Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 08/03/2021 às 20h11

O estado de São Paulo registrou nesta segunda-feira (8) o 10º recorde seguido de pacientes internados com Covid-19. A média móvel de mortes por coronavírus também foi a maior desde o início da pandemia nesta segunda, com 291 óbitos causados pela doença por dia. Além disso, a taxa de ocupação de UTIs do estado de São Paulo também alcançou seu maior índice histórico, com 80,9% dos leitos ocupados. Segundo dados da Secretaria da Saúde, o estado tem 19.657 pacientes hospitalizados com quadro confirmado ou suspeito da doença, sendo que 11.000 pessoas estão internadas em leitos de enfermaria e outras 8.657 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O total de pacientes internados bateu recordes todos os dias desde 27 de fevereiro: naquela data, o estado tinha 15,5 mil pacientes em leitos de internação, valor que já constituía um recorde. Nesta segunda, são 19,6 mil, o que representa 4,1 mil pessoas a mais em 10 dias. A média móvel de mortes, que leva em consideração os registros dos últimos sete dias e minimiza as diferenças das notificações, é de 291 óbitos por dia nesta segunda, superando o recorde de agosto de 2020, quando o índice chegou a 289 mortes diárias. O governo estadual anunciou nesta segunda a abertura de 11 hospitais de campanha por todo o estado, vinculados a Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), para aumentar o total de leitos no estado. Os especialistas alertam, no entanto, que a criação de novos leitos não é suficiente para o controle da pandemia. Mortes e casos em SP O estado de São Paulo registrou 121 novas mortes provocadas pela doença nesta segunda (8), elevando o total para 61.584 desde o início da pandemia. As novas confirmações em 24 horas não significam, necessariamente, que as mortes aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema neste período. De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde, também foram registrados 4.224 novos casos da doença nas últimas 24 horas, totalizando 2.117.962 casos confirmados do coronavírus desde o início da pandemia. A média móvel de casos diários está em 10.466 nesta segunda. Pacientes na capital Em um hospital de Guaianazes, na Zona Leste da capital, Tiago da Silva vive uma rotina triste que se arrasta há três meses. Ele aguarda notícias do pai dele, João, de 75 anos, que está internado com covid no Hospital Tide Setubal, desde o dia 9 de dezembro. “Ficou 22 dias intubado. Agora ele já está no quarto fazendo tratamento de câmara hiperbárica para ajudar na cicatrização de escaras que deu nas costas dele”, disse Tiago. Segundo ele, nas últimas semanas o número de parentes na frente do hospital aumentou bastante. De acordo com a prefeitura, 111 pessoas estão internadas no Tide Setubal com coronavírus, e mais da metade está na UTI. Especialistas Um médico que trabalha em duas unidades de terapia intensiva na capital reforça o que outros profissionais já disseram ao SP1: os casos graves entre jovens aumentaram significativamente. “Nossa sensação é de impotência na medida em que você vê um número grande de pacientes que têm uma perspectiva de sobrevivência às vezes limitada e você está fazendo tudo que você pode para melhorar a condição clínica dos pacientes", disse Luciano Cesar Azevedo, médico intensivista do Hospital das Clínicas (HC) e do Hospital Sírio Libanês. “Nossa sensação é de impotência na medida em que você vê um número grande de pacientes que têm uma perspectiva de sobrevivência às vezes limitada e você está fazendo tudo que você pode para melhorar a condição clínica dos pacientes", disse Luciano Cesar Azevedo, médico intensivista do Hospital das Clínicas (HC) e do Hospital Sírio Libanês. "Mesmo assim, você não consegue fazer muitos desses pacientes melhorarem, fazerem esses pacientes saírem da UTI e voltarem para as suas famílias”, completou. Para o intensivista, a banalização do total de mortes por Covid-19 agrava a situação. “As pessoas banalizaram o fato que o Brasil tem quase 2 mil mortes por dia. De fato, tornou uma coisa comum e as pessoas não se tocam que pode acontecer com eles também. E, se os jovens continuarem aglomerando, vai acontecer com eles também”, disse o médico Luciano Azevedo. O médico sanitarista Gonzalo Vecina afirma que, enquanto não houver a vacinação em massa da população, a única forma de reduzir o impacto da pandemia é respeitando as normas de distanciamento. “Nós temos que diminuir a necessidade de assistência, temos que diminuir os encontros para diminuir os casos, não tem saída. O lockdown, o isolamento social, é a alternativa que nós temos hoje, e é óbvio o uso de máscaras sempre. “Nós temos que diminuir a necessidade de assistência, temos que diminuir os encontros para diminuir os casos, não tem saída. O lockdown, o isolamento social, é a alternativa que nós temos hoje, e é óbvio o uso de máscaras sempre. Se nós não pararmos de agrupar, de encontrar, nós não teremos redução de casos”, disse o sanitarista Gonzalo Vecina.

SP1/TV GLOBO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 08/03/2021 às 12h35

Meio de oitenta e cinco agora sempre bom aqui tem a sua companhia muito obrigado ocupação das utis vem aumentando quebrando recordes atrás de recordes infelizmente fim de semana fechou com quase oito mil e quinhentas pessoas internadas com Covid19 no estado de são paulo atualmente a taxa de ocupação de oitenta por cento no nosso estado e quer dizer que em média oito de cada dez leitos estão ocupados como junto está uma olhadinha na situação das regiões onde tem um mapa do estado aqui para você onze das dezessete regiões portanto tem ocupação acima da média estadual em situação mais preocupante é bauru tá vendo aquilo com noventa e seis por cento e aí na sequência a gente vê presidente prudente noventa e quatro e araraquara também noventa e quatro por cento de ocupação de leitos de uti vamos juntos conversar ao vivo com filippo mancuso que felipão tem uma situação aí é importante pra gente em relação à guaianases na zona leste da capital diga felipe boa tarde bem-vindo oi boa tarde pra você boa tarde a todos os números são impressionantes assustadores e não uma falta de aviso na itália a situação foi dita pelos médicos que isso aconteceria e acabou acontecendo a gente está aqui em frente ao hospital geral de guaianases um cem por cento de ocupação e é uma situação é muito parecida com a de outros hospitais é em todo o estado de são paulo só aqui na capital paulista são quinze hospitais incluindo as redes estadual e municipal onde não há mais vagas ocupação máxima você disse aí nathália é oito em cada dez leitos de uti em todo o estado de são paulo é estão ocupados a gente também verifica o crescimento nas internações em enfermarias o governo na semana passada já abriu novos leitos acena com a abertura de mais de trezentos leitos de uti ainda para esta semana mas a situação é gravíssima não adianta só criar novos leitos né é a existe a necessidade de não precisar desses leitos e aí só cumprindo as regras de distanciamento como a gente vai ver na reportagem há três meses essa é a rotina do tiago na porta do hospital tide setúbal na zona leste ele aguarda notícias do seu joão o pai dele de sessenta e cinco anos que está internado desde o dia nove de dezembro ficou vinte e dois dias entubado para jantar no quarto tá fazendo um tratamento de câmara hiperbárica a para ajudar na cicatrização numas escadas que deu nas costas dele o tiago disse que nas últimas semanas o número de parentes na frente do hospital aumentou bastante segundo a prefeitura cento e onze pessoas estão internadas aqui com um cover de dezenove mais da metade na uti que tem taxa de ocupação de sessenta e quatro por cento em dezembro quando ele foi internado em este vê bastante mas agora a gente é perceptível ao o aumento que teve na grande são paulo oito de cada dez leitos de uti estão ocupados segundo o governo paulista e já faz seis dias seguidos que o estado registra a tendência de alta nas mortes por Covid19 de acordo com os dados do consórcio de veículos de imprensa este médico que trabalha em duas unidades de terapia intensiva na capital reforçou que outros profissionais já disseram ao sp um que os casos graves entre jovens tem aumentado significativamente a nossa sensação é uma sensação de impotência muito grande na medida em que você vê um número grande de pacientes que tenham uma perspectiva de sobrevivência vezes limitada daí você assim você tá fazendo tudo o que você pode para melhorar a condição clínica dos pacientes e mesmo assim você não consegue é fazer muitos desses pacientes melhorar e fazer muitos desses pacientes saírem da uti e voltarem pra para suas famílias este gráfico mostra a média móvel de novas internações no estado este ano já são dois momentos de aumento dos números o primeiro em dezesseis de janeiro após as festas de fim de ano quando a média foi mil setecentos e quarenta e quatro e desde o dia dezesseis de fevereiro terça de carnaval a linha do gráfico sobe de uma maneira jamais visto até então na pandemia hoje o estado tem uma média móvel diária de duas mil duzentas e vinte e duas internações pessoas banalizaram o fato que o brasil tem quase dois mil mortos o vídeo por dia nos últimos nas últimas semanas nos últimos nos últimos dias né então de fato que se tornou uma coisa comum e as pessoas não senão se não se tocam que é isso pode acontecer com eles também não é uma questão de que não vai acontecer comigo isso pode e se continuar aglomerando vai acontecer como os jovens também o médico sanitarista gonçalo vecina diz que enquanto não houver a vacinação em massa da população a única forma de reduzir o impacto da pandemia é respeitando as normas de distanciamento é nasceu que diminui a necessidade de assistência temos que diminuir os encontros carter menos casos não tem outra saída a lock down é o isolamento social e alternativa que nós temos hoje é óbvio o uso de máscaras sempre se nós não pararmos de nos agrupamos e nos encontrarmos nós não teremos uma redução número de casos de relação a apuração importante que eu fiz agora o estado vai abrir onze hospitais de campanha pelo interior dentro de amis para tentar dar uma aliviada no sistema público de saúde tá feia a coisa mais o gordinho boa tarde bem vinda a minha amiga.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 08/03/2021 às 06h21

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), de 45 anos, foi internado na madrugada desta segunda-feira (8), no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para tratamento da Covid-19. Ele saiu de Aracaju no fim da noite desse domingo (7), em uma ambulância aérea. De acordo com a assessoria do parlamentar, ainda não há boletim médico sobre o estado de saúde. Vieira foi diagnosticado com a doença no dia 1º de março e desde então vinha cumprindo o isolamento em casa, com acompanhamento médico. Mas, com o agravamento do quadro, a foi decidido pela internação. Apesar disso, o senador responde bem aos tratamentos, segundo a assessoria. O comunicado informa que, entre 22 e 25 de fevereiro, ocorreram sessões presenciais em Brasília, e, dias depois, assessores e parlamentares testaram positivo para a doença, incluindo Major Olímpio (PSL-SP), que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 08/03/2021 às 05h00

Um ano de pandemia e, em alguma medida, todos tiveram suas vidas transformadas pelo novo coronavírus -- no trabalho, na vida pessoal, ou nos dois. A prevalência entre os afetados nas duas pontas é feminina. Segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres representam 70% dos profissionais nos setores social e de saúde e são três vezes mais responsáveis pelos cuidados não-remunerados em casa do que os homens. São mulheres como Vera, Fabiana, Fernanda, Clara e Marisa, que saíram para trabalhar ao longo desse ano, enfrentando o medo de serem contaminadas, bagunçando e reorganizando suas vidas domésticas e, ainda assim, encontrando maneiras de prosseguir. Aqui, elas compartilham como foi encarar a pandemia na linha de frente da batalha e suas estratégias para manter algum nível de positividade e saúde mental. Marisa Ferreira de Mello Pádua, 55 anos, psicóloga "Quem teve perdas de pessoas queridas ou precisou implorar por uma vaga de hospital para um familiar vai entender a importância de valorizar a vida" “Coordeno o setor de psicologia do Hospital Saboya, no Jabaquara (SP), e atuo numa enfermaria psiquiátrica. Estando na linha de frente, ainda mais na área de saúde mental, foi impossível me isolar. Enquanto todos estavam reclamando de ficar em casa, isso era tudo o que eu mais queria. Por mais cuidados que eu tenha tomado, acabei pegando Covid, em junho. Foi leve, tive apenas dor de cabeça e cansaço - sintomas que, mesmo agora, curada e tendo tomado as duas doses da vacina, continuo sentindo. Meu marido e minha sogra de 97 anos, que mora com a gente, também pegaram. Ela ficou assintomática. Ele teve sintomas mais fortes, que já passaram. Houve aumento da carga de trabalho, com férias e feriados suspensos para darmos conta dos atendimentos a pessoas que tentavam o suicídio, pacientes com transtorno bipolar, esquizofrenia crônica. Eram casos muito graves que aumentaram demais durante a pandemia. Foi (e está sendo) tudo muito pesado. E ainda vieram as perdas de colegas de trabalho, que foram muitas e significativas. E era inevitável não imaginar que eu poderia ser a próxima. Tenho cinco irmãs e uma delas eu não vejo há um ano. Tenho dois filhos que moram no exterior, que também não sei quando vou poder encontrar. Já comprei a passagem para ver a minha filha, que está grávida, em julho, mas não sei se vai ser possível. Meu escape são a ioga e a meditação. É isso que me dá um suporte mental para poder confortar os pacientes e outras psicólogas com quem trabalho.” Vera Aparecida dos Santos, 51, assistente social "Aprendi que servir vale a pena, e quero sempre estar disponível para servir ao outro no combate à violência" “Eu atuo na prevenção contra a violência sexual, dando orientação e apoio às vítimas de todos os gêneros e idades. Mesmo não sendo uma profissional da área de saúde, acabei ficando imersa nesse universo. A pandemia trouxe um aumento nos casos de violência sexual contra mulheres e crianças. Fui deslocada para uma unidade de saúde para atender urgências. No começo, faltavam equipamentos de proteção e tínhamos de atender vítimas que chegavam com sintomas de Covid19. Convivi com a agonia de ver crianças com sangramento vaginal sem atendimento - todos os esforços estavam focados na pandemia. Tentava dialogar com as unidades e pedir atendimento médico a vítimas com sinais de violência sexual. Isso me causava muita angústia. Tive dor de cabeça constante por conta da tensão. O caminho que encontrei para lidar com todo esse stress foi a descontração e o apoio dos colegas. Elegemos o horário de almoço como nosso momento de conforto, a hora de conversar sobre qualquer assunto que não fosse Covid, de brincar, dar risada, e de comer muito doce. Sou solteira e moro sozinha. Tenho um irmão que mora do lado do meu apartamento, e desde março do ano passado eu não vou lá. A meditação, que já era importante na minha vida, ficou ainda mais. Eu segui fazendo acompanhamento psicológico online. Fui convidada a participar de lives sobre prevenção à violência e fiquei feliz em contribuir de uma forma nova para salvar a vida de mais mulheres.” Fabiana Cristina de Oliveira, 30, diarista "Aprendizado e empatia são as palavras que definem 2020 para mim. Em nenhum momento deixe de sentir e de transmitir amor" “Sou de Recife, mas vivo em São Paulo há 9 anos. Trabalho em diferentes casas, de segunda a sábado. Continuei indo para algumas famílias até o fim de março do ano passado. Em abril, parei de ir em todas as casas. Algumas pessoas se prontificaram, de uma maneira linda, a continuar me pagando. Mas nem todas puderam. Eu ganhava 2 mil reais por mês, e passei a ganhar metade. Por sorte, meu marido trabalha em um mercado e não parou. Mesmo assim, temos três filhos. Foi uma geração de dívida enorme. Tive de reduzir as despesas, as compras de mercado. Era armário ficando vazio e nada de dinheiro entrando. Esse período sem trabalhar foi o que eu senti mais medo de pegar Covid. Meus filhos não estavam indo para a escola e eu não deixava ninguém sair para nada, nem para colocar o lixo na rua. Imagina três crianças ansiosas para sair e brincar... Apesar de todos os cuidados, acabei pegando Covid19 em setembro, quando voltei a trabalhar. Foi apavorante. A evolução foi muito rápida. Eu estava trabalhando e, de repente, senti uma falta de ar imensa, uma sensação de desmaio, e fiquei com febre. Passei cinco dias sem conseguir sair da cama. Tivemos de fazer um esquema de guerra em casa para eu não contaminar meus filhos e meu marido. Fiquei trancada no quarto. Meu marido tirou uma licença do trabalho para cuidar de mim e das crianças, que choravam o tempo todo. Ninguém em casa pegou. Minha fé me ajudou a manter a saúde mental. Em nenhum momento me senti sozinha. Voltei a trabalhar em todas as casas, estou com a semana fechada. Hoje, somos uma família mais feliz e meus filhos reconhecem meu esforço para trazer dinheiro para casa”. Fernanda Justo Descio Bozola, 36, médica infectologista "A pandemia me fez valorizar ainda mais as coisas simples, como um abraço de familiares e amigos" "Trabalho no controle de infecção do Hospital Sírio-Libanês. Em 2019, fiquei grávida e, no final da gestação, chegou a pandemia. Naquele momento, eu enfrentei o medo do vírus e o desconhecimento da maternidade. Por conta do isolamento, não tive ajuda de ninguém, além do meu marido. Me senti um pouco culpada, porque tive de ser afastada do hospital em abril, por causa da gravidez. Minha filha nasceu em maio. Meu marido tirou férias e depois ficou trabalhando em home office. Éramos só ele e eu cuidando da Cecília. Sentia falta de ter a minha mãe perto de mim, ou uma amiga que pudesse ir em casa. Trocava mensagens, ligava, mas não é a mesma coisa. Por outro lado, isso fortaleceu o vínculo entre nós três em casa. Quando tive de voltar a trabalhar presencialmente, veio o stress de encontrar alguém para ficar com a minha filha. Hoje uma profissional maravilhosa trabalha com a gente. Nesse momento, já tínhamos 6 meses de pandemia no Brasil. Eu sabia as medidas de prevenção e sempre tive equipamentos de proteção individual no hospital. Vou trabalhar com tranquilidade, porque sei que estou protegida. Me senti realizada em poder participar do enfrentamento da pandemia como médica infectologista, colocar em prática tudo o que eu estudei. Mas o trabalho é muito intenso e preciso chegar em casa bem para cuidar da minha bebê. É ela que me mantém forte. A minha estratégia para lidar com a situação é separar minha vida profissional da minha vida doméstica. Quando saio para trabalhar, respiro fundo e entro na sintonia 100% trabalho. Na volta para casa, faço o inverso. Tomo um banho e digo: ‘pronto, mamãe chegou’." Clara Esther Maciel dos Santos, 35, enfermeira "A pandemia me trouxe autoconhecimento, porque fui obrigada a me cuidar" "Quando a pandemia chegou, eu estava em período de experiência como enfermeira-líder no Hospital Sírio-Libanês. Hoje, sou coordenadora da UTI. Apesar dos ganhos profissionais, foi um período muito difícil, especialmente na minha vida pessoal. Meu marido trabalha em uma indústria metalúrgica e o serviço caiu bastante. Ele ficou trabalhando em casa, com redução salarial, e cuidando dos nossos dois filhos. Tive de assumir praticamente todas as contas. Saía de casa às 5h e não tinha hora para voltar. Eu tinha muito medo dessa doença, que era totalmente desconhecida. A gente não sabia como tratar, que tipo de paramentação utilizar. Eu tinha pavor de levar o vírus para casa. Passei quatro meses usando máscara dentro de casa, dormindo separada do meu marido. E sem abraçar meus filhos. Sentia que eu não estava conseguindo dar conta de ser profissional, mãe e companheira. Em agosto, tive uma crise de ansiedade séria e precisei me afastar. Pensei em desistir de tudo. Conversei com a minha coordenadora e ela sugeriu que eu tirasse 15 dias de férias com o compromisso de me cuidar. Desde então, faço terapia toda semana. O medo ainda existe, mas hoje me sinto mais protegida no hospital do que fora, porque temos todos os protocolos. A terapia tem sido fundamental para enfrentar esse período e entender que eu tenho vários papéis, como profissional, mãe, companheira, e ainda tem que sobrar um tempo para mim."