Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/12/2020 às 15h34

O PEI (Plano Estadual de Imunização) contra o novo coronavírus divulgado hoje pelo governador João Doria (PSDB) ainda não tem como ser colocado em prática, pois tem alguns passos pendentes, segundo médicos ouvidos pelo UOL. Eles citam a conclusão da fase 3 dos testes da CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, a divulgação da taxa de eficácia e o processo de aprovação e registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Pelo cronograma anunciado pelo governo estadual, a previsão é que a primeira fase da vacinação contra a covid-19 no estado tenha início em 25 de janeiro, em um grupo formado por profissionais de saúde, indígenas e quilombolas. "Não existe uma vacina ainda, a CoronaVac não encerrou os estudos de fase 3. Portanto, não há vacina", diz Jorge Kalil, professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração). "Pode até haver um plano de imunização, mas não é possível ter uma data quando não se tem o produto testado, aprovado e licenciado pela agência reguladora." Os especialistas afirmam que ainda não é possível comprovar a eficácia e a segurança da CoronaVac. "De qualquer maneira é bacana ele [João Doria] ter uma proposta de imunização, é louvável, mostra uma preocupação, mas ainda há passos que dependem não dele, mas de outras autoridades", afirma Marco Aurélio Safadi, infectologista e presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Não é possível fazer a imunização sem aprovação da Anvisa e divulgação dos verdadeiros dados da eficácia. Precisamos saber sobre a eficácia no grupo placebo de contrair ou não a doença. São dados primordiais." Marco Aurélio Safadi, médico infectologista O governo diz que vai divulgar a taxa de eficácia na semana que vem. Segundo Octavio Augusto Camilo de Oliveira, sub-investigador da pesquisa da vacina da Johnson e Johnson no Hospital Sírio-Libanês, tanto a versão preliminar do plano nacional de imunização como o plano estadual de imunização contra a covid-19 são apenas planejamentos e podem ser alterados. O plano estadual de vacinação é ligeiramente diferente do plano nacional pois aborda apenas a fase 1 de vacinação para profissionais de saúde, indígenas, quilombolas e pessoas acima de 60 anos. O plano nacional já engloba outras camadas populacionais mais vulneráveis, bem como até a fase 4 de vacinação." Existe uma cadeia de cuidados de distribuição e de refrigeração, por exemplo, que devem ser seguidos para que a vacina mantenha suas características. O cumprimento dos prazos é uma previsão que pode ser alterada, atrasada ou adiantada de acordo com os atores envolvidos na rede de distribuição e administração." Octavio Augusto Camilo de Oliveira, sub-investigador de pesquisa de vacina Plano estadual de vacinação O governo paulista já firmou um acordo para ter 46 milhões de doses do imunizante —o que é suficiente para vacinar 23 milhões de pessoas, já que são necessárias duas doses. A primeira fase da vacinação, anunciada hoje, deve contar com 18 milhões de doses. O tempo previsto entre a primeira e a segunda dose é de 21 dias. De acordo com o plano apresentado hoje, o horário de vacinação será: De segunda a sexta-feira: das 7h às 22h Sábados, domingos e feriados: das 7h às 17h "A campanha terá grande estrutura logística e de segurança pública, com 54 mil agentes de saúde e 25 mil agentes de segurança, enquanto perdurar o período de vacinação", disse Doria. Para atender todo o estado, o governo conta com o funcionamento de 25 postos estratégicos de armazenamento da vacina, 30 caminhões refrigerados e 5.200 câmaras de refrigeração. Sem dar detalhes, o governo afirmou que o custeio da campanha sairá do "Tesouro" do estado. Apenas a logística deve ficar em torno de R$ 100 milhões, sem contar os insumos.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/12/2020 às 20h41

O técnico Cuca enfim poderá voltar a comandar o Santos em um jogo da Copa Libertadores. Após testar negativo para a covid-19, depois de se recuperar da nova doença, o treinador estará no banco de reservas da equipe paulista para o jogo contra o Grêmio, nesta quarta, em Porto Alegre, pela ida das quartas de final da competição sul-americana. Mesmo recuperado do novo coronavírus, Cuca ficou de fora da partida anterior, na volta contra a LDU, pelas oitavas de final. Na ocasião, ele havia sido vetado porque havia feito apenas o exame sorológico quando esteve internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A Conmebol, contudo, exige em seus protocolos a realização de um teste do tipo PCR. Cuca, então, foi submetido a um exame PCR, realizado no fim de semana antes da partida contra a LDU. O treinador acabou sendo impedido de comparecer ao jogo, mesmo depois de estar recuperado da doença. Em comunicado, a direção do Santos anunciou que todo o elenco também está liberado para o importante confronto de quarta-feira. "Todos os atletas que realizaram exames de covid-19 no último sábado (05) estão liberados para a partida da próxima quarta-feira (09), contra o Grêmio." O clube, contudo, destacou que o atacante Arthur Gomes será desfalque certo. Infectado pelo novo coronavírus, ele segue cumprindo isolamento e será baixa contra o rival gaúcho. Para esta quarta, Cuca escala escalar a equipe santista com John; Pará, Laércio, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Diego Pituca e Soteldo; Marinho, Kaio Jorge e Lucas Braga.

G1/NACIONALL
Data Veiculação: 07/12/2020 às 19h08

O hospital Sírio-Libanês em São Paulo anunciou nesta segunda-feira (7) que teve um pico de procura de pacientes com suspeita de Covid-19 nas últimas 48 horas e acionou o plano de contingência do hospital. Com isso, houve readequação de espaços, leitos e equipes para conseguir realizar o atendimento de todos os pacientes. Segundo o hospital, os casos mais críticos estão sendo priorizados e, por causa do pico na procura, cirurgias eletivas e exames estão sendo remarcadas. “Alguns atendimentos podem ter um tempo de espera maior do que o usual até que todos os processos estejam implementados e os remanejamentos sejam finalizados. Já ampliamos a capacidade do nosso hospital em 2020, que hoje tem mais de 500 leitos operacionais. Fazemos uma gestão diária dos nossos leitos, que é dinâmica e precisa ser reavaliada constantemente”, disse o comunicado do hospital nesta segunda (7). O Sírio-Libanês é um dos principais hospitais de classe média alta de São Paulo, onde são tratados políticos e empresários. Apesar da alta procura de pacientes com Covid-19, o hospital afirma que o cenário atual de atendimento está controlado, mas pediu que os pacientes do serviço respeitem medidas de distanciamento para não sobrecarregar o atendimento ainda mais. “Reforçamos a importância de todos seguirem as medidas de prevenção da transmissão da COVID-19, com o uso de máscaras, distanciamento físico e higiene constante das mãos. Não pare de se cuidar. Precisamos da colaboração de todos para que possamos sair juntos dessa pandemia”, disse o hospital. Alta da Covid-19 Em novembro, o G1 ouviu médicos e pacientes de três grandes hospitais particulares da cidade e mostrou que hospitais como Albert Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz já sofriam com a falta de vagas em UTIs por causa da alta de casos de Covid-19 na cidade. Nesta segunda (7), a ocupação de UTIs para Covid-19 em hospitais públicos e particulares na Grande SP alcançou 63,1% e a média de mortes subiu 34% nos últimos 14 dias no estado, após período em que a análise dos dados foi prejudicada por conta de problema em sistema do Ministério da Saúde. Se comparado ao número registrado há 14 dias, a média diária de óbitos por Covid-19 teve alta de 34%. Segundo boletim do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o estado de São Paulo tem 10.095 pessoas internadas por problemas relacionados à Covid-19 em hospitais públicos e particulares. Desse total, 4.385 estão em UTIs e 5.710 em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos de UTI em todo o estado chegou a 56,3% nesta segunda, de acordo com a secretaria estadual de Saúde. Também foram contabilizadas nesta segunda no estado 25 novas mortes nas últimas 24 horas, elevando o total desde o início da pandemia para 43.040. A média móvel de mortes, que leva em consideração os registros dos últimos 7 dias, é de 135 nesta segunda. Em comparação ao valor registrado há 14 dias, a variação foi de 34%, o que para especialistas indica tendência de alta. O estado já vinha registrando aumento no número de internações há pelo menos três semanas, mas a análise da evolução da epidemia em relação às mortes estava prejudicada por conta de um apagão de dados em sistema do Ministério da Saúde. Entre os dias 6 e 10 de novembro, o governo estadual não divulgou as informações referentes a mortes e casos, o que fez com que as médias caíssem artificialmente. Nos dias seguintes, houve aumento artificial dos números diários por conta dos dados represados. Neste domingo, já foi possível medir a evolução da pandemia em 14 dias usando valores após a normalização da divulgação. Antes do apagão de dados, o estado vinha registrando queda e estabilidade nas mortes. Durante dez dias seguidos a média móvel diária ficou abaixo de 100. No entanto, desde o dia 26 de novembro o valor voltou a ficar acima de 100. Retorno à fase amarela Devido à piora da pandemia, todas as regiões do estado regrediram nesta quarta-feira (2) para a fase amarela do Plano São Paulo, que tem regras mais restritas da quarentena que a verde, na qual 76% da população se encontrava anteriormente. Após congelar a reclassificação por período maior que estipulado, o anúncio do governador João Doria (PSDB) da ida para a fase amarela só aconteceu no dia seguinte às eleições municipais. Também houve nova mudança nos critérios de avaliação dos indicadores. Se as regras anteriores tivessem sido aplicadas, algumas como a Grande São Paulo ficariam na fase laranja, ainda mais restrita. Hospitais públicos e privados já haviam alertado para o aumento das internações e o próprio Centro de Contingência do Coronavírus do governo chegou a recomendar anteriormente que medidas mais restritivas fossem adotadas. Durante a coletiva de imprensa desta quinta, o governo de São Paulo também recomendou que as pessoas evitem celebrações de final de ano que reúnam mais de dez pessoas. VÍDEOS: Veja mais sobre SP e Região Metropolitana.

BOL
Data Veiculação: 07/12/2020 às 15h34

O PEI (Plano Estadual de Imunização) contra o novo coronavírus divulgado hoje pelo governador João Doria (PSDB) ainda não tem como ser colocado em prática, pois tem alguns passos pendentes, segundo médicos ouvidos pelo UOL. Eles citam a conclusão da fase 3 dos testes da CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, a divulgação da taxa de eficácia e o processo de aprovação e registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Pelo cronograma anunciado pelo governo estadual, a previsão é que a primeira fase da vacinação contra a covid-19 no estado tenha início em 25 de janeiro, em um grupo formado por profissionais de saúde, indígenas e quilombolas. "Não existe uma vacina ainda, a CoronaVac não encerrou os estudos de fase 3. Portanto, não há vacina", diz Jorge Kalil, professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração). "Pode até haver um plano de imunização, mas não é possível ter uma data quando não se tem o produto testado, aprovado e licenciado pela agência reguladora." Os especialistas afirmam que ainda não é possível comprovar a eficácia e a segurança da CoronaVac. "De qualquer maneira é bacana ele [João Doria] ter uma proposta de imunização, é louvável, mostra uma preocupação, mas ainda há passos que dependem não dele, mas de outras autoridades", afirma Marco Aurélio Safadi, infectologista e presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Não é possível fazer a imunização sem aprovação da Anvisa e divulgação dos verdadeiros dados da eficácia. Precisamos saber sobre a eficácia no grupo placebo de contrair ou não a doença. São dados primordiais." Marco Aurélio Safadi, médico infectologista O governo diz que vai divulgar a taxa de eficácia na semana que vem. Segundo Octavio Augusto Camilo de Oliveira, sub-investigador da pesquisa da vacina da Johnson e Johnson no Hospital Sírio-Libanês, tanto a versão preliminar do plano nacional de imunização como o plano estadual de imunização contra a covid-19 são apenas planejamentos e podem ser alterados. O plano estadual de vacinação é ligeiramente diferente do plano nacional pois aborda apenas a fase 1 de vacinação para profissionais de saúde, indígenas, quilombolas e pessoas acima de 60 anos. O plano nacional já engloba outras camadas populacionais mais vulneráveis, bem como até a fase 4 de vacinação." Existe uma cadeia de cuidados de distribuição e de refrigeração, por exemplo, que devem ser seguidos para que a vacina mantenha suas características. O cumprimento dos prazos é uma previsão que pode ser alterada, atrasada ou adiantada de acordo com os atores envolvidos na rede de distribuição e administração." Octavio Augusto Camilo de Oliveira, sub-investigador de pesquisa de vacina Plano estadual de vacinação O governo paulista já firmou um acordo para ter 46 milhões de doses do imunizante —o que é suficiente para vacinar 23 milhões de pessoas, já que são necessárias duas doses. A primeira fase da vacinação, anunciada hoje, deve contar com 18 milhões de doses. O tempo previsto entre a primeira e a segunda dose é de 21 dias. De acordo com o plano apresentado hoje, o horário de vacinação será: De segunda a sexta-feira: das 7h às 22h Sábados, domingos e feriados: das 7h às 17h "A campanha terá grande estrutura logística e de segurança pública, com 54 mil agentes de saúde e 25 mil agentes de segurança, enquanto perdurar o período de vacinação", disse Doria. Para atender todo o estado, o governo conta com o funcionamento de 25 postos estratégicos de armazenamento da vacina, 30 caminhões refrigerados e 5.200 câmaras de refrigeração. Sem dar detalhes, o governo afirmou que o custeio da campanha sairá do "Tesouro" do estado. Apenas a logística deve ficar em torno de R$ 100 milhões, sem contar os insumos.

CRESCER ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/12/2020 às 09h06

É impossível não se preocupar ao receber o diagnóstico de covid-19 de um filho. Afinal, a doença é desafiadora e ainda provoca dúvidas. No entanto, felizmente, há vários dados embasados pela ciência que podem trazer conforto aos pais. Um estudo realizado em julho pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC), com 582 casos de coronavírus pediátrico em 21 países da Europa, estimou que até 40% das crianças são assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas. Entre as que adoecem, os problemas mais comuns são febre (65%), infecções do trato respiratório superior, como tosse e coriza (54%), dor de cabeça (28%) e diarreia (22%). “São sintomas muito parecidos com a doença em adultos. A grande diferença está no número de casos graves. São raros os pacientes infantis que necessitam de internação em comparação aos adultos”, explica Ariel Levy, professor do Departamento de Pediatria da Universidade Nove de Julho (SP). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 20% das crianças que contraem o novo coronavírus precisam de atendimento hospitalar e cerca de 5% usam suporte ventilatório durante a internação. Menos de 0,5% desses pacientes desenvolve a síndrome inflamatória multissistêmica (Sim-P), um quadro que pode estar associado ao coronavírus do qual a comunidade científica ainda tem poucas informações. “Seria uma resposta imunológica a esse vírus, que se manifesta até um mês após o contágio”, afirma Levy. De acordo com nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sim-P envolve ao menos dois órgãos. Além de febre persistente, um amplo espectro de sintomas, muitos deles potencialmente graves, têm sido observados nos pacientes, como alterações cardiovasculares, renais, respiratórias, hematológicas e gastrointestinais. Em um cenário no qual ainda não foi desenvolvida uma vacina nem um tratamento eficaz contra a doença, e a única certeza são os milhares de mortes no mundo todo, como os pais devem reagir quando o filho pequeno apresenta sintomas? O primeiro passo é manter a serenidade e não sair correndo para um pronto-socorro, como aconselha o pediatra Márcio Moreira, infectologista do Hospital Albert Einstein (SP). “A busca por serviços de emergência é exagerada em alguns casos. Se a criança está com tosse há dois dias, não tem por que ir ao hospital”, diz Moreira. “Fale com o pediatra de confiança por telefone. Já uma febre persistente ou muito alta por dois dias seguidos é mais preocupante e merece atenção médica. E isso vale para qualquer quadro, não só para a covid19. ” Em geral, a recomendação dos médicos para cuidar de uma criança com coronavírus é responder sintoma a sintoma, como explica a infectologista pediátrica Luciana Becker Mau, do Hospital Sírio Libanês (SP). “Está com febre? Entra com antitérmico. Está com tosse? Faça uma inalação ou dê o xarope. Está com diarreia? Aumente a oferta de líquidos. Tudo recomendado pelo médico. ” Não custa dizer que o acompanhamento de um profissional, aliás, é a primeira providência ao menor sinal de que seu filho pode ter se infectado por coronavírus. E, diante do diagnóstico, seguir à risca as orientações do especialista e cuidar para que o pequeno seja bem cuidado do ponto de vista físico e emocional. A seguir, veja como cinco famílias enfrentaram a covid-19 junto com seus filhos. (Foto: Arquivo Pessoal) “Tom teve só febre, enquanto nós parecíamos zumbis” “Fui a primeira a pegar o coronavírus em casa, em junho. Dor de cabeça constante, dor muscular que queimava... fiquei reclusa no quarto, meu marido deixava as refeições na porta. Meu filho, Tom, ficava sentado no chão do corredor conversando comigo. Às vezes chorava, querendo colo. Eu chorava todas as vezes… meu marido, Tadeu, começou a ficar mal poucos dias depois. Fadiga, tosse. Não demorou, o Tom foi ficando mais quieto e veio a febre. Levamos ao pediatra e aqueles 39 graus de temperatura pelo segundo dia seguido não deixaram dúvidas: agora éramos os três com covid-19. Como eu e o Tadeu nos sentíamos péssimos fisicamente, bolamos um esquema de revezamento para manter o Tom hidratado e comendo direito. Eu ficava menos disposta durante o dia, e repousava. Já meu marido piorava à noite, então era minha vez de assumir o menino. Mas o esquema durou pouco: o Tom teve só febre, que tratamos com antitérmico, enquanto nós parecíamos zumbis... Quinze dias depois, as coisas voltaram ao ‘novo normal’ lá em casa. De certa forma, foi um alívio: mantive o Tom isolado por quase 100 dias antes de ficarmos doentes. Agora, fico mais segura para levá-lo ao parquinho. De máscara, claro." Patricia Franceschini, 39 anos, gerente de experiência do cliente, mãe de Tom, 4, de São Paulo (SP) (Foto: Arquivo Pessoal) “Sou mãe-solo, e eu e meu bebê sofremos com covid-19 juntos” "Acordei com dores no corpo, enjoos e calafrios. ‘Normal’, pensei naquela manhã de maio. Afinal, eu estava amamentando e cuidando sozinha de um bebê de 5 meses. Também andava estressada por estar desempregada em plena pandemia. Não podia contar com o pai do Caiuá, porque sou mãe-solo, nem com os meus pais, pois temos uma relação difícil. Aqueles sintomas eram a soma de tudo, concluí. Mas não eram. Dias depois, continuei mal e tive falta de ar. Suspeitei de coronavírus e bateu o desespero. Quem cuidaria do meu bebê se eu estivesse doente? Não demorou para o Caiuá ter febre e ficar com o nariz tão entupido, que chorava. Uma amiga, que é infectologista, veio nos ver e me ajudou a tratar a coriza dele. Ela recomendou que, se a febre dele não passasse, eu deveria ir ao hospital. Em dois dias, a febre do Caiuá passou. Mas foram as piores 48 horas da minha vida! Tive dores horríveis pelo corpo, não sentia o gosto e nem o cheiro da comida. A cabeça doía e meu filho chorava horas seguidas. Tinha dificuldade para amamentar e sentia culpa pela fome do meu filho, por não ter energia para dar um banho nele, pela casa suja… uma amiga me ligou oferecendo ajuda. Além das compras dos alimentos, fiz outro pedido: combinamos que, se eu demorasse mais de três horas para respondê-la no WhatsApp, ela viria aqui com a polícia e arrombaria a porta. Meu medo era morrer e meu filho ficar no berço, sozinho. Para que meu leite fortalecesse o bebê, passei a comer porções fartas de carne, legumes, mesmo não sentindo gosto de nada. Priorizei a higiene do Caiuá e de seu quarto. Também deixei de ver os telejornais; as notícias das mortes pela covid-19 me traziam pensamentos ruins. O Caiuá melhorou em quatro dias. Eu demorei uns 12. Não posso dizer que passei pelo coronavírus ilesa. Sinto uma pontada no coração quando lembro daqueles dias. ” Giselle Lobato, 35, designer, mãe de Caiuá, 8 meses, do Rio de Janeiro (RJ) (Foto: Arquivo Pessoal) “Meu filho passou cinco dias na UTI” "No final de maio, meu marido Márcio e eu sentimos dores no corpo, tivemos diarreia e perdemos um pouco do olfato. Como os incômodos eram leves, nem procuramos um médico. Nos recuperamos rápido. Mas algumas semanas depois, nosso filho, o Matias, começou a ter aqueles mesmos sintomas, mais perda de apetite e febre. Também notamos ínguas na sua barriga. Na consulta com o pediatra, a covid19 foi descartada. O médico suspeitou de apendicite, mas, por meio de um ultrassom, essa hipótese também foi excluída. Voltamos para casa incomodados com a recomendação de apenas manter nosso filho em observação e bem hidratado. A febre persistiu, e o Matias ficou com a palma da mão avermelhada, como se fosse uma alergia. Voltamos ao hospital e meu filho foi internado. Naquela noite, enquanto dormia, ele teve uma queda brusca de pressão: chegou a 6X3. Fiquei desesperada! No dia seguinte, taquicardia. O infectologista suspeitou que pudesse ser a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica e o transferiu para a UTI. Em uma rápida pesquisa no celular, perdi o chão. Crianças estavam morrendo daquela doença pouco conhecida e associada à corona. Como era possível, se o exame do meu filho tinha dado negativo? Depois de uma sorologia, os médicos descobriram que no momento daquele exame anterior, o Matias já não estava mais com o vírus. Provavelmente ele se contaminou um mês antes, mas ficou assintomático. Talvez na mesma época em que eu e meu marido adoecemos. Meu filho passou cinco dias na UTI. A preocupação era que a síndrome atingisse seu coração. O mais estranho é que, aparentemente, ele estava ótimo! Conversava, brincava no tablet. Só se incomodava com as picadas dos exames de sangue, necessárias na terapia de imunoglobulina pela qual foi submetido com sucesso. Meu filho ficou mais dois dias no hospital depois de deixar a UTI. Fomos para casa aliviados, com alguns medicamentos prescritos. Aos poucos, ele recuperou o apetite e a disposição voltou com tudo. ” Mariana Sanchez Rolim, 39, terapeuta, mãe de Maurício, 15, e de Matias, 7, de São Paulo (SP) (Foto: Arquivo Pessoal) “Meu filho tem síndrome de Down e contraiu a covid-19” "Vivo com minha mulher e nossos dois filhos no quilombo África, a 130 km de Belém (PA). Já havia alguns casos de coronavírus na comunidade, mas ficamos assustados mesmo quando uma moça de 27 anos, moradora próxima da região, morreu da doença. Temíamos que nosso caçula se contaminasse, porque o Luís tem síndrome de Down e sabemos que essas crianças têm problemas de imunidade. Acho que foi em uma viagem a trabalho no Amapá, no final de maio, que peguei o coronavírus. Tive dores nas pernas e nas costas, visão embaçada e tosse seca. Fui ao hospital, que fica a 70 km de casa e, depois de encarar horas de espera, saí da consulta com uma receita de hidroxicloroquina nas mãos. Nas duas vezes em que tomei os comprimidos, meu coração disparou. Cortei o remédio por conta própria. Demorou pouco para que o Luís e a Ana Luiza, nossa filha mais velha, começassem a adoecer. Tiveram febre e tosse por dois dias. O menino chorava mais, para nosso desespero. Pelo telefone, o médico recomendou um remédio para os sintomas e repouso. Minha esposa, Claudia, foi uma guerreira. Não sei se ela pegou covid-19, pois não tinha nenhum sintoma. Cuidou da gente como uma leoa e com uma receita de sua família: chá de jambu, açafrão, graviola, gengibre e melaço. Não sei se foi por isso, mas as crianças se recuperaram e, uns três dias depois, já estavam correndo pelo quintal. Já eu não posso dizer o mesmo. São quase três meses desde que fiquei doente e ainda sinto cansaço, principalmente para falar. ” Raimundo Magno Nascimento, 42, administrador, pai de Ana Luiza, 8, e de Luís, 7, de Moju (PA) (Foto: Arquivo Pessoal) “A preocupação era com o psicológico das crianças” "Estranhei quando o Gabriel (foto) reclamou de dor de cabeça. Meu filho raramente fica doente. Mediquei com um analgésico e ele foi dormir. Na manhã seguinte, estava amoado e febril. Dias depois, meu caçula, o Teodoro, teve diarreia e febre. Como o Gabriel já estava melhor, e o mais velho, João, estava superbem, nem associei com a indisposição do irmão. Liguei o alerta uma semana depois. Eu estava fazendo um bolo de banana com canela na cozinha e o João, da sala, elogiou o aroma gostoso. Fiquei espantada, pois não sentia cheiro nenhum! No final daquele dia, tive dor no corpo e febre. Acordei muito pior, com uma fadiga extrema. Meu marido, Fernando, também. Como meu estado era o pior, fui ao hospital e testei positivo para o coronavírus. Contei ao médico sobre os sintomas das crianças e do meu marido e ele concluiu que provavelmente todos lá em casa estavam contaminados. Como as crianças já estavam bem e tiveram aqueles poucos sintomas, minha preocupação era com o lado psicológico dos meninos. Um dia, na aula pelo computador, o Gabriel interrompeu a professora para contar que estava com coronavírus. Ela ficou assustada e me ligou, preocupada. Reuni os meninos para entender como eles estavam lidando com tudo aquilo e tivemos uma conversa amorosa. Expliquei que sim, a doença podia matar, mas que nós ficaríamos bem, nossos sintomas eram leves. Respondi com sinceridade a todas as dúvidas e disse que na próxima semana já estaríamos bem. Foi o que aconteceu. ” Jade Scazufka Machado, 38, psiquiatra, mãe de João, 11 anos, Gabriel, 7, e Teodoro, 2, de São Paulo (SP) como falar sobre o novo coronavírus com as crianças O assunto continua circulando por onde quer que se olhe. Por isso, é importante não fugir dele quando os pequenos querem saber mais sobre a tal covid19. Uma conversa franca, adequada à idade da criança, é a recomendação que a psicóloga Glaucia Guerra Benute, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário São Camilo (SP), dá aos pais que estão com filhos com coronavírus. “Esconder o diagnóstico para poupar a criança não é um bom caminho. Ela pode ouvir um diálogo sem querer entre os adultos e descobrir a verdade”, diz Glaucia. “Com isso, além do laço de confiança quebrado, passa a criar fantasias com a doença e, aí sim, sentir medo, desamparo e a enxergar a coisa de um jeito muito mais grave. ” Glaucia aconselha, ainda, que os pais falem sobre o coronavírus de forma lúdica, com a ajuda da internet. “Há vários canais infantis que disponibilizam histórias e desenhos sobre a pandemia para várias faixas etárias. São conteúdos que ajudam a compreensão infantil com leveza”, explica a psicóloga. “É importante também ouvir seu filho. Sempre que ele fizer a mesma pergunta sobre a doença, repita a mesma resposta com carinho e paciência. ” A psicóloga Rosangela Villar, da UNICAMP, completa orientando os pais a terem autocontrole para não transmitir insegurança e descrença na cura. “Para as crianças mais novas, é importante menos informações detalhadas e mais acolhimento. Ajude seu filho a nomear os sentimentos: ‘você está preocupado? ’ E ‘do que você tem medo? ’ São perguntas que as farão expressar o que estão sentindo”, afirma Rosangela. “Para as mais velhas, mostre exemplos de pessoas que tiveram a covid19 e estão aqui, bem, tocando suas vidas.

BLOG JORNAL DA MULHER
Data Veiculação: 07/12/2020 às 00h00

Hospital convoca as pessoas a assumirem o protagonismo pela vida reforçando que a pandemia não acabou e propondo a união de todos para reduzir número de casos mostrando a realidade vivida pelos profissionais de saúde no atendimento aos pacientes O aumento da procura de pacientes com, ou suspeita, de COVID-19 no Hospital Sírio-Libanês nas últimas semanas foi um alerta aos profissionais da saúde, que desde março estão prestando assistência médico-hospitalar a quem precisa. Esse cenário de elevação de caso motivou a instituição a lançar uma campanha para sensibilizar as pessoas sobre a importância de manterem os cuidados, promovendo as medidas de segurança que, comprovadamente, reduzem o risco de transmissão da doença e salvam vidas. “A pandemia não acabou”, diz Dr. Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. “Por isso queremos enfatizar que as medidas de prevenção devem continuar as mesmas do início do ano. E reforçar, até quando for preciso, que não podemos parar de nos cuidar. ” Com a hashtag #NãoPareDeSeCuidar, a campanha teve um lançamento com um manifesto publicado em jornais de grande circulação nacional, acompanhado por uma versão em vídeo que reforça esse posicionamento nos canais digitais. O manifesto é uma convocação à sociedade para união e responsabilidade neste momento crucial da pandemia. Para isso, conta com depoimentos de profissionais de saúde da instituição, que em tempos desafiadores como este, continuam ativos no combate à COVID-19, assim como em todos os tratamentos de outras doenças que precisam de acompanhamento e tratamento, mesmo durante a pandemia. “Estamos trabalhando incansavelmente para proteger nossos pacientes, médicos e colaboradores. Mas é necessário que a sociedade também faça a sua parte, evitando aglomerações, usando máscaras, lavando as mãos e preservando a sua saúde e daqueles com quem convivem”, conclui Dr. Paulo. Para conhecer o manifesto, visite www.hsl.org.br/compromisso-com-a-saude