Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

CLICK NEWS
Data Veiculação: 05/08/2021 às 08h40

Estudo mostra que o uso do medicamento em pacientes com covid-19 moderada, e não grave, reduz o tempo na ventilação mecânica Pesquisadores americanos descobriram a dose e o momento ideal para o uso de anticoagulantes no tratamento da covid-19 moderada. Os benefícios do medicamento foram constatados em uma análise com mais de mil pacientes. Segundo os autores, foram registrados ganhos significativos com a terapia, como a redução do uso de ventilação mecânica. Os resultados, porém, não se repetiram em infectados em estado grave. As análises foram publicadas na última edição da revista The New England Journal of Medicine. Durante a pandemia, foram observados que coágulos sanguíneos se formam pelo corpo de algumas pessoas que morreram em decorrência da covid-19, até mesmo nos menores vasos. Os medicamentos antitrombóticos ajudam a prevenir essa complicação. Porém, é preciso entender melhor esse efeito. “Qual desses remédios é a melhor opção, em que dose e em que ponto durante o curso da doença eles podem render mais eficácia, todas essas perguntas precisavam de respostas”, ilustram os autores. Para sanar essas dúvidas, os especialistas resolveram avaliar os efeitos do uso de uma dose completa (padrão usado no combate à trombose) da heparina e compararam com uma dose baixa (de prevenção) em pacientes com a forma moderada e o com a condição grave da covid-19. “Definimos os indivíduos com a forma moderada da enfermidade como aqueles hospitalizados pela doença, mas que não tinham a necessidade de suporte terapêutico intensivo. Os criticamente são hospitalizados pela enfermidade que requerem cuidados intensivos, com suporte para alguns órgãos”, detalham. Em abril de 2020, os participantes do estudo receberam uma dosagem baixa ou uma dose completa de heparina por até 14 dias após serem internados. Em dezembro de 2020, os resultados provisórios indicaram que a anticoagulação em dose completa não reduziu a necessidade de suporte de órgãos, podendo até causar danos em pacientes em estado crítico. No entanto, um mês depois, os resultados provisórios indicaram que as doses completas de heparina beneficiaram pacientes moderadamente doentes. “As nossas avaliações sugerem que um tratamento feito antes das complicações é benéfico para pacientes moderadamente enfermos e, uma vez que os pacientes desenvolvam covid-19 grave, pode ser tarde demais para a heparina alterar as consequências dessa doença”, declara, em comunicado, Judith Hochman, professora do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Nova York, nos EUA, e uma das autoras do estudo. A análise final dos dados incluiu 1.074 pacientes gravemente doentes e 2.219 moderadamente enfermos. Os pesquisadores observaram por quanto tempo eles ficaram sem suporte de órgãos até 21 dias após a internação. Entre os pacientes moderadamente doentes, a probabilidade de o uso da heparina em dose completa reduzir a necessidade de suporte de órgãos foi de 99%, em comparação à abordagem do medicamento em baixa dose. Um pequeno número de pacientes apresentou sangramentos relevantes, embora essa complicação tenha acontecido com pouca frequência. Para pacientes gravemente enfermos, a heparina em dose completa também diminuiu o número de eventos trombóticos maiores, mas não reduziu a necessidade de suporte de órgãos ou aumentou as chances de deixar o hospital logo após o tratamento. Acessível Os pesquisadores destacam que os dados observados são importantes, pois podem contribuir para um tratamento mais eficaz de hospitalizados. “A medicação avaliada nesses ensaios é familiar para médicos em todo o mundo e amplamente acessível, tornando as descobertas altamente aplicáveis a pacientes com covid-19 moderadamente enfermos”, ressalta Hochman. “Esses resultados são um exemplo convincente de como é importante estratificar pacientes com diferentes gravidades de doença em estudos clínicos. O que pode ajudar um subgrupo de pacientes pode não ter nenhum benefício ou mesmo ser prejudicial em outro”, complementa Gary H. Gibbons, um dos autores da pesquisa e diretor do NIH National Heart, Lung, and Blood Institute, nos Estados Unidos. Elnara Marci Negri, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é uma das pioneiras no estudo da heparina para tratar a covid. No ano passado, ela e colegas do hospital avaliaram o uso do anticoagulante em pacientes internados. Em um estudo publicado em abril de 2020, no periódico British Medical Journal (BMJ), relataram que, no grupo de 27 pacientes tratados com o medicamento, 15 (56%) receberam alta quatro dias após terem iniciado a abordagem. Entre os que receberam suporte para respiração, metade dispensou o uso do ventilador um dia e meio depois do uso da heparina. A médica destaca que os dados do estudo americano reforçam o que foi visto em sua pesquisa, mas com detalhes ainda mais valiosos. “Essa pesquisa mostra que a hora ideal de o paciente receber o medicamento é após alguns dias de internação, quando ele acusa que vai piorar”, explica. “Outro ponto importante é o uso da dose completa, e não a profilática. Se você usar uma dosagem mais baixa, corre o risco de o paciente apresentar complicações mais para frente.” Os autores adiantam que mais pesquisas com a heparina serão realizadas e que está em andamento avaliações semelhantes com outros antitrombóticos. A médica brasileira também segue estudando o tema. Nos próximos meses, publicará mais um estudo sobre o uso da heparina no tratamento da covid-19 em parceria com cientistas canadenses e holandeses. “Nesse trabalho, observamos uma redução de quase 80% de mortalidade em pacientes internados. É um dado muito animador”, comemora.

PAPO DE MÃE
Data Veiculação: 05/08/2021 às 13h52

Esquecer onde está a chave do carro, esquecer de comprar algo no mercado, esquecer de enviar alguma mensagem para alguém: você está sentindo que está mais esquecido durante a pandemia? Saiba que o problema não afeta apenas você: ele tem a ver com o isolamento social e pode atingir, até mesmo, as crianças. As causas para isso são inúmeras. Um medo constante, uma vida monótona e o isolamento social fazem com que as perdas de memória venham como consequência. Mas o que fazer para driblar essa situação? E, mais importante: como saber quando procurar auxílio médico? Veja também: Memórias da infância e os inimigos invisíveis da época 5 razões que explicam porque as redes sociais não são brincadeira de criança Um papo que é de todos nós: a doença mental O neurologista Willian Rezende, chefe de equipe nos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês e fundador da clínica Regenerati, explica sobre o porquê de estarmos tão esquecidos durante a pandemia e traz um alerta essencial: procurar ajuda para transtornos mentais e neurológicos não deve ser motivo de vergonha. Quais são as causas para a perda de memória durante a pandemia? Willian Rezende explica que há vários fatores que contribuem para que estejamos mais esquecidos durante a pandemia. Para ajudar a entender mais sobre o contexto, ele separa as causas para a perda de memória durante a pandemia em seis: 1. O próprio vírus Como a ciência já confirmou, a própria Covid-19 deixa algumas sequelas e, dentre elas, pode estar a perda de memória. “Muita gente pegou o novo coronavírus, não teve nenhum sintoma a mais ou nem ficou sabendo e o próprio vírus fica afetando a memória da pessoa”, diz Rezende. O neurologista explica que o novo coronavírus afeta o cérebro mudando a quantidade de neurotransmissores: ele causa uma alteração na metabolização do tripofano, aminoácido que fabrica a serotonina e a dopamina, o que acaba fazendo com que esses neurotransmissores comecem a faltar no corpo. Além disso, o vírus ativa alguns neurônios através da atividade do neurotransmissor de glutamato. Para entender melhor: o glutamato ativa o cérebro de maneira muito exagerada, o que também prejudica a memória. 2. O estado de estresse prolongado O fato de as pessoas não terem muitas válvulas de escape também afeta o cérebro, segundo o médico. Para ele, não praticar esportes, não ter atividades de lazer e estar sob uma constante ameaça real – contrair o novo coronavírus – causa impactos que fazem com que o estresse crônico aumente. Como consequência, o estresse crônico afeta a memória. 3. As rotinas monótonas Levantar da cama, pegar o computador, começar a trabalhar, sair do trabalho, deitar e dormir. Durante o isolamento, essa foi a rotina de grande parte das pessoas que puderam trabalhar de casa. Isso, porém, também pode causar prejuízos neurológicos. “Essa é uma rotina que não favorece a memória: a pessoa, inclusive, começa a fazer as coisas mais desatenta e, quando ela está desatenta, ela não consegue mais lembrar do que não prestou atenção”, explica Willian Rezende. 4. As rotinas que prejudicam o sono Ancorada na rotina monótona e no estresse crônico, está a rotina que prejudica o sono. Dormir tarde, acordar várias vezes durante a noite, acordar muito cedo para trabalhar e ter pouco sono ou dormir durante o dia, segundo o neurologista, fazem com a qualidade de sono seja ruim e que, consequentemente, a memória fique prejudicada. 5. O isolamento social Willian Rezende explica que um elemento essencial para a memória é a repetição. Quando alguém encontra um amigo, por exemplo, e conta sobre um fato que aconteceu na última semana, o processo ajuda a gravar a ocasião e faz com que a pessoa consiga se lembrar dela depois. Porém, a necessidade do isolamento social e a falta de contato com o exterior também fazem com que momentos da vida passem a ser esquecidos. “Se a pessoa não tem essa oportunidade, as vivências que ela vai tendo facilmente vão saindo da memória”, afirma o neurologista. 6. As múltiplas tarefas digitais Ter contato com outras pessoas apenas virtualmente ou, no caso das crianças e dos adolescentes, ter uma rotina baseada apenas em redes sociais ou em videogames, não estimula o cérebro. O órgão mais importante do corpo possui, segundo o médico, “uma área desproporcionalmente grande apenas para prestar atenção em um rosto humano”. Além disso, elementos que dispersam a atenção constantemente, como as notificações do celular, fazem com que jovens e adultos sejam constantemente bombardeados com um excesso de informação que acaba por torná-los mais dispersos. “A gente só lembra daquilo que prestou atenção”, afirma Willian. 7. As fake news O excesso de informações traz, também, uma enxurrada de informações falsas. As chamadas fake news podem fazer com que as pessoas comecem a duvidar e a confundir coisas que elas mesmas testemunharam em algum momento da vida. O neurologista dá um exemplo: uma pessoa recebe determinada vacina e, após receber a primeira dose, não tem nenhuma reação. Porém, ela começa a ser bombardeada por informações falsas em relação às vacinas e também sobre os efeitos colaterais que ela pode causar. “Após um ou dois meses, caso essa pessoa seja perguntada se ela sentiu algo após a primeira dose, ela pode responder que teve várias reações e ficou muito mal. Ela não teve nada disso, ela teve um excesso de informação e isso passa a afetar o componente da memória”, explica. Como melhorar a memória no contexto do isolamento? O doutor Rezende informa que melhorar a memória depende de vários elementos. No caso dos jovens, fazer atividades físicas ao ar livre e de máscara pode ser uma opção. Além disso, não estar constantemente conectado também é importante. As opções são os jogos de tabuleiro ou brincadeiras novas que não envolvam o mundo digital. Ter momentos tranquilos para conversar com pessoas e contar sobre a vida é essencial.” (Willian Rezende) Ter uma rotina saudável, com horários para as refeições, para dormir, para acordar e para ter algum tipo de sociabilização, segundo o médico, faz com que a memória consiga voltar a ser a mesma que era antes da pandemia. E se o problema for grave? O neurologista informa que a pessoa deve estar alerta a problemas de maior gravidade: esquecer reuniões e eventos importantes, esquecer onde parou o carro, esquecer episódios muito marcantes da vida ou esquecer de pessoas do dia a dia pode exigir uma investigação médica. Existem também alguns elementos, conforme a faixa etária, que podem contribuir para a perda de memória. No caso das crianças, por exemplo, o mais comum é a epilepsia. Para os adultos e os jovens, transtornos como estresse crônico, depressão, ansiedade, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), apneia do sono ou déficits nutricionais podem levar à perda da memória. Já os idosos podem sofrer com a doença de Alzheimer, a depressão ou com problemas no sono, nos nutrientes e nos hormônios. O elemento mais importante, porém, é saber valorizar o cuidado do cérebro e da saúde mental, pois, nas palavras do neurologista, “o cérebro é o que a pessoa é”. Apenas um tratamento e um acompanhamento médico adequado permitem uma maior qualidade de vida e, até mesmo, uma maior funcionalidade do principal órgão do corpo. Muitas vezes as pessoas vão fazer um check-up cardíaco e exames de sangue, por exemplo. Porém, poucas pessoas se interessam por fazer um check-up neurológico e da saúde mental. Cuidar do cérebro é cuidar de si e não pode ser motivo de vergonha ir a neurologistas ou a psiquiatras para poder ter uma avaliação melhor da própria cabeça.” (Willian Rezende) *Sabrina Legramandi é repórter do Papo de Mãe Confira a entrevista sobre saúde mental durante a pandemia com o psiquiatra Rodrigo Bressan, do Instituto Ame Sua Mente

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 05/08/2021 às 06h00

Pesquisadores americanos descobriram a dose e o momento ideal para o uso de anticoagulantes no tratamento da covid-19 moderada. Os benefícios do medicamento foram constatados em uma análise com mais de mil pacientes. Segundo os autores, foram registrados ganhos significativos com a terapia, como a redução do uso de ventilação mecânica. Os resultados, porém, não se repetiram em infectados em estado grave. As análises foram publicadas na última edição da revista The New England Journal of Medicine. Durante a pandemia, foram observados que coágulos sanguíneos se formam pelo corpo de algumas pessoas que morreram em decorrência da covid-19, até mesmo nos menores vasos. Os medicamentos antitrombóticos ajudam a prevenir essa complicação. Porém, é preciso entender melhor esse efeito. “Qual desses remédios é a melhor opção, em que dose e em que ponto durante o curso da doença eles podem render mais eficácia, todas essas perguntas precisavam de respostas”, ilustram os autores. Para sanar essas dúvidas, os especialistas resolveram avaliar os efeitos do uso de uma dose completa (padrão usado no combate à trombose) da heparina e compararam com uma dose baixa (de prevenção) em pacientes com a forma moderada e o com a condição grave da covid-19. “Definimos os indivíduos com a forma moderada da enfermidade como aqueles hospitalizados pela doença, mas que não tinham a necessidade de suporte terapêutico intensivo. Os criticamente são hospitalizados pela enfermidade que requerem cuidados intensivos, com suporte para alguns órgãos”, detalham. Em abril de 2020, os participantes do estudo receberam uma dosagem baixa ou uma dose completa de heparina por até 14 dias após serem internados. Em dezembro de 2020, os resultados provisórios indicaram que a anticoagulação em dose completa não reduziu a necessidade de suporte de órgãos, podendo até causar danos em pacientes em estado crítico. No entanto, um mês depois, os resultados provisórios indicaram que as doses completas de heparina beneficiaram pacientes moderadamente doentes. “As nossas avaliações sugerem que um tratamento feito antes das complicações é benéfico para pacientes moderadamente enfermos e, uma vez que os pacientes desenvolvam covid-19 grave, pode ser tarde demais para a heparina alterar as consequências dessa doença”, declara, em comunicado, Judith Hochman, professora do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Nova York, nos EUA, e uma das autoras do estudo. A análise final dos dados incluiu 1.074 pacientes gravemente doentes e 2.219 moderadamente enfermos. Os pesquisadores observaram por quanto tempo eles ficaram sem suporte de órgãos até 21 dias após a internação. Entre os pacientes moderadamente doentes, a probabilidade do uso da heparina em dose completa reduzir a necessidade de suporte de órgãos foi de 99%, em comparação à abordagem do medicamento em baixa dose. Um pequeno número de pacientes apresentou sangramentos relevantes, embora essa complicação tenha acontecido com pouca frequência. Para pacientes gravemente enfermos, a heparina em dose completa também diminuiu o número de eventos trombóticos maiores, mas não reduziu a necessidade de suporte de órgãos ou aumentou as chances de deixar o hospital logo após o tratamento. Acessível Os pesquisadores destacam que os dados observados são importantes, pois podem contribuir para um tratamento mais eficaz de hospitalizados. “A medicação avaliada nesses ensaios é familiar para médicos em todo o mundo e amplamente acessível, tornando as descobertas altamente aplicáveis a pacientes com covid-19 moderadamente enfermos”, ressalta Hochman. “Esses resultados são um exemplo convincente de como é importante estratificar pacientes com diferentes gravidades de doença em estudos clínicos. O que pode ajudar um subgrupo de pacientes pode não ter nenhum benefício ou mesmo ser prejudicial em outro”, complementa Gary H. Gibbons, um dos autores da pesquisa e diretor do NIH National Heart, Lung, and Blood Institute, nos Estados Unidos. Elnara Marci Negri, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é uma das pioneiras no estudo da heparina para tratar a covid. No ano passado, ela e colegas do hospital avaliaram o uso do anticoagulante em pacientes internados. Em um estudo publicado em abril de 2020, no periódico British Medical Journal (BMJ), relataram que, no grupo de 27 pacientes tratados com o medicamento, 15 (56%) receberam alta quatro dias após terem iniciado a abordagem. Entre os que receberam suporte para respiração, metade dispensou o uso do ventilador um dia e meio depois do uso da heparina. A médica destaca que os dados do estudo americano reforçam o que foi visto em sua pesquisa, mas com detalhes ainda mais valiosos. “Essa pesquisa mostra que a hora ideal de o paciente receber o medicamento é após alguns dias de internação, quando ele acusa que vai piorar”, explica. “Outro ponto importante é o uso da dose completa, e não a profilática. Se você usar uma dosagem mais baixa, corre o risco de o paciente apresentar complicações mais para frente.” Os autores adiantam que mais pesquisas com a heparina serão realizadas e que está em andamento avaliações semelhantes com outros antitrombóticos. A médica brasileira também segue estudando o tema. Nos próximos meses, publicará mais um estudo sobre o uso da heparina no tratamento da covid-19 em parceria com cientistas canadenses e holandeses. “Nesse trabalho, observamos uma redução de quase 80% de mortalidade em pacientes internados. É um dado muito animador”, comemora.