Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 14/03/2021 às 03h00

Mortes por Covid-19 explodem em 50 grandes cidades Saüde BI Mortes por Covid-19 explodem em 50 grandes cidades do país Segunda fase da pandemia é mais letal em 40% dos municípios com mais de 100 mil habitantes □ Onde as mortes saltaram mais de 80% na 2a fase da pandemia • Angra Dos Reis (RJ) • Apucarana (PR) • Araraquara (SP) DELTAFOLHA são paulo Esta segunda fase da pandemia da Covid que o Brasil vive é mais letal que a primeira em 40% das grandes cidades do Brasil. Em 50 desses maiores municípios (15% do total), houve uma explosão de óbitos: o pico de agora é pelo menos 80% maior que o do ano passado. A Folha comparou a semana com mais mortes nos municípios em dois momentos: março a outubro de 2020 (primeira fase) e o período entre novembro e esta última semana (segunda fase). Os recordes negativos começaram a ser batidos em dezembro e se estendem até agora. Jaú (SP), Chapecó (SC) e Santa Cruz do Sul (RS) foram os locais com as pioras mais graves, nas quais o pico atual de mortes foi até 11 vezes maior que o do ano passado. Foram consideradas as cidades com mais de 100 mil habitantes, onde os dados tendem a ser mais confiáveis. O monitor da Folha de aceleração da doença indica que 68% dessas grandes cidades estão em estágio acelerado (crescimento rápido de novos casos) ou estável (estabilização do crescimento, mas num patamar alto). Considerando apenas os 190 municípios em que esta segunda fase está pior do que a primeira, 74% estão em aceleração ou estável. Embora não haja consenso entre especialistas sobre se o país vive de fato uma segunda onda ou apenas um repique da primeira, entre setembro e outubro do ano passado houve queda no número de casos e mortes por Covid, com alta a partir de novembro. O impacto do recrudescimento foi maior no Sul. Nove em cada 10 municípios grandes da região bateram recorde no número de óbitos em uma única semana. Em Chapecó (SC), o recorde da média móvel na primeira fase havia sido em setembro, com um óbito por dia. Na última semana de fevereiro, porém, a cidade chegou a uma média diária de 13 mortos. Mesmo assim, reabriu o comércio na segunda (8) após duas semanas com restrições. O estado mais afetado nesta segunda fase foi o Amazonas, que em janeiro foi palco da pior crise no sistema de saúde já vista na pandemia. Com escassez de UTIs, profissionais de saúde e oxigênio para os doentes, o estado passa de 6.000 mortos nestes três meses de 2021, mais que durante todo o ano passado. Em Manaus, onde estão concentrados todos os leitos de UTI do estado, a maior média móvel registrada em 2020 havia sido de 43 óbitos, contra 143 no mês passado. Outras três capitais também passam por explosão de mortos agora: Florianópolis, Curitiba e Porto Velho. Já São Paulo, que nesta sexta-feira (12) bateu recorde na média móvel de óbitos (331), tem 41% das cidades em situação pior agora. A que teve maior aumento de óbitos foi Jaú —saiu de 1 em outubro para 14 em fevereiro, maior crescimento entre os grandes municípios do país. Na capital paulista, apesar do aumento no número de casos e mortes desde novembro, a situação ainda está distante da viveneiada na primeira fase. Na pior semana da pandemia, em junho, a cidade registrou média diária de m mortes. O recorde da segunda fase, até o momento, é de 69. Segundo especialistas ouvidos, o impacto da nova fase é parte de uma cadeia complexa de eventos, muitos dos quais provenientes ainda da primeira parte da pandemia no país. Um dos pontos citados são as variantes do Sars-CoV-2, como a brasileira P.i e a britânica B.1.1.7, ambas consideradas com maior potencial de disseminação, o que por si só pode acelerar o alcance da doença. No Brasil, as variantes do Sars-CoV-2, inclusive a sulafricana B.1.351, já são dominantes em seis estados, além do Amazonas (local onde primeiro foi identificada a P.i), segundo estudo da Fioeruz. Mas é incorreto jogar a culpa nas variantes, dizem os especialistas. O relaxamento das pessoas quanto às medidas de proteção também deve ser levado em conta —inclusive porque as variantes têm mais chance de surgir diante da alta circulação do vírus e do descontrole da pandemia. A fadiga da pandemia e do alongamento das estratégias de distanciamento entramna equação desse relaxamento. “Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, diz Max Igor Banks Ferreira Lopes, infectologista do Hospital Sirio-Libanês, sobre a extensão de tempo das medidas aplicadas, sem necessariamente um controle efetivo. E aí entra a falta de políticas públicas para controle da pandemia. O Brasil não implementou políticas de testagem emmassa e rastreamento de contatos, o que podefacilitar medidas de isolamento. Até hoje, para conseguir testes PC R são necessários alguns dias, mesmo para quem tem convênio, diz Ferreira Lopes. O monitoramento por mortes e casos é falho, diz o infectologista, porque está sempre olhando para o que aeonteceuhá semanas, e o conhecimento sobre o que é necessário no momento é limitado. Segundo a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), governantes em diversas esferas se limitaram à preocupação com vagas de UTI e, com isso, "investiram na doença”. "Estamos esperando as pessoas adoecerem para dar a elas [com UTI] uma forma mais digna de morrer. Se tivéssemos um medicamento maravilhoso contra Covid seria uma coisa, mas não temos” diz Maciel. “Muitas coisas poderíam ser feitas, e o Brasil não está fazendo nada. Não é só o governo federal, é todo mundo.” Para o epidemiologista e professor cia USP Paulo Lotufo, as variantes foram usadas politicamente: “Serviram para governos porem a culpado descontrole no vírus”. Na primeira onda, grandes metrópoles como São Paulo e Rio cie Janeiro concentraram casos e mortes e, com suas medidas de restrição, conseguiram pelo menos reduzir um pouco a marcha do SarsC0V-2 território adentro. Agora, o viras está alastrado. Houve ainda a minimização da situação. “ Você tem um presidenteque usou máscara poucas vezes, uma narrativa de que ‘as pessoas têm que sair, que é mimimi’” diz Maciel. Aliado a tudo isso, vieram feriados do segundo semestre, eleições, festas de final de ano e Carnaval. Tudo isso gerou grande pressão no sistema de saúde do país todo ao mesmo tempo e nos profissionais já cansados. E, finalmente, na explosão de Covid à q uai o Brasil assiste, sem ação. “Não dá para fingir normalidade”, diz Ferreira Lopes. "Não está dando.” Flávia Faria, Phillippe Watanabe, Diana Yukari e Guilherme Garcia 40% das cidades grandes bateram recorde de mortes por Covid desde novembro Comparação leva em conta média movei de óbitos em municípios com mais de 100 mil habitantes mor.es po, O50(J0 Covid-19 pico maior na Ia fase Ia e 2a fase iguais pico maior na 2afase- cidades com a 2a fase ao menos 80% pior 40% das cidades com pico maior na 2a fase Q 10.000 (2) is.000 JJ3-J r má Manaus am Maricá rj Campo Grande ms /—Curitiba pr ijt. . . r Umuarama pr Chapecó sc Jaú sp Em sua pior fase, teve casos confirmados da nova variante do coronavírus 100% 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1.000 1.100 Onde a diferença entre os picos foi maior média móvel de mortes* estágios da pandemia** Maringá pr Londrina pr Florianópolis sc Caxias do Sul rs Camaçari ba Santarém pa Araraquara sp Ourinhos sp Chapecó sc Santa Cruz do Sul rs Jaú sp Petrópolis rj Manaus am Petrolina pe Juiz De Fora mg ——. 2 mortes Estável xv Desaceterado i jun. jul. ago. set. out. nov. dez. Santarém tem ritmo constante de novos casos, mas em patamar alto Cidade com maior média de óbitos na 2a fase, Manaus agora reduz contaminação 56 44 Estados estados com a 2a fase ao menos 80% pior estados com pico maior na 2a fase pico maior na Ia fase óbitos por Covid-19 O 20.000 Q 40.000 O 60.000 300% 200 100 Ia e 2a fase iguais 100 pico maior na 2a fase AM Em 4 estados o pico da 2a fase foi ao menos 2 vezes o da Ia 200 300 *média móvel de 7 dias. **pe!o Monitor da Aceleração da Covid-19, da Folha. Fonte: Consórcio deveiculos de imprensa e Brasil.10 • Ariquemes (RO) ■ Assis (SP) ■ Bagé (RS) • Barbacena (MG) • Barra Do Piraí (RJ) ■ Cabo Frio (RJ) ■ Camaçari (BA) ■ Caraguatatuba (SP) • Cascavel (PR) • Catalão (GO)] • Caxias Do Sul (RS) • Chapecó (SC) ■ Criciúma (SC) ■ Curitiba (PR) ■ Divinópolis (MG) • Erechim (RS) • Florianópolis (SC) • Gravata í (RS) • Guarapuava (PR) • Guaratinguetá (SP) ■ Itacoatiara (AM) ■ Jaú (SP) ■ Ji-Paraná (RO) ■ Juiz De Fora (MG) • Londrina (PR) • Manaus (AM) • Marília (SP) • Maringá (PR) ■ Mauá (SP) • Niterói (RJ) • Ourinhos (SP) • Passos (MG) • Petrolina (PE) • Petrópolis (RJ) • Poços De Caldas (MG) • Ponta Grossa (PR) • Porto Velho (RO) • Resende (RJ) • Santa Cruz Do Sul (RS) • Santarém (PA) • Santo André (SP) • São Carlos (SP) • Sapucaia Do Sul (RS) ■ Teresópolis (RJ) • Umuarama (PR) ■ Uruguaiana (RS) • Varginha (MG) UTI no Complexo Hospitalar do Trabalhador, em Curitiba; impacto da piora da pandemia foi pior no Sul Clevis Massolla/Folhapi