Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

MEDICINA S/A/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/08/2020 às 00h00

O uso de dados tem crescido em todas as áreas em função da quantidade de informações produzidas e armazenadas em diferentes sistemas e plataformas. A mudança para ambientes e práticas mais digitais demanda, além da adesão de tecnologias, uma nova mentalidade. É por entender que o futuro do setor depende disso que o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) reúne renomados especialistas no webinar “Governança e uso de dados para uma gestão integrada de saúde”, que acontece nesta quinta-feira (13), a partir das 16h. Segundo José Cechin, superintendente executivo do IESS, há um volume imenso de dados capturados pelo sistema de saúde que ainda carecem de tratamento e análise. “É preciso investir tanto na criação de ferramentas quanto em ações de conscientização, alteração de processos e rotina de trabalho. Com isso, é importante treinamentos para toda as equipes e definições claras sobre a governança dos dados”, comenta. “Nosso encontro reúne especialistas com diferentes vivências para apontar os diversos aspectos desse complexo tema”, completa. Com mediação de José Cechin, o webinar contará com a participação de Henrique Neves, diretor-geral do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador do grupo de gestão de dados do Instituto Coalizão Saúde (ICOS); Dra. Beatriz Leão, co-coordenadora da Especialização em Informática em Saúde do Hospital Sírio-Libanês; e Renato Sabbatini, professor adjunto de Informática em Saúde na Escola Bahiana de Medicina e Diretor de Educação do Instituto HL7. A ciência de dados tem utilizado, por exemplo, o aprendizado de máquinas para diminuir a subnotificação do novo Coronavírus e conseguir definir os melhores tratamentos e intervenções para salvar vidas neste delicado momento. “Com o cenário atual e a evolução do uso de saúde digital, o setor deve se atentar para que esta Transformação Digital seja acelerada e explorada para integrar stakeholders e engajar ainda mais o paciente”, analisa o executivo. A série de encontros busca tratar de diferentes temas importantes para o desenvolvimento do setor de saúde suplementar nacional com transmissão ao vivo nas redes sociais do IESS e no canal do YouTube. Os interessados podem se inscrever gratuitamente no site da entidade (http://iess.org.br/eventos) ou acompanhar pelo canal do YouTube (http://www.youtube.com/iessbr).

REVISTA PANORAMA ANAHP | OUTROS
Data Veiculação: 11/08/2020 às 19h43

Panorama anahp tuociKM nKloml Mhotault P'f«*Ooi Publicação da Anahp Associação Nacional de Hospitais Privados 2020, ano 15 | n° 75 UNIDOS PELA SAÚDE Nova campanha da Anahp busca retratar as ações de hospitais associados em apoio ao setor público de saúde no combate à covid-19, beneficiando toda a população STARTUPS DE SAUDE CRESCEM COM NOVAS OPORTUNIDADES TRAZIDAS PELA CRISE EM 2020,0 CONAHP SERA GRATUITO E DIGITAL PARA DISCUTIR 0 FUTURO DO SETOR PÓS-PANDEMIA INSTITUIÇÕES FAZEM ACOMPANHAMENTO DO DESFECHO CLÍNICO DA COVID-19 TECNOLOGIA E SAÚDE Com a crise sanitária trazida pelo coronavírus, empresas de tecnologia viram uma oportunidade de crescimento para atender às novas demandas do mercado Em meio à pandemia, a necessidade de produzir soluções diversas para a área da saúde, desde equipamentos que fazem a esterilização do ambiente com ozônio até o avanço de ferramentas para telemedicina, jogou luz sobre empresas que já existiam, mas passavam despercebidas pela maior parte da população: as health techs ou startups voltadas para o setor. A comoção mundial alcançou esses empreendedores acostumados a colocar a tecnologia a serviço de soluções rápidas e objetivas de diferentes maneiras. Há os que contribuem no desenvolvimento de soluções inovadoras e os que receberam novas demandas dentro do que já faziam. "Houve um incentivo global à criação de soluções por causa da covid-19, isso fez com que o mercado se movimentasse. Não temos visto a criação de novas startups, mas o que notamos foi a movimentação de empresas tradicionais para inovar criando soluções para a nova doença e se adaptando", afirma Jeff Plentz, presidente da Techtools aceleradora de inovação e plataforma de negócios que conecta hospitais, startups, pacientes, governo e investidores. Permitir que as relações do setor passem a funcionar de forma mais rápida e barata por meio da escalabilidade dada na PANORAMA ANAHP Ediçio 75 Ano 15 adoção de inovação é um dos papéis da empresa. Contudo, segundo o executivo, as principais dificuldades do mercado brasileiro estão na capacidade de negócio e na ineficiência da captura de valor. "Hoje, enquanto o mundo transforma cerca de 40% da propriedade intelectual gerada em produtos e serviços, o Brasil transforma de 13% a 17%. Dentro dos centros de pesquisa dos hospitais continuam surgindo soluções geniais na medicina brasileira, mas apurar um modelo de negócio com essa inovação gerada, buscar os investimentos e ter um canal que leve isso ao mercado para que 41 se popularize, é onde estamos perdendo espaço", detalha. De acordo com Plentz, o contexto atual permitiu um efeito de aceleração para as empresas que já estavam preparadas. "As soluções que vão permanecer são aquelas que têm um caminho consistente sendo criado e que focaram na covid-19 como uma oportunidade de acelerar sua entrada no mercado. Mas temos visto soluções criadas agora que estão longe de ter um processo sustentável a médio e longo prazo", diz o presidente, revelando que, com o aumento da demanda, parte do plano de desenvolvimento da Techtools de dois anos teve que se desenvolver em dois meses. Neste sentido, Felipe Lacerda, CEO da BeeCorp, ressalta que as soluções de inovação apresentadas para as empresas devem "resolver o problema, não criar um novo". E completa: "o que notamos é que muitas empresas de inovação têm dificuldade para entrar no mercado B2B [bus/ness to bus/ness]. Para vender, o serviço tem que estar contextualizado para ser incorporado no dia a dia, é preciso gerar relatório, ter um plano de comunicação, passar segurança ao cliente." Junto com a pandemia, vieram também novos comportamentos e hábitos, seja no aumento da procura por serviços digitais dos mais variados ou na preocupação com a saúde, que se tornou uma questão muito presente entre a população. E a BeeCorp, empresa focada em oferecer soluções para promoção da saúde nas organizações, com mais de 50 programas voltados para o bem-estar físico, emocional e relacionai, observou uma mudança nos tipos de serviços procurados, além de um aumento de 40% no faturamento dos últimos 120 dias. "Tínhamos vários programas presenciais já com possibilidade de serem digitais, que foram digitalizados para terem uma continuidade, como no caso daqueles voltados para a saúde mental do colaborador", conta o CEO da empresa. "A questão do confinamento é nova, percebemos alguns desafios do ponto de vista emocional que os líderes precisaram lidar, e isso se refletiu na nossa entrega." Outra demanda que aumentou nesse cenário, segundo Lacerda, foi o serviço de atenção primária à saúde. Contar com este tipo de solução dentro da empresa, seja por meio de uma estrutura mais completa de ambulatório, com médico, enfermeiro e equipamentos alocados, ou apenas um técnico capaz de tirar as dúvidas dos colaboradores em relação à pandemia, foi um dos maiores ganhos na visão do executivo. "As empresas começaram a se preocupar em como ter uma estrutura para poder falar de saúde de verdade. Antes, reparávamos que as empresas falavam de saúde quando dava, com pouca ferramenta efetiva, pouco conhecimento da sua população. Agora aumentou a necessidade de um perfil epidemiológico dos colaboradores, identificar quem tem alguma comorbidade, por exemplo, porque isso foi diretamente afetado no contexto da pandemia", esclarece o executivo. Entre os produtos oferecidos pela BeeCorp durante a crise, duas marcas se diferenciam por suas soluções: a JIMCO e a Thermofy. A primeira trata-se de uma empresa dinamarquesa que oferece uma alternativa para limpeza e desinfecção dos ambientes por meio de uma tecnologia baseada em UV-C e ozônio, que elimina vírus e bactérias, reduzindo a propagação de doenças infecciosas. A segunda é uma empresa brasileira que permite triagem por temperatura através de câmeras termográficas com inteligência artificial. Além de ser uma alternativa segura e sem contato físico, ideal para locais com grande circulação de pessoas, a tecnologia detecta o formato efetivo da mudança na temperatura, identificando casos suspeitos de covid-19. TECNOLOGIA E SAÚDE TECNOLOGIA E SAUDE SOLUÇÜES EM ALTA Com a chegada da pandemia ao Brasil e a declaração do Ministério da Saúde sobre a regulamentação da telemedicina para viabilizar os atendimentos à distância durante a crise, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu que a prática poderia ser aplicada no enfrentamento do novo coronavírus, e a Lei 13.989, publicada em 15 de abril de 2020, autorizou o uso em caráter de emergência. Foi então que a plataforma de telemedicina Conexa Saúde viu sua carteira de vidas saltar de 100 mil para 1 milhão em apenas uma semana. Segundo o CEO da marca. Guilherme Weigert, a utilização da telemedicina no Brasil já vinha crescendo, mas ainda precisaria de mais alguns anos para alcançar a maturidade de outros países. "Com a covid-19, esse cenário mudou bastante. pois houve uma curva de adoção acelerada na digitalização da saúde, gerando movimentação em todo ecossistema necessário para consolidar a telemedicina, incluindo o paciente, profissionais de saúde, hospitais, planos de saúde, empresas e corretoras de saúde", revela. Essa rápida mudança fez com que a plataforma antecipasse um plano de crescimento que havia sido elaborado para ser colocado em prática dentro de um ano. Weigert conta que, em termos de tecnologia, já estava tudo pronto para atender à nova demanda, pois haviam acabado de investir em melhorias estruturais que possibilitaram uma arquitetura tecnológica altamente escalável. No entanto, foi preciso contratar mais colaboradores para assumir atividades relacionadas à implantação de plata- formas, atendimento ao cliente e técnicos dobrando a equipe. "Fechamos o primeiro semestre de 2020 com atendimento de 600 mil teleconsultas. Nossa meta é realizar mais de 20 mil por dia, conquistar 4 milhões de usuários e se conectar a mais de 15 mil médicos. Até 2021, a expectativa é faturar R$ 50 milhões", afirma o CEO da Conexa Saúde, que tem entre seus clientes o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Sabará Hospital Infantil, Hospital 9 de Julho, Seguros Unimed, Instituto de Oncologia Santa Paula (IOSP), além de parcerias com governos, como em Minas Gerais, para o serviço de telemedicina direcionado para do Sistema Único de Para o executivo, a utilização da telemedicina foi um recurso importante para atender a necessidade de isolamento social e manutenção de atendimento médico durante a crise, mas ainda há um grande desafio pela frente. "É preciso quebrar a barreira cultural das pessoas em relação à telemedicina, embora isso já tenha se enfraquecido um pouco com a pandemia. No que se refere às questões regulatórias, muitas foram aceleradas pela necessidade de utilização da tecnologia e devem se resolver no pós-pandemia", opina. Outra área que apresentou uma demanda sem precedentes foi a de testes de diagnósticos. No início da pandemia, especialistas concordaram que a testagem em massa da seria uma boa conhecer o do do coronavírus. No entanto, a escassez de insumos para os testes foi uma das grandes barreiras para que essa medida fosse colocada em prática. Foi neste contexto que o laboratório brasileiro especializado em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), Mendelics, desenvolveu um exame que utiliza PANORAMA ANAHP EdiçSo 75 Ano 15 43 a metodologia RT-LAMP (Reverse Transcription Loop-Mediated Isothermal Amplifícation). A partir da simples coleta de saliva do paciente, o teste identifica a presença do SARS-CoV-2 por meio de uma análise molecular que reconhece o material genético viral. O método leva apenas 1 hora, o que permite liberar os resultados em até 24 horas, além de possuir especificidade superior a 99% (não foram identificados resultados falso-positivos) e uma sensibilidade comparável ao teste de RT-PCR. "A maior parte dos exames existentes que identificam o vírus SARS-CoV-2 coleta a amostra por meio de um swab nasal (um tipo de cotonete alongado) para chegar até a garganta e obter amostras das secreções. A partir do método aperfeiçoado pela Mendelics, o próprio paciente realiza a coleta de amostras de saliva em um tubo estéril, resolvendo ainda o problema de demanda de kits de coleta nasofaríngea, fator que tem limitado diretamente a capacidade de coleta e testagem no Brasil", explica David Schlesinger, CEO da empresa. De acordo com o executivo, o RT-LAMP foi validado em conjunto com o Hospital Sírio-Libanês e desde então tem atendido inúmeras empresas de grande porte, em todo o território nacional. Schlesinger conta que esse é o teste com maior capacidade de processamento lançado no país até o momento, com potencial de testagem diária de mais de 100 mil amostras. "A parceria com o hospital foi fundamental para que pudéssemos trazer esse teste mais rápido para o Brasil. O Hospital Sírio-Libanês nos ajudou a implementar um projeto de pesquisa, aprovado em comitê de ética, em que pudemos validar todos os resultados que tínhamos, em paralelo com pacientes que estavam ativamente infectados, com sintomas. sendo testados com o RT-PCR. Então comparamos um swab nasal com RT-PCR de hospitais e laboratórios de ponta com o teste novo. Com isso, tivemos a confiança de que estávamos entregando o mesmo nível de qualidade dos melhores testes, porém com custo menor, mais rapidez e com maior facilidade de coleta", detalha o CEO. A empresa está em contato com prefeituras e tem trabalhado para que o teste tenha alcance nacional. Segundo o ao final do projeto piloto, o protocolo do novo teste será publicado e disponibilizado gratuitamente, permitindo que outros laboratórios se juntem aos esforços para que a testagem possa chegar a centenas de milhares por dia. "A contribuição da Mendelics para o combate à pandemia da covid-19 no Brasil é uma parte do esforço coletivo pela preservação da vida de toda a população, possibilitando a volta ao trabalho com segurança"

REVISTA PANORAMA ANAHP | OUTROS
Data Veiculação: 11/08/2020 às 19h24

Panorama anahp tuociKM nKloml Mhotault P'f«*Ooi Publicação da Anahp Associação Nacional de Hospitais Privados 2020, ano 15 | n° 75 UNIDOS PELA SAÚDE Nova campanha da Anahp busca retratar as ações de hospitais associados em apoio ao setor público de saúde no combate à covid-19, beneficiando toda a população STARTUPS DE SAUDE CRESCEM COM NOVAS OPORTUNIDADES TRAZIDAS PELA CRISE EM 2020,0 CONAHP SERA GRATUITO E DIGITAL PARA DISCUTIR 0 FUTURO DO SETOR PÓS-PANDEMIA INSTITUIÇÕES FAZEM ACOMPANHAMENTO DO DESFECHO CLÍNICO DA COVID-19 SAUDE 32 COALIZÃO COVID-19 BRASIL APRESENTA PRIMEIRO RESULTADO DE ESTUDO COM MEDICAMENTOS CONTRA O CORONAVÍRUS Pesquisa feita por grupo de hospitais associados da Anahp junto de rede e instituto de pesquisa brasileiros verificou que o uso de hidroxicloquina, sozinha ou associada com azitromicina, não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes hospitalizados com formas leves ou moderadas de covid-19 Uma aliança para condução de pesquisas formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinicai Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes infectados pelo novo coronavírus. Denominada "Coalizão COVID-19 Brasil", a iniciativa conduz nove estudos voltados a diferentes populações de pacientes com a patologia. A primeira pesquisa, nomeada Coalizão I, avaliou se a hidroxicloroquina associada ou não à azitromicina, poderia trazer benefícios a pacientes adultos hospitalizados com formas leves a moderadas de covid-19, e o resultado foi publicado no periódico científico New England Journal of Medicine no dia 23 de julho. O estudo contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Resolvemos juntar esforços para fazer uma colaboração científica, mas que ao mesmo tempo tivesse utilidade clínica", relata o cardiologista e diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Alva- \ v VOLTAR PARA O INÍCIO ro Avezum, integrante do Coalizão COVID-19 Brasil. Ele explica que o grupo propôs diversas questões no ambiente covid-19 a serem estudadas, pacientes dentro e fora do hospital e quadros leves a mais graves. "A abrangência da Coalizão pega todas as áreas de tratamento da covid-19, e nós estamos respondendo a perguntas que o mundo inteiro precisa saber." Para o pesquisador, a Coalizão é a prova de que no Brasil se faz pesquisa de qualidade e com resultados capazes de mudar a prática clínica. "Pesquisa deve ser feita por uma razão simples, que é melhorara saúde populacional", diz Avezum. E completa: "E a saúde da população tem que ser melhorada por meio de conhecimento gerado e implementado". MÉTODO O Coalizão I teve início no dia 29 de março, com inclusão do último paciente em 17 de maio, e seguimento clínico finalizado em 2 de junho. Foram incluídos 667 pacientes com quadros leves ou moderados (que não precisavam de oxigênio ou precisavam de, no máximo, 4 litros por minuto 33 de oxigênio suplementar), em 55 hospitais brasileiros. Por meio de randomizaçio (sorteio) os pacientes receberam combinação de hidroxicloroquina, azitromicina mais suporte clínico padrão (217 pacientes); hidroxicloroquina mais suporte clínico padrão (221 pacientes); ou apenas suporte clínico padrão (grupo controle, 227 pacientes). A hidroxicloroquina foi usada durante 7 dias na dose de 400 mg a cada 12 horas e a azitromicina 500 mg a cada 24 horas por 7 dias. O suporte clínico padrão foi de acordo com a equipe médica que assistia aos pacientes, mas não poderia incluir hidroxicloroquina ou azitromicina. A avaliação do efeito do tratamento com hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, considerou como resultado principal o status clínico dos pacientes 15 dias após a inclusão caracterizando sete níveis, sendo o primeiro a alta do paciente e o último o óbito. Ao fim do processo o status clínico foi similar em todos os grupos, levando à conclusão de que o tratamento com tais medicamentos não promoveu melhoria na evolução clínica dos pacientes. Segundo o diretor do BCRI, Renato Lopes, existia uma "plausibilidade biológica" de alguns estudos in vitro de que a cloroquina talvez tivesse efeito contra o vírus. "Mas para poder aplicar, eu preciso comprovar que isso é realmente verdade através da melhor evidência científica, o que para nós [pesquisadores] é o ensaio clínico randomizado", explica. "A randomização faz com o que os grupos testados sejam exatamente iguais, com exceção do que se está testando." O estudo foi realizado com pacientes considerados parte do grupo de risco. A maioria era do sexo masculino com idade em torno de 50 anos. Dos participantes, 40% eram hipertensos, 21% diabéticos e 17% obesos. Os casos avaliados tinham iniciado com sintomas até, no máximo, sete dias e eram recém-internados (até 48 horas). "Quando temos um estudo dessa robustez científica, que é randomizado, bem desenhado, bem monitorado, temos maior grau de confiabilidade de que o resultado é o mais próximo da verdade que conseguimos chegar", diz Lopes. ÓBITOS E EVENTOS ADVERSOS Em 15 dias, o número de óbitos foi semelhante em todos os grupos, em torno de 3%. E no que diz respeito aos efeitos adversos, a pesquisa evidenciou dois pontos de destaque: aumento do intervalo QT, que representa maior risco para arritmias, e alteração de exames que podem representar lesão hepática (aumento de enzimas TGO/TGP no sangue) nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina.

TERRA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/08/2020 às 09h00|

Ao passo que uma imunização ou um tratamento medicamentoso para a covid-19 não chega, o isolamento social continua sendo uma das recomendações mais eficazes para evitar a disseminação do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e o colapso do sistema de saúde. Mas, como determinar quem precisa sair de casa e procurar atendimento médico? Na expectativa de responder essa pergunta, os médicos Aline Okita e Ariovaldo da Silva Júnior desenvolveram a plataforma CoronaBR, que oferece uma “triagem digital”, realizando perguntas sobre o quadro clínico do paciente e dando pesos para os sintomas declarados. O portal foi lançado no dia 19 de março deste ano e alcançou números expressivos de visitações desde então. Nas primeiras 24 horas após colocar o portal no ar, a plataforma registrou 1 milhão de acessos. Com mais 12 horas de funcionamento, esse número teve um salto e se multiplicou em quinze vezes. Agora, um pouco mais de quatro meses depois, já são 22 milhões de visitas realizadas por pacientes que procuraram ajuda no portal. Os primeiros dias após o lançamento foram promissores para a plataforma, que foi concebida e desenvolvida em pouco tempo. “Fizemos o site em apenas quatro dias. Mas, foram quatro dias em que trabalhamos de madrugada”, conta a médica Aline. “Pensávamos muito em como ajudar a diminuir a sobrecarga no sistema de saúde. Era nossa motivação para terminar o portal logo.” Donos do projeto, Aline é dermatologista e Ariovaldo, neurologista. Ambos são sócios da startup Axxon Health Tech, que desenvolve sistemas de tecnologia para o setor da saúde. Para dar suporte ao conteúdo sobre o novo coronavírus dentro da plataforma, ambos contaram com a assessoria do infectologista Lucas Chaves Netto, que atua no Hospital Sírio Libanês. A questão fundamental do CoronaBR está em seu trabalho de teleorientação, isto é, utilizar uma plataforma digital para dar direcionamento a pacientes a partir da descrição do quadro de saúde. Sendo assim, ao fim dessa espécie de “triagem virtual” desenvolvida pelo projeto, o intuito não é realizar diagnósticos ou prescrever medicações. Apesar de o site não oferecer consultas com especialistas, e nem se propor a isso, para o usuário, o fluxo do portal é bem simples e lembra um pouco aqueles primeiros minutos de atendimento médico, em que o profissional de saúde faz uma bateria de perguntas sobre o quadro clínico do paciente, como, por exemplo: “Você teve febre?” ou “Você tomou algum medicamento para seus sintomas?”. Todas essas perguntas, dentro do processo de teleorientação do CoronaBR, são feitas por um enfermeiro virtual chamado Pedro, e as respostas são realizadas por meio de cliques em botões e caixas de seleção. À medida em que o usuário conta seus sintomas, o sistema do portal usa uma combinação matemática para escolher qual direcionamento dar, podendo ir desde dicas para aliviar sintomas permanecendo em casa até o aconselhamento de buscar o atendimento médico. A empatia que o enfermeiro virtual causa nos usuários, conta Aline, é um dos principais motivos para o sucesso de engajamento e retenção da plataforma. “Quando tiramos o Pedro do site para fazer um teste, percebemos que o volume de acessos caiu drasticamente.” Com o retorno do personagem, o número de visitas continuou a crescer rápido, o que fez a iniciativa procurar ajuda e parcerias. “Nós tiramos dinheiro do nosso bolso para colocar o CoronaBR no ar, com a intenção de ajudar, não queríamos nada em troca e continuamos sem querer monetizar o projeto”, afirma Aline. “A partir do momento que o site começou a ter muito acesso, eu achei que ia falir, porque o custo de infraestrutura para deixar o portal funcionando ia chegar a US$ 40 mil.” Para auxiliar não só com parte dos custos, mas também com o desenvolvimento da plataforma, a empresa americana de computação IBM convidou tanto Aline quanto o seu sócio Ariovaldo para participar do programa “Startup with IBM”. Com isso, os dois tiveram acesso não só aos mentores da corporação de tecnologia, mas também às suas ferramentas de segurança cibernética e computação em nuvem.

CONASS/BRASÍLIA
Data Veiculação: 11/08/2020 às 08h25

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de desafios para a rede hospitalar no Brasil. Como fazer a gestão dos leitos, a capacitação de profissionais de saúde para uma doença nova e da qual ainda pouco se sabe, montar fluxos diferenciados para atendimento, para realização de exames e até mesmo para a higienização do enxoval, composto por toalhas e roupas de cama usadas por pacientes? Essas dúvidas presentes durante o funcionamento do atendimento nas urgências e emergências, o treinamento de equipes e a integração com a atenção básica foram o tema do Debate Virtual realizado semana passada pelo Conass, disponível no Youtube. Participaram do evento, mediado pela assessora técnica do Conass, Rita Catanelli, o médico especialista em terapia intensiva e medicina de emergência do Hospital Sírio-Libanês, Welfane Cordeiro Júnior; o diretor geral do Hospital Regional de Nova Andradina/Mato Grosso do Sul, Norberto Fabri Junior; o diretor geral do Hospital Municipal de Teixeira de Freitas/Bahia, Allan Jacqueson Barbosa Lobo; e a coordenadora estadual do Apoio Rede Colaborativa do Espírito Santo, Marfiza Machado de Novaes. Cordeiro Júnior contou que, dentro da iniciativa do Todos pela Saúde, um plano foi preparado para auxiliar no plano de resposta hospitalar à Covid-19. Ao longo dos últimos meses, o grupo atua de forma a apoiar hospitais interessados na preparação de planos de resposta, na implantação dos projetos, gestão de crise e uso de dados. As informações reunidas, de acordo com Cordeiro Júnior, auxiliam não apenas a condução do trabalho da unidade hospitalar, mas também para que o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE Covid-19) saiba qual a situação dos hospitais. O instrumento permite, em algumas regiões, por exemplo, que o COE tenha informação sobre taxa de ocupação, a disponibilidade de equipamentos para pacientes e EPIs, por exemplo. De acordo com o médico, em 20 semanas de atuação, 130 colaboradores auxiliaram trabalhos em 297 hospitais, com objetivo de organizar a rede e mitigar o efeito da pandemia. Barbosa Lobo afirmou que o planejamento foi essencial para garantir atendimento adequado para pacientes. Lobo contou que os casos de Covid-19 na cidade onde atua, Teixeira de Freitas, são mais recentes, um fato que acabou propiciando mais tempo para capacitar pessoal e organizar a forma de atendimento. A equipe também fortaleceu o programa Melhor em Casa, o que refletiu numa redução da ocupação hospitalar no momento em que casos da doença começaram a ter aumento. Fabri Júnior, por sua vez, relatou que a adesão ao programa de capacitação ocorreu há pouco tempo. O planejamento, completou, veio no momento crucial. “Eles nos propicia a troca de informações a atualização. E, sobretudo, mostra o desafio que é inserir toda atuação na rede de atenção à saúde, ampliar a articulação com a atenção primária”. Marfiza Machado de Novaes, da rede colaborativa do Espírito Santo, durante o debate também ressaltou a importância da integração entre a rede de atenção básica e a hospitalar. “Instituições tiveram que se reinventar, planejando suas ações e serviços.”

MSN BRASIL
Data Veiculação: 11/08/2020 às 00h00

Este momento é uma oportunidade para refletirmos sobre o papel da ciência no enfrentamento e na gestão da pandemia de covid-19. São desafios que mobilizam cientistas globalmente. Fomos gerando conhecimento sobre o novo coronavírus em paralelo ao espalhamento da doença. Como diz o ditado, “assobiando e chupando cana”. Foi no curso da pandemia que deciframos o genoma do vírus e desenvolvemos testes diagnósticos. Fomos aprendendo a tratar a doença e percebemos como ela é heterogênea, com sintomas variados. A escassez de conhecimento disparou esforços da comunidade científica, mundo afora, pela busca de evidências que possam ajudar nas tomadas de decisão sobre a pandemia. Na busca de soluções, pesquisadores organizaram-se em grupos colaborativos, instituições colocaram-se lado a lado e órgãos regulatórios prepararam-se para responder com celeridade à demanda por novos estudos. No Brasil, os comitês de ética em pesquisa dos grandes centros e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) passaram a responder, em questão de dias, a pedidos que antes levavam meses. Recursos até então escassos começaram a aparecer por meio de doações e parcerias, incluindo da iniciativa privada, que se colocou ao lado da academia com financiamentos expressivos. A sociedade familiarizou-se com jargões da pesquisa, como as etapas do desenvolvimento de novas drogas. Fala-se hoje de forma natural sobre estudos in vitro, em ambiente laboratorial, que produzem hipóteses, mas ainda estão longe da prática. Comenta-se corriqueiramente sobre os ensaios clínicos que buscam dados de segurança e eficácia de drogas. O conhecimento foi sendo construído com o rigor do método e das boas práticas em pesquisa. Como se diz lá em Minas Gerais, minha terra natal, se atalho fosse bom, não existiria o caminho. Na ciência não pulamos etapas e não temos atalhos, mesmo que o caminho seja longo. A ciência comprovou a eficácia das máscaras e o efeito positivo do distanciamento social para a redução da pressão no sistema de saúde. Avanços nos testes diagnósticos e estudos epidemiológicos permitem o mapeamento mais preciso da expansão da doença. Novos medicamentos estão sendo testados e a tão necessária vacina está a caminho. Nesse período, a ciência brasileira mostrou o seu enorme potencial e sua prontidão. Por décadas vivemos o debate de financiamento em pesquisa, que é escasso e intermitente. A comunidade científica pôs-se à frente desses desafios. Isso foi possível pela excelência dos cientistas brasileiros, que investiram na causa do conhecimento e na formação de brilhantes jovens pesquisadores. Há também que reconhecer a importância dos órgãos reguladores, que foram céleres e sensatos em suas decisões. Mas, principalmente, reconhecer a força da colaboração. Hoje, projetos colaborativos se sobrepõem às iniciativas isoladas. A parceria entre grupos, instituições acadêmicas e privadas trouxe oportunidades e soluções até então raras. Essa rede permitiu colaborações entre instituições que, embora possam parecer concorrentes, têm a preocupação genuína do melhor cuidado ao paciente. Juntas, indústria e academia desenvolveram novos equipamentos, métodos diagnósticos e tratamentos. Avanços importantes foram protagonizados pela ciência brasileira e reconhecidos internacionalmente. Como cientista brasileiro, destaco importantes contribuições da nossa comunidade. É consenso que a saída da pandemia está no desenvolvimento da vacina. Se hoje discutimos a possibilidade de produção de imunizantes no Brasil, é, em parte, pela excelência de recursos humanos existentes no Instituto Butantan e na Fiocruz. Se faltava a infraestrutura e obras para tornar viável a produção local, a iniciativa privada entendeu a necessidade e entrou no projeto. Ao final, teremos o legado de novas plantas para aumentar nossa produção de biofármacos e vacinas. Tivemos também um destaque relevante com publicação no New England Journal of Medicine, a mais conceituada revista médica do mundo, de pesquisa conduzida pela Coalizão Covid-19 Brasil, grupo colaborativo liderado por seis hospitais e duas redes de pesquisa, que contou com a participação de 55 hospitais pelo Brasil. Um trabalho 100% nacional, desenhado, financiado e produzido pela ciência brasileira e por uma indústria farmacêutica também nacional. Para os que insistiram no atalho, os resultados foram nefastos, pois viram seus trabalhos sofrerem revogações das publicações e sua reputação sendo contestada pela comunidade científica. Sem o suporte da melhor evidência, anteciparam-se com práticas não comprovadamente eficazes, pondo em risco a segurança e a qualidade da assistência ao paciente. Em todo o mundo, e principalmente no Brasil, a ciência tem respondido à altura da gravidade do momento, oferecendo à sociedade o conhecimento mais avançado, seguro e eticamente disponível.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/08/2020 às 03h00

Este momento é uma oportunidade para refletirmos sobre o papel da ciência no enfrentamento e na gestão da pandemia de covid-19. São desafios que mobilizam cientistas globalmente. Fomos gerando conhecimento sobre o novo coronavírus em paralelo ao espalhamento da doença. Como diz o ditado, “assobiando e chupando cana”. Foi no curso da pandemia que deciframos o genoma do vírus e desenvolvemos testes diagnósticos. Fomos aprendendo a tratar a doença e percebemos como ela é heterogênea, com sintomas variados. A escassez de conhecimento disparou esforços da comunidade científica, mundo afora, pela busca de evidências que possam ajudar nas tomadas de decisão sobre a pandemia. Na busca de soluções, pesquisadores organizaram-se em grupos colaborativos, instituições colocaram-se lado a lado e órgãos regulatórios prepararam-se para responder com celeridade à demanda por novos estudos. No Brasil, os comitês de ética em pesquisa dos grandes centros e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) passaram a responder, em questão de dias, a pedidos que antes levavam meses. Recursos até então escassos começaram a aparecer por meio de doações e parcerias, incluindo da iniciativa privada, que se colocou ao lado da academia com financiamentos expressivos. A sociedade familiarizou-se com jargões da pesquisa, como as etapas do desenvolvimento de novas drogas. Fala-se hoje de forma natural sobre estudos in vitro, em ambiente laboratorial, que produzem hipóteses, mas ainda estão longe da prática. Comenta-se corriqueiramente sobre os ensaios clínicos que buscam dados de segurança e eficácia de drogas. O conhecimento foi sendo construído com o rigor do método e das boas práticas em pesquisa. Como se diz lá em Minas Gerais, minha terra natal, se atalho fosse bom, não existiria o caminho. Na ciência não pulamos etapas e não temos atalhos, mesmo que o caminho seja longo. A ciência comprovou a eficácia das máscaras e o efeito positivo do distanciamento social para a redução da pressão no sistema de saúde. Avanços nos testes diagnósticos e estudos epidemiológicos permitem o mapeamento mais preciso da expansão da doença. Novos medicamentos estão sendo testados e a tão necessária vacina está a caminho. Nesse período, a ciência brasileira mostrou o seu enorme potencial e sua prontidão. Por décadas vivemos o debate de financiamento em pesquisa, que é escasso e intermitente. A comunidade científica pôs-se à frente desses desafios. Isso foi possível pela excelência dos cientistas brasileiros, que investiram na causa do conhecimento e na formação de brilhantes jovens pesquisadores. Há também que reconhecer a importância dos órgãos reguladores, que foram céleres e sensatos em suas decisões. Mas, principalmente, reconhecer a força da colaboração. Hoje, projetos colaborativos se sobrepõem às iniciativas isoladas. A parceria entre grupos, instituições acadêmicas e privadas trouxe oportunidades e soluções até então raras. Essa rede permitiu colaborações entre instituições que, embora possam parecer concorrentes, têm a preocupação genuína do melhor cuidado ao paciente. Juntas, indústria e academia desenvolveram novos equipamentos, métodos diagnósticos e tratamentos. Avanços importantes foram protagonizados pela ciência brasileira e reconhecidos internacionalmente. Como cientista brasileiro, destaco importantes contribuições da nossa comunidade. É consenso que a saída da pandemia está no desenvolvimento da vacina. Se hoje discutimos a possibilidade de produção de imunizantes no Brasil, é, em parte, pela excelência de recursos humanos existentes no Instituto Butantan e na Fiocruz. Se faltava a infraestrutura e obras para tornar viável a produção local, a iniciativa privada entendeu a necessidade e entrou no projeto. Ao final, teremos o legado de novas plantas para aumentar nossa produção de biofármacos e vacinas. Tivemos também um destaque relevante com publicação no New England Journal of Medicine, a mais conceituada revista médica do mundo, de pesquisa conduzida pela Coalizão Covid-19 Brasil, grupo colaborativo liderado por seis hospitais e duas redes de pesquisa, que contou com a participação de 55 hospitais pelo Brasil. Um trabalho 100% nacional, desenhado, financiado e produzido pela ciência brasileira e por uma indústria farmacêutica também nacional. Para os que insistiram no atalho, os resultados foram nefastos, pois viram seus trabalhos sofrerem revogações das publicações e sua reputação sendo contestada pela comunidade científica. Sem o suporte da melhor evidência, anteciparam-se com práticas não comprovadamente eficazes, pondo em risco a segurança e a qualidade da assistência ao paciente. Em todo o mundo, e principalmente no Brasil, a ciência tem respondido à altura da gravidade do momento, oferecendo à sociedade o conhecimento mais avançado, seguro e eticamente disponível.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 11/08/2020 às 03h00

Na ciência não há atalhos ❖ Luiz Fernando Lima Reis Este momento é uma oportunidade para refletirmos sobre o papel da ciência no enfrentamento e na gestão da pandemia de covid-19. São desafios que mobilizam cientistas globalmente. Fomos gerando conhecimento sobre o novo coronavírus em paralelo ao espalhamento da doença. Como diz o ditado, “assobiando e chupando cana”. Foi no curso da pandemia que deciframos o genoma do vírus e desenvolvemos testes diagnósticos. Fomos aprendendo a tratar a doença e percebemos como ela é heterogênea, com sintomas variados. A escassez de conhecimento disparou esforços da comunidade científica, mundo afora, pela busca de evidências que possam ajudar nas tomadas de decisão sobre a pandemia. Na busca de soluções, pesquisadores organizaram-se em grupos colaborativos, instituições colocaram-se lado a lado e órgãos regulatórios prepararam-se para responder com celeridade à demanda por novos estudos. No Brasil, os comitês de ética em pesquisa dos grandes centros e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) passaram a responder, em questão de dias, a pedidos que antes levavam meses. Recursos até então escassos começaram a aparecer por meio de doações e parcerias, incluindo da iniciativa privada, que se colocou ao lado da academia com financiamentos expressivos. A sociedade familiarizou-se com jargões da pesquisa, como as etapas do desenvolvimento de novas drogas. Fala-se hoje de forma natural sobre estudos in vitro, em ambiente laboratorial, que produzem hipóteses, mas ainda estão longe da prática. Comenta-se corriqueiramente sobre os ensaios clínicos que buscam dados de segurança e eficácia de drogas. O conhecimento foi sendo construído com o rigor do método e das boas práticas em pesquisa. Como se diz lá em Minas Gerais, minha terra natal, se atalho fosse bom, não existiria o caminho. Na ciência não pulamos etapas e não temos atalhos, mesmo que o caminho seja longo. A ciência comprovou a eficácia das máscaras e o efeito positivo do distanciamento social para a redução da pressão no sistema de saúde. Avanços nos testes diagnósticos e estudos epidemiológicos permitem o mapeamento mais preciso da expansão da doença. Novos medicamentos estão sendo testados e a tão necessária vacina está a caminho. Nesse período, a ciência brasileira mostrou o seu enorme potencial e sua prontidão. Por décadas vivemos o debate de financiamento em pesquisa, que é escasso e intermitente. A comunidade científica pôs-se à frente desses dessa- Ela vem oferecendo o conhecimento mais avançado, seguro e eticamente disponível fios. Isso foi possível pela excelência dos cientistas brasileiros, que investiram na causa do conhecimento e na formação de brilhantes jovens pesquisadores. Há também que reconhecer a importância dos órgãos reguladores, que foram céleres e sensatos em suas decisões. Mas, principalmente, reconhecer a força da colaboração. Hoje, projetos colaborativos se sobrepõem às iniciativas isoladas. A parceria entre grupos, instituições acadêmicas e privadas trouxe oportunidades e soluções até então raras. Essa rede permitiu colaborações entre instituições que, embora possam parecer concorrentes, têm a preocupação genuína do melhor cuidado ao paciente. Juntas, indústria e academia desenvolveram novos equipamentos, métodos diagnósticos e tratamentos. Avanços importantes foram protagonizados pela ciência brasileira e reconhecidos internacionalmente. Como cientista brasileiro, destaco importantes contribuições da nossa comunidade. É consenso que a saída da pandemia está no desenvolvimento da vacina. Se hoje discutimos a possibilidade de produção de imunizantes no Brasil, é, em parte, pela excelência de recursos humanos existentes no Instituto Butantan e na Fiocruz. Se faltava a infraestrutura e obras para tornar viável a produção local, a iniciativa privada entendeu a necessidade e entrou no projeto. Ao final, teremos o legado de novas plantas para aumentar nossa produção de biofármacos e vacinas. Tivemos também um destaque relevante com publicação no New England Journal of Medicine, a mais conceituada revista médica do mundo, de pesquisa conduzida pela Coalizão Covid-19 Brasil, grupo colaborativo liderado por seis hospitais e duas redes de pesquisa, que contou com a participação de 55 hospitais pelo Brasil. Um trabalho 100% nacional, desenhado, financiado e produzido pela ciência brasileira e por uma indústria farmacêutica também nacional. Para os que insistiram no atalho, os resultados foram nefastos, pois viram seus trabalhos sofrerem revogações das publicações e sua reputação sendo contestada pela comunidade científica. Sem o suporte da melhor evidência, anteciparam-se com práticas não comprovadamente eficazes, pondo em risco a segurança e a qualidade da assistência ao paciente. Em todo o mundo, e principalmente no Brasil, a ciência tem respondido à altura da gravidade do momento, oferecendo à sociedade o conhecimento mais avançado, seguro e eticamente disponível.