Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FORBES BRASIL ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/09/2020 às 00h00

100 empresas que fizeram as maiores doações no Brasil 100 empresas que fizeram as maiores doações no Brasil Décio Galina 5 de setembro de 2020 Listas O ineditismo das consequências da pandemia do novo coronavírus no Brasil não vai entrar para os livros de história apenas pelo viés dramático do número de vítimas fatais e da recessão econômica acachapante. A Covid-19 despertou o brasileiro para uma corrente de solidariedade que também nunca se tinha visto por aqui. Em dois meses e meio – de 31 de março a 19 de junho, foram doados mais de R$ 5,6 bilhões em resposta à terra arrasada causada pelo vírus, montante que é o resultado da atitude de 395.042 doadores. Entre eles, desde pessoas físicas repassando R$ 30 até grandes bancos, como o Itaú Unibanco, que fez a maior doação até agora, de R$ 1 bilhão (sem mencionar aportes subsequentes de menor valor das empresas ligadas ao grupo). Os dados foram compilados pelo site “Monitor das Doações”, criado pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), que faz parte de uma rede mais ampla chamada Movimento por uma Cultura de Doação, e foram verificados pela Forbes junto às empresas. Doações em produtos, matéria-prima, logística e outros itens não monetários foram convertidos em reais. O segmento que mais doou foi o sistema financeiro, com 33% do total. Alimentação e bebidas estão em segundo, com 14%, e, logo atrás, mineração, com 10%. “Foi o maior movimento de generosidade já visto no Brasil. Incrível termos pessoas, empresas e instituições de todo o país mobilizadas pela doação, por incentivar ainda mais doações, por fazer o bem”, diz João Paulo Vergueiro, diretor executivo da associação. “Quando o Monitor das Doações Covid-19 foi ao ar, ele estava em R$ 450 milhões. Hoje esse número é dez vezes maior. Surpreendeu-nos como ele cresceu rápido, e como engajou a sociedade civil para fazer a diferença na vida das pessoas. Em dois meses, as empresas doaram muito mais do que costumam doar em um ano inteiro.” João Paulo credita esse resultado ao fato de o vírus ter atingido todas as camadas sociais do país. “A causa é de todos. Quando temos um motivo que mexe com todos nós, que nos impacta, somos inspirados a doar e sermos ainda mais generosos. O desafio é fazer essa generosidade ser permanente.” Veja na galeria de fotos 12 empresas que se destacam nessa corrente solidária e a lista com as 100 companhias que se mobilizaram nesse momento histórico. ITAÚ UNIBANCO Banco faz doação recorde e mostra seu poder de fogo com o programa Todos pela Saúde Ao anunciar, no dia 13 de abril, a maior doação do país no combate à Covid-19 – R$ 1 bilhão –, o Itaú Unibanco deu também os detalhes do programa Todos pela Saúde, sustentado por quatro pilares: Informar (campanha de incentivo ao uso de máscaras e orientação sobre higiene das mãos); Proteger (disponibilização de equipamentos de proteção individual e testagem); Cuidar (apoio aos gestores públicos na estruturação de gabinetes de crise, uso de telemedicina para monitoramento de casos, ampliação da capacidade de hospitais e compra e distribuição de insumos estratégicos); Retomar (desenvolvimento de estratégias visando a retomada das atividades sociais). Após um mês de programa, a instituição comemorou os resultados: compra de 90 milhões de equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde que atuam no SUS e 20 ventiladores; encomenda de 20 milhões de máscaras de pano e distribuição de 5 milhões para a população; e criação de gabinetes de crise em todos os estados. Os recursos aportados no Todos pela Saúde são administrados por um grupo de especialistas liderado pelo médico Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês. “Estamos orgulhosos do que realizamos até aqui. Temos contribuído não apenas com recursos financeiros, mas com nossa capacidade de gestão, tecnologia e logística, que são altamente demandadas em uma operação complexa e de abrangência nacional como esta”, disse Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco. “Temos absoluta consciência da gravidade da situação e seguiremos trabalhando com determinação e foco para ajudar os brasileiros.” Reuters AMBEV Doação de R$ 110 milhões e 3 milhões de máscaras feitas com PET Uma série de ações da Ambev para contribuir com os esforços contra a pandemia recebeu aportes da companhia até o fim de maio que somaram R$ 110 milhões. Com o etanol de suas cervejarias foi produzido 1,2 milhão de unidades de álcool gel em embalagens de 237 ml. Para a distribuição das primeiras 500 mil unidades, hospitais públicos nas áreas mais afetadas das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília receberam prioridade. Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, a Gerdau e o Hospital Albert Einstein, a Ambev participou da ampliação de 100 leitos do Hospital do M’Boi Mirim, em São Paulo. A operação durou apenas 36 dias, se transformando na obra hospitalar mais rápida já feita no país. E, como a proteção do rosto é uma das principais formas para ajudar na prevenção da Covid-19, a Ambev se responsabilizou pela fabricação de 3 milhões de máscaras do tipo face shield, que cobrem toda a face e são fundamentais para os profissionais de saúde. A matéria-prima para esses equipamentos é o PET utilizado nas embalagens de Guaraná Antarctica. As marcas de cerveja Legítima (produzida no Ceará) e Nossa (de Pernambuco) ficaram incumbidas da doação de 10 toneladas de goma de tapioca para 10 mil famílias dos dois estados. Já a marca Magnífica doou 100 mil unidades de sabão para comunidades do Maranhão. A água mineral AMA, que destina 100% do lucro para levar água potável a comunidades com dificuldade de acesso no país, participou com a doação de 700 mil garrafas de 2 litros de AMA para 140 comunidades e 18 hospitais de São Paulo e Rio de Janeiro. Paulo Whitaker/Reuters REDE D’OR R$ 110 milhões para compra de equipamentos e construção de hospitais de campanha Aquisição de respiradores pulmonares, insumos médicos e construção de hospitais estão entre os principais focos da doação de R$ 110 milhões da Rede D’Or anunciada em abril. Em parceria com outras empresas, a maior rede de hospitais particulares do país não mede esforços para a ampliação do número de leitos destinados a atender às milhares de vítimas que estão sendo infectadas pela pandemia da Covid-19. No Rio de Janeiro, a rede gerenciou a construção de dois hospitais de campanha com capacidade de 400 leitos, sendo 150 de UTI, em parceria com empresas do porte da SulAmérica, Stone, Bradesco Saúde e P&G. Ainda no Rio, a parceria com a UnitedHealth, por sua vez, garantiu a abertura de 108 novos leitos no Hospital São Francisco da Ordem Terceira Penitência. No dia 11 de maio, começou a funcionar o Hospital de Campanha no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, com 200 leitos (50 de UTI) – foi o quarto hospital desse tipo a ser aberto na cidade. A expectativa é que funcione por quatro meses e receba 2 mil pacientes. Ao custo de R$ 50 milhões, bancado pela Rede D’Or e outros parceiros, o hospital ficou pronto dias antes do esperado, tamanha a força-tarefa para colocá-lo em pé, e, assim, desafogar os hospitais e unidades de saúde básica que já estavam lotados. Em São Paulo, a rede atuou para entregar à Santa Casa de Misericórdia 102 novos leitos (30 de UTI). Na capital paulista, destinou ao Hospital das Clínicas 10 mil máscaras do modelo N95. As regiões Norte e Nordeste também foram beneficiadas. Reuters CAOA CHERY Montadora traz da China máquina capaz de fazer 100 mil máscaras por dia na mesma fábrica em Jacareí (SP), onde costuma produzir os modelos Arrizo 5 e Tiggo 2, a Caoa Chery montou um maquinário importado da China para a produção de máscaras. A planta paulista tem capacidade de produzir 100 mil máscaras por dia – tudo repassado para os colaboradores da empresa, seus familiares, profissionais da rede de oficinas da marca e doadas à população. Criada em 2017 após acordo entre a Caoa (maior conglomerado de distribuição e fabricação de automóveis da América Latina) e a Chery (maior exportadora de veículos chineses), a montadora destinou R$ 74 milhões para os esforços na guerra contra o vírus. A empresa também se organizou para importar da China 6 milhões de máscaras para profissionais de saúde e mais de 118 mil equipamentos de proteção individual. A carga foi encaminhada ao governo do estado de São Paulo, que se responsabilizou pela distribuição dos itens. Mauro Correia, presidente da empresa, celebrou o fato de ter acontecido uma “união da sociedade” em torno das necessidades da pandemia. Ele acredita que, “passado esse período tão difícil, o país pode ter um futuro brilhante se todos estiverem unidos com o objetivo único de fazer o Brasil crescer”. Divulgação NESTLÉ Doação de R$ 55 milhões impacta a vida de 2,5 milhões de brasileiros “Doamos 800 toneladas de produtos entre alimentos, bebidas, suplementos nutricionais e alimentos para pets. Ajudamos mais de 20 mil idosos em abrigos no estado de São Paulo, bem como ONGs de apoio a pets, entre outras frentes”, disse Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil. “Também trabalhamos muito próximos da ONG Gerando Falcões, em uma campanha interna para arrecadar doações com nossos colaboradores: a cada R$ 1 real doado por um funcionário, a companhia doou mais R$ 1, e o valor foi convertido em cestas básicas digitais para famílias em situação de vulnerabilidade na Grande São Paulo.” Entre as diversas ações no país, a Nestlé fez parceria com as cooperativas de reciclagem e catadores da plataforma Cataki, realizando a doação de mais de 24 toneladas de alimentos para serem distribuídos a 2.500 famílias ligadas às cooperativas de reciclagem da cidade de São Paulo e região, o que equivale a mais de 1 milhão de pratos de refeição. Em outra iniciativa, no dia 9 de abril, a empresa anunciou a doação de 470 mil máscaras cirúrgicas para 15 regiões onde possui fábricas e centros de distribuição, além de um montante destinado ao Ministério da Saúde e ao Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu, em São Paulo. Denis Balibouse/Reuters BRF Uma das maiores empresas de alimentos do mundo doa R$ 50 milhões e distribui 2,5 milhões de refeições Com a hashtag NossaPartePeloTodo, a BRF ratificou sua responsabilidade de, mesmo neste momento, seguir abastecendo milhares de famílias no Brasil e no mundo, sem abrir mão da saúde e da segurança de todos os envolvidos no processo. No dia 1º de abril, Lorival Luz, CEO da BRF, anunciou a doação de R$ 50 milhões em alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social nos esforços contra a Covid-19. Foram mais de 130 entidades beneficiadas, entre hospitais, organização de assistência social e profissionais de saúde nos municípios onde a empresa alimentícia atua. As ações acontecem em mais de 70 cidades em dez estados do Brasil e no Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Turquia). A BRF surgiu em 2009 com a fusão entre a Perdigão e a Sadia – ambas marcas catarinenses criadas por imigrantes italianos, a primeira na cidade de Videiras (1934) e a segunda em Concórdia (1944). Guiada pelo propósito “Vida Melhor”, a empresa tem mais de 90 mil colaboradores, com presença em mais de 130 países – é uma das maiores companhias de alimentos do mundo. Considerando apenas as instituições hospitalares no Brasil, incluindo hospitais de campanha, as doações vão servir 15 mil pessoas por dia, com cerca de 2,5 milhões de refeições por três meses – graças à doação de 904 toneladas de alimentos. Fundos de pesquisa científica receberam R$ 3,5 milhões com o intuito de seguirem, com a maior agilidade possível, na busca de soluções para prevenir, diagnosticar e tratar a doença. Rodolfo Buhrer/Reuters VOTORANTIM Boa parte das metas dos 300 projetos conduzidos pelo grupo foi adaptada para o enfrentamento da pandemia Com o cuidado de direcionar parte do dinheiro para cidades de pequeno e médio porte e determinada a antecipar-se à disseminação da pandemia no interior do Brasil, a Votorantim doou, no fim de março, R$ 50 milhões para a compra de kits de teste e respiradores. Atuando em diversos segmentos – siderúrgico, financeiro e energético –, o grupo encaminha a doação por meio do Instituto Votorantim para autoridades públicas, instituições de saúde e entidades privadas da sociedade civil – tudo com o apoio técnico e médico da Beneficência Portuguesa de São Paulo. O recurso total destinado às iniciativas de combate à pandemia, no entanto, é de R$ 150 milhões. Isso é possível graças ao redirecionamento do orçamento do instituto, além das doações feitas diretamente pelas empresas e pela família acionista. Boa parte das metas dos 300 projetos conduzidos pelo instituto e pelas empresas do grupo foi adaptada para o enfrentamento dessa situação emergencial sem precedentes. A primeira ação do grupo foi identificar as necessidades das cidades mais vulneráveis e com faixa etária mais elevada para desenvolver projetos de prevenção e de assistência à população. Foram distribuídos itens de higiene e de subsistência, além de equipamentos de segurança para profissionais de saúde. “Com essas ações, a Votorantim reafirma seu papel de empresa cidadã comprometida com o país e os brasileiros. O desafio de enfrentar os efeitos da Covid-19 é enorme, mas a Votorantim reforça a crença de que, com a união de esforços de poder público, empresas e sociedade civil, trabalhando de forma coordenada e em sintonia, esta crise de saúde será superada”, afirmou a empresa. Getty Images PENÍNSULA PARTICIPAÇÕES “Numa crise como esta, a necessidade de ações emergenciais se impôs” “Esta é a crise mais difícil e assustadora que vivi nos meus 83 anos, por afetar a saúde de tantas pessoas no mundo e abalar a economia global de forma tão abrupta e profunda. Mas acredito que podemos sair mais solidários no fim da pandemia. A solidariedade é uma forma contagiosa de amor, respeito e carinho.” As palavras do empresário Abilio Diniz justificam a entrada da Península Participações na corrente de generosidade. Por meio da companhia, a família Diniz doou R$ 50 milhões. O montante é empregado em três eixos: combater a fome e necessidades imediatas, ações de saúde e fomento a micro e pequenos empreendedores. Uma fatia de R$ 4,5 milhões foi destinada ao União SP (apoio a comunidades vulneráveis) para a compra de cestas básicas. Em parceria com a granja Mantiqueira, 12 milhões de ovos fazem parte das cestas. Outro R$ 1,4 milhão foi para o projeto do BTG Pactual, que atua na criação de novos leitos de UTIs em hospitais públicos de São Paulo, além de R$ 1 milhão para equipamentos hospitalares do Hospital das Clínicas. Já a ONG Gerando Falcões e a Cufa (Central Única das Favelas) receberam R$ 1,5 milhão para reverter em benefícios às comunidades. O projeto Colabora, agora, que distribui cartão pré-pago com saldo de R$ 200, recebeu a injeção de R$ 300 mil. O Estímulo 2020, movimento de socorro financeiro a pequenos empreendedores, teve aporte de R$ 5 milhões. E a Letrus, startup de educação, ficou com R$ 555 mil para apoio emergencial aos alunos de escola pública de terceiro ano que se preparam para o Enem. Em parceria com entidades privadas, a Península também lançou a plataforma Tudo de Máscara, um hub que conecta quem deseja comprar e vender máscaras de proteção. Divulgação SUZANO 159 respiradores chineses, 1 milhão de máscaras e parcerias estratégicas com produtos que impactam 2 bilhões de pessoas no mundo, a Suzano disponibilizou R$ 50 milhões para iniciativas de apoio à sociedade brasileira. Doou materiais de uso pessoal de fabricação própria (papel higiênico, guardanapos e fraldas descartáveis) e importou da China 159 respiradores e 1 milhão de máscaras hospitalares. A carga foi distribuída para sete estados (São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará e Paraná). Em São Paulo, além da capital, os municípios de Limeira, Americana, Capão Bonito e Jacareí ficaram com 50 respiradores e 260 mil máscaras hospitalares. Ao lado de Positivo Tecnologia, Klabin, Flex e Embraer, a Suzano deu apoio financeiro para a Magnamed (fabricante nacional de respiradores) conseguir entregar 6.500 aparelhos até agosto. Em outra parceria, desta vez com a Veracel Celulose e o governo da Bahia, utilizou o estacionamento do Hospital Municipal de Teixeira de Freitas para erguer um hospital de campanha com 20 leitos de UTI. Além de casos locais, o foco da ação é atender 13 municípios do sul baiano. Um programa social envolvendo artesãos e costureiras de diversas comunidades vai garantir a confecção de 125 mil máscaras para doação em cinco estados. Getty Images BANCO SAFRA “É o momento de salvar o maior número de vidas possível” Desde que a pandemia se instalou por aqui, o banco já doou R$ 37 milhões a hospitais públicos e instituições filantrópicas. O primeiro aporte foi anunciado em 31 de março: R$ 20 milhões, investidos na ampliação de leitos hospitalares e aquisição de equipamentos e insumos médicos para a rede hospitalar pública. Uma semana depois, dia 7 de abril, o banco divulgava outro aporte: R$ 10 milhões. “A sociedade precisa se mobilizar para que seja salvo o maior número possível de vidas. Nossas ações têm foco na população carente, que depende da rede pública de saúde”, disse o Safra em comunicado. O Hospital M’Boi Mirim e a UPA de Campo Limpo (zona sul de São Paulo), administrados pelo Hospital Albert Einstein, ficaram com a maior fatia do total das doações: R$ 7,6 milhões. Ao Hospital Santa Marcelina (zona leste) foram destinados R$ 5,7 milhões, enquanto para o Hospital de Campanha Lagoa-Barra (Rio de Janeiro), administrado pela Rede D’Or, ficou a terceira maior quantia: R$ 5 milhões. Entre as entidades beneficiadas estão o Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), a Comunitas (entidade de apoio às populações carentes), a Instituição Beneficente Israelita Tenyad e a ONG Projeto Arrastão. Divulgação XP INVESTIMENTOS Programa Juntos Transformamos começa com doação de R$ 25 milhões “para inspirar outros doadores” Alimentar 100 mil pessoas em dificuldades. Foi com essa proposta que, no dia 26 de março, Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, lançou o projeto Juntos Transformamos. Com a iniciativa, a empresa espera incentivar outros doadores a concentrarem recursos para o drama que vive a população brasileira mais carente. A meta inicial é arrecadar com a campanha R$ 50 milhões em 92 dias. Benchimol destacou que 70% dos brasileiros não têm reserva alguma, e que 40 milhões são autônomos, chefes de família que não podem comprar comida para os filhos se o seu trabalho está suspenso. “Com essa crise, muitas pessoas já não têm mais o que comer. Não podemos nos omitir e temos que sensibilizar o máximo de pessoas possível”, disse, mesmo considerando o pouco costume que o brasileiro tem de doar, se comparado a outros países. “É o momento de todo mundo ajudar. Hora de compaixão de verdade, de solidariedade. É assim que se forma uma nação mais forte.” A resposta à iniciativa surtiu efeito imediato: em uma hora foram arrecadados R$ 80 mil, 500 doadores se cadastraram nas primeiras horas do programa e, no fim da tarde, já haviam sido doados R$ 300 mil. A XP confiou em três ONGs para fazer a cesta básica chegar até quem mais precisa de ajuda: Gerando Falcões, Amigos do Bem e Visão Mundial. A corretora acredita, porém, que, em função da grande quantidade de cestas, outras maneiras de distribuição serão necessárias, como o beneficiário receber o dinheiro via celular, vale-refeição ou depósito em conta corrente. Amanda Perobelli/Reuters NIVEA Companhia destina R$ 25 milhões ao combate à pandemia e produz 1,2 milhão de unidades de álcool gel A linha de produção da fábrica da Nivea em Itatiba (SP) destinou 110 toneladas de álcool gel para doações entre abril e maio. A empresa também doou mais de 1 milhão de sabonetes para a população em situação de vulnerabilidade em São Paulo e milhares de Nivea Creme. Hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e moradores carentes de estados nordestinos receberam 600 mil latinhas do produto. No Nordeste, a logística de recepção dos produtos e distribuição nos rincões mais necessitados ficou sob a coordenação da instituição Amigos do Bem. O total repassado pela Nivea para colaborar com as ações solidárias foi de R$ 25 milhões. A empresa se encarregou de produzir 1,2 milhão de unidades de álcool gel para distribuir em hospitais públicos e centros que abrigam idosos. Um dos principais objetivos da companhia foi fornecer um kit de higiene e cuidados pessoais para hospitais e grupos de risco, como os idosos. Na lista das instituições beneficiadas estão a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo) Faculdade de Medicina da USP, Santa Casa de Santo Amaro e projetos vinculados ao Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Thos Robinson/Getty Images ITAÚ UNIBANCO Banco faz doação recorde e mostra seu poder de fogo com o programa Todos pela Saúde Ao anunciar, no dia 13 de abril, a maior doação do país no combate à Covid-19 – R$ 1 bilhão –, o Itaú Unibanco deu também os detalhes do programa Todos pela Saúde, sustentado por quatro pilares: Informar (campanha de incentivo ao uso de máscaras e orientação sobre higiene das mãos); Proteger (disponibilização de equipamentos de proteção individual e testagem); Cuidar (apoio aos gestores públicos na estruturação de gabinetes de crise, uso de telemedicina para monitoramento de casos, ampliação da capacidade de hospitais e compra e distribuição de insumos estratégicos); Retomar (desenvolvimento de estratégias visando a retomada das atividades sociais). Após um mês de programa, a instituição comemorou os resultados: compra de 90 milhões de equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde que atuam no SUS e 20 ventiladores; encomenda de 20 milhões de máscaras de pano e distribuição de 5 milhões para a população; e criação de gabinetes de crise em todos os estados. Os recursos aportados no Todos pela Saúde são administrados por um grupo de especialistas liderado pelo médico Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês. “Estamos orgulhosos do que realizamos até aqui. Temos contribuído não apenas com recursos financeiros, mas com nossa capacidade de gestão, tecnologia e logística, que são altamente demandadas em uma operação complexa e de abrangência nacional como esta”, disse Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco. “Temos absoluta consciência da gravidade da situação e seguiremos trabalhando com determinação e foco para ajudar os brasileiros.” Veja as 100 Maiores Empresas Doadoras do Brasil: 1 Itaú Unibanco Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 1 bilhão 2 Vale Área de atuação: Mineração Valor da doação: R$ 500 milhões 3 JBS Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 400 milhões 4 Ambev Área de atuação: Bebidas Valor da doação: R$ 110 milhões 5 Rede D’Or Área de atuação: Hospitais Valor da doação: R$ 110 milhões 6 Bradesco Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 99 milhões* 7 Santander Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 85 milhões 8 Caoa Chery Área de atuação: Indústria automobilística Valor da doação: R$ 74 milhões 9 Senai Área de atuação: Formação profissional Valor da doação: R$ 63 milhões 10 Nestlé Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 55 milhões 11 BR Distribuidora Área de atuação: Combustíveis Valor da doação: R$ 50 milhões 12 BRF Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 50 milhões 13 BTG Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 50 milhões 14 Grupo Votorantim Área de atuação: Diversificada Valor da doação: R$ 50 milhões 15 Itaúsa Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 50 milhões 16 Península Participações Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 50 milhões 17 Suzano Área de atuação: Celulose Valor da doação: R$ 50 milhões 18 Americanas Área de atuação: Varejo Valor da doação: R$ 45 milhões 19 Coca-Cola Área de atuação: Bebidas Valor da doação: R$ 45 milhões 20 Hospital Albert Einstein Área de atuação: Saúde Valor da doação: R$ 43 milhões 21 Apas Área de atuação: Supermercados Valor da doação: R$ 41 milhões 22 Alpargatas Área de atuação: Indústria de calçados Valor da doação: R$ 40 milhões 23 BB Seguros Área de atuação: Seguros Valor da doação: R$ 40 milhões 24 Natura Área de atuação: Cosméticos Valor da doação: R$ 38 milhões 25 UnitedHealthGroup Brasil Área de atuação: Saúde Valor da doação: R$ 38 milhões 26 Banco Safra Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 37 milhões 27 Banco BV Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 30 milhões 28 Petrobras Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 30 milhões 29 XP Investimentos Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 30 milhões 30 Usiminas Área de atuação: Mineração Valor da doação: R$ 27 milhões 31 P&G Área de atuação: Beleza, saúde e higiene Valor da doação: R$ 26 milhões 32 Nivea Área de atuação: Beleza, saúde e higiene Valor da doação: R$ 25 milhões 33 RD (RaiaDrogasil) Área de atuação: Farmácias Valor da doação: R$ 25 milhões 34 Eurofarma Área de atuação: Indústria farmacêutica Valor da doação: R$ 24 milhões 35 Enel Brasil Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 23,4 milhões 36 Anglo American Área de atuação: Mineração Valor da doação: R$ 20 milhões 37 Cielo Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 20 milhões 38 Gerdau Área de atuação: Siderurgia Valor da doação: R$ 20 milhões 39 Marfrig Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 19,5 milhões 40 ArcelorMittal Área de atuação: Siderurgia Valor da doação: R$ 19 milhões 41 Riachuelo Área de atuação: Varejo Valor da doação: R$ 18 milhões 42 Cosan Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 17 milhões 43 Ypê Área de atuação: Limpeza e higiene Valor da doação: R$ 17 milhões 44 Vivo Área de atuação: Telefonia Valor da doação: R$ 16,3 milhões 45 Mapfre Área de atuação: Seguros Valor da doação: R$ 16 milhões 46 Grupo Carrefour Área de atuação: Supermercado Valor da doação: R$ 15 milhões 47 Qualicorp Área de atuação: Planos de saúde Valor da doação: R$ 14 milhões 48 FCA Área de atuação: Indústria automobilística Valor da doação: R$ 13 milhões 49 Oral-B Área de atuação: Higiene Valor da doação: R$ 12 milhões 50 Shell Área de atuação: Combustíveis Valor da doação: R$ 11,8 milhões 51 Colgate-Palmolive Área de atuação: Limpeza e higiene Valor da doação: R$ 11,3 milhões 52 Praticagem do Brasil Área de atuação: Atividade portuária Valor da doação: R$ 10,2 milhões 53 Braskem Área de atuação: Petroquímica Valor da doação: R$ 10 milhões 54 Duratex Área de atuação: Diversificada Valor da doação: R$ 10 milhões 55 EDP Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 10 milhões 56 Grupo Solví Área de atuação: Saneamento Valor da doação: R$ 10 milhões 57 Klabin Área de atuação: Celulose Valor da doação: R$ 10 milhões 58 Localiza Área de atuação: Locação de veículos Valor da doação: R$ 10 milhões 59 Magazine Luiza Área de atuação: Varejo Valor da doação: R$ 10 milhões 60 Minerva Foods Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 10 milhões 61 Vick Área de atuação: Indústria farmacêutica Valor da doação: R$ 10 milhões 62 Zurich Área de atuação: Seguros Valor da doação: R$ 9,6 milhões 63 Advent International Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 8 milhões 64 Sicoob Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 7,4 milhões 65 Arteris Área de atuação: Concessionária de rodovias Valor da doação: R$ 7 milhões 66 Copasa Área de atuação: Saneamento básico Valor da doação: R$ 7 milhões 67 Hidrovias do Brasil Área de atuação: Navegação Valor da doação: R$ 7 milhões 68 Amaggi Área de atuação: Agronegócio Valor da doação: R$ 6 milhões 69 Banco BMG Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 6 milhões 70 PepsiCo Área de atuação: Bebidas Valor da doação: R$ 6 milhões 71 Bayer Área de atuação: Indústria química Valor da doação: R$ 5,7 milhões 72 Grupo Boticário Área de atuação: Cosméticos Valor da doação: R$ 5,7 milhões 73 Renner Área de atuação: Varejo Valor da doação: R$ 5,6 milhões 74 Via Varejo Área de atuação: Diversificada Valor da doação: R$ 5,3 milhões 75 iFood Área de atuação: Serviços de entrega Valor da doação: R$ 5,1 milhões 76 Aché Área de atuação: Indústria farmacêutica Valor da doação: R$ 5 milhões 77 Copel Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 5 milhões 78 Energisa Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 5 milhões 79 M. Dias Branco Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 5 milhões 80 Samsung Área de atuação: Eletrônicos Valor da doação: R$ 5 milhões 81 3corações Área de atuação: Agronegócio Valor da doação: R$ 4,7 milhões 82 Danone Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 4,5 milhões 83 RB Health Área de atuação: Limpeza e higiene Valor da doação: R$ 4,5 milhões 84 Eneva Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 4 milhões 85 Engie Área de atuação: Energia Valor da doação: R$ 4 milhões 86 L’Oréal Área de atuação: Cosméticos Valor da doação: R$ 4 milhões 87 McDonald’s Área de atuação: Alimentação Valor da doação: R$ 4 milhões 88 Rappi Área de atuação: Serviços de entrega Valor da doação: R$ 4 milhões 89 Ternium Área de atuação: Siderurgia Valor da doação: R$ 4 milhões 90 Vigor Alimentos Área de atuação: Indústria alimentícia Valor da doação: R$ 3 milhões 91 Panasonic Área de atuação: Eletrônicos Valor da doação: R$ 2,5 milhões 92 Copagaz Área de atuação: Produção e distribuição de gás Valor da doação: R$ 2,4 milhões 93 Whirlpool Área de atuação: Eletrodomésticos Valor da doação: R$ 2,3 milhões 94 Andrade Gutierrez Área de atuação: Engenharia de grande porte Valor da doação: R$ 2 milhões 95 DMCard Área de atuação: Serviços financeiros Valor da doação: R$ 2 milhões 96 Hering Área de atuação: Indústria têxtil Valor da doação: R$ 2 milhões 97 Minuano Área de atuação: Limpeza Valor da doação: R$ 2 milhões 98 Pague Menos Área de atuação: Supermercados Valor da doação: R$ 2 milhões 99 Tetra Pak Área de atuação: Embalagens Valor da doação: R$ 2 milhões 100 AngloGold Ashanti Área de atuação: Mineração Valor da doação: R$ 1,6 milhão *Valor estimado pelo banco, que se envolveu em outras iniciativas sociais de combate aos danos da pandemia Reportagem publicada na edição 78, lançada em junho de 2020 Siga FORBES Brasil nas redes sociais: Facebook Twitter Instagram YouTube LinkedIn Participe do canal Forbes Saúde Mental, no Telegram, e tire suas dúvidas. 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Navegação de Post Itaú é marca mais valiosa de 2020 no ranking da Kantar/WPP Dicas de profissionais de diversas áreas para fazer em 24 horas em casa Abilio Diniz alimentação AmBev Amigos do Bem Associação Brasileira de Captadores de Recursos banco safra Bebidas Beneficência Portuguesa Bradesco Saúde brasil brf BTG Pactual Caoa Chery Central Única das Favelas Claudia Politanski coronavírus Covid Covid-19 CUFA Décio Galina Doação economia Edição 78 embraer Estímulo 2020 Flex FORBES Generosidade Gerdau Guaraná Antarctica Guilherme Benchimol Hospital Albert Einstein Hospital das Clínicas Hospital de Campanha Hospital do M’Boi Mirim Hospital Sírio Libanês Instituto Votorantim Itaú Unibanco Klabin Letrus Magnamed Maiores Empresas Doadoras Maiores Empresas Doadoras do Brasil mineração Ministério da Saúde Monitor das Doações Movimento por uma Cultura de Doação Nestlé nivea ONG Gerando Falcões P&G pandemia Paulo Chapchap Península Participações Perdigão Positivo Tecnologia recessão econômica Rede D'Or Sadia Santa Casa de Misericórdia saúde sistema financeiro solidariedade STONE SulAmérica SUS suzano Todos pela Saúde UnitedHealth Veracel Celulose Visão Mundial Votorantim Xp Investimentos.

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/09/2020 às 00h00

O Centro de Química Medicinal (CQMED) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o laboratório de genômica Mendelics e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) acabam de assinar um acordo para o aperfeiçoamento do teste de saliva para COVID-19. Ao CQMED cabe desenvolver dois reagentes-chave do teste que são importados, enquanto a Mendelics será responsável pelos testes. A ideia é unir a experiência do Centro de Química Medicinal no design e produção de enzimas específicas em escala e a logística da Mendelics. Com isso, a expectativa é ampliar a disponibilidade desses componentes essenciais para a autonomia do país na produção dos testes para COVID-19. Atualmente, um dos principais gargalos do combate ao coronavírus é a testagem em massa da população. Isto porque, a testagem ampla, rápida e acessível é fundamental para rastrear o vírus, identificar rapidamente novos casos e impedir a transmissão da doença. “O teste denominado RT-LAMP #PARECOVID traz segurança no retorno às atividades de trabalho presenciais, em escolas e ao lazer. A produção brasileira de insumos pelo CQMED ampliará a disponibilidade do teste no Brasil, reduzirá custos e garantirá fornecimento independente da demanda mundial por testes”, afirma David Schlesinger, CEO da Mendelics, ao Portal da Unicamp. Amostra O novo teste molecular de COVID-19 foi desenvolvido pela Mendelics em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. É capaz de identificar a presença do SARS-CoV2 em amostra de saliva durante o período de infecção ativa do vírus. Assim como o RT-PCR, ele não detecta os anticorpos de pessoas já recuperadas da doença, mas sim o próprio vírus. O protocolo é baseado em uma técnica chamada de “transcriptase reversa com amplificação isotérmica mediada por loop” ou RT-LAMP. Esta técnica já é utilizada para diagnóstico de outras doenças como Dengue, Chikungunya, Hepatite A e Zica. O RT-LAMP #PARECOVID foi lançado em junho último pela Mendelics e tem a sensibilidade e a especificidade comparável ao RT-PCR, além de possibilitar a autocoleta não-invasiva sem a necessidade de swabs. O teste de saliva consegue manter a estabilidade da amostra por até três dias em temperatura ambiente e suprime a etapa de extração do material genético (RNA) do vírus. A tecnologia desenvolvida para este teste é capaz de produzir resultados em poucas horas, muito mais rápido que os testes de RT-PCR disponíveis, sendo que o custo do RT-LAMP é cinco vezes menor que o RT-PCR, cujo fornecimento de insumos está fortemente limitado em todo o mundo. Parceria O CQMED tem expertise na caracterização de proteínas pouco conhecidas relacionadas a doenças humanas, sobretudo câncer, doenças infecciosas e neurológicas. Com a crescente demanda por testes para a enfermidade, o Centro ampliou sua atuação na produção de insumos (proteínas) para atender a Força-Tarefa COVID-19 da Unicamp. O know-how de produção de insumos aproximou o CQMED de organizações interessadas em unir pesquisa e diagnóstico genético. Katlin Massirer, pesquisadora do CBMEG e coordenadora do projeto na Unicamp, destaca que a Embrapii catalisou a parceria por meio do plano emergencial para projetos Covid-19, bem como workshops online que aproximaram interesses de universidades, SENAI e empresas. “Assim, o modelo Embrapii de participação de recursos entre os três pilares universidade, Embrapii e empresa, possibilitou a montagem do plano de ação e alocação de recursos para um projeto”, explica. No projeto para o aperfeiçoamento dos reagentes, os pesquisadores da Unicamp e da Mendelics unem os esforços a fim de manter alta disponibilidade de testes COVID. O CQMED atuará no desenvolvimento de duas enzimas do teste e na execução do controle de qualidade enquanto a Mendelics irá focar nas adequações dos reagentes para aplicação nos testes RT-LAMP já em funcionamento. Sobre o CQMED O CQMED localizado na Unicamp foi fundado em 2015 como um projeto PITE-Fapesp e foi credenciado como Unidade Embrapii em julho de 2017. Possui competência na área de fármacos e química medicinal, mais especificamente na fase inicial do desenvolvimento de novas drogas. O Centro possui uma plataforma para o desenvolvimento de moléculas inibidoras de alvos específicos relacionados a doenças humanas. Também representa o INCT de Química Medicinal, apoiado pela Capes, CNPq, Fapesp e Unicamp. Sobre a Mendelics A Mendelics é o primeiro e maior laboratório brasileiro especializado no Sequenciamento de Nova Geração (NGS). Foi criada em 2012 pelos médicos David Schlesinger, Fernando Kok, André Valim e o bioinformata João Paulo Kitajima, e investida por Laércio Cosentino (presidente do conselho da Mendelics), pelo fundo Finhealth e diversos investidores. A Mendelics tem como missão tornar o diagnóstico genético rápido, preciso e acessível para todos que precisam. Com a maior estrutura laboratorial de sequenciamento da América Latina, mais de 80 mil amostras genômicas já realizadas, uma equipe de mais 140 colaboradores, com processos técnicos e analíticos pioneiros e com padrão de qualidade internacional, consolidou-se como referência em análises genéticas. A Mendelics é o único laboratório genômico latino americano a obter as acreditações do CAP (Colégio Americano de Patologistas – #8671464) e INMETRO (NBR/ISO-15189) e também é reconhecida internacionalmente e premiado pelo MIT pelo desenvolvimento do Abracadabra®, plataforma exclusiva que usa inteligência artificial para tornar as análises genéticas mais precisas e eficientes. Desde sua fundação, segue desenvolvendo produtos inovadores na área da saúde, como o Teste da Bochechinha, um exame complementar ao teste do pezinho para recém-nascidos, capaz de identificar mais de 310 doenças da primeira infância, que costumam ser graves e silenciosas, mas que já possuem tratamentos efetivos quando identificadas precocemente. Sobre a EMBRAPII A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial foi criada em 2013 como uma organização social que tem autonomia em gerenciar fundos do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação e Ministério da Educação com o objetivo de estimular a inovação na indústria brasileira, promovendo a interação entre instituições de pesquisa tecnológica e empresas do setor industrial. O seu modelo de atuação prevê o financiamento de até um terço do custo total de cada projeto aprovado, com recursos não reembolsáveis (ou seja, a indústria não precisa devolver o montante aportado) e o restante é dividido entre a indústrias e as unidades EMBRAPII.

TERRA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/09/2020 às 22h02

Um estudo do Centro de Controle de Doenças Americano (CDC) aponta que nove em cada dez infectados pela covid-19 ainda sentem reflexos da contaminação. O trabalho é confirmado por relatos de pelo menos cinco médicos paulistas, que tratam pessoas que contraíram o novo coronavírus, ouvidos pelo Estadão. Eles apontam a ida ao consultório de pacientes que tiveram a doença nesse período de seis meses de pandemia e permanecem com sintomas como fadiga, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e do paladar por até três meses. "Ainda tenho uma fraqueza, o corpo parece que está travado", conta o marceneiro João Soares Pereira, de 54 anos, que teve a doença em maio e ficou 25 dias no hospital, 12 deles entubado, em Ribeirão Preto. "Eu tinha obesidade, estava com 110 quilos, mas não tinha pressão alta", lembra. Já com a oxigenação recuperada, ele contou que ainda sente a fadiga. Quase três meses depois do diagnóstico, ele disse que, na época, foi surpreendido pela contaminação. "Eu me assustei bastante, principalmente quando falaram da entubação. É bem preocupante", disse o marceneiro, que já voltou ao trabalho, apesar do sintoma persistente. Pesquisa aponta problemas de saúde persistentes as queixas de sintomas crônicos deixados pela doença foram analisadas por hospitais americanos e citadas em trabalho compilado pelo CDC, organismo do governo americano que acompanha a evolução da pandemia. O CDC mostra que de 292 entrevistados entre 14 a 21 dias após a data do teste que deu positivo, 94% (274) relataram sintomas persistentes. Esse levantamento foi realizado nos EUA, durante o período de 15 de abril a 25 de junho de 2020, com entrevistas por telefone de uma amostra aleatória de adultos acima de 18 anos que tiveram um primeiro teste positivo de reação em cadeia da polimerase-transcrição reversa (RT-PCR, o padrão ouro dos testes) para Sars-Cov-2, em uma consulta ambulatorial em um dos 14 sistemas acadêmicos de saúde de 13 Estados dos EUA. Essa chamada síndrome da fadiga crônica, que tem sido relatada por pacientes convalescentes da covid-19, é uma manifestação encontrada também na recuperação de pessoas que tiveram outras infecções, aponta o infectologista Valdes Roberto Bollelo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. "Isso não é só da covid-19, a dengue tem isso", diz o infectologista. O médico afirma que ocorrem situações de recuperação nas quais o paciente fica por uma ou duas semanas "quebrado", com desânimo, embora a doença já tenha passado. "Isso ocorre também com chikungunya, mononucleose, toxoplasmose aguda e outras Sars (coronavírus), que apresentam quadro pós-infeccioso com mialgias e até sintomas neurológicos ou psicológicos", explicou. São reações imunológicas que estão sendo observadas também com a covid-19. Pacientes relatam sintomas no consultório esses casos de sintomas persistentes preocupam os profissionais de saúde, mas ainda não estão bem comprovados por pesquisas no País. Segundo Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, não há estudos científicos no Brasil sobre essa permanência mais duradoura dos sintomas da covid-19. O que há é a percepção, pela experiência de consultório, de casos de pacientes que permanecem com febre por mais de 30 dias, perda do olfato ou perda de paladar, disse a médica."Há casos até de gente que relata queixas de fadiga por até três meses depois da infecção", explicou a médica do Sírio-Libanês. De acordo com a infectologista Daniela Bergamasco, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, a prática tem mostrado que os sintomas crônicos podem permanecer por semanas. Mas a especialista ressaltou também que ainda não é possível comprovar cientificamente o fenômeno por falta de acompanhamento com parâmetros seguros de pesquisa, como foi feito pelo CDC, nos EUA, onde esses pacientes estão sendo chamados de "long haulers", ou seja, pessoas que carregam os sintomas da doença por meses. Para o pneumologista Bruno Guedes Baldi, também do HCor, é possível que pacientes com quadros graves da doença, por exemplo, continuem com os sintomas da covid-19 por até 70 ou 80 dias. "Quando a carga viral é muito alta, por exemplo, ou em casos nos quais a pessoa tenha ficado em UTI, com entubação", afirma. Tempo de transmissão O impacto da doença preocupa ainda por uma manifestação adicional. De acordo com a infectologista Adriana Coracini, há casos de pacientes da covid-19 que permanecem com PCR positivo por até 40 dias. Ela ressaltou, porém, que esses pacientes já não transmite o vírus. A médica alertou também que há doentes que melhoram dos sintomas e voltam a sentir os efeitos da doença um mês depois, com PCR positivo novamente. Um dos casos que chamou a atenção nas últimas semanas envolve um estudo da Universidade Federal do Rio (UFRJ) que encontrou uma paciente que ainda testou positivo para RT-PCR após cinco meses. O resultado foi uma surpresa para os próprios pesquisadores, mas a mesma pesquisa apontou resultados positivos para um quinto dos testados após um mês da infecção. Adriana explica que há trabalhos científicos mostrando que, na maioria dos casos, a cultura viral fica positiva para a covid-19 durante nove dias e os exames de PCR positivos, a partir do nono dia, já não correspondem a vírus viável ou replicante. "Temos vírus positivos por 30 ou 40 dias, mas sem que isso signifique transmissão para outra pessoa", disse. Coracini alertou, no entanto, que ainda não há dados científicos em quantidade necessária para a comprovação segura de que não haja contaminação no período. "Há estudos em andamento, ainda sem conclusões robustas."

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 05/09/2020 às 16h06

Pacientes em estado grave internados em três hospitais do Ceará, sendo dois privados e um público, foram investigados no mais recente estudo nacional sobre uso do antibiótico azitromicina para tratar a Covid-19. A pesquisa foi publicada sexta-feira (4) na revista The Lancet, um dos principais periódicos científicos do mundo. Ela é uma iniciativa da Coalizão Covid-19 Brasil, um consórcio formado por oito organizações de saúde do Sul e Sudeste do país, e envolve centros de pesquisas em outras regiões. No total, 397 pessoas foram analisadas neste ensaio clínico. No Ceará, o estudo que constatou a ineficácia do medicamento para tratar a doença teve pacientes do Hospital Maternidade São Vicente de Paulo, em Barbalha; do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em Fortaleza; e do Hospital Unimed Cariri, em Juazeiro do Norte. A Coalizão Covid-19 Brasil, é composta por o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital do Coração (HCor), o Hospital Sírio Libanês, o Hospital Moinhos de Vento, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, a Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Ao longo da pandemia, a Coalizão tem feito parcerias com outros hospitais e centros de pesquisas em diversos estados do país para conduzir pesquisas de abrangência nacional. 57 hospitais no Brasil O estudo chamado coalizão II testou a azitromicina e teve participação de 57 hospitais e centros de pesquisa do Brasil. As unidades randomizaram, pelo menos, um paciente no processo. As pessoas investigadas foram divididas aleatoriamente em dois grupos. Em seguida, 214 delas receberam azitromicina mais o tratamento padrão, e outras 183 receberam apenas o tratamento padrão, sem azitromicina. O cardiologista cearense, médico do Hospital Albert Einstein, professor da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Coalizão, Remo Holanda de Mendonça Furtado, ressalta que os pesquisadores avaliaram se em 15 dias o grupo com azitromicina estaria melhor que o sem. "Mas, não houve diferença entre grupos em termos de probabilidade de melhora clínica", acrescenta. Os médicos avaliaram ainda a mortalidade dos pacientes em 29 dias. "A mortalidade dos dois grupos foi muito parecida. Cerca de 40% dos pacientes morria em cada grupo", conta Remo. De acordo com ele, a azitromicina é um antibiótico amplamente utilizado no Brasil, dentre outros, em situações como infecções respiratórias bacterianas (faringite), em casos de pneumonia e em tratamento de doenças sexualmente transmissíveis. Conforme o médico, havia a hipótese que o medicamento poderia melhorar a imunidade e diminuir a inflamação do pulmão nos casos de Covid19. Mas, o estudo não comprovou essa melhora. Estudo no Ceará Nos hospitais do Ceará, a pesquisa foi conduzida pelos médicos: Meton Alencar Filho (Hospital Maternidade São Vicente de Paulo), Thales Aníbal Leite (Hospital Unimed Cariri) e Sandra Falcão (Hospital de Messejana). Remo reforça a relevância de unidades do Estado participarem de pesquisas científicas, pois, afirma ele, isto garante a representação do Brasil inteiro na investigação da Coalizão. No Cariri, o diretor assistencial do Hospital Unimed, médico Sérgio de Araújo, reitera a importância dessa participação em meio a uma "situação gravíssima da pandemia". Sérgio relata que o Hospital Unimed Cariri está envolvido em seis pesquisas referentes à Covid19 e no estudo com a azitromicina, conta ele, os pacientes foram são incluídos através de um sistema randomizado. "Ele é internado e eles são classificados dentro de critérios específicos. Esse paciente é analisado pra saber se preenche esses critérios", acrescenta. Caso o paciente esteja lúcido e seja maior de idade, esclarece Sérgio, assina um termo para assegurar a participação. Caso não esteja nessas condições, o responsável pela pessoa internada pode realizar o procedimento. Os dados de todos os centros de pesquisa são colhidos e repassados ao hospital que centraliza a investigação. Sérgio também enfatiza que apesar da corrida contra o tempo, tendo em vista a rápida transmissão do vírus e severidade da Covid19 em alguns casos, a pesquisa científica não pode abrir mão do rigor dos protocolos. Os estudos da Coalizão, garante ele, têm justamente esse mérito. "Existe todo um protocolo a ser seguido. Para se ter um resultado consistente, precisa de um certo ritual científico. Agora, temos trabalhos mais robustos, não foi queimada nenhuma etapa, e isso dá um resultado mais seguro. Em benefício dos doentes propriamente ditos."

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/09/2020 às 11h00

O considerado teste padrão-ouro para detecção da novo coronavírus no organismo é o chamado RT-PCR, que usa um swab intranasal —um cotonete longo— para coleta do material, o que é considerado por muitos invasivo e desconfortável. Pesquisas nacionais estão em andamento para o desenvolvimento de um teste totalmente brasileiro pela saliva, com o mesmo padrão do RT-PCR, ele é chamado de RT-LAMP. O laboratório de genômica brasileiro Mendelics lançou em junho o teste de saliva RT-LAMP #PARECOVID em parceria com o Hospital Sírio-Libanês (SP). No entanto, o exame usa dois reagentes-chave que ainda são importados. Pensando nisso, recentemente, a empresa firmou uma parceria com o CQMED/Unicamp (Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta), credenciado à Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) para o aperfeiçoamento do teste. Nesta parceria, o CQMED irá desenvolver localmente esses reagentes e a Mendelics irá testá-los. A ideia é unir a expertise do CQMED no design e produção de enzimas específicas com a capacidade de produzir em escala e a logística da Mendelics visando ampliar a disponibilidade destes componentes importantes para a autonomia do país na produção de testes de covid-19. O centro da Unicamp tem expertise na caracterização de proteínas pouco conhecidas relacionadas a doenças humanas, sobretudo câncer, doenças infecciosas e neurológicas. Com a crescente demanda por testes para covid-19, ampliou sua atuação na produção de insumos (proteínas) para atender a força-tarefa Covid-19 da universidade. No projeto para o aperfeiçoamento dos reagentes, os pesquisadores da Unicamp e da Mendelics irão desenvolver os reagentes. O centro atuará no desenvolvimento de duas enzimas do teste e na execução do controle de qualidade enquanto a Mendelics irá focar nas adequações dos reagentes para aplicação nos testes RT-LAMP já em funcionamento. Iniciativa da USP Uma outra iniciativa vem da USP (Universidade de São Paulo), em que pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (EGH-CEL) também estão desenvolvendo um teste de diagnóstico pela saliva. O teste será similar aos já desenvolvidos no Brasil e em outros países com o objetivo de aumentar a disponibilidade e a rapidez e diminuir os custos para realização de testes moleculares por meio de simplificações dos processos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Food and Drug Administration (FDA) —agência regulamentadora norte-americana de alimentos e fármacos— já concedeu autorização de uso de emergência para cinco testes de diagnóstico de covid-19 baseados em saliva. A última foi para o chamado SalivaDirect, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Yale. Conforme já explicado, as enzimas necessárias para a realização do teste são importadas e representam o maior custo para a aplicação do teste. Um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da USP, liderado pelo professor Shaker Chuck Farah, desenvolveu essas enzimas em laboratório. "Conseguimos ter a produção nacional dessas enzimas, que são os principais insumos do teste. Isso possibilitará diminuir ainda mais os custos", afirma Maria Rita Passos-Bueno, pesquisadora do CEGH-CEL e coordenadora do projeto. Além da Mendelics e da USP, pesquisadores da UFG (Universidade Federal de Goiás) também estão desenvolvendo um kit de diagnóstico na mesma linha. Método mais simples assim como o RT-PCR, o teste pela saliva não detecta os anticorpos de pessoas já recuperadas de covid-19, mas, sim, o próprio vírus. O protocolo é baseado em uma técnica chamada de "transcriptase reversa com amplificação isotérmica mediada por loop" ou RT-LAMP. Esta técnica já é utilizada para diagnóstico de outras doenças como dengue, chikungunya, hepatite A e zika. Os testes de saliva mantêm a estabilidade da amostra por até três dias em temperatura ambiente e suprimem a etapa de extração do material genético (RNA) do vírus. O RT-LAMP produz resultados em poucas horas, muito mais rápido que os testes de RT-PCR disponíveis e o custo de RT-LAMP é cinco vezes menor que o RT-PCR, cujo fornecimento de insumos está fortemente limitado em todo o mundo. Além disso, o RT-LAMP dispensa o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como o termociclador em tempo real, utilizado para amplificar e detectar o RNA por meio da exposição do material a diferentes temperaturas. Padronização do teste os pesquisadores pretendem, agora, avançar na etapa de padronização do teste, por meio da utilização de soluções químicas que permitam manter o RNA do vírus estável por um longo tempo, de modo que não sofra a ação de enzimas presentes na saliva. "A saliva possui uma série de substâncias que podem inibir a ação das enzimas, degradar o próprio material do vírus e interferir na reação de amplificação. Por isso, estamos desenvolvendo tampões que permitam padronizar as condições de manutenção da saliva e do RNA do vírus para realizar o teste de forma a diminuir o risco de resultados falso-negativos", explica Passos-Bueno. O teste tem apresentado especificidade para detecção do novo coronavírus de 100%, equivalente ao de testes convencionais. Os pesquisadores pretendem, agora, aumentar ainda mais a sensibilidade de modo que seja capaz de detectar o vírus em um número muito baixo de cópias na saliva. O sistema da USP prevê a autocoleta pelo paciente e permitirá, de forma indolor e não invasiva, o recolhimento da saliva em um tubo de ensaio. Com isso, diminui-se o risco de contágio já que não será mais necessária a atuação de um profissional de saúde paramentado e treinado para a retirada de amostras de nasofaringe, como ocorre no exame de RT-PCR. A previsão é que o resultado fique disponível entre 30 e 40 minutos. "O resultado pode ser enxergado praticamente a olho nu, porque o tubo contendo a amostra de saliva muda de cor de acordo com a presença ou não do vírus. O resultado negativo aparece na cor rosa e o positivo em amarelo", diz Passos-Bueno. Um dos objetivos do projeto é oferecer o teste em localidades com pouca infraestrutura para coleta e análise, por meio da inclusão dos laboratórios de referência das universidades para ampliar a capacidade de testagem no país. *Com informações da Fapesp - Pesquisa para Inovação.