Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

PANORAMA FARMACÊUTICO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/08/2020 às 00h00

Em São Paulo, o interesse por um serviço drive-thru que faz o teste para Covid19 provoca uma fila grande. É que muita gente acha que o resultado negativo é suficiente para respirar aliviado, mas os especialistas alertam que o teste não libera ninguém de todas as medidas preventivas. Siga nosso instagram: https://www.instagram.com/panoramafarmaceutico/ A fila no estacionamento do shopping na Zona Sul de São Paulo desde a madrugada lembra os dias de grandes promoções no varejo. O desejo é fazer um dos 400 testes diários gratuitos para Covid-19. “É mais uma das ações que o Butantan faz no sentido de identificar o vírus, a situação do vírus na população, e com isso obter uma fotografia da epidemia”, destacou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. Nem o Instituto Butantan contava em dobrar a oferta de testes. Só a lógica de uma pandemia explica tanta procura por esse serviço. A família do Flávio passou mais de dez horas dentro do carro. “Sem almoço, só com lanchinho”, conta Flávio Gonçalves, funcionário público. A família do Flávio busca uma espécie de “passe livre”. “Para visitar alguém, a gente quer ter uma certeza que a gente não está infectado”, explica Flávio. O teste é o chamado padrão ouro. A partir da coleta de material do nariz e da garganta, feita por um tipo de cotonete, uma enzima transforma o RNA do vírus em DNA. O DNA é ampliado e assim é possível procurar o material genético do novo coronavírus na amostra. Se for encontrado, o teste é positivo. É a primeira geração de testes, tão nova quanto a doença. Por isso, os médicos dizem que adotar o exame para compartilhar espaços e quebrar o isolamento diminui, mas não zera o risco de contágio. O diretor de diagnósticos do Hospital Sírio Libanês explica que nos primeiros dias de infecção o teste pode dar um falso negativo, porque a quantidade de vírus no corpo pode ainda ser baixa. “O passaporte é o sonho de todos nós, é o que todo mundo quer. Mas infelizmente, a curto prazo, nós não vamos ter isso, justamente porque a gente não tem um teste perfeito, 100%. Ele não é tão sensível quanto nós gostaríamos que fosse”, avalia César Nomura, infectologista e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio Libanês. O Brasil já tem mais de dois milhões de recuperados da doença. No mundo, os casos de reinfecção são raros e estão sendo estudados. Os médicos não sabem por quanto tempo os anticorpos protegem, por isso não é possível saber quando um teste pode ser interpretado como uma espécie de salvo conduto. “Por isso, ainda a recomendação de se utilizar máscara, de ainda evitar as aglomerações e um certo distanciamento social”, destaca César Nomura. Fonte: G1

PANROTAS/SÃO PAULO | Outros
Data Veiculação: 07/08/2020 às 20h57

Edição n° 1.435 Ano 28 | 12 a 18 de agosto | www.panrotas.com.br R$ 11,00 PAN ROTAS DICAS PARA UMA VIAGEM SEGURA TIME DO HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS RESPONDE ÀS PRINCIPAIS DÚVIDAS ANTES DA VACINA CHEGAR Viagem segura Artur Luiz Andrade A REGRA É CLARA: MÁSCARA, MÃOS LIMPAS E DISTANCIAMENTO Gerente do Hospital Sírio Libanês traz dicas e recomendações para o viajante Referência latino-americana em saúde, o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi o parceiro escolhido pela rede de hotéis G JP para criar um programa específico de protocolos de saúde, para que seus hóspedes tivessem uma garantia a mais sobre segurança na hospedagem. Pegando o gancho da parceria com a GJP (leia mais na página 28), pedimos ao gerente de Consultoria do HSL, Rafael Saad Fernandez, que respondesse a algumas dúvidas e desse dicas de como os viajantes devem se portar nas viagens nesse período de protocolos e novas medidas. Saad topou na hora e buscou as respostas junto ao time de médicos do Sírio. Confira a seguir, as dicas, recomendações e até a queda de alguns mitos para a viagem segura em época de pandemia. A adesão dos cuidados por todos é fundamental, especialmente em relação à higienização das mãos (que não devem ser levadas às mucosas sem estarem limpas), distanciamento social e uso de máscara. □ 0 uso dc máscaras c obrigatório na maioria dos lugares. A máscara dc algodão, caseira, c recomendada? Ou apenas as equivalentes á N95? A máscara tipo face shicld (com um visor que protege também os olhos) c recomendada cm alguma situação especifica? RAFAEL SAAD A máscara de tecido é a recomendação da OMS para a população em geral. Se usada corretamente, ela reduz significativamente o risco de contaminação. A máscara N95 é utilizada por profissionais da saúde em ambientes com risco alto de contaminação, possuindo um nível de filtragem maior. 0 face shield é um item de proteção adicional utilizado por rotina na saúde para procedimentos que possam gerar muitas gotículas e/ou aerossóis, como a intubação de um paciente com covid19. No entanto, temos recomendado a face shield para profissionais que trabalham com alta exposição pela frequência de contato com pessoas um profissional em uma recepção, num caixa, por exemplo. Sempre associado ao uso da máscara. Estando ao ar livre, c recomendado o uso da máscara mesmo assim? RAFAEL SAAD Tem se adotado a recomendação de uso da máscara em todos os ambientes. Independentemente de estar sozinho ou não... Ouvi um amigo dizendo que foi ao Japão e que as pessoas aguardam o semáforo ficar verde para atravessar mesmo em ruas vazias e sem movimento. Ele perguntou a um japonês o motivo, e ele disse: uma criança pode estar olhando. Se você acha que não há risco para você nessa atitude, então pense no exemplo. As viagens de carro são realmente mais seguras nesse momento? E como fazer no percurso? Não parar na estrada? Como usar os banheiros públicos? RAFAEL SAAD As viagens de carro em família vão gerar menos risco pelo fato de envolverem as pessoas com as quais normalmente você já tem contato e não há uma possível exposição como ocorreria ao sentar lado a lado com desconhecidos em um ônibus ou avião. Nas paradas, convém seguir todos os cuidados máscara, higiene das mãos antes e depois de tocar em alimentos ou objetos que sejam frequentemente tocados. Que cuidados devemos ter cm aeroportos c aviões? São ambientes com maior risco de exposição ao vírus? Viagens longas de avião são recomendadas? Alguma recomendação durante o voo? RAFAEL SAAD Os estudos demonstram que o risco maior está no trajeto até o avião do que no próprio voo. Os aviões são equipados com filtros de ar bastante efetivos e potentes, no entanto, sentar-se próximo de outros passageiros pode ser um risco. Por isso a recomendação de evitar sentar-se próximo a outros passageiros que não sejam da sua família (convém manter ao menos um assento de distância para evitar contaminação por gotículas se um outro passageiro espirrar ou tossir por exemplo). Os filtros HEPA para sistemas de ventilação também são usados cm hospitais. Onde eles devem ser adotados por empresas de Turismo, como fazem as aeronaves? RAFAEL SAAD São filtros para ambientes confinados, como salas cirúrgicas e leitos de pacientes com doenças infecciosas. A aviação adota esse modelo pela potência, associado a uma grande renovação do ar. Que cuidados devemos ter cm um ambiente fechado c com mais pessoas, como um hotel? RAFAEL SAAD Em todo espaço que frequentarmos a recomendação é sempre a mesma: manter distanciamento social, utilizar máscara de forma adequada e higienizar com muita frequência as mãos. Como foi o trabalho do Sírio com a GJP? Quais os maiores desafios? £ um tratamento hospitalar para o ambiente hoteleiro? RAFAEL SAAD Estamos levando tudo que é possível transpor de boas práticas em ambientes hospitalares com hotelaria premium para as unidades do GJP. A área de Hotelaria no Sírio-Libanês tem uma importância muito grande e consideramos junto com a qualidade da assistência um dos diferenciais de nossos serviços. Transpor isso para um ambiente como o de hotéis é bastante desafiador no ambiente hospitalar o paciente aceita mais facilmente se submeter a práticas de segurança rigorosas, porque está ali justamente buscando isso. Nos hotéis as pessoas esperam por lazer e liberdade, está sendo complexo levar essa mensagem de cuidados, mas a postura do hóspede será seguramente muito decisiva para a segurança de todos. Tapetes c túneis de desinfecção, que muitos hotéis estão adotando, são eficientes no combate ao vírus? RAFAEL SAAD Os túneis já foram alvo de recomendação da própria Anvisa para não serem utilizados nesse contexto. Eles servem para reduzir a carga viral sobre profissionais de saúde que tenham sido muito expostos a ambientes contaminados, de modo a reduzir o risco de contraírem a doença ao retirar seus EPIs. Usar para entrar em um ambiente não traz nenhuma segurança, pois uma pessoa infectada vai passar pelo túnel e continuará saindo infectada do outro lado. A contaminação pelo piso também não apresenta evidências científicas. Daí a recomendação de não utilizar os tapetes, pois incorrem em um custo desnecessário. Contudo, essas medidas impressionam o hóspede que não tenha sido adequadamente orientado e muitas redes estão usado isso como estratégia de marketing e não com a preocupação real com a saúde. 0 lobby do hotel c um ambiente de maior circulação. Quais os cuidados nesse local? RAFAEL SAAD Segue a mesma recomendação dos demais espaços públicos: distanciamento, máscara, higiene frequente das mãos. £ nos restaurantes? Devem ser evitados c substituídos pelo room Service? Os bufês de café da manhã ou almoço devem ser abolidos pelos hotéis? RAFAEL SAAD Em muitos Estados está proibido servir alimentos em bufês. A preferência deve ser pelo à Ia carte. Eu privlegíaria o room scrvicc, mas os espaços de alimentação estão sendo adaptados para receber clientes com maior segurança distância entre mesas, reforço na higiene, não exposição de alimentos a potencial risco de contaminação, treinamento das equipes etc. No quarto, quais as recomendações? 0 passageiro pode querer limpar ele mesmo algumas arcas da acomodação. Isso c recomendado? 0 mesmo nos assentos da aeronaves... RAFAEL SAAD A limpeza pode ser feita por qualquer pessoa utilizando preferencialmente os panos descartáveis e álcool 70%. O risco na verdade não está em sentar-se em um local contaminado, mas de levar a mão suja aos olhos e boca. O reforço na limpeza tem esse foco. O vírus pode se espalhar pelo sistema de ar condicionado central? Melhor escolher hotéis com aparelhos split? Qual foi a recomendação do Sírio para os hotéis no caso do ar condicionado? Melhor abrir a janela? Usar outras opções como ventilador, cobertor elétrico etc? RAFAEL SAAD Os vírus se reproduzem dentro de hospedeiros e não irão se reproduzir no ambiente de ar condicionado como pode ocorrer com fungos, por exemplo. A recomendação no ar condicionado é para evitar que o vírus disperso no ar e capturado pelo sistema possa recircular. Os vírus são infinitamente pequenos até mesmo quando comparados com bactérias. Utilizar filtros adequados e manté-los sempre limpos ajudam a aumentar a capacidade de filtragem e retenção de micro-organismos. O ar condicionado do tipo Split apenas recircular o ar do quarto, assim como o ventilador. Ele não renova o ar, ao menos que tenha uma entrada de ar (o que não faz muito sentido no caso do Split, por não ter capacidade de refrigerar o ar). O risco no caso dos ventiladores e splits é maior quando pensamos na manutenção e higiene dos quartos ou troca de hóspedes. Abrir as janelas normalmente é a melhor recomendação, pois favorece a renovação de ar, que é a principal recomendação nesse momento. Qual foi a recomendação da limpeza dos quartos dos hotéis pelas equipes? RAFAEL SAAD Passamos as orientações de limpeza terminal semelhantes à que ocorre nos hospitais: não usar vassouras, limpar sempre do mais limpo para o mais sujo, utilizar panos descartáveis etc. A equipe deve ser treinada a realizar a limpeza e evitar ser substituída para manter o padrão. 0 álcool 70% ou o álcool gel substituem a lavagem das mãos? RAFAEL SAAD 0 álcool pode ser usado sempre que as mãos não apresentarem sujidade aparente. Ele facilita nos ambientes em que não temos pia. Contudo, a higiene das mãos com água e sabão é sempre preferível se estiver disponível por perto. Ao sair na rua c retornar ao hotel, a roupa que estávamos usando deve ser retirada e separada? É preciso tomar banho a cada retorno ao quarto? RAFAEL SAAD Ainda não há evidências de que a contaminação por esta via seja importante no caso do coronavírus. Mas também não há nada que diga o contrário. Por se tratar de uma doença nova e com aparente alto grau de contágio, temos recomendado esse cuidado sempre que voltamos para casa. Quais as recomendações para clcva- dores? RAFAEL SAAD Distanciamento social e higiene das mãos antes e depois do acionamento. Ainda no trabalho com a GJP, quais as recomendações para os colaboradores c a entrada c saída de profissionais de serviço c materiais usados pelo hotel? RAFAEL SAAD Check list para identificar sintomatologia, aferir temperatura, alternar turnos de entrada e recomendações quanto ao uso dos vestuários, troca de uniformes etc. Basicamente mantendo distanciamento, higienizando as mãos, utilizando máscaras e trocando a cada três/quatro horas. Alguns viajantes preferem alugar casas individuais a ficar no hotel. Faz sentido essa escolha cm relação a saúde c segurança? RAFAEL SAAD São escolhas: a casa individual pode oferecer alguma tranquilidade adicional por estar exclusiva para uma única fa- 12 a 18 de agosto de 2020 PAN ROTAS 4 mília, sem a entrada de pessoas estranhas como acontece em hotéis. Contudo, poucas pessoas viajam para ficar presas em um quarto, a exposição no transporte e nos eventuais passeios será a mesma. Ir a praia c seguro? E na piscina do hotel? RAFAEL SAAD Ainda não há consenso entre os especialistas. Muitos Estados seguem obrigando o uso de máscaras mesmo nestes espaços. As piscinas possuem limpeza com cloro ou ozônio, efetivas contra micro-organismos, mas a exposição pela circulação de pessoas em um ambiente mais úmido pode ser evitada até que se tenha evidências conclusivas. Pessoas com doenças como diabetes ou asma devem viajar nesse momento? E os idosos? RAFAEL SAAD Todas as pessoas com doenças crônicas são mais propensas a complicações com a covid. 0 ideal é que sigam mantendo o máximo de isolamento e cuidados possíveis até que se tenha uma vacina efetiva. 22 A checagem de temperatura cm aeroportos c estabelecimentos c eficaz c recomendada? RAFAEL SAAD É recomendado e ajuda a identificar pessoas doentes, as quais devem ser orientadas a buscar isolamento ou um serviço de saúde. 0 transporte público c o lugar de maior risco de contrair o virus? RAFAEL SAAD É um espaço de risco como todo ambiente mais confinado e com aglomeração. Exige os mesmos cuidados para qualquer ambiente público. 23 E os testes negativos exigidos pelos destinos? Alguns pedem testes negativos feitos 24, 48 ou ate dez dias antes da viagem. Outros fazem teste no aeroporto, na chegada do passageiro. RAFAEL SAAD 0 teste que indica se uma PANROTAS 12 a 13 de agosto de 2020 pessoa está doente agora com bastante assertividade é o RT-PCR. É possível que a pessoa saia do laboratório onde colheu o exame, pegue um transporte público e chegue contaminada em casa. 0 resultado aparecerá em 2A horas nos bons laboratórios, o que complica a estratégia nos casos negativos. Para os positivos ele é determinante para o isolamento. Ao retornar de uma viagem a um destino com alto indicc de infecções, devo fazer quarentena? RAFAEL SAAD Alguns países têm recomendado essa prática. Se for possível, é importante. Os sintomas podem aparecer em média de três a sete dias da infecção, podendo haver fase ativa da doença por até 15 dias nos casos leves. A quarentena voluntária nesses casos pode ajudar a reduzir a contaminação. 25 Devo viajar com crianças nesse período? Elas devem usar máscara? RAFAEL SAAD A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda máscara para crianças menores de seis anos, dado o risco de sufocamento, especialmente das crianças pequenas. Elas são um grupo aparentemente mais resistente, mas o grau de exposição das crianças em todo o mundo também tem sido pequeno com as escolas fechadas. Viajar ou não é uma escolha dos pais. 26 Quais as recomendações para a realização c participação de eventos neste momento? RAFAEL SAAD Os eventos seguem proibidos na maior parte dos Estados. 0 distanciamento social é a medida número um para evitar contaminação. É difícil predizer como estará a situação até o fim do ano, mas recomendamos por enquanto adotar a tecnologia para substituir a presença física. 0 que jã aprendemos sobre a covid-19 c quais as perspectivas futuras? RAFAEL SAAD Aprendemos muito em um intervalo bastante curto de tempo. Há muitos aspectos da doença que seguem uma incógnita. Há sinais bastante promissores de que teremos uma vacina efetiva até o fim do ano ou início de 2021, mas pouco se sabe sobre a duração da cobertura dessa imunização. O fato é que teremos que aprender a conviver com essa doença da mesma forma que encaramos a gripe e as demais doenças contagiosas higiene e imunização. Qual sua última viagem c como foi a experiência? RAFAEL SAAD Estive em Boa Vista, Roraima, no final de julho. Primeiro voo desde 10 de março. Voei com duas grandes companhias. Poucas mudanças e apenas aquelas que impactam pouco nos custos da empresa. Entre as medidas efetivadas estão o distanciamento na fila e a redução do tumulto no embarque e no desembarque, além da distribuição eventual de álcool gel. Por outro lado, os passageiros permanecem sentados próximos e não é feita nenhuma aferição de temperatura ou pergunta sobre sintomas. Sinto que cabe aos viajantes se posicionarem mais claramente sobre o nível de cuidados que esperam das companhias para que algo de fato mude. 29 E como foi a experiência nos aeroportos? RAFAEL SAAD Circulei pelos aeroportos de Congonhas (SP), Brasília, Manaus e Boa Vista. Em nenhum deles observei rotinas diferentes no percurso entre entrada e portão de embarque. Parece que não está acontecendo nada de diferente. Há estratégias de comunicação por todo o lado, mas poucas iniciativas práticas de alto impacto: lojas seguem fechadas nas cidades com comércio restrito, mas os serviços de alimentação seguem trabalhando como antes. Nenhuma exigência de distanciamento nas filas de raio-X, por exemplo. Fica na responsabilidade exclusiva de quem viaja utilizar máscara, fazer o distanciamento e praticar uma rotina de higiene das mãos mais criteriosa. Há bastante coisa a melhorar. E a hospedagem cm Boa Vista? RAFAEL SAAD Fiquei em um grande hotel de Boa Vista, mas não estava minimamente preparado para a situação. A cidade como um todo desrespeita completamente as orientações de isolamento e uso de máscara. Rotinas de higiene, recepção e restaurante eram as mesmas de antes da pandemia. Apenas um cartaz na entrada do hotel sinalizando para a obrigatoriedade de uso da máscara, mas nenhuma preocupação do hotel em orientar sobre isso. Olho para essa postura e para o tipo de trabalho que estamos fazendo com o GJP e percebo claramente a diferença de compromisso com a saúde do hóspede.

PANROTAS/SÃO PAULO | Outros
Data Veiculação: 07/08/2020 às 20h54

Edição n° 1.435 Ano 28 | 12 a 18 de agosto | www.panrotas.com.br R$ 11,00 PAN ROTAS DICAS PARA UMA VIAGEM SEGURA TIME DO HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS RESPONDE ÀS PRINCIPAIS DÚVIDAS ANTES DA VACINA CHEGAR Editorial 1 A VIAGEM SEGURA DEPENDE DE TODOS NÓS Governos do Estados c municípios do Brasil c de países de todo o mundo criaram um emaranhado de regras, cores e restrições às viagens e ao funcionamento de estabelecimentos, o que torna o desejo e a necessidade de viajar uma verdadeira odisseia de pesquisas, buscas e consultas de informações antes de se tomar a decisão. Mas o ser humano consegue ser tão ou mais diversos que essas regras dos governos e nossa mente convence facilmente o restante do corpo em relação ao que se quer, ao que é possível, ao que se pode fazer nesse momento. Os viajantes, assim como os destinos, têm timing próprios, desejos e necessidades que diferem por grupos, famílias e indivíduos. Esta semana a Revista PANROTAS traz uma entrevista com um especialista do Hospital Sírio Libanês, com dúvidas. perguntas e dicas sobre como viajar em segurança durante a pandemia. Afinal, as empresas e destinos já estão preparando diversas opções de viagem segura neste momento pré-vacina. A decisão da viagem é de cada um, baseada em fatos, recomendações, proibições e necessidades (e o desejo, muitas vezes, é uma dessas necessidades). Mas o ato de viajar (como já era antes) precisa levar em conta o outro, o entorno, os moradores e funcionários dos destinos e empresas visitadas. Portanto, nessa fase de pré-retomada das viagens, em que muitos destinos já permitem deslocamentos, visitas e estadas (ao contrário do início da pandemia, onde sequer havia voos ou fronteiras abertas), é preciso decidir e, mais que tudo, aderir a regras e protocolos. Antes de viajar, leia nossa reportagem e reflita sobre os seguintes itens: □ A decisão de viajar é sua e de mais ninguém. Ela precisa se basear no que estabelecem autoridades. destinos e médicos, mas também em suas necessidades. Precisa viajar a trabalho? Sua saúde mental pede uma escapada? A família precisa de férias? Decisão tomada, escolha o melhor local para atender a esses fins, e os melhores meios. Uma nova forma de viajar veio para ficar e aos poucos vamos nos adaptando e vendo que há alternativas e experiências para atender ao que desejamos, com segurança e prazer. Aderir aos protocolos não é uma decisão sua. É uma obrigação. E respeito a quem viaja com você, a quem vive em sua casa ou comunidade (afinal, você irá retornar, certo?), a quem trabalha em uma das atividades turísticas usadas em sua viagem e a quem vive no destino escolhido por você. A adesão aos protocolos é mais importante que túneis de desinfecção e tapetinhos para limpar sapatos. Portanto: lave as mãos com água e sabão (ou use álcool gel ou álcool 70%), não leve as mãos às mucosas da boca, nariz e olhos sem lavá-las antes, use máscara quando for requisitado e mantenha o distanciamento social. São as melhores formas de evitar contagiar e ser contagiado (não só em relação à covid19, mas também outras doenças, como a própria gripe). 2 16 | PANROTAS 12 a 10 de agosto de 2020 Quebrar uma das regras de obrigatoriedade pode levar a atrasos, problemas com as autoridades, mais estresse e importunação aos demais. Não é isso que queremos cm uma viagem, certo? Ouça os profissionais de Turismo e de saúde. É possível fazer Turismo com protocolos e ter uma experiência boa para todos. 0 timing de viajar, repetimos, é a soma dos seus desejos e necessidades com as regras de governos, autoridades, empresas e destinos. 8 Viajar nesse momento tem todos esses protocolos, mas as empresas estão investindo dinheiro, treinando funcionários e se adaptando para que a experiência seja a melhor possível. Com cada um fazendo sua parte de forma responsável, a indústria vai se rearrumando e mostrando o que ê possível e viável. Fiscalize, critique, elogie, compartilhe sus experiências para que o Turismo esteja cada vez mais seguro e adaptado ao novo momento. Na dúvida, pergunte a um especialista ou profissional da empresa que está prestando os serviços. □ Atenção às regras dos produtos e serviços de Turismo. 0 setor está investindo em flexibilidade, para que o viajante tenha segurança e meios de alterar seus planos por qualquer motivo. Isso faz a diferença: mais uma vez, não queremos viajar para nos estressar. Veja se todos os membros do seu grupo ou família estão prontos para uma viagem, seja ela curta ou mais demorada. A adesão e entendimento de todos ê muito importante. □ Já há um movimento de viagens a trabalho e a lazer, especialmente de curta distância. Ainda não se pode chamar a fase atual de retomada, mas a quantidade de hotéis e atrações abertos, e de voos retomados mostra que as pessoas já estão viajando (e frequentando bares, restaurantes e novas modalidades de entretenimento, como os ressurgidos drive-ins) e que é possível. Muitos estão revendo parentes, escapando em finais de semana e mudando de ambiente para relaxar. Essa viagem entre confinamentos deve durar mais algum tempo, até que a retomada de fato apareça. E ela vai aparecer logo, logo. Se não quiser ou puder viajar agora, respeite o momento dos demais (como dissemos, há quem esteja viajando por necessidade e obrigação) e aconselhe a todos para seguirem as orientações das autoridades, aderindo aos protocolos. E continue a planejar sua volta aos céus, estradas e mares do País e do mundo, pois com certeza você está ansioso para esse retorno e ele logo chegará, seja no final do ano, mais para frente em 2021, ou nas oportunidades que podem aparecer a qualquer momento, pois nessa pandemia tudo tem sido bastante rápido e dinâmico. Boa leitura, boas escolhas, boa viagem.■ 10 Artur Luiz Andrade Editor-chefe e Chief Communication Officer da PANROTAS artur@panrotas.com.br 12 a 18 de agosto de 2020 PANROTAS

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 07/08/2020 às 11h28

O médico Elsimar Metzker Coutinho, que está internado há 18 dias para tratamento da Covid-19, passou por um procedimento de traqueostomia, quando um tubo fino é colocado na garganta para permitir a passagem do ar, na noite de quinta-feira (6). Nesta sexta-feira (7), ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde tem progresso no quadro clínico. Por meio de nota, a assessoria do médico informou que o procedimento foi feito para que ele tenha mais conforto no tratamento. Inicialmente, Coutinho havia sido internado no Hospital Aliança, em Salvador, no dia 20 de julho, quando apresentou os primeiros sintomas da síndrome respiratória. Ele foi transferido para o Sírio Libanês no dia 29 e segue na unidade médica. Ele chegou ao Hospital Aliança após apresentar dificuldade para respirar e lá foi submetido a teste, que deu positivo para a Covid-19. Coutinho, que está sendo acompanhado pelo cardiologista Roberto Kalil, é referência nacional no campo da reprodução humana.

VEJA/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 07/08/2020 às 03h00

BRASIL PANDEMIA 0 PLANO DE SAÚDE companhias do seu setor, duramente atingidas pela crise. Somente entre maio e junho, os planos de saúde contabilizaram a saída de quase 300000 associados, sendo a maior parte desse grupo formada por pessoas que perderam o emprego e passaram a depender da rede pública. Enquanto isso, a Prevent aumentou em 15% o número de clientes durante a pandemia. Na esfera judicial, as investigações contra a empresa não deram em nada, e o alastramento da calamidade pelo país ajudou a tirar o foco da companhia. De março a julho, os hospitais da rede registram- Com o aumento do número de mortes por Covid-19 no país, a Prevent Sênior deixou a posição de epicentro do problema João batista jr. UM DOS maiores planos de saúde do país e o único totalmente dedicado a atender o público de terceira idade, a rede Prevent Sênior amargou um bom tempo na UTI de uma grave crise de imagem provocada pelas notícias assustadoras que saíam de seus hospitais no início da pandemia. Em março, a companhia viu-se abarrotada de pacientes contaminados. O primeiro óbito em território nacional foi registrado na unidade Sancta Maggiore, em São Paulo: um homem de 62 anos com histórico de diabetes, hipertensão e hiperplasia prostática. Era apenas o começo do pesadelo. No fim do mesmo mês, a empresa já acumulava 61 mortes, o equivalente a 30% do total de vítimas fatais por coronavírus no país. O Ministério Público e a vigilância sanitária abriram investigações sobre o caso e, durante uma coletiva de imprensa, o então Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, bateu duro na empresa, insinuando negligência. Para coroar a fase crítica, a mãe dos donos da Prevent acabou sendo intubada em um dos hospitais da rede devido a complicações causadas pela Covid-19. Diante de um caso tão grave de enfermidade nos negócios, a recuperação parecia improvável. Passados pouco mais de quatro meses, no entanto, a Prevent, depois de ser cruelmente vilanizada, exibe sinais de vitalidade, acima até da média das DIAGNÓSTICO 0 CEO Fernando Parrillo: “Era mais fácil bater na empresa" DDE SAIU DA UTI 42 12 OE AGOSTO. 2020 GERMANO LUDERS ram 673 mortes pela doença, ou menos de 1% dos óbitos do país no mesmo período. “Fomos vítimas de interesses políticos, era mais fácil bater na nossa empresa do que ter um plano de ação”, diz Fernando Parrillo, CEO e que divide a direção da companhia com o irmão, Eduardo. “Como o nosso foco é a terceira idade, naquele momento inicial foi natural concentrarmos muitos pacientes.” Outro motivo de alívio: Maria Aparecida, de 75 anos. mãe dos donos, depois de passar três semanas intubada por Covid-19, venceu a doença. Do ponto de vista dos números financeiros, o saldo do ano que começou trágico para a Prevent será bastante positivo. Durante a pandemia, a empresa criou ao todo 4613 empregos e vai investir 350 milhões de reais na construção de quatro novos hospitais em São Paulo e parcerias com clínicas do Rio de Janeiro e de Curitiba. O faturamento de 2020 deve ser 20% maior que o do ano passado, de 3,5 bilhões de reais. A Prevent deixou para trás a posição de epicentro de problemas do coronavírus, mas é verdade também que contabilizar centenas de mortes em um curto período de tempo está longe de ser um resultado a ser comemorado. mesmo se levando em conta a especialização no atendimento a pacientes com idade mais avançada. A título de comparação, os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein registraram 30 e 57 óbitos por Covid-19 entre março e julho, respectivamente. Chama atenção ainda o fato de a Prevent ter se tornado uma das principais porta-vozes dos benefícios da polêmica hidroxicloroquina. Embora a OMS e muitos outros especialistas tenham chegado à conclusão de que o medicamento não traz nenhum benefíPOLÊMICA Hospital próprio: estudo com cloroquina foi suspenso por Comitê Nacional de Ética em Pesquisa cio diante do ataque desse vírus, a rede prescreve a droga para qualquer pessoa que relate sintomas de Covid-19 em uma das 5 000 teleconsultas feitas por celular todo mês. Uma caixinha do remédio e algumas vitaminas são enviadas à casa do paciente, no que tem sido chamado de “kit Covid”. “Entre os dias zero e três da contaminação, a cloroquina evita a internação em 95% dos caos”, diz Pedro Benedito Batista Jr., diretor médico da Prevent Sênior. Por uma série de falhas técnicas e omissões, uma pesquisa da Prevent sobre a eficácia desse tipo de tratamento foi cancelada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. A empresa não recorreu da decisão e decidiu deixar de lado o assunto. A cota de problemas no ano já estava estourada. ■ 12 DE AGOSTO. 2020 43

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/08/2020 às 08h00

Os jogadores do Red Bull Bragantino almoçavam em Bragança Paulista (80 km de São Paulo), na quinta-feira da semana passada (30), quando nove deles ouviram pedido para se apressarem. A sete horas do início do jogo das quartas de final do Campeonato Paulista, contra o Corinthians, eles teriam de ir à capital imediatamente fazer novos testes de Covid-19 no Hospital Israelita Albert Einstein. Dois dias antes, 26 exames realizados pela mesma instituição no elenco, comissão técnica e funcionários tiveram resultados positivos (entre eles os dos nove atletas). A mulher de um jogador titular da equipe, grávida, se isolou do marido e passou a noite seguinte chorando, pelo medo de ter sido contaminada. Um empregado do clube havia feito uma festa familiar de aniversário no domingo anterior para o filho, que é asmático, e ficou apavorado. A Folha ouviu nos últimos dias atletas e outros funcionários do Red Bull Bragantino, pessoas ligadas à FPF (Federação Paulista de Futebol) e um médico do Einstein sobre o erro do hospital que atrapalhou a preparação da equipe para a fase eliminatória do torneio. Eles não quiseram ser identificados na reportagem. A cúpula do hospital convocou uma reunião emergencial para tratar do problema e temia a repercussão principalmente pelo fato de o adversário do confronto ser o Corinthians. Também poderia ter prejuízos na parceria firmada com FPF e CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para os testes do Paulista e do Campeonato Brasileiro. Diante do número de resultados positivos na terça (28), os dirigentes do clube pediram ao Einstein que refizesse os exames. A solicitação foi inicialmente negada, com o argumento de que os procedimentos estavam corretos e não havia razão para repeti-los. O presidente da federação, Reinaldo Carneiro Bastos, entrou em contato com o hospital e ouviu que ter 26 diagnósticos positivos era algo normal. Preocupado com os resultados e com o estado emocional dos jogadores, que foram isolados dos demais companheiros e das suas famílias, o Bragantino os levou para novos testes em outras instituições. Às 7h manhã de quarta (29, véspera da partida), eles estavam no laboratório Cura, em São Paulo. Em seguida, foram ao Fleury Medicina, no Hospital Sírio-Libanês. Refizeram os testes nos dois centros de diagnóstico e todos deram negativo para Covid-19. Enquanto isso, o técnico Felipe Conceição debatia com seus auxiliares e dirigentes o que fazer com os jogadores diante da dúvida: relacioná-los para enfrentar o Corinthians ou não? Na quinta pela manhã, o clube informou ao Einstein sobre os resultados negativos. Segundo funcionários do clube ouvidos pela reportagem, a institução resistiu, mas diante da insistência aceitou realizar novos testes. Os atletas, então, foram retirados do almoço, colocados no ônibus que transportaria a delegação para a partida e levados para o hospital. A unidade do Morumbi do Einstein fica a cerca de 1,5 km do estádio do São Paulo, onde aconteceu o jogo vencido pelo Corinthians por 2 a 0. Os nove jogadores do Bragantino chegaram no estádio cerca de 1h30 antes do início da partida. Os resultados do novo teste no Albert Einstein também haviam sido negativos. O hospital foi notificado pelo Procon na terça-feira (4) e tem até o final desta sexta (7) para responder três questões principais: qual o nome da empresa responsável pela elaboração dos testes, o motivo que levou ao diagnóstico equivocado e qual a probabilidade de ocorrerem novos erros como esses. Segundo Fernando Capez, secretário de defesa do consumidor de São Paulo, caso o hospital não consiga se explicar poderá receber uma multa de até R$ 10 milhões, calculada com base na gravidade da infração e no faturamento do Albert Einstein. “É inadmissível que ocorra um erro na testagem de 26 pessoas ao mesmo tempo em um dos maiores hospitais do mundo, e quando se sabe que a prevenção é importantíssima para ajudar no combate à doença”, diz Capez. Procurado pela Folha, o Einstein, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que responderá aos questionamentos do Procon dentro do prazo. Em nota, disse que, após processos internos, identificou dois lotes específicos de reagentes importados com instabilidade de funcionamento, “provavelmente os responsáveis pelos resultados divergentes". Também confirmou que, após os resultados positivos na terça (28), atendeu ao pedido do Bragantino e realizou novos testes na quinta, dia do jogo. “No novo processamento, essas amostras resultaram negativas." “A fabricante, uma empresa internacional, foi imediatamente notificada sobre a ocorrência e os lotes com desempenho atípico foram retirados da rotina de exames do laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein", informou.

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Data Veiculação: 07/08/2020 às 04h00

À espera de uma confirmação do governo do estado sobre a data de reabertura das escolas, colégios particulares de São Paulo já se preparam para um eventual retorno das aulas presenciais. A possibilidade da volta das atividades ou o adiamento da data, inicialmente prevista para 8 de setembro, deve ser anunciada hoje pela gestão João Doria (PSDB). Além das medidas que devem ser adotadas por todas as escolas do Estado, como a manutenção do distanciamento entre alunos e funcionários, o uso de máscaras e a medição de temperatura logo no portão de entrada, os colégios particulares da capital têm firmado parcerias com hospitais como o Einstein e o Sírio Libanês para a elaboração de protocolos de biossegurança ou até mesmo para a realização de auditorias nas unidades de ensino. No Colégio Dante Alighieri, no bairro do Jardim Paulista, 35 câmeras de reconhecimento facial e de medição de temperatura serão instaladas em substituição às catracas que ficam nas portarias. As mesas do refeitório terão placas de proteção acrílica e foi instalada uma mesa que emite radiação ultravioleta para fazer a higiene de livros que entram e saem da biblioteca. "Antes, precisava passar o crachá e você tinha o contato com essa catraca. Buscando diminuir o contato com superfícies que eventualmente possam acumular o vírus, a gente pensou em trazer uma tecnologia que reunisse tudo em uma coisa só", afirma Valdenice Minatel, diretora-geral Educacional do Dante. Segundo ela, a medida ajudará a evitar a circulação de terceiros, como pais, nas dependências da escola. O reconhecimento facial será realizado a partir de uma base de dados com fotos dos alunos e funcionários do colégio, e o colégio afirma que a tecnologia deve funcionar inclusive com todos usando máscara. Se a pessoa não estiver usando a proteção ou apresentar febre, o equipamento não permitirá a entrada. Na primeira fase do retorno das atividades, o Dante prevê uma circulação de 1.610 estudantes por dia nas dependências da escola. Pelas regras do Estado, nesta fase, deve haver uma ocupação máxima de 35% dos alunos nas escolas. O colégio não quis divulgar quanto está investindo para a implementação das medidas para a volta às aulas. Kits individuais Colégios como o Rio Branco, no bairro do Higienópolis, e a Maple Bear, que possui diversas unidades na capital, vão implementar kits individuais para evitar o compartilhamento de materiais como lápis de cor e giz de cera entre os alunos da educação infantil. "Cada criança vai ter um saquinho com todos os materiais que ela vai utilizar naquele dia. Não vamos mais ter na classe aquela vastidão de brinquedos para usar", diz Monique Desidério, gerente de operações da Maple Bear Brasil. "E, toda vez que [a criança] trocar de objeto, vai ser realizada a higienização das mãos". Ela estima que cada escola da rede deva investir no mínimo R$ 20 mil para implementar tanto os protocolos de biossegurança (que envolvem desde o distanciamento e a limpeza até a distribuição de totens com álcool em gel) como para a instalação de recursos tecnológicos, como câmeras nas salas de aula, para a manutenção do ensino híbrido. Rodízio e menor quantidade de alunos Diretor da unidade Higienópolis do Colégio Rio Branco, Renato Júdice de Andrade diz que a escola está se organizando para subdividir cada uma das fases previstas para o retorno pelo governo de São Paulo, de forma que ainda menos alunos do que o permitido circulem de fato nas dependências do colégio. Ele estima que na primeira fase, em que o retorno é autorizado para 35% dos alunos, 15% ou 20% dos estudantes do colégio voltem às atividades presencialmente. "Vamos ter um número de alunos bem pequeno dentro de cada fase, seja quando for. Ainda não definimos exatamente, mas não vamos fazer rodízio dentro de uma turma, vamos fazer por série", diz. O rodízio por série será realizado também pelo Colégio Bandeirantes, que fica no bairro da Vila Mariana e atende alunos a partir do sexto ano do ensino fundamental. "Vamos dividir os alunos em turnos menores. A ideia é que os alunos tenham menos aulas por dia que o normal", diz Mayra Ivanoff Lora, diretora pedagógica da escola. Ela destaca que o colégio deve realizar ainda uma série de webinars com pais e alunos para que todos estejam cientes dos protocolos —e para que nenhum estudante com sintomas suspeitos seja enviado à escola. Abertura depende do estado Apesar da preparação dos colégios particulares, a abertura das escolas de todo o Estado depende do aval da gestão Doria (PSDB). Nas últimas semanas, o governo vem afirmando que o retorno no dia 8 de setembro depende de liberação da área da Saúde e que esta data não é definitiva. "Até sexta de manhã (7) estaremos em discussão. Temos um plano, que é uma data referência até 8 de setembro, que é se as condicionalidades forem obedecidas", disse o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, na última segunda-feira (3). A confirmação da reabertura em 8 de setembro depende da permanência de 80% das regiões do Estado na fase amarela do Plano São Paulo por pelo menos 28 dias. A data limite para que esse percentual seja inicialmente atingido é a próxima terça-feira, 11 de agosto. Passado esse dia, é preciso ainda que não haja regressões significativas para outras fases do plano até setembro. No Plano São Paulo, de flexibilização da economia, o governo estipulou cinco fases - a fase 1 (vermelha) significa a situação mais crítica e a fase 5 (azul), o cenário controlado. Pela atualização mais recente, apenas as regiões da Baixada Santista, Araraquara, a capital e a região metropolitana estão na fase 3 (amarela). As demais regiões estão nas fases 2 (laranja) ou 1 (vermelha), mais restritivas. Na semana passada, a Apeoesp, sindicato que representa os professores da rede pública, fez uma carreata contra a reabertura das escolas. Os docentes argumentam que não há estrutura nas escolas públicas para seguir o protocolo de retorno das aulas presenciais, o que deixaria tanto alunos como profissionais em risco.