Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

GUIA GPHR.COM.BR/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 10/08/2020 às 00h00

Reabertura dos hotéis conta com respaldo da parceria inédita com o Sírio-Libanês; confira tudo o que muda para o hóspede nesse novo momento do turismo Serviço de manobrista, buffet completo no café da manhã e mimos no travesseiro no quarto são alguns itens frequentemente associados a hotéis e que, com a pandemia, precisaram ser retirados das práticas adotadas pelos estabelecimentos. Para saber como a rede GJP Hotels & Resorts resolveu essas questões e se adaptou à nova realidade hoteleira, mas sem deixar de encantar os hóspedes, confira abaixo o que os visitantes podem esperar em sua estadia, do check-in ao check-out: Chegada ao hotel Estacionamento: para cumprir as regras de distanciamento social e minimizar o contato entre hóspedes e funcionários, o serviço de manobrista está suspenso no momento. O visitante deve estacionar seu carro nas vagas são demarcadas, respeitando a sinalização de distanciamento. O estacionamento dos hotéis agora tem capacidade reduzida, seguindo as recomendações do governo. Check-in: logo na entrada do hotel, haverá medição de temperatura dos hóspedes e higienização das bagagens. Preferencialmente, o check-in feito será realizado via WebApp: por todo o hotel, QR codes espalhados deverão ser escaneados para dar acesso a um menu completo de serviços, desde o registro do hóspede à consulta de cardápios, room service e reservas no restaurante. Para quem preferir o check-in tradicional, a equipe de funcionários estará à disposição devidamente trajada com máscaras e face shield, além de disponibilizar álcool gel para os visitantes. Estadia no hotel Áreas comuns: a frequência da limpeza foi intensificada e há sinalização visível em todos os locais lembrando da obrigatoriedade do uso da máscara para aumentar a segurança. Quarto: os pacotes com produtos de frigobar estarão disponíveis para compra via WebApp e os itens de minibar não ficarão mais disponíveis nos apartamentos, para evitar manipulação excessiva. A limpeza também terá critérios diferenciados: além de ser feita de forma minuciosa por uma equipe especialmente treinada pela consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de acordo com um cronograma pré-definido, vai seguir uma série de protocolos sobre a forma a ser feita e os produtos a serem usados. Restaurantes: os móveis estão respeitando o distanciamento de 1,5 m, foram instalados dispensers de álcool em gel e sinalização de obrigatoriedade de uso de máscaras. O serviço será à la carte e o hóspede deverá reservar sua mesa pelo WebApp. Por todo o local estarão espalhados os QR Codes para acesso aos cardápios. Há possibilidade de agendamento de café da manhã e Room-Service, com entrega de embalagens individuais. Lazer: foi desenvolvida uma série de atividades exclusivas para promover a segurança e a diversão dos hóspedes como cinema no apartamento, piqueniques no bosque e jantares temáticos, todas pensadas para garantir o entretenimento sem causar aglomeração e ao ar livre. Para a permanência na área das piscinas externas foi aplicado o uso por turno, evitando muita circulação de pessoas em um mesmo período. Saída do hotel Check-out: pode ser feito de forma rápida com conferência antecipada por meio do WebApp, diminuindo o tempo de contato físico na recepção, que tem demarcação de filas com distanciamento social. A devolução da chave magnética será feita diretamente em urnas de acrílico. Para proteger hóspedes e funcionários de maneira adequada ao “novo agora”, a GJP Hotels & Resorts conta com a certificação do selo Clean & Safe, fornecida pela área de consultoria do Sírio-Libanês. Essa parceria exclusiva com a rede de hotéis inclui a identificação, implantação e auditoria de novos protocolos em toda a jornada do hóspede. A parceria também identificou itens que têm pouco efeito ou não colaboram diretamente para a segurança dos hóspedes, como túneis de desinfecção ou tapetes sanitizantes. Por essa razão, não foram adotados nos hotéis da rede. “Os túneis servem mais para reduzir a carga viral quando usados por profissionais de saúde que tenham sido expostos a ambientes contaminados, reduzindo o risco ao retirarem seus EPIs. Também não há evidência científica de contaminação pelo piso, por isso, o uso de tapetes sanitizante é dispensável. Assim, buscamos focar em práticas que reconhecidamente trarão uma higienização mais profunda”, explica Rafael Saad, gerente de consultoria do Sírio-Libanês. “Acreditamos que, dentro dessa nova realidade, os protocolos de segurança em higienização se tornarão fator determinante para a confiança da maioria dos hóspedes. Pesquisas recentes indicam que medidas de segurança em relação ao novo coronavírus, são mais importantes do que o preço e o próprio destino na tomada de decisão da próxima viagem. Isso em escala mundial, ou seja, o nosso Clean & Safe é a aposta certa nesse momento de reabertura gradual. Estamos prontos para atender todos os perfis de turistas na reabertura”, reforça Fábio Godinho, CEO da GJP Hotels & Resorts. O hotel Wish Serrano, em Gramado (RS) reabriu em julho e o Prodigy Santos Dumont (RJ) voltou a operar em agosto. A previsão é de que todos os demais hotéis da rede estejam reabertos até outubro. Sobre a GJP Hotels & Resorts Com empreendimento localizados no Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, a GJP Hotels & Resorts é especializada em lazer e eventos, com hotéis próprios e modelo organizacional de administração e gestão hoteleira. São 10 unidades localizadas em Porto de Galinhas (PE), Natal (RN), Salvador (BA), Foz do Iguaçu (PR), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Gramado (RS), que totalizam 2.200 apartamentos. A rede opera hoje com as marcas Wish (5 estrelas), Prodigy (4 estrelas) e Linx (hotéis econômicos). Estão previstos novos hotéis em São Paulo e no Rio Grande do Sul até 2022. Fundada em 2005, a companhia conta com cerca de 1.500 colaboradores que trabalham continuamente para garantir a melhor experiência em hospedagem em diversos destinos brasileiros, com padrão de higienização certificado pelo Hospital Sírio Libanês. www.gjphotels.com

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 10/08/2020 às 19h49

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), recebeu alta médica no último domingo (9) e deve retornar às suas funções ainda nesta semana. Ele havia sido internado no começo do mês no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratamento de uma pneumonia. O governante foi encaminhado à unidade após ter uma indisposição ao término de uma reunião de trabalho na capital paulista. Ele comemorou o recebimento da alta médica. “O importante é que graças a Deus e aos médicos descobrimos a pneumonia no início, e o tratamento correu bem. Foi um presentão de Dia dos Pais”, declarou o governador. Em 4 de junho, o líder do executivo mato-grossense havia anunciado que testou positivo para Covid-19. O resultado foi confirmado por meio de contraprova realizada no dia anterior. Mauro Mendes agradeceu à população mato-grossense pelas mensagens de apoio recebidas durante sua internação. “Que Deus abençoe todos os pais nesse dia e dê momentos de alegria em família. Se Deus quiser amanhã poderemos estar trabalhando quase que normalmente, porque o médico recomendou ainda mais alguns dias de repouso. Mas já vai dar para trabalhar um pouquinho mais nessa missão. Um grande abraço a todos e Feliz Dia dos Pais”, finalizou. *Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/08/2020 às 14h44

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli foi internado ontem (9) em um hospital de Brasília (DF) com uma pneumonite alérgica. Segundo a assessoria de imprensa, o ministro testou negativo para covid-19. "Embora internado, passa bem e, a princípio, não ficará de licença médica e continuará despachando". O quadro que atinge Toffoli, na verdade, chama-se pneumonite por hipersensibilidade, que não deixa de ser um tipo de pneumonite alérgica, popularmente falando. Trata-se de uma doença pulmonar caracterizada pela exposição ambiental em geral, que faz com que o pulmão inflame, como se fosse uma pneumonia causada por bactéria ou vírus. Mas, no caso da pneumonite por hipersensibilidade, a inflamação ocorre por uma reação alérgica do pulmão ao ambiente. "É um quadro específico que está relacionado à inalação de agentes, principalmente mofo e proteínas de aves. Então quem tem travesseiro de penas, ou alguma outra ave, pode ter, por exemplo, mas não é que você tem uma micose ou um fungo no pulmão, é que a proteína do fungo e a proteína do pássaro dão esse quadro inflamatório", explica André Nathan, médico pneumologista do Hospital Sírio-Libanês (SP). Segundo o especialista, a poeira orgânica ou substância química também podem desencadear pneumonite de hipersensibilidade. Após a inflamação, o alvéolo enche-se de células de defesa e o paciente tem um quadro tomográfico (um infiltrado pulmonar). Em seguida, a oxigenação pode cair, causando falta de ar e, em alguns casos, até febre. Mas, em geral, a pneumonite não é uma doença grave. Geralmente pessoas que moram ou trabalham em fazendas estão mais propensas a ter esse tipo de quadro inflamatório. Isso devido aos silos (locais onde os grãos ficam armazenados) que podem ter muito mofo, por exemplo. Nesse caso a dica é sempre usar máscara de proteção como forma de prevenção. A doença pode se manifestar como aguda ou crônica, isso vai depender de como ela for tratada inicialmente. Veja como são as duas formas de manifestações: Pneumonite por hipersensibilidade aguda: é um quadro que simula uma pneumonia. Então pode dar tosse, falta de ar, febre, calafrios. Esse tipo não é grave, e quando o paciente para de se expor aos ambientes hostis, ele tende a melhorar. Mas, às vezes, é necessário tomar anti-inflamatórios; Pneumonite de hipersensibilidade crônica: é uma fibrose (cicatriz) pulmonar, um quadro mais grave. Isso acontece quando o paciente mantém a exposição e a inflamação no pulmão e, por isso há o agravamento. Aqui os sintomas são os mesmos da fase aguda, com acréscimo de fadiga e até insuficiência respiratória. Geralmente para chegar nesse estágio da doença são necessários meses ou até mesmo anos sem nenhum tipo de tratamento. De acordo com Nathan, não tem segredo para a melhora do quadro, mas o essencial é parar de se expor a ambientes que atinjam o pulmão, como muita poeira, mofo ou produtos químicos. A recuperação completa pode demorar algumas semanas.

VEJA BLOGS
Data Veiculação: 10/08/2020 às 13h47

Em um país enorme e com diferenças sociais tão gritantes, as mortes causadas pela pandemia do coronavírus não atingem de forma igual estados, cidades e hospitais. Entre março e julho deste ano, Sírio-Libanês e Albert Einstein, ambos em São Paulo e no topo da lista dos melhores centros de saúde do país, registraram respectivamente 30 e 57 óbitos por Covid. Já os hospitais da rede Prevent Senior, especializada em pacientes da terceira idade, registraram 673 mortes pela doença no mesmo período. No hospital público Tide Setúbal, localizado na zona leste de São Paulo, ocorreram 237 mortes em suas UTIs causadas pelo coronavírus. Ao todo, a cidade de São Paulo registrou 9.834 mortes por Covid até o final de julho — esse número soma 10.323 até o dia 9 de agosto. Embora os hospitais de ponta não tenham enfrentado um colapso de seu sistema de saúde, o setor tem sido impactado pela crise causada pela pandemia. Pacientes têm evitado fazer consultas e procedimentos com receio de contaminação, o que deixou os estabelecimentos vazios e com queda de receita. O principal efeito colateral tem sido o corte do quadro de funcionários. Só em abril, foram canceladas 520 cirurgias eletivas no Albert Einstein. “Eu contratei dezenas de profissionais demitidos do Sírio e Einstein”, disse a VEJA Fernando Parrillo, CEO e sócio-fundador da Prevent Senior. A rede paga, em média, entre 40 000 e 45 000 reais de salários para os seus médicos.

PANROTAS.COM.BR/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/08/2020 às 13h46

Antes mesmo de quaisquer reservas serem efetuadas, ainda no estágio de consulta, de desejo de consumo, o viajante essencialmente precisa se sentir seguro para embarcar em suas próximas férias. Agentes de viagens relatam que, na grande maioria dos casos, a primeira pergunta de quem já está demonstrando intenção de viajar é sobre segurança e saúde. E em tempos de informações pulverizadas e "especialistas de WhatsApp", a Revista PANROTAS consultou uma das referências brasileiras da área médica, o Hospital Sírio Libanês, para reunir as principais regras e recomendações a uma viagem saudável e segura. O gerente de Consultoria do hospital, Rafael Saad Fernandez, juntou o time de médicos do Sírio Libanês e respondeu a 30 perguntas que abrangem regras desde o aeroporto até o hotel, do transporte público aos elevadores, da praia à piscina. A reportagem traz também o relato de pessoas que viajaram a trabalho e a lazer depois de março, quando a covid-19 foi decretada pandemia.

JORNAL DE BRASÍLIA/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 10/08/2020 às 03h00

Linfócitos contra novas infecções Estudos com pacientes recuperados de covid-19 têm indicado que a quantidade de anticorpos neutralizantes no corpo pode cairmuito rapidamente. Mas outras pesquisas mostram que um outro tipo de célula de defesa, os linfócitos T, parecem ter o potencial de conceder proteção contra novas infecções pelo Sars-cov-2. Os linfócitos T, também gerados pelos glóbulos brancos, estão subdivididos em diversos tipos, entre eles o CD4 e o CD8.0 CD8, ou citotóxico, elimina os vírus ao destruir as células infectadas. O CD4, ou auxiliar, estimula outras moléculas a agirem ou produzirem substâncias de defesa. Os linfócitos B precisam de um empurrão do CD4 para poder produzir anticorpos mais eficientes, as imunoglobulinas G (IgG) por exemplo. A resposta adaptativa tem ainda a capacidade de memorizar a reação produzida para combater um determinado patógeno mesmo depois que a infecção termina e o invasor é eliminado do corpo. O objetivo das vacinas é criar essa memória no organismo, explica Mariane Amano, imunologista e pesquisadora no Hospital Sírio-Libanês. "Independente do método usado na vacina, a ideia é colocar no corpo pedaços do vírus para que nosso sistema fique pronto para ter uma resposta mais rápida em um segundo contato", afirma Amano. As vacinas são a principal maneira de aumentar o poderdo sistema imunológico. Para Cristhieni Rodrigues, médica infectologista do Hospital Santa Paula, um sistema imunológico em bom estado depende do equilíbrio do organismo. Contribuem uma alimentação equilibrada, sono regular, controle do estresse e atividades físicas.

A CRÍTICA/MANAUS | Outros
Data Veiculação: 10/08/2020 às 03h00

Presidente do Supremo é internado PNEUMONITE BRASÍLIA (REUTERS) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, foi internado neste domingo com uma pneumonite alérgica, mas passa bem e não deve ficar de licença médica, informou a assessoria de imprensa do STF. Segundo a assessoria, o ministro testou negativo para Covid-19. “Embora internado, passa bem e, a princípio, não ficará de licença médica e continuará despachando”, acrescentou. Em maio, Toffoli foi submetido a um pequeno procedimento cirúrgico de urgência e chegou a ficar afastado alguns dias do Supremo mesmo depois da alta. Na quarta-feira da semana passada, o gabinete do ministro Celso de Mello, do STF, informou que o decano da corte foi submetido a exames médicos e poderá passar em breve por uma nova cirurgia. Em janeiro, Celso de Mello passou por uma cirurgia no quadril no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista.

NEXO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 10/08/2020 às 00h00

A crise do novo coronavírus está mudando o modo como os pesquisadores se comunicam e trabalham em conjunto, dando mais velocidade e transparência à dinâmica de produção e disseminação do conhecimento. Em meio à urgência para desenvolver vacinas e medicamentos, muitos cientistas estão compartilhando de forma instantânea seus dados de pesquisa, aquela massa de informações primárias que serve de base para as conclusões de seus estudos. Esse comportamento se enquadra em uma mobilização envolvendo governos, empresas, organizações internacionais, agências de financiamento e comunidade científica, que, para enfrentar a pandemia, passaram a promover práticas alinhadas à ciência aberta, conceito que envolve o acesso livre à informação e a construção colaborativa do conhecimento. Em maio, por exemplo, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reforçou em um comunicado a relevância dessa estratégia no combate à Covid-19: “Em emergências globais como a pandemia do novo coronavírus, a implementação de políticas de ciência aberta remove obstáculos ao fluxo de dados e ideias de pesquisa, acelerando o ritmo de desenvolvimento do conhecimento para combater a doença”. Diversas iniciativas emergiram para promover a troca de informações científicas sobre o novo coronavírus. Uma delas é a Nextstrain, banco de análises de sequências genéticas do Sars-CoV-2 criado por pesquisadores da Universidade da Basileia, na Suíça, e do Centro de Pesquisas do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, nos Estados Unidos. Por meio dele, é possível mapear padrões de dispersão do vírus analisando informações sobre mutações em seu material genético vindas de múltiplas fontes. “Os pesquisadores podem compartilhar dados dessas análises, compará-los e identificar como e em quais regiões do mundo o novo coronavírus está sofrendo mutações”, explicou Trevor Bedford, um dos criadores da plataforma. O projeto já revelou conexões entre linhagens do vírus registradas na Austrália com casos de Covid-19 no Irã, além de um paciente em Taiwan infectado com uma variedade oriunda dos Países Baixos. Também verificou que a linhagem do Sars-CoV-2 que se espalhou na Itália é a mesma que chegou na América Latina e na África, enquanto a Ásia já recebeu de volta variedades que havia exportado para a Europa. A plataforma, na avaliação de Bedford, poderia ter sido útil em epidemias como a da febre zika, entre abril de 2015 e novembro de 2016. “A área mais afetada pelo vírus foi a do Nordeste do Brasil. Caso tivéssemos uma ferramenta capaz de mapear em tempo real como e em que velocidade o vírus zika se espalhava pelo mundo, talvez pudéssemos antecipar que aquela região seria a mais vulnerável. Isso daria a chance de limitar a propagação da doença.” A urgência por dados sobre o novo coronavírus também levou a Comissão Europeia a lançar em abril, em colaboração com outros parceiros, a Covid-19 Data Portal. A plataforma permite que pesquisadores compartilhem, acessem e analisem diferentes tipos de dados sobre o novo coronavírus, como proteínas e genes específicos do agente patológico. Tais informações estão ajudando no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial capazes de identificar as principais áreas de concentração dos estudos sobre a Covid-19 no mundo, de modo a apontar sobreposições de esforços e abordagens promissoras que merecem ser exploradas. O portal também reúne informações hospedadas em outros repositórios da região, como a britânica Elixir, que congrega resultados de pesquisa na área de ciências da vida, mas que, recentemente, criou uma seção exclusiva para o Sars-CoV-2, incluindo informações sobre genes específicos do vírus, linhagens celulares mais adequadas para o estudo dos seus mecanismos de ação e proteínas que interagem com o patógeno. Esse esforço de compartilhamento também reverbera no Brasil. Um exemplo é a plataforma Covid-19 Data Sharing/BR, lançada em junho. Fruto de uma articulação da FAPESP envolvendo a USP (Universidade de São Paulo), o Grupo Fleury e os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, o repositório reúne dados laboratoriais e demográficos de cerca de 180 mil indivíduos submetidos a testes para diagnóstico da Covid-19 – e que apresentaram resultados positivos ou negativos –, além de 6.500 desfechos de casos – como recuperação ou óbito – e quase 5 milhões de resultados de exames clínicos e laboratoriais. “A expectativa é que essas informações sejam usadas no aprimoramento do diagnóstico, em estudos sobre fatores relacionados à evolução da doença no Brasil e em investigações sobre candidatos a medicamentos e vacinas”, disse o neurocientista Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, no lançamento da iniciativa. O novo repositório utiliza uma estrutura computacional criada pela Superintendência de Tecnologia da Informação da USP, usada desde dezembro de 2019 para conectar os repositórios de dados de pesquisas de diferentes instituições paulistas (ver Pesquisa FAPESP nº 287). “O fato de já termos essa estrutura pronta nos ajudou a acelerar a implementação da plataforma para a Covid-19”, destacou o físico Sylvio Canuto, pró-reitor de Pesquisa da USP. O estímulo ao compartilhamento de dados é antigo e tem várias motivações. Uma delas é a preocupação com a reprodutibilidade de pesquisas e a importância de disponibilizar as informações primárias coletadas para que outros cientistas consigam verificar a precisão e a relevância de resultados divulgados. Com a pandemia, isso ganhou um significado mais urgente. “Ela pode otimizar os esforços de pesquisa e catalisar novas colaborações, acelerando o ritmo de descobertas”, explica a engenheira eletricista Claudia Bauzer Medeiros, do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro da coordenação dos programas eScience e Data Science da FAPESP. “Também permite que os pesquisadores desenvolvam estudos combinando dados de origens diversas.” Medeiros é conselheira da Research Data Alliance, organização criada em 2013 para disseminar o compartilhamento de dados científicos e criar infraestruturas que viabilizem essa tarefa. Em março, a pedido do Conselho Europeu, ela e outros 136 membros afiliados uniram esforços na elaboração de uma série de recomendações para acelerar a pesquisa sobre a Covid-19. “A pandemia pôs em evidência a relevância de promover um intercâmbio de resultados científicos de forma rápida e aberta”, disse a Pesquisa FAPESP o bioquímico britânico Richard Sever, um dos fundadores do bioRxiv, repositório de preprints que reúne artigos de ciências biológicas. “Essa prática tem sido benéfica e contribuído para o avanço do conhecimento sobre o vírus.” A comparação com situações do passado ajuda a mostrar a importância do esforço atual. “O sequenciamento completo do genoma do Sars-CoV-1, que causou um surto na Ásia entre 2002 e 2003, levou praticamente cinco meses para ser concluído”, diz o engenheiro elétrico Daniel Villela, pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). “Já agora, o fluxo de informações sobre a Covid-19, poucos dias após a coleta de amostras dos primeiros indivíduos infectados, permitiu o sequenciamento completo do genoma do Sars-CoV-2 em apenas um mês.” Apesar dos avanços durante a pandemia, alguns obstáculos permanecem. A consolidação de um ambiente propício para o fluxo de informações pressupõe não apenas a disposição dos pesquisadores de dividir seus dados, mas também o comprometimento dos governos em coletar e oferecer informações de forma transparente. Desde abril, a Open Knowledge Brasil, organização sem fins lucrativos que promove a transparência de informações públicas, avalia a disponibilidade e a qualidade de dados epidemiológicos e de infraestrutura de saúde relacionados à Covid-19 fornecidos pelos governos federal, estaduais e municipais. O chamado Índice da Transparência da Covid-19 nos estados e na União é atualizado a cada 15 dias e leva em conta três aspectos de avaliação das informações divulgadas: conteúdo, formato e granularidade, isto é, o grau de detalhamento dos dados divulgados. “Verificamos que apenas cinco estados divulgam bases de dados detalhadas, incluindo notificações de casos suspeitos, por exemplo”, esclarece Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil. “Por parte do governo federal, há falta de articulação na divulgação de informações detalhadas e padronizadas sobre a pandemia. Essas informações são essenciais para estimar a dinâmica de propagação do vírus.” Apesar dos esforços globais, muitos pesquisadores ainda resistem em incorporar a prática colaborativa em sua rotina de trabalho. Alguns têm preocupação quanto à possível má interpretação ou ao uso incorreto das informações originais. Também há os que evitam fornecer seus dados porque querem explorá-los em novos estudos ou temem não receber os créditos pela cessão. Daí a preocupação de que o compartilhamento arrefeça após a pandemia. Para a cientista de dados brasileira Renata Curty, que atua na gestão e curadoria de dados de pesquisa na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, as agências de fomento podem ajudar a moldar novos comportamentos em relação ao compartilhamento de dados entre os pesquisadores. Desde outubro de 2017, a FAPESP, a exemplo de instituições de financiamento da Austrália, dos Estados Unidos e da Europa, exige que as solicitações de financiamento de projetos venham acompanhadas de um plano de gestão de dados, desde a coleta até onde eles serão disponibilizados. “No entanto”, diz Curty, “é preciso investir em parâmetros de avaliação desses planos e em sistemas que verifiquem se de fato os dados foram compartilhados e avaliem a qualidade desse material”. Uma preocupação é garantir que essas informações venham acompanhadas dos chamados metadados, que oferecem uma descrição detalhada dos dados gerados em determinado estudo, especificando como foram produzidos, quem os gerou, quando, onde e como podem ser reutilizados, de modo a possibilitar sua devida interpretação e ampliar o potencial de reúso em novas pesquisas. Na avaliação de Claudia Bauzer Medeiros, para que a cultura do compartilhamento se fortaleça na pós-pandemia é preciso avançar na implementação de mecanismos de recompensa para quem adota essa prática. Uma das estratégias seria a criação de indicadores de citação das informações partilhadas. “Da mesma forma, é importante que essas métricas sejam levadas em consideração pelos sistemas de avaliação, de modo a reconhecer e valorizar o esforço dos pesquisadores que fornecem seus dados.” O ambiente com acesso livre à informação e construção colaborativa do conhecimento também depende de financiamento sistemático. “Entre 20% e 30% das iniciativas envolvendo o compartilhamento de dados primários são descontinuadas após dois ou três anos por falta de recursos”, destaca. Um guia para o compartilhamento de dados A RDA (Research Data Alliance) divulgou em fins de junho um documento com diretrizes detalhadas para estimular o compartilhamento e a reutilização de dados no contexto da pandemia e em situações de emergência futuras. Elas abordam o uso de resultados de estudos clínicos, epidemiológicos, sociológicos e ômicos – isto é, pesquisas nas áreas de genômica, transcriptômica, proteômica e metabolômica– e o desenvolvimento de estratégias que favoreçam a troca dessas informações. O relatório é fruto de trabalho colaborativo envolvendo pesquisadores de diversos países, entre eles Claudia Bauzer Medeiros, do Instituto de Computação da Unicamp. “Em meados de março, a pedido da Comissão Europeia, a RDA convocou seus mais de 10 mil afiliados para elaborar orientações que pudessem auxiliar as várias estratégias de compartilhamento”, conta Medeiros. Desses, 130 engajaram-se no projeto, dividindo-se em grupos de redação. “Reuníamo-nos de duas a três vezes por semana, via internet, para discutir e redigir de forma colaborativa o documento final.” O relatório propõe que governos, agência de fomento à pesquisa e instituições científicas do mundo trabalhem juntos para desenvolver políticas e promover investimentos para otimizar o fluxo de dados entre entidades locais e internacionais. “O documento chama a atenção para a necessidade de os dados, softwares, modelos compartilhados sejam encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis”, explica Medeiros. “Isso exige dos pesquisadores um plano de gestão bem detalhado, com informações sobre como os dados foram gerados e como podem ser reutilizados.”

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 10/08/2020 às 03h00

1oo mil mortes, e abrimos escolas Agora morrem meros cidadãos, não desembargadores ou engenheiros Adia Iamarino Doutor em ciências pela USR fez pesquisa na Universidade Yale. É divulgador científico no YouTube em seu canal pessoal e no Nerdologia Uma vez, esperando minha carona na USR vi uma torneira pingando. Ao redor, já crescia limo e musgo no cimento. Meu primeiro pensamento foi “quanto tempo faz que não ar rumam isso?" Seriam necessários meses de água pingando para suprir aquela vida toda. Levantei e tentei fechara torneira. Para minha surpresa, nem quebrada estava. Como a água gasta por uma instituição pública era recurso “sem dono", aparentemente ninguém se preocupou em fechar. Lembro disso toda vez que ouço a água vazando no banheiro do vizinho de cima, situação recorrente nos prédios onde morei e onde a água é embutida no condomínio. Ondeo custo do desperdício não cai no bolso de quem desperdiça. A Covid-19 me lembra 0 mesmo. Enquanto eram italianos morrendo na TV, tínhamos aplausos e todo mundo em casa. Enquanto os leitos ocupados eram do Sírio Libanês ou do Albert Einstein, cidades entraram em quarentena. Mas a doença foi se popularizando. E as “vidas que mais importam” passaram a ser poupadas. A análise de mobilidade mundo afora mostra isso. Antes da pandemia, os mais ricos eram os que mais saíam de casa. Enquanto os mais pobres, que muitas vezes não têm 0 dinheiro da condução, eram os que tinham menos mobilidade. Depois dapandemia, a relação se inverteu. Os mais ricos, agora, são os que mais ficam em casa. Podem trabalhar remotamente, fazem compras esporádicas que estocam e recebem encomendas na portaria. Os mais pobres precisam se expor para trabalhar, porque a renda só permite comprar as necessidades da semana, ou porque precisam servir quem paga. A Covid19 agora atinge muito mais os desfavorecidos. As mortes passaram a preocupar menos. Quem paga a conta da nossa estratégia, ou da falta de estratégia de com bate à pandemia, não são os que decidem. São meros cidadãos que morrem. Não são desembargadores, moradores de Alphaville nem engenheiros. Em agosto, passamos de 100 mil brasileiros oficialmente mortos por Covid19. Mais do que outros problemas de saúde como 0 câncer, uma das maiores causas de morte, levaram no período. Sem falar das mortes sem teste, mortes por outros problemas de saúde que ficaram sem leito ou ambulância..., mas não preocupam. Não temos pronunciamentos oficiais, não temos ministro da Saúde, não temos rastreio de contatos, não temos estratégia federal, não temos, não temos e não temos. A polêmica da voltas às aulas reflete bem a preocupaçào mal direcionada. Socialização é fundamental para as crianças, e as perdas por ficarem em casa vão marcar uma geração. Mas, para escolas serem seguras, 0 surto de Covid na região precisa ser contido. Vários países europeus retomaram aulas sem muitos percalços porque controlaram a pandemia e têm escolas pequenas, poucos alunos por sala. Onde as turmas são maiores e o surto segue descontrolado, como Israel e os EUA, uma escola tem surto de Covid poucos dias depois de abril: Isso porque testam mais e têm como perceber os casos. Enquanto o coronavírus circula sem controle em uma comunidade, não tem medida de distanciamento que uma escola adote que impeça alunos de entrarem com 0 vírus. E, se crianças e adolescentes não fazem parte do grupo de risco, profissionais que os atendem fazem. Professores convivem com dezenas ou centenas de alunos. Basta um ter 0 vírus. Mas, assim como quem paga a conta de água não é quem deixa a torneira vazando, cobramos das escolas uma solução para as crianças em casa em vez de resolvermos 0 vazamento. Ou de cobrarmos das autoridades responsáveis.