Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

DRAUZIO VARELLA
Data Veiculação: 16/08/2021 às 16h36

Diante do aumento de casos novos de em crianças e adolescentes nos Estados Unidos e em países europeus, muitos pais têm se preocupado com os filhos menores de 18 anos. Afinal, eles podem ser vacinados contra a doença? Quando isso ocorrerá? Primeiramente, é preciso cuidado ao interpretar o aumento de casos entre os mais jovens. Pessoas com menos de 50 anos são a maioria entre os não vacinados no mundo todo, portanto é esperado que representem a maior parte dos casos novos da doença. Além disso, a , que já representa a maioria dos casos de covid-19 no Reino Unido, Estados Unidos e outros países, é bem mais contagiosa que a cepa original do Sars-CoV-2, vírus causador da doença. Assim, o número alto de casos de covid-19 entre jovens e crianças no mundo não é surpresa, ainda mais se considerarmos que os jovens se expõem mais ao vírus. De toda forma, pesquisadores e cientistas estão estudando a variante Delta para verificar se ela causaria quadros mais graves da doença em pessoas mais jovens. Ainda não há dados conclusivos a respeito. “A variante Delta pode causar uma nova onda no Brasil”, afirmou, em entrevista a este, o dr. Cristiano Zerbini, reumatologista do Hospital Sírio Libanês e pesquisador do Centro Paulista de Investigação Clínica. em todo o país, muitos pais anseiam por vacinar os filhos o mais rápido possível. Alguns estados como Piauí, São Paulo e Rio Grande do Sul já anunciaram que pretendem iniciar a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos com comorbidades em breve. A maioria dos estados, contudo, aguarda anúncio do Ministério da Saúde, que ainda não determinou quando a vacinação desse grupo deve começar. Veja as principais dúvidas sobre a vacinação de crianças e adolescentes: Quais imunizantes poderão ser utilizados na vacinação de jovens de 12 a 17 anos? Até o momento, apenas a vacina da Pfizer poderá ser aplicada nesse grupo. A farmacêutica americana já obteve autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em junho deste ano, para esse fim. Ainda faltam dados a respeito da segurança e eficácia das demais vacinas para esse público. Por que antes a vacina da Pfizer só podia ser aplicada em adultos maiores de 18 anos? As vacinas contra a covid-19 são vacinas novas, que foram desenvolvidas no ano passado. Até que se comprovasse a segurança e a eficácia das vacinas em adultos, os adolescentes e crianças não podiam fazer parte dos estudos clínicos. No fim de 2020 e início de 2021, a Pfizer começou a realizar estudos com esse grupo e depois de obter e, recebeu a autorização da Anvisa, que considerou que a farmacêutica demonstrou a segurança e a eficácia (que chega a 100% entre adolescentes entre 12 e 15 anos) do seu imunizante, para uso em maiores de 12 anos. Há estudos com crianças para outras vacinas? Sim. A AstraZeneca, a Moderna, a Janssen e a Sinovac, que produz a CoronaVac, estão realizando estudos promissores com adolescentes e crianças de várias faixas etárias, incluindo bebês. Há previsão para o início da vacinação de crianças com menos de 12 anos? Ainda não. Os laboratórios seguem realizando estudos, alguns em fase adiantada. A Pfizer, por exemplo, já está fazendo estudos de fase 2 com crianças entre 5 e 12 anos. de segurança e eficácia em crianças e jovens de 3 a 17 anos, e a China já aplica o imunizante nesse grupo. Israel também autorizou a vacinação de crianças de 5 a 11 com comorbidades, com a vacina da Pfizer. No entanto, o pedido de outros laboratórios para uso em crianças e adolescentes no Brasil ainda não foi encaminhado à Anvisa. A vacina é segura para jovens e crianças? Segundo o dr. Zerbini, os dados apresentados pela Pfizer garantem a segurança e a eficácia do uso do imunizante no grupo de 12 a 17 anos. É verdade que a vacina pode causar problemas cardíacos em jovens? Ainda de acordo com o dr. Zerbini, os efeitos adversos da vacina em crianças e jovens não diferem muito das reações comumente observadas em adultos. São esperados febre, calafrios, dor de cabeça, mal-estar e dor no local da aplicação até 7 dias depois da imunização, seja na primeira ou na segunda dose. No entanto, em Israel, país que vacinou totalmente quase 60% da população, houve alguns raros casos de miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e (inflamação da membrana que envolve o ) em crianças e jovens. O dr. Zerbini alerta para o fato de que os sintomas foram transitórios e muito raros e que os benefícios da vacinação superam os riscos da covid-19 nesse grupo. Faz sentido vacinar crianças e jovens antes de vacinarmos os adultos? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e de jovens e crianças que façam parte dos grupos que apresentam risco maior de desenvolver quadros graves de covid-19. Por isso, os países têm iniciado a vacinação de crianças e adolescentes somente depois de disponibilizarem vacinas para todos os adultos. O dos Estados Unidos recomenda a vacinação de todas as pessoas acima de 12 anos. Se crianças e jovens em geral não desenvolvem quadros graves de covid-19, por que vaciná-los? Apesar de os e adultos jovens serem mais raros, o Brasil apresenta uma taxa alta de mortes de crianças: 852 crianças com menos de 9 anos, sendo 518 bebês, morreram de covid-19 entre fevereiro de 2020 e março de 2021, segundo dados do Ministério da Saúde. Espera-se que esse número seja ainda maior, por causa das subnotificações. Por isso o dr. Zerbini reforça a importância de vacinarmos as crianças assim que possível. “O ideal é avançarmos rapidamente com a vacinação dos adultos e depois vacinarmos as crianças, em especial as com comorbidades. Não podemos correr o risco, podendo prevenir a doença”, conclui.

PEBMED/ONLINE
Data Veiculação: 16/08/2021 às 15h00

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados. Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui. A pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 trouxe muitas incertezas e uma delas é a vacinação contra Covid-19 durante a gestação. Apesar de teoricamente sabermos da segurança da vacina em gestantes, por nenhuma delas conter vírus vivo atenuado (KALAFAT, 2021), são necessários mais estudos para trazer segurança para as gestantes e obstetras, principalmente após uma gestante de 23 semanas apresentar um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh), evoluindo para óbito fetal e, posteriormente, óbito da própria gestante, em maio de 2021. Tal evento foi correlacionado pela equipe que prestou assistência com a administração da vacina fabricada pela Oxford/AstraZeneca/Fiocruz (ANVISA, 2021). Editorial: A variante delta e as vacinas para Covid-19 Tome as melhores decisões clínicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas Cadastrar Login Estudo recente em agosto de 2021 foi publicado um estudo retrospectivo de coorte no American Journal of Obstetrics and Gynecology realizado no St George’s University Hospitals, em Londres, Reino Unido, entre primeiro de março a quatro de julho de 2021. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da vacina contra Covid-19 nas gestantes. Incluíram gestantes que foram submetidas ao esquema vacinal contra Covid-19 durante a gestação e levaram a gravidez até ao final, como previsto no início do pré-natal, e tiveram seu parto, independente da via, no St George’s University Hospitals. Neste estudo foram incluídos dados como tipo da vacina, comorbidades e fatores de risco antes do período gestacional e complicações durante a gestação e puerpério imediato. Saiba mais: FDA aprova 3ª dose de vacina contra Covid-19 para pacientes imunossuprimidos Segundo Blakeway (2021), das 1.328 gestantes incluídas no estudo 85,8% receberam a vacina no terceiro trimestre e 14,2% no segundo trimestre. Dessas gestantes, 90,8% receberam a vacina RNA mensageiro e 9,8% a vacina com o vetor vital inativado. Comparando as gestantes que receberam a vacina contra Covid-19 com as que não receberam, os eventos adversos gestacionais foram similares. Esse estudo contribui com os demais estudos realizados ao redor do mundo para mostrar evidências científicas sobre a segurança de realizar a vacinação contra a Covid-19 em gestantes independente da fase gestacional. Afinal, através de múltiplos estudos como esse que uma revisão sistemática é capaz de chegar a conclusões e melhorar nossa assistência médica. Mensagem final é importante ressaltar o quanto é necessário desenvolver mais estudos para obtermos mais segurança em relação a vacinação contra Covid-19 durante a gestação. Não podemos esquecer que durante a pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 a mortalidade materna aumentou em aproximadamente quatro vezes, quando comparada com os dados de 2020 (SOGESP, 2021). Exatamente devido a este dado que é o nosso dever como assistencialista do binômio materno-fetal difundir informações baseadas em evidências científicas sobre a vacinação contra a infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2. Somente assim, conseguiremos melhorar os dados obtidos neste ano sobre mortalidade materna e neonatal. Autor(a): Letícia Suzano Lelis Bellusci Graduação em Medicina pela Universidade José do Rosário Vellano ⦁ Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Regional de Presidente Prudente ⦁ Especialização em Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio-Libanês ⦁ Especialização em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Tecnologia em Saúde ⦁ Especialização em andamento em Medicina fetal pela Fetus Referências Bibliográficas: Blakeway H, Prasad S, Kalafat E, Heath PT, Ladhani SN, Le Doare K, Magee LA, O’brien P, Rezvani A, Dadelszen Pv, Khalil A, COVID-19 Vaccination During Pregnancy: Coverage and Safety, American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2021. doi: 10.1016/j.ajog.2021.08.007. Kalafat E, O’Brien P, Heath PT, et al. Benefits and potential harms of COVID-19 vaccination during pregnancy: evidence summary for patient counseling. Ultrasound Obstet Gynecol. Mar 18 2021. doi:10.1002/uog.23631 Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. COMUNICADO GERÊNCIA-GERAL DE MONITORAMENTO DE PRODUTOS SUJEITOS À VIGILÂNCIA SANITÁRIA – GGMON 005/2021. Vacinas contra a COVID-19, 11 de maio de 2021. Posicionamento da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo- SOGESP: VACINAÇÃO CONTRA COVID-19 PARA GESTANTES E PUÉRPERAS – CORONAVÍRUS. São Paulo, 08 de junho de 2021.