Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

ANAHP
Data Veiculação: 12/03/2021 às 00h00

Imunidade contra Covid-19 no Brasil só deve ser alcançada em janeiro de 2022 12 de março, 2021 Em evento online promovido pela Anahp, profissionais de saúde abordaram as perspectivas da vacinação no país; ritmo preocupa especialistas do setor Após um ano da chegada da pandemia no Brasil, menos de 5% dos grupos prioritários da população foram vacinados, de acordo com o Coronavirus bot, que compila informações das secretarias estaduais de saúde. A porcentagem correta para se atingir a imunidade coletiva da doença ainda é desconhecida, mas segundo o fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina, caso o país continue no ritmo lento de vacinação, só alcançará esse feito em janeiro de 2022. Para discutir o assunto, que é de fundamental importância para a sociedade neste momento, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) promoveu uma edição do Anahp AO VIVO com o tema “Vacinação: cenários e perspectivas”. O debate completo pode ser visto no canal da associação no Youtube ( https://www.youtube.com/watch?v=lC3IBxpePpY&t=762s ). O evento online contou com a participação de Vecina; Paulo Chapchap, conselheiro da Anahp e diretor geral do Hospital Sírio-Libanês; Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein; e Miguel Giudicissi Filho, diretor médico científico da União Química Farmacêutica Nacional S/A; e a moderação de Ary Ribeiro, editor do Observatório Anahp e CEO do Hospital Infantil Sabará. De acordo com Vacina, que também é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, se os imunizantes das farmacêuticas Janssen e Pfizer, que estão em negociação com o governo federal, também forem autorizados, ao lado das vacinas já aprovadas do Butantã e da Fiocruz, há chances de o país obter em torno de 100 milhões de doses rapidamente. “Isto permitiria que a imunidade de rebanho fosse alcançada em setembro ou outubro deste ano, o que é um grande avanço”, explicou. O especialista disse que o país é referência no assunto e, atualmente, é o maior produtor mundial de vacina contra a febre amarela, por exemplo. “O Brasil perdeu um pouco da capacidade de produção no decorrer dos anos, mas ainda conta com instituições importantes, como Butantã e Fiocruz que, a meu ver, salvaram o país com as vacinas contra a Covid-19”, opinou. Para Chapchap, as medidas de segurança, tão ressaltadas pelos especialistas de saúde durante a pandemia, como usar máscara, manter o distanciamento social e higienizar as mãos, são a base para o controle da disseminação da doença. Ele afirmou que, como um dos líderes da área da saúde, às vezes, fica frustrado pela incapacidade de mobilizar a população em prol de um comportamento responsável. “As pessoas ainda não conseguiram entender a importância dessas premissas. Não se trata de uma construção de robô para andar em Marte e sim de medidas básicas. Não conseguimos nos conectar com o cérebro das pessoas, para que elas mudem o comportamento e, assim, não morram e não matem outras pessoas”. Ainda de acordo com Chapchap, se o Brasil aceitar os riscos e investir corretamente em ciência e tecnologia, ele terá capacidade de desenvolver vacinas e de ser tão admirado nesse quesito quanto outros países. “É preciso olhar para isso com atenção, uma vez que esta não será a nossa última pandemia e já sabemos o efeito econômico e social gigantesco que ela pode causar. Claro que há instituições analisando o cenário com muita seriedade, mas é preciso persistir nesse ponto, após os efeitos catastróficos da pandemia”, reforçou. Complementando o tema, Klajner, relembrou que o enfrentamento da pandemia mostrou a falta de investimento do país na parte de pesquisa, equipamentos e insumos e que, no momento da escassez, a mobilização aconteceu no âmbito público e privado, por meio de parcerias e diversas iniciativas. “O setor privado tem capacidade de ajudar, não apenas no sentido de ser facilitador da compra de vacinas, mas, principalmente, em toda a estrutura para imunização: gestão, capilaridade, capacidade logística, produção de insumos e estabelecimento de modelos de decisões ágeis. Estamos falando do setor particular como uma via que pode agregar no programa de vacinação, assim como fez na distribuição de testes no começo da pandemia, ajudando no plano nacional de uma forma a torná-lo um sistema único de imunização”, reforçou. O especialista também acredita que o Brasil é um grande exemplo em vacinação e que poderia utilizar experiências anteriores para uma melhor atuação durante a pandemia de Covid-19. “Precisamos lembrar que a vacinação de cerca de 90 milhões de pessoas em três meses aconteceu no ano de 2010 no Brasil, um ano após o começo da epidemia de H1N1. Poderiam ter utilizado essa capacidade contra a pandemia de Covid-19”, disse. Já Miguel Giudicissi Filho ressaltou que cerca de duas mil pessoas estão falecendo por dia pela doença causada pelo coronavírus, mas que se o país já tivesse vacinado metade da população, estaria salvando mil desses óbitos por dia. A União Química é a maior fornecedora de anestésicos na pandemia e está no processo de trazer a vacina russa, a Sputnik, para o Brasil. “A fábrica que será responsável pela futura produção fica em Brasília e está no aguardo de dois biorreatores de 500 litros que devem chegar até o começo de maio. A Rússia já realizou estudo de fase 3 com 40 mil voluntários e publicará o resultado até o final de março. Inclusive, já publicou duas pesquisas robustas sobre a vacina, com 10 mil e com 20 mil voluntários”, contou. Outro dado importante é que a União Química perdeu 70% de vendas de itens como antigripais e xaropes para tosse na pandemia. “Isto comprovou a eficácia do uso das máscaras, visto que o fato de as pessoas aderirem à proteção e manterem a higienização e o distanciamento social, evitou gripes e outras infecções virais”, contou Miguel. Ribeiro também aproveitou a oportunidade para defender a produção de vacinas e as medidas de segurança implementadas durante a pandemia. “Devemos fazer de tudo para obtermos mais imunizantes seguros e eficazes e não podemos desestimular a aplicação das vacinas, que é o que vemos com o avanço de diversos movimentos. É necessário confiar na ciência, continuar com o uso de máscaras e manter o isolamento social”, reforçou. Klajner finalizou dizendo que seguirá trabalhando e sendo otimista, apesar da situação. “Acredito que, a partir do segundo semestre, o cenário pode mudar, visto que alguns laboratórios estão com vacinas em fase de testes e podemos ter uma melhora na escassez de imunizantes”, contou. Miguel Giudicissi Filho reforçou que a Covid-19 é só a ponta do iceberg. “Temos um problema grave e muito sério de não-vacinação no país, do aumento de casos de febre amarela e da época de gripe que deve chegar logo. As pessoas precisam entender que o imunizante é a principal solução para interromper a pandemia, além das recomendações sanitárias. Já vimos muitas pandemias serem combatidas com as vacinas e, com certeza, teremos muitas outras epidemias nos assustando. Mais do que nunca, a informação e a ciência são os melhores remédios para combatê-las”, finalizou. Ver o mês atual.

HEALTHCARE MANAGEMENT
Data Veiculação: 12/03/2021 às 12h21

Em atenção à segurança e à privacidade de dados de seus clientes, o Hospital Sírio-Libanês (HSL) acaba de implementar o sistema de captura centralizada de informações de consentimento de seus pacientes usando a solução HealthShare®, da InterSystems. Com isso, as equipes do hospital ganharam um forte aliado no tratamento do grande volume de informações referentes ao consentimento pelo paciente gerado em outros sistemas. Esse trabalho faz parte da área de Segurança da Informação e Infraestrutura, com foco na Gestão do Consentimento da Saúde Corporativa, um programa do hospital voltado aos cuidados de saúde para empresas e seus colaboradores. Inicia-se, assim, uma nova fase de integração entre as áreas do hospital que tratam de informações sensíveis e entre provedores, pacientes e fontes pagadoras com registros e análises de dados abrangentes. O sistema de Gestão do Consentimento está em linha com a legislação específica do setor da saúde e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A interligação de diferentes plataformas e bancos de dados ajudam na gestão da tecnologia da informação e protegem a privacidade dos diferentes públicos de contato da instituição. Na opinião de Leonardo Paiva, gerente de projetos da InterSystems no Brasil, a LGPD ampliou as exigências na questão de compartilhamento das informações clínicas e resultados de exames. “Agora, há mais controle por parte dos órgãos reguladores e o paciente pode escolher qual nível de informação ele quer que seja compartilhada no ecossistema da saúde”, explica. A gerência da segurança da informação do Sírio-Libanês trabalha faz um ano e meio para garantir que todos os seus processos estão adequados à LGPD. “O projeto que envolve o sistema HealthShare atende a parte clínica e estamos ajudando o HSL a garantir a rastreabilidade da coleta, do aceite de políticas e do consentimento do uso dos dados dos pacientes; eles podem eleger as políticas de consentimento e ter a certeza de que serão respeitadas”, descreve Paiva. O HealthShare consegue reunir todas as informações geradas por vários sistemas, mesmo de outras instituições fora do hospital, e consolidar tudo em um único repositório. Com garantia da rastreabilidade, detecta quem elegeu a política de compartilhamento dos dados, quando ele decidiu e, se revogar a decisão, o sistema aponta essa data. O sistema também acusa quem acessou as informações a qualquer tempo, estando bloqueadas ou não. Em uma segunda etapa, o sistema garante um relatório rápido com um conjunto de informações solicitadas pela Agência Nacional de Proteção de Dados. O projeto já está dimensionado para integrar outras áreas do Sírio-Libanês no futuro. Interoperabilidade Do ponto de vista técnico, as instituições de saúde têm de gerenciar um grande volume de informações oriundas de diferentes sistemas especializados, de forma integrada, segura, e, principalmente padronizada. Por isso, a tecnologia da InterSystems foi desenvolvida para dar suporte às principais normas e certificações de interoperabilidade dos serviços de saúde, incluindo FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources nas versões STU3 e R4, sendo esta última a usada pela RNDS), repositório FHIR, recursos SMART on FHIR, Health Level Seven (HL7) versões 2 e 3, Consolidated CDA (C-CDA), Integrating the Healthcare Enterprise (IHE), American Society for Testing and Materials (ASTM), X12, NCPDP, DICOM e outros.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/03/2021 às 10h39

O Sírio-Libanês enviou uma carta nesta quinta-feira, 11, às escolas particulares que contrataram a consultoria do hospital defendendo que os colégios restrinjam as atividades presenciais neste momento. As escolas particulares continuam autorizadas a funcionar em todo o Estado, mesmo na fase mais restritiva da quarentena. A carta, assinada pelo diretor-geral, Paulo Chapchap, defende que é "fundamental adotar por um curto período medidas mais contundentes que possam mitigar" o risco de contaminação. O documento aponta que as atividades escolares, com os devidos protocolos, apresentam baixíssimo risco e que, diante dos efeitos da privação de convívio e aprendizagem entre crianças e adolescentes, esse risco é tolerável. No entanto, destaca a carta, há uma escalada vertiginosa de casos em todo o País, "cabendo, portanto, medidas em diferentes frentes para reduzir toda e qualquer movimentação de pessoas nas cidades, sob o risco de uma pressão ainda maior sobre o sistema de saúde". A carta é direcionada às instituições de ensino apoiadas pela consultoria do Sírio-Libanês. Na capital paulista, escolas particulares de elite, como o Colégio Bandeirantes, contrataram consultoria do hospital para definir os protocolos de abertura em meio à pandemia. "Ao externar uma posição pela restrição das atividades escolares neste momento, o Hospital Sírio-Libanês está representando a fala dos profissionais de saúde que sentem a pressão diária que vem sendo exercida sobre o sistema de saúde", destaca o documento. O texto cita ainda que o governo de São Paulo decretou medidas ainda mais severas de restrição, com fechamento da rede pública. "Mesmo garantindo o funcionamento das escolas privadas, entendemos que é o momento de refletir sobre a real necessidade das atividades presenciais, ao menos até que o cenário se mostre mais controlado". A carta termina com a mensagem de que ensinar às crianças e jovens a importância da proteção da sociedade como um todo, "talvez seja a lição mais importante que precisamos dar neste momento". O documento foi encaminhado após declaração de Chapchap em um evento restrito em que defende o fechamento das escolas neste momento, entre outras medidas restritivas. Nesta quinta-feira, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, informou que escolas da rede estadual entrarão em recesso e terão aulas suspensas até o fim do mês. Apenas o serviço de merenda escolar continuará sendo oferecido. Já as particulares continuam com aval para abrir recebendo até 35% da capacidade.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 12/03/2021 às 03h00

Hospitais privados já recusam pacientes Hospitais particulares de SP, entre eles o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, começaram a suspender cirurgias eletivas, a recusar pacientes e a atender em prontos-socorros. “As altas hoje são por óbito”, disse o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios, Francisco Balestrin. metrópole/ai6 Particular recusa pacientes; em 80%, ocupação de UTI supera 91% Suspender as cirurgias eletivas e atender em pronto-socorro são medidas comuns; as altas ocorrem ‘por óbito' Júlia Marques Hospitais privados de São Paulo suspendem cirurgias eletivas, recusam pacientes e atendem em prontos-socorros diante do agravamento da pandemia. Pacientes mais jovens agora ocupam leitos de UTI por mais tempo, com quadros graves. “As altas hoje são por óbito. E dramático”, resumiu o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios (SindHosp), Francisco Balestrin. O Sírio-Libanês já informou que teve de suspender cirurgias eletivas e o Albert Einstein deu prioridade aos procedimentos mais urgentes. Balestrin vê pressão no sistema hospitalar privado paulista superior à registrada no pico da primeira onda, no ano passado. O aumento de demanda, diz, faz surgirem cenas como pacientes recebendo ventilação e cateter de oxigênio nos prontos-socorros. Prontos-socorros também deixam de receber pacientes. Pesquisa do SindHosp mostra que 32% dos hospitais não conseguem aumentar o número de leitos para covid19 e 15% só conseguem ofertar mais leitos clíni- • Tsunami “Há muitos pedidos de transferência, não há como atender. Cancelamos as cirurgias eletivas. O sistema não aguenta um tsunami.” Paulo Chap chap CEO DO SÍRIO-LIBANÊS cos. O levantamento, concluído ontem, indica que 83% dos hospitais estão cancelando cirurgias eletivas. Dos hospitais privados, 82% relataram ocupação superior a 91% de leitos de UTI. A pesquisa ouviu 93 hospitais , que dispõem de 6.517 leitos clínicos e 3.009 leitos de UTI. Foram 38 hospitais da Grande SP e 55 do interior. Referência em todo o Brasil, o Sírio-Libanês recusou receber pacientes de outras unidades e suspendeu cirurgias eletivas. “Há muitos pedidos de transferência e não temos como atender. Cancelamos todas as cirurgias eletivas”, disse o CEO do Sírio, Paulo Chapchap. “Tenho 36 pacientes que pediram transferência para o Sírio e não estou atendendo. O sistema não aguenta um tsunami”, falou Chapchap em evento restrito; a declaração foi confirmada ao Estadão. Já o Albert Einstein deu prioridade a cirurgias de acordo com a urgência. Nesta quinta, o hospital tinha ocupação geral (todas as doenças) de 104% sendo 200 pacientes com covid, 101 deles na UTI. No Oswaldo Cruz, 97% dos leitos de UTI para covid estavam ontem ocupados. Para atender os que aguardam leitos, o hospital instalou uma “área de internação transitória” no pronto-atendimento.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | Outros
Data Veiculação: 12/03/2021 às 03h00

“A sociedade precisa ajudar” Oncologista destaca que o pior da crise sanitária do novo coronavírus está porvir, se não forem tomadas medidas rigorosas para conterá doença. 0 médico alerta para informações falsas sobre tratamento precoce Com maisde2,8 mil mortes contabilizadas num único dia, o Brasil registra mais vítimas a cada boledos leitos de UTI. Em entrevistapara o programa CB.Saúde— parceria cio Correio com a TVBrasília— de ontem, o chefe de pesquisas transladonais do Hospital Sírio-Libanês, Romualdo Barroso,falou tim da área de saúde. De acsoorbdroe a gravidade do cenário atual com o Conselho Nacional doespSeed- iu para que a população respeite as medidas de segurança. O oncologista comentou, ainda, a respeito do impacto da pandemia nos pacientes com câncere sobre a questão do tratamento precoce da covid-19, negado até agora pelas instituiçõesdesaúde. cretáriosdeSaúde (Conass), os dados registrados pelas instituições de saúde mostram que a pandemia estáfora de controle. 0 Distrito Federal vivência um momento crítico com alta taxa de transmissão e alto percentual de ocupação por que, ao invés de prezarmos vidas, estamos contando mortos? O que está faltando para a população se conscientizar sobre a gravidade do momento? Eu acredito que estamos vivendo momentos difíceis em várias áreas. Temos um problema muito claro de comunicação. As pessoas estão confusas e as comunicações, em várias esferas da sociedade, estão deturpadas. Nós vemos um grave ataque diário à imprensa, aos meios de comunicação, e talvez isso esteja comprometendo seriamente o entendimento das pessoas sobre a gravidade do quadro. Obviamente, (a covid-19) é uma doença grave que nós não tínhamos defesas anteriores. A gente precisa agora garantir que as pessoas fiquem em casa, para que a gente possa atender os que estão doentes e para que novos casos não continuem a surgir diariamente. A gente ainda não chegou ao pico de novos casos. É um cenário dramático. Se hoje os hospitais já estão com quase 100% de capacidade para atendimento de leitos de UTI, aumentando os casos e chegando a esse pico, muitas pessoas vão, provavelmente, ficar sem atendimento e vão morrer por isso? Acredito que isso tem uma grande chance de acontecer, porque existem limitações, que não são apenas de infraestrutura. (As pessoas contaminadas pelo coronavírus) são pacientes de alta complexidade que, muitas vezes, vão ficar em UTI, vão precisar de intubação orotraqueal e de uma rede de profissionais de saúde capacitados para cuidar deles. Então, é complicado. Dado que não temos vacina para todos, só o lockdown resolve a situação atual? Nós precisamos de várias medidas: de restrição, de não execução das atividades não essenciais, para diminuir a circulação de pessoas e do vírus. A gente precisa, também, de atores de vários setores para aumentar esses recursos de infraestrutura como leitos hospitalares e a vacina. A gente precisa executar esse tripé na maior rapidez possível para evitar esse número crescente de mortes ou diminuir o prejuízo que já é claro. 0 controle da doença depende da sociedade em geral e das autoridades encarregadas de tomaras decisões corretas? Sim. A sociedade precisa ajudar as autoridades. Existe uma limitação inequívoca de recursos, então é preciso esse trabalho conjunto sem a menor dúvida. É preciso que as pessoas respeitem a agressividade desse vírus e a nossa limitação. As autoridades (devem) continuar e aumentar os seus esforços para garantir acesso ao atendimento para o maior número de pessoas. Vocês estão fazendo um estudo sobre o impacto da pandemia nas pessoas com câncer. Há algum resultado e qual o objetivo do estudo? É um estudo em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para tentar identificar os padrões de como o tratamento oncológico foi afetado durante essa pandemia. Uma série de dados da literatura (oncológica) pode ser encontrada e a gente consegue fazer uma análise desses dados. O que foi identificado é que em torno de 40% do tratamento é afetado durante a pandemia. Alguns casos de câncer e alguns tipos de tratamento são mais afetados do que outros. É natural que as pessoas tenham medo de continuar o tratamento oncológico por causa da covid-19. O que é preciso para romper esse medo? Primeiro, é confiar no seu médico, ter uma boa relação com a equipe de saúde e ouvir as recomendações. Se o seu médico acha que é importante, faça os exames, mantenha os cuidados, use máscara, mas não deixe de fazer seus exames a não ser que haja uma contraindicação específica para sua região. A gente está vivendo um momento que é dinâmico, as recomendações podem mudar semana após semana. Hoje, a recomendação é que continue a ser realizados os exames e tratamentos relacionados ao câncer. O chamado kit de tratamento precoce foi rejeitado pela OMS e por várias entidades de saúde respeitadas no mundo todo. Por que se insiste tanto nessa questão do tratamento precoce? A resposta para essa insistência de algumas pessoas, alguns grupos, eu realmente não sei. Não há nenhum elemento que justifique a prescrição e a manutenção dessas ideias. Vários estudos muito bem desenhados e conduzidos já mostraram que, infelizmente, não existe um tratamento precoce. Existem pesquisas que estão tentando identificar isso, mas até o presente momento nós, infelizmente, não temos. O que a população precisa fazer para não cair nessas armadilhas e falsas promessas de tratamento precoce? A população precisa entender que existe muita gente séria trabalhando, querendo ajudar as pessoas a tratar a situação (da pandemia). Se houvesse tratamento precoce, nós médicos seríamos os primeiros a ir na frente da televisão e disseminar (a informação). (Também é importante) a imprensa continuar o trabalho que está fazendo, tentando informar a população, mostrar todo o dia o perigo que acovid-19 tem, que não é brincadeira e que não existe, infelizmente, esse tratamento precoce. O que existe é um tratamento que muitas vezes é de alta complexidade para os casos graves e que ter acesso a esse tratamento é o que realmente faz diferença. A desigualdade social do país agrava a situação da doença? Infelizmente, em tempos de crises, as desigualdades se acentuam. Historicamente, a gente conhece isso daí, então é um momento de muita união, compaixão, de ter humanismo e entender que a sua ação tem um impacto na vida de outras pessoas. Você não está sozinho nesse mundo. Nós vemos um grave ataque diário à imprensa, aos meios de comunicação, e talvez isso esteja comprometendo seriamente o entendimento das pessoas sobre a gravidade do quadro" Andre Rosa/TV Brasília »JESSICA CARDOSO*

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 12/03/2021 às 03h00

Movimentação na UPA Dr. Akira Tada, em Taboão da Serra, na terça (9) Victor Monteiro/W9 Press/Agència O Globo Com UTIs totalmente ocupadas, Einstein estuda reativar hospital de campanha em São Paulo Phillippe Watanabe e Thiago Amâncio são pau lo Com mais de 100% de ocupação, o Hospital Israelita Albert Einstein já iniciou discussões sobre reabrir o hospital de campanha com leitos de UTIno estacionamento da unidade, afirmou à Folha Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. O hospital chegou, nesta quinta (11), à ocupação de 104%. São, pelo menos, 206 pessoas internadas com Covid19, das quais 103 estão na UTI. As medidas para levantar novamente o hospital de campanha, com 30 vagas de UTI, já foram iniciadas, mas ainda não há uma data para o início do funcionamento. Na primeira onda da Covid também houve a construção desse tipo de equipamento de saúde no estacionamento do hospital. As vagas, então, foramusadas por pacientes que pioraram no hospital de campanha do Pacaembu, que era comandado pelo Einstein. No dia 26 de fevereiro, o Einstein também chegou a ter 104% de ocupação, mas, àquela altura, eram 141 internados com a doença, 70 na UTI. Nos dias que se seguiram, ao mesmo tempo em que a ocupação arrefeceu um pouco, o número de pacientes que necessitavam de atendimento intensivo foi aumentando quase que continuamente. “Alguns pacientes estão aguardando a internação no pronto-atendimento, onde existe uma ala de internação. Às vezes têm pacientes na recuperação pós-anestésica esperando leitos”, diz Klajner.“Hoje, pela primeira vez, comuncamos e a limitação do agendamento cirúrgico para casos adiáveis, concentrando os procedimento em um centro cirúrgico”, diz. O outro centro cirúrgico do hospital será destinado a pacientes com Covid. O hospital, porém, ainda tem capacidade de receber tf Eu rezo para que nos próximos dez dias consigamos ter os benefícios das medidas mais rígidas e não esgotemos a capacidade Sidney Klajner presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein mais pacientes. Klajner afirma que o Einstein tem conseguido ampliar rapidamente os leitos de UTI disponíveis para aso por pacientes com Covid e transformar áreas "não Covid” em exclusivas para Covid19 —há necessidade de cuidados sanitários para evitar contaminar pessoas saudáveis. Segundo o médico, o hospital consegue transformar um leito em UTI em cerca de duas ou três horas. “Por incrível que pareça, é deuma hora para outra. Essa infraestrutura foi construída no ano passado." A possibilidade de transformação veloz de leitos e manejo adequado dentro do Einstein, porém, contrasta com a realidade de outras instituições de saúde, onde o excesso de pacientes resulta em pessoas sendo atendidas em corredores ou em macas do Samu. Ainda em202o, diz Klajner, ao ver o colapso hospitalar na Itália, o Einstein passou a se preparar, com compra de respiradores e disponibilização de profissionais de saúde, para transformar até 300 leitos (dos cerca de 610) em UTI. Até o momento, segundo ele, o hospital transformou leitos da recuperação pós-anestésica em UTI e transferiu a área de imunização para que ela seja asada para internação de casos moderados e leves. Além disso, a área da quimioterapia e boxes administrativos também foram deslocados para dar lugar a mais leitos. “A ocupação da UTI em 100% não quer dizer que um paciente que precise de UTI não vai ter seu leito, graças a essa capacidade”, afirma Klajner. “Eu rezo para que nos próximos dez dias consigamos ter os benefícios das medidas mais rígidas e não esgotemos a capacidade.” Além do lento processo de vacinação e da falta de uma liderança —ambos elementos que podem ajudar a conter a critica situação atual—, para Klajner a sociedade precisa fazer o que deixou de fazer, ou seja, seguir protocolos básicos de distanciamento, evitar ao máximo sair de casa e asar máscara. Outros hospitais particulares da elite paulistana também estão lotando ou têm elevados índices de ocupação. O Sírio-Libanês tem nesta quinta 217 pacientes internados com Covid19,62 deles na UTI. A taxa de ocupação geral do hospital, considerando todos os leitos, inclusive os que não são para Covid, está em 92%. Na segunda (8), havia 51 internados em UTI com Covid e a ocupação total era de 88%. Em conversa com investidores do Itaú na quarta (10), o CEO do hospital, Paulo Chapchap, afirmou que a instituição já negou pedidos de transferência para 36 pacientes. “Não quero ser alarmista, mas estamos perto de um colapso.” Em nota, a assessoria do hospital afirmou que “tem registrado nas últimas semana s um aumento expressivo na procura por assistência médico-hospitalar de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19” e que por isso decidiu suspender por 15 dias procedimentos eletivos, além de exames ambulatoriais de polissonografia e eletivos de colonoscopia, endoscopia digestiva alta e broncoscopia. O hospital afirmou que os demais atendimentos estão mantidos, inclusive os de urgência no pronto-atendimento. O Sírio-Libanês disse que está ampliando a oferta de leitos de acordo com a demanda. O São Camilo, outro hospital privado em São Paulo, in formou que as UTIs já estão lotadas. Em enfermarias, a ocupação está em 93%. No total, há 305 pacientes internados na instituição, que diz que está abrindo novos leitos para suprir a alta demanda. O Hospital Alemão Os waldo Cruz tem nesta quinta-feira 63 pacientes com Covid-19 na UTI (97% de ocupação) e outros 103 em outras unidades de internação (93% de ocupação). A ocupação geral do hospital, incluindo pessoas com outras doenças, está em 91%. Já o Heor (Hospital do Coração) tem nesta quinta 89% de ocupação de leitos de UTI e enfermaria. Considerando leitos dedicados exclusivamente à Covid-19, a ocupação sobe para 92%. Há na instituição 99 pacientes internados com a doença (três deles com saspeita), sendo 68 em enfermarias e 31 em UTI. O hospital diz que viu crescer em 79% a ocupação nos últimos 14 dias. Os hospitais públicos também estão com ocupação alta. Em todo o estado cie São Paulo, a ocupação de leitos UTI Covid é de 86,7% nesta quinta, e de enfermarias, 71,9%.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 12/03/2021 às 03h00

Hospitais privados já recusam pacientes Hospitais particulares de SP, entre eles o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, começaram a suspender cirurgias eletivas, a recusar pacientes e a atender em prontos-socorros. “As altas hoje são por óbito”, disse o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios, Francisco Balestrin. metrópole/ai6 AMANDA PEROBELLI / REUTERS-1/1/2021 53 das 105 cidades de SP com UTI não têm vaga Lista inclui cidades da região metropolitana, como Embu, Ferraz, Mairiporã e Carapicuíba Priscila Mengue Um levantamento do governo de São Paulo aponta que 53 dos 105 municípios com leitos de UTI para pacientes com covid-19 estão com 100% de ocupação. A lista inclui cidades da região metropolitana de São Paulo, como Embu das Artes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã, Carapicuíba e Poá, e também do interior, como Bauru, Ibitinga, Paulínia e Batatais. Para leitos públicos, a última atualização divulgada pelo governo apontava 1.065 pessoas na fila de espera por uma vaga de internação, das quais cerca de 35% precisam de UTI. O Estado tem 9.184 internados em UTI e outros 11.692 em leitos de enfermaria. Gorinchteyn reiterou que a pandemia tem um comportamento diferente do primeiro semestre de 2020, quando era predominante a internação de idosos e pessoas com doenças que “agravavam a condição clínica”. Ele voltou a dizer que a ampliação de vagas de internação não é suficiente neste momento. “É de fundamental importância nós termos paciência neste momento. E muito difícil, depois de um ano, nós pedirmos paciência. Muitos deixaram de realizar os seus sonhos, tiveram o seu comércio absolutamente destruído, faliram, e nós estamos dizendo ainda ‘paciência’. Mas nós temos de garantir o nosso maior patrimônio, que é a nossa vida”, lamentou o secretário. “Nunca pedimos com tanto clamor: precisamos estar juntos.” Mortes na fila. Neste mês, ao menos 31 pessoas morreram à espera de um leito no Estado, das quais 11 em Taboão da Serra e 6 em Ribeirão Pires, municípios da Grande São Paulo. A taxa de ocupação é de 87,6% em UTI no Estado, média que é de 86,7% na região metropolitana da capital. Em enfermaria, a ocupação é de 66,1% no Estado enquanto é de 74,2% na Grande São Paulo. João Gabbardo, coordenador do Centro de Contingência, reforçou o cenário preocupante. “Se não conseguirmos aumentar o isolamento social, muita gente vai morrer”, comentou ontem. “Muita gente com plano de saúde, com o melhor plano de saúde. Não vai ter leito nos hospitais privados. Empreendedores de sucesso morrerão. Com muito dinheiro na conta, mas morrerão. Assim como também morrerão trabalhadores informais, pessoas da classe média, todas. Não vai ter leito para todo mundo. E os médicos vão ter de optar por quem vai ocupar esses leitos.” Atendimento. Boletim mais recente indica 1.065 pessoas na fila de internação, das quais cerca de 35% precisam de UTI