Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

VEJA.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/10/2020 às 19h51

O antiviral Remdesivir, um dos remédios anunciados pela equipe médica da Casa Branca para o tratamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diagnosticado com a Covid-19 na semana passada, é aprovado em caráter emergencial pela rigorosa agência de medicamentos americana FDA (do inglês Food and Drug Administration) para casos em adultos e crianças internados com a infecção ou quadros suspeitos nos EUA. O Brasil entrou no cenário com dois estudos importantes de fase III, isto é, com a participação de voluntários humanos para testar o medicamento. Trata-se de um esforço de grande porte, com o envolvimento de diversas instituições brasileiras renomadas. O primeiro deles faz parte de um esforço internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) no projeto de nome “Solidariedade” em que há também a testagem de outros fármacos. O trabalho é coordenado no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e conta com importantes centros médicos a exemplo do Instituto de Infectologia Emilio Ribas e o Hospital Sírio-Libanês, ambos em São Paulo. “São estudos que buscam apontar com assertividade a segurança e eficácia do Remdesivir o que já foi mostrado em estudos preliminares” diz Roberto Kalil, diretor-geral do centro de cardiologia do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Participam das análises pacientes positivos para Covid-19 em quadros agravados ou moderados da doença, internados por pelo menos três dias. “Uma vez confirmada a eficácia do medicamento é esperado que a OMS o determine como um tipo de tratamento padrão”, diz a infectologista Mirian Dal Ben, também do Sírio-Libanês. Outro estudo que também leva o Remdesivir em sua análise é coordenado pelo Instituto do Coração, em São Paulo. Ali, não se busca, no entanto, identificar a eficácia do Remdesivir, mas sim compreender sua reação combinada a um outro fármaco, o Tocilizumabe. Isso porque em alguns pacientes graves de Covid-19 a resposta imunológica do organismo é exagerada, podendo causar, entre outos efeitos, danos nos pulmões. A ideia é entender se o uso combinado dos dois medicamentos poderá, de alguma forma, atenuar este efeito. “Apesar de ser um mecanismo de defesa importante, em alguns pacientes é intensivo demais. Estamos tentando entender se é possível ocorrer o bloqueio da substância que causa a reação exagerada”, diz Lenio Alvarenga, diretor de Acesso e Médico da Roche Farma Brasil, responsável pelo medicamento utilizado em combinação. Até agora 85 pacientes já tomaram o Remdesivir combinado com este fármaco — originalmente dedicado ao tratamento de atrite reumatoide — ou o Remdesivir com placebo. São sete centros participantes ao todo, entre eles a Faculdade de Medicina do ABC. Estudos em laboratório Na Unifesp, as análises com o Remdesivir ocorrem em laboratório, sem voluntários, mas sim com células infectadas. “Estamos estudando sua ação e seu mecanismo de funcionamento, assim podederemos determinar qual a melhor forma de utilizá-lo”, disse a VEJA, a reitora da instituição Soraya Smaili. A especialista em farmacologia, no entanto, alerta que estudos clínicos (ou seja, com a participação de pessoas) capntaneados pela universidade e por outras instituições de ensino seriam dificultados por conta do alto preço de importação do fármaco. Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não há pedido de registro (ou seja, a liberação comercial) do Remdesivir no Brasil. Remdesivir O remdesivir é um antiviral que atua bloqueando a replicação do vírus. Criado em laboratório há oito anos, inicialmente sua eficácia foi avaliada no combate ao surto de Mers, a síndrome respiratória por coronavírus, identificada na Arábia Saudita. Depois, foi usado como terapia em casos africanos de ebola, na Guiné, Serra Leoa e Libéria, entre 2013 e 2016. Nos episódios da Mers, verificou-se em laboratório uma freada na multiplicação do vírus. Com o ebola, o resultados de testes em humanos foram considerados decepcionantes. O medicamento ganhou atenção ainda nos meses iniciais da pandemia ao apresentar resultados preliminares promissores no tratamento de pacientes graves com a Covid-19. Os estudos foram publicados no reputado New England Journal of Medicine. Em 1º de maio, a rigorosa agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA, do inglês Food and Drug Administration) autorizou o uso do fármaco antiviral em pessoas infectadas pelo novo coronavírus. A liberação emergencial, é importante dizer, não tem a mesma validade que uma aprovação formal do medicamento. Em abril, uma reportagem de capa de VEJA detalhou as pesquisas com o remédio. Nesta quarta-feira, 7, o Brasil teve médias móveis atualizadas em 27.108,4 diagnósticos e 610,9 mortes por conta do novo coronavírus.

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 07/10/2020 às 17h02

Qual o real número de mortos por Covid-19? Um critério que vem sendo adotado por estudiosos no Brasil e no mundo é o das mortes em excesso, que consiste em comparar o número de mortes do mesmo lugar num mesmo período com seu histórico anterior à pandemia – já que muitas pessoas morrem da doença sem terem sido diagnosticadas. Muitas pessoas estão evitando postos de saúde e morrendo em casa: mortes por causas cardiovasculares indefinidas subiram cerca de 38% entre janeiro e setembro. Neste episódio de Coronavírus: Fato x Ficção, Lourival Sant'Anna discute essas estatísticas e as doenças cardiovasculares associadas à Covid19 com Vitor Engrácia Valenti, professor de fisiopatologia da Universidade Estadual de São Paulo em Marília e especialista em modelos matemáticos em saúde; Karina Calife, professora da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, e também com o médico João Fernando Monteiro Ferreira, do Instituto do Coração em São Paulo, e presidente da Sociedade de Cardiologia paulista. Leia e assista também: Vacina contra Covid-19 pode estar pronta até final do ano, diz chefe da OMS OMS: 1 em cada 10 pessoas no mundo pode ter contraído Covid-19 Ouça e assine os podcasts da CNN Brasil gratuitamente: 5 Fatos Abertura de Mercado América Decide Carteira Inteligente CNN Líderes E Tem Mais Horário de Brasília Na Palma da Mari O Grande Debate O Mundo Pós-Pandemia O Que Eu Faço? Todo o conteúdo da grade digital da CNN Brasil é gratuito. (Edição: Amauri Arrais)

PORTAL DCI/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/10/2020 às 13h07

Em julho de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a biometria está suspensa e não vai ser usada nos dias de votação, como aconteceu na última eleição. A decisão é uma das medidas sanitárias para evitar o contágio do novo coronavírus. Confira quais os protocolos serão adotados no primeiro e segundo turno em novembro para garantir a segurança dos eleitores. A decisão de suspender a biometria foi tomada em julho, após a primeira reunião de técnicos do tribunal com os médicos David Uip, do Hospital Sírio Libanês, Marília Santini, da Fundação Fiocruz, e Luís Fernando Aranha Camargo, do Hospital Albert Einstein. As três instituições firmaram parceria com o TSE para a elaboração de um protocolo de segurança que reduza o risco de contágio durante a votação. Segundo o tribunal, a consultoria sanitária é prestada sem custos. O primeiro é que o leitor de impressões digitais não pode ser higienizado com frequência como, por exemplo, a cada utilização O segundo seria porque a identificação biométrica tende a causar filas, favorecendo aglomerações, já que o processo é mais demorado do que a coleta de assinatura. - CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE - O cadastro da biometria é obrigatório, quem não fizesse teria o título cancelado e não poderia votar. Mas este ano, devido à pandemia, o TSE interrompeu essa medida. Portanto, o órgão público suspendeu o cancelamento de 2,5 milhões de documentos. Leia também Joe Biden: Quem é o oponente de Trump que lidera as eleições… Sergio Moro é pressionado pela família para se afastar da… outras medidas de segurança Além da biometria ter sido suspensa, outros protocolos serão adotados para segurança dos eleitores. Uma das primeiras medidas que foram implementadas foi o adiamento das datas eleitorais. Por isso, a votação do primeiro turno acontece no dia 15 de novembro e do segundo turno, nos municípios que tiverem, no dia 29 do mesmo mês. Mas nos novos dias de votação, os eleitores terão que seguir algumas regras para evitar o contágio também. Confira: Uso de máscara por todos é obrigatório Os eleitores devem higienizar as mãos antes e depois de votar Recomenda-se que cada eleitor leve sua própria caneta para assinatura O horário de votação foi expandido e será das 7h às 17h. Horário preferencial de 7h às 10h para maiores de 60 anos Mesários vão receber treinamento remoto Além disso, é possível justificar a ausência às urnas por meio de um aplicativo, o “título “, sem sair de casa. Eleitores e mesários que estiverem com sintomas ou testarem positivo não devem comparecer às urnas, justificando sua ausência à justiça. Informar Erro - CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE - você pode gostar também Mais do autor Política Eleições 2020: Saiba como justificar seu voto em caso de ausência Política Eleições 2020: o que pode e não pode no WhatsApp no período eleitoral? Política Constituição Federal completa 32 anos: o que mudou com sua chegada? Últimas Notícias Sara Winter diz ter sido abandonada por Bolsonaro e estar com depressão Carregando ... Carregar mais mensagens não há mais posts

EXTRA ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 07/10/2020 às 09h39

SÃO PAULO — Luiza* já sabe que terá aulas às segundas, quartas e sextas. Na primeira semana, vai estudar matemática, literatura e linguística, física, química e inglês. Sabe também que não vai mais dividir a carteira com um colega, como fazia antes da pandemia. Agora vai se sentar sozinha, obedecendo ao distanciamento de 1,5 metro para reduzir a chance de contágio. Foi orientada a levar seu álcool em gel, a não colocar a mochila no chão, a não tocar nos corrimões e a ir embora assim que terminarem as aulas, sem se aglomerar com os amigos. O nome foi trocado para preservar a identidade da adolescente de 16 anos. Ela é estudante do 1º ano do Ensino Médio de uma escola particular da Zona Oeste da capital paulista e faz parte de um grupo ainda pequeno de alunos que vai voltar às aulas nesta quarta-feira, dia oficial do retorno presencial previsto pelo governo do estado de São Paulo. Com saudades do ambiente escolar, a jovem se diz "ansiosa" para voltar ao colégio, principalmente pela socialização. — Mandaram e-mail antes, perguntando quem tinha interesse em voltar, e depois mandaram os horários. Fizeram vídeos e explicaram tudo que devemos fazer, passaram segurança. Não sei se é o momento mais seguro, mas eu quero muito voltar. Sinto muita falta do ambiente escolar. A realidade é diferente para o adolescente Gabriel*. Apesar de também ter 16 anos e ser aluno do 1º ano do Ensino Médio de uma escola técnica estadual no centro da capital paulista, o desejo de voltar à sala de aula ainda não tem data para se concretizar. — O ensino à distância até que tem funcionado, para quem se interessa, mas a questão da retomada está bem confusa. Achei bem estranho não terem falado nada, até perguntei para a direção se voltaria, e eles falaram que não — afirma. — Fiquei sabendo por outras pessoas que deveria ir quem não entregou trabalhos online. Mas nada oficializado, não passaram nada para os alunos. Esse assunto é só especulação. O receio, aponta Gabriel, é não conseguir acompanhar o conteúdo, e a defasagem interferir no seu sonho de fazer faculdade e ser médico. — Estou preocupado com essa situação das aulas, principalmente sobre repetir. Se eu repetir o ano, vou me abalar muito. Quero prestar vestibular, e tenho medo que, lá na frente, eu não tenha o conteúdo que preciso — diz o jovem. Em nota, o Centro de Paula Souza, administrador das Etecs e Fatecs, informou que as aulas presenciais não retornam hoje. A data prevista é final de outubro. Afirmou, ainda, que a instituição já definiu os protocolos que serão adotados na retomada e que seguirá recomendações do Centro de Contingência sobre o coronavírus em São Paulo. Estado retornará com 13% das escolas Já a Secretaria de Estado da Educação informa que ainda não tem um número fechado de alunos que voltarão às salas de aula hoje, mas afirma que 700 escolas estaduais têm previsão de reabrir as portas, sendo 100 na capital paulista. Ao todo, há 5,5 mil escolas no estado, 1.086 delas na capital. Na rede municipal de ensino, apenas um colégio dos 4 mil comunicou que faria a volta nesta quarta. De acordo com a pasta, a decisão de retomar o ensino presencial por enquanto cabe à própria escola, que tem autonomia para conversar sobre o assunto com a comunidade. No momento, as atividades devem funcionar de forma híbrida, misturando ensino à distância e presencial nas escolas que preferirem abrir. Nesse primeiro momento, está autorizada a volta opcional para alunos do ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), com 20% da capacidade. As redes particular e municipal podem funcionar com 35% dos alunos por dia em atividades presenciais. O ensino fundamental está previsto para 3 de novembro. A ainda baixa adesão coincide com uma percepção de apoio tímido até agora à reabertura de escolas em São Paulo. Pesquisa Datafolha realizada nos dias 21 e 22 de setembro indicou que três em cada quatro eleitores da capital paulista (75%) acham que as escolas deveriam permanecer fechadas nos próximos dois meses. A receptividade é maior nas famílias com renda mais alta. Entre as famílias que ganham até dois salários mínimos (R$2.090), 77% opinam que as escolas deveriam continuar fechadas nos próximos dois meses. Já entre as que têm renda mensal de mais de 10 salários mínimos (R$ 10.450), esse número cai para 56%. Incerteza sobre número de particulares na rede privada, há indefinição sobre o número de escolas que retomarão as aulas presenciais, e de que maneira. O retorno tem se organizado de maneira descentralizada. Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do estado de São Paulo (SIEESP), não há um registro unificado de quantas escolas particulares vão aderir à volta autorizada pelo governo. E, mesmo entre os colégios particulares, as condições variam. Algumas escolas de ponta chegaram a contratar assessoria de hospitais de excelência para elaborar protocolos de segurança, e investiram em novidades tecnológicas para a volta às aulas. O Colégio Bandeirantes, por exemplo, afirma que vai disponibilizar aos alunos um kit com camiseta e máscara com uma tecnologia de proteção contra bactérias e vírus, incluindo o Sars-Cov-2, responsável pela infecção da Covid19. A escola teve o apoio do Hospital Sírio-Libanês para elaborar as ações de segurança, que incluem divisão de turmas, maior ventilação e espaçamento entre carteiras. Adequações parecidas foram adotadas pelo colégio Etapa, que vai adotar controle de temperatura, marcação de lugares, espaçamento mínimo em filas e aumento do distanciamento entre as carteiras e os alunos na volta às aulas. No colégio Porto Seguro, que teve assessoria do Hospital Albert Einstein, as salas foram equipadas com câmeras e projetores para que os alunos que estiverem presencialmente possam interagir com os colegas que estiverem de forma remota. O retorno não é obrigatório. Mas quem decidir ir presencialmente, segundo a escola, terá atividades como rodas de conversa e leitura, acolhimento sócio emocional, atividades esportivas, de música, alemão, entre outras. Já a Escola Castanheiras resolveu criar "rotas" específicas para diferentes níveis de ensino. Três faixas coloridas foram aplicadas em toda a área escolar, do portão de entrada até a porta da sala. Cada segmento (Ensino Médio, Ensino Fundamental 1 e Ensino Fundamental 2), explica a escola, deve transitar por uma cor, para evitar aglomerações. Essa variedade de medidas, porém, ainda está longe de refletir o cenário da maioria das escolas, mesmo da própria rede privada. - Medidas assim ainda são minoria. Há muitas escolas privadas de bairro que muitas vezes estão instaladas em prédios até menores que os das escolas públicas, e que não estão preparadas para voltar. E no Brasil não temos as mesmas condições de outros países, como a Alemanha, que abriram as escolas e depois fecharam quando os casos voltaram a subir - afirma Fernando Cássio, professor de políticas educacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Professor do Ensino Médio em uma escola de médio porte em uma cidade a menos de uma hora de São Paulo, Fábio (nome trocado a pedido do docente) ainda não sabe quantos alunos vai encontrar nesta quarta. Desde o início da pandemia, as aulas têm sido on-line. - Agora, na volta, o que vemos é incerteza. Foram meses de praticamente esperar toda semana o governador ir na coletiva e falar o que aconteceria. As coisas foram mudando. Há pouco tempo, veio um protocolo, sem que os professores fossem consultados. Não sabemos quantos alunos estarão presentes. Sabemos que haverá aula presencial e transmitida on-line. E não tivemos nenhuma testagem (para Covid-19). Não há razão para retornar nessas condições - questiona. Um dos temores é o respeito às regras de segurança, por parte dos alunos e também dos próprios funcionários. - As áreas de circulação já estão demarcadas, mas os próprios funcionários muitas vezes não seguem. Como crianças e adolescentes vão cumprir? - questiona. - O sentimento é de roleta russa. Qualquer um pode ser contaminado. * Nomes trocados para preservar a identidade dos adolescentes receba a newsletter do Extra Raio-x do coronavírus

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 07/10/2020 às 09h35

SÃO PAULO — Luiza* já sabe que terá aulas às segundas, quartas e sextas. Na primeira semana, vai estudar matemática, literatura e linguística, física, química e inglês. Sabe também que não vai mais dividir a carteira com um colega, como fazia antes da pandemia. Agora vai se sentar sozinha, obedecendo ao distanciamento de 1,5 metro para reduzir a chance de contágio. Foi orientada a levar seu álcool em gel, a não colocar a mochila no chão, a não tocar nos corrimões e a ir embora assim que terminarem as aulas, sem se aglomerar com os amigos. O nome foi trocado para preservar a identidade da adolescente de 16 anos. Ela é estudante do 1º ano do Ensino Médio de uma escola particular da Zona Oeste da capital paulista e faz parte de um grupo ainda pequeno de alunos que vai voltar às aulas nesta quarta-feira, dia oficial do retorno presencial previsto pelo governo do estado de São Paulo. Com saudades do ambiente escolar, a jovem se diz "ansiosa" para voltar ao colégio, principalmente pela socialização. Coronavírus: Estado de São Paulo atinge a marca de 1 milhão de infectados por Covid-19 — Mandaram e-mail antes, perguntando quem tinha interesse em voltar, e depois mandaram os horários. Fizeram vídeos e explicaram tudo que devemos fazer, passaram segurança. Não sei se é o momento mais seguro, mas eu quero muito voltar. Sinto muita falta do ambiente escolar. A realidade é diferente para o adolescente Gabriel*. Apesar de também ter 16 anos e ser aluno do 1º ano do Ensino Médio de uma escola técnica estadual no centro da capital paulista, o desejo de voltar à sala de aula ainda não tem data para se concretizar. — O ensino à distância até que tem funcionado, para quem se interessa, mas a questão da retomada está bem confusa. Achei bem estranho não terem falado nada, até perguntei para a direção se voltaria, e eles falaram que não — afirma. — Fiquei sabendo por outras pessoas que deveria ir quem não entregou trabalhos online. Mas nada oficializado, não passaram nada para os alunos. Esse assunto é só especulação. Educação: Volta às aulas na pandemia, mando ou não mando meu filho para a escola? O receio, aponta Gabriel, é não conseguir acompanhar o conteúdo, e a defasagem interferir no seu sonho de fazer faculdade e ser médico. — Estou preocupado com essa situação das aulas, principalmente sobre repetir. Se eu repetir o ano, vou me abalar muito. Quero prestar vestibular, e tenho medo que, lá na frente, eu não tenha o conteúdo que preciso — diz o jovem. Em nota, o Centro de Paula Souza, administrador das Etecs e Fatecs, informou que as aulas presenciais não retornam hoje. A data prevista é final de outubro. Afirmou, ainda, que a instituição já definiu os protocolos que serão adotados na retomada e que seguirá recomendações do Centro de Contingência sobre o coronavírus em São Paulo. Estado retornará com 13% das escolas Já a Secretaria de Estado da Educação informa que ainda não tem um número fechado de alunos que voltarão às salas de aula hoje, mas afirma que 700 escolas estaduais têm previsão de reabrir as portas, sendo 100 na capital paulista. Ao todo, há 5,5 mil escolas no estado, 1.086 delas na capital. Na rede municipal de ensino, apenas um colégio dos 4 mil comunicou que faria a volta nesta quarta. De acordo com a pasta, a decisão de retomar o ensino presencial por enquanto cabe à própria escola, que tem autonomia para conversar sobre o assunto com a comunidade. No momento, as atividades devem funcionar de forma híbrida, misturando ensino à distância e presencial nas escolas que preferirem abrir. Vacina: Governo de SP envia documentos da CoronaVac para registro na Anvisa Nesse primeiro momento, está autorizada a volta opcional para alunos do ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), com 20% da capacidade. As redes particular e municipal podem funcionar com 35% dos alunos por dia em atividades presenciais. O ensino fundamental está previsto para 3 de novembro. A ainda baixa adesão coincide com uma percepção de apoio tímido até agora à reabertura de escolas em São Paulo. Pesquisa Datafolha realizada nos dias 21 e 22 de setembro indicou que três em cada quatro eleitores da capital paulista (75%) acham que as escolas deveriam permanecer fechadas nos próximos dois meses. A receptividade é maior nas famílias com renda mais alta. Entre as famílias que ganham até dois salários mínimos (R$2.090), 77% opinam que as escolas deveriam continuar fechadas nos próximos dois meses. Já entre as que têm renda mensal de mais de 10 salários mínimos (R$ 10.450), esse número cai para 56%. Incerteza sobre número de particulares na rede privada, há indefinição sobre o número de escolas que retomarão as aulas presenciais, e de que maneira. O retorno tem se organizado de maneira descentralizada. Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do estado de São Paulo (SIEESP), não há um registro unificado de quantas escolas particulares vão aderir à volta autorizada pelo governo. E, mesmo entre os colégios particulares, as condições variam. Algumas escolas de ponta chegaram a contratar assessoria de hospitais de excelência para elaborar protocolos de segurança, e investiram em novidades tecnológicas para a volta às aulas. Educação:Destaque do Ideb, ensino médio deve sofrer corte de cerca de R$ 900 milhões O Colégio Bandeirantes, por exemplo, afirma que vai disponibilizar aos alunos um kit com camiseta e máscara com uma tecnologia de proteção contra bactérias e vírus, incluindo o Sars-Cov-2, responsável pela infecção da Covid. A escola teve o apoio do Hospital Sírio-Libanês para elaborar as ações de segurança, que incluem divisão de turmas, maior ventilação e espaçamento entre carteiras. Adequações parecidas foram adotadas pelo colégio Etapa, que vai adotar controle de temperatura, marcação de lugares, espaçamento mínimo em filas e aumento do distanciamento entre as carteiras e os alunos na volta às aulas. No colégio Porto Seguro, que teve assessoria do Hospital Albert Einstein, as salas foram equipadas com câmeras e projetores para que os alunos que estiverem presencialmente possam interagir com os colegas que estiverem de forma remota. O retorno não é obrigatório. Mas quem decidir ir presencialmente, segundo a escola, terá atividades como rodas de conversa e leitura, acolhimento sócio emocional, atividades esportivas, de música, alemão, entre outras. Já a Escola Castanheiras resolveu criar "rotas" específicas para diferentes níveis de ensino. Três faixas coloridas foram aplicadas em toda a área escolar, do portão de entrada até a porta da sala. Cada segmento (Ensino Médio, Ensino Fundamental 1 e Ensino Fundamental 2), explica a escola, deve transitar por uma cor, para evitar aglomerações. Essa variedade de medidas, porém, ainda está longe de refletir o cenário da maioria das escolas, mesmo da própria rede privada. - Medidas assim ainda são minoria. Há muitas escolas privadas de bairro que muitas vezes estão instaladas em prédios até menores que os das escolas públicas, e que não estão preparadas para voltar. E no Brasil não temos as mesmas condições de outros países, como a Alemanha, que abriram as escolas e depois fecharam quando os casos voltaram a subir - afirma Fernando Cássio, professor de políticas educacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Professor do Ensino Médio em uma escola de médio porte em uma cidade a menos de uma hora de São Paulo, Fábio (nome trocado a pedido do docente) ainda não sabe quantos alunos vai encontrar nesta quarta. Desde o início da pandemia, as aulas têm sido on-line. - Agora, na volta, o que vemos é incerteza. Foram meses de praticamente esperar toda semana o governador ir na coletiva e falar o que aconteceria. As coisas foram mudando. Há pouco tempo, veio um protocolo, sem que os professores fossem consultados. Não sabemos quantos alunos estarão presentes. Sabemos que haverá aula presencial e transmitida on-line. E não tivemos nenhuma testagem (para Covid-19). Não há razão para retornar nessas condições - questiona. Um dos temores é o respeito às regras de segurança, por parte dos alunos e também dos próprios funcionários. - As áreas de circulação já estão demarcadas, mas os próprios funcionários muitas vezes não seguem. Como crianças e adolescentes vão cumprir? - questiona. - O sentimento é de roleta russa. Qualquer um pode ser contaminado. * Nomes trocados para preservar a identidade dos adolescentes