Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 09/04/2021 às 08h56

A taxa de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) voltadas para pacientes com Covid-19 na rede privada do Distrito Federal amanheceu nesta sexta-feira (9/4) em 98%. Os dados constam no sistema InfoSaúde, do Governo do Distrito Federal (GDF), atualizado às 7h10. São 418 leitos preenchidos, oito disponíveis e 13 bloqueados. Os dois leitos pediátricos existentes na rede particular são usados neste momento, não havendo mais vagas para crianças. Atualmente, 14 hospitais com leitos de UTI Covid particulares estão 100% ocupados no DF. Há seis vagas no Hospital Santa Lúcia, na Asa Norte; uma no Hospital São Francisco; e outra no Sírio-Libanês. Rede pública Os dados de leitos de UTI na rede pública do DF foram atualizados às 8h10 desta sexta. A ocupação das unidades de terapia intensiva voltadas para Covid-19 está em 97,4%. São 406 leitos públicos de UTI Covid preenchidos e 11 vagos. Dos leitos livres, dois são pediátricos, dois neonatais e sete adultos. Outros 33 aguardam liberação. Há nove hospitais com leitos de UTI Covid públicos 100% ocupados no DF. As vagas estão no Hospital de Base (uma adulta), no Hospital de Campanha da Polícia Militar (uma adulta), no Hospital da Criança (duas pediátricas), no Hospital Regional da Asa Norte (duas neonatais), no Hospital Regional de Santa Maria (duas adultas), no Hospital do Gama (duas adultas) e no São Francisco (uma adulta). Pessoas entre 46 e 71 anos são as que mais têm ocupado leitos públicos na capital. A idade que mais preenche UTIs Covid neste momento é 59 anos, com15 pessoas internadas na rede pública para tratamento da doença. Ainda conforme os dados do painel do GDF, 82,3% dos pacientes em UTIs públicas ficam internados até 15 dias para tratar o novo coronavírus. Outros 14,5% permanecem até 30 dias, e 3,2% passam mais de um mês no leito. A lista de espera por UTI na rede pública segue em alta. Até as 8h desta sexta, somava 255 pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo novo coronavírus. A fila por UTIs em geral tinha 343 pacientes.

BLOGS-O GLOBO
Data Veiculação: 09/04/2021 às 08h00

Os dois principais hospitais de referência em São Paulo, o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, terminam esta semana em situação menos ruim do que começaram. No Einstein, eram pouco mais de 300 internados com Covid na semana passada. Ontem, esse número era de 230 pacientes. No Sírio, eram 250 na semana passada. Caiu para 190 ontem. São ainda números enormes. E não é o caso, de modo algum, de baixar a guarda: os médicos de ambos os hospitais alertam que só nos próximos dias se saberá o real efeito do feriado de Páscoa na proliferação da pandemia. No governo de São Paulo, estima-se que o relaxamento de fato das atuais restrições só será feito no fim de abril.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 09/04/2021 às 03h00

Vacinados podem adoecer, mas têm risco menor de morte Pessoas que recebem o imunizante devem manter cuidados preventivos Vacinação de pessoas com comorbidades em Manaus ValdoLeão/DivulgaçãoSecretariadeComunicação Everton Lopes Batista São Paulo As vacinas contra a Covid-19 aprovadas para aplicação na população são seguras e eficazes para proteger quem as recebe —os estudos clínicos realizados com milhares de pessoas, usando públicos diferentes, comprovaram isso e foram a base para a liberação dos imunizantes. Grupos de cientistas monitoram constantemente os efeitos das substâncias e emitem alertas caso as vacinas ofereçam algum risco. Porque, então, algumas pessoas morrem com a doença mesmo após as injeções? Em primeiro lugar, as vacinas não garantem 100% de eficácia contra o coronavírus Sars-CoV -2, como qualquer tratamento de saúde. Conforme aumenta o número de vacinados no país, surgem relatos de pessoas que receberam o imunizante e pegaram a doença logo depois, chegando a desenvolver a Covid-19 na forma grave e até morrendo por complicações da doença. Um caso que chamou a atenção nos últimos dias foi o do cantor Agnaldo Timóteo. O artista foi internado com a Covid-19 dois dias depois de ter tomado a segunda dose da vacina, o que indica que a infecção pode ter acontecido entre as duas injeções, quando a proteção ainda não está completa. O cantor morreu no dia 3 de abril aos 84 anos. Para ter efeito no organismo, a substância precisa de pelo menos 14 dias após a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante é aplicado em duas injeções). Mesmo com a imunização completa, a alta circulação do vírus no Brasil e as novas variantes, ainda pouco estudadas, fazem o risco de infecção crescer, apesar das vacinas. É importante lembrar que as vacinas não causam a doença. Elas carregam um antígeno, um pedacinho do vírus ou o vírus inteiro inativado —incapaz de gerar infecção— que aciona nosso sistema imunológico para criar barreiras contra o vírus verdadeiro. Sintomas como febre e dores após a vacinação são comuns e indicam que o sistema imunológico está trabalhando. “Os estudos contam com milhares de participantes, mas quando começo a aplicar a vacina em milhões de pessoas, vão aparecer aqueles que desenvolvem a doença grave. O que os estudos dizem e o que vemos é que quem recebe a vacina tem um risco menor de adoecer" afirma Sonia Ra- □ Perguntas e respostas O que fazer após tomar a primeira dose da vacina? Aguardara data da segunda dose mantendo os cuidados como máscara, distanciamento social e higiene das mãos. O que fazer após receber a segunda dose da vacina? Manter uso de máscara, distanciamento social e higiene das mãos até que uma boa parcela da população (pelo menos 50%) esteja devidamente imunizada e a circulação do vírus caia drasticamente. Quando isso acontecer, uma retomada mais ampla das atividades pode ser feita lentamente com segurança. Posso ter Covid-19 após tomar a vacina? Sim. Os estudos mostram que os vacinados têm boni, infectologista do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR/Ebserh). Pessoas mais velhas e com algumas comorbidades não fazem parte dos primeiros grupos a entrarem nos estudos com as vacinas. Geralmente, são incluídos depois e em menor número. Segundo Raboni, o grupo de pessoas mais velhas, que têm um sistema imune mais debilitado, pode ter respostas mais fracas à vacina. De acordo com Ethel Maciel, epidemiologista e profes- muito menos chances de se infectar com o vírus, e quando isso acontece os sintomas são mais leves. Ainda assim, os pesquisadores não descartam casos graves ou mortes, mas esses são casos raros. Posso transmitir o vírus após tomar a vacina? Sim. É possível que a pessoa se infecte e tenha uma infecção mais leve ou sem sintomas. Isso indica que a transmissão ainda é possível, mesmo que em uma intensidade menor. Dados não conclusivos indicam que algumas vacinas podem barrara transmissão em algum nível, o que é uma boa notícia, mas ainda precisa ser confirmada. Se eu não tiver nenhuma sora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os estudos clínicos são feitos em ambientes mais controlados, com mais adultos saudáveis. “Quando vamos para a vida real, temos pessoas com outras comorbidades e condições. Já esperávamos que essas pessoas podem se infectar. E agora precisamos de estudos que acompanhem o que acontece a essas pessoas." Maciel diz que ainda há poucos grupos acompanhando os efeitos das vacinas nos brasileiros. Segundo a epidemiologista, o Ministério da Saúde - reação depois de tomar a vacina, significa que ela não funcionou? Não. Cada organismo responde de maneira diferente ao imunizante. Mesmo sem ter efeitos comuns como febre e dores, a vacina pode funcionar. Posso fazer algum teste para saber se a vacina funcionou? Não. O teste rápido (sorológico), que mede anticorpos contra o vírus e pode ser comprado em farmácia, ainda fornece resultados muito frágeis. Além disso, nossa resposta imunológica não é formada só por anticorpos, há outras moléculas que nos protegem e que não são detectadas com testes simples, diz Maura Salaroli, infectologista do Hospital Sírio-Libanês. de deveria oferecer financiamento para pesquisas que identifiquem as linhagens dos viras que infectam as pessoas no país e as comorbidades de quem tomou o imunizante e mesmo assim adoeceu. Esse conhecimento vai ajudar a entender onde a vacina pode falhar e elaborar as soluções. Hoje, temos pouco mais de 10% da população brasileira imunizada, e os números da Covid-19 no país mostram que o vírus circula livremente, fazendo mais vítimas do que nunca. "Diante de um universo de dezenas de militares de novos casos diários e do aumento gradual, ainda que lento, do percentual de indivíduos vacinados, é esperado que ocorra cada vez mais casos de infecção em vacinados”, afirma a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) em nota publicada na internet. Para os especialistas, a vigilância dos cientistas sobre a dinâmica da doença e as medidas preventivas, como uso de máscara, o distanciamento social e a higiene das mãos, devem ser reforçados agora. “As vacinas diminuem o risco, e os estudos mostram que as chances de desenvolver a do encrave depois de tomar o imunizante são bem menores, mas ainda temos poucos dados publicados", diz Maciel. “É incontestável que existe uma lacuna de dados em decorrência da necessidade de aprovar com agilidade as vacinas para a contenção da maior crise sanitária do século. Mas todas as notificações estão sendo acompanhadas e investigadas pela vigilância. Precisamos aguardar a publicação dos dados da avaliação da efetividade das vacinas na vida real e possíveis falhas vacinais”, concorda a nota da SBIm. Em alguns organismos, essa proteção pode nunca ficar completa, por isso é importante ter o maior número de pessoas vacinadas para que a circulação do vírus diminua drasticamente e os riscos sejam menores para todos. “Temos dois objetivos com as vacinas: primeiro, queremos diminuir os riscos de internação e óbitos. O outro é diminuir a transmissão, mas ainda não temos certeza se essas vacinas disponíveis fazem isso. Começa capacidade, poderíamos chegar a uma imunidade coletiva, isto é, com mais pessoas imunizadas, cada vez menos pessoas vão adoecer", diz Maura Salaroli, infectologista e gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Sírio-Libanês. Assim, até termos um bom número de pessoas vacinadas no país (alguns pesquisadores dizem que acima de 70% da população) e pudermos observar claramente os efeitos da campanha, todos os cuidados preventivos devem continuar em vigor. “Nenhuma pandemia da história foi controlada sem isolamento social e quarentenas. Precisamos reduzir o contato entre as pessoas até que as vacinas cheguem à população e tenhamos um bom tratamento contra a doença”, diz a infectologista Sonia Raboni, da UFPR. “Agora, a melhor vacina é a que chegar primeiro no braço do cidadão. No futuro, poderemos chegar à conclusão de que uma pode ser melhor do que a outra em alguns casos, mas agora todas são boas para a diminuição dos casos e mortes”, diz Salaroli, do Sírio-Libanês.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 09/04/2021 às 03h00

Para diretor do Sírio-Libanês, sem mudança de comportamento, abril pode terminar com outras dezenas de milhares de mortos Mesmo com queda na internação por Covid-19 nos últimos dias, o Hospital Sírio-Libanês (SP) segue com a ocupação máxima dos leitos de UTI e com uma fila de mais de 130 pacientes em terapias intensivas de outros hospitais aguardando a transferência. Para o cirurgião Paulo Chap chap, 66, diretor-geral do Sírio, independentemente da vacina, ouso de máscara continua sendo o componente mais importante de qualquer medida preventiva e as autoridades brasileiras deveriam torná-la obrigatória, com policiais e guardas nas ruas chamando a atenção de pessoas que ainda não a utilizam. “Não adianta esperar misericórdia do vírus. Não tem. Nós é que temos que ter misericórdia um dos outros e nos comportar adequadamente para não causar dezenas de milhares de mortes agora em abril”, afirma ele, que também lidera o grupo Todos pela Saúde. * Hospitais como Sírio e o Einstein registram queda de internação por Covid. Isso já se reflete na ocupação das UTIs? Não. Ainda estamos com uma ocupação alta das UTIs, embora tenhamos aumentado muito o número de leitos disponíveis. Temos indicadores antecedentes de que a ocupação dos leitos não críticos vai continuar diminuindo. O número de pacientes com síndromes gripais que testam positivo no pronto atendimento está caindo continuadamente. A gente chegou a atender 120 pacientes com síndrome gripai e mais de 85% testavam positivo para a Covid. Agora esse número está em 50%. E o sr. atribui isso à quê? Às medidas de restrição ou ao impacto da vacinação nos grupos prioritários? Acho que é um misto das duas coisas. Qualquer evento de risco para a infecção [grandes aglomerações, por exemplo] começa a se manifestar de duas a três semanas depois nas internações. Para que os números caiam, precisamos de medidas de distanciamento e comportamento adequado mais restritivas. Quando vocês [imprensa] colocam que a situação é crítica e ascendente, as pessoas ficam com medo de não encontrar vaga no hospital. Teve uma segunda-feira aqui que a gente não tinha nenhuma vaga para leito Covid e 21 pacientes estavam esperando no pronto-atendimento pela internação. Quando a gente notícia isso, só um insano não se comportaria de forma mais adequada. O reflexo a gente vê de duas a três semanas depois. Vocês trabalham com modelos preditivos. O que podemos esperar para as próximas semanas? Se continuar esse comportamento de diminuição no pronto-atendimento, Bruno Santos -19.ago.16/ Folhapress Paulo Chapchap, 66 Médico formado pela Faculdade de Medicina da USB doutor em clínica cirúrgica. Foi pesquisador e professor visitante em transplante de fígado da Universidade de Pittsburgh e é coordenador do grupo de transplante de fígado do FHospital Sírio-Libanês. Atualmente é diretor-geral da instituição.Não adianta esperar misericórdia do vírus. Nós é que temos que ter misericórdia um dos outros e nos comportar adequadamente para não causar dezenas de milhares de mortes em abril A gente chegou a atender 120 pacientes com síndrome gripai e mais de 85% testavam positivo para a Covid. Agora esse número está em 50% Em SP, e com o comportamento atual, não tem sentido [fazer loekdown] porque caiu a ocupação em UTIs. É só usaras outras medidas restritivas, como asblitze em festas clandestinas acho que teremos uma folga. Entretanto, a nossa preocupação é que as pessoas, quando ficam sabendo que diminui a pressão, voltam a ter um comportamento inadequado. E eu não sei qual foi o comportamento nessas semanas de feriados prolongados. A transmissão em eventos de grande contágio já está fartamente documentada, mas têm outras situações, como a reunião de duas a três famílias que não moram juntas e que se reúnem para um jantar dentro de casa, num ambiente pouco ventilado. Não é um evento que você contamina 70 ao mesmo tempo, também é um evento de disseminação. Se nesses feriados prolongados as pessoas se reuniram com outras que não moram na mesma casa, devemos ter uma outra inflexão ruim da curva para cima em duas a três semanas. Vamos saber disso a partir do dia 20. Como vocês estão se preparando para essa hipótese? Nós não estamos desmobilizando as equipes em unidades Covid e continuamos contendo algumas das outras unidades do hospital. Fiquei muito mal impressionado com aquela festa em Santa Catarina, como se não houvesse amanhã. Imagino que isso possa ter acontecido em outros locais. Uma coisa que está bem documentada é que ter uma infecção anterior não te protege de outra. Já começam aparecer evidências de que pode até ser pior. O que vai fazer a diferença é distanciamento com uma vacinação ampla, como a gente vê em outros países. A questão é que está cada vez mais difícil manter as pessoas em isolamento... Precisamos mudar um pouco o nosso discurso. A gente coloca que todo isolamento é igual, e não é. Ao ar livre, é diferente, a chance de contaminação é muito pequena, a não ser que ocorra grande aglomeração. Se você fica com sua pequena família, você tem liberdade de viajar, de ir à praia. A gente precisa tratar a população com mais maturidade, sem tentar apavorar, fazer um projeto educativo. Máscara é o componente mais importante de qualquer medida. As autoridades brasileiras precisam tomar o uso de máscaras mandatório. Não adianta esperar misericórdia do vírus. Não tem. Nós é que temos que ter misericórdia um dos outros e nos comportar adequadamente para não causar dezenas de milhares de mortes agora em abril. Às vezes, as pessoas falam; Ah!, mas eu já me comportei um ano!’ Como se tivessem feito uma poupança que permitisse uma proteção adicional. Mas basta um ato de mau comportamento para ele se contaminar. Qual a ocupação hoje das UTIs no Sírio? Estamos com ocupação próxima a 100%, em torno de 95% na UTI Covid, mas com lista de espera em outros hospitais. Em Brasília são mais de 70 casos que pediram transferência e que a gente não está conseguindo trazer. Em São Paulo, em torno de 60. São pacientes que estão em terapias intensivas em outros hospitais e pediram transferência para cá. u pergunte para as famílias o que os pacientes em casa estavam tomando [antes de piorar]. Muitos que estão internados hoje em UTIs, e com pouca chance de sobreviver, estavam usando o tal kit de tratamento precoce A gente coloca que todo isolamento é igual, e não é. Ao ar livre, é diferente, a chance de contaminação é muito pequena, a não ser que ocorra grande aglomeração. Se você fica e com sua pequena família, você tem liberdade de viajar, de irà praia. A gente precisa tratar a população com mais maturidade há um movimento em curso pedindo lockdown nas próximas semanas. Ainda é necessário? Lockdown é uma medida extrema. Quando a prevalência está altíssima, como estava há duas, três semanas, aí você tem que ser mais rigoroso. Em algumas localidades do Brasil, onde os hospitais estão com lotação máxima e há risco de falta de insumos, de as pessoas morrerem em casa com falta de ar, como aconteceu em Manaus, aí tem fazer lockdown. Em São Paulo, com o comportamento atual, não tem sentido porque caiu a ocupação, inclusive em algumas UTIs públicas. É só usar as outras medidas restritivas inteligentes, como as blitzes em festas clandestinas. A nossa polícia, a nossa guarda civil metropolitana tinha que estar nas ruas dizendo: 'Põe a máscara’. Isso é fundamental. É muito mais inteligente do que, numa situação como a atual, fazer lockdown. A questão é que como exigir isso da população em um país em que o próprio presidente insiste em não usar máscara... Bom, se a gente for falar sobre isso eu vou ali tomar um remedinho e depois a gente fala de novo... O problema é que tem uma parte significativa da população, inclusive muito instruída, que copia o presidente para mostrar apoio. A gente subestima a influência que ele tem na população. E ele tem muita. Por quê? Porque isso acontece até com médicos. Quando o paciente vai a diferentes médicos que dão diferentes opiniões, ele adota aquela Sue é mais confortável. Quando você tem um presidente que uma parcela da população considera um mito, 30% vão copiar o que ele faz. Mas existe o resto da população que não acha ele um mito, mas já está cansada do enfrentamento da pandemia e que também não viveu o luto da perda de um ente querido. Aí escolhe a conduta que é mais confortável. E a mais confortável é não fazer isolamento social ou usar máscara. Isso se aplica também à questão do tratamento precoce que o presidente insiste em defender a despeito das evidências? Quem indica esses remédios provoca uma falsa sensação de segurança nas pessoas. Elas podem pensar que estão seguras que não vão pegar. Aí não usam máscara, fazem aglomeração. Na minha opinião, preconizar o tratamento precoce nessa altura da pandemia é criminoso. Essas pessoas tinham que visitar pelo menos um hospital, uma UTI e conversar com as famílias dos pacientes internados. É o mínimo que eu esperaria das nossas lideranças. Pergunte para as famílias o que os pacientes em casa estavam tomando [antes de piorar]. Muitos que estão internados hoje em UTIs, com pouca chance de sobreviver, estavam usando o tal kit de tratamento precoce. É a mesma recomendação que o sr. daria à diretoria do CFM? Sem dúvida nenhuma. O CFM ainda é pior, a liderança do CFM tem informação médica, científica a ponto de saber ler um trabalho científico. Não existe justificativa para a ignorância. O plenário do STF deve analisar nesta quarta (7) a questão do veto a cultos religiosos. O que sr. pensa sobre isso? Cultos, missas são exatamente os eventos de grande contágio. Ninguém está querendo impedir que as pessoas exerçam a sua religiosidade, mas sim que o façam em ambientes adequados. Com uso de máscara, distanciamento, ao ar livre, em grandes praças e parques, eu não vejo problema. Dentro das igrejas, sim, temos um grande problema.

VEJA/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 09/04/2021 às 03h00

GERAL MEDICINA NA UNHA DE FRENTE Com menos de dois anos de existência, o Hospital Vila Nova Star, de São Paulo, entra na saudável disputa entre os grandes centros de saúde Adriana dias Lopes UMA PROVOCAÇÃO grassava em Brasília no fim do século passado: o melhor hospital da cidade era a ponte aérea para São Paulo. A zombaria foi lançada em abril de 1985 com a transferência de Tancretlo Neves, em estado grave causado por uma infecção, do Hospital de Base para o Instituto do Coração, desde então, procurar leitos na capital paulista virou norma para quem pode pagar por uma mediei na de ponta* Nos últimos anos, a disputa mais acirrada por pacientes ilustres foi travada entre os hospitais Albert Einstein e o Sírio-Libanês. Há, agora, um novo personagem, uma celebrada terceira via: o Vila Nova .Star, da Rede DQr, inaugurado em 2019, pouco antes da pandemia, Com noventa leitos — cerca de 80% menos em relação aos dos concorrentes —, o novo endereço conquistou em tempo recorde espaço inédito entre os profissionais de medicina, A potência financeira por trás foi decisiva — a Rede D’0r, comandada pelo milionário e também médico Jorge Moll, reúne52 hospitais espalhados por nove estados brasileiros, O Vila Nova, a joia da coroa, recebeu um aporte inicial em torno de 350 milhões de reais. Deu-se o salto decisivo com a contratação de médicos reputados no mercado, Nomes fortes escolheram trocar décadas de trabalho nos hospitais já consagrados para começar do zero, 72 14 DE ABRIL, 202' Entre eles, o oncologista Paulo Hoff (onze anos de Sírio-libanês), a cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar (dez anos na Instituição) e o cirurgião Antônio Luiz Macedo (41 anos de Einstein)* Especula-se que, além de salários, alguns recebam luvas. Mas há algo que lhes interessou, para além do dinheiro, natural mente: a chance de trabalhar em um centro de excelência desde o minuto inaugural. Diz Antônio Macedo: '"O Einstein é um hospital maravilhoso, mas foi interessante e desafiador começar em um lugar em formação*. A troca mais alardeada foi, sem dúvida, a de Paulo Hoff, o primeiro grande nome da linha de frente a ser levado por Moll, ainda quando o prédio estava na planta. Na época chegou-se a falar nos bastidores que cie passaria a ter salário próximo de 1 milhão de reais, o que o tornaria o médico mais bem pago do Brasil — a cifra nunca foi confirmada por ele. Hoff, que coordena uma equipe de 300 oncologistas, palpitou da estrutura à montagem de equipamentos do prédio de 21 andares. Decidiu ampliar as salas cirúrgicas (que medem espantosos 70 metros quadrados), tornou os quartos mais confortáveis, com televisões de 65 polegadas e a disponibilidade de tablets, por meto dos quais o paciente controla a temperatura e a iluminação do ambiente, faz chamadas por vídeo para a enfermaria e tem informações sobre os próximos exames a ser feitos. Recentemente, de pediu a compra de um dos aparelhos mais sofisticados e caros de radioterapia, o único HALL DA FAMA Anita: a cantora integra a lista de pacientes ilustres £ | ELITE DE JALECO Daesq. para adir.: Fernando Soares fex-A.C, Camargo), Vanderson Rocha (ex-Sírio-libanês), Antônio Macedo (ex-Albert Einstein), Paulo Hoff (ex-Sírlo-Líbanês), Miguel Srougl íex-Sírio-libanês). No centro, Ludhmila Hajjar (ex-Sirio-Libanês) no Brasil. O Cyberknife (5 milhões de dólares) é sensível aos movimentos do corpo provocados pela respiração do paciente, o que o torna extremamente preciso para atingir ü tumor, sem afetar órgãos sadios ao redor da célula cancerígena. A exatidão encurta o tempo de tratamento de diversos tipos de câncer para até cinco dias — o convencional leva em torno de um mês. De cada dez pacientes dn Vila Nova, cerca de três são de outros estados. Mas, diferentemente dos tempos de Taneredo Neves, pouquíssimos de Brasília, O grupo D’Or inaugurou uma unidade na capital federal, o DF St ar. Há ainda urna terceira unidade com padrão semelhante no Rio de Janeiro, com movimento interessante: os médicos de São Paulo é que vão para lá quando é preciso. “O paciente quer uma boa infraestrutura, mas ele escolhe o hospital pelo médico" diz Ludhmila Hajjar, referência no país no tratamento de Covid-19 e que recusou convite de Jair Rolsonaro para ser ministra da Saúde, I .udhniila está entre as que mais atraem pacientes de outras instituições. Entre eles, as cantoras Anitfca e Izat o ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonío Dias Toffoli o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Paulo Dias de Moura R ibeiro e o exministro da Saúde Eduardo Pazuello, “Estamos muito bem, mas ninguém tem a ilusão de ser a única referência em saúde* diz Hoff; “Os hospitais todos são fundamentais." A briga é saudável. Tome-se como exemplo a evolução cientifica que brota do confronto de t res gra n des ccntros america nos de medicina: a Clínica Mayo (cuja sede fica em Rochester, no Minnesota), a Johns Hopkins (em Raltimore) e a Brigham Women (Boston). O Brasil só tem a ganhar com a boa rivalidade cientifica. Em tempo: o setor do Vila Nova destinado a Covid-19, com 22 leitos, tem 100% de ocupação, ■ 14 DE ABRIL. 2021 73.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 09/04/2021 às 02h09

O bailarino e coreógrafo Ismael Ivo morreu na noite desta quinta-feira (8), aos 66 anos, por complicações da Covid-19, informou sua assessoria. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Veja a repercussão: Alê Youssef - secretário de Cultura de São Paulo “Teve uma carreira brilhante na arte e marcou uma geração da dança nacional e internacional. Consagrou-se na Europa como diretor e curador na Bienal de Veneza, e na direção da companhia de dança do Teatro Nacional Alemão. Meus sentimentos à sua família, amigos, colegas de trabalho e fãs”. Ballet Paraisópolis "Um mestre, pensador, coreógrafo, bailarino... um artista nato. Hoje perdemos uma figura da dança e um grande amigo". João Doria - governador de SP “Ismael foi diretor da Bienal de Veneza, do Balé da Cidade, e o primeiro estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão. Era um amigo querido. Muito triste. Minha solidariedade aos familiares”, escreveu. São Paulo Companhia de Dança "É difícil encontrar palavras para expressar o que significa a perda de Ismael Ivo". Wanda Stefânia - atriz