Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/08/2021 às 13h01

O que a escola deve fazer quando o teste para Covid de um estudante der positivo? Enquanto o protocolo do governo de São Paulo determina para a rede pública a suspensão por 14 dias da turma que teve contato com o contaminado, consultorias médicas orientam escolas particulares a autorizar a retomada dos colegas antes, com teste negativo, ou até que só se determine a suspensão dos outros alunos se houver um segundo caso. Os diferentes protocolos se somam ao fosso de desigualdade ampliado na pandemia entre escolas públicas e privadas. Nas particulares, em que há mais estrutura para o controle de casos e famílias com acesso a testes, os alunos têm uma chance maior de permanecer com aulas presenciais. A discussão torna-se ainda mais relevante neste segundo semestre, em que o governo paulista permitiu a presença de 100% dos alunos nas escolas, e as ocorrências de Covid19 dentre as turmas tendem a ser mais frequente. Escolas particulares têm dúvidas sobre a obrigatoriedade ou não de se seguir o protocolo do governo de afastamento por 14 dias. A Secretaria de Educação afirmou à Folha que a resolução é dirigida à rede estadual e que os colégios privados podem opcionalmente utilizar o mesmo critério ou definir outras maneiras de controle. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, com a consultoria de médicos, orienta que as escolas suspendam a turma com um caso de Covid19 e libere a volta dos alunos que apresentarem teste negativo. Segundo o presidente da entidade, Benjamin Ribeiro da Silva, o tempo de suspensão não é determinado, depende do prazo seguro para a realização do teste em cada uma das situações. Em geral, realiza-se o teste de pessoas assintomáticas de cinco a sete dias após o último contato com uma pessoa infectada. Dessa forma, a depender de quando o aluno com Covid19 é afastado, seus colegas podem perdem apenas três dias de aula presencial, se o final de semana estiver dentro desse período de cinco dias. O epidemiologista Wanderson Oliveira, membro da comissão de saúde da Secretaria de Educação de São Paulo, afirmou à Folha que acha viável esse retorno antecipado com teste negativo e que o protocolo oficial está mais voltado à realidade das escolas públicas, com menor acesso à testagem. O governo paulista anunciou na semana passada a compra de um milhão de testes e afirma que está em andamento um processo de aquisição de mais 3 milhões para a área da educação. “Essa é a tendência internacional, mais testagem para que se possa garantir mais rapidamente e com segurança uma retomada à normalidade. Temos que estimular a volta às aulas presenciais, os estudantes já foram muito prejudicados”, diz. Segundo o epidemiologista, é possível que o protocolo oficial seja flexibilizado para que os alunos percam o mínimo possível de aulas. “O momento da pandemia permite isso, da mesma forma que, se a situação piorar, teremos que recuar”, afirmou. A consultoria para escolas do hospital Sírio Libanês, segundo a infectologista Carla Kobayashi, orienta que, se o aluno contaminado for do ensino fundamental ou do médio, sua turma pode ser mantida em aula presencial, com monitoramento, e que o afastamento só precisa ocorrer se houver um segundo caso. No infantil, em que é mais difícil controlar o contato dos alunos, deve haver a suspensão da turma por dez dias. “Os casos são analisados individualmente. No fundamental e no médio, a depender da situação, se já houver algum indício de sintoma ou presença do vírus na família de alunos, podemos orientar o afastamento no primeiro caso”, diz a infectologista. Para as escolas com consultoria do Albert Einstein, a orientação se equipara à do protocolo do governo, com afastamento de 14 dias. De acordo com Cléber de Moraes Motta, consultor médico de projetos em saúde do Einstein, o monitoramento dos colégios se tornou mais rígido com a presença de 100% dos alunos e, recentemente, a suspensão para turmas com caso de Covid, que antes durava 10 dias, passou a 14. Mesmo dentre as escolas que tenham a mesma consultoria médica, os critérios podem variar. Na Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares), que reúne colégios paulistanos de elite como o Bandeirantes, o Santa Cruz e o Pentágono, também não há consenso sobre o afastamento da turma, que pode durar 10 ou 14 dias, segundo o diretor da entidade, Arthur Fonseca Filho. As escolas, segundo ele, aguardam as novas orientações do governo para definir seus procedimentos. A comissão médica da Secretaria de Saúde deve se reunir nos próximos dias para discutir os protocolos.

CORREIO DO POVO ONLINE/PORTO ALEGRE
Data Veiculação: 11/08/2021 às 08h18

A retomada das atividades normais, após um longo período de isolamento e distanciamento social, é fundamental para que as pessoas retomem um elemento importante na vida de todos: a memória. Estudos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostraram que a pandemia do novo coronavírus fez com que pessoas, infectadas ou não, deixassem de lembrar coisas importantes da vida. No caso daqueles que se infectaram com a Covid-19, uma pesquisa feita pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor) mostrou que oito em cada dez pessoas apresentaram algum tipo de alteração de memória, capacidade de atenção e percepção do mundo, após a cura da doença. Segundo Willian Rezende do Carmo, neurologista e chefe de equipe dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, em São Paulo, esses sintomas podem durar meses. "A Covid-19 pode afetar a parte emocional e a pessoa ficar mais ansiosa, com sono alterado, irritadiça e até com depressão. A Covid-19 piora o que a pessoa tem de pior. É muito comum ter problema de memória no pós-Covid, que pode durar semanas e meses", explica o médico. Quem não ficou doente também foi atingido pela pandemia em diversos aspectos da vida. A falta de convívio com familiares, amigos e pessoas em geral, mudanças no esquema de trabalho, viver mais tempo em ambientes fechados são alguns dos fatores que devem ser considerados neste último ano e meio. "O ser humano é um animal que deu certo em sociedade. Não é como outros bichos que vivem sozinhos. Temos uma área do cérebro, maior do que outras, focada em reconhecer a face humano. O cérebro humano é tão feito para ver rosto humano, que vemos rosto humano onde nem tem rosto humano. Nós demos certo assim, em contato com outras pessoas", ressalta o médico. Essas mudanças influenciaram diretamente na memória e na formação de lembranças. "A pessoa lembrar de algo envolve etapas: desde conseguir ter atenção em um evento, registrar, armazenar no cérebro, fixar o que foi guardado e ter o mecanismo adequado para evocá-lo novamente. A vida continuou na pandemia, só que de forma digital. Há estudos mostrando que quando estamos na presença de uma pessoa, ou em uma reunião, a chance de você prestar atenção no conteúdo tratado é absurdamente maior do que numa reunião online. E o primeiro ponto para criar memória é prestando atenção. Sem atenção, sem lembrança", alerta Carmo. A diminuição da atenção está ligada aos inúmeros estímulos que competem com a atenção durante reuniões online. "Enquanto está na reunião, tem mensagem chegando no celular, no e-mail, ficam trocentas coisas ao mesmo tempo, na sua cara tirando a atenção. A pessoa não fica de maneiro imersiva na reunião", acrescenta ele. Home-office prejudica formação de memória O trabalho em casa é apontado como causa relevante para determinar a fixação da memória, já que a vida fica restrita a um único lugar ou ambiente. "É uma rotina muito mais simples: levanta vai para o computador, do computador para cama, da cama para o computador. Ela fica sempre no mesmo ambiente, praticamente não tem nenhum novo estímulo. A monotonia traz um efeito de acomodação para o cérebro e para atenção e a pessoa vai deixando de presar atenção nas coisas e a pessoa vai deixando de lembrar", observa o neurologista. A pandemia mexeu com a saúde mental, o que também aumentou a ansiedade, mexeu com o sono, o comportamento e com a capacidade de consolidar memórias. "A consolidação da memória, antes de tudo precisa ter um bom sono e na pandemia, muita gente começou a dormir pior. Se o sono fica pior, se torna mais difícil consolidar a memória do que viveu". Além disso, existe a falta a repetição. Conforme o dia a dia é vivenciado, se contam as próprias histórias a outras pessoas. Com isso, vão se amarrando os acontecimentos da vida, o que aumenta a chance de consolidação da memória. Estamos sem janelas de oportunidade para dividir a vida. Não vai ter repetição, não tem consolidação de memória", diz o médico. Como resolver os esquecimentos? A boa notícia é que, na maioria dos casos, é possível reverter os esquecimentos com rotinas comportamentais. Pequenas mudanças no dia a dia vão estimular o cérebro e a volta às atividades com cuidados especiais, já que a pandemia ainda está presente no Brasil, são suficientes para a memória voltar. "Se for dada a opção de voltar a trabalhar no escritório, vale a pena ir, mesmo que não seja todos os dias. Se for continuar em casa, é fundamental ter um espaço que seja só de trabalho. Se não é possível, tem que tentar organizar um jeito para que a pessoa consiga acordar, levantar, tomar café, tomar banho, se vestir e, aí, entrar em ação o modo trabalho. Além de ser importante sair de casa e ter estímulos novos. Nem que seja caminhar pelas ruas do bairro, para no mínimo ver coisas, pessoas, ter outros estímulos", salienta Willian para as pessoas com sintomas leves de esquecimento e ansiedade. Já entre as pessoas que apresentam um grau de moderado a severo de perda de memória e ansiedade, é indicado procurar um profissional. "Precisa de avaliação, já que podem ser indicados medicamentos e terapias específicas", conclui o neurologista.

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/08/2021 às 02h00

Monotonia e falta de interação social diminuem estímulo do cérebro para criar memórias Consolidação da memória é obtida após atenção aos fatos e qualidade do sono Problemas de memória podem ser resolvidos com alterações de comportamento No caso de perdas mais graves, médicos e psicólogos ajudam na retomada da vida A retomada das atividades normais, após um longo período de isolamento e distanciamento social, é fundamental para que as pessoas retomem um elemento importante na vida de todos: a memória. Estudos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostraram que a pandemia do novo coronavírus fez com que pessoas, infectadas ou não, deixassem de lembrar coisas importantes da vida. No caso daqueles que se infectaram com a covid-19, uma pesquisa feita pelo Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) mostrou que oito em cada dez pessoas apresentaram algum tipo de alteração de memória, capacidade de atenção e percepção do mundo, após a cura da doença. Segundo Willian Rezende do Carmo, neurologista e chefe de equipe dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, em São Paulo, esses sintomas podem durar meses. "A covid pode afetar a parte emocional e a pessoa ficar mais ansiosa, com sono alterado, irritadiça e até com depressão. A covid piora o que a pessoa tem de pior. É muito comum ter problema de memória no pós-covid, que pode durar semanas e meses", explica o médico. Quem não ficou doente também foi atingido pela pandemia em diversos aspectos da vida. A falta de convívio com familiares, amigos e pessoas em geral, mudanças no esquema de trabalho, viver mais tempo em ambientes fechados são alguns dos fatores que devem ser considerados neste último ano e meio. "O ser humano é um animal que deu certo em sociedade. Não é como outros bichos que vivem sozinhos. Temos uma área do cérebro, maior do que outras, focada em reconhecer a face humano. O cérebro humano é tão feito para ver rosto humano, que vemos rosto humano onde nem tem rosto humano. Nós demos certo assim, em contato com outras pessoas", ressalta o médico. Essas mudanças influenciaram diretamente na memória e na formação de lembranças. "A pessoa lembrar de algo envolve etapas: desde de conseguir ter atenção em um evento, registrar, armazenar no cérebro, fixar o que foi guardado e ter o mecanismo adequado para evocá-lo novamente. A vida continuou na pandemia, só que de forma digital. Há estudos mostrando que quando estamos na presença de uma pessoa, ou em uma reunião, a chance de você prestar atenção no conteúdo tratado é absurdamente maior do que numa reunião online. E o primeiro ponto para criar memória é prestando atenção. Sem atenção, sem lembrança", alerta Carmo. A diminuição da atenção está ligada aos inúmeros estímulos que competem com a atenção durante reuniões online. "Enquanto está na reunião, tem mensagem chegando no celular, no e-mail, ficam trocentas coisas ao mesmo tempo, na sua cara tirando a atenção. A pessoa não fica de maneiro imersiva na reunião", acrescenta ele. Home-office prejudica formação de memória undefined O trabalho em casa é apontado como causa relevante para determinar a fixação da memória, já que a vida fica restrita a um único lugar ou ambiente. "É uma rotina muito mais simples: levanta vai para o computador, do computador para cama, da cama para o computador. Ela fica sempre no mesmo ambiente, praticamente não tem nenhum novo estímulo. A monotonia traz um efeito de acomodação para o cérebro e para atenção e a pessoa vai deixando de presar atenção nas coisas e a pessoa vai deixando de lembrar", observa o neurologista. A pandemia mexeu com a saúde mental, o que também aumentou a ansiedade, mexeu com o sono, o comportamento e com a capacidade de consolidar memórias. "A consolidação da memória, antes de tudo precisa ter um bom sono e na pandemia, muita gente começou a dormir pior. Se o sono fica pior, se torna mais difícil consolidar a memória do que viveu". Além disso, existe a falta a repetição. Conforme o dia a dia é vivenciado, se contam as próprias histórias a outras pessoas. Com isso, vão se amarrando os acontecimentos da vida, o que aumenta a chance de consolidação da memória. Estamos sem janelas de oportunidade para dividir a vida. Não vai ter repetição, não tem consolidação de memória", diz o médico. Como resolver os esquecimentos? A boa notícia é que, na maioria dos casos, é possível reverter os esquecimentos com rotinas comportamentais. Pequenas mudanças no dia a dia vão estimular o cérebro e a volta às atividades com cuidados especiais, já que a pandemia ainda está presente no Brasil, são suficientes para a memória voltar. "Se for dada a opção de voltar a trabalhar no escritório, vale a pena ir, mesmo que não seja todos os dias. Se for continuar em casa, é fundamental ter um espaço que seja só de trabalho. Se não é possível, tem que tentar organizar um jeito para que a pessoa consiga acordar, levantar, tomar café, tomar banho, se vestir e, aí, entrar em ação o modo trabalho. Além de ser importante sair de casa e ter estímulos novos. Nem que seja caminhar pelas ruas do bairro, para no mínimo ver coisas, pessoas, ter outros estímulos", salienta Willian para as pessoas com sintomas leves de esquecimento e ansiedade. Já entre as pessoas que apresentam um grau de moderado a severo de perda de memória e ansiedade, é indicado procurar um profissional. "Precisa de avaliação, já que podem ser indicados medicamentos e terapias específicas", conclui o neurologista.