Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

ANAHP
Data Veiculação: 10/09/2020 às 00h00

Coalizão Covid-19 Brasil apresenta resultado de estudo com dexametasona contra o novo coronavírus 10 de setembro, 2020 Pesquisa verificou que o uso do anti-inflamatório corticoide dexametasona aumenta o número de dias sem respiração artificial em pacientes adultos hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave causada por Covid-19 Uma aliança para condução de pesquisas, formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias para pacientes com Covid-19. Denominada Coalizão Covid-19 Brasil, a iniciativa conduz nove estudos voltados a diferentes populações de pacientes infectados pelo novo coronavírus. O terceiro estudo, nomeado Coalizão III, avaliou se o anti-inflamatório dexametasona poderia trazer benefícios a pacientes adultos hospitalizados com formas graves de Covid-19. Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of the American Medical Association (JAMA) nesta quarta-feira (02/09). O estudo contou com apoio da farmacêutica Aché, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No mesmo momento da divulgação do estudo Coalizão III, foi divulgada também uma revisão de estudos, em formato de meta-análise, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que compilou os resultados do Coalizão III e das demais pesquisas que utilizaram corticoides em Covid-19. Os resultados dessa meta-análise demonstraram que a administração de corticoides reduz a mortalidade em pacientes graves com COVID-19 e serviram de base para atualização das diretrizes da OMS sobre o tratamento de Covid-19 com corticoides, também divulgada nessa data. O Coalizão III teve início no dia 17 de abril, com inclusão do último paciente em 23 de junho, e seguimento clínico finalizado em 21 de julho. Foram incluídos 299 pacientes com síndrome respiratória aguda grave submetidos a ventilação mecânica (respiração artificial) em 41 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras. Por meio de randomização (sorteio), os pacientes receberam dexametasona mais suporte clínico padrão (151 pacientes) ou apenas suporte clínico padrão (grupo controle, 148 pacientes). A dexametasona foi usada por via endovenosa na dose de 20 mg durante 5 dias e 10 mg durante 5 dias. O suporte clínico padrão foi de acordo com a equipe médica que assistia os pacientes. A avaliação do efeito do tratamento com dexametasona considerou como resultado principal o número de dias que o paciente permaneceu fora do respirador artificial em até 28 dias. O QUE ACONTECEU COM OS PACIENTES INCLUÍDOS NO ESTUDO? O número de dias fora do respirador artificial foi maior nos pacientes tratados com dexametasona (média de 6,6 dias) do que no grupo controle (média de 4 dias). Interpretação: A utilização de dexametasona aumentou o número de dias em que pacientes graves com Covid-19 permaneceram fora do respirador artificial. A retirada mais precoce do respirador artificial pode se associar ao menor risco de complicações decorrentes da permanência na UTI, alta mais precoce da terapia intensiva com liberação de leitos e economia de recursos humanos e financeiros, mormente num cenário de escassez como o da atual pandemia. EFEITOS ADVERSOS No que diz respeito aos efeitos adversos, a pesquisa não evidenciou um risco maior do tratamento com dexametasona em relação a novas infecções, alterações da glicose e outros eventos adversos sérios. ÓBITOS O estudo não foi idealizado para avaliar diferenças de mortalidade entre os grupos. A mortalidade em 28 dias foi de 58% quando considerado o total de pacientes incluídos. OBSERVAÇÕES • Os pacientes incluídos no estudo tinham idade em torno de 61 anos. • Cerca de 60% dos pacientes era do sexo masculino. • Foram incluídos apenas pacientes com as formas mais graves de insuficiência respiratória aguda causada por Covid-19, todos entubados em respiração artificial e com reduções importantes da oxigenação do sangue. • Vale destacar que estes resultados não são aplicáveis a outras populações, a exemplo de pacientes ambulatoriais com formas mais leves e iniciais de Covid-19, ou mesmo pacientes hospitalizados com Covid-19 que não estejam em respiração artificial. Os outros estudos da Coalizão Covid-19 Brasil em andamento • Coalizão II – Avaliou a eficácia e a segurança da azitromicina quando comparada ao tratamento padrão (que incluia hidroxicloroquina) em casos de Covid-19 mais graves que necessitaram de maior suporte respiratório. Em breve os resultados serão divulgados. • Coalizão IV – Está avaliando se a anticoagulação plena com rivaroxabana traz benefícios para pacientes com COVID-19 com risco aumentado para eventos tromboembólicos. Foram incluídos 110 de um total previsto de 600 pacientes em 40 centros. • Coalizão V – Está avaliando se a hidroxicloroquina previne o agravamento da Covid-19 em pacientes que não precisam de internação hospitalar. Foram incluídos 727 de um total previsto de 1300 pacientes em 68 centros. • Coalizão VI – Avaliou se o tocilizumab, um inibidor da interleucina 6, é capaz de melhorar a evolução clínica de pacientes hospitalizados com COVID-19 e fatores de risco para formas graves inflamatórias da doença. Inclusão de pacientes encerrada com 129 casos em 12 centros. Os resultados deverão ser publicados em breve. • Coalizão VII – Está avaliando o impacto a longo prazo, após alta hospitalar, incluindo qualidade de vida, de pacientes que tiveram Covid-19 e foram participantes dos demais estudos da Coalizão. Até o momento, foram incluídos 980 pacientes. • Coalizão VIII – Avaliará se anticoagulação com rivaroxabana previne agravamento da doença com necessidade de hospitalização em pacientes não-hospitalizados com formas leves da COVID-19. Previsão de início de inclusão em setembro de 2020 (1.000 pacientes). • Coalizão IX – Avaliará se drogas antivirais isoladas e/ou em combinação são efetivas para tratar casos de COVID-19 hospitalizados com doença moderada. Os antivirais a serem testados são atazanavir, daclatasvir e daclatasvir associado a sofosbuvir. Previsão de início em setembro de 2020. Ver o mês atual Setembro COVID-19: COMO A PANDEMIA TEM TRANSFORMADO AS RELAÇÕES ENTRE PRESTADORES E OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE

TERRA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/09/2020 às 19h02

Grandes escolas particulares da cidade de São Paulo pretendem voltar às aulas com todos os seus alunos em vez de escolher séries para serem priorizadas. Esses colégios vão usar o que ficou conhecido como esquema de "bolhas" ou "clusters" em outros países, em que as turmas são divididas em pequenos grupos e fazem rodízio dos dias em que estarão presencialmente. Dessa forma, em geral, os alunos acabarão indo apenas uma ou duas vezes por semana à escola e farão o restante do ensino remotamente em casa. A Prefeitura ainda não liberou a volta às aulas na capital e a decisão do prefeito Bruno Covas (PSDB) é esperada para a semana que vem. Profissionais das escolas passaram os últimos meses debruçados em logísticas - com altos gastos - para viabilizar a abertura e agora dizem temer que a cidade não autorize a volta. O Estadão analisou 14 protocolos de escolas particulares já prontos ou conversou com os responsáveis que finalizam os documentos para enviar aos pais de alunos. Todas elas se dizem prontas para abrir assim que for autorizado. A regra do governo do Estado é a de que, na primeira etapa, devem voltar apenas 35% dos estudantes sem especificar como essa conta deve ser feita. A gestão João Doria (PSDB) prevê a retomada em 7 de outubro, mas prefeitos precisam autorizá-la. Desde essa terça-feira, 8, o governo paulista liberou a reabertura de escolas para a oferta de atividades extracurriculares, como aulas de reforço e, segundo o Estado, 128 cidades deram aval para iniciar a retomada de atividades presenciais. A ideia das bolhas é a de que os alunos tenham contato com um grupo menor de colegas, o que diminui as chances de transmissão da covid-19 e controla melhor se ela eventualmente acontecer. Países como Alemanha e Inglaterra usaram o modelo. Muitas das escolas tomaram essa decisão com base em orientação dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, que cobram até R$ 250 mil para assessorar instituições neste momento de pandemia. A recomendação é que esses pequenos grupos façam tudo junto e separados dos outros, como recreio, alimentação e aulas. Em muitas escolas, as carteiras até serão identificadas com os nomes dos estudantes. Alguns pais, principalmente os que discordam da volta este ano, acreditam que não vale a pena o filho retornar para ir poucas vezes na semana. "A gente precisa começar. Para chegar a um modelo completo, que todos desejamos, temos de passar por isso", diz a diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, Débora Vaz. "Faz parte do processo de aprendizagem, de como passar a viver juntos numa experiência segura. Nós - educadores, estudantes e família - estamos todos aprendendo", completa. Especialistas em educação e o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, têm defendido que mesmo apenas um dia presencialmente na escola faz diferença para o estudante, principalmente por causa do vínculo com o professor, essencial na aprendizagem. No Santa Cruz, o protocolo prevê que crianças da educação infantil (creche e pré-escola) até o 1º ano do fundamental irão duas vezes por semana; os de 2º ano em diante, apenas uma vez, nesta primeira etapa. Segundo o plano do governo do Estado, a quantidade de alunos nas escolas aumentará para 70% do total na segunda etapa. Ela ocorre quando 60% da população de São Paulo estiver em áreas que ficaram por 14 dias na fase verde (a segunda menos restritiva no plano estadual de flexibilização da quarentena, que tem cinco etapas). Neste momento, apenas duas regiões estão na fase laranja e o restante, na amarela (uma anterior à verde). Para uma mãe do Santa Cruz que pediu para não ter o nome divulgado, não "vale a pena colocar toda uma comunidade escolar em risco, professores, profissionais de limpeza, porteiros" para que a filha vá poucas vezes ao colégio até o fim do ano. Pesquisas de opinião indicam que cerca de 70% dos pais não querem a volta às aulas agora. Todas as escolas estão fazendo também sucessivas consultas próprias e elaborando seus planos de volta levando em conta a quantidade de alunos cujos pais autorizarão a ida ao colégio. Nos levantamentos internos, em geral, entre 30% e 50% das famílias têm respondido que mandariam os filhos. Há uma percepção entre os diretores de que esses números podem aumentar com a volta efetivamente autorizada pela Prefeitura. Divisão de turma na matemática feita pelo Colégio Oswald de Andrade, na zona oeste, as salas serão divididas em três turmas, por exemplo 1º ano C (grupo 1), 1º ano C (grupo 2) e 1º ano C (grupo 3). Em uma semana, o grupo 1 vai na segunda-feira à escola, o 2, na terça, e assim sucessivamente, começando novamente a sequência na quinta-feira e seguindo na próxima semana. O mesmo vai ser feito em todas as séries, considerando o número de alunos cujos pais permitiram a volta. "A ideia é ser democrático e trazer todo mundo. Não há como justificar para o pai que um ano é mais importante que o outro", diz Claudio Giardino, diretor executivo do grupo OEP, que inclui os colégios Oswald, Elvira Brandão e Piaget. Na Escola Viva, na zona sul da capital, a decisão foi a mesma. "Até pensamos em priorizar o 3º do ensino médio, que não terá mais um ano, mas entendemos que voltar para a escola é um direito de todos, todo mundo que quiser vai poder voltar", diz a diretora Camilla Schiavo. Outras instituições ouvidas pelo Estadão com protocolos semelhantes são Colégio Dante Alighieri, Porto Seguro, Pentágono, Gracinha, Miguel de Cervantes, Escola da Vila e Projeto Vida. No Colégio Bandeirantes, todos os alunos voltarão na 1ª etapa, mas algumas séries irão numa semana durante quatro dias e depois ficarão a outra semana em casa, quando vão outras séries. A Escola Luminova foi a única das ouvidas que escolheu retomar na primeira etapa apenas com educação infantil, 1º e 2º anos "por serem séries de alfabetização e quem mais precisa desse tipo de atividade neste momento", diz o diretor acadêmico Luizinho Magalhães. O restante da escola permanecerá com ensino online. O coordenador do Pronto Atendimento Pediátrico e médico da saúde escolar do Sírio Libanês, Ricardo Luiz Affonso Fonseca, explica que o esquema de "clusters" ou "bolhas" encara o grupo como se fosse um indivíduo. "Um grupo de cinco crianças usa o parquinho e depois você higieniza o local para o próximo grupo de cinco crianças e depois para próximo. Não precisa higienizar para cada criança que usa", diz. Se houver contaminação de algum aluno do grupo, todos precisam fazer quarentena. Os professores, no entanto, principalmente da educação infantil e fundamental 1 (1º ao 5º ano), que são polivalentes, poderão ter contato com todos os pequenos grupos. "A professora é adulta, tem capacidade maior de controlar o distanciamento, foi treinada para os protocolos, então o risco é menor", explica a diretora de Desenvolvimento de Projetos e Consultoria do Hospital Albert Einstein, Anarita Buffe. Bibliotecas vão adotar quarentena de livros outras medidas que serão adotadas pelas escolas consultadas, algumas comuns a todas, outras não, incluem quarentena de livros e exigência de cinco máscaras para cada aluno. As bibliotecas, em geral, permanecerão abertas, mas não será mais possível andar pelos corredores das prateleiras, tocando os livros, para escolher o preferido. Eles terão de ser pedidos para uma funcionária ou online e, depois de devolvidos, terão de ficar dias parados antes de serem retirados novamente. Isso acontecerá no Pentágono e Oswald, por exemplo. No Dante e no Santa Cruz, as crianças deverão levar cinco máscaras cada para fazer três trocas durante o dia. "Uma quando chega, uma no lanche, uma na saída", informa o protocolo do Dante. Outras escolas pedem uma quantidade menor, mas há a divergência sobre a idade em que as máscaras serão exigidas. A Sociedade Brasileira de Pediatria pede que o uso seja feito a partir de 2 anos, mas há colégios que só vão recomendar máscaras para crianças acima de 5 anos. A refeição na escola também vai ser diferente em cada uma delas. Em algumas, as cantinas estarão fechadas, em outras, vão funcionar em esquema de delivery, como na Luminova. Outras permitem alimentação só na sala de aula. No Bandeirantes, o tempo no colégio foi reduzido e os alunos não poderão comer na escola. "Esse momento da alimentação é muito crítico, todo mundo tirar a máscara, fica mais exposto", explica a diretora pedagógica do Band, Mayra Lora. Há ainda recomendação para as crianças pequenas e professoras tirarem os sapatos assim que entrarem na sala de aula, como na Projeto Vida, na zona norte. Alunos maiores terão que levar poucos materiais na mochila e não compartilhar nada com colegas. Em comum, as 14 escolas consultadas vão medir temperatura de todos ao entrar, exigir distanciamento de 1,5 metro, sinalizar os caminhos para os alunos caminharem dentro do colégio e fazer rígida higienização do espaço e das mãos de todos.

#AGITOSP/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/09/2020 às 13h32

COVID-19 pode afetar a coluna e movimentos do corpo Estudo revela que sequelas da doença persistem por mais de três meses O ano de 2020 caminha para o seu nono mês de pandemia pela COVID-19 e as descobertas científicas sobre a doença não param de surpreender. Por todo o mundo, milhares de pesquisas avançam e jogam luz sobre impactos e sequelas do novo vírus. Na Inglaterra, estudos da Universidade de Liverpool, publicados recentemente no periódico The Lancet Neurology, reuniram informações dos países onde ocorreram grandes surtos da doença, como China, Itália e Estados Unidos, e que tiveram relatos de complicações neurológicas decorrentes da COVID-19. Entre elas, inflamação no cérebro, nos nervos e na medula espinhal. “O sistema nervoso central tem uma camada de proteção, conhecida como barreira hematoencefálica, que tem o papel de bloquear a passagem de vírus e bactérias nocivas. Uma vez que essa barreira é rompida, há a necessidade de atenção e aprofundamento de estudos, para mapear as consequências a curto, médio e longo prazo”, alerta Dr. Cezar de Oliveira, neurocirurgião, especialista em coluna, que atua como chefe de equipes de neurocirurgia no Hospital Sírio-Libanês. Os impactos neurológicos podem resultar em prejuízo à memória, tremores, espasmos musculares, formigamento nos membros superiores e inferiores, como braços e pernas, além de prejuízo aos movimentos e evolução de doenças do sistema nervoso, como síndrome de Guillain-Barré. Sintomas com duração superior a três meses outra pesquisa, conduzida por cientistas chineses do Hospital Huashan, investigou a evolução da saúde de 60 pacientes que se recuperaram do contágio do novo coronavírus. Nela, constataram que dois terços apresentaram sintomas neurológicos, sendo que em 55% dos casos a persistência durou por três meses. No entanto, quando se tratou de dificuldade de locomoção, dores musculares, tremores, formigamento e cefaleia, os sintomas ainda estavam presentes por mais de três meses. “Uma vez no sistema nervoso, alguns vírus podem ficar inativos por um longo período e serem reativados mais tarde, como acontece com o Varicella Zoster, causadora de herpes e catapora. Por isso, um acompanhamento dos grupos que tiveram contato com a COVID-19, para análise da sua condição de saúde e de possíveis complicações relacionadas à patologia, pode ser importante”, reflete o neurocirurgião. Relacionado

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/09/2020 às 11h00

Grandes escolas particulares da cidade de São Paulo pretendem voltar às aulas com todos os seus alunos em vez de escolher séries para serem priorizadas. Esses colégios vão usar o que ficou conhecido como esquema de “bolhas” ou “clusters” em outros países, em que as turmas são divididas em pequenos grupos e fazem rodízio dos dias em que estarão presencialmente. Dessa forma, em geral, os alunos acabarão indo apenas uma ou duas vezes por semana à escola e farão o restante do ensino remotamente em casa. A Prefeitura ainda não liberou a volta às aulas na capital e a decisão do prefeito Bruno Covas (PSDB) é esperada para a semana que vem. Profissionais das escolas passaram os últimos meses debruçados em logísticas - com altos gastos - para viabilizar a abertura e agora dizem temer que a cidade não autorize a volta. O Estadão analisou 14 protocolos de escolas particulares já prontos ou conversou com os responsáveis que finalizam os documentos para enviar aos pais de alunos. Todas elas se dizem prontas para abrir assim que for autorizado. A regra do governo do Estado é a de que, na primeira etapa, devem voltar apenas 35% dos estudantes sem especificar como essa conta deve ser feita. A gestão João Doria (PSDB) prevê a retomada em 7 de outubro, mas prefeitos precisam autorizá-la. Desde essa terça-feira, 8, o governo paulista liberou a reabertura de escolas para a oferta de atividades extracurriculares, como aulas de reforço e, segundo o Estado, 128 cidades deram aval para iniciar a retomada de atividades presenciais. A ideia das bolhas é a de que os alunos tenham contato com um grupo menor de colegas, o que diminui as chances de transmissão da covid-19 e controla melhor se ela eventualmente acontecer. Países como Alemanha e Inglaterra usaram o modelo. Muitas das escolas tomaram essa decisão com base em orientação dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, que cobram até R$ 250 mil para assessorar instituições neste momento de pandemia. A recomendação é que esses pequenos grupos façam tudo junto e separados dos outros, como recreio, alimentação e aulas. Em muitas escolas, as carteiras até serão identificadas com os nomes dos estudantes. Alguns pais, principalmente os que discordam da volta este ano, acreditam que não vale a pena o filho retornar para ir poucas vezes na semana. “A gente precisa começar. Para chegar a um modelo completo, que todos desejamos, temos de passar por isso”, diz a diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, Débora Vaz. “Faz parte do processo de aprendizagem, de como passar a viver juntos numa experiência segura. Nós - educadores, estudantes e família - estamos todos aprendendo”, completa. Especialistas em educação e o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, têm defendido que mesmo apenas um dia presencialmente na escola faz diferença para o estudante, principalmente por causa do vínculo com o professor, essencial na aprendizagem. No Santa Cruz, o protocolo prevê que crianças da educação infantil (creche e pré-escola) até o 1º ano do fundamental irão duas vezes por semana; os de 2º ano em diante, apenas uma vez, nesta primeira etapa. Segundo o plano do governo do Estado, a quantidade de alunos nas escolas aumentará para 70% do total na segunda etapa. Ela ocorre quando 60% da população de São Paulo estiver em áreas que ficaram por 14 dias na fase verde (a segunda menos restritiva no plano estadual de flexibilização da quarentena, que tem cinco etapas). Neste momento, apenas duas regiões estão na fase laranja e o restante, na amarela (uma anterior à verde). Para uma mãe do Santa Cruz que pediu para não ter o nome divulgado, não “vale a pena colocar toda uma comunidade escolar em risco, professores, profissionais de limpeza, porteiros” para que a filha vá poucas vezes ao colégio até o fim do ano. Pesquisas de opinião indicam que cerca de 70% dos pais não querem a volta às aulas agora. Todas as escolas estão fazendo também sucessivas consultas próprias e elaborando seus planos de volta levando em conta a quantidade de alunos cujos pais autorizarão a ida ao colégio. Nos levantamentos internos, em geral, entre 30% e 50% das famílias têm respondido que mandariam os filhos. Há uma percepção entre os diretores de que esses números podem aumentar com a volta efetivamente autorizada pela Prefeitura. Divisão de turma.Na matemática feita pelo Colégio Oswald de Andrade, na zona oeste, as salas serão divididas em três turmas, por exemplo 1º ano C (grupo 1), 1º ano C (grupo 2) e 1º ano C (grupo 3). Em uma semana, o grupo 1 vai na segunda-feira à escola, o 2, na terça, e assim sucessivamente, começando novamente a sequência na quinta-feira e seguindo na próxima semana. O mesmo vai ser feito em todas as séries, considerando o número de alunos cujos pais permitiram a volta. “A ideia é ser democrático e trazer todo mundo. Não há como justificar para o pai que um ano é mais importante que o outro”, diz Claudio Giardino, diretor executivo do grupo OEP, que inclui os colégios Oswald, Elvira Brandão e Piaget. Na Escola Viva, na zona sul da capital, a decisão foi a mesma. “Até pensamos em priorizar o 3º do ensino médio, que não terá mais um ano, mas entendemos que voltar para a escola é um direito de todos, todo mundo que quiser vai poder voltar”, diz a diretora Camilla Schiavo. Outras instituições ouvidas pelo Estadão com protocolos semelhantes são Colégio Dante Alighieri, Porto Seguro, Pentágono, Gracinha, Miguel de Cervantes, Escola da Vila e Projeto Vida. No Colégio Bandeirantes, todos os alunos voltarão na 1ª etapa, mas algumas séries irão numa semana durante quatro dias e depois ficarão a outra semana em casa, quando vão outras séries. A Escola Luminova foi a única das ouvidas que escolheu retomar na primeira etapa apenas com educação infantil, 1º e 2º anos “por serem séries de alfabetização e quem mais precisa desse tipo de atividade neste momento”, diz o diretor acadêmico Luizinho Magalhães. O restante da escola permanecerá com ensino online. O coordenador do Pronto Atendimento Pediátrico e médico da saúde escolar do Sírio Libanês, Ricardo Luiz Affonso Fonseca, explica que o esquema de "clusters" ou "bolhas" encara o grupo como se fosse um indivíduo. “Um grupo de cinco crianças usa o parquinho e depois você higieniza o local para o próximo grupo de cinco crianças e depois para próximo. Não precisa higienizar para cada criança que usa”, diz. Se houver contaminação de algum aluno do grupo, todos precisam fazer quarentena. Os professores, no entanto, principalmente da educação infantil e fundamental 1 (1º ao 5º ano), que são polivalentes, poderão ter contato com todos os pequenos grupos. “A professora é adulta, tem capacidade maior de controlar o distanciamento, foi treinada para os protocolos, então o risco é menor”, explica a diretora de Desenvolvimento de Projetos e Consultoria do Hospital Albert Einstein, Anarita Buffe. Bibliotecas vão adotar quarentena de livros outras medidas que serão adotadas pelas escolas consultadas, algumas comuns a todas, outras não, incluem quarentena de livros e exigência de cinco máscaras para cada aluno. As bibliotecas, em geral, permanecerão abertas, mas não será mais possível andar pelos corredores das prateleiras, tocando os livros, para escolher o preferido. Eles terão de ser pedidos para uma funcionária ou online e, depois de devolvidos, terão de ficar dias parados antes de serem retirados novamente. Isso acontecerá no Pentágono e Oswald, por exemplo. No Dante e no Santa Cruz, as crianças deverão levar cinco máscaras cada para fazer três trocas durante o dia. “Uma quando chega, uma no lanche, uma na saída”, informa o protocolo do Dante. Outras escolas pedem uma quantidade menor, mas há a divergência sobre a idade em que as máscaras serão exigidas. A Sociedade Brasileira de Pediatria pede que o uso seja feito a partir de 2 anos, mas há colégios que só vão recomendar máscaras para crianças acima de 5 anos. A refeição na escola também vai ser diferente em cada uma delas. Em algumas, as cantinas estarão fechadas, em outras, vão funcionar em esquema de delivery, como na Luminova. Outras permitem alimentação só na sala de aula. No Bandeirantes, o tempo no colégio foi reduzido e os alunos não poderão comer na escola. “Esse momento da alimentação é muito crítico, todo mundo tira a máscara, fica mais exposto”, explica a diretora pedagógica do Band, Mayra Lora. Há ainda recomendação para as crianças pequenas e professoras tirarem os sapatos assim que entrarem na sala de aula, como na Projeto Vida, na zona norte. Alunos maiores terão que levar poucos materiais na mochila e não compartilhar nada com colegas. Em comum, as 14 escolas consultadas vão medir temperatura de todos ao entrar, exigir distanciamento de 1,5 metro, sinalizar os caminhos para os alunos caminharem dentro do colégio e fazer rígida higienização do espaço e das mãos de todos.