Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 11/05/2021 às 11h21

Especialistas ouvidas pelo G1 afirmam que grávidas que receberam a primeira dose da vacina de Oxford/AstraZeneca precisam ter acompanhamento médico para eventos adversos e devem receber a segunda dose da vacina – porque o risco oferecido pela Covid-19 é bem maior do que eventuais efeitos da vacina. Na segunda-feira (10), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a suspensão da aplicação da vacina em gestantes. A agência não relatou nenhum evento adverso ocorrido em grávidas no Brasil após a vacinação. O Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre a recomendação (veja detalhes mais abaixo nesta reportagem). "Quem tomou a primeira dose deve tomar a segunda. Mas o médico que acompanha a gestante deve monitorar caso surjam alguns eventos adversos", afirma a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo ( Ufes). "Quem tomou a primeira dose deve tomar a segunda. Mas o médico que acompanha a gestante deve monitorar caso surjam alguns eventos adversos", afirma a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo ( Ufes). A professora de imunologia Letícia Sarturi, do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Paulista (Unip), em São Paulo, explica que a chance de ocorrer um evento adverso relacionado à vacina após a segunda dose é menor – mas há ressalvas. Se a vacina tiver gerado efeitos adversos na circulação sanguínea – como, por exemplo, trombose –, é necessário reavaliar. Isso porque a gravidez, sozinha, já aumenta o risco de aparecimento de coágulos e a ocorrência de trombose. Esse risco aumenta à medida que a gestação avança – por causa do aumento no tamanho do útero, que acaba atrapalhando a circulação. "Com a segunda dose, a chance de ocorrer um evento adverso é menor, porque ela já tomou uma dose e não houve nenhum evento adverso – mas é claro que, com o avanço da gestação, pode se ter, sim, maior risco circulatório. Se o caso foi de uma trombose, a gente tem que reavaliar, sim. Tem que aguardar a investigação para ver qual vai ser a recomendação", afirma Sarturi. "Com a segunda dose, a chance de ocorrer um evento adverso é menor, porque ela já tomou uma dose e não houve nenhum evento adverso – mas é claro que, com o avanço da gestação, pode se ter, sim, maior risco circulatório. Se o caso foi de uma trombose, a gente tem que reavaliar, sim. Tem que aguardar a investigação para ver qual vai ser a recomendação", afirma Sarturi. A infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o tempo até o aparecimento de eventos adversos relacionados à vacina varia de acordo com o evento. "Depende da reação. Os eventos trombóticos, que são as reações adversas graves, que são muito raros, podem acontecer até 3 semana depois da tomada da vacina. E tem os efeitos colaterais que são dor no braço, dor no corpo, de cabeça, que aí pode ser nos 5 primeiros dias", diz. Dal Ben reforça que o risco associado à Covid-19 na gestação ainda é "muito maior" do que um potencial risco relacionado à vacina. Risco de desenvolver coágulo raro é de 8 a 10 vezes maior depois da Covid do que depois de vacina, dizem cientistas de Oxford Risco de desenvolver coágulo raro é de 8 a 10 vezes maior depois da Covid do que depois de vacina, dizem cientistas de Oxford Já Sarturi reforça que, se houver relação de caso de trombose na gestação com a vacina, é necessário aguardar recomendações dos órgãos de saúde. "Por enquanto, não sabemos ao certo. Reações adversas costumam aparecer na primeira dose, mas no caso de eventos trombóticos a gente tem que avaliar o risco quando a gestante for tomar a segunda dose. Se o médico ou os órgãos de saúde recomendar que não se tome, deve ser seguido", diz. O que diz a AstraZeneca? Em nota, a AstraZeneca afirmou que "mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos" da vacina. Veja íntegra: "Referente a suspensão do uso da vacina AstraZeneca/Fiocruz por parte da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a AstraZeneca esclarece que as mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos. Esta é uma precaução usual em ensaios clínicos. Os estudos em animais não indicam efeitos prejudiciais diretos ou indiretos no que diz respeito à gravidez ou ao desenvolvimento fetal." O que dizem as bulas das vacinas aplicadas no Brasil? Até agora, o Brasil usa, para imunizar a população, três vacinas contra a Covid-19: a CoronaVac, a vacina de Oxford/AstraZeneca e, em menor escala, a da Pfizer. As bulas das três vacinas alertam para a falta de estudos para a vacinação em grávidas. Nos ensaios de fase 3, nenhum imunizante foi testado nesse grupo. No entanto, pesquisas preliminares mostraram que a vacina da Pfizer não apresentou riscos a mulheres grávidas. As bulas das três vacinas alertam para a falta de estudos para a vacinação em grávidas. Nos ensaios de fase 3, nenhum imunizante foi testado nesse grupo. No entanto, pesquisas preliminares mostraram que a vacina da Pfizer não apresentou riscos a mulheres grávidas. Veja o que dizem as bulas das três vacinas: AstraZeneca AstraZeneca Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe o seu profissional de saúde se você estiver grávida, amamentando, pensando engravidar ou planejando ter um bebê. Há dados limitados sobre o uso da vacina Covid-19 (recombinante) em mulheres grávidas ou que estejam amamentando. Seu profissional de saúde discutirá com você se você pode receber a vacina. CoronaVac CoronaVac Estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas ou lactantes. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. Pfizer Pfizer Se você está grávida ou amamentando, acredita que pode estar grávida ou está planejando ter um bebê, consulte o seu médico ou farmacêutico antes de receber esta vacina. Esta vacina não deve ser usada por mulheres grávidas, ou que estejam amamentando, sem orientação médica. A orientação médica também é recomendada pela Anvisa. "O uso off label de vacinas, ou seja, em situações não previstas na bula, só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios da vacina para a paciente. A bula atual da vacina contra Covid19 da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina por gestantes sem orientação médica", disse a agência, em nota. O que diz o Ministério da Saúde? Procurado pelo G1, e, às 9h03 (horário de Brasília), afirmou que responderia "em breve" às seguintes perguntas: O Ministério da Saúde vai se posicionar? Qual a recomendação do ministério? Os estados devem parar a vacinação de grávidas com a AstraZeneca? O Ministério da Saúde está monitorando os efeitos adversos em grávidas? Quantos casos estão sendo monitorados? Estados devem continuar a vacinação com CoronaVac e Pfizer? O Ministério da Saúde vai se posicionar? Qual a recomendação do ministério? Os estados devem parar a vacinação de grávidas com a AstraZeneca? O Ministério da Saúde está monitorando os efeitos adversos em grávidas? Quantos casos estão sendo monitorados? Estados devem continuar a vacinação com CoronaVac e Pfizer? Até as 11h12 (horário de Brasília), a pasta ainda não havia enviado resposta. Este texto será atualizado em caso de retorno. O que diz a OMS? Em documento atualizado no mês de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que ainda não existem informações suficientes para uma decisão final sobre o uso das vacinas em grávidas. "Conforme os dados se tornarem disponíveis, as recomendações sobre vacinação serão atualizadas." A entidade recomendou que mulheres grávidas possam receber a vacina se os “benefícios da vacinação superarem os riscos potenciais, como atividades ocupacionais com alto risco inevitável de exposição, e mulheres grávidas com comorbidades.” A organização alerta que a vacinação para mulheres grávidas deve ser considerada individualmente após consulta com o médico.

AE BROADCAST/SÃO PAULO
Data Veiculação: 11/05/2021 às 11h07

São Paulo, SP--( DINO - 11 mai, 2021) - Um estudo publicado no European Hearth Journal mostrou que metade dos 148 pacientes com estado grave de Covid-19 tratados em seis hospitais do NHS (sigla em inglês para Sistema Nacional de Saúde) em Londres tiveram sequelas no coração. Segundo o estudo, doenças como miocardite (inflamação do músculo cardíaco), infarto, isquemia ou uma combinação das três foram detectadas por ressonância magnética feita ao menos um mês após os pacientes terem recebido alta. As pessoas avaliadas no estudo mostravam níveis elevados de troponina – proteína liberada no sangue quando existe lesão no músculo cardíaco (quanto maior a lesão, maior a quantidade presente no sangue). A ressonância magnética pode identificar diferentes padrões de lesão, o que permite fazer diagnósticos mais precisos e adotar tratamentos mais eficazes. A função global do ventrículo esquerdo do coração (responsável por bombear sangue oxigenado) era normal em 89% dos 148 pacientes que participaram do estudo, mas cicatrizes ou lesões localizadas do músculo cardíaco estavam presentes em 80 pacientes (54%). O padrão de cicatrização ou lesão tecidual originou-se de inflamação em 39 pacientes (26%), cardiopatia isquêmica, que inclui infarto ou isquemia, em 32 pacientes (22%) ou ambos em nove pacientes (6%). No Brasil, um estudo publicado em outubro de 2020 mostrou que a ocorrência de injúria miocárdica (IM/lesão) não é incomum em pacientes com Covid-19, e que a elevação de troponina cardíaca (cTn) I comporta-se como preditor de mortalidade dentro de hospitais. “Para os pacientes cardiopatas, esse achado pode ser extremamente relevante para explicar o aumento da mortalidade por Covid-19, uma vez que pequenas lesões adicionais podem ser relevantes quando somadas à disfunção do músculo cardíaco pré-existente”, afirma o cardiologista intervencionista dos hospitais Sírio-Libanês e InCor (Instituto do Coração), Fabio Brito Jr. O estudo britânico, por sua vez, mostra que foram encontradas evidências de altas taxas de lesão do músculo cardíaco passados um ou dois meses da alta dos pacientes que participaram do trabalho, explicou a professora de cardiologia da University College London e líder da pesquisa, Marianna Fontana. Ela explicou ainda que “embora parte do achado possa ter sido pré-existente, a varredura de ressonância magnética mostra que algumas eram novas e provavelmente causadas por Covid-19”. O Dr. Fabio Brito Jr. destaca que pacientes com doenças cardíacas não devem interromper tratamentos prévios, já que, pelo o medo de contrair Covid-19, muitas vezes deixem de ir a consultas com o cardiologista. “É fundamental manter e aprimorar os cuidados clínicos e cardiológicos durante a pandemia, para que outras doenças não atuem como complicadores da infecção por Covid-19”, ressalta. Website: http://www.pcicardio.com.br