todos os leitos ocupados e que os dados são repassados diretamente para o Ministério da Saúde. Além disso, a assessoria da unidade de saúde disse que "os números mudam diariamente, e além de leitos em operação, existem os leitos que podem ser expandidos dependendo da demanda". O Hospital Santa Catarina informou que "possui leitos disponíveis para internação de pacientes com Covid-19, assim como de outras patologias, nas UTIs". O Hospital Beneficência Portuguesa informou, por meio de nota, que verificou um aumento na demanda por internações devido a Covid-19 nos últimos 14 dias. "Temos mantido estreita vigilância sobre a evolução epidemiológica dessa doença e a comparação dos números de hoje com os de 14 dias atrás sinaliza um aumento no número de internações. Em 4/11/2020 eram 35 pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19 internados em nossas unidades". Atualmente, a unidade de saúde está 45 pessoas internadas devido a Covid-19. Internações na segunda-feira (16), o governo de São Paulo admitiu que ocorre um aumento nas internações por Covid-19 no estado. Na última semana epidemiológica, que vai do dia 8 ao dia 14 de novembro, as internações de casos suspeitos e confirmados da doença cresceram 18% em relação à semana anterior: a média diária das novas internações subiu de 859 para 1.009. Segundo o secretário de saúde estadual, Jean Gorinchteyn, se os indicadores de saúde continuarem a crescer, medidas mais restritivas na quarentena poderão ser adotadas. “Se nós tivermos índices aumentados, seguramente, medidas muito mais austeras e restritivas serão realizadas no sentido de continuarmos a garantir vidas. É assim que o faremos”, afirma Jean. “Se nós tivermos índices aumentados, seguramente, medidas muito mais austeras e restritivas serão realizadas no sentido de continuarmos a garantir vidas. É assim que o faremos”, afirma Jean. Governo negava aumento na semana passada, médicos de 14 hospitais já haviam alertado para o aumento de internações por Covid-19 na rede privada da cidade de São Paulo. No entanto, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, negou na quinta-feira (12) que os números estivessem subindo. "Todas as internações que acontecem no estado de São Paulo, seja no ambiente público, seja no ambiente privado, são notificadas para os nossos órgãos reguladores dentro da secretaria de estado da Saúde. Então nós trabalhamos com números oficiais. Estes números oficiais não revelam o que foi exposto pela mídia", disse na ocasião. Além dos relatos da rede privada na capital, dados oficiais divulgados pelo governo do estado para todo o sistema de saúde na Grande São Paulo já apontavam para aumento na média móvel de internações em novembro, em comparação a outubro. O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), também negou que as internações estivessem subindo. "O que nós temos são alguns dados específicos de alguns hospitais privados, que recebem inclusive muita gente de fora de São Paulo, então, portanto isso não reflete a evolução da pandemia na cidade. Os números agregados da cidade de São Paulo mostram que não há nenhum recrudescimento da doença. A gente continua a abaixar os índices aqui”, afirmou na sexta-feira (13). Em nota, o governo de São Paulo disse que "na coletiva de imprensa na última quinta-feira (12), fora esclarecido que ainda era precoce falar em aumento, pois os dados globais da rede de saúde ainda não indicavam este cenário, sendo dever da Secretaria de Estado da Saúde monitorar e analisar tecnicamente dados reportados à pasta antes de qualquer divulgação, prezando pela veracidade, precisão e transparência nas informações". VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana

LIVE CNN BRASIL/CNN BRASIL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 18/11/2020 às 11h36

de queda da taxa de contágios números do coronavírus voltaram a subir no estado de são paulo quem tem as informações é a carol a berlim carol bom dia pra você o que acontece relaxamento em relação às restrições isolamento social as pessoas também estão mais digamos assim não estou mais respeitando tanto as normas essa é a pergunta que a gente se faz como estamos chegando nesses números e nesses índices nessa curva que estava descendente e agora volta a subir porque temos uma flexibilização da economia que foi feita com protocolos está todo mundo seguindo esses protocolos é o questionamento desse momento é segundo o observatório da síndrome respiratória da universidade federal da paraíba que monitora a marcela e felipe a pandemia no brasil num recorte estado de são paulo estamos com uma taxa de transmissão de um vírgula dois ontem vocês se lembram que o impio e ou college da universidade de sussex em londres já havia feito o alerta que o brasil novamente tinha passado de um um ponto um a taxa de transmissão aqui no brasil isso significa uma taxa acima de um significa que uma pessoa transmite para mais de uma pessoa um exemplo claro claro fica por exemplo cem pessoas contaminadas transmitem pra outras cento e dez pessoas e aí vai e ai por diante a menor taxa que nós tivemos foi em setembro zero ponto sete e a maior em março quatro ponto dois a gente nem quer lembrar como foi isso né é um momento realmente de alerta de preocupação temos também o o os casos de internações em alta aqui no estado de são paulo dezoito por cento ontem já havíamos falado segundo o governo do estado e rapidinho segundo um levantamento da nossa produção dois hospitais particulares sírio libanês megacorp já observam aumento de internações por pacientes pela curva dezenove fiquemos em alerta nervosos com vocês aí no estúdio é isso carol obrigada pelas informações a estranha ficar em alerta com essa taxa de contágio que aumentou em um vírgula dois por cento segundo a carol essas informações que ela trouxe aqui pra gente vou conversar então agora com o pedro halal que epidemiologista e reitor da universidade federal de pelotas pedro obrigada por nos atender e eu gostaria de começar entendendo o que significa essa taxa de um vírgula dois e como que ela é calculada bom dia para você bom dia eu acho que foi muito bem explicado por durante a reportagem mas sem o pessoas que se contaminam com a corrida de hoje acabam gerando outros cento e dez casos ou seja cada pessoa tem transmitido a doença pra mais do que uma ou pra pessoa então tem um vírgula um este número é ter é perigoso quando a doença controlada e este é que a gente chama ele tem que ficar abaixo de um então nesse momento que ele passou do um novamente é sinal de alerta no brasil para que a gente faça distanciamento use máscara e todas as intervenções para trazer esse r pra baixo do umas novamente como esteve em setembro como tu bem disseste pedro bom dia flexione aqui obrigado por atender a gente ao vivo aqui no ipad só mais uma pergunta para você sendo muito prático a gente sempre fala muito em dados e números a gente mostrou os números da universidade johns hopkins a gente mostrou os números do ministério da saúde eu quero fazer a pergunta que todo mundo tá fazendo nesse momento a gente precisa ficar muito preocupado com o que tá acontecendo com essa escalada novamente dos números o com alerta a gente tem que ficar nesse momento olha philipe essa é uma ótima pergunta porque uma pergunta bem do dia a dia a gente tem que ficar alerta sim eu não diria que nesse momento a mensagem é todo mundo fique em casa de novo por que porque a gente fez isso lá no começo da pandemia era necessário a mensagem agora é quando sair de casa use máscara lave bem as mãos evite tocar a mão no nariz na boca e nos olhos mantenha distância de pelo menos dois metros outras pessoas então a mensagem é precisamos estar preocupados até para que a gente consiga passar o natal e ano novo com os nossos familiares se continuar nesse aumento talvez dezembro a gente tem que fechar tudo de novo como foi lá no começo da pandemia certamente que ninguém quer isso né felipe aguenta mais né pois é né bom obrigada pelas informações pelos esclarecimentos claro que a gente tem ficar atento e alerta essa taxa então acima de um por cento preocupa como você falou a gente conversou com pedro halal etimologista e reitor da universidade federal de pelotas brigada e até uma próxima muito obrigado bom a gente tem novas informações sobre a eficácia de noventa e cinco por cento da vacina da febre a gente vai continuar falando sobre esse assunto também.

Jovem Pan
Data Veiculação: 18/11/2020 às 10h09

Sandro Pereira/Estadão Conteúdo Porcentagem de casos e mortes se manteve estável na cidade de SP, com um acréscimo, respectivamente, de 2,34% e 0,7% na última semana O aumento no número de internações por Covid-19 em alguns dos principais hospitais privados da cidade de São Paulo já começa a ser observado também nos hospitais municipais. Em uma semana, as internações na cidade por causa da doença subiram de 581 para 644, um aumento de 10,84%, de acordo com dados da ferramenta Info Tracker, desenvolvida por pesquisadores da Unesp e da USP. Além disso, o governo anunciou, nesta segunda-feira, 16, que a última semana epidemiológica se manteve estável em relação à anterior quanto ao número de novos casos (3.664) e óbitos por Covid-19 (88), mas registrou uma alta de 18% nas internações no Estado — de 859 para 1.009, considerando hospitais públicos e privados. Especialistas afirmam que ainda é cedo para falar em uma segunda onda da doença em São Paulo, e atribuem o aumento de internações à flexibilização e ao relaxamento no cumprimento das normas básicas de higiene, como lavar as mãos, usar máscaras e respeitar o distanciamento social. “Acho complicado neste momento falarmos em uma segunda onda, porque temos que partir do princípio de que a primeira onda nos estados e municípios acabou, e isso efetivamente não aconteceu no Brasil”, afirmou à Jovem Pan o professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) José Rocha Faria Neto, que está à frente do estudo que monitora a evolução da Covid-19, ligado ao Centro de Epidemiologia e Pesquisa Clínica da Universidade (Epicenter). O especialista observa que, em países como França, Itália e Reino Unido, onde claramente vemos hoje uma segunda onda da doença, durante cerca de vinte semanas houve uma diminuição brusca nos números de casos, até que ressurgissem. Além disso, análises realizadas pela Universidade de Basel, pela Escola Politécnica Federal de Zurique e pelo consórcio espanhol SeqCovid-Spain, liderado pelo Centro Superior de Pesquisas Científicas (CCSI), indicam uma mutação do genoma do vírus, que teria contribuído para a disseminação da doença na Europa. Apesar do aumento na taxa de internações, a porcentagem de casos confirmados e mortes na cidade de São Paulo se manteve estável, com um acréscimo, respectivamente, de 2,34% e 0,7% na última semana. “Esse aumento de diagnósticos e internações não tem relação, necessariamente, com a mortalidade, pois já aprendemos a lidar muito melhor com a doença e com os tratamentos disponíveis. No entanto, é importante reforçar que, até termos uma vacina, a Covid-19 não está extinta. Ou seja, não podemos relaxar”, disse à Jovem Pan o neurocirurgião Renato Andrade Chaves. Ao anunciar a alta nas internações no estado, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, pediu apoio da população para que o Plano São Paulo continue tendo sucesso. Ele ressaltou que essa alta reflete o impacto do feriado e das festas registradas nas últimas semanas. “Um pequeno esboço do que virá se não tivermos responsabilidade”, classificou. “Deixem para festejar quando tivermos a vacina”, completou o governador João Doria. Na rede privada, pelo menos cinco hospitais registraram aumento em diferentes proporções na primeira semana de novembro: Sírio Libanês, HCor, São Camilo, Albert Einstein e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. No São Camilo, por exemplo, em maio, a média de internações diárias era de 17, com queda para seis em outubro – agora, em novembro, subiu para oito. O professor José Rocha Faria Neto afirma, porém, que é difícil dizer que há uma movimentação semelhante à que ocorreu no início da pandemia, em que os casos começaram a aparecer primeiro nos hospitais privados, e só depois nos públicos. “Lá no início, o que aconteceu nos hospitais privados é que os primeiros casos foram importados, de pessoas que haviam viajado e estavam passando férias na Europa, por exemplo, e trouxeram o vírus junto para o Brasil. Nesse momento, eu acho muito difícil dizer que a tendência seja a mesma, pois os novos casos são gerados aqui mesmo, então não haveria uma explicação lógica para isso. ”

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 18/11/2020 às 03h00

Centros médicos em PR e SC já adiam as cirurgias eletivas Previsão de mais casos de covid19 cria ‘situações de alerta’ e médicos decidem abrir espaço em mais quartos e UTIs Hospitais públicos e privados do Sul do País, especialmente em Santa Catarina e no Paraná, estão adiando cirurgias eletivas que não têm caráter de urgência -, a fim de liberar leitos e esforços para atendimento dos 4 casos de covid19. Em São Paulo, as cirurgias continuam a ser realizadas, mas os hospitais estão em “situação de alerta” com o avanço da pandemia. Em Curitiba, a secretária de Saúde, Márcia Huçulak, solicitou que as cirurgias eletivas fos- ♦ sem suspensas a partir de ontem, em hospitais públicos e privados que atendem pelo SUS. A suspensão é temporária, mas ♦ não há uma data para retomada dos procedimentos. “É possível que tenhamos um aumento de internações na próxima semana. A medida é de precaução para destinarmos um pouco mais de leitos e ninguém ficar sem assistência”, disse a secretária. Cirurgias eletivas são aquelas marcadas com antecedência, não urgentes. Adiar uma cirurgia significa destinar leitos e cuidados hospitalares para as emergências impostas pelo novo coronavírus. De acordo com o governo do Paraná, três hospitais de Curitiba estão com 100% de ocupação nos leitos de UTIs exclusivos para pacientes com coronavírus. Ontem, Curitiba relatou mais de 1.500 novos casos da covid-19 e ultrapassou a marca de 60 mil casos. “Semana passada, saímos do patamar de 300 a400 casos por dia e pulamos para 700”, disse a secretária. Hospitais de Santa Catarina também estão adiando cirurgias. As cidades de Florianópolis, Balneário Camboriú e Itajaí Hospitais de SP ‘mantêm a rotina’ • Em São Paulo, todos os cinco hospitais consultados pelo Estadão mantêm a rotina de cirurgias. São eles: Albert Einstein, Sírio Libanês, São Camilo, Beneficência Portuguesa e Oswaldo Cruz. Os especialistas de todos estão atentos ao aumento de casos e destacam que o cenário é dinâmico e indica que uma elevação da procura pode mudar os planos de atendimento. 0 Sírio-Libanês informa que o "cenário atual está controlado e atendimentos e cirurgias eletivas estão sendo mantidos”. Érica Rabello, da Rede de Hospitais São Camilo, afirma que os fluxos seguros e organizados de atendimento garantem a continuidade das cirurgias. A média de internações é de dez pacientes por dia. já adotaram a medida. A próxima deve ser Criciúma, que também registra aumento significativo do número de internações. O secretário de Saúde, Acélio Casagrande, explica que o número de pacientes internados com covid19 saltou de 21 para 107 nos dois hospitais da cidade. O recorde, de 128 internações, aconteceu entre abril e maio. Dos 30 leitos reservados no Hospital Florianópolis, referência para covid19, apenas quatro estavam ontem disponíveis. O Hospital Celso Ramos está com lotação de 95% na UTI. Adiamentos. Uma portaria de 11 de novembro, da Secretaria de Saúde, autoriza o adiamento das cirurgias, quando atingida a ocupação de 80% dos leitos de UTI, explica Ramon T artari, superintendente de Serviços Especializados da secretaria. No Rio Grande do Sul, a pressão ainda não é tão grande. O epidemiologista NatanKatz, secretário de Saúde adjunto, revela que a cidade tem entre 200 e 240 pacientes internados nos 11 hospitais. O Hospital Moinhos de Vento, um dos mais importantes da cidade, chegou a restringir o atendimento de novos pacientes com a covid-19 por 48 horas no fim de outubro, por causa da lotação da unidade de internação, da emergência e do CTI Covid19. “Infelizmente, estamos em um momento de retomada dos casos. Se tivermos uma recrudescência da pandemia, seguramente issovai acontecer e teremos de adiar as eletivas”, diz o epidemiologista e professor da UFRGS. / g,j.