Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 05/06/2021 às 03h00

FERIADO TEM AGLOMERAÇÕES A região do Capivari, em Campos do Jordão (SP), ficou lotada no Corpus Christi, que abre temporada de inverno na cidade; festas clandestinas se espalharam pelo país cotidiano B3 Internações de crianças por Covid19 ou suspeita crescem Números se referem a março e abril, os piores meses de 2021; especialista diz que variantes mudaram cenário Patrícia Pasquini são paulo Dados do SivepGripe (Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológiea da Gripe) contabilizados e analisados pela plataforma SP Covid-19 Info Tracker mostram que nos meses de março e abril de 2021 foram registradas no país 23.411 novas internações de crianças por Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave), com confirmação ou suspeita de Covid-19. Foram 13.011 internações de crianças com idades entre o e 14 anos em março e 10.400 em abril, de acordo com a plataforma, criada por pesquisadores da USP e da Unesp com apoio da Fapesp para acompanhar a evolução da pandemia. Até o dia 17, o mês de maio havia registrado 4.733 internações desse público, atingindo 7.164 novas internações no dia 24 —ou seja, 2.431 novas hospitalizações em sete dias. "Pouco se discutiu a questão dos casos e internações de crianças porque na primeira onda se falava que elas eram resistentes à Covid-19 e aos casos mais severos”, afirma Wallace Casaca, coordenador da plataforma. “Com o surgimento das variantes, o cenário mudou. É importante abrir esse debate. Em 2021, a pandemia ficou mais letal para jovens e crianças. Além das variantes, houve o reflexo da reabertura das escolas em fevereiro, o que não deveria ter ocorrido.” Se comparados os meses de dezembro de 2019, quando a Covid-19 ainda não havia sido detectada no Brasil, e de 2020, o aumento nas novas internações de crianças por Srag foi de 618%, passando de 1.062 para 7.626 hospitalizações. Emrelação às mortes, a alta foi de 218,18%. Para Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, infeetologista e gerente de qualidade do Sabará Hospital Infantil, o aumento no percentual de crianças internadas reflete a expio são de casos de Covid-19 entre a população. “Durante algum tempo houve uma minimização da gravidade em criança. Covid-19 em criança não é uma gripezinha. Agente sabe, e os números estão aí para mostrar, que pode ter formas graves. Com menos de um ano de idade, a chance de desenvolver forma grave é maior, com comprometimento pulmonar importante e pneumonia”, explica. De janeiro a 24 de maio de 2021, o país registrou 46.717 novas hospitalizações e 886 mortes. O período concentra 60,9% do total de novas internações de crianças e 36,9% das mortes notificadas em 2020. “Quando você vai estudar e entender por que a criança morre de Covid-19, você vê que tem muito mais determinantes socioeconômicas, a etnia, região onde mora, a dificuldade de acesso ao serviço de saúde e a um atendimento adequado”, dizOliveira Junior. Em todo o período, a faixa etária entre o e 4 anos concentra o maior número de internações (28.361) e mortes (522). Em maio, por exemplo, dos 7.164 registros, 4.448 estão nesse intervalo etário. “Daqui para a frente, a população vacinada adoecerá menos e a infantil começará a ter uma representatividade maior nas estatísticas, uma coisa que está sendo vista em países com a vacinação mais avançada”, diz Oliveira Junior. Em 2021, o mês com a média mais alta de novas internações foi março, seguido por abril, fevereiro, maio e janeiro. “A Covid-19 também é perigosa para o público infantil. Por exemplo, a SimP [Síndro me Inflamatória Multissistêmica Pediátrica] tem em torno de 8% de taxa de mortalidade”, explica Marcelo Otsuka, pediatra, infeetologista, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia e vice-presidente do departamento de infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Caracterizada pelo comprometimento de múltiplos órgãos e sistemas, a Sim P é uma alteração relacionada a uma resposta imunológica desencadeada pela infecção pelo coronavírus. Novas internações e mortes de crianças por Covid-19 no país Novas internações 0 a 4 anos dez.20 mai.21* 5 a 9 anos dez.20 maí.21* 10 a 14 anos dez.20 mai.21* Média mensal de novas internações 0a4anos 5a9anos 10 a 14 anos 0—■—1—■—1—1—■— —■ ' ' > 1 '— —1 ■ ' 1 * 1— dez.20 mai.21* dez.20 mai.21* dez.20 mai.21* Número de mortes 0a4anos 5a9anos 10 a 14 anos 200 dez.20 mai.21* dez.20 mai.21* dez.20 mai.21* Média mensal de crianças internadas com Covid-19 ou suspeita nos hospitais infantis públicos de São Paulo *Maio está contabilizado até dia 24 | Fontes: Sivep-Gripe, Plataforma SP Covid-19 Info Tracker e Censo Covid A doença pode ocorrer na vigência da infecção, com a presença do vírus, ou semanas após o quadro agudo. Pelo menos 80% das crianças com a síndrome precisam ser internadas em UTI. Entre os hospitais públicos de referência para a criança na cidade de São Paulo — Hospital Infantil Cândido Fontoura (zona leste), Hospital Infantil Darcy Vargas (zona sul) e Hospital Municipal Menino Jesus (Centro)—, a média diária de internações por Covid-19 confirmada ou suspeita também alcançou índices altos. No Cândido Fontoura, que é estadual, março, abril e maio de 2021 registraram a maior média diária de hospitalizações —19, 29 e 22. No Darcy Vargas, também do estado, o índice ficou na casa dos 7. A média mais baixa foi do Menino Jesus, gerenciado pela Prefeitura de São Paulo com a entidade filantrópica Instituto de Responsabilidade Social SírioLibanês. Caiu de4 em março para 1 em abril e maio. Os dados dos trêshospitais são da SP Covid-19 Info Tracker combase noCenso Covid19. No Sabará Hospital Infantil, que é privado, de janeiro a 24 de maio de 2021, 98 crianças foram internadas por Covid-19. No ano passado inteiro, foram 73 internações. Março e janeiro registraram os maiores números —30 e 26, respectivamente. A mensagem é de atenção e respeito aos protocolos de proteção contra a infecção pelo coronavírus. “Se os adultos tomarem os cuidados necessários, a chance de a criança pegar [Covid-19] é muito menor”, ressalta Otsuka. “A gente recomenda que a partir dos dois anos de idade a criança já seja treinada pela família a utilizar a máscara para evitar se infectar e fizer o mesmo com outras pessoas", diz Oliveira Junior. Os especialistas defendem a volta às aulas presenciais, contanto que as escolas estejam estruturadas. “As escolas devem ser as últimas a fechar, dentro de um processo de lockdown ou qualquer nome que se dê, e as primeiras a reabrir desde que tenham estrutura. Estamos há mais de um ano nesta pandemia. Não é aceitável que as escolas não estejam preparadas. Quando eu falo de escola pública, não estou responsabilizando o diretor. Temos que pensar no gestor público", afirma Oliveira Junior. “Temos grande probabilidade de nas próximas semanas, no decorrer do mês de junho, de ter um grande aumento de casos. Já percebemos isso nos hospitais, as UTIs estão mais cheias, alguns locais do interior estão em situação grave no ponto de vista de lotação de UTIs. Pode ser que se chegue a um momento em que seja necessário parar novamente. Vamos começar mais uma onda ou um repique partindo de um patamar muito alto. É muito preocupante o que está para acontecer”, completa. “É lógico que temos um risco potencial de ter mais infecção, mas os estudos não demonstram isso. Pelo contrário. O prejuízo que as crianças estão apresentando é irremediável, tanto no aprendizado e no desenvolvimento psicomotor. Os pais precisam saber se os protocolos nas escolas estão sendo cumpridos. Agora, se você tem pessoas de potencial risco em casa, as crianças não devem ir. Tudo precisa ser analisado”, afirma Otsuka. Oliveira Junior faz um alerta em relação à vacinação. Nos países que começaram a vacinar mais cedo, as crianças já estão sendo inseridas no processo de imunização. "Aqui nós só vamos conseguir controlar a situação de forma duradoura e efetiva quando ampliarmos a vacinação. Não vejo outra saída. A participação da criança será importante dentro do processo de imunidade coletiva. Se eu não vaciná-la, o vírus continuará circulando na população pediátrica.”

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Data Veiculação: 05/06/2021 às 03h00

Saúde lo seu médico e que consentem receber a dose”, explica. Para gestantes e puérperas que tiveram Covid19, a orientação é aguardar 28 dias após o início dos sintomas para tomara vacina. Caso a mulher esteja com sintomas gripais, Caldeira orienta que ela primeiro passe por um médico para descartar o diagnóstico de Covid19 antes de receber o imunizante. “Se tiver febre, também não é recomendada a vacinação.” O anúncio da imunização de gestantes e puérperas fez com que muitas mulheres já acionassem seus médicos em busca do laudo indicando a vacinação. Grávida de 25 semanas, Patrícia Ferreira Pacheco Armelin, 35, já marcou consulta com o obstetra para segunda-feira. “Na hora em que fiquei sabendo que poderia tomar a vacina, chorei muito de emoção. A gestação tem sido muito tensa. A todo o momento eu tenho medo de pegar a doença. “Cada vez que fico sabendo de uma gestante que morreu ou que teve parto prematuro, fico mais desesperada”, diz. Patrícia diz que já havia decidido, com seu obstetra, que iria se vacinar quando possível. Mas para que ele lhe dê o relatório médico, ela terá de assinar um termo se responsabilizando por essa escolha e confirmando que foi informada sobre dos possíveis riscos de uma vacina que ainda passa por testes em gestantes. “Dá muito mais medo de pegar Covid19 e ter um quadro grave do que qualquer efeito colateral que possa acontecer. É um alívio a chegada da vacina. Um alívio para mim e para o meu bebê”, diz. Como ainda não há um posicionamento oficial da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo e nem da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, em razão do SP oferecerá vacina a todas as grávidas na semana que vem Gestantes e puérperas adultas sem comorbidades poderão ser imunizadas Aline Mazzo são paulo A Prefeitura de São Paulo vai oferecer a vacina contra a Covid-19 a todas as gestantes e puérperas (que deram à luz há menos de 45 dias) acima de 18 anos a partir da próxima segunda-feira (7). A partir do dia 10, a imunização desse grupo também será estendida para todo o estado de São Paulo. Antes, podiam receber a vacina apenas grávidas e puérperas com comorbidades definidas pelo Plano Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde. Agora, segundo o governo do estado, cerca de 400 mil mulheres poderão ser imunizadas —100 mil só na capital. O anúncio da vacinação das gestantes e puérperas foram feito pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) nesta sexta (4). Horas depois, o governador João Do ria confirmou que a imunização dessas mulheres começaria em todo estado também. Além da capital, as cidades de São Bernardo do Campo (ABC) e de Campinas (93 km de SP) também devem iniciar a vacinação desse grupo na segunda (7), de acordo com o governo do estado. Para poder se vacinar, as grávidas em qualquer período gestacional deverão o apresentar nas unidades de saúde um relatório ou atestado médico em que o profissional indique que ela deva tomar a vacina contra o coronavírus. “Para essa situação, é necessária Grávida recebe dose de vacina da Pfizer no megaponto de vacinação no Allianz Parque, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo Danilo Verpa -17.mai.21/Folhapress sário que a gestante tenha uma indicação médica, que o médico ateste que ela tenha que tomar essa vacina”, disse N unes. Grávidas queimaram-na capital precisa mainda apresentar comprovante de residência, exigido para todos as pessoas que têm se vacinado na cidade desde o fim de maio. Já as puérperas deverão apresentar, além do laudo médico, a certidão de nascimento da criança. Todas serão imunizadas com doses da Pfizer ou da Coronavac, já que a aplicação da vacina Oxford/AstraZeneca está suspensa em grávidas no país. Segundo o governo do estado, São Raul o recebeu 150 mil doses do imunizante da Pfizer do Ministério da Saúde. Segundo odiretordaCovisa (Coordenaria de Vigilância em Saúde) da capital, Luiz Artur Vieira Caldeira, as gestantes e puérperas terão de assinar, no local em que forem se vacinar, um termo de consentimento, como determina o Plano Nacional de Imunização. “Nesse documento, as mulheres afirmam que foram orientadas sobre a vacinação peferiado de Corpus Christi, alguns médicos estão preferindo aguardar orientações antes de emitir o relatorio médico indicando a vacinação. O ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, que trabalha nos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, afirma que tem conversado com suas pacientes sobre a vacinação e que essa decisão será tomada por elas. “Eu vou seguir as determinações das sociedades médicas brasileiras, mas, se a gente olhar o mundo, a vacinação de gestantes é algo que tem sido feito amplamente em outros países, como Estados Unidos e Israel, e não há registro de efeitos adversos graves”. De qualquer forma, a a decisão tem de ser da gestante em conjunto com o médico”, diz. Dados de mais de 35 mil mulheres imunizadas nos EUA com as vacinas da Pfizer e Moderna mostraram segurança e a capacidade de as vacinas induzirem resposta imune. Pupo destaca que vai recomendar às suas pacientes que aguardema gestação completar 12 semanas para tomar o imunizante. “Essa é uma posição pessoal. Como a fase em que o embrião se transforma em feto é muito crítica para o surgimento de malformações, eu acho mais prudente esperar completar 12 semanas." Na segunda (7) também começará a vacinação de todas as pessoas com comorbidades acima de 18 anos, na capital paulista. Até agora, só podiam se vacinar os integrantes desse grupo prioritário com mais de 30 anos. Para receber a dose contra a Covid-19, o paciente deve comprovar a comorbidade com apresentação de exames, receitas, relatório ou prescrição médica. Todos os documentos deverão conter o C RM do médico e ter sido emitidos há, no máximo, dois anos.

UOL VIVA BEM/UOL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/06/2021 às 10h22

Entre março e maio deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, de forma emergencial, os três primeiros medicamentos para uso em pacientes com covid-19. As drogas são o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences, e duas associações de anticorpos monoclonais, o Regen-Cov, da Regeneron e da Roche, e o coquetel banlanivimabe e etesevimabe, da Eli Lilly. Elas são de alto custo e têm indicação bastante limitada e precisa, sempre em pacientes com mais de 12 anos e acima dos 40 quilos que apresentam risco de se tornarem casos graves. Não se trata de remédios universais, com capacidade de controlar a pandemia ou serem empregados como tratamento preventivo da covid-19. O preço dos remédios vai ser definido pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e seu uso ainda não chegou ao SUS (Sistema Unificado de Saúde) ou a hospitais privados. Em 12 de março, foi aprovado o primeiro remédio, o antiviral remdesivir, que impediria a replicação do vírus Sars-CoV-2 no organismo e reduziria o tempo de internação de pacientes hospitalizados. Originalmente criado para tratar outras infecções, em 2009, como as causadas pelo vírus da hepatite C e o vírus sincicial respiratório (VSR), o medicamento foi também testado para controlar o vírus ebola, sem nunca ter obtido grande sucesso. Durante seis meses, a Anvisa avaliou estudos feitos no exterior em pacientes com Covid-19 que usaram o remdesivir, que já foi aprovado em países como Estados Unidos, Japão e Israel, além da Europa. O emprego do remédio foi autorizado no Brasil em pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 que apresentem pneumonia e precisem de oxigênio suplementar. O doente, no entanto, não pode estar intubado ou necessitar de um respirador mecânico. "É um medicamento para uso apenas no hospital, não vai ser possível comprá-lo na farmácia. A aplicação é endovenosa e o tratamento pode durar até 10 dias", diz Sergio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo. "Mas os resultados são consistentes", avalia. A OMS (Organização Mundial da Saúde), no entanto, não está convencida dos benefícios e não apoia o uso do remdesivir contra Covid-19. Nos Estados Unidos, o tratamento completo com a droga, que normalmente inclui seis doses, custa aproximadamente US$ 3 mil, cerca de R$ 16 mil. Os outros dois tratamentos autorizados, que adotam associações de anticorpos monoclonais, funcionam de maneira similar e têm praticamente a mesma indicação clínica. Composto pelos anticorpos casirivimabe e imdevimabe, o Regen-Cov, também denominado Regn-Cov2 em alguns mercados, foi aprovado em 20 de abril e o uso conjunto do banlanivimabe mais o etesevimabe em 13 de maio. Ambos têm como objetivo se ligar à proteína spike do novo coronavírus - responsável por penetrar nas células humanas e abrir caminho para que a infecção se instale no organismo - e neutralizar sua ação. Seu emprego é recomendado para pacientes com quadro leve o moderado de covid-19 que não estejam internados e não precisem de oxigênio nem de um ventilador mecânico. Os coquetéis não serão vendidos em farmácias. Seu uso é restrito ao ambiente hospitalar, onde são administrados por via endovenosa. Segundo a infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), o emprego das associações de anticorpos monoclonais pode ser benéfico em certas situações. "Elas devem ser dadas, logo nos primeiros dias, a casos leves de Covid-19 que apresentem maior risco de evolução para um quadro grave", explica a médica. "Esse é o caso de idosos e pessoas com comorbidades, como diabéticos, obesos e portadores de doenças crônicas." Segundo Cimerman, apesar de os estudos clínicos de fase 3 ainda não terem sido publicados, os resultados preliminares do uso previsto do Regen-Cov são excelentes. "A redução na hospitalização e no número de óbitos é de 70%." Apesar de considerar positivo o uso dos anticorpos monoclonais, a médica da Unicamp faz uma ressalva importante. "Alguns trabalhos mostram que a eficácia dos anticorpos monoclonais contra a variante P1 do Sars-CoV-2 [surgida em Manaus e que se disseminou pelo Brasil] é menor. Portanto, fica essa dúvida. Até que ponto esses medicamentos serão úteis para nós enquanto tivermos a P1 em circulação por aqui?", indaga Stucchi. Os anticorpos monoclonais aprovados pela Anvisa podem evitar que a doença progrida para formas graves no grupo de pacientes a que se destinam. Mas, como o remdesivir, são muito caros. O custo do tratamento com essas drogas deve variar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. "É impraticável pensar que eles estarão disponíveis em toda a rede pública. Talvez cheguem a alguns hospitais selecionados", avalia o médico intensivista Luciano Cesar Pontes de Azevedo, da FM-USP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e do Hospital Sírio-Libanês. Azevedo participa de um grupo de pesquisa que conduz estudos em busca de possíveis tratamentos contra a Covid-19. "Já avaliamos a hidroxicloroquina e o antibiótico azitromicina e ambos não funcionam", comenta Azevedo. "Estamos agora testando outras drogas." Hoje não há medicamentos que possam ser usados para prevenir a Covid-19. As tentativas de tratamento da doença nos hospitais, que muitas vezes usam corticosteroides para combater processos inflamatórios e anticoagulantes contra a formação de trombos associados à infecção pelo novo coronavírus, têm de se adaptar às novas variantes do Sars-CoV-2 e a inesperadas facetas da doença em si, que às vezes ataca de forma sistêmica o corpo humano. Diante desse quadro, Cimerman lembra que é essencial investir no processo de imunização. "As pessoas precisam se vacinar, inclusive contra a gripe", diz o infectologista. O intervalo recomenda—do entre a vacina da gripe e a de Covid-19 é de pelo menos 15 dias.