Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

PIAUÍ HOJE.COM/TERESINA
Data Veiculação: 07/09/2020 às 12h22

Médico José Cerqueira Foto: Arquivo pessoal O médico José Cerqueira Dantas, ex-proprietário do Grupo Medimagem, foi transferido na noite desse domingo (06/08) para o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para continuar o tratamento da Covid-19. Ele estava internado no Hospital Prontomed, em Teresina, desde o dia 31 de agosto. O médico apresentou complicações da infecção do novo coronavírus, chegando a ficar intubado. O Hospital Prontomed informou que o estado de saúde de Dr. José Cerqueira é grave, porém estável. Ele foi para São Paulo a pedido da família, que possui residência lá e inclusive, um de seus sobrinhos que o acompanha trabalha no Hospital Sírio-Libanês. Cerqueira investiu seu capital em atendimento de saúde em Teresina. Ele fundou o Grupo Medimagem, que possui imensa rede hospitalar na capital e na cidade vizinha Timon (MA), além de planos de saúde. Em 2018, ele vendeu sua marca para um grupo de investidores internacionais. O Hospital Prontomed enviou uma nota para informar sobre a transferência do médico à cidade de São Paulo. O Dr José Cerqueira Dantas esteve internado no Hospital Prontomed Adulto do dia 31 de agosto até o 06 de setembro de 2020, por quadro respiratório secundário a infecção por COVID-19. Recebeu protocolo institucional além de todo suporte necessário para o tratamento da doença ao longo de toda a evolução da mesma. A pedido da família, por ter residência fixa e familiares em São Paulo, no momento, foi transferido na noite de ontem para um hospital naquela capital. Marcelo Burlamarque Nunes Diretor Médico Hospitais Grupo Medimagem CRM PI 3630

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 07/09/2020 às 03h00

9 de cada 10 têm sintoma de covid19 até três meses após infecção Estudo do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos aponta que nove em cada dez pessoas infectadas pelo novo coronavírus ainda sentem reflexos da contaminação, como fadiga, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e paladar, até três meses depois. O trabalho é confirmado por relatos de ao menos cinco médicos paulistas que tratam pessoas que contraíram a covid-19, ouvidos pelo Estadão, metrópole /pág.ai3 É o que mostra estudo americano do Centro de Controle de Doenças (CDC), com dados de 13 Estados; observação clínica no Brasil vai na mesma linha, com pacientes relatando sobretudo fadiga crônica, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e de paladar 9 de cada 10 relatam sintomas até três meses depois da infecção pela covid-19 WERTHER SANTANA/ESTADÃO Hospital M’Boi Mirim, em SP. Médico diz que sintomas recorrentes já foram vistos com outros coronavírus e nas doenças transmitidas pelo ‘Aedes aegypti' Pciblo Pereira Um estudo do Centro de Controle de Doenças Americano (CDC) aponta que nove em cada dez infectados pela covid-19 ainda sentem reflexos da contaminação. O trabalho é confirmado por relatos de pelo menos cinco médicos paulistas, que tratam pessoas que contraíram o novo coronavírus, ouvidos pelo ‘Estadão’. Eles apontam a ida ao consultório de pacientes que tiveram a doença nesse período de seis meses de pandemia e permanecem com sintomas como fadiga, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e do paladar por até três meses. “Ainda tenho uma fraqueza, o corpo parece que está travado”, conta o marceneiro João Soares Pereira, de 54 anos, que teve a doença em maio e ficou 25 dias no hospital, 12 deles entubado, em Ribeirão Preto. “Eu tinha obesidade, estava com 110 quilos, mas não tinha pressão alta”, lembra. Já com a oxigenação recuperada, ele contou que ainda sente a fadiga. Quase três meses depois do diagnóstico, disse que, na época, foi surpreendido pela contaminação. “Eu me assustei bastante, principalmente quando falaram da entubação. E bem preocupante”, disse o marceneiro, que já voltou ao trabalho, apesar do sintoma persistente. As queixas de sintomas crônicos deixados pela doença foram analisadas por hospitais americanos e citadas em trabalho compilado pelo CDC, organismo do governo americano que acompanha a evolução da pandemia. O CDC mostra que, de 292 entrevistados entre 14 a 21 dias após a data do teste que deu positivo, 94% (274) relataram sintomas persistentes. Esse levantamento foi realizado nos EUA, durante o período de 15 de abril a 25 de junho de 2020, com entrevistas por telefone de uma amostra aleatória de adultos acima de 18 anos que tiveram um primeiro teste positivo de reação em cadeia da polimerase-transcrição reversa (RT-PCR, o padrão ouro dos testes) para Sars-Cov-2, em uma consulta ambulatorial em um dos 14 sistemas acadêmicos de saúde de 13 Estados. Síndrome. A chamada síndrome da fadiga crônica, que tem sidorelatada por pacientes convalescentes da covid-19, é uma manifestação encontrada também na recuperação de pessoas que tiveram outras infecções, aponta o infectologista Valdes Roberto Bollelo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. “Isso não é só da covid-19,a dengue tem isso também”, diz. O médico afirma que ocorrem situações de recuperação nas quais o paciente fica por uma ou duas semanas “quebrado”, com desânimo, embora a doença já tenha passado. “Isso ocorre também com chikungunya, mononucleose, toxoplasmose aguda e outras Sars (coronavírus), que apresentam quadro pós-infeccioso com mialgia e até sintomas neurológicos ou psicológicos”, explicou. São reações imunológicas que estão sendo observadas também com a covid-19. Esses casos de sintomas persistentes preocupam os profissionais de saúde, mas ainda não estão bem comprovados por pesquisas no Brasil. Segundo Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, não há estudos científicos no País sobre essa permanência mais duradoura dos sintomas da covid-19. O que há é a percepção, pela experiência de consultório, de casos de pacientes que permanecem com febre por mais de 30 dias, perda do olfato ou perda de paladar, comentou a médica. “Há casos até de gente que relata queixas de fadiga por até três meses depois da infecção”, explicou a especialista. De acordo com a infectologista Daniela Bergamasco, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, a prática tem mostrado que os sintomas crônicos podem permanecer por semanas. Mas a especialista ressaltou também que ainda não é possível comprovar cientificamente o fenômeno por falta de acompanhamento com parâmetros seguros de pesquisa, como foi feito pelo CDC, nos EUA, onde esses pacientes estão sendo chamados de long haulers, ou seja, pessoas que carregam os sintomas da doença por meses. Para o pneumologista Bruno Guedes Baldi, também do HCor, é possível que pacientes com quadros graves da doença, por exemplo, continuem com os sintomas da covid-19 por até 70 ou 80 dias. “Quando a carga viral é muito alta, por exemplo, ou em casos nos quais a pessoa tenha ficado em UTI, com entubação”, afirma. Tempo de transmissão. O impacto da doença preocupa ainda por uma manifestação adicional. De acordo com a infectologista Adriana Coracini, há casos de pacientes da covid-19 que permanecem com PCR positivo por até 40 dias. Ela ressaltou, porém, que esses pacientes já não transmitem o vírus. A médica alertou também que há doentes que melhoram dos sintomas e voltam a sentir os efeitos da doença um mês depois, com País tem média de 827 mortes diárias pelo coronavírus • A média móvel de novas mortes, que registra as oscilações dos últimos sete dias e elimina distorções entre um número alto de meio de semana e baixo de fim de semana, foi ontem de 827 a cada 24 horas pelo novo coronavírus. Esse número vem em uma sequência de baixas nos últimos dez dias, sempre inferior a 900 mortes de média. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, formado por Estadão, Gl, O Globo, Extra, Folha e UOL, foram registrados nas últimas 24 horas 16.403 novos casos e 456 óbitos. No total são 126.686 mortes registradas e 4.137.606 pessoas contaminadas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, há 3.317.227 pessoas recuperadas do coronavírus e outros 693.644 casos ainda em acompanhamento. PCR positivo novamente. Um dos casos que chamou a atenção nas últimas semanas envolve um estudo da Universidade Federal do Rio (UFRJ) que encontrou uma paciente que ainda testou positivo para RT-PCR após cinco meses. O resultado foi uma surpresa para os próprios pesquisadores, mas a mesma pesquisa apontou resultados positivos para um quinto dos testados após um mês da infecção. Adriana explica que há trabalhos científicos mostrando que, na maioria dos casos, a cultura viral fica positiva para a covid19 durante nove dias e os exames de PCR positivos, a partir do nono dia, já não correspondem a vírus viável ou replicante. “Temos vírus positivos por 30 ou 40 dias, mas sem que isso signifique transmissão para outra pessoa”, disse. Coracini alertou, no entanto, que ainda não há dados científicos em quantidade necessária para a comprovação segura de que não haja contaminação no período. “Há estudos em andamento, ainda sem conclusões robustas.”