Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 14/07/2021 às 21h35

Há um ano e quatro meses, o cenário da pandemia exige uma nova rotina de mobilidade tanto de quem precisa se deslocar quanto dos condutores e das empresas de aplicativos que precisaram investir, criar e implantar novos protocolos de segurança e de higiene. Além do uso obrigatório de máscaras e álcool em gel, os motoristas reduziram o número de pessoas transportadas por viagem e há os que instalaram escudos protetores de acrílico para isolar o banco da frente. “Me senti um pouco sufocado no começo, mas agora estou acostumado”, revela Rochester de Oliveira Marques, de 45 anos, de Brasília (DF), motorista parceiro da 99. “Isso é cuidar da minha segurança e da dos passageiros”, diz. O motorista André Tadeu Santana, de 36 anos, de Belo Horizonte (MG), também seguiu as orientações enviadas pela 99 aos condutores de todo o País. Ele está sempre com máscara, não leva clientes no banco da frente, anda com os quatro vidros do carro abertos para o ar circular e recusam corridas de quem não aceita os itens de proteção. “Moro com minha irmã e minha mãe. Visito direto o meu pai, de 67 anos, que vive sozinho. Preciso me cuidar por mim e por eles”, reforça. Respeito às regras O sucesso das iniciativas de combate ao coronavírus depende da colaboração, do monitoramento e do respeito entre todos — passageiros e motoristas parceiros — para colocar em prática tantas medidas. “Fico atenta se o condutor está usando máscara e sempre converso com eles sobre a importância do autocuidado”, destaca Aline Oliveira, de 35 anos, analista de atendimento. A personal trainer Thaisa Suemi Nacamoto, de 32 anos, também deixou de pagar as corridas com dinheiro, optando pelo cartão, e só entra no carro se o motorista estiver com máscara. “Abro todas as janelas e observo se tem álcool no carro. Se ele abaixar a máscara ou ignorar os cuidados necessários, dou nota baixa”, afirma. Informação e auxílio A 99 criou um protocolo de segurança com a consultoria do Hospital Sírio-Libanês, disponível em no site 99app.com. São materiais informativos e educativos com vídeos, textos e podcasts gravados com médicos infectologistas e outros profissionais de saúde. Além da criação de um fundo de US$ 10 milhões (R$ 63,7 milhões) para auxiliar financeiramente motoristas parceiros diagnosticados com o coronavírus, a empresa também fez parcerias com a Shell (desconto em combustíveis) e com o Sebrae, de cursos e acesso a linhas de crédito exclusivas, por meio do programa Somos, de incentivo aos motoristas parceiros.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 14/07/2021 às 16h53

No mês de conscientização e luta contra as hepatites virais, a médica hepatologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília e supervisora da residência médica em hepatologia do Hospital de Base, Liliana Mendes, destaca os principais avanços em relação à infecção que ataca principalmente o fígado. Em entrevista ao programa CB.Saúde, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, a médica pontuou à jornalista Carmen Souza as implicações que as hepatites causam ao corpo humano. Liliana explica que a hepatite é uma inflamação do fígado e que a pessoa pode adquiri-la de diversas maneiras. A mais comum é a hepatite A, que não dá sequelas e não leva à cirrose. "Em seis meses, a pessoa fica curada. Os sintomas mais frequentemente nos casos agudos são náuseas, vômitos, amarelo nos olhos e na pele", explica a médica. A hepatite do tipo B pode causar sequelas no fígado, como cirrose e câncer de fígado. "Ela tem uma via de contágio por via sexual e por via sanguínea. São pessoas que são expostas ao sexo desprotegido, a sangue contaminado com compartilhamento de agulhas. Existe também a transfusão que foi uma grande causa de hepatites C no passado", destaca Liliana Mendes. A hepatite C é a mais grave e que leva mais pacientes à cirrose e ao câncer de fígado. Para conscientizar a população sobre essas doenças, foi instituído, em 2010, o julho amarelo. "A gente tem essa campanha para trazer a situação de pesquisa, diagnósticos e de possíveis tratamentos para evitar sequelas. Já que as hepatites podem cronificar, principalmente os tipos B e C, e dar causas de cirrose silenciosas", ressaltou a hepatologista. Liliana reforçou o canal de informação disponível para toda a população. O canal de ligação 0800 882 8222 tira dúvidas sobre as doenças hepáticas, além de orientar o local mais próximo para a pessoa realizar o teste em uma unidade básica de saúde. Um dos grandes desafios nessa pandemia é que muitos pacientes hepáticos pararam de fazer o acompanhamento da doença nos hospitais. "Nós perdemos um pouco o acompanhamento. Os pacientes procuram menos, por medo da covid19. Quem tem cirrose precisa fazer o exame de ultrassom para acompanhar a evolução de seis em seis meses", pontuou Liliana. Outro ponto que a pandemia implicou foi o surgimento de pacientes que se recuperaram da covid-19, mas tiveram como sequelas problemas no fígado. "Na primeira onda a gente notava alterações no fígado sem muito impacto, a não ser em pacientes cirróticos. Mas hoje, a gente está tendo uma outra realidade, porque uma das vias de entrada da covid19 é por uma célula que está no ducto biliar, que vai entrando no fígado. Então, algumas pessoas que têm apresentado covid19 na forma grave, que foram intubados, tiveram problemas no fígado. Não são todos, é uma minoria, mas tem ocorrido", afirmou a médica.

BLOGS DO ESTADÃO
Data Veiculação: 14/07/2021 às 12h09

Conteúdo verificado: Informação compartilhada nas redes sociais de que um novo estudo comprovaria que a ivermectina é capaz de reduzir as mortes por covid-19 em até 56%. A mesma pesquisa foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em live semanal no Facebook na quinta-feira (8). São enganosas publicações nas redes sociais que afirmam que uma metanálise mostrou que a ivermectina pode reduzir em até 56% as mortes por covid-19. Apesar do estudo em questão realmente apontar para este número, existem diversos problemas nas pesquisas que impedem que o resultado seja considerado conclusivo. Leia Também Veja todas as checagens sobre coronavírus publicadas pelo Estadão Verifica O estudo em questão é uma metanálise. Nesse tipo de pesquisa, estudos sobre um mesmo assunto são agrupados e, então, os resultados são comparados. Os próprios pesquisadores advertem que cada um dos estudos analisados tinha um número muito pequeno de participantes, com populações distintas e que não houve diferenças significativas na sobrevivência em pacientes graves. Além disso, a maior parte dos estudos utilizados na análise não foi revisada por pares, o que é necessário para validar uma pesquisa científica. Dos 24 estudos, somente oito haviam sido revisados. O Comprova procurou os autores dos posts no Twitter e no Instagram. Somente o empresário Paulo Figueiredo Filho nos respondeu com o link para a pesquisa. Como verificamos? O Comprova pesquisou sobre o estudo citado nas postagens. Em seguida, consultou a infectologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal Joana Darc Gonçalves e o infectologista do Hospital Sírio-Libanês Alexandre Cunha. Para a verificação, também foram consultadas outras pesquisas sobre o uso da ivermectina no tratamento da covid-19 e agências reguladoras que falam sobre o medicamento. Por fim, entramos em contato com o autor do post no Twitter e com os autores da postagem no Instagram. O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 14 de julho de 2021. Verificação A metanálise de ensaios clínicos randomizados de ivermectina para tratar a infecção por SARS-CoV-2 (Meta-analysis of randomized trials of ivermectin to treat SARS-CoV-2 infection), publicada no Open Forum Infectious Diseases em julho, é uma análise de 24 estudos sobre o uso da ivermectina para tratamento de covid-19. Dessas pesquisas, 11 mostraram um resultado positivo para o uso do remédio contra a doença, com a redução de 56% da mortalidade. No entanto, a pesquisa apresenta vários problemas. A maior parte dos estudos analisados não foi revisada por pares, fator determinante para a validação de uma pesquisa. Dos 24 estudos incluídos, oito eram artigos publicados, nove eram pré-prints (ainda não tinham sido revisados), seis eram resultados que sequer tinham sido publicados e um era uma publicação independente. Além disso, uma das limitações apontada pelos próprios autores é que a quantidade de pacientes avaliada é muito pequena para se chegar a uma conclusão. Os 24 estudos só somam 3.328 pacientes. A infectologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal Joana Darc Gonçalves ainda aponta vários problemas nos estudos analisados na metanálise. Segundo ela, os resultados não mostram quais pacientes usaram corticoide e qual não, só dois estudos demonstraram redução de sintomas e nenhuma das análises demonstrou redução na hospitalização. Ademais, foram misturados pacientes ambulatoriais e hospitalizados, o que pode ter interferido nos resultados. Por isso, ela ressalta que este estudo não pode ser considerado conclusivo. “Permanece a necessidade complementar de ensaios clínicos randomizados que testem o tratamento precoce, para delinear os benefícios clínicos, resolução dos sintomas e redução de hospitalização”, indica ela. De acordo com o infectologista do Hospital Sírio-Libanês Alexandre Cunha, por ser uma metanálise, ou seja, a junção de vários estudos, a qualidade da pesquisa fica prejudicada. “Quando você faz um apanhado de vários estudos, vários ou alguns deles têm má qualidade e isso acaba atrapalhando o resultado. Em toda metanálise, o mais importante não é o número de estudos, mas a qualidade dos dados. As metanálises bem feitas sobre ivermectina, com estudos bem controlados, não mostraram bons resultados”, enfatiza. Além disso, ele lamenta que esse tipo de análise seja publicado. “Outro problema é que se misturam estudos muito diferentes. O problema de metanálises que pegam estudos ruins é que acaba amplificando um resultado que não é verdadeiro”, explica. A infectologista Joana Darc Gonçalves também ressalta que o mais importante é focar na vacinação para evitar que as pessoas fiquem doentes. “Com certeza é importantíssimo avaliarmos os resultados das metanálises, mas acredito que já temos a solução para o problema. Precisamos buscar os meios para vacinarmos nossa população. Vacinar continua sendo a melhor solução” destaca. Não há comprovação da eficácia de ivermectina contra covid-19 Desde março de 2020, quando um estudo mostrou resultados animadores do antiparasitário contra a covid-19 in vitro, várias outras pesquisas com o remédio foram realizadas ao redor do mundo. Nenhuma mostrou resultados conclusivos para a eficácia do medicamento no tratamento da doença. Um estudo publicado em junho deste ano na revista científica EClinical Medicine, publicação que faz parte da The Lancet, mostrou que não houve diferença na redução da carga viral entre os grupos que utilizaram a ivermectina e os que não. Outra metanálise publicada na Clinical Infectious Diseases, da Oxford University Press, em junho, concluiu, com base em outros estudos, que a ivermectina não funciona para o tratamento da covid-19. “Em comparação com tratamento padrão ou placebo, a ivermectina não reduziu todas as causas de mortalidade, tempo de internação ou depuração viral em estudos controlados por placebo em pacientes com covid-19, principalmente com doença leve. Ivermectina não é uma opção viável para tratar pacientes com covid-19”, concluíram os pesquisadores. Em março, um estudo publicado na revista científica Jama Network concluiu que o “uso da ivermectina não melhorou significativamente o tempo de resolução dos sintomas. Os resultados não apoiam o uso de ivermectina para o tratamento de covid-19 leve”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) só recomenda o uso da ivermectina para ensaios clínicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nota em julho de 2020 e atualizada em abril deste ano em que diz não existirem estudos conclusivos que comprovem a eficácia da ivermectina no tratamento da covid-19. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) também desaconselha o uso do medicamento para tratamento da covid-19. Assim como a Agência de Medicamentos Europeia (EMA), que concluiu que os estudos disponíveis só suportam o uso do remédio em ensaios clínicos. O laboratório Merck, fabricante do remédio nos Estados Unidos, disse em fevereiro de 2021 que analisou os estudos disponíveis sobre o remédio e que, até o momento, não há base científica que aponte um efeito terapêutico do uso da ivermectina contra a covid-19. Por que investigamos? Em sua quarta fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos que tenham viralizado nas redes sociais sobre a pandemia ou sobre políticas públicas do governo federal. O post viral foi publicado pelo empresário Paulo Figueiredo Filho em seu Twitter no dia 6 de julho. Até o dia 12 de julho, o boato teve alcance de mais de 18 mil curtidas e 5 mil compartilhamentos, além de circular em páginas no Instagram de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como no @direita.piauiense, onde a publicação teve 1.161 curtidas e no @politizados, que teve 2.760 curtidas. A checagem de fatos envolvendo informações sobre supostos tratamentos para a covid-19 é necessária, pois falsas esperanças podem levar as pessoas a colocarem sua saúde em risco. O antiparasitário ivermectina tem sido alvo de desinformação desde o início da pandemia e o uso indiscriminado do medicamento pode causar hepatite medicamentosa. Esse mesmo estudo foi verificado pelo UOL Verifica depois de citado por Bolsonaro em sua live semanal no Facebook na última quinta-feira (8). Postagens sobre a ivermectina já foram verificadas pelo Comprova, mostrando ser enganoso que a Universidade de Oxford encontrou ‘fortes indícios’ da eficácia da ivermectina contra a covid-19 e outra que ivermectina em altas doses pode causar até convulsão. Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; ou ainda que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.