Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

YAHOO! FINANÇAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 16/02/2021 às 15h10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O anticorpo monoclonal tocilizumabe abrevia o tempo de internação, diminui a necessidade de ventilação invasiva e reduz a mortalidade em pessoas com Covid-19. Segundo o Recovery, grande estudo randomizado britânico de terapias contra a doença, a droga se mostrou efetiva contra a Covid19 em pacientes hospitalizados com hipóxia e quadro de inflamação. O problema para uso dela, porém, é o preço e a disponibilidade. O tocilizumabe é a segunda droga efetiva encontrada contra a Covid-19. A primeira, também com efeito de redução de mortalidade observado a partir do estudo Recovery, foi o barato corticoide dexametasona. Segundo os dados do pré-print disponibilizado (o estudo ainda não foi revisado por pares e publicado em uma revista especializada), foi observada uma redução de 4% na mortalidade, após 28 dias, entre os pacientes que receberam o tratamento padrão e os que receberam tocilizumabe. Isso significaria que uma vida é salva a cada 25 pacientes graves que tomam tocilizumabe. A pesquisa do Recovery com a droga ocorreu em 39 centros, entre 23 de abril de 2020 e 24 de janeiro de 2021. Os pesquisadores avaliaram 2.022 pacientes que foram, de modo aleatório, designados a tomar tocilizumabe e 2.094 que foram atendidos com o tratamento padrão. Segundo os cientistas, os benefícios no uso da droga foram observados em todos os subgrupos analisados na pesquisa, independentemente do nível de suporte respiratório e são adicionais ao efeito observado com o uso de cortiesteroide, ou seja, dexametasona. "É uma boa notícia para os pacientes e para os serviços de saúde no Reino Unido e em todo mundo", diz, em comunicado, Martin Landray, professor de epidemiologia da Universidade de Oxford e um dos investigadores do estudo Recovery. Os pacientes receberam uma dose (variando de acordo com o peso de cada um) de tocilizumabe intravenoso, durante 60 minutos. Havia a possibilidade de uma segunda dose, após 12 ou 24 horas, dependendo da melhora de condição de saúde ou não observada pelo médico que acompanhava o paciente. Os profissionais que aplicavam o tratamento e o paciente não estava cegos para a droga, mas os pesquisadores e todos os demais envolvidos no estudo foram cegados sobre as informações de quem era tratado ou não com o medicamento (a prática é feita para evitar vieses de observação, que poderiam, por exemplo, favorecer os resultados observados no grupo que foi tratado com o medicamento). Até o momento, os resultados sobre o tocilizumabe não tinham, de forma geral, mostrado benefício significativo na diminuição de mortalidade. O estudo da Coalizão Covid-19, aliança dos hospitais Albert-Einstein, o HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa de São Paulo, além do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), por exemplo, não tinha observado melhora nos pacientes graves da doença que tomaram a droga. Segundo Luciano Azevedo, professor de terapia intensiva da USP, pesquisador do Hospital Sírio-Libanês e um dos membros do estudo da Coalizão, a diferença de resultados se deve, possivelmente, à avaliação de desfechos diferentes e à escala dos dois estudos. A pesquisa da Coalizão tinha pouco mais de 100 participantes e teve um pequeno número de mortes. Já o Recovery tinha mais de 4.000 pessoas. A presença de mais possibilitou a observação do benefício. Azevedo afirma que, apesar de o tocilizumabe ter tido impacto confirmado e se mostrar como uma forma adicional de terapia, a aplicação da droga para pacientes com Covid no Brasil, por exemplo, é difícil. "A grande questão é a disponibilidade. A dexametasona é conhecida há décadas, está disponivel em todo lugar. O tocilizumabe não", diz o pesquisador do Sírio-Libanês. "Em muitos hospitais grandes, mesmo nas capitais, é de uso limitado pelo seu custo." O valor do medicamento da Roche está na casa dos milhares de reais por ampola. Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, afirma que, do ponto de vista de saúde pública, deve-se fazer uma análise do custo-benefício do uso da droga. Ela elogiou o desenho do estudo, mas disse que os dados são limítrofes. "O resultado é que, apesar de se mostrar uma alternativa, não é tão bom quanto desejaríamos", diz. O professor de doenças infecciosas da Univerdade de Oxford e um dos principais investigadores do Recovery Peter Horby afirma, em comunicado, que até o momento, pelos resultados de estudos anteriores, não estava claro para quais pacientes o tratamento poderia ser útil. "Agora sabemos que os benefícios do tocilizumabe se estendem para todos os pacientes com Covid com baixos níveis de oxigênio e inflamação significativa", diz o pesquisador. "O impacto duplo de dexametasona mais tocilizumabe é impressionante e muito bem-vindo." Landray afirmou que é substancial o impacto do uso conjunto da dexametasona com o tocilizumabe. Segundo Azevedo, um ponto a se verificar em estudos futuros é a possibilidade de aumento da dose de dexametasona. No Recovery, foi usada uma dose de 6 mg, considerada como padrão no tratamento para Covid-19 grave. "Será que não faria o mesmo efeito se, em vez de eu dar o tocilizumabe, eu aumentasse a dose da dexametasona?", questiona. Os autores do Recovery afirmam que sete estudos randomizados e com grupo controle tinham sido observados até o momento, mas seis deles com menos de 100 mortes registradas. O sétimo era a pesquisa Remap-cap, maior. A partir dos resultados preliminares desse último estudo, o Reino Unido já passou a adotar a droga em hospitais. De acordo com os autores, com todos os dados reunidos das oito pesquisas sobre a droga randomizadas e com grupo controle, observa-se uma uma redução de mortalidade, após 28 dias, de cerca de 13% nos pacientes que tomaram tocilizumabe. "Nossos dados sugerem que, em pacientes com Covid-19 que estão com hipóxia e têm evidência de inflamação sistêmica, o tratamento combinado de cortiesteroides [dexametasona] e tocilizumabe, a redução da mortalidade pode chegar a cerca de um terço para as pessoas que estiverem recebendo só oxigênio e até 50% para os que estão recebendo ventilação mecânica invasiva", afirmam os pesquisadores. Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Hospital Emílio Ribas, lembra que os dados, apesar de interessantes, são preliminares e que é importante observar a revisão por mais cientistas e a publicação em periódicos científicos. Mesmo com as dificuldades de uso acesso e custo, trata-se de uma nova medicação para tratar Covid19. "Se eu tiver um paciente com as características necessárias para uso, em um hospital com tocilizumabe, eu tenho que prescrever", afirma Azevedo. "É uma mudança no tratamento, baseada em evidência, mas que não vai poder ser aplicado em todos lugares." O uso para Covid do tocilizumabe (utilizado no tratamento de artrite reumatoide) e da dexametasona é semelhante, buscando diminuir o processo inflamatório no corpo. Mas, enquanto a dexametasona tem um efeito mais amplo no quadro de inflamação, o tocilizumabe age especificamente sobre a interleucina-6 --que, por sua vez, tem também um efeito dinâmico na cadeia inflamatória. A grande ativação do sistema de defesa do corpo, o que causa uma "tempestade inflamatória", é um motivos pelos quais as pessoas acabam morrendo pela doença.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 16/02/2021 às 12h00

O anticorpo monoclonal tocilizumabe abrevia o tempo de internação, diminui a necessidade de ventilação invasiva e reduz a mortalidade em pessoas com Covid-19. Segundo o Recovery, grande estudo randomizado britânico de terapias contra a doença, a droga se mostrou efetiva contra a Covid19 em pacientes hospitalizados com hipóxia e quadro de inflamação. O problema para uso dela, porém, é o preço e a disponibilidade. O tocilizumabe é a segunda droga efetiva encontrada contra a Covid-19. A primeira, também com efeito de redução de mortalidade observado a partir do estudo Recovery, foi o barato corticoide dexametasona. Segundo os dados do pré-print disponibilizado (o estudo ainda não foi revisado por pares e publicado em uma revista especializada), foi observada uma redução de 4% na mortalidade, após 28 dias, entre os pacientes que receberam o tratamento padrão e os que receberam tocilizumabe. Isso significaria que uma vida é salva a cada 25 pacientes graves que tomam tocilizumabe. A pesquisa do Recovery com a droga ocorreu em 39 centros, entre 23 de abril de 2020 e 24 de janeiro de 2021. Os pesquisadores avaliaram 2.022 pacientes que foram, de modo aleatório, designados a tomar tocilizumabe e 2.094 que foram atendidos com o tratamento padrão. Segundo os cientistas, os benefícios no uso da droga foram observados em todos os subgrupos analisados na pesquisa, independentemente do nível de suporte respiratório e são adicionais ao efeito observado com o uso de cortiesteroide, ou seja, dexametasona. "É uma boa notícia para os pacientes e para os serviços de saúde no Reino Unido e em todo mundo", diz, em comunicado, Martin Landray, professor de epidemiologia da Universidade de Oxford e um dos investigadores do estudo Recovery. Os pacientes receberam uma dose (variando de acordo com o peso de cada um) de tocilizumabe intravenoso, durante 60 minutos. Havia a possibilidade de uma segunda dose, após 12 ou 24 horas, dependendo da melhora de condição de saúde ou não observada pelo médico que acompanhava o paciente. Os profissionais que aplicavam o tratamento e o paciente não estavam cegos para a droga, mas os pesquisadores e todos os demais envolvidos no estudo foram cegados sobre as informações de quem era tratado ou não com o medicamento (a prática é feita para evitar vieses de observação, que poderiam, por exemplo, favorecer os resultados observados no grupo que foi tratado com o medicamento). Até o momento, os resultados sobre o tocilizumabe não tinham, de forma geral, mostrado benefício significativo na diminuição de mortalidade. O estudo da Coalizão Covid-19, aliança dos hospitais Albert-Einstein, o HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa de São Paulo, além do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), por exemplo, não tinha observado melhora nos pacientes graves da doença que tomaram a droga. Segundo Luciano Azevedo, professor de terapia intensiva da USP, pesquisador do Hospital Sírio-Libanês e um dos membros do estudo da Coalizão, a diferença de resultados se deve, possivelmente, à avaliação de desfechos diferentes e à escala dos dois estudos. A pesquisa da Coalizão tinha pouco mais de 100 participantes e teve um pequeno número de mortes. Já o Recovery tinha mais de 4.000 pessoas. A presença de mais possibilitou a observação do benefício. Azevedo afirma que, apesar de o tocilizumabe ter tido impacto confirmado e se mostrar como uma forma adicional de terapia, a aplicação da droga para pacientes com Covid19 no Brasil, por exemplo, é difícil. "A grande questão é a disponibilidade. A dexametasona é conhecida há décadas, está disponivel em todo lugar. O tocilizumabe não", diz o pesquisador do Sírio-Libanês. "Em muitos hospitais grandes, mesmo nas capitais, é de uso limitado pelo seu custo." O valor do medicamento da Roche está na casa dos milhares de reais por ampola. Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, afirma que, do ponto de vista de saúde pública, deve-se fazer uma análise do custo-benefício do uso da droga. Ela elogiou o desenho do estudo, mas disse que os dados são limítrofes. "O resultado é que, apesar de se mostrar uma alternativa, não é tão bom quanto desejaríamos", diz. O professor de doenças infecciosas da Univerdade de Oxford e um dos principais investigadores do Recovery Peter Horby afirma, em comunicado, que até o momento, pelos resultados de estudos anteriores, não estava claro para quais pacientes o tratamento poderia ser útil. "Agora sabemos que os benefícios do tocilizumabe se estendem para todos os pacientes com Covid19 com baixos níveis de oxigênio e inflamação significativa", diz o pesquisador. "O impacto duplo de dexametasona mais tocilizumabe é impressionante e muito bem-vindo." Landray afirmou que é substancial o impacto do uso conjunto da dexametasona com o tocilizumabe. Segundo Azevedo, um ponto a se verificar em estudos futuros é a possibilidade de aumento da dose de dexametasona. No Recovery, foi usada uma dose de 6 mg, considerada como padrão no tratamento para Covid-19 grave. "Será que não faria o mesmo efeito se, em vez de eu dar o tocilizumabe, eu aumentasse a dose da dexametasona?", questiona. Os autores do Recovery afirmam que sete estudos randomizados e com grupo controle tinham sido observados até o momento, mas seis deles com menos de 100 mortes registradas. O sétimo era a pesquisa Remap-cap, maior. A partir dos resultados preliminares desse último estudo, o Reino Unido já passou a adotar a droga em hospitais. De acordo com os autores, com todos os dados reunidos das oito pesquisas sobre a droga randomizadas e com grupo controle, observa-se uma uma redução de mortalidade, após 28 dias, de cerca de 13% nos pacientes que tomaram tocilizumabe. "Nossos dados sugerem que, em pacientes com Covid-19 que estão com hipóxia e têm evidência de inflamação sistêmica, o tratamento combinado de cortiesteroides [dexametasona] e tocilizumabe, a redução da mortalidade pode chegar a cerca de um terço para as pessoas que estiverem recebendo só oxigênio e até 50% para os que estão recebendo ventilação mecânica invasiva", afirmam os pesquisadores. Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Hospital Emílio Ribas, lembra que os dados, apesar de interessantes, são preliminares e que é importante observar a revisão por mais cientistas e a publicação em periódicos científicos. Mesmo com as dificuldades de uso acesso e custo, trata-se de uma nova medicação para tratar Covid19. "Se eu tiver um paciente com as características necessárias para uso, em um hospital com tocilizumabe, eu tenho que prescrever", afirma Azevedo. "É uma mudança no tratamento, baseada em evidência, mas que não vai poder ser aplicado em todos lugares." O uso para Covid do tocilizumabe (utilizado no tratamento de artrite reumatoide) e da dexametasona é semelhante, buscando diminuir o processo inflamatório no corpo. Mas, enquanto a dexametasona tem um efeito mais amplo no quadro de inflamação, o tocilizumabe age especificamente sobre a interleucina-6 —que, por sua vez, tem também um efeito dinâmico na cadeia inflamatória. A grande ativação do sistema de defesa do corpo, o que causa uma "tempestade inflamatória", é uns motivos pelos quais as pessoas acabam morrendo pela doença.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 16/02/2021 às 05h15

Uma pesquisa desenvolvida por uma coalizão de hospitais e institutos brasileiros avalia os efeitos dos sintomas prolongados e sequelas após a cura da Covid-19, que vem sendo chamada de Covid Longa, Covid Prolongada ou Long Covid. O estudo, que acompanha mais de 1,2 mil pacientes que enfrentaram a doença em todo o país, foi integrado à estratégia da Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar e estabelecer estratégias de combate à Covid Longa. O estudo é um dos nove desenvolvidos pela aliança formada por Hospital Moinhos de Vento (HMV), de Porto ALegre, e Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Os especialistas avaliam a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes com Covid-19 no Brasil. O grupo já demonstrou, por exemplo, que o uso do medicamento para artrite tocilizumabe e da cloroquina não possuem efeito contra a doença. No estudo, os participantes vêm sendo monitorados por ligações telefônicas a cada três, seis, nove e doze meses após a recuperação ou alta. O objetivo é detectar a presença de sintomas ou sequelas, tanto físicos quanto mentais, no período pós-Covid, como explica o pesquisador e médico do HMV Regis Goulart Rosa. Os resultados definitivos devem ser conhecidos entre o fim de 2021 e o início do ano que vem. Para os próximos meses, dados preliminares já compilados devem ser apresentados. Segundo o médico, tanto pacientes que desenvolveram a versão grave da doença quanto aqueles que não precisaram de internação podem sofrer os efeitos da Covid Longa, o que pode afetar a vida dessas pessoas mesmo meses após se recuperarem do vírus. "A gente acaba encontrando muitos pacientes que, mesmo não necessitando de hospitalização, tiveram sintomas prolongados. Inclui fadiga, cansaço, fraqueza, principalmente fraqueza muscular, inclui também dificuldade de atenção, distúrbios do sono, principalmente insônia, sintomas de ansiedade. Esses sintomas duram o suficiente para causar uma percepção de redução de qualidade de vida para essas pessoas", relata. Especialmente entre os pacientes mais graves, os pesquisadores estão analisando os efeitos à luz de dados já conhecidos sobre as consequências das internações, a chamada "síndrome pós-UTI". Nesses casos, é frequente a ocorrência de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas, por exemplo. "Essas disfunções acabaram gerando sequelas importantes nesses pacientes, que podem apresentar fraqueza muscular, redução da capacidade física, incluindo até dependência física pra atividades do dia a dia, disfunção cognitiva mais severa, incluindo déficit de memória, redução de velocidade da capacidade de processamento, que são domínios importantes para a pessoa retornar ao trabalho, por exemplo", afirma. O médico cita outro estudo brasileiro que aponta que, a cada quatro pacientes recuperados de uma pneumonia grave, um acaba morrendo. E a taxa de reospitalização também costuma ser alta, em torno de 60% no primeiro ano. "Às vezes a gente dá tchau para um paciente que teve ventilação mecânica por pneumonia e muitas vezes deveria estar dando um até logo", comenta o médico. Sequelas psíquicas incapacitantes seja em casos leves ou graves, os pesquisadores buscam aprofundar dados sobre as sequelas mentais que a Covid-19 pode acarretar. Ansiedade, depressão e estresse pós-traumático são comuns em pacientes que enfrentaram doenças como o coronavírus. Segundo Regis, tratam-se de síndromes incapacitantes. "Antigamente se pensava que as sequelas iam ser puramente respiratórias, impactando a vida física, mas as sequelas de saúde mental e da cognição são muito frequentes e causam impacto tão grande ou até mesmo maior do que a própria saúde física", diz o pesquisador. Um dos desfechos avaliados pelo estudo da coalizão, por exemplo, é a taxa de retorno ao trabalho o estudo de cada infectado, segundo o médico, para a monitorar também a saúde social pós-vírus. A descoberta dos sinais da Covid Longa indica a necessidade de rastreamento entre os casos da doença para detectar prováveis consequências, e da elaboração de um programa de reabilitação, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, entre outras especialidades. "A boa notícia é que a maioria dessas sequelas físicas, cognitivas e de saúde mental são transitórias, os pacientes conseguem se recuperar e ter uma melhora de sua qualidade de vida a partir da reabilitação", reflete o médico. Instituição de uma política pós-Covid Na reunião realizada no início do mês de fevereiro sobre a Covid Longa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou a importância dos estudos sobre os efeitos. "Todos precisam, desde a Atenção Básica, conhecer os efeitos da infecção nas crianças, nos grupos de risco e em todos os grupos e entender os impactos sociais e econômicos desta enfermidade. É preciso garantir a reabilitação dos pacientes. Temos 800 centros de colaboração em diversas regiões e vamos pedir que incluam a Long COVID entre as prioridades", afirmou Adhanom. O médico Regis Goulart Rosa acrescenta que o reconhecimento da OMS é o passo inicial para a instituição de políticas públicas para esses pacientes. "A partir disso, se dá o pontapé inicial para que nós possamos instituir medidas de reabilitação e também prevenção de sequelas desses pacientes, principalmente naqueles mais graves", conclui. 55 sintomas já catalogados um grupo de pesquisadores que revisou mais de 18 mil publicações sobre a Covid19 prolongada já publicados no mundo identificaram 55 principais sintomas já relatados. Confira no gráfico abaixo. VÍDEOS: Bom Dia Rio Grande

PANORAMA FARMACÊUTICO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 16/02/2021 às 00h00

Uma pesquisa desenvolvida por uma coalizão de hospitais e institutos brasileiros avalia os efeitos dos sintomas prolongados e sequelas após a cura da Covid-19, que vem sendo chamada de Covid Longa, Covid Prolongada ou Long Covid. O estudo, que acompanha mais de 1,2 mil pacientes que enfrentaram a doença em todo o país, foi integrado à estratégia da Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar e estabelecer estratégias de combate à Covid Longa. O estudo é um dos nove desenvolvidos pela aliança formada por Hospital Moinhos de Vento (HMV), de Porto ALegre, e Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Os especialistas avaliam a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes com Covid-19 no Brasil. O grupo já demonstrou, por exemplo, que o uso do medicamento para artrite tocilizumabe e da cloroquina não possuem efeito contra a doença. No estudo, os participantes vêm sendo monitorados por ligações telefônicas a cada três, seis, nove e doze meses após a recuperação ou alta. O objetivo é detectar a presença de sintomas ou sequelas, tanto físicos quanto mentais, no período pós-Covid, como explica o pesquisador e médico do HMV Regis Goulart Rosa. Os resultados definitivos devem ser conhecidos entre o fim de 2021 e o início do ano que vem. Para os próximos meses, dados preliminares já compilados devem ser apresentados. Segundo o médico, tanto pacientes que desenvolveram a versão grave da doença quanto aqueles que não precisaram de internação podem sofrer os efeitos da Covid Longa, o que pode afetar a vida dessas pessoas mesmo meses após se recuperarem do vírus. “A gente acaba encontrando muitos pacientes que, mesmo não necessitando de hospitalização, tiveram sintomas prolongados. Inclui fadiga, cansaço, fraqueza, principalmente fraqueza muscular, inclui também dificuldade de atenção, distúrbios do sono, principalmente insônia, sintomas de ansiedade. Esses sintomas duram o suficiente para causar uma percepção de redução de qualidade de vida para essas pessoas”, relata. Especialmente entre os pacientes mais graves, os pesquisadores estão analisando os efeitos à luz de dados já conhecidos sobre as consequências das internações, a chamada “síndrome pós-UTI”. Nesses casos, é frequente a ocorrência de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas, por exemplo. “Essas disfunções acabaram gerando sequelas importantes nesses pacientes, que podem apresentar fraqueza muscular, redução da capacidade física, incluindo até dependência física pra atividades do dia a dia, disfunção cognitiva mais severa, incluindo déficit de memória, redução de velocidade da capacidade de processamento, que são domínios importantes para a pessoa retornar ao trabalho, por exemplo”, afirma. O médico cita outro estudo brasileiro que aponta que, a cada quatro pacientes recuperados de uma pneumonia grave, um acaba morrendo. E a taxa de reospitalização também costuma ser alta, em torno de 60% no primeiro ano. “Às vezes a gente dá tchau para um paciente que teve ventilação mecânica por pneumonia e muitas vezes deveria estar dando um até logo”, comenta o médico. Sequelas psíquicas incapacitantes seja em casos leves ou graves, os pesquisadores buscam aprofundar dados sobre as sequelas mentais que a Covid-19 pode acarretar. Ansiedade, depressão e estresse pós-traumático são comuns em pacientes que enfrentaram doenças como o coronavírus. Segundo Regis, tratam-se de síndromes incapacitantes. “Antigamente se pensava que as sequelas iam ser puramente respiratórias, impactando a vida física, mas as sequelas de saúde mental e da cognição são muito frequentes e causam impacto tão grande ou até mesmo maior do que a própria saúde física”, diz o pesquisador. Um dos desfechos avaliados pelo estudo da coalizão, por exemplo, é a taxa de retorno ao trabalho o estudo de cada infectado, segundo o médico, para a monitorar também a saúde social pós-vírus. A descoberta dos sinais da Covid Longa indica a necessidade de rastreamento entre os casos da doença para detectar prováveis consequências, e da elaboração de um programa de reabilitação, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, entre outras especialidades. “A boa notícia é que a maioria dessas sequelas físicas, cognitivas e de saúde mental são transitórias, os pacientes conseguem se recuperar e ter uma melhora de sua qualidade de vida a partir da reabilitação”, reflete o médico. Instituição de uma política pós-Covid Na reunião realizada no início do mês de fevereiro sobre a Covid Longa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou a importância dos estudos sobre os efeitos. “Todos precisam, desde a Atenção Básica, conhecer os efeitos da infecção nas crianças, nos grupos de risco e em todos os grupos e entender os impactos sociais e econômicos desta enfermidade. É preciso garantir a reabilitação dos pacientes. Temos 800 centros de colaboração em diversas regiões e vamos pedir que incluam a Long COVID entre as prioridades”, afirmou Adhanom. O médico Regis Goulart Rosa acrescenta que o reconhecimento da OMS é o passo inicial para a instituição de políticas públicas para esses pacientes. “A partir disso, se dá o pontapé inicial para que nós possamos instituir medidas de reabilitação e também prevenção de sequelas desses pacientes, principalmente naqueles mais graves”, conclui. 55 sintomas já catalogados um grupo de pesquisadores que revisou mais de 18 mil publicações sobre a Covid prolongada já publicados no mundo identificaram 55 principais sintomas já relatados. Confira no gráfico abaixo. Fonte: G1