Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 09/11/2020 às 23h15

Hospitais privados de São Paulo voltaram a registrar aumento preocupante no número de internações por Covid-19. ALERTA O Hospital Sírio-Libanês, que teve picos de até 120 internações em abril, viu o número cair para 80 em outubro —e agora subir outra vez para 120. Do total de doentes, 50 estão em UTI. ALERTA 2 O HCor chegou a internar cem pessoas por Covid-19 nos meses de pico. O número caiu para 18 —e agora voltou a subir, para em torno de 30 pacientes. EM ALTA A UTI, que chegou a ter apenas quatro doentes, agora abriga 13. Há hospitais, no entanto, em que o número de pacientes segue estável —caso do Alberto Einstein. ENDEREÇO “Depois do pico, passamos a atender muitas pessoas que vinham de outros estados. Agora, aumentou o número de pacientes de São Paulo. As pessoas estão relaxando”, alerta Paulo Chapchap, diretor-geral do Sírio. EU AVISEI O inquérito sorológico feito pela prefeitura de São Paulo já tinha dado o alerta de que os casos de infecção pelo novo coronavírus estavam crescendo na classe média. RISCO MÁXIMO A razão: as pessoas dessa faixa de renda não só voltaram a sair de casa depois da quarentena como, em muitos casos, de forma descuidada, se reunindo em almoços e jantares sem máscara nem distanciamento. LEIA TODOS OS TEMAS ABORDADOS PELA COLUNA NA EDIÇÃO IMPRESSA DESTA TERÇA (10) Biden jogou duro com governo Dilma em escândalo de espionagem e disse que EUA zelavam pela paz mundial Sarney envia telegrama e diz a Biden que eleição traz 'alívio para a humanidade' Hospitais privados de SP voltam a ter salto de internação por Covid-19 Justiça dá prisão preventiva a homem enquadrado em lei de crimes ambientais por maltratar pitbull Centenário de Clarice Lispector será homenageado na Universidade Princeton ANS abre consulta sobre inclusão de novo teste para pacientes com câncer de mama Cármen Lúcia e Luiza Trajano participam de debate sobre avanços e conquitas da mulher Gabriela Duarte e Ingrid Guimarães posam juntas para selfie QUARENTENA com BRUNO B. SORAGGI, BIANKA VIEIRA e VICTORIA AZEVEDO

BLOGS DO ESTADÃO
Data Veiculação: 09/11/2020 às 21h07

Esper Kallas. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO É grande o entusiasmo com o anúncio feito pela farmacêutica Pfizer atestando que sua vacina tem eficácia de 90% para proteger contra covid-19. O mundo inteiro está torcendo para que se encontre uma vacina cientificamente comprovada, eficiente e universal. Entretanto, especialistas, como o reconhecido infectologista Esper Kallas, da USP e Sírio Libanês, querem saber, como essa proteção se comporta em pessoas de mais idade e com outros problemas de saúde, que desenvolvem doença grave com mais frequência. “Também fica o desafio de como distribuir a vacina para locais onde a cadeia não está preparada para mantê-la a -70 graus Celsius até o momento da aplicação”, pondera Kallas.

MSN BRASIL
Data Veiculação: 09/11/2020 às 18h27

O Santos tem uma preocupação séria para os próximos dias. Além do técnico Cuca e de catorze atletas do time feminino, o gerente de futebol Jorge Andrade e o médico do Peixe, Guilherme Faggioni, também testaram positivo para a doença. A notícia sobre o dirigente foi inicialmente publicada pelo 'UOL'. Cuca testou positivo para Covid-19 no último sábado, e está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por precaução, já que o treinador realizou uma cirurgia no coração recentemente. Já no domingo, catorze jogadoras do Santos foram diagnosticadas com o novo coronavírus. Nesta segunda-feira, exames confirmaram que Jorge Andrade, gerente de futebol, e Guilherme Faggioni, médico do clube, também estão com Covid-19. Preocupado com o risco de uma contaminação ainda maior, o Peixe realizará novos exames no elenco e na comissão técnica na próxima terça-feira (10), data da reapresentação do elenco. Na quinta, vai repetir os testes para a partida contra o Internacional, que será disputada domingo (15), como pede o protocolo da CBF. Vale lembrar que o Santos realizou testes em toda a delegação logo após a derrota por 1 a 0 para o Ceará, na última semana, pela Copa do Brasil. Na ocasião, todos os jogadores tiveram resultado negativo.

SBT
Data Veiculação: 09/11/2020 às 17h00

FALSO: É falso que São Paulo tenha proibido a cloroquina e a hidroxicloroquina como afirmam postagens no Facebook e Twitter. As publicações fazem uma comparação forçada entre o medicamento, usado há muitos anos para tratamento de outras doenças mas que não tem eficiência comprovada contra o novo coronavírus, e as vacinas que estão em teste --- São falsas as informações veiculadas em postagens nas redes sociais que sugerem uma contradição entre defender a aplicação de uma vacina contra o novo coronavírus e condenar o uso da hidroxicloroquina em pacientes da pandemia. Para tal, a publicação alega que o medicamento "está em uso há mais de 70 anos" e que o imunizante "é experimental, com menos de 8 meses". Saiba mais: >> Conheça o Projeto Comprova e os seus princípios >> Recebeu conteúdo suspeito? Envie para o nosso WhatsApp >> Leia as últimas notícias no portal SBT News >> Curta o SBT News no Instagram >> Curta o SBT News no Facebook O uso do remédio não tem eficácia comprovada contra a covid-19, e a utilização dele, por décadas, é para o tratamentos de outras doenças, principalmente as autoimunes. Estudos recentes, aliás, indicaram que o uso da hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus pode aumentar o risco de efeitos colaterais. A informação de que o governador João Doria (PSDB), de São Paulo, proibiu o uso do medicamento também não procede. Quanto à vacina, nenhuma ainda foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já que a o novo coronavírus foi descoberto há menos de um ano e elas ainda estão em desenvolvimento. Somente após esta etapa? realizada depois de inúmeros testes que atestem a segurança do imunizante? é que a população brasileira poderá tomá-la. Atualmente, quatro vacinas estão sendo testadas em voluntários no país. Por causa do texto e da montagem utilizada para ilustrar a publicação, que tem a bandeira da China ao fundo e Doria em primeiro plano, é possível concluir que o texto faz menção à CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantã, de São Paulo. Semelhante a esse post também há outro que viralizou no Twitter, sugerindo que a cloroquina seria muito mais segura que a vacina. Isso porque a droga já é "testada, estudada e usada há mais de 50 anos", enquanto a "vacina da China" existe há "6 meses, não finalizada". O Comprova tentou contato com os autores de ambas as publicações, mas não obteve retorno até o fechamento desta verificação. Como verificamos? Para verificar as informações relativas à cloroquina e à hidroxicloroquina, procuramos saber quais são os protocolos e as recomendações atuais nos sites da Anvisa e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) na América do Sul. Por meio de pesquisas no Google, também chegamos a dois estudos sobre a eficácia dos medicamentos em pacientes com a covid-19: um realizado no Reino Unido e outro, no Brasil. também encontramos várias reportagens que tratam de episódios envolvendo os remédios, publicadas ao longo da pandemia. Para descobrir o histórico da aplicação de ambas as drogas, realizamos novas buscas, que nos levaram a um artigo publicado na National Center for Biotechnology Information (NCBI) e ao livro "Chemistry of Antibiotics and Related Drugs" ("Química dos antibióticos e medicamentos relacionados", na tradução livre), de autoria do Mrinal K. Bhattacharjee. No que diz respeito à vacina? tanto ao processo regulatório, quanto aos atuais estágios de desenvolvimento? também procuramos informações no site oficial da Anvisa e consultamos matérias publicadas na imprensa nacional, além da página dedicada à Coronavac, disponível dentro do site do governo do estado de São Paulo. Para esclarecer o contexto da obrigatoriedade ou não da vacinação e o uso da cloroquina em território paulista, utilizamos mais uma vez as reportagens publicadas sobre o assunto. Como a mais recente delas ainda era do primeiro semestre, acionamos a Secretaria de Comunicação e a assessoria da Secretaria de Saúde do estado. O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 23 de outubro de 2020. Verificação Cloroquina e covid-19 Segundo a OMS, "embora a hidroxicloroquina e a cloroquina sejam produtos licenciados para o tratamento de outras doenças? respectivamente, doenças autoimunes e malária? não há evidência científica até o momento de que esses medicamentos sejam eficazes e seguros no tratamento da covid-19". Ao contrário, a entidade lembra que "a maioria das pesquisas até agora sugere que não há benefício e já foram emitidos alertas sobre efeitos colaterais do medicamento". No Brasil, a Anvisa "não recomenda o uso indiscriminado desse medicamento, sem a confirmação de que realmente funciona". A agência também aumentou o controle sobre a venda da medicação, ao exigir que as farmácias retenham uma cópia da receita especial no momento da venda do produto. A cloroquina começou a ser comumente usada para tratar a malária a partir da década de 1940. Durante as epidemias de SARS e MERS, a cloroquina chegou a ser considerada como uma opção de droga, mas, na época, não foram feitos testes para confirmar sua eficácia. Em março deste ano, médicos franceses passaram a defender o uso da cloroquina contra a covid-19 após testes iniciais que, depois, foram criticados e considerados anedóticos. Apesar da falta de comprovação científica, o tratamento foi encampado politicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e, logo em seguida, pelo brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido). No dia 25 de março, o Ministério da Saúde autorizou o uso da cloroquina para tratar pacientes com casos graves da covid-19. Favorável ao uso do medicamento, o presidente demitiu dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, e nomeou para o cargo o general Eduardo Pazuello, que autorizou o uso precoce da droga em pacientes com sintomas leves da doença, em 20 de maio. Pouco tempo depois, em 5 de junho, pesquisadores do Recovery, estudo clínico do Reino Unido para encontrar medicamentos contra a covid-19, disseram não haver benefício no uso da hidroxicloroquina. Os resultados foram reformados dez dias depois, quando a autoridade sanitária americana, a Food and Drug Administration (FDA), revogou a autorização emergencial para uso da cloroquina em pacientes com o novo coronavírus porque seus estudos mostraram ser improvável que ele fosse efetivo no tratamento. A FDA também disse que a medicação pode provocar "eventos adversos cardíacos graves e contínuos" e "outros efeitos colaterais sérios". Depois, em 17 de junho, a OMS retirou a cloroquina do seu estudo clínico Solidariedade, também destinado a descobrir drogas contra a covid-19, por não ter sido capaz de identificar redução no número de óbitos entre os pacientes submetidos ao tratamento. Em julho, foi publicado o maior estudo brasileiro sobre a eficácia do uso da hidroxicloroquina em pacientes leves e moderados da covid-19. O estudo durou três meses e contou com 665 pessoas, em 55 hospitais. Entre os que lideravam a pesquisa estão os hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Oswaldo Cruz. A conclusão é que o uso do medicamento, sozinho ou associado com azitromicina, não melhorou a evolução clínica dos pacientes. E ainda destacou dois efeitos adversos: a maior frequência de alterações em exames de eletrocardiograma e a maior recorrência de alterações em exames que mostram lesão hepática. Vacinas contra o novo coronavírus atualmente, quatro vacinas estão sendo testadas no Brasil. Juntos, serão 33.720 voluntários; metade recebeu os imunizantes e a outra metade, placebo. Os compostos não estão disponíveis para toda a população, mas para voluntários previamente selecionados. As duas vacinas com mais voluntários, a da Sinovac e a da AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, recrutaram profissionais de saúde que estão atuando no cuidado de pacientes de covid-19 como voluntários. Para permitir a realização dos testes no Brasil, a Anvisa analisou quatro critérios: dados de segurança que o imunizante demonstrou nas etapas anteriores, de testes pré-clínicos (quando ele é aplicado em animais, ainda em laboratório, para atestar sua segurança) a robustez científica dos estudos, o que inclui a quantidade de voluntários, a faixa etária estudada, a abordagem estatística e os parâmetros que serão usados para determinar se a vacina é eficaz e segura. as condições técnicas e operacionais do local de fabricação dos compostos a experiência dos centros de pesquisa e as condições deles de monitorar a execução do estudo, garantindo que os dados sejam rastreáveis e confiáveis. As propostas de estudo e de registro das vacinas contra o novo coronavírus são analisadas por um comitê com dez especialistas rotativos, composto por farmacêuticos, médicos, biólogos e estatísticos. Eles precisam ter, pelo menos, dez anos de experiência na aprovação de protocolos de estudo ou registro de imunizantes. A Anvisa também pode interromper os estudos no Brasil a qualquer momento caso seja registrado algum evento adverso grave durante os testes. Caso os resultados dos testes indiquem que a vacina é eficaz contra o vírus, é preciso solicitar o registro à Anvisa, que, novamente, vai avaliar todos os documentos técnicos, incluindo os dados de segurança e eficácia e a qualidade do imunizante. Apenas com o registro da Anvisa é que o imunizante pode ser comercializado e disponibilizado no Brasil. No último dia 21, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, afirmou que, até o momento, não houve o pedido de registro de nenhuma vacina contra a covid-19 no Brasil. Ele também afirmou que "não há nenhuma data predefinida para a conclusão de estudos ou para o fornecimento de registro a qualquer uma das quatro vacinas em análise neste momento na Agência". Obrigatoriedade em São Paulo No dia 16 de outubro, Doria afirmou que a vacinação será obrigatória em todo o estado, com exceção de pessoas que apresentem alguma restrição indicada por um médico. A expectativa era que a vacinação começasse ainda em dezembro deste ano, no entanto já existe a possibilidade de isso acontecer apenas em janeiro por causa do trâmite de aprovação da vacina e de compostos dela por parte da Anvisa. Três dias depois, a obrigatoriedade da vacina foi negada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A decisão sobre o processo de vacinação, no entanto, cabe ao Ministério da Saúde? que, por sua vez, protagonizou um atrito com o governo federal ao anunciar um compromisso de compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. O Comprova já verificou que, apesar das falas do presidente, Jair Bolsonaro (sem partido) assinou uma lei em fevereiro deste ano que prevê a vacinação compulsória. Doria não proibiu cloroquina no site oficial do governo de São Paulo, a notícia mais recente sobre o uso da cloroquina é de abril deste ano. Ela esclarece que na época o estado tinha recebido cerca de 200 mil comprimidos da cloroquina, que já estavam à disposição para uso. No entanto, deixa claro que, por causa da falta de estudos que comprovem a eficácia do medicamento, o uso precisava ser autorizado pelo paciente. Na época Secretário estadual de saúde, José Henrique Germann afirmou que: "É feito através de um consentimento informado do paciente de que ele aceita as condições de risco que ele pode estar correndo, frente a essa prescrição. Esse termo é assinado pelo médico e pelo paciente, ou por um familiar". Em maio, o membro do Centro de Contingência de São Paulo, Carlos Carvalho, afirmou que o uso da cloroquina estava sendo discutido desde março, mas que estudos demonstraram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não faziam efeito contra a covid-19 e que poderiam até prejudicar a saúde de pacientes. No entanto, embora o comitê não tenha recomendado o uso, os médicos nunca foram proibidos de receitar o remédio. Ao UOL, ele explicou que "se um médico entender, acreditar em um estudo, explicar isso para a família, [falar sobre] os efeitos colaterais e entrarem em um acordo e quiserem usar, é totalmente permitido". Em nota, o governo de São Paulo disse que, em nenhum momento, o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina foi proibido no Estado. "No entanto, em SP, os gestores de saúde deliberaram pela não recomendação do uso da cloroquina/hidroxicloroquina em casos leves, moderados ou graves de covid-19, devido à insuficiência de evidências sobre a eficácia", explicou, por meio de nota. Embora seja apenas um remédio, a cloroquina acabou sendo politizada. Protagonizando em lados opostos, o governador de São Paulo, João Doria, declarou, algumas vezes, frases que iam na contramão do que era defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Em abril, por exemplo, ele afirmou que não iria recomendar o uso da cloroquina por meio de um decreto. No mês seguinte, ele disse que não haveria "distribuição indiscriminada" de cloroquina nos postos de saúde no Estado. Apesar dos posicionamentos, o medicamento nunca foi proibido. Publicações que traziam essa informação incorreta, aliás, já foram verificadas pela agência Lupa e classificadas como falsas. Vale ressaltar também que proibir ou permitir o uso de um medicamento no Brasil é atribuição exclusiva da Anvisa. Por que investigamos? Atualmente em sua terceira fase, o Comprova investiga conteúdos suspeitos sobre a pandemia de covid-19 ou sobre as políticas públicas do governo federal que tenham viralizado nas redes sociais. Quando a publicação trata de medidas de proteção contra o novo coronavírus, a verificação é ainda mais necessária, já que ela pode colocar a vida das pessoas em risco. Os conteúdos verificados aqui podem levar as pessoas a evitarem tomar uma vacina, quando disponível, ou a apostar em um medicamento sem comprovação científica. As publicações verificadas tiveram 27,6 mil interações no Twitter e 30,7 mil interações no Facebook. Desde o início da pandemia, o Comprova já mostrou que as vacinas não produzirão danos genéticos, nem terão microchips para rastrear a população. Também mostrou que todos os imunizantes em teste no Brasil foram testados em animais antes dos estudos clínicos em humanos e que a China não evita aplicar os compostos desenvolvidos no país em sua própria população. Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira. Investigação e verificação A Gazeta e Sistema Jornal do Commercio participaram desta investigação e a sua verificação, pelo processo de crosscheck, foi realizada pelos veículos Estadão, Correio, Piauí, UOL, BandNews FM, Folha e Niara. Projeto Comprova Esta reportagem foi elaborada por jornalistas do Projeto Comprova, grupo formado por 28 veículos de imprensa brasileiros, para combater a desinformação. Em 2018, o Comprova monitorou e desmentiu boatos e rumores relacionados à eleição presidencial. A edição de 2019 foi dedicada a combater a desinformação sobre políticas públicas. Agora, na terceira fase, o Comprova retoma o monitoramento e a verificação de conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições municipais, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19. O SBT faz parte dessa aliança. Desconfiou da informação recebida? Envie sua denúncia, dúvida ou boato pelo WhatsApp 11 97795 0022.

BOA FORMA ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 09/11/2020 às 09h00

Chegamos ao marco de quase oito meses de pandemia, dividida em alguns períodos com mais restrições e até medidas de lockdown em algumas cidades do Brasil. Mesmo diante de algumas flexibilizações de atividades, o medo e isolamento social permanece na rotina de muitas pessoas. A gente foi bombardeado de informações sobre como se proteger, mas, a cada semana, as orientações parecem que vão mudando, à medida que descobrimos mais sobre o Covid-19. Ao mesmo tempo, a necessidade de contato pessoal permanece. A dúvida que fica é: com a flexibilização, será que já é seguro, mesmo, sair agora? A jornalista e produtora de conteúdo Gabriela Bávaro têm saído para trabalhar duas vezes por semana. Apesar disso, ela não se sente confortável para fazer nenhuma outra atividade fora de casa, ainda mais as que envolvem encontrar outras pessoas. “Quando preciso sair de casa e vejo na rua pequenas aglomerações, em que as pessoas estão em bares, sem máscara, me dá muita agonia.” Gabriela, como muitas pessoas, tem sentido a pandemia dividida em diferentes fases: no início com muito medo, ansiedade, tristeza. Mas, hoje, tenta, com ajuda da terapia, lidar com os novos sentimentos, de insegurança e até mesmo cansaço da pandemia (o famoso “de saco cheio disso tudo”). Covid-19 e saúde mental Segundo uma pesquisa feita na Europa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Covid-19 está cobrando um alto preço emocional, gerando níveis crescentes de apatia em algumas populações — estima-se que essa “fadiga da pandemia” chega a 60% da população em alguns grupos. Mas a organização alerta que, apesar de cansadas, as pessoas devem manter os esforços para combater o vírus — lavando as mãos, cobrindo o rosto com máscaras e adotando o distanciamento social. “Às vezes, fico me questionando se estou exagerando em ainda ficar restrita com algumas coisas” “Às vezes fico me questionando se estou exagerando em ainda ficar restrita com algumas coisas, mas prefiro respeitar o meu tempo. E estar em casa me trouxe coisas boas, a de se conectar com o meu lar e comigo mesma”, conta a Gabriela. A terapeuta sistêmica Louise Madeira, que também apresenta o podcast New.Me, diz que conseguiu identificar alguns tipos de pessoas e a formas como reagiram à pandemia. “Temos três tipos de pessoas: as que não tiveram um recurso emocional e sempre construíram a ideia de não ficar em casa, estão ‘de boa’ na rua e em aglomerações, e tentam provar que não há problema; tem também um pequeno grupo de pessoas que conseguiu lidar com a reclusão de uma forma saudável e continua bem, embora cansadas, mas que pensa que ‘se já esperou até agora, consegue mais tempo em casa’; e um terceiro grupo que de fato adoeceu na reclusão, que tem pavor da ideia de voltar ao mundo, e passou a achar que fora de casa é totalmente perigoso.” “A um grupo que de fato adoeceu na reclusão e tem medo de voltar às ruas” Assim como há diferença entre pessoas com alternadas visões, a pandemia também afeta de forma diferente crianças, jovens, adultos e idosos. De acordo com estudos publicados no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, pela Dra. Maria Elizabeth Loades, que analisou dados de crianças em isolamento por diversas razões desde o ano de 1946 até os dias atuais, a reclusão aumenta o risco de depressão de 0,25 a 9 anos depois do fim do isolamento. Segundo a conclusão dos estudos, é muito importante o acompanhamento durante e após o isolamento, observar alterações de comportamento e humor. Para, se caso alterações sejam notadas, haja a procura pelo auxílio médico e psicológico das crianças. O isolamento aumenta o risco de depressão de 0,25 a 9 anos depois do fim da reclusão. “Entre os jovens que atendo, na faixa dos 30 anos, percebo que toda essa situação afeta o presente deles, as atividades que faziam ou pretendiam a curto prazo. Já entre os idosos, ela afeta o futuro, o tempo de vida, a solidão”, explica Louise. Para a psicóloga, é um momento que lidamos com muitas perdas, tanto as de vítimas do vírus, como a da liberdade, convívio social, rotina, planos etc. E é imprescindível aprender a lidar com a perda, aceitar o que não tem como voltar, e tentar ressignificar o que for possível. “As reinvenções e ressignificações são pessoais, do casal ou da família, são aquilo que encontramos emocionalmente para sobreviver bem e que nos fazer escapar da pandemia com uma certa saúde. Por exemplo, para as crianças, os pais que foram mais pacientes nas aulas online, resinificaram a perda da aula presencial.” Síndrome da cabana, mas, apesar dos efeitos para a saúde mental serem muito reais, também são inegáveis os perigos físicos da pandemia. E, para algumas pessoas, o retorno à rotina de antes da pandemia de covid-19, mesmo com medidas protetivas, podem causar um fenômeno que os psicólogos chamam de “síndrome da cabana“, uma expressão que surgiu no início do século 20 e serviu para relatar vivências de pessoas que ficavam isoladas em períodos de nevasca no Hemisfério Norte e depois tinham que retomar o convívio. No presente, pode afetar trabalhadores que estão sempre afastados em razão do ofício, como por exemplo os empregados em plataformas de petróleo. Apesar do nome, a “síndrome da cabana” não é uma doença e nem é considerado transtorno mental, mas um acometimento, um estresse adaptativo entre pessoas que possam passar por dificuldades emocionais ao ter que sair do estado de retiro em sua casa. Como lidar com a ansiedade antes de sair “Quem seguiu o isolamento à risca, pode sim, ter uma ansiedade em atividades que antes eram rotineiras de fazermos fora de casa. E o que tenho recomendado aos meus pacientes é ir aos poucos e confiar nos protocolos de segurança”, diz a psicóloga Amanda Silva, que atua com Terapia Cognitiva Comportamental. Por exemplo, fazer uma caminha próxima de casa ou em um parque durante um horário de menos fluxo, ou então, caso você esteja há meses sem ver seus parentes próximos, tente encontrá-los com segurança (as estratégias estão abaixo). Além disso, Amanda orienta fazer alguma técnica de relaxamento antes de sair de casa, pode ser uma série de respirações profundas, repetir mentalmente que está tudo bem, que você consegue, que está tomando cuidado e está seguro. “Isso pode ajudar a quem além de ficar ansioso ao sair, na volta, também evite ter pensamento hiper vigilantes.” ... E encontrar pessoas com segurança no final de setembro, o país entrou pela primeira vez em estágio de desaceleração de contágio. E com chegada das festas de final de ano, entra a questão: será possível reunir a família — ou ao menos parte dela? Para a infectologista Mirian de Freitas Dalben, do Hospital Sírio-Libanês, as pessoas precisam saber que a retomada das atividades, seja ela a volta às aulas ou de encontrar pessoas, deve ser feita com consciência para não dar chance para vírus, a fim de manter a taxa de contágio baixa e evitar uma explosão de casos futura, assim como está ocorrendo atualmente em alguns países do hemisfério norte. Quando se pensa nas estratégias para diminuir os riscos na retomada, é importante entender as formas de contágio e o que temos de elementos. Por exemplo, diminuímos o risco do contágio por tato com a higienização das mãos e de superfícies. “Já a forma mais importante de transmissão, pelas partículas virais que a pessoa elimina, mitigamos o risco com o uso de máscaras, distanciamento de mais de 1,5 metro e locais com circulação de ar, bem ventilados, para que essas partículas não fiquem paradas no ar”, explica a infectologista. É quase uma matemática para avaliar se o risco é maior ou menor à medida que você consegue ou não ter esses três elementos (higienizações, máscara e local aberto) presentes. Outro fator que deve ser levado em conta antes de se encontrar com alguém é evitar se expor a situações de risco antes do encontro. “Se você for ver alguém do grupo de risco de agravamento do Covid-19, evite dias antes aglomeração de pessoas, situações em que se retira a máscara, em ambientes pouco ventilados, e aí você com certeza vai diminuindo o seu risco”, orienta. Mirian também enfatiza a importância de restringir o número de pessoas com quem você vá se encontrar, isto é, um grupo de familiares, um grupo específico de amigos. “Forme suas pequenas bolhas, para que, caso haja uma transmissão, ela fique restrita a um grupo de pessoas e seja fácil de identificar e rastrear o vírus.” Vai marcar de encontrar um casal de amigos em casa? Provavelmente você irá servir algo para comer e isso também precisa de atenção. A recomendação é: evite objetos compartilháveis, como porções em que todos podem tocar, sirva refeições individuais e mantenha a distância enquanto se alimentam. Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, e da Universidade Oxford, na Inglaterra, criaram uma tabela de risco de pegar o novo coronavírus em diferentes ambientes e situações. A tabela considera o uso de máscaras por pessoas assintomáticas. A tradução, feita pela Veja Saúde, você vê a seguir: E é sempre bom lembrar que, se você estiver com sintomas, você não vai se encontrar com ninguém. Normalize o NÃO na pandemia (e depois também!) Talvez você já tenha se deparado com a seguinte situação: aquele seu tio chamando para um churrasco com várias pessoas e você, com receio e querendo manter todo o cuidado diante do atual contexto. Você fica sem graça de dizer não, e cria mil e uma desculpas. A solução seria bem simples, dizer a verdade, a de que você não quer se expor ao risco, que não se sente confortável. Mas infelizmente, a gente sabe que, para muitas pessoas, o “não” soa quase como uma ofensa. Só que dizer e ouvir não faz parte do nosso processo de amadurecimento emocional. “Quando não queremos algo, o primeiro passo é aceitar o não como reposta, independente da pessoa insistir e, assim, normalizamos o não, o que causa um alívio muito grande”, explica a psicóloga Amanda Silva. Uma técnica muito útil, segundo a profissional, é seguir três passos para aprender a dizer não e aceitá-lo. Comece com você mesmo aceitando o “não”. Não se sinta culpado por não ter vontade ou coragem. Depois, se imagine dizendo não. Vale até testar em voz alta. Visualizar a situação deixa sua reação menos imprevisível quando ela de fato acontecer. Finalmente, comece dizendo o “não” para pessoas mais próximas. “Se observe quando uma pessoa te fizer uma proposta que você não queira e respire lentamente. Se você perceber que não conseguiu dizer não logo de cara, peça um tempo para avaliar sua agenda. A ideia é não usar desculpas, mas pode ter suas justificativas”, explica. “Falar o não é um ato de amor-próprio, um ato de cuidado com você mesmo, sem um olhar narcísico, mas de auto amor, de se estabelecer com a nossa psique.” Essa matéria faz parte da edição especial de novembro, que tem como tema Pratique bem-estar e te convida a rever sua relação com alimentação, movimento, beleza e saúde, para uma vida mais equilibrada. Veja aqui os outros especiais dessa edição.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 09/11/2020 às 05h00

A indicação de medidas para evitar a transmissão do coronavírus foram mudando ao longo dos meses de pandemia, conforme cientistas foram aprendendo sobre o novo vírus. Mesmo os hospitais tiveram que rever seus protocolos diversas vezes desde março. Atualmente, com milhares de estudos sobre o SARS-CoV-2, já é possível saber com mais segurança o que de fato funciona. Também é possível procurar um serviço médico para situações não relacionadas ao covid19 com bastante confiança de não ser contaminado. O comportamento individual contribui para diminuir a pandemia, explica Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. “Hoje a gente já sabe como evitar a disseminação. Uma medida simples é usar máscara. Também não é para se reunir em ambientes fechados”, afirma o médico. Chapchap defende que a máscara seja de uso obrigatório, pois o direito coletivo à vida se sobrepõe a determinadas liberdades individuais. “As pessoas aceitam que não pode andar a mais de 80 quilômetros por hora em certas vias, porque isso botaria a vida dos outros em risco. Ou que não se entra em certos lugares sem ter vacina. A sociedade tem o direito de restringir um direito individual em algumas situações. Você não tem direito que a sua liberdade ponha em risco a minha vida”, diz. Quando as regras conhecidas são de fato respeitadas, as pessoas ficam protegidas mesmo em ambientes de risco, como hospitais que atendem pacientes com e sem covid-19. “Os fluxos têm de ser apartados desde a entrada. Nós construímos barreiras físicas”, conta Chapchap sobre o Sírio-Libanês. De acordo com ele, a prova de que o esquema funciona é que os colaboradores do hospital têm uma prevalência menor da doença do que na sociedade. Diogo Assed Bastos, oncologista do Icesp, espera que a cultura de proteção do profissional de saúde fique como um legado no pós-pandemia. “Na sociedade em geral, o legado deve ser o de lavar as mãos e que pessoas com sintomas de gripe evitem circular, por respeito aos outros”, acredita. Ele alerta, contudo, que esses comportamentos são urgentes. “Não podemos ter um segundo pico de covid19. Ele seria desastroso para o sistema de saúde, para a economia, para a sociedade. Hoje sabemos mais do que antes, estamos melhor preparados. Mas só agora estamos conseguindo tratar casos represados”, afirma sobre as pessoas que deixaram de procurar os serviços de saúde durante os primeiros meses de pandemia. Medidas possíveis contra a covid-19 José Branco, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, acredita que só com uma boa coordenação e uma comunicação clara com a sociedade a saúde do Brasil vai conseguir enfrentar a crise. O problema é que não vê sinais disso por parte do governo federal. Branco pede ainda testes em massa, isolamento e monitoramento de contatos para evitar um lockdown, que afeta, além da economia, a saúde mental das pessoas. “A ideia de imunidade de rebanho é um desastre. Sobrecarrega o sistema e não vou ter profissional para atender a todos”, diz. A sobrecarga representa um problema não só para profissionais da saúde, mas para toda população. “Se tiver sobrecarga, vamos precisar improvisar. Se improvisarmos, mortes aumentam. Não se pode baixar a guarda”, afirma Chapchap. Embora bons protocolos para a segurança hospitalar sejam conhecidos, eles normalmente não chegam ao País inteiro. “Em Porto Velho, eu vi como os protocolos, implementados em parceria com o Sírio, transformaram um hospital”, cita Tânia Ortega, da Comissão de Qualidade do Conselho Federal de Enfermagem. Problema antigo no sistema público segundo ela, a grande mortalidade por covid-19 de profissionais de saúde, sobretudo técnicos e auxiliares de enfermagem, demonstra as condições precárias com que esses profissionais vêm trabalhando faz tempo no País. “A pandemia veio tirar o véu e revelar a realidade que os profissionais de enfermagem já enfrentavam. Os protocolos são excelentes, é só aplicá-los. Onde mais se aderiu, onde a preocupação com segurança já era mais consolidada, os profissionais adoeceram pouco”, afirma a profissional. A maior parte das instituições, porém, oferece pouca formação continuada e trabalha com déficit de enfermeiros. “A segurança do profissional de enfermagem não é só EPI, é também ambiente seguro e conhecimento. Para garantir a segurança do paciente, primeiramente tem de se proteger seus funcionários. Um profissional pode contaminar muitos pacientes”, alerta Tânia. Casos de câncer não podem esperar A demora no diagnóstico ou atraso no tratamento pode provocar complicações para uma série de patologias. Esse “dano colateral” da pandemia, que afastou pacientes dos médicos, tem consequências especialmente ruins para casos de câncer. “Nossa meta é diagnóstico precoce. Ao ficar para depois, perdemos oportunidades de cura ou de um melhor tratamento”, afirma António Carlos Lima Pompeo, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia. Ele cita os cânceres de mama, intestino, próstata e pênis como alguns dos tipos em que o diagnóstico precoce é fundamental. “Não interrompa seu tratamento, porque as consequências vão vir depois”, apela. Embora pacientes com câncer sejam mais vulneráveis, Jorge Vaz Pinto Neto, vice-diretor científico da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, pede que confiem. “Cuidados de se expor menos, usar máscara e lavar as mãos têm se mostrado suficientes para a segurança de pacientes e médicos. Já fiz 13 vezes o exame, e dá negativo.” Ele lembra que os laboratórios fazem exames drive-thru ou em casa. Não basta conscientizar os pacientes, é necessário um esforço coordenado sobretudo no Sistema Único de Saúde (SUS) para diminuir filas por exames e atendimentos. “Nossa preocupação é com a falta de um plano de retomada. Sabemos que nos espera uma epidemia de casos avançados de câncer”, afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, que reúne pacientes oncológicos. O perigo do não tratamento se estende a diversas condições. Doentes cardíacos e diabéticos sem acompanhamento podem ter complicações graves. Formas de se proteger 1 Use sua máscara durante todo o tempo em que permanecer fora da sua casa 2 Higienize as mãos com frequência e sempre que ajustar a sua máscara 3 Evite aglomerações. Mantenha uma distância segura das outras pessoas (cerca de 1,5 m) 4 Toque o mínimo possível em qualquer superfície. Evite botar as mãos no rosto 5 Não cumprimente com beijos, abraços ou apertos de mãos 6 Não compartilhe objetos, alimentos e utensílios Fonte: Guia Retomada Segura, do Hospital Sírio-Libanês.

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Data Veiculação: 09/11/2020 às 03h00

DEPOIMENTO Daniel Neves Forte, gerente de Humanização e Cuidados Paliativos do Hospital Sírio-Libanês 'Ninguém vai sair sozinho dessa situação’ “No começo de março, o Sírio recebeu muitos casos graves de covid-19, um desafio imenso. Um mês depois, a tensão era grande, mas já tínhamos achado um caminho para lidar com a demanda, cuidar dos pacientes. Só que em abril os casos no SUS começaram a crescer, e recebemos um pedido de ajuda do Hospital das Clínicas. O HC é muito potente, se precisava de ajuda, a gente não tinha como ignorar. Cuidar de quem precisa faz parte do propósito da instituição, de cada profissional de saúde. O HC precisava abrir leitos de UTI. Sou médico intensivista, que acabei indo para cuidados paliativos, mas tinha uma sensação de que estávamos numa guerra. Meu lugar só podia ser no front. Em dez dias a gente fez tudo, desde a parte jurídica do convênio entre Sírio e HC, até a contratação de equipe, levar caminhões com camas e respiradores. Treinamos 1.018 profissionais de enfermagem. Eu trabalhava 16 horas por dia. Tive de escrever protocolos detalhados. Antes de começar a receber os primeiros pacientes, a gente juntou todas as equipes. Vi o medo nos olhos das pessoas. Falei que íamos presenciar muitas mortes, sofrimento, dor. Mas que estávamos juntos. Aprendi que tem algo muito maior que nos une. Não importa se trabalho no local A ou B, escolhi cuidar de pacientes. Nenhuma instituição é uma ilha; se não sairmos da situação todos, ninguém vai sair sozinho.”

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OS LEGADOS DA PANDEMIA De 26 a 30 de outubro, todas as manhãs foram dedicadas a debates com temas relevantes sobre a saúde no Brasil, conectando grandes nomes nacionais e internacionais do setor com a sociedade Agradecemos aos palestrantes e patrocinadores que proporcionaram a realização do Summit Saúde Brasil 2020 para enriquecer o conhecimento da audiência sobre os legados da pandemia. Nos eventos online e totalmente gratuitos, os convidados compartilharam experiências sobre desafios da saúde suplementar, vacinação, prevenção de doenças, rumos para a telemedicina, novos protocolos para a segurança de profissionais e pacientes, colaboração entre hospitais públicos e privados e o impacto da pandemia em outras enfermidades. MEDIAÇÃO: Fabiana Cambricoli Jornalista Rita Lisauskas Blogueira do Estadão e colunista da Rádio Eldorado PALESTRANTES: Jose Solis-Padilla MBA administrador sênior de International Business Development da Mayo Clinic Tsung-Che Chang Representante de Taiwan no Brasil Assista à integra do Summit Saúde Brasil 2020 em medialabestadaoplay. com.br/ DEBATEDORES: Akira Homma Médico veterinário, ex-presidente da Fiocruz e assessor científico sênior de Bio-Manguinhos/ Fiocruz Carolina Pampolha Head médica de Operações da Docway Alberto dos Santos de Lemos Médico infectologista, pesquisador do laboratório de pesquisa em Imunização e Vigilância em Saúde do INI Fiocruz Daniel Neves Forte Gerente de Humanizaçâo e Cuidados Paliativos do Hospital Sírio-Libanês Alessandro Acayaba Presidente da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab) Anna Miethke Morais Vice-coordenadora de Gestão Assistencial Corporativa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) Diogo Assed Bastos Médico oncologista do Icesp e Hospital Sírio-Libanês Daniel Wang Professor de Direito da FGV-SP Antonio Carlos Lima Pompeo Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Donizetti Dimer Giamberardino Filho Vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) Eloisa Bonfá Diretora clínica do Hospital das Clínicas de São Paulo Jorge Vaz Pinto Neto Vice-diretor científico da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Luiza Helena Falleiros Arlant Infectologista pediatra, membro da Câmara Técnica de Pólio do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde Geórgia Antony Especialista em Desenvolvimento Industrial do Sesi Nacional José Branco Diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente Natalia Pasternak Doutora em Microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência Gonzalo Vecina Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP José Cechin Superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) Paulo Chapchap Diretor geral-CEO do Hospital Sírio-Libanês Héber Salvador Cirurgião oncológico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica Leonardo Weissmann Mestre em Doenças Infecciosas pela USP Médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, presidente da Comissão Pólio Plus 4420 do Rotary Pedro Vasconcelos Presidente da Sociedade Brasileira de MedicinaTropical Isabella Ballalai Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Luciana Holtz Fundadora e presidente do Instituto Oncoguia Rafael Kaliks Oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor de Oncologia do Instituto Oncoguia Rogério Carballo Gerente médico de Novos Negócios e Telemedicina do Hospital Infantil Sabará Sérgio Cimerman Médico infectologista e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia Tânia Ortega Enfermeira, membro avaliador da Comissão Nacional da Qualidade do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) Tatiana Aranovich Assessora da diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS Tereza Veloso Diretora técnica médica e de Relacionamento com Prestadores da SulAmérica Vera Valente Diretora executiva da FenaSaúde Realização Patrocínio ESTADÃO?^ ^FenaSaúde F*d*i*íJHi W«tínj!! d» i*úd* ScptonwáUf HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS janssenJTI^H^ SANOFI PASTEUR O SulAmérica.

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Máscaras salvam vidas dentro e fora do hospital quando as pessoas respeitam as regras, ficam protegidas mesmo em ambientes que atendem casos de covid19 do Icesp, espera que a cultura de proteção do profissional de saúde fique como um legado no pós-pandemia. “Na sociedade em geral, o legado deve ser o de lavar as mãos e que pessoas com sintomas de gripe evitem circular, por respeito aos outros”, acredita. Ele alerta, contudo, que esses comportamentos são urgentes. “Não podemos ter um segundo pico de covid19. Ele seria desastroso para o sistema de saúde, para a economia, para a sociedade. Hoje sabemos mais do que antes, estamos melhor preparados. Mas só agora estamos conseguindo tratar casos represados”, afirma sobre as pessoas que deixaram de procurar os serviços de saúde durante os primeiros meses de pandemia. parceria com o Sírio, transformaram um hospital”, cita Tânia Ortega, da Comissão de Qualidade do Conselho Federal de Enfermagem. Na sociedade, o legado deve ser o de lavar as mãos e que pessoas com sintomas de gripe evitem circular, por respeito a outras Diogo Assed Bastos ONCOLOGISTA DO ICESP Lucicinct Alvarez ESPECIAL PARA O ESTADO A indicação de medidas para evitar a transmissão do coronavírus foram mudando ao longo dos meses de pandemia, conforme cientistas foram aprendendo sobre o novo vírus. Mesmo os hospitais tiveram que rever seus protocolos diversas vezes desde março. Atualmente, com milhares de estudos sobre o SARS-C0V-2, já é possível saber com mais segurança o que de fato funciona. Também é possível procurar um serviço médico para situações não relacionadas ao covid19 com bastante confiança de não ser contaminado. O comportamento individual contribui para diminuir a pandemia, explica Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. “Hoje a gente já sabe como evitar a disseminação. Uma medida simples é usar máscara. Também não é para se reunir em ambientes fechados”, afirma o médico. Chapchap defende que a máscara seja de uso obrigatório, pois o direito coletivo à vida se sobrepõe a determinadas liberdades individuais. “As pessoas aceitam que não pode andar a mais de 8o quilômetros por hora em certas vias, porque isso colocaria a vida dos outros em risco. Ou que não se entra em certos lugares sem ter vacina. A sociedade tem o direito de restringir um direito individual em algumas situações. Você não tem direito que a sua liberdade ponha em risco a minha vida”, diz. Quando as regras conhecidas são de fato respeitadas, as pessoas ficam protegidas mesmo em ambientes de risco, como hospitais que atendem pacientes com e sem covid-19. “Os fluxos têm de ser apartados desde a entrada. Nós construímos barreiras físicas”, conta Chapchap sobre o Sírio-Libanês. De acordo com ele, a prova de que o esquema funciona é que os colaboradores do hospital têm uma prevalência menor da doença do que na sociedade. Diogo Assed Bastos, oncoloMedidas possíveis. José Branco, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, acredita que só com uma boa coordenação e um a comunicação clara com a sociedade a saúde do Brasil vai conseguir enfrentar a crise. O problema é que não vê sinais disso por p arte do governo federal. Branco pede ainda testes em massa, isolamento e monitoramento de contatos para evitar um lockdown, que afeta, além da economia, a saúde mental das pessoas. “A ideia de imunidade de rebanho é um desastre. Sobrecarrega o sistema e não vou ter profissional para atender a todos”, diz. A sobrecarga representa um problema não só para profissionais da saúde, mas para toda população. “Se tiver sobrecarga, vamos precisar improvisar. Se improvisarmos, mortes aumentam. Não se pode baixar a guarda”, afirma Chapchap. Embora bons protocolos para a segurança hospitalar sejam conhecidos, eles normalmente não chegam ao País inteiro. “Em Porto Velho, eu vi como os protocolos, implementados empar- A pandemia veio revelar o que os profissionais de enfermagem já enfrentavam. Onde a preocupação com segurança era mais consolidada, os profissionais adoeceram pouco Tânia Ortega DO CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM Problema antigo. Segundo ela, a grande mortalidade por covid19 de profissionais de saúde, sobretudo técnicos e auxiliares de enfermagem, demonstra as condições precárias com que esses profissionais vêm trabalhando faz tempo no País. “A pandemia veio tirar o véu e revelar a realidade que os profissionais de enfermagem já enfrentavam. Os protocolos são excelentes, é só aplicá-los. Onde mais se aderiu, onde a preocupação com segurança já era mais consolidada, os profissionais adoeceram pouco”, afirma a profissional. A maior parte das instituições, porém, oferece pouca formação continuada e trabalha com déficit de enfermeiros. “A segurança do profissional de enfermagem não é só EPI (equipamento de proteção individual), é também ambiente seguro e conhecimento. Para garantir a segurança do paciente, primeiramente tem de se proteger seus funcionários. Um profissional pode contaminar muitos pacientes”, alerta Tânia. FORMAS DE SE PROTEGER l Use sua máscara durante todo 0 tempo em que permanecer fora da sua casa 4 Toque 0 mínimo possível em qualquer superfície. Evite botar as mãos no rosto 2 Higienize as mãos com frequência e sempre que ajustar a sua máscara 5 Não cumprimente com beijos, abraços ou apertos de mãos 3 Evite aglomerações. Mantenha uma distância segura das outras pessoas (cerca de 1,5 m) Não compartilhe objetos, alimentos e utensílios Fonte: Guia Retomada Segura, do Hospital Sírio-Libanês.