Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | SEMINÁRIOS FOLHA
Data Veiculação: 14/11/2020 às 03h00

Além de câncer, imunoterapia é testada contra o coronavírus Tecnologia ainda encontra barreiras pois depende de pesquisa e nacionalização Fotos Divulgação i Estamos enfrentando um inimigo de peso considerável, que é a pandemia, mas é fundamental lembrar que outras ameaças continuam por aí Rodrigo Munhoz oncologista do Hospital Sírio-Libanês i A dificuldade é ter pessoas capacitadas e ter o investimento para testar Cristina Bonorino professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde O preço elevado não é só uma questão de patente, existe muita pesquisa e um custo de desenvolvimento muito alto Paulo Lisboa Bittencourt coordenador da unidade de gastroenterologia e hepatologia do Hospital Português da Bahia Susana Terão sãopaulo Aimunoterapiar evolucionou o tratamento oncológico ao estimular, por meio de uma gama de intervenções e medicamentos, o sistema imunológico do próprio paciente. A partir da ação da terapia, o organismo ativa uma resposta imune que, por estar até então silenciada, permitia o crescimento do tumor. Apesar de reconhecer a inovação da imunoterapia, Rodrigo Munhoz, oncologista do Hospital Sírio-Libanês, reforça que o tratamento não deve ser visto como uma panaceia. Entre as limitações, está o fato de que não é todo tipo de câncer que responde da mesma forma e, por isso, a imunoterapia não exclui outros tratamentos mais convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia. "É fundamental que a gente module esse entusiasmo, porque os cânceres em geral ainda são uma entidade desafiadora e a gente tem uma longa estrada pela frente para amplificar os ganhos, seja com imunoterapia seja com outras estratégias de tratamento oncológico.” Para Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, o tratamento tem um fato r importante que é a gera - ção de uma memória imunológica contra o tumor. Bonorino, porém, ressalta que, mesmo com essa terapia, o tumor pode voltar. “Isso depende de algumas diferenças genéticas do paciente e do tipo de tumor. E importante não apenas disponibilizar a terapia, mas também criar novos testes preditores de respostas.” Apesar de iniciais, ensaios clínicos apontam a possibilidade de combatera Covid-19 com imunoterapia. Bonorino explica que o que acontece na infecção viral é semelhante ao que ocorre no câncer já que em ambos os casos acontece uma inibição da resposta imunológica. “Aquilo que a gente chama de inflamação ou resposta tem peculiaridades que estamos tentando destrinchar para poder recomendar a imunoterapia com segurança para a Covid19”, afirma. O tratamento oncológieo por imunoterapia utiliza anticorpos monocíonais que têm como alvo as proteínas PD-i ou PDLi, a fim de bloquear os sinais negativos que o câncer ativa e reestimular a resposta imune do organismo. Bonorino afirma que, no caso da Covid-19, pode ser utilizado outro tipo de imunoterapia, baseada na produção de anticorpos sintéticos a partir dos anticorpos Isolados de pacientes que tiveram a infecção pelo novo coronavírus. infecção já que alguns testes mostraram que, quando inseridos em um estágio avançado, o organismo produziu muitos anticorpos, e não há grandes efeitos. “Assim como há uma corrida pela vacina, há uma corrida por esses monocíonais.” Para Rodrigo Munhoz, oncologista do Hospital SírioLibanês, a imunoterapia contra a Covid-19 poderia funcionar como uma faca de dois gumes. A hipótese inicial seria a de que o tratamento poderia trabalhara favor do indivíduo, diminuindo a gravidade da infecção pelo coronavírus. Por outro lado, havia a preocupação frequente como fato de que parte do dano, na Covid-19, ser devido à reação inflamatória desencadeada pela resposta do organismo. “Se você tem essa resposta que machuca os órgãos em um paciente que já está com o sistema de defesa ativado pela imunoterapia, a evolução e o desfecho poderíam ser mais graves. ” Os debatedores, que participaram da 5a edição do Seminário sobre Câncer da Folha, patrocinado pelo Hospital Sírio-Libanês e pela Progenétiea, apontaram que uma das questões essenciais da imunoterapia é disponibilizar essa tecnologia para a população em larga escala, mas o grande entrave é o alto custo. Em agosto deste ano, o SUS incorporou, p ela primeira vez, a imunoterapia para o tratamento do câncer de pele do tipo melanoma, para casos em estágio avançado não cirúrgico e metastático. Paulo Lisboa Bittencourt, coordenador da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Português da Bahia, pontua que, em instituições privadas, o emprego do tratamento tem sido ampliado para tumores em diferentes fases. Para ele, o alto investimento limita a aplicação no sistema público de saúde. “Os custos desses medicamentos não estão associados à fabricação, mas à propriedade intelectual. Esse é um grande gargalo tecnológico do Brasil”, disse Bonorino. Além do incentivo à produção científica nacional, Bittencourt recomenda acordospara redução de valor. “A gente tem que basear a negociação para tentar conseguir um custo adequado para o cenário econômico nacional." Para Munhoz, é necessário nacionalizar os processos, dando "estímulo às indústrias que sejam capazes de replicar ou construir aquilo que hoje é feito por indústrias internacionais”. “Não temos empresa brasileira capaz de produzir e entregar esse tipo de medicamento em larga escala." A física Tatiana Alves demonstra o equipamento Calypso para radioterapia que amplia o nível de precisão além de diminuiro número de sessões para o cliente do Hospital Sírio-Libanês Eduardo Knapp-21. ago.2Qi9/Folhapress.