Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

VEJA.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 17/09/2020 às 20h27

A pandemia não acabou, e seria irresponsabilidade acreditar que ela esteja terminando. Mas, passados nove meses deste ano diferente de todos os outros, o mundo começa a se abrir para uma vida relativamente normal, cumprindo um protocolo de segurança — máscaras, luvas, mãos lavadas, testes, distanciamento — fincado nos conhecimentos adquiridos ao longo da inédita convivência com o inimigo invisível e insidioso. À medida que contágio e mortes registram recuo constante, o comércio volta a funcionar, bares e restaurantes reabrem, serviços são reativados e, nos fins de semana deste inverno ensolarado, as praias se enchem de gente. Em meio à movimentação, uma atividade crucial permanece suspensa em quase todo o Brasil: o ensino presencial nas escolas. É compreensível que pais e mães se angustiem com os riscos da saída dos filhos do restrito círculo familiar. Mas cada dia que um aluno passa sem aprender estica sua defasagem de conhecimentos lá na frente, quando estiver construindo o futuro dele e do país. Sob esse ponto de vista, com os cuidados sanitários necessários garantidos, já está na hora de as escolas brasileiras tocarem a campainha e começarem a aula. Em março, todos os 47,9 milhões de crianças matriculadas nas redes pública e privada do Brasil deixaram de ir ao colégio e entraram em um regime de ensino on-line reconhecidamente precário — sem falar nos 12% que não têm acesso à internet. Dois estados, Amazonas e Pará, liberaram a reabertura das escolas particulares em todos os municípios e outros cinco, incluindo São Paulo, em parte deles. Nos demais, é nítida a disposição dos colégios de pôr fim aos meses de portas fechadas. VEJA consultou 120 escolas particulares do país, classificadas entre as melhores, de acordo com o ranking do Enem, para conhecer seus planos de retomada. Delas, 10% já estavam em atividade e, entre as demais, a maioria absoluta — 77% — disse que só aguarda a liberação das autoridades para abrir as portas. Do total, 89% consideram essencial a presença das crianças na sala de aula. O Pueri Domus, onde estudam os gêmeos Gabriel e Maria Eduarda, de 13 anos, ainda não pode reabrir, e a mãe deles, a psicóloga Ana Paula Costa, lamenta. “Não considero este um ano perdido. O ensino remoto estimulou o amadurecimento e o senso de responsabilidade dos dois. Mas, em vez de um dia inteiro de atividade, hoje o máximo que fazem é andar de bicicleta no condomínio. O convívio com os amigos tem feito muita falta”, diz. A retomada oficial depende das autoridades estaduais e municipais (veja artigo na pág. 65). Pois o que deveria ser uma decisão técnica, levando em conta o cenário epidemiológico da região, muitas vezes descamba para a vala comum das diferenças políticas, com confrontos entre governadores e prefeitos. A proximidade das eleições municipais não ajuda — os candidatos querem distância de medidas impopulares e do risco de escolas virarem focos de contágio. Algumas associações de professores também resistem à volta, alegando questões de segurança. As divergências costumam parar nos tribunais, alimentando uma guerra de liminares. O vaivém na Justiça propicia absurdos como o acontecido no Rio de Janeiro, onde, na primeira semana de setembro, os alunos puseram a mochila nas costas, foram à escola um dia e acabou — aulas estão suspensas até segunda ordem. Cada colégio que reabre deixa a critério dos pais aceitar ou não a volta dos filhos, e, por enquanto, a maior parte, compreensivelmente, se mostra temerosa. Em um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Escolas Particulares com mais de 14 000 pais e responsáveis, 73% disseram preferir manter os filhos em casa, por medo da Covid-19. Já os filhos, quem diria, estão loucos para sair. A carioca Emanuele, 12 anos, aluna do Colégio Santa Terezinha, não vê a hora de voltar, mas sua mãe, Karla Ribeiro, diretora de uma ONG, é contra. “Se comigo, quando saímos, a Emanuele esquece os protocolos, toca em objetos e leva as mãos aos olhos e à boca, quem garante que isso não se repetirá no colégio? Enquanto não houver vacina ou remédio eficaz, ela vai estudar em casa, mesmo a contragosto”, afirma. Embora esse tipo de preocupação seja recorrente, tanto a Organização Mundial da Saúde quanto o Unicef, que atende crianças, e a Unesco, que trata da cultura, recomendam que as escolas sejam reabertas até antes das demais atividades. Ainda que se tenha comprovado recentemente que sua capacidade de transmissão do vírus é igual à dos adultos, as crianças totalizam apenas 8,5% dos casos de Covid-19 no mundo. No Brasil, entre mais de 4,4 milhões de pessoas infectadas, só 8 332 têm menos de 19 anos. E, embora uma só carregue o peso de uma tragédia, as mortes foram raríssimas. “Quando as medidas sanitárias são respeitadas, o risco de contágio é infinitamente menor nas escolas do que em shoppings e bares”, afirma o infectopediatra Marcelo Otsuka. Em Fortaleza, onde a reabertura se deu no dia 8 de setembro, Michelle de Oliveira, 37 anos, sente enorme satisfação em levar Stella, 4 anos, e Beatriz, 2, para a pré-escola, de máscara e passando pelo ritual de higienização das mochilas. “No primeiro dia, chorei ao ver a felicidade das meninas por estarem naquele ambiente, gastando a energia acumulada durante a quarentena”, relata. A chave, enquanto a vacina não vem, é manter os protocolos. Hospitais renomados como Sírio-Libanês e Einstein, em São Paulo, e a Rede D’Or, do Rio, foram contratados para dar consultoria sobre segurança sanitária a muitas das escolas ouvidas por VEJA. As recomendações vão do básico — higienização constante dos ambientes e das mãos, uso de máscaras, garrafas de água individuais e distanciamento de pelo menos 1 metro entre as carteiras — até mudanças que exigem esforço da comunidade escolar, como escalonamento no horário de entrada dos alunos, diminuição das turmas e formação de “bolhas” nas quais os estudantes convivem com um número restrito de colegas. Também é preciso identificar integrantes de grupos de risco e disponibilizar testes para casos suspeitos. Havendo contágio, recomenda-se fechar por duas semanas. Aos pais e alunos que não se sentem seguros em voltar, as escolas se dispõem a oferecer um ensino on-line de maior qualidade do que a improvisação que prevaleceu no isolamento social. No levantamento de VEJA, praticamente todas — 99% —, quando reabrirem, terão um sistema híbrido, com aulas presenciais e remotas. Em média, o plano é de que as escolas acolham apenas 30% dos alunos por vez, o que pode ajudar a tranquilizar os pais reticentes. “Abrir com pouca gente ajuda a quebrar um ciclo de inércia. Serve para testar as novas regras, os novos protocolos, e incentiva os outros, que vão perdendo o medo, no processo gradual que a situação exige”, diz Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV-RJ. Entre os modelos pedagógicos a ser utilizados no ensino híbrido, um separa os alunos em duas turmas, a presencial e a remota, com horários e conteúdos diversos, o outro alterna aulas com e sem professor — nessas últimas, o aluno tem metas a cumprir. Também se contempla, para estudantes mais velhos, a transmissão simultânea das aulas em sala para a audiência remota, que poderão inclusive interagir com colegas e professores. Entusiasta do ensino digital, o professor de física Raphael Barbosa, 35 anos, do Colégio pH, do Rio, investiu 500 reais em equipamentos e montou um mini estúdio em casa para ensinar a distância. “Sei que a física não é a matéria preferida deles e me esforcei para tornar o conteúdo aprazível e interessante. Acho que consegui”, diz. Os novos tempos vão continuar exigindo flexibilização. A volta à escola terá, necessariamente, de passar por um encolhimento do currículo, dando prioridade às matérias essenciais para o avanço do aprendizado. Alguns conteúdos serão adiados para 2021 e acumulados com a programação normal. Cerca de 70% das instituições ouvidas por VEJA informaram que aplicarão testes para avaliar possíveis defasagens de aprendizado durante o período de ensino remoto, e 87% deixarão o aluno escolher se fará a prova em casa ou no colégio. Os testes remotos, explicam, serão mais dissertativos e espera-se que os pais colaborem, para impedir pesquisas e conversas via aplicativo. Os especialistas advertem, no entanto, que mesmo para uma geração que nasceu conectada a redução do contato com a escola a uma tela de computador pode trazer dificuldades na hora da readaptação. “As crianças enfrentarão o desafio de recuperar o hábito do estudo, já que passaram muito tempo com a rotina virada do avesso”, avalia o matemático americano Salman Khan, um dos mais famosos do mundo e cujas aulas virtuais são seguidas por milhões de estudantes ao redor do globo. A empresária Sania Dornelas, 42 anos, está preocupada com o rendimento escolar da filha Lorena, de 9, quando for a hora de rever a sala de aula. “Além de não assimilar novos conteúdos integralmente, ela desaprendeu alguns, como a tabuada”, diz. Moradora do Distrito Federal, onde as aulas presenciais continuam suspensas, Sania diz que nem sempre se sente capacitada para ajudar a filha nos trabalhos escolares. “A única forma de este não ser um ano perdido é a reabertura”, afirma. Outro motivo de preocupação dos educadores, decorrente da interrupção do convívio e do isolamento, é a pequena familiaridade dos alunos com habilidades que as escolas modernas vêm se esforçando para desenvolver neles, como trabalhar em grupo, respeitar diferenças e tomar decisões. A equipe pedagógica terá também de saber lidar com manifestações de depressão e irritabilidade, potencializadas na quarentena. O caminho é gradual, mas precisa ser iniciado. A volta deverá ser feita em fases, sendo a primeira delas direcionada para uma espécie de despressurização. “O aluno precisa ser testado para saber quanto aprendeu de verdade e receber atendimento personalizado, de modo a entrar no ritmo que a quarentena comprometeu”, ressalta Claudia Costin. O novo coronavírus provocou o fechamento de escolas em 190 países e afetou diretamente a rotina de 1,6 bilhão de estudantes, dos quais se estima que 24 milhões não voltarão aos bancos escolares. Além dos prejuízos em termos de conhecimento e dos danos à saúde das crianças confinadas, deixar de ir ao colégio também resultará em enorme impacto econômico. Um estudo da OCDE, a organização dos países mais desenvolvidos, calcula que a defasagem de aprendizado nos meses de isolamento social deve causar perdas da ordem de 1,5% do PIB mundial até o fim do século. “Devido ao atraso educacional, em um país como o Brasil pode haver diminuição de até 3% na renda que essa geração vai acumular ao longo da vida. Além de reabrir as escolas, é preciso acelerar a melhoria do ensino para reverter essa previsão”, frisa o físico alemão Andreas Schleicher, diretor da área de educação da OCDE. Lá fora, esse processo tem sido vitorioso. Mais de trinta países já retomaram a rotina escolar com sucesso, mesmo tendo de cerrar os portões de novo, temporariamente, ao detectar casos de contaminação — na França, setenta das 3 600 escolas já passaram por isso. A China, com a facilidade da obediência a ordens de cima que o sistema ditatorial impõe, recolocou neste mês mais de 100 milhões de alunos nos bancos escolares. Alemanha, Dinamarca e Coreia do Sul também estão com os colégios funcionando normalmente. “Um fator em comum na volta bem-sucedida é a presença de diretores capazes de envolver toda a comunidade escolar na tarefa de virar a página”, ressalta Schleicher. Enquanto o mundo avançado se mexe, o Brasil permanece empacado na faixa mais alta de dias sem escola, segundo a OCDE, deixando para trás o recorde de vinte semanas registrado durante a gripe espanhola, no início do século XX. Faz sentido prolongar isso até o ano que vem? Colaboraram Matheus Deccache, Amanda Péchy, Paula Pacheco e Vinícius Novelli Publicado em VEJA de 23 de setembro de 2020, edição nº 2705

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 17/09/2020 às 18h30

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) postou em suas redes sociais uma foto ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos sem máscara, nos hospital Sírio-Libanês. A imagem provocou uma avalanche de críticas aos dois por, supostamente, estarem quebrando as regras de prevenção ao novo coronavírus. "Recebi a visita do ex-presidente @lulaoficial no hospital. Durante a conversa, ele me perguntou se eu estava bem. Respondi que aguento jogar os 90 minutos, mas que a prorrogação não garanto", escreveu Renan. Ver essa foto no Instagram Recebi a visita do ex-presidente @lulaoficial no hospital. Durante a conversa, ele me perguntou se eu estava bem. Respondi que aguento jogar os 90 minutos, mas que a prorrogação não garanto. Uma publicação compartilhada por Renan Calheiros (@renancalheiros) em 17 de Set, 2020 às 9:35 PDT Alguns usuários das redes sociais criticaram Lula por ter quebrado a quarentena. Na verdade, o ex-presidente fez exames de rotina na quarta-feira, 16, no Sírio, e aproveitou a ida ao hospital para visitar o senador, internado desde o dia 9 para extração de um tumor no rim. No sábado, Lula alegou risco de contaminação pela covid-19 para justificar sua ausência no ato de lançamento da candidatura de Jilmar Tatto à prefeitura de São Paulo, pelo PT. Ele gravou um vídeo de apoio ao candidato.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 17/09/2020 às 17h18

Os problemas do Sistema Único de Saúde (SUS) ganharam atenção por conta do estado de calamidade pública instalado pela pandemia, mas não foram criados por ela. É o que ressalta o médico oncologista e diretor-geral do hospital Sírio-Libanês em Brasília, Gustavo Fernandes. “Hoje, 75% da população brasileira depende exclusivamente do SUS. E essa necessidade que a gente enxergou no SUS agora, na verdade, só foi iluminada por uma cena de doenças e de saúde coletiva que sensibilizou a todo mundo”, pontuou. Em entrevista ao CB.Saúde — parceria do Correio com a TV Brasília — nesta quinta-feira (17/9), ele falou sobre um dos maiores gargalos do sistema: o orçamento. “Nós temos um Ministério da Saúde que tem um orçamento que não é imenso para cuidar do país inteiro, pouco mais de 100 bilhões (de reais). Naturalmente, tem os orçamentos dos estados e municípios. Mas o SUS é subfinanciado”, ponderou. O médico lembrou que, em termos absolutos, o Brasil investe muito em saúde, mas a maioria dos recursos é colocada pelo sistema privado — que atende apenas cerca de 20% da população. “Quando a gente olha o investimento global, no Brasil, em saúde, o país investe 8,9%, 9%, do PIB (Produto Interno Bruto) em saúde. Esse é um investimento alto para um país de renda média, como o Brasil é classificado. Mas mais da metade desse investimento vem dos 20% da saúde suplementar, ou seja, do privado. Ou seja, mais da metade é investido pelo setor privado, na verdade pelo cidadão. O cidadão que arca com a despesa do setor privado. E a outra metade, ou menos da metade, vai para 80% (dos usuários do sistema de saúde). Então, é metade para 20% e metade para 80%. Daí dá para entender as dificuldades de acesso que nós temos”, detalhou. Importância histórica, Mas Fernandes também fez questão de ressaltar a relevância da sistematização das políticas públicas na área de saúde no país. “Alguém que nasceu quarenta anos atrás, como eu, nasceu em uma época em que a gente não tinha uma assistência do Estado estruturada para a saúde. As estruturas estatais para atendimento de saúde eram esporádicas, não tinham uma lógica central. Então, a estruturação do SUS em 1988 é um marco imenso para o país”, comentou. Para ele, é importante, agora, avançar no entendimento das diferenças regionais e também nas desigualdades existentes dentro do próprio sistema para que a qualidade do serviço oferecida seja menos díspar. “Uma das coisas que faltam é a gente entender a complexidade que isso tem dentro de um país com a dimensão do Brasil, uma dimensão classificada como continental, com a população que a gente tem e com as desigualdades que a gente carrega. Então, é um continente tanto em números de pessoas, quanto em extensão, quanto, de fato, em subgrupos de pessoas que estão dentro desse país”, colocou.

GUIA DA FARMÁCIA
Data Veiculação: 17/09/2020 às 14h36

Medicamento, novo no Brasil, é recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde e será doado para mais de 250 organizações de saúde no País A farmacêutica brasileira HalexIstar vai doar o equivalente a R$ 2,4 milhões em bolsas de paracetamol injetável para mais de 250 hospitais e organizações de saúde em todo o Brasil. O Halexminophen, paracetamol injetável disponível em bolsas prontas para uso, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril. Além da Covid-19, o medicamento contribuirá com o tratamento de pacientes em clínicas e hospitais que apresentam dor aguda, febre ou que estão em recuperação pós-operatória. O Halexminophen também representará uma alternativa de tratamento para pessoas alérgicas a outros analgésicos como dipirona e anti-inflamatórios. “A chegada do Halexminophen ao mercado brasileiro beneficiará tanto os pacientes quanto o trabalho dos profissionais de saúde, que poderão contar com um produto eficaz, seguro e de manuseio muito mais prático”, afirma o CEO da HalexIstar, Paulo Dante Junior. Manuseio do paracetamol injetável da HalexIstar Utilizado em diversos países, o medicamento facilitará o trabalho dos anestesiologistas. “Ter a oportunidade de trabalhar com a solução pronta para uso beneficia diretamente o paciente com um alívio rápido da dor e muitas vezes acelerando a sua recuperação”, comenta a anestesiologista do Hospital Sírio Libanês e gerente médica da HalexIstar, Dra. Christiane Pellegrino Rosa. Cuidados com o paciente O Halexminophen poderá, desse modo, ser utilizado em pacientes que estão em jejum ou cuja via oral não está disponível como, por exemplo, nos casos de pacientes que estão acordando em recuperação pós-cirúrgica ou que tenham dificuldade de deglutição. Desse modo, o produto também facilita o tratamento de pacientes alérgicos ou com restrições a outros medicamentos, principalmente a dipirona. “Agora, conseguiremos aliviar mais rapidamente a dor pós-cirúrgica, reduzir o consumo de opioides e, assim, dar mais satisfação ao paciente durante o período de internação”, diz Rosa. Além disso, completa Rosa: “Ao reduzir o tratamento via oral, conseguimos superar o efeito de primeira passagem pelo fígado, proporcionando uma proteção hepática para o paciente”. Nova fórmula, novos benefícios Esta nova formulação reduz significativamente a dor no local da injeção e a ocorrência de flebite, o que é mais comum ocorrer com outros analgésicos. Outro benefício, contudo, é que o paracetamol reduz o consumo de opioides, drogas que atuam, também, no sistema nervoso para a redução de dor. Além de estarem relacionadas a riscos como a depressão respiratória e a desconfortos como a constipação intestinal. Públicos diferenciados O Halexminophen contém 10mg/ml de paracetamol e será comercializado em duas formas de apresentação: bolsas de 50ml com 500mg e com 100ml contendo 1000mg. Assim, atende públicos diferentes em seus tratamentos, como: infantil, adulto, geriátrico ou pessoas com condições de saúde variadas. A dosagem indicada para cada paciente deve ser determinada pelo médico. Nova formulação do paracetamol injetável da HalexIstar A HalexIstar vai investir em um programa de educação médica continuada. Assim, capacitará os profissionais de saúde quanto à dosagem e ao manuseio do produto. Como resultado, pretende diminuir quaisquer outras dúvidas por meio de seus representantes em todo o País. O conteúdo será baseado também em monografias, estudos científicos e experiências internacionais de médicos que já fazem uso deste fármaco no exterior. Foto: Shutterstock Fonte: HalexIstar Cadastre-se no nosso Whatsapp bolsas de paracetamol injetável halexistar Halexminophen manuseio Paracetamol

EL PAÍS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 17/09/2020 às 13h38

A médica Giulia Parise Balbão, de 31 anos, está na linha de frente do combate ao coronavírus desde o começo da pandemia. A crise a fez vivenciar experiências extremas dentro do quadro de desigualdade no acesso à Saúde no Brasil. No início da pandemia, Giulia atuava em um dos maiores hospitais particulares do país ―o Sírio Libanês, em São Paulo―, onde via muitos recursos e a intensa busca de pesquisadores para tratar a doença na maior metrópole do país. Há pouco mais de um mês, ela mergulhou em uma realidade completamente diferente. Foi contratada pelo povo Kuikuro, com recursos conseguidos por meio de campanhas na internet, para atuar na aldeia indígena Ipatse, no Xingu. Ali, ela é a primeira médica fixa do território, para onde todos os meses o Governo Federal envia um profissional que faz os atendimentos durante alguns dias e depois segue para outras aldeias. No depoimento que o EL PAÍS reproduz a seguir, Giulia conta sua experiência no enfrentamento da pandemia em uma aldeia indígena onde a Saúde sempre foi fragilizada, mas a organização coletiva revela sua potência na mitigação da crise. “A aldeia Ipatse pode ensinar ao Brasil sobre como a organização coletiva é potente pra enfrentar o coronavírus”, ela diz. "Eu era médica no Sírio Libanês, mas sempre tive interesse pela Saúde Indígena. Durante a pandemia, lia os relatos do que significava para os povos ancestrais perderem seus anciãos e ficava muito angustiada com isso, com a história e a cultura que se perdiam com essas vidas humanas. Entrei em um grupo sobre Saúde Indígena e comecei a pensar que, se houvesse uma possibilidade, eu iria trabalhar com eles. Em julho, o pessoal do Projeto Xingu da Unifesp entrou em contato comigo para ir com urgência, porque os sintomas gripais estavam aparecendo com mais força na aldeia Ipatse, no Mato Grosso. Pedi demissão e fui para lá. Tem toda uma logística para chegar até a aldeia. Fui para a cidade de Canarana e depois viajei de carro por seis horas até chegar na comunidade. Fiquei em uma oca que eles construíram para ser um local de isolamento. E trabalho todos os dias em uma unidade básica de saúde construída por eles, que foi uma luta pessoal do cacique Afukaka. Eles são extremamente unidos e organizados, conseguem as coisas que acreditam. Quando eu cheguei, tinha muita gente esperando. Eu me senti o centro das atenções. Vi que tinha muita expectativa pelo meu trabalho, mas que eles já estavam também muito organizados. Já tinha muita gente trabalhando incansavelmente para combater o coronavírus, com medidas de prevenção. Nunca houve tantas pessoas esperando por mim, e eu senti uma responsabilidade gigantesca. No dia que cheguei, já me levaram para ver o cacique porque ele não estava se sentindo bem. E aquilo foi muito mobilizador pra mim. Eu nunca tinha entrado em uma casa xinguana. Elas são muito grandes, altas e escuras dentro, com uma cozinha no centro. Às vezes, moram cerca de 15 pessoas em casa dessas. Eu entrei em uma casa dessas para atender o cacique, que eu conhecia dos livros do fotógrafo Sebastião Salgado. Ele me disse: “Oi, estava te esperando”. Era fim de tarde, e ele estava deitado. Eu apliquei um soro intravenoso, mas pensava: “É assim que um líder como ele descansa e diz que estava me esperando?”. Fiquei muito emocionada. Antes da minha chegada, a aldeia já tinha definido que seu objetivo era não perder nenhuma vida pelo coronavírus. Diante de todas as dificuldades políticas que os povos indígenas têm enfrentado, eles sentiram bem no começo da pandemia que a comunidade precisava se unir pra garantir esse cuidado. Eu cheguei no meio de uma demanda coletiva, quando tudo já estava acontecendo. Eles já tinham casa de isolamento e uma unidade de saúde pronta da comunidade. Já rastreavam os casos suspeitos e faziam a quarentena. E aí eu entrei para uma equipe que já funcionava. Duas anciãs de quase 100 anos adoeceram, mas ninguém precisou ser removido. O tempo todo usamos a medicina tradicional baseado em evidências científicas, nem precisei defender isso. Tratamos as doenças do espírito com as raízes e a pajelança. E as doenças do corpo com a medicina alopática (não indígena), as raízes e a pajelança. A medicina alopática não cura as doenças do espírito. Ninguém usou cloroquina na aldeia porque até mesmo os remédios naturais usados têm uma história ancestral e amplamente conhecida pelos raizeiros. Em São Paulo, o hospital que eu trabalhava tinha muitos médicos altamente capacitados, uma disponibilidade de exames de todos os tipos, pesquisas sendo realizadas. Tinha toda uma oferta de recursos. Eu vejo o quão é desigual o tratamento de saúde no Brasil e isso me dá uma angústia. Eu estava num dos maiores hospitais do país enquanto o Xingu poderia perder seus anciãos. Minha formação é pensada para atuar num contexto comunitário, eu sou médica da família, então vir trabalhar com eles foi também uma reconexão comigo mesmo. Todos os dias, eu visito algumas casas e atendo da unidade de saúde. Também pratico telemedicina pelo rádio, assistindo aldeias vizinhas onde moram outras pessoas da etnia Kuikuro. Parte do nosso trabalho é reestruturar os cômodos e ambientes da unidade de saúde pra que ela consiga atender as mulheres, com exames mais reservadamente. Tem pelo menos cinco aldeias que a gente contacta todos os dias pela manhã pra saber como estão as pessoas, se tem alguém com sintomas gripais. Quem responde o rádio é um agente indígena de saúde, que diz como estão pacientes. Depois, a gente sai pra visitar as casas. Aqui tem uma cultura de não sair de casa se não tiver se sentindo bem mesmo. Eles se sentem mais protegidos em casa. Na Ipatse, o Kauti Kuikuro é a principal pessoa responsável pelo cuidado. Ele é agente de saúde e faz todas as avaliações. Quando não tem o médico não indígena no território, ele aplica a medicina tradicional. Foi ele que começou o enfrentamento ao coronavírus antes da gente chegar lá. É ele quem faz as traduções do karib principalmente quando atendo mulheres e idosos, que não falam português. Eu faço meu papel de médica, mas o cuidado aqui já era feito pelo Kauti. Todo dia aprendo mais com ele do que ensino qualquer coisa. Ele e os pajés me ensinaram sobre o adoecimento espiritual e a necessidade de um tratamento multidisciplinar para curá-lo. Desde o meu primeiro dia, um dos pajés conversou comigo e falou: “você está aqui, bem vinda. Estávamos te esperando muito. E eu queria te dizer que a gente é uma equipe. Vamos trabalhar juntos”. Aqui todo mundo está junto lutando pelo mesmo propósito: que nenhuma vida se perca pelo coronavírus. O nosso desafio é conseguir isso levando em consideração a assimetria que há no acesso à saúde no Brasil, e no tipo de cuidado oferecido, tantas vezes hospitalocêntrico, pontual, e não voltado à promoção de saúde e prevenção de doenças. Sou sempre muito requisitada pela comunidade, assim como o enfermeiro, não só para falar sobre sintomas gripais ou dores e cansaços após o quadro de covid19. Muitos pacientes nos procuram querendo contar sobre seus problemas crônicos de saúde, gestantes querendo conversar sobre os seus pré-natais. Eu vejo que é preciso construir um vínculo terapêutico, a exemplo do que construí com meus pacientes em outros cenários como no Sírio Libanês, ou em Florianópolis. Eu vejo que o tempo todo existe uma curiosidade, um interesse em saber da minha formação. Sempre essa troca curiosa e interessada. Aqui eu tenho aprendido sobre preparação, organização e vida comunitária. Tem um líder humano e forte que reuniu as pessoas, o cacique Afukaká Kuikuro. Ele reuniu amigos e amigas pesquisadores, arqueólogos, antropólogos, e todos compõem um coletivo que se reúne há meses e planeja intensamente junto com a Associação Indígena Kuikuro o enfrentamento ao covid-19 nas aldeias da etnia. É um trabalho pensado coletivamente. A aldeia Ipatse pode ensinar ao Brasil sobre como a organização coletiva é potente para enfrentar o coronavírus. Há uma sabedoria imensa e admirável que vem da ancestralidade dos povos originários. É preciso entender que ali existe uma inteligência enorme, resiliência, e uma organização potente, imprescindível em tempos tão ameaçadores à floresta e seus povos". Informações sobre o coronavírus: - Clique para seguir a cobertura em tempo real, minuto a minuto, da crise da Covid-19; - O mapa do coronavírus no Brasil e no mundo: assim crescem os casos dia a dia, país por país; - O que fazer para se proteger? 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VEJA.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 17/09/2020 às 12h17

Os últimos dias foram cercados de tensão. A suspensão momentânea dos testes da vacina para o novo coronavírus desenvolvida em parceria pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford, embora parte do protocolo e que foi causada por efeito em um paciente que não deve estar relacionado à dose de imunizante, foi um banho de água fria. Com mais de 4 milhões de casos e mais de 130 mil mortos no país, os brasileiros estão ansiosos e não veem o momento de ganhar as ruas sem medo de serem infectados. Em entrevista a VEJA, o boliviano Carlos Murillo, CEO da subsidiária brasileira da Pfizer, um dos laboratórios farmacêuticos na linha de frente pelo desenvolvimento de um imunizante para o vírus, estima que sua vacina desenvolvida em parceria com o laboratório alemão BioNTech receba aprovação até novembro deste ano. “Ao final de outubro, esperamos ter os primeiros dados de eficácia e segurança dos nossos testes. Com isso, poderemos submeter a vacina para aprovação dos órgãos regulatórios”, diz ele. A companhia informou na última terça-feira, 15, que seu imunizante experimental desenvolvido à base de RNA mensageiro, ou mRNA, apresentou efeitos colaterais apenas leves e moderados. Recentemente, a Pfizer recebeu aprovação para ampliar seus testes no país, que estão sendo realizados em São Paulo e Salvador. Ainda não se sabe, no entanto, se o Brasil estará na lista dos primeiros países a receber a vacina da companhia. As negociações da Pfizer com o governo federal estão em “banho-maria”. É de suma importância que o país se mova. Hoje, diversas nações estão em negociações avançadas para a aquisição de imunizantes da China e da Rússia. Ainda não há, no entanto, um movimento claro por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para fazer um acerto também com a Pfizer. “Se o governo brasileiro apostar em somente uma ou outra alternativa, a população será colocada em uma situação complexa. Sabemos dos esforços do governo para combater a pandemia por meio de uma parceria com a AstraZeneca, mas entendemos que o país precisa ter diversas soluções tecnológicas à disposição”, diz Murillo. “É essencial garantir o acesso a mais de uma vacina”. A Pfizer pretende produzir, no mínimo, 1,3 bilhão de doses de sua vacina até o fim de 2021. E está em negociações avançadas para distribuir o imunizante no Canadá, Japão, Reino Unido, União Europeia, além de já ter firmado acordo avaliado em quase 2 bilhões de dólares com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Na fase inicial dos testes, a companhia americana trabalhou com quatro possibilidades. Hoje, a BNT162b2, modelo que se mostrou mais eficaz e seguro, está na fase 3 de testes, em estágio final para receber a aprovação por parte dos órgãos regulatórios. No fim de agosto, a Pfizer e a BioNTech receberam autorização da Food and Drug Administration (FDA), espécie de Anvisa americana, para aumentar o número de voluntários nessa última fase de testes para seu imunizante. A quantidade de voluntários, então, passou de 30.000 para 44.000 pessoas. Isso abriu a possibilidade, inclusive, para que o laboratório dobrasse a quantidade de participantes no país: 2.000 brasileiros poderão participar dos estudos que são realizados em São Paulo e na Bahia. Outro fator importante é que a empresa poderá inscrever voluntários a partir de 16 anos e pessoas com enfermidades controladas como HIV, hepatite B e hepatite C. O avanço foi comemorado, pois abre a possibilidade de identificar a prevalência da vacina frente a determinados grupos de risco. “A partir desses estudos, poderemos analisar como o RNA mensageiro se sobressai em relação à população mais jovem ou mais velha e a pessoas que fazem parte do quadro de risco. Essa é a beleza da ciência”, diz Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil. Embora três das quatro possibilidades de vacina para Covid-19 da Pfizer em desenvolvimento estejam em suspenso desde a fase 2, os executivos da multinacional farmacêutica deixam claro que não seria insólito imaginar que, numa eventual desaprovação para o prosseguimento dos testes de sua aposta principal, a empresa volte a estudar os outros modelos. Pode ser, inclusive, que mesmo com a vacina aprovada, outros tipos de vacinas voltem a ser considerados para identificar o uso em determinados grupos de pacientes. Nada está descartado e a amplitude de possibilidades, segundo Murillo, é o que coloca a Pfizer em vantagem. Além da busca pela vacina, a empresa investiga outras soluções para o combate à enfermidade. Um medicamento antiviral para o controle do novo coronavírus está sendo desenvolvido pelo laboratório e pode ter a sua fase final de testes no Brasil. Além disso, estuda-se a aplicação de citrato de tofacitinibe, uma solução aplicada para o tratamento de doenças autoimunes como artrite reumatoide, artrite psoriática e retocolite ulcerativa, em pacientes internados com o diagnóstico de pneumunite por Covid-19. A esperança é que esse medicamento retarde os efeitos da pneumonia sobre pacientes em estágio avançado do novo coronavírus. Os testes devem fazer parte da Coalizão Covid Brasil, um grupo formado por diversas instituições, como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital do Coração (HCor), o Hospital Sírio-Libanês. “O nosso medicamento age contra a interleucina 6, que é a grande responsável pelo enzima que causa esse quadro de tempestade inflamatória que leva o paciente a registrar um quadro de pneumonia e faz com que ele seja internado na UTI. Queremos usar essa solução para retirar esse paciente da UTI, da intubação. Esse estudo será iniciado nas próximas semanas”, diz Márjori. Um sopro de esperança.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 17/09/2020 às 03h00

Pandemia em Brasília CONVIDADOS DA POSSE DE FUX PEGARAM COVID Além do próprio Luiz Fux, pelo menos 4 autoridades que compareceram à cerimônia de posse do presidente do STF, há uma semana, estão com covid-19, entre eles Rodrigo Maia (DEM- RJ). POLÍTICA / PÁG. A7 CONVIDADOS DA POSSE DE FUX ESTÃO COM COVID19 Além do próprio presidente do Supremo, Maia e ministros do STJ e do TST contraíram o vírus. Pelo menos quatro autoridades que foram à posse do ministro Luiz Fux como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira passada, estão com a covid-19. Ontem, confirmaram o diagnóstico da doença o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi, que está internada. Também presentes à cerimônia, os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro contraíram o vírus. Os dois passam bem e têm participado normalmente de sessões de julgamentos da Corte. Na segunda-feira, a assessoria do STF já havia informado que Fux foi diagnosticado com o novo coronavírus. Maia afirmou ao Estadão/Broadcast que está bem, sem sintomas mais graves. “Ele manifestou sintomas brandos da doença e está se tratando na residência oficial, onde seguirá em isolamento, respeitando as recomendações médicas”, informou a Câmara, em nota. Maria Cristina também apresenta “sintomas leves”, de acordo com informações do TST, mas deve permanecer internada no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Durante o período de afastamento, a presidência do TST será exercida pelo vicepresidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho. Fux tomou posse em uma cerimônia que reuniu cerca de 50 convidados, por causa das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus. O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello criticou a realização de um evento presencial e disse que tentou evitar contato com outras pessoas durante a posse. “Marcaram a posse presencial sem consultar os integrantes. Ponderei ao (então) presidente (do STF) Dias Toffoli que, por mim, seria por videoconferência. Fui porque tinha que falar em nome do tribunal. Não fosse isso, não teria ido”, disse à reportagem Marco Aurélio, que fez uma homenagem a Fux durante a cerimônia. “Mesmo assim, não me juntei aos demais convidados de honra na sala de lanches e entrei no MARCOS CORREA/PR-10-09-2020 Cerimônia. Maia e Bolsonaro durante a posse de Fux, na quinta-feira da semana passada plenário, por último, e pela outra porta, saindo direto para pegar o carro oficial”, acrescentou o ministro. Marco Aurélio afirmou que não fez o exame. No caso de Fux, o Supremo disse que ministro buscou atendimento médico, no Rio, no fim de semana passado, após apresentar um aumento de temperatura corporal. Fez o teste de covid19 e o resultado deu positivo. “A suspeita é de que ele possa ter contraído o novo coronavírus em almoço de confraternização familiar no sábado”, afirmou o tribunal, em nota. Ainda segundo a Corte, Fux “passa • Reeleição Em manifestação ao STF, a Advocacia-Geral da União defendeu a tese de que a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado é assunto que deve ser decidido pelos próprios parlamentares. bem” e está em isolamento. Ontem, o novo presidente do STF comandou sua primeira sessão, por videoconferência. Linha sucessória. Entre as maiores autoridades políticas do País, Maia era o único que ainda não tinha sido contaminado. Em março, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (D EM-AP), apresentou resultadopositivoparacovid-i9. Emjulho, o presidente Jair Bolsonaro foi diagnosticado com a doença. No sábado passado, Maia compareceu à cerimônia de casamento da advogada Anna Carolina Noronha, filha do ex-presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha. O filho “04” de Bolsonaro, o estudante Jair Renan, e a ex-mulher do presidente Ana Cristina Valle também prestigiaram o evento, em Brasília. Sem usar máscaras, os dois posaram para fotografias ao lado de Noronha. A propagação do vírus causou apreensão entre magistrados. Segundo o Estadão apurou, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso foram submetidos a testes e obtiveram resultado negativo para a covid-19. Já o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, a ministra do Supremo Cármen Lúcia e o ministro do STJ Marco Aurélio Bellizze ainda aguardam seus resultados. Testes. O STF informou à reportagem que “implementou todos os protocolos” de prevenção para a cerimônia de posse de Fux. Disse ainda que todos os servidores que atuaram nos preparativos do evento estão sendo testados. Ao todo, desde o início da pandemia, 157 pessoas contraíram a doença, entre servidores, colaboradores e estagiários do tribunal.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 17/09/2020 às 03h00

Ex-aluno do colégio, prefeito decepciona, diz diretor do Bandeirantes Laura Mattos São Paulo O diretor-presidente do Bandeirantes, Mauro Aguiar, se diz “horrorizado com a forma como o prefeito Bruno Covas está tratando a educação”. “Adiar a reabertura das escolas como vem fazendo é um crime, uma tragédia e vai ter consequências graves. Estou muito decepcionado com o nosso ex-aluno”, diz Aguiar, que conheceu o atual prefeito de perto quando ele cursou o ensino médio no colégio. À época, o garoto, que é de Santos, morava com o avô, o governador Mário Covas, no Palácio dos Bandeirantes. “O Bruno era aluno brilhante, um bom menino, mas me desapontou muito”, diz Aguiar, para quem é absurdo seguir adiando a volta às aulas. O anúncio de Covas sobre a retomada está programado para esta quinta (17). Apesar de o governo do estado já ter autorizado a reabertura em 8 de setembro para atividades extracurriculares e para aulas em 7 de outubro, o prefeito não liberou as escolas de São Paulo para reabrir nessas datas e chegou a cogitar o adiamento para 2021. Nesta quarta, porém, demonstrou a auxiliares que pode rever o adiamento completo e talvez liberar para atividades extras em outubro. Para Aguiar, Mário Covas não adiaria o retomo como o neto tem feito. “O Bruno já está marcando o nome dele como inimigo da educação e, se insistir em adiar as aulas, levará a cidade São Paulo a ser mundialmente conhecida como péssimo exemplo da educação na pandemia”, diz o diretor, que ressalta sua decepção como ex-aluno, “que tem uma ótima família”. “Quando estudava no Band, a mãe nos dizia que era importante que não fosse tratado diferente, explicava para o Bruno que o avô ‘não era governador, estava governador! E o Covas nos ligava com aquele vozeirão dele, na maior educação, pedindo para que, por favor, mandássemos para ele o boletim do Bruno, porque ele não teria tempo de ir buscar na escola.” Aguiar diz acreditar haver viés eleitoreiro nas ações do prefeito: “Se está fazendo isso pensando nas eleições, vai se dar mal, porque as pessoas estão se dando conta da necessidade de reabrir escolas e, até a votação, o equívoco do prefeito estará muito claro”, diz. “Abrir tudo e deixar a educação por último é uma inversão de valores.” Aguiar diz que, no Band, onde a maioria dos pais era contrária à reabertura, como mostram as pesquisas em geral pelo país, o clima começou a mudar, e as famílias demonstram preocupação com os riscos de manter crianças e jovens em confinamento por tanto tempo. “Depois do pânico da pandemia, teve início um movimento em outra direção, especialmente de pais médicos, que sabem que é seguro, desde que respeitemos os protocolos”, afirma o diretor. “Mesmo que os pais e os professores estejam com medo, o que é natural, o papel do Estado é o de mostrar que é seguro e reabrir. Não podemos deixar em hipótese nenhuma para começar no ano que vem. Todos já estão nas ruas, e as escolas, especialmente para os mais vulneráveis, será importante para reforçar a necessidade de se cumprir os protocolos.” Aguiar diz ter sentido um clima de revolta entre gestores escolares. O Band integra a Abepar (Associação Brasileira e Escolas Particulares), que reúne escolas da elite econômica, como Dante Alighieri, Santa Cruz, Mobile e Vera Cruz, e participou da elaboração do plano de retomada da educação de João Doria, aliado de Bruno Covas. O Band fechou parceria com o hospital Sírio Libanês. “Os médicos nos ensinaram que o mais importante é o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos. Isso não é tão complicado de cumprir, nem muito caro. As escolas públicas também têm condições de dar conta dos protocolos”, diz Aguiar, que é membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo. “Nossos alunos sofrem, mas não tem comparação com o que os da rede pública estão passando. A desigualdade aumentará de forma trágica.” Adiara reabertura das escolas como vem fazendo é um crime, uma tragédia e vai ter consequências graves. Estou muito decepcionado com o nosso ex-aluno Mauro Aguiar diretor-presidente do Bandeirantes.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 17/09/2020 às 03h00

Maia e ministros do STJ e TST recebem diagnóstico de Covid19 poder Após evento no STF, Maia e magistrados estão com Covid19 Deputado e 3 ministros de tribunais superiores estiveram em posse de Fux Marcelo Rocha, Danielle Brant e Matheus Teixeira Brasília Após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, ter sido diagnosticado com a Covid-19, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os ministros Luís Felipe Salomão e Antônio Saldanha Palheiro, ambos do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e a ministra Maria Cristina Peduzzi, do TST (Tribunal Superior do Trabalho) também anunciaram que contraíram a doença. Todos eles estiveram na posse de Fux na presidência do Supremo na semana passada, em cerimônia realizada com número reduzido de convidados e com a adoção de medidas sanitárias para evitar a disseminação do coronavírus. Maia apresenta sintomas brandos da doença, de acordo com nota da assessoria da Câmara dos Deputados. Está se tratando na residência oficial e seguirá em isolamento. Já os dois integrantes do STJ estão sendo monitorados, mas permanecem assintomáticos. Palheiro, inclusive, confirmou o resultado positivo para o coronavírus durante sessão de julgamento desta terça (15) da 6a Turma da corte, transmitida pelo YouTube. Nas redes sociais, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) publicou uma foto do dia do evento no STF, na qual os dois ministros do STJ apareceram, sem máscara facial, ao lado da presidente da AMB, a juíza Renata Gil, que tampouco usava proteção. Quem também prestigiou a posse e apresentou sintomas da Covid-19 foi a presidente do TST, ministra Maria Cristina Peduzzi. Ela foi hospitalizada na noite da terça e recebeu nesta quarta (16) a confirmação de que contraiu o vírus. A magistrada apresenta bom estado de saúde, com sintomas leves da doença e deve permanecer internada no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, informou o tribunal. Desde março, segundo a assessoria do TST, a ministra Maria Cristina tem realizado todos os compromissos de forma telepresencial. No entanto, ela esteve presente na quinta-feira passada (10) à cerimônia realizada no STF. Durante o afastamento de Maria Cristina, o comando do TST será exercido pelo vice-presidente da corte, o ministro Vieira de Mello Filho. Na posse, dentro do plenário do STF estavam 48 convidados de Fux. O local comporta até 250 pessoas. Assessores de autoridades, servidores do tribunal e os dragões da independência (que fazem a recepção em cerimônias oficiais), porém, se aglomeraram do lado de fora, em muitos casos sem o distanciamento recomendado. O Supremo reservou um espaço na área externa para profissionais da imprensa. Depois da solenidade, Fux ainda recebeu pessoas mais próximas em um coquetel no gabinete da presidência da corte. Pesso as que estiveram no encontro calculam que havia cerca de 30 pessoas presentes. Na cerimônia, inicialmente Fux estava de máscara, mas a retirou para ler o termo de posse, assim como a ministra Rosa Weber, que assumiu a vice-presidência do Supremo. Depois, ambos colocaram novamente a proteção facial para o restante do encontro. À mesa de honra, além de Fux, estavam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). os presidentes do Senado, Davi Aleolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), e o procurador-geral da República, Augusto Aras. Todos permaneceram de máscara durante o encontro, exceto Fux e Aras no momento de usar o microfone. Os demais não discursaram. O ministro Marco Aurélio, que estava no assento que sempre ocupa no plenário, foi o responsável por falar em nome do STF para saudar a posse do colega. Ele também retirou a máscara para discursar. No plenário, estávamos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Edson Faehin. Celso de Mello, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski acompanharam a solenidade virtualmente. A distância entre as autoridades era pequena, mas havia uma proteção de acrílico entre os assentos que foi instalada pelo STF para a cerimônia. O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, fez um discurso para saudar Fux em nome da advocacia. Ele também retirou a máscara no momento de usar a tribuna. Os demais convidados na plateia permaneceram coma proteção. Toffoli, que passou o comando do STF a Fux, foi o único a não tirar a proteção ao microfone. Santa Cruz fez exame para detectar o vírus, mas não havia recebido o resultado até a conclusão desta edição. Segundo a assessoria de comunicação do Supremo, 157 funcionários já foram diagnosticados com Covid-19 desde o início da pandemia. O órgão diz que não foi identificado caso de transmissão na corte. O STF tem 1.783 funcionários. Apesar de estar com coronavírus, Fux presidiu nesta quarta-feira sua primeira sessão do STF. Quando anunciou que estava com a doença, ele já havia afirmado que estava bem e que iria comandar o plenário nesta semana. A sessão, no entanto, durou pouco mais de uma hora e foi encerrada por falta de quórum. Fux chegou a chamar para julgamento um recurso contra decisão do STF de manter a validade de lei do município de São Paulo que proíbe o uso do amianto por setores da indústria. Celso de Mello, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, porém, não estavam presentes, e Luís Roberto Barroso se declarou impedido. Com isso, não havia o número de ministros necessários para o julgamento, e a sessão teve que ser encerrada. A assessoria informou que Toffoli fez exame para Covid19 no último dia 10, antes da cerimônia de posse de Fux, e que o resultado foi negativo. Da esq. para a dir., Dias Toffoli, Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, Davi Aleolumbre, Marco Aurélio Mello, Luiz Fux e Luis Roberto Barroso na posse de Fux como presidente do STF Pedro Ladeira/Foihapress