Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

UOL BLOGOSFERA
Data Veiculação: 12/08/2020 às 04h00

No começo da pandemia do Coronavírus, foi noticiado que alguns dos ricos de Belém e Manaus criaram uma maneira de buscar tratamento. Eles alugavam jatinhos e se internavam em hospitais particulares de ponta de São Paulo. Esses hospitais são quase como grifes. Ricos e famosos, em geral, se internam no Albert Einstein ou no Sírio-Libanês (hospitais de referência, mas que nós, reles mortais, não pensamos na possibilidade de poder pagar). Pois Camila Pitanga, uma das atrizes mais respeitadas e conhecidas do Brasil, quebrou esse ciclo. Contaminada com malária, Camila contou ontem no Instagram que está se tratando com a filha no Hospital das Clínicas, em São Paulo, ligado ao SUS, e postou uma homenagem aos profissionais de saúde que cuidam dela. No fim do post, ela defendeu o Sistema Único de Saúde. "O SUS está sendo fundamental durante a pandemia. Em São Paulo, por exemplo, os melhores hospitais, os que mais atenderam casos de Coronavírus e com excelência são o Hospital das Clínicas e o Emílio Ribas. Os dois pertencem ao SUS", diz o infectologista José Valdez, membro da sociedade brasileira de infectologista. Ele lamenta, no entanto, que o SUS esteja há mais de uma década sem receber os recursos necessários. Se mais equipado, segundo ele, mais casos poderiam ser atendidos e mais vidas seriam salvas. "O projeto do SUS é maravilhoso, pena que ele vem sendo sucateado há uns 15 anos", diz o infectologista, que trabalha no Centro de Referência e Treinamento para HIV e Aids, ligado ao SUS. Mesmo com sua excelência comprovada por especialistas, até hoje muitas pessoas viram o rosto para o SUS. Segundo Valdez, apesar da falta de recursos, hospitais do sistema são referência em muitas doenças, entre elas a malária que acomete Camila Pitanga e sua filha. "Os maiores centros para esses tipos de doenças, que são "chamadas doenças da pobreza", causadas, entre outras coisas por falta de saneamento básico, são os hospitais da rede pública. Muitos hospitais particulares nem estão preparados para isso. Os maiores centros de referência no Sudeste para tratar malária e leptospirose, por exemplo, no Sudeste, são o Emílio Ribas e Hospital das Clínicas", diz. O SUS, que já foi muito mal visto pela população, tem sido mais valorizado durante a pandemia. Levantamento da Rede Nossa São Paulo, elaborado em parceria com o Ibope Inteligência, mostrou que seis em cada dez pessoas pertencentes às classes média e alta da capital paulista passaram a valorizar mais o SUS com a pandemia de covid-19. Detalhe: entre os entrevistados, pertencentes a classes A, B e C, 62% disseram estar sem plano de saúde. Com a crise econômica, o número deve aumentar. Ou seja, o SUS nunca foi tão fundamental. O testemunho de Camila levou outros famosos a se manifestarem a favor do SUS em mensagens de apoio à atriz. "Camila, espero que vocês duas se recuperem prontamente. E, mesmo no sufoco, você foi gigante enaltecendo nossas mulheres do SUS", disse a apresentadora Astrid Fontenelle. "Boa recuperação, lindezas. Viva o SUS", escreveu a atriz Nanda Costa. "Fiquem bem, amadas, você e sua filha! Orgulho do SUS, orgulho dos nossos profissionais de saúde, que para mim são os melhores do mundo", comentou Maria Fernanda Cândido. Esse movimento, vindo de pessoas influentes, pode, sim, fazer com que mais pessoas valorizem e tentem melhorar o sistema. A saúde agradece.

SETOR SAÚDE/PORTO ALEGRE
Data Veiculação: 12/08/2020 às 00h00

Em um momento de tantos desafios, fica ainda mais clara a importância do diálogo aberto e da troca de experiências. Neste contexto, nasce o projeto #, uma série de eventos digitais, promovido pela, para dialogar sobre os mais variados temas que afetam a cadeia da saúde. O primeiro episódio da série recebeu, na noite de 11 de agosto, lideranças da saúde e especialistas para tratar da retomada econômica na nova realidade. Com as incertezas que permeiam o cenário nacional abalado pela pandemia de, como gestores, médicos e economistas encaram os desafios que estão pela frente? Moderado por, diretora-executiva da, o diálogo contou com a participação de, CEO do; , diretor-geral do ; e , economista da . Nova Realidade: Retomada Econômica Logo após a confirmação do primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil, a crise começou a se instalar. Com a paralisação de algumas atividades, sendo mantidos apenas os serviços essenciais, a economia começou a enxergar que os desafios seriam enormes. Ainda dentro dessa perspectiva, hospitais, laboratórios e clínicas de imagem viram sua movimentação entrar em vertiginosa queda com a suspensão de atendimentos eletivos, visto que a prioridade do país era identificar e tratar pessoas acometidas pela COVID-19. Diante de tantas incertezas – estávamos frente a uma doença nova em uma situação difícil de ser compreendida em tão pouco tempo – o conhecimento foi evoluindo tanto na área da saúde quanto na economia. É o que explica Rachel de Sá. “No começo, a maior parte dos economistas do mundo entendiam que vivíamos uma crise de oferta. Porém, depois da compreensão de que o grande problema do novo coronavírus não era a letalidade, mas sim a disseminação muito rápida que ameaçava os sistemas de saúde, entramos em isolamento social e a economia mundial parou. Começamos, então, a avaliar que a COVID-19 era uma crise da economia real, que trazia tanto problemas de oferta quanto de demanda”, disse. Para os serviços de saúde, a crise também se instalou. Apontando que a incerteza é o maior desafio de todos nesse momento, Carlos Marinelli, falando sob a ótica do Grupo Fleury, traçou um panorama das atividades da rede ao longo dos últimos meses enfatizando que os resultados da companhia mostram que o segundo trimestre de 2020 foi, de fato, muito desafiador. Lembrando de cenários internacionais como o de Nova Iorque, nos Estados Unidos, que acusou aumento de 800% no número de mortes nas residências por doenças cardíacas ocasionadas principalmente pelo receio das pessoas buscarem atendimento médico e, assim, serem contaminadas com a COVID-19 nos equipamentos de saúde, Marinelli avaliou o segundo semestre. “Cuidados de saúde são prioritários e chega uma hora que a pessoa precisa ir ao médico, precisa fazer seus exames. Quando projetamos 2020, pensamos que uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus não seja o cenário mais provável, visto que infelizmente não tivemos um controle tão efetivo da pandemia”, pontuou. “A gente não teve um colapso do sistema de saúde, o que foi muito positivo. Mas isso não quer dizer que controlamos a pandemia da melhor maneira”, completou. Ao falar sobre a contenção do patógeno na sociedade, o executivo declara que todos estão a cada dia aprendendo mais sobre a doença e sobre como os serviços devem se comportar em um país continental como o Brasil, onde os surtos chegaram em tempos e com intensidades diferentes. “Trabalhamos com pesquisadores da USP e da Unifesp para entender a prevalência de COVID-19 na cidade de São Paulo e o que vemos é uma divergência muito grande em função do nível de renda, visto que em regiões mais pobres já vemos soro prevalência batendo 23%”, apontou. Segundo Marinelli, quando a porcentagem de pessoas que já tiveram contato com o vírus chega a esse patamar, começamos a observar características de imunidade de rebanho. “E é isso que reforça nossa percepção de que não necessariamente teremos uma segunda onda”, disse. Trazendo dados sobre como o Hospital Sírio-Libanês foi impactado pelo alto número de casos de COVID-19 de março até hoje, Paulo Chapchap fez uma análise de como a pandemia provocou uma mudança na saúde geral da população, mesmo naqueles indivíduos que não se contaminaram com o novo coronavírus. “Começamos a ver internações de pacientes muito mais graves. Tanto de COVID-19 quanto de quem não tinha COVID-19”, disse. O executivo no comando do hospital acredita que nos próximos meses assistiremos o número de exames de diagnóstico voltar a 90% do que era realizado na pré-pandemia. Papel da testagem Priscilla provocou os participantes a falarem sobre o papel do diagnóstico nesse cenário. “Sabemos quão importante é a testagem para que a retomada realmente ocorra e que temos testes cada dia mais confiáveis. Temos ciência de que o exame molecular RT-PCR é o padrão ouro para diagnóstico da COVID-19, mas vemos que os testes sorológicos estão a cada dia mais assertivos. Como está esse cenário hoje?”, questionou. Sem deixar de reforçar que a melhor estratégia para o combate de uma pandemia infecciosa como a COVID-19 é testar, isolar e rastrear, Marinelli falou sobre o teste sorológico como um excelente caminho para empresas que estão retornando às atividades. “Muitas pessoas contaminadas não têm nenhum sintoma característico. O RT-PCR identifica a fase aguda da doença. Vamos, então, testar essas pessoas o tempo todo para identificar o patógeno? Nesse caso, testar pela sorologia é mais vantajoso. Caso o paciente apresente IgM alto, sabemos que está no período mais crítico da doença. Se tiver alto o IgG, é porque já teve contato e o corpo dele já se manifestou, mesmo que não tenha tido sintomas e complicações”, explicou. Comportamento do cidadão Chapchap aproveitou a oportunidade para enfatizar que vivemos uma crise onde o cidadão tem papel fundamental. “Uma infecção de transmissão respiratória como a COVID-19 é a situação em que o paciente é mais responsável pelo que acontece com ele. A gente sabe evitar essa doença e nessa pandemia somos responsáveis pela nossa saúde e pela saúde de todos que vamos encontrar”, declarou. Para Marinelli, com o passar dos meses o conhecimento se multiplicou, mas não adianta compreender melhor a doença se o comportamento não se adéqua aos cenários. “Todos sabemos que temos que usar máscara. Não deveríamos nem estar saindo, mas se já estamos podendo sair, vamos usar a máscara”, enfatizou. Previsão para 2021 Para Rachel, a resposta brasileira em termos de política pública foi muito positiva. Em sua análise, a economista declarou que o Brasil, no comparativo com países emergentes da América Latina, é um dos que menos assistirá a quedas econômicas. “Os gastos desse ano estão precificados e justificados. A grande preocupação está no próximo ano”, disse ao mencionar que o que levou o país para a crise que se instalou antes da chegada da COVID-19 foi um cenário similar ao que está sendo traçado agora, onde após políticas econômicas acertadas as políticas contracíclicas permaneceram somadas à estratégia fiscal de estímulo à demanda sem que fosse necessário. “O grande problema era a oferta”, completou. Para Chapchap, o caminho é único: “Se o Brasil se comportar do ponto de vista fiscal, ano que vem não teremos um problema tão grande para lidar”. Em termos de saúde, Marinelli se preocupa em não perdermos tudo o que conquistamos em prevenção. Relembrando que muitas pessoas deixaram de fazer suas consultas, exames e cirurgias por medo da contaminação, mas, também, pela paralisação das atividades (muitos serviços públicos cancelaram os atendimentos eletivos), falou sobre a adaptação das instituições para separar os pacientes garantindo segurança nos atendimentos. “Posso garantir que os locais hoje estão seguros, com fluxos completamente separados. O conhecimento vai nos ajudar a não perder ganhos significativos que tivemos. Além disso, parcimônia e equilíbrio são fatores críticos para retornarmos à nossa normalidade sem desperdiçar a grande evolução que conquistamos com as campanhas de prevenção em saúde que investimos há anos no nosso país”, disse. Legado da pandemia para encerrar o debate, Priscilla trouxe uma pergunta do presidente do Conselho de Administração, Wilson Shcolnik, que questionou aos palestrantes os dois principais pontos de aprendizado que eles acreditam que ficarão para a história. Rachel, da XP Investimentos, apontou a adesão tecnológica que fez com que as empresas conseguissem bons resultados mesmo diante da crise e a lição de que a responsabilidade fiscal não deve ser um fim, mas um meio para obtenção de respostas em momentos desafiadores; Paulo Chapchap mencionou a compreensão sobre as benesses da ciência de dados gerando informações que baseiam a tomada de decisões, além de que equipes bem treinadas e um bom ambiente de trabalho são fatores fundamentais para o enfrentamento; e Carlos Marinelli enfatizou que estabelecer uma cultura empresarial forte, aprender a fazer mais com menos, foi um dos aprendizados, assim como a percepção de que a tecnologia em saúde é real e pode contribuir de forma grandiosa para os atendimentos e a qualidade de vida de todos.

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 12/08/2020 às 00h00

O uso de dados tem crescido em todas as áreas em função da quantidade de informações produzidas e armazenadas em diferentes sistemas e plataformas. A mudança para ambientes e práticas mais digitais demanda, além da adesão de tecnologias, uma nova mentalidade. É por entender que o futuro do setor depende disso que o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) reúne renomados especialistas no webinar “Governança e uso de dados para uma gestão integrada de saúde”, que acontece nesta quinta-feira (13), a partir das 16h. Segundo José Cechin, superintendente executivo do IESS, há um volume imenso de dados capturados pelo sistema de saúde que ainda carecem de tratamento e análise. “É preciso investir tanto na criação de ferramentas quanto em ações de conscientização, alteração de processos e rotina de trabalho. Com isso, é importante treinamentos para toda as equipes e definições claras sobre a governança dos dados”, comenta. “Nosso encontro reúne especialistas com diferentes vivências para apontar os diversos aspectos desse complexo tema”, completa. Com mediação de José Cechin, o webinar contará com a participação de Henrique Neves, diretor-geral do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador do grupo de gestão de dados do Instituto Coalizão Saúde (ICOS); Dra. Beatriz Leão, co-coordenadora da Especialização em Informática em Saúde do Hospital Sírio-Libanês; e Renato Sabbatini, professor adjunto de Informática em Saúde na Escola Bahiana de Medicina e Diretor de Educação do Instituto HL7. O assunto nunca foi tão importante. A ciência de dados tem utilizado, por exemplo, o aprendizado de máquinas para diminuir a subnotificação do novo Coronavírus e conseguir definir os melhores tratamentos e intervenções para salvar vidas neste delicado momento. “Com o cenário atual e a evolução do uso de saúde digital, o setor deve se atentar para que esta Transformação Digital seja acelerada e explorada para integrar stakeholders e engajar ainda mais o paciente”, analisa o executivo. A série de encontros busca tratar de diferentes temas importantes para o desenvolvimento do setor de saúde suplementar nacional com transmissão ao vivo nas redes sociais do IESS e no canal do YouTube. Os interessados podem se inscrever gratuitamente no site da entidade (iess.org.br/eventos) ou acompanhar pelo canal do YouTube.

MSN BRASIL
Data Veiculação: 12/08/2020 às 00h00

Na noite de ontem (11), a Forbes realizou o webinar “Saúde Mental e sua Importância nas Empresas”, que, por duas horas, na plataforma Zoom, deu voz a diversos especialistas em um debate atual sobre condições psicológicas, aumento de casos de ansiedade e depressão, medo da Covid-19, desemprego e o tão falado “novo normal”. Antonio Camarotti, CEO e publisher da Forbes no Brasil, mediou o encontro, que contou com a presença dos cofundadores da Caliandra – empresa com soluções de saúde mental para pessoas e empresas -, Dr. Arthur Guerra, médico psiquiatra do Hospital Sírio Libanês, e Camila Magalhães, doutora em psiquiatria. Ao longo do evento, outros convidados trouxeram o seu expertise no tema: Maurício Ceschin, conselheiro da Mantris (empresa especializada em soluções de gestão de saúde e segurança ocupacional), Cristina Aiach Weiss, diretora regional de recursos humanos da Swiss RE, Fernando Ganem, diretor de governança clínica do Hospital Sírio Libanês, Nizan Guanaes, empresário e publicitário, e Roy Benchimol, presidente da Janssen Brasil, empresa da J&J. A presença de profissionais tão distintos fez com que fossem abordados os mais diversos aspectos da saúde mental. Dados sobre o aumento dos casos de depressão e ansiedade foram complementados com relatos de como as empresas estão se readequando para dar suporte aos seus funcionários, e como a saúde ocupacional migrou de uma visão burocrática para um cenário de compreensão que está transformando empresas. Para a médica psiquiatra Camila Magalhães, essa junção de profissionais no webinar foi essencial para que o assunto não fosse tratado de forma superficial. Afinal, a saúde mental está presente em todos os âmbitos da vida – e fortemente no campo profissional. “Mente e corpo são uma unidade. O problema pode não nascer no ambiente de trabalho, mas se manifesta por lá”, disse. “Estamos quebrando esse muro de Berlim entre saúde assistencial e ocupacional. A visão tem que ser holística. Juntar as duas faz parte do novo modelo de saúde corporativa”, complementou Maurício Ceschin, conselheiro da Mantris. Essa mudança citada por Ceschin já está em trânsito há algum tempo, mas, se a pandemia acelerou tantas coisas, não seria nesse campo que ela nos pouparia de sua marca. No momento atual, também não é possível falar de saúde psicológica sem citar a pandemia. O medo está presente nos profissionais de saúde, que estão na linha da frente do combate ao novo coronavírus, e na população, que se preocupa com os riscos da doença e da perda do emprego. Além disso, existe a solidão gerada pelo distanciamento social. “As relações humanas nos alimentam e a ausência nos cria angústia”, destaca Ceschin. Com um desafio ímpar para o psicológico, o polêmico termo “novo normal” entra em cena, mostrando que a mudança do mundo é inevitável. Segundo o empresário e publicitário Nizan Guanaes, “o futuro não chega com fanfarra, chega despenteado, com a barba por fazer”, brinca. E é nos detalhes do cotidiano que percebemos a transformação e as consequências dessa crise em nossas vidas. A tecnologia, por exemplo, é um avanço incrível, mas pode gerar vícios e inseguranças quanto ao posto de trabalho, visto que, assim como na revolução industrial, funcionários podem ser substituídos por máquinas. “Essa fase vai nos trazer possibilidades maravilhosas, porém, junto vem o desassossego por conta da disrupção dos empregos”, disse Guanaes. O novo normal é fonte de oportunidades e ansiedade. Uma dicotomia moderna que afeta diretamente a mente humana e gera a necessidade de “alfabetização” em relação aos novos costumes, ressaltou o publicitário. E, para se alfabetizar nessa nova realidade, é preciso falar sobre ela, saber o que está acontecendo, preparar-se para as mudanças e entender que saúde mental é mais do que nunca um assunto que precisa ser tratado com naturalidade, nas empresas e na mídia. Webinars, palestras e debates são a peça-chave para a disseminação dessa compreensão. “A saúde mental precisa ser vendida como um valor, e não como um problema”, finalizou Nizan Guanaes. Repetir vídeo CONFIGURAÇÕES DESLIGADO HD HQ SD LO Pular Publicidade Siga FORBES Brasil nas redes sociais: Facebook Twitter Instagram YouTube LinkedIn Participe do canal Forbes Saúde Mental, no Telegram, e tire suas dúvidas. Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store. Tenha também a Forbes no Google Notícias.

FORBES BRASIL ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/08/2020 às 00h00

Início Colunas Do desemprego ao novo normal: webinar da Forbes discute as diversas facetas da saúde mental Do desemprego ao novo normal: webinar da Forbes discute as diversas facetas da saúde mental Beatriz Calais 12 de agosto de 2020 Colunas Reprodução/Forbes A presença de profissionais tão distintos fez com que fossem abordados os mais diversos aspectos da saúde mental Na noite de ontem (11), a Forbes realizou o webinar “Saúde Mental e sua Importância nas Empresas”, que, por duas horas, na plataforma Zoom, deu voz a diversos especialistas em um debate atual sobre condições psicológicas, aumento de casos de ansiedade e depressão, medo da Covid-19, desemprego e o tão falado “novo normal”. Antonio Camarotti, CEO e publisher da Forbes no Brasil, mediou o encontro, que contou com a presença dos cofundadores da Caliandra – empresa com soluções de saúde mental para pessoas e empresas -, Dr. Arthur Guerra, médico psiquiatra do Hospital Sírio Libanês, e Camila Magalhães, doutora em psiquiatria. Ao longo do evento, outros convidados trouxeram o seu expertise no tema: Maurício Ceschin, conselheiro da Mantris (empresa especializada em soluções de gestão de saúde e segurança ocupacional), Cristina Aiach Weiss, diretora regional de recursos humanos da Swiss RE, Fernando Ganem, diretor de governança clínica do Hospital Sírio Libanês, Nizan Guanaes, empresário e publicitário, e Roy Benchimol, presidente da Janssen Brasil, empresa da J&J. A presença de profissionais tão distintos fez com que fossem abordados os mais diversos aspectos da saúde mental. Dados sobre o aumento dos casos de depressão e ansiedade foram complementados com relatos de como as empresas estão se readequando para dar suporte aos seus funcionários, e como a saúde ocupacional migrou de uma visão burocrática para um cenário de compreensão que está transformando empresas. Para a médica psiquiatra Camila Magalhães, essa junção de profissionais no webinar foi essencial para que o assunto não fosse tratado de forma superficial. Afinal, a saúde mental está presente em todos os âmbitos da vida – e fortemente no campo profissional. “Mente e corpo são uma unidade. O problema pode não nascer no ambiente de trabalho, mas se manifesta por lá”, disse. “Estamos quebrando esse muro de Berlim entre saúde assistencial e ocupacional. A visão tem que ser holística. Juntar as duas faz parte do novo modelo de saúde corporativa”, complementou Maurício Ceschin, conselheiro da Mantris. Essa mudança citada por Ceschin já está em trânsito há algum tempo, mas, se a pandemia acelerou tantas coisas, não seria nesse campo que ela nos pouparia de sua marca. No momento atual, também não é possível falar de saúde psicológica sem citar a pandemia. O medo está presente nos profissionais de saúde, que estão na linha da frente do combate ao novo coronavírus, e na população, que se preocupa com os riscos da doença e da perda do emprego. Além disso, existe a solidão gerada pelo distanciamento social. “As relações humanas nos alimentam e a ausência nos cria angústia”, destaca Ceschin. Com um desafio ímpar para o psicológico, o polêmico termo “novo normal” entra em cena, mostrando que a mudança do mundo é inevitável. Segundo o empresário e publicitário Nizan Guanaes, “o futuro não chega com fanfarra, chega despenteado, com a barba por fazer”, brinca. E é nos detalhes do cotidiano que percebemos a transformação e as consequências dessa crise em nossas vidas. A tecnologia, por exemplo, é um avanço incrível, mas pode gerar vícios e inseguranças quanto ao posto de trabalho, visto que, assim como na revolução industrial, funcionários podem ser substituídos por máquinas. “Essa fase vai nos trazer possibilidades maravilhosas, porém, junto vem o desassossego por conta da disrupção dos empregos”, disse Guanaes. O novo normal é fonte de oportunidades e ansiedade. Uma dicotomia moderna que afeta diretamente a mente humana e gera a necessidade de “alfabetização” em relação aos novos costumes, ressaltou o publicitário. E, para se alfabetizar nessa nova realidade, é preciso falar sobre ela, saber o que está acontecendo, preparar-se para as mudanças e entender que saúde mental é mais do que nunca um assunto que precisa ser tratado com naturalidade, nas empresas e na mídia. Webinars, palestras e debates são a peça-chave para a disseminação dessa compreensão. “A saúde mental precisa ser vendida como um valor, e não como um problema”, finalizou Nizan Guanaes. Siga FORBES Brasil nas redes sociais: Facebook Twitter Instagram YouTube LinkedIn Participe do canal Forbes Saúde Mental, no Telegram, e tire suas dúvidas. Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store. Tenha também a Forbes no Google Notícias. Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ( [email protected]). Navegação de Post Cirurgia plástica: quando optar pela prótese mamária de silicone Dólar fecha em alta mesmo após BC retomar venda de swaps após 3 meses ansiedade Antonio Camarotti Caliandra Camila Magalhães Covid-19 Cristina Aiach Weiss depressão desemprego Dr. Arthur Guerra Fernando Ganem FORBES J&J Janssen Brasil Mantris Maurício Ceschin Nizan Guanaes Novo Normal Roy Benchimol saude mental Swiss Re webinar zoom “Saúde Mental e sua Importância nas Empresas”

CARTA CAPITAL ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/08/2020 às 00h00

Nos últimos momentos da primeira Guerra Mundial, o ano foi atormentado por um agente infeccioso desconhecido. Aportou em Kansas, nos Estados Unidos, nos campos militares e foi se espalhando pela Europa, devido ao grande movimento de transporte de tropas das nações aliadas, e a seguir dirigiu-se para outros continentes. França, Inglaterra e Alemanha foram os primeiros alvos. No entanto, a infecção foi facilmente saindo das grandes metrópoles e pegando os caminhos dos interiores, das selvas e dos mais longínquos lugares do mundo. Sua ganância e volúpia era insaciável, ao invadir milhões de corpos, destruindo-os com falta de ar, levando-os à uma coloração azulada devido à falta de oxigenação, por nós médicos chamado de cianose. Era uma doença ainda estranha, embora muito lembrasse outras gripes, porém letal. Acumulava mortos nas cidades e nas vilas. Números conservadores do passado falavam em 20 milhões de mortos. Estudiosos das últimas décadas falam em 100 milhões de mortos, ou seja, para uma população mundial da época de 1,8 bilhão de pessoas, cerca de 5 % morreram. Transpondo para uma população de 7,8 bilhões em nossos dias, corresponderia a cerca de 350 milhões de mortos. Passou-se toda a epidemia sem se saber qual era o agente infeccioso. Os grandes pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos acreditavam que era uma doença causada por uma bactéria, – bacilo influenza -, isolada dos órgãos de pessoas que haviam morrido. Na realidade, não era o agente causal, mas infecção bacteriana secundária. Vários laboratórios não conseguiam isolar esta bactéria, o que os classificava como de má qualidade. Apesar dos cientistas anunciarem vários métodos para recuperar a tal “bactéria”, alguns pesquisadores insistiam em não conseguir isolá-la, desafiando o conhecimento vigente. Posteriormente, em 1930, viu-se se tratar de um vírus: a influenza A (H1N1). A gripe chegou na Espanha, que estava envolvida na guerra civil, sendo o único pais europeu que não havia entrado na primeira guerra mundial. Por possuir uma imprensa mais livre, não censurada pelo Estado – ao contrário de outros países que, mergulhados na grande guerra, eram impedidos de veicular qualquer notícia que desanimasse o moral das tropas , a Espanha acabou “levando a fama” e a gripe foi então chamada de “gripe espanhola”. Mas lá estavam também os políticos e os profissionais da saúde, abraçando o negacionismo e o empirismo. Assim diziam: “Esta é uma forma leve de gripe, não trará problemas maiores, há muito exagero dos profissionais e, afinal, temos bons tratamentos baseados em experiências pessoais, que certamente levam à cura”. Com tal certeza, foram prescritos vários tratamentos, alguns publicados em revistas médicas. Como nos conta John M. Barry, em seu livro “A grande epidemia”: Um certo médico, ao evocar a lógica, afirmou que, na medida em que falta oxigênio nos pulmões, nada seria mais óbvio que injetar água oxigenada endovenoso, com objetivo de levar oxigênio aos pulmões. Vários morreram, mas os que sobreviveram, segundo este médico, só estariam vivos em decorrência do procedimento. Havia outros que defendiam a lavagem intestinal com leite morno duas vezes ao dia, para cada ano de idade. Só restava torcer para o paciente ser jovem. Emplastro de mostarda colocado sobre a pele provocava bolhas, estas eram puncionadas e a seguir infiltradas com estricnina, cafeína e morfina. O resultado era excelente em prevenir a pneumonia. Homeopatas afirmavam que a taxa de mortalidade entre os alopatas era de 28,2%, enquanto com medicações à base da erva gisemium, a mortalidade era de apenas 1,05%. Certo médico publicou na conceituada revista da Associação Médica Americana (JAMA) que “a infecção foi 100% evitada com uma terapia estimulante de produção de muco, através de vários irritantes que eram inalados, impedindo que qualquer patógeno se ligasse à mucosa do pulmão”. Outro médico da Filadélfia publicou na mesma revista que a cura da doença estava em tornar o corpo mais alcalino através de citrato de potássio e bicarbonato de sódio, o que impediria a proliferação do patógeno, mas ainda advertia: “Jamais usem ácido acetilsalicílico, pois antagoniza o benefício”. Seus resultados eram excelentes, assim proclamava, sem deixar de lado o quinino defendido por muitos como a solução da gripe. A sociedade sempre clama por soluções rápidas para os problemas. Neste contexto, surgem mais magias do que boa ciência. Cento e dois anos depois, tudo se repete: negacionismo minimizando a pandemia, tornando-a politizada, acusando a Organização Mundial da Saúde de ser vendida aos interesses do mundo comunista, dentre outras ideias. As magias são exercidas sem fim, em uma total falta de compromisso com a ciência. A experiência pessoal vale mais que os trabalhos científicos. Passamos as últimas décadas aprendendo e ensinando aos novos médicos a necessidade de se fazer uma medicina baseada em evidências e não em experiência pessoal. Em uma infecção onde cerca de 90% evolui bem, até salada de fruta pode alcançar o posto de sucesso terapêutico. Assim é que Ivermectina, Nitazoxanida e mais de 70 outros compostos são defendidos, a despeito da ausência de comprovação cientifica e, no que diz respeito à Cloroquina, com sólidos trabalhos desautorizando o seu uso. Não é de se imaginar que alguém que tenha se entregado um dia aos braços de Esculápio, com juramento hipocrático, e que tenha em seu coração o sincero desejo de ajudar a salvar vidas, voluntariamente queira defender o mal para o próximo. A diferença entre os médicos está nos pilares da crença do que é mais importante: a experiência pessoal ou a medicina baseada em evidências científicas. O valor da experiência profissional é inquestionável, desde que exercida sobre as constatações da ciência. Nunca se viu na história de qualquer doença infecciosa a rapidez com que foi identificado o agente causal (SARS-COV-2), o desenvolvimento de métodos diagnósticos, a compreensão da fisiopatologia da doença que leva às melhores formas terapêuticas, através de drogas testadas com estudos bem conduzidos, a adequação dos cuidados intensivos customizados à doença COVID 19 e, em paralelo, o desenvolvimento de uma vacina na qual depositamos confiança e grande esperança. E tudo isso em poucos meses. A ciência médica merece o reconhecimento da sociedade, não somente pelas pesquisas, mas também pela dedicação de seus profissionais, que deram suas próprias vidas por seus pacientes. Dedico aqui meu respeito àqueles que se dedicam com amor e responsabilidade ao paciente e que, ao mesmo tempo, se curvam às evidencias de uma boa ciência. *Mauricio Daniel Gattaz é doutor em emergências cínicas pela FMUSP e médico do Hospital Sírio Libânes-SP Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/08/2020 às 04h00

Ninguém precisava saber mandarim, italiano ou alemão para captar a experiência dos primeiros países que enfrentaram a epidemia de covid-19. Palavra da infectologista Marta Ramalho, 55 anos, que trabalha desde o início do surto no pronto-socorro do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, referência em atendimento de pacientes com doenças infecciosas. "Perdemos muito tempo com a falta de planejamento do governo. Por ausência de comunicação entre as instâncias federal, estadual e municipal, não nos preparamos. No primeiro discurso do (ex-ministro da Saúde Luiz Henrique) Mandetta, ele falou em mitigação, no sentido de contenção emergencial de casos, como se a epidemia no Brasil estivesse fora do controle. Naquele momento, não estava. Eu acho que ele não teve força política para dizer: 'Precisamos testar a população, para promover um controle efetivo', como fez a Coreia do Sul, por exemplo." Semi-isolamento social Além de tudo, ela diz, "temos um presidente que se considera médico". "O que se vê é um semi-isolamento, um semi uso de máscara, e um protocolo absolutamente incompleto. Esse comportamento dificulta a construção de uma rede de atendimento eficaz, que condiga com o tamanho da epidemia." Para ela, entre as 100 mil mortes registradas, dezenas de milhares poderiam ser evitadas. "Se continuarmos nesse passo, vamos chegar a 300 mil em seis meses. Mas sempre há tempo para consertar os erros e salvar vidas. Vai depender da vontade do poder público." Escangalhou tudo Em São Paulo, ela cita um descompasso entre o resultado da quarentena no estado e nos municípios do interior. "Quando o [governador João] Doria viu os casos pipocando em São Paulo, determinou a paralisação da atividade comercial e serviços não essenciais no estado. O Covas (prefeito de São Paulo) o seguiu. Com isso, o governo do estado segurou a epidemia no interior, que ainda não tinha números significativos." Porém, em junho, quando o protocolo de retomada da economia do Plano São Paulo passou da fase laranja para a amarela, que autoriza "maior liberação da atividades", os prefeitos dos municípios do interior, que não haviam passado pelo estouro de casos do início, se sentiram encorajados a flexibilizar a quarentena também. "Eles entraram em isolamento mais precocemente, o que promoveu uma falsa sensação de segurança, e relaxaram em um momento impróprio. Agora, sofrem um impacto maior. Escangalhou tudo", acredita a médica, que é terminantemente contra a mínima flexibilização do isolamento social. Nada mudou "Nada mudou. As pessoas têm de continuar em casa, saindo o mínimo possível. Não dá para dizer simplesmente: 'Ok, vamos então seguir um protocolo de segurança'. A gente sabe que os protocolos de segurança falham." Ela se diz indignada quando ouve que o governo pretende abrir as escolas. "Crianças e adolescentes se tocam, se esbarram. Impossível mantê-los em distanciamento. Se restringem a aproximação uns dos outros, eles se trancam no banheiro e se agarram, longe da freira e do inspetor. E aí, como é que você deixa um adolescente desses conviver com o avô idoso em casa?" Chopp sem máscara A máscara, segundo ela, passou a servir como uma espécie de "escudo" de correção política, apenas para circular em espaços em que se cobra rigorosamente o uso: "No terceiro chopp, a pessoa tira. Por isso, esse relaxamento da quarentena não tem o menor cabimento. De repente, já tem gente abrindo restaurante no Dia dos Pais!" Para Marta, o brasileiro sofre de um otimismo incorrigível. "As pessoas estão saturadas do confinamento, e o que se faz é normalizar o anormal. Morrem 1.200 pessoas por dia, mas aí, quando são 1.100, dizemos: 'Ah, hoje foi melhorzinho'. Mas não se iluda, a conta aparece 14 dias depois (tempo da encubação e manifestação dos sintomas do vírus)." A médica diz que a situação a faz lembrar da leptospirose no tempo das enchentes nas marginais Tietê e Pinheiros. "Quando chovia, a gente (médicos do pronto-socorro) dizia: 'Daqui a dez dias, isso aqui vai estar lotado'. Não dava outra." Família confinada Carioca, 55 anos, casada com um pneumologista que também trabalha na linha de frente da covid, Marta é mãe de três meninas, de 17, 14 e 12 anos, e mora em São José dos Campos (80 km da capital). As filhas permanecem em casa desde março, junto com as avós. No dia 19 daquele mês, receosa da vulnerabilidade da mãe e da sogra, de 87 e 85 anos, Marta foi ao Rio de carro para buscá-las. "Antes disso, já no dia 16, o pronto-socorro estava lotado. Naquela semana, o número de atendimentos foi de 70 pessoas para 115. À medida em que o assunto passou a ser noticiado, o número de desesperados aumentou. Qualquer dor de cabeça era covid", diz Marta, que atende todas as terças-feiras no Emílio Ribas, e faz plantão de 24 horas a cada cinco semanas. No resto do tempo, trabalha em unidades de saúde no interior. Infectados, na lanchonete Logo depois de fazer seu primeiro atendimento a pacientes com suspeita de covid-19, em 10 de março, e mandá-los para casa com atestado médico e recomendação expressa de que se mantivessem em isolamento social por 14 dias, Marta soube que "todos seguiram felizes" para a lanchonete que funciona em frente. "A pediatra do plantão foi comer na Burdog, e encontrou o grupo lá. Fui atrás deles, cheguei na hora em que estavam pagando a conta, na maior alegria. Ali, eu vi que não seria fácil convencer as pessoas da importância de respeitar o isolamento." Os oito atendidos teriam sido infectados por um funcionário da empresa em que trabalhavam. Cinco testaram positivo para covid.. Teve medo? "Medo de quê?", ela pergunta em um ato-reflexo, reação previsível em alguém acostumado a atender o tempo todo pacientes com doenças infecciosas. "Sou rata de pronto-socorro", diz. "Gosto de ficar na triagem, separar os pacientes de acordo com as doenças. Pode ser que eu tenha internado gente que poderia se recuperar sozinha. Mas cada vez mais eu conheço a evolução da covid." Ela reconhece que cerca de 10 dias depois do fatídico atendimento aos oito pacientes da lanchonete "caiu a ficha". "Me dei conta de que eu e meu marido trabalhamos no atendimento de pacientes de uma doença da qual não se sabia nada, e que podíamos morrer e deixar aquelas meninas sem pai nem mãe." Responsabilidade extra Na ocasião, chamou a filha mais velha para uma conversa, depois que a menina voltou de uma incursão ao parque da cidade para desenhar. "Eu a abracei e disse: 'Não dá mais para você sair de casa, especialmente sendo filha de pais que trabalham diretamente com pacientes de covid'. Agora, você tem uma responsabilidade maior ainda que a das suas amigas.'" Marta, ela mesma, chegou a achar que tinha contraído o novo coronavírus, fez duas "miniquarentenas" em um apartamento longe da família, uma de quatro dias, outra de 14, mas testou negativo. Protocolo operacional no primeiros tempos, a médica prescrevia hidroxicloroquina. Reconhece que pressupunha a eficácia da droga baseada em estudos não conclusivos ou suspeitos, como o do francês Didier Raoult, muito criticado por receitar a droga sem provas de seu efeito benéfico. Ela justifica: "Não dava para esperar a ciência naquele momento. O protocolo era operacional." Segundo conta, ela se deixou influenciar pela informação divulgada pelo plano de saúde Prevent Sênior, cuja média de idade dos pacientes é 78 anos, de que conseguiu desestressar sua rede de atendimento com o uso da cloroquina . "O erro deles, pra mim, foi querer transformar aquilo, sem nenhum cotonete coletado, em ciência." Cloroquina quase nunca Um dia, graças a uma amiga que estava com covid e apresentou coagulação em algumas regiões, Marta procurou a infectologista Elnara Negri, da USP, a primeira médica no Brasil a relatar progressos com o uso da heparina (anticoagulante). A experiência de Elnara, que atende no Hospital das Clínicas e no Sirio Libanês, foi publicada pela revista norte-americana "Science", considerada uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo. Assim como outros médicos, cientistas e importantes institutos de pesquisa, Elnara é radicalmente contra o uso da cloroquina em qualquer fase da doença. Marta: "A partir da minha conversa com ela, a cloroquina foi quase nunca." (Ela não parece inteiramente convencida da ineficácia da cloroquina, tanto que mandou manipular a droga e guarda um frasco para "uma eventual emergência"). Ex-doença de rico Em relação às estimadas 1.200 mortes diárias por covid no Brasil, Marta afirma que a maior parte das que ocorrem em São Paulo são registradas na zona leste: "Houve reunião lá esta semana (passada), e disseram: 'Esses dados não são para ser divulgados. O (Hospital Municipal) Tide Setúbal com capacidade esgotada.'" A Prefeitura informa, através da assessoria, que a taxa de ocupação dos leitos de UTI no hospital está em 40%, ante 52% em São Paulo. Bem-humorada, a infectologista diz que no início a covid era "doença de rico, com médico de rico". Depois, virou "doença de pobre, com médico de pobre (categoria na qual ela se inclui)": "Eu pensei: 'Pela primeira vez, os 'médicos de rico' vão salvar os pobres e os 'médicos de pobres', porque quando a epidemia chegar na gente, nós já vamos saber o que fazer." Longe do 'efeito rebanho' Segundo ela, isso se verificou, em termos: "Os médicos da periferia e regiões carentes que conseguiram melhores resultados foram os das comunidades que se organizaram e têm estratégia de saúde de família (atenção comunitária básica). Isso deveria acontecer no Brasil inteiro, mas não ocorre." Em relação à tão aguardada vacina, ou ao chamado "efeito rebanho", que imunizaria a população" pelo contágio da maioria, Marta diz que será preciso aguardar com paciência e, enquanto isso, se adaptar às exigências impostas pela pandemia. "Na melhor das hipóteses, contando uma subnotificação prevista, teríamos no Brasil 3,8 milhões de pessoas infectadas. Para ter o efeito rebanho, precisamos de 60% a 70% da população total. Isso significa cerca de 150 milhões de pessoas. Quanto falta? Só 146 milhões." Ao fim e ao cabo, Marta tem apenas uma certeza: "Só acaba quando terminar."

GAZETA DE ALAGOAS/MACEIÓ | GERAL
Data Veiculação: 12/08/2020 às 03h00

Após reabertura, movimentação nossos shoppings segue intensa 0 bi MESMO NA PANDEMIA, MOVIMENTAÇÃO NOS SHOPPINGS Ê INTENSA A retomada ocorreu há menos de um mês, com regras para cumprimento do protocolo sanitário para evitar avanço da Covid-19 Assim como as lojas do centro

GAZETA SP | GERAL
Data Veiculação: 12/08/2020 às 03h00

Uma FORCINHA para a imunidade contra a Covid-19 SAÚDE Pessoas que foram infectados pelo coronavírus e se recuperaram têm os anticorpos contra a doença no plasma sanguíneo. É esse plasma que está sendo utilizado em um estudo para ajudar na recuperação de quem está internado em estado grave. O estudo só deve ser finalizado depois que os pesquisadores analisarem os resultados de 60 pacientes da primeira pesquisa e 120 da segunda -e não são todos os doentes que podem participar. Saiba como funciona o tratamento. /saúde não uma força para a imunidade UMA MÃOZINHA. A infusão de plasma sanguíneo de pessoas que já tiveram a Covid-19 é uma das terapias em estudo para ajudar a recuperação de quem está na fase crítica da doença A expressão "dar uma força” faz bastante sentido para uma terapia contra o coronavírus. O plasma sanguíneo de pessoas ue se recuperaram da Covid-19 está sendo utilizado em um tratamento experimental. Esse plasma tem os anticorpos que vão ajudar o sistema imunológico dos doentes internados a combater o coronavírus. Mas, o que é o plasma? "O sangue tem as células de defesa, que são os glóbulos brancos, tem os glóbulos vermelhos, e a parte líquida é o plasma, com as proteínas e anticorpos, cuja finalidade é defender contra infecções”, explica a médica hematololgista Carolina Bub, do banco de sangue do hospital Albert Einstein, uma das instituições que fazem parte deste estudo. Há duas pesquisas em andamento: uma que avalia a segurança deste tratamento, feita pelo Einstein e o hospital Sírio-Libanês, e outra, que estuda sua eficiência, realizada por estes hospitais e a USP de São Paulo, Ribeirão Preto e a Unicamp. Esse tratamento não é uma novidade: ele já foi usado na década de 1930 para tratamento de outras doenças causadas por vírus, como o sarampo e a catapora. Como os anticorpos ficam no plasma, nada mais justo que utilizá-lo para dar uma forcinha no tratamento de doentes graves. O estudo só deve ser finalizado depois que os pesquisadores analisarem os resultados de 60 pacientes da primeira pesquisa e 120 da segunda - e não são todos os doentes que podem participar. "A pessoa tem que ter um parâmetro de necessidade de oxigênio. Nos exames, se ela apresenta um grau de deficiência de oxigênio, significa que o pulmão está comprometido, e pode ser incluída no estudo", explica Bub. Depois de aprovado, é examinado o tipo sanguíneo (pode ser A, B, AB ou O) do paciente, e o plasma do doador é avaliado para fazer o teste de compatibilidade com o paciente, para evitar alergias. Além disso, o tratamento com plasma já é uma rotina dos bancos de sangue. "Tenho alguns pacientes que precisam tomar plasma com frequência. Se esse tratamento realmente for eficaz contra a Covid-19, enxergamos que seja algo acessível para que os bancos de sangue produzam”, conta. Mas é algo que não pode ser reproduzido em larga escala, até porque nem todo mundo que teve a doença pode doar seu plasma para fazer parte do estudo. "Tem que estar em boa condição de saúde. Além disso, o doador não deve ter tido nenhum sintoma da Covid-19 por pelo menos 14 dias depois da alta médica. No Einstein, o paciente deve apresentar o resultado do feito o exame RT-PCR (o que é feito com coleta de material do nariz e garganta) que ateste que ela teve a doença para participar”, explica. A médica conta que os doadores são os que tiveram a doença no grau mais leve e se trataram em casa, mas houve um caso especial. "Tivemos um paciente que ficou internado, precisou ficar com oxigênio, e mesmo assim ele fez questão de doar o plasma. Enxergamos muita gratidão pela oportunidade de querer participar, acreditar que de alguma maneira estão fazendo parte da busca de uma alternativa terapêutica”. Se você teve Covid-19 e quer ajudar, entre em contato com o Einstein através do telefone (11) 2151-0457 ou no e-mail bsangue@einstein. br, para receber orientações e participar de uma triagem. «Vontade de ajudar o próximo Enxergamos muita gratidão pela oportunidade de querer participar, acreditar que de alguma maneira estão fazendo parte da busca de uma alternativa terapêutica * Carolina Bub, hematologista do banco de sangue do Einstein«Saúde precisa estar 100% Tem que estar em boa condição de saúde. Além disso, o doador não deve ter tido nenhum sintoma da Covid-19 por pelo menos 14 dias depois da alta médica. RAIO-X DO SANGUE Aos olhos, 0 sangue é vermelho, mas ele é muito mais do que isso. No fundo, a maior parte dele é composta por água. Os 10% restantes são glóbulos vermelhos, brancos, plaquetas e demais compostos, como os anticorpos, que ajudam na defesa do corpo. PLASMA. Além da água, tem proteínas, anticorpos, vitaminas, gases, aminoácidos e hormônios GLÓBULOS BRANCOS. São células de defesa do organismo GLÓBULOS VERMELHOS. Transportam oxigênio para as células PLAQUETAS. Responsáveis pela coagulação do sangue IMW/ Imunização ativa x passiva Vacinas são compostas por vírus ou bactérias inativados (ou parte deles), que são inoculados no organismo, para que ele desenvolva anticorpos contra a doença. Assim, quando 0 corpo for, de fato, exposto a estes agentes infecciosos, ele saberá como agir. Essa é a imunização ativa. Já a terapia com plasma de pessoas recuperadas da Covid-19 trabalha de outra forma, fornecendo anticorpos para pacientes com a forma grave da doença, cuja imunidade está debilitada. É a imunização passiva, quando a pessoa recebe os anticorpos que vão reforçar as defesas do organismo-e ajudar na recuperação. o ESPECIAL PARA A GAZETA dnexo@gdzetdsp.com.br Vanessa Zampronh