Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

AE BROADCAST/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/05/2021 às 10h00

Diminuição no número de pessoas transportadas por viagem, instalação de escudos protetores de acrílico para isolar o banco da frente, adoção do álcool em gel como item de segurança sanitária, menos contato com os passageiros, uso obrigatório de máscara e cuidado redobrado com a higiene. As mudanças na rotina do motorista de aplicativo Rochester de Oliveira Marques, de 45 anos, de Brasília (DF), retratam o quanto a pandemia mexeu com os hábitos dos condutores e passageiros de um ano para cá. O novo cenário exigiu investimento e mobilização das empresas que gerenciam os apps, como a criação e implantação de protocolos de segurança e de higiene. Para complementar a rotina de cuidados diários, motoristas parceiros acrescentam outros recursos para garantir o deslocamento seguro de milhões de usuários, mesmo nos piores momentos da doença. A eficiência das ações tem forte ligação com o senso de comunidade tanto por parte dos passageiros quanto dos parceiros. "Logo após a instalação da placa de acrílico, confesso que me senti um pouco sufocado. Mas agora estou mais acostumado. Graças a Deus, não fui contaminado. Não se trata de ter medo ou não da doença, mas sim de cuidar da segurança minha e dos passageiros. Além disso, tenho minha esposa e meus filhos em casa e me preocupo com eles", diz Marques, que atua como motorista parceiro há um ano e oito meses. Números O depoimento de Marques dá uma dimensão de como o transporte por aplicativo sentiu os efeitos do coronavírus. Além de motoristas parceiros e clientes habituais adotarem novos hábitos, houve uma migração de passageiros do transporte público para os apps. Muitos fizeram a opção até mesmo para evitar possíveis aglomerações em ônibus, trens e metrôs. A pesquisa realizada pela 99 comprova esta mudança de hábito. No período do levantamento, em 2020, o serviço registrou crescimento de 54% nas periferias brasileiras. Foram ouvidas 2.612 pessoas de bairros periféricos do Rio de Janeiro, Manaus, Salvador e São Paulo. Para 40% dos entrevistados, optar pelas viagens de carro por aplicativo foi a saída para evitar o contato com a Covid-19. Com a transformação constatada durante esta fase, mesmo os grandes investimentos dependem de um ponto fundamental para o sucesso das iniciativas de combate ao coronavírus: respeito entre passageiros e motoristas parceiros. Afinal, o momento exige uma mudança de comportamento para colocar em prática as medidas necessárias para preservar a saúde. Dessa forma, é responsabilidade de todos a garantia de uma viagem segura. Por isso, o monitoramento e o respeito às medidas de segurança também envolvem os passageiros. "Fico atenta se o motorista está usando máscara. Além disso, sempre converso com eles sobre a importância do autocuidado. Até porque o condutor não deve colocar nem ele nem o passageiro em risco", destaca a analista de atendimento Aline Oliveira, de 35 anos. Assim como Aline, a personal trainer Thaisa Suemi Nacamoto, de 32 anos, também adota as medidas necessárias. Devido à Covid-19, ela deixou de pagar as corridas com dinheiro, optando pelo cartão, e adquiriu novos hábitos. "Só entro no carro se o motorista estiver com máscara. Abro todas as janelas. Além disso, eu observo se o condutor tem álcool. Caso ele abaixe a máscara ou ignore os cuidados necessários, dou nota baixa", afirma. Na luta Com quase três anos de experiência e cerca de 18,5 mil corridas realizadas em Belo Horizonte (MG) no período, o que dá uma média de 17 viagens por dia, o motorista parceiro André Tadeu Santana conta que seguiu as orientações enviadas pela 99 aos condutores de todo o País. Está sempre de máscara, não leva clientes no banco da frente, anda com os quatro vidros do carro abertos visando a circulação do ar e recusa corridas de passageiros que não aceitam os itens de proteção. Aos 36 anos, Santana levanta todo dia às 4h30, inicia o trabalho às 5h30 e vai até o começo da noite levando pessoas de ponta a ponta na capital mineira. Por isso, todo cuidado é pouco. Ainda mais com uma pandemia que já tirou a vida de mais de 400 mil brasileiros, sendo mais de 4 mil na cidade onde ele atua. "Moro com minha irmã e minha mãe, que tem 65 anos e já tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Além disso, eu visito direto o meu pai, que tem 67 anos e mora sozinho. Preciso me cuidar bastante durante o serviço. Por mim e por eles", destaca. Investimentos Para garantir o suporte necessário para os motoristas parceiros e os passageiros, as empresas que gerenciam os aplicativos de transporte investem tempo e dinheiro na busca das melhores soluções. Os números são significativos. Só para se ter uma ideia, a 99 já distribuiu mais de 640 mil máscaras a motoristas parceiros desde março de 2020. Neste período, a empresa investiu mais de R$ 900 mil para distribuição de álcool em gel, outros R$ 2,8 milhões na instalação de escudos protetores e sanitizou mais de 425 mil veículos. Também foram fechadas parcerias com a Shell, para desconto em combustíveis, e com o Sebrae, visando a oferta de cursos e acesso a linhas de crédito exclusivas, por meio do programa Somos, de incentivo aos motoristas parceiros. Houve também a migração de todo o serviço administrativo para o home office, protegendo quem atua na retaguarda aos motoristas parceiros e usuários. Auxílio e protocolo Logo no início da pandemia, foi criado um fundo de US$ 10 milhões (R$ 63,7 milhões) para auxiliar financeiramente motoristas parceiros diagnosticados com o coronavírus. Na mesma época, a 99 estabeleceu um protocolo de segurança com a consultoria do Hospital Sírio-Libanês, contendo material informativo e educativo com vídeos, textos e podcasts gravados com médicos infectologistas e outros profissionais de saúde. Todo o material está disponível no site da empresa, com avaliação dos sintomas, o que fazer ao chegar em casa, como respeitar o distanciamento social mesmo durante o serviço e outras recomendações. Essas iniciativas deram segurança a motoristas parceiros como Jeferson da Conceição Silva, de 58 anos, que também atua em Belo Horizonte. Com receio da infecção, ele faz sua parte para evitar a doença, com utilização em tempo integral da máscara e do álcool em gel. Casado, pai e avô, ele conta que lida com passageiros conscientes em relação às normas de segurança sanitária. "Graças a Deus, até hoje todos sempre entraram com máscara. Mas sempre há o risco de levarmos essa doença para casa, né? Por isso, também torço para ser vacinado logo", conclui.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/05/2021 às 07h24

SÃO PAULO - A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado de São Paulo está com índice abaixo de 80%, mantendo tendência de queda desde o fim da fase emergencial e retorno da fase vermelha, em 9 de abril, movimento também observado nos hospitais privados. Nesta quarta-feira, 5, o Estado apresentou dados que apontaram estagnação desta curva de redução de internados pela covid-19 e alta de 2,5% nos casos na semana passada, em relação à anterior. Isso preocupa especialista, que veem risco de uma terceira onda e surgimento de novas variantes. Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa Hoje, o Estado está na fase de transição do Plano São Paulo, programa estadual de combate á covid19, que permite horário estendido para o funcionamento de comércio e serviços. No mês passado, quando a flexibilização teve início, a taxa estava em 88,3%. Nesta quarta-feira, o índice chegou a 78,3%. A queda na taxa foi um dos motivos apresentados pela gestão estadual para iniciar a flexibilização de atividades que pararam de funcionar durante as etapas mais rígidas do plano. Médico sanitarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Walter Cintra Ferreira diz que o quadro da pandemia ainda é grave, pois, embora haja estabilidade, ela ocorreu em patamar alto. "O aumento de casos é muito preocupante. Significa que também vai ter aumento de casos graves e a necessidade de internação em UTI. Contra a covid19, a gente faz uma corrida contra o vírus e só vence reduzindo ao máximo a circulação dele, e aumentando a população vacinada. Com esse número alto de casos novos, é temerário adotar medidas de relaxamento. Não é surpresa que vai aumentar." Especialistas e autoridades já se preocupam com efeitos na pandemia causados pelo Dia das Mães, segunda data de maior movimento no comércio e que envolve reuniões familiares. "Não é recomendado receber ou fazer visitas neste momento, porque as pessoas podem não saber que estão contaminadas ou serem assintomáticas", disse ao Estadão semana passada Elaine D'Amico, responsável pela fiscalização do Plano São Paulo. O ritmo lento de vacinação da população é outro agravante. "A vacinação está demorando. O governo federal deveria ter tomado as medidas necessárias no tempo certo.Nosso problema não é dificuldade operacional para vacinar, é falta de vacina. É muito provável que, se essa tendência continuar, teremos novamente lotação nos hospitais e sabemos que, quando está acima de 90%, significa que tem gente esperando leitos de UTI." Para Leonardo Bastos, pesquisador na Fiocruz e membro do Observatório Covid-19 BR, as internações apresentaram queda, mas a taxa de ocupação de UTIs mostra a gravidade da covid-19 em relação a outras infecções respiratórias. "A gente monitora, desde 2014, casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que mostram como está a circulação de vírus respiratórios, como o H1N1, vírus sincicial respiratório, baseado no histórico com dados desde 2009. Até 2019, tínhamos o limiar de 0,9 internações para cada 100 mil habitantes por semana, se passasse desse patamar, já era considerado muito alto. Chegou a covid19 e isso foi para as alturas. Está em 10 hospitalizações por 100 mil habitantes por semana. Dez vezes mais do que o limiar que a gente via antes." HCor tem lotação de 79% em vagas covid; taxa geral no Sírio é de 83% Na rede privada, segundo Francisco Balestrin, médico e presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), as unidades relatam queda nas solicitações por internação por covid. "Não houve queda no número de internações, mas uma diminuição de pressão para internação. Na penúltima pesquisa que divulgamos, 100% dos hospitais estavam tendo pressão para internação de pacientes com covid19. Na pesquisa passada, passou para 65%. Agora, está em 17%", afirma. "Antes, tinha fila muito grande de pessoas que precisavam ser internadas. Desta vez, diminuiu. A sensação de sufoco melhorou", continua Balestrin. A pesquisa, realizada com 98 hospitais, apontou que 79% das unidades estão com ocupação de UTI acima de 80%, mas o quadro é melhor do que o registrado no início do mês passado. No HCor, a taxa de ocupação de leitos covid19 está em 79% e a ocupação geral é de 88%. No Hospital Sírio-Libanês, a ocupação geral, que inclui pacientes sem o novo coronavírus, está em 83%. Em seu boletim, o Hospital Nipo-Brasileiro informou que a ocupação de UTI covid é de 90%. Já a UTI não covid está com 92% de ocupação. "No Hospital Santa Paula, a taxa de ocupação de leitos para pacientes covid19 caiu de 95% para 85%. Em contrapartida, a taxa de ocupação de leitos para pacientes não covid-19 aumentou de 80% para 90%." Os dados são em relação a abril. Também foi registrada queda na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. "A taxa de ocupação dos leitos destinados ao tratamento de covid-19, em 4 de maio de 2021, é de 47% nas enfermarias e de 66% nas UTIs, percentuais que apresentaram queda, desde o começo de abril deste ano, de cerca de 50% nas enfermarias e 20% nas UTIs." Apesar da redução, Balestrin diz que a situação está longe de ser considerada tranquila. "Teve a diminuição da pressão por internações. Os hospitais começam a respirar, têm melhor condição de trabalho das equipes de saúde e trabalhar com o kit intubação, mas a situação ainda não é confortável, continua tendo 2 mil mortes por dia. A população ainda precisa perseverar nas medidas não farmacológicas: máscara, distanciamento físico e lavagem das mãos, enquanto não é vacinada."

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 06/05/2021 às 03h00

Rede privada diz que ‘sufoco’ diminuiu Na rede privada, de acordo com Francisco Balestrin, presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), as unidades relatam queda nas solicitaçõesporintemação por covid-19. “Não houve queda no número de internações, mas uma diminuição de pressão para internação. Na penúltima pesquisa que divulgamos, 100% dos hospitais estavam tendo uma pressão para internação de pacientes com covid19. Na pesquisa passada, passou para 65%. Agora, está em 1796. Antes, tinha fila muito grande de pessoas que precisavam ser internadas. Desta vez, essa fila diminuiu. A sensação de sufoco melhorou.” A pesquisa, realizada com 98 hospitais, apontou que 79% das unidades estão com ocupação de UTI acima de 80%, mas o quadro é melhor do que o registrado no início do mês passado. “Na pesquisa anterior, 65% dos hospitais estavam com taxa de ocupação das UTIs de 91% a 100%. Nesta, são 33%. Agora, só 4% relatam que estão com taxa acima de 100% de ocupação. Na anterior, eram 17%.” No HCor, a taxa de ocupação de leitos apenas para covid-19 está em 79% e a ocupação geral é de 88%. No Hospital Sírio-Libanês, a ocupação geral, que inclui pacientes sem o novo coronavírus, está em 83%. Em seu boletim, o Hospital Nipo-Brasileiro informou que a ocupação de UTI covid19 é de 90%. Já a UTI não covid está com 92% de ocupação. Apesar da redução, Balestrin diz que a situação está longe de ser considerada positiva. “A população ainda precisa perseverar nas medidas não farmacológicas: máscara, distanciamento e lavagem das mãos, enquanto não é vacinada.” /p.f.