Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

Jovem Pan
Data Veiculação: 05/03/2021 às 06h58

PAULO MUMIA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO Ao menos 18 Estados brasileiros estão com mais de 80% das UTIs ocupadas, segundo dados da Fiocruz Um ano depois do primeiro caso de coronavírus confirmado no Brasil, a pandemia de Covid-19 chegou ao pior momento, com agravamento da crise sanitária pelo Carnaval. Se nas festas clandestinas sempre há espaço para mais foliões, nos hospitais não é bem assim. Ao menos 18 Estados brasileiros estão com mais de 80% das UTIs ocupadas, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). São Paulo é um deles. O Estado entra neste sábado, 06, na Fase Vermelha do Plano São Paulo, a mais rígida. A situação é preocupante em hospitais públicos e particulares, como mostra o médico Jaques Sztajnbok, do Hospital Emílio Ribas. “O sistema de saúde está sob intensa pressão, as equipes estão estressadas, com carga de trabalho absurda e com 100% de ocupação dos leitos neste momento, temos uma demanda que não podemos atender por leitos de internação.” O clínico geral Roberto Debski está na linha de frente no combate à Covid-19 desde o início da pandemia. Ele conta que não esperava que a crise sanitária fosse durar tempo. “Tem sido bastante difícil, estressante. Temos que estar muito focados, procurando gerenciar o nosso próprio emocional, nosso próprio estresse para que a gente possa continuar ajudando as pessoas na linha de frente”, afirmou. Para o enfermeiro Milton Monteiro Junior, que trabalha no HSANP, a situação se agravou porque as pessoas relaxaram nas medidas de proteção. “As pessoas estão se acomodando, as pessoas estão achando que a vacina é segura para o resto da vida e que acaba não precisando utilizar máscara e as recomendações. Estamos voltando ao caos e aos nossos desesperos do início da pandemia”, disse. Por isso, a infectologista do Hospital Sírio Libanês Keilla Mara de Freitas faz um apelo à população. “Sigamos com aquilo que a gente já sabe que tem que ser feito, distanciamento social, o uso adequado de máscaras, uso de álcool gel, ficar em casa o máximo possível, evitar aglomerações. Contamos com vocês para ganhar essa luta.” *Com informações da repórter Nicole Fusco.

VEJA.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/03/2021 às 06h00

Vacina, vacina, vacina. O mundo inteiro sabia que essa era a principal forma de combater a pandemia. A ciência fez a sua parte e entregou em prazo recorde mais de uma solução. Sem estar protegido contra males como o negacionismo, a busca por uma pílula mágica de tratamento preventivo e a falsa dicotomia entre saúde e economia, o país fez praticamente tudo de errado desde o início na guerra contra o vírus e está fracassando agora também na campanha de imunização. Por aqui, o ritmo diário de vacinação não tem passado de 0,1 para cada 100 pessoas. Israel, maior referência atual no mundo nessa questão, avança onze vezes mais rápido e colhe os frutos desse esforço, com redução de 41% de casos de Covid. Enquanto a nação do Oriente Médio já protegeu mais da metade de sua população com uma dose, o Brasil atingiu até agora apenas 3,5% das pessoas. Não por acaso, vem batendo recordes sucessivos de casos e de mortes, o que levou os hospitais públicos e privados a um nível de exaustão inédito na história. Tamanho atraso é fruto direto de uma catástrofe de planejamento. Enquanto outras nações já haviam iniciado o processo de imunização no fim do ano passado, o Brasil demorou até o dia 17 de janeiro para começar as aplicações, ainda assim, graças à insistência do governador paulista João Doria (PSDB) e ao trabalho do Instituto Butantan no desenvolvimento da CoronaVac em parceria com os chineses da Sinovac, vacina combatida e ironizada por Jair Bolsonaro durante muito tempo por picuinhas com o político tucano, até que a falta de alternativas o levou a ceder. Até hoje, ela é responsável por oito em dez vacinas aplicadas no Brasil. Desde 18 de janeiro, início da imunização nacional, foram distribuídas irrisórios 18,4 milhões de doses aos postos de saúde e drive-thrus. Sem a CoronaVac, a situação seria ainda pior. “As próximas duas semanas serão as mais duras e graves”, afirmou Doria, ao anunciar na quarta 3 a regressão de São Paulo à fase mais severa de restrições de circulação, medida de emergência adotada também por vários outros estados, como Rio Grande do Sul e Bahia. O sufoco atual da vacinação a conta-gotas só começará a ser aliviado a partir do fim de abril, quando a Fiocruz entregará o primeiro lote (30 milhões) do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório AstraZeneca, mas agora formulado e envasado na instituição do Rio de Janeiro (principal aposta do governo federal para proteger a população, as vacinas do tipo aplicadas até agora no Brasil foram importadas da Índia). Em paralelo, o Butantan vem aumentando sua capacidade de entrega. Em breve, ao que tudo indica, será a vez de as vacinas da Pfizer e da Janssen engrossarem a lista. Na quarta-feira, como revelou a coluna Radar, o governo brasileiro oficializou a intenção de compra de 138 milhões de doses dessas fabricantes para 2021. Caso esses contratos sejam realmente assinados (a expectativa é que isso ocorra na próxima semana), o Brasil tem acertado para receber de abril até dezembro 465 milhões de doses, quantidade suficiente para imunizar toda a população (além de CoronaVac, Oxford/AstraZeneca, Pfizer e Janssen, o país firmou acordos com a indiana Covaxin e o consórcio Covax). Os avanços recentes representam um alívio, mas o movimento ainda é insuficiente para garantir o aumento substancial na velocidade de imunização de que o Brasil precisa diante da crise. Uma conta dá a dimensão do desafio. De acordo com cálculos de especialistas consultados por VEJA, se o país tivesse para distribuição imediata os 465 milhões de doses, nada menos que 70% da população estaria imunizada até o fim do ano. Infelizmente, não é factível contar imediatamente com todas essas vacinas, dados os prazos de entrega dos fabricantes e os consideráveis enroscos burocráticos ainda a ser superados. Mas o Brasil precisa se aproximar dessa meta o máximo possível — e o cenário para os meses seguintes permite algum otimismo. Do total de 465 milhões de doses garantidas ou em vias de ser contratadas, cerca de 45% têm um cronograma definido para distribuição até julho. Elas serão suficientes para vacinar todas as pessoas mais vulneráveis, como homens e mulheres acima de 60 anos. A imunização vai gerar um impacto em 76% das mortes e 56% de internações, no mínimo. O problema é que, mesmo no caso dos contratos já assinados, não será simples cumprir à risca o plano em um ambiente em que os fabricantes enfrentam dificuldades para honrar com os prazos devido à enorme e urgente demanda mundial. Por aqui, percalços do tipo levaram a interrupção da campanha de vacinação no mês passado por alguns dias em cidades como o Rio. Nas negociações em estágio avançado de andamento, o desafio será maior. Tome-se como exemplo o caso da Pfizer. Os contatos começaram em agosto e, em dezembro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a anunciar a possibilidade de receber um primeiro lote ainda em 2020. Nada disso aconteceu e, enquanto as conversas com o governo federal se arrastavam, a farmacêutica negociou com mais de sessenta países. Agora, o Brasil vai entrar na fila de espera. A previsão inicial é de 8 milhões de doses em junho, e o restante, 92 milhões, somente para o fim do ano. As negociações com a empresa americana avançaram no último fim de semana com ajuda do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que virou o mediador entre o Planalto e os gestores estaduais. Ele foi o responsável por dar a boa notícia aos governadores em almoço na terça 2. O primeiro ato concreto veio no mesmo dia com aprovação no plenário da Câmara do projeto de lei 534/21, que prevê que a União, estados e Distrito Federal e municípios assumam os riscos relacionados a eventuais efeitos adversos que possam ter as vacinas — a cláusula foi colocada sob medida para destravar a negociação com a Pfizer. Qualquer demora nessa fase de garantir uma vacinação em massa é fatal, como bem ilustra o caso brasileiro. A falta de planejamento e as falhas de gestão contribuíram decisivamente para milhares de mortes desnecessárias, um saldo trágico que nunca será apagado da história. O cenário nas UTIs é de enorme preocupação. Levantamento da Fiocruz revelou que dezoito estados mais o Distrito Federal têm lotação de leitos acima dos 80%. A nova escalada de casos no Brasil está ligada, sobretudo, ao abandono progressivo das medidas de isolamento e às inaceitáveis aglomerações vistas no fim do ano e no Carnaval. O isolamento social no país, que jamais chegou ao desejável patamar de 70%, atingiu agora míseros 33%. “Está claro que o comportamento de risco resultou no aumento da doença”, diz o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês e reitor do Centro Universitário Saúde ABC. Para além do quesito comportamental, não se pode ignorar o papel das novas mutações do coronavírus. A brasileira, originada em Manaus, tem uma potência dez vezes maior de transmissão. Para enfrentar esse inimigo implacável, o país contou até agora com apenas duas armas, a CoronaVac e a Oxford/AstraZeneca. Por falta de mais munição, em vez de vacinar 1 milhão de pessoas por dia, que é a capacidade inicial brasileira, a média diária raramente ultrapassa 20% desse potencial. No dia 17 de fevereiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, entregou uma planilha aos governadores com a previsão da chegada dos novos lotes de vacina. Extremamente otimista, esse plano inclui acordos de compra ainda não totalmente formalizados (Pfizer e Janssen) e outros em estágios ainda mais embrionários de negociação com os fabricantes e sem aprovação da Anvisa, a exemplo da Sputnik V, da Rússia. O documento tinha o objetivo de tranquilizar os políticos, que começaram a se desesperar com o tamanho da crise. O gesto teve efeito colateral, aumentando a sensação de insegurança dos governadores quanto à atuação de Pazuello. Até a logística, a suposta maior especialidade do ministro, provou-se um fiasco. Na semana passada, um avião levou 78 000 frascos de vacina destinados ao Amazonas para o Amapá, que esperava apenas 2 000 doses. Segundo agentes que acompanharam a trapalhada, o erro foi da equipe da planilha do Ministério da Saúde, que trocou os lotes na hora do registro, e só percebeu a confusão quando a aeronave já havia decolado. A barbeiragem foi consertada no dia seguinte. O comandante de Bolsonaro na linha de frente da pandemia tem a exata medida da catástrofe produzida pelo coronavírus. Numa conversa recente com um integrante da base aliada, Pazuello admitiu: “A situação fugiu completamente do nosso controle”. Há pouco mais de duas semanas, o Ministério da Saúde emitiu uma nota oficial em que pedia ajuda à Casa Civil para destravar as negociações com Pfizer e Janssen, dois laboratórios, que, segundo o governo, vinham fazendo exigências que não são permitidas pela legislação brasileira. O que parecia apenas uma solicitação de cooperação entre dois braços do Executivo na verdade expõe uma antiga insatisfação de Pazuello. Desde o fim do ano passado, ele vinha se queixando a pessoas de sua confiança que considerava injustas as cobranças pelo insucesso das conversas com Pfizer e Janssen. Achava que isso não podia cair na sua conta. Justificava que sua caneta não tinha tamanho para assinar um contrato que desrespeitava as leis brasileiras e que tal passo dependeria de uma decisão de governo. Em outras palavras, Pazuello estava dizendo que cabia ao Palácio do Planalto, e não ao seu ministério, dar uma solução ao imbróglio. O ministro também anda dizendo a amigos que se sente injustiçado por ser alvo de uma investigação aberta pela PGR para apurar, entre outras coisas, por que sua pasta estimulou o tratamento de Covid-19 com hidroxicloroquina. Em conversas particulares, Pazuello diz ainda que nunca foi negacionista, tampouco defensor ideológico desse remédio. Defende-se dizendo que reza a cartilha de seu chefe e põe na rua as políticas públicas desenvolvidas pelo corpo técnico. Para mais de uma pessoa, já deixou claro que não compactua com uma parte considerável das pregações do capitão. “O problema é que o ministro da Saúde na verdade se chama Jair Bolsonaro. Apesar de ser uma pessoa afável, o Pazuello é inepto, não se comunica bem e, quando fala, é inseguro, nunca tem certeza de nada”, critica um governador. A lentidão da pasta em acelerar o programa de imunização levou os chefes de executivo estaduais a tentar resolver o caso negociando diretamente novos contratos com os fabricantes. Eles se uniram em um consórcio encabeçado por Rui Costa (PT), da Bahia, visitaram fábricas e fizeram reuniões com as embaixadas da Rússia, China e Índia e com empresários. O resultado mais concreto que o movimento gerou até aqui foi o de aumentar a pressão sobre o Ministério de Saúde. A retomada de conversas com a Pfizer foi contabilizada pelo grupo como uma vitória dessa tática de atuação para tirar a pasta da inércia. No momento em que o país mais precisa de ações coordenadas, nunca foram tão grandes as diferenças entre as autoridades estaduais e federais. Nos últimos dias, de forma a evitar o desgaste de levar sozinhos a culpa pelas medidas restritivas de circulação (necessárias e urgentes, mas altamente impopulares), os gestores estaduais pediram ao Ministério da Saúde que baixasse uma determinação em prol do isolamento social em nível nacional. Na opinião deles, uma simples declaração do presidente ou do titular da pasta nesse sentido já poderia ser mais eficaz do que um lockdown para manter a população em casa. “Teríamos uma adesão maior da população”, afirma Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde. De Pazuello, só veio o silêncio. E de Bolsonaro, a postura totalmente contrária. Em um espaço de dois dias, o presidente conseguiu desacreditar com palavras e atitudes as duas ferramentas cientificamente comprovadas que podem ajudar a conter a pandemia. Em uma live, desestimulou o uso da máscara ao citar um “estudo” de uma “universidade alemã” que dizia que elas eram prejudiciais às crianças — na verdade, a pesquisa se referia a uma enquete on-line feita por cinco docentes da pouco conhecida Universidade Witten/Herdeck. No dia seguinte, Bolsonaro provocou aglomeração de centenas de pessoas ao inaugurar obras viárias em Tianguá, no Ceará — estado que vive o seu pior momento na crise. Ameaçou ainda os governadores de que não enviaria o dinheiro do auxílio emergencial àqueles que decretassem o lockdown. Como cereja do bolo de sandices, divulgou em redes sociais dados distorcidos sobre repasses de verbas aos estados, levantando suspeitas sobre desvios de recursos por parte de governadores. A reação veio em forma de uma carta dura, assinada por dezenove chefes de Executivos estaduais. Segundo o texto, a gestão Bolsonaro usa “instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público”, para produzir “informação distorcida e gerar interpretações equivocadas”. Enquanto se abre um novo capítulo da crise federativa, o capitão segue firme na cruzada negacionista. Até quem entra no seu gabinete com o rosto protegido ganha cara feia como se fosse uma ofensa direta a ele. No último domingo, Bolsonaro recebeu os ministros Pazuello, Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente, para uma reunião no Palácio da Alvorada. Na ocasião, abriu seu repertório de palavrões para criticar os lockdowns decretados em alguns estados. No mesmo encontro, porém, sinalizou que o governo deve agilizar a compra de vacinas, tão bombardeadas por ele desde sempre. Em outra reunião recente, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, repetiu em privado o que já havia dito numa live: gostaria de se vacinar ao lado do chefe. Bolsonaro rechaçou na hora e reiterou que não dará o braço a torcer. Aos olhos internacionais, o Brasil virou exemplo de tudo o que não se deve fazer no combate à pandemia e, diante do descalabro de gestão, tornou-se também um perigoso laboratório para o desenvolvimento de novas cepas — já são pelo menos duas novas mutações nascidas aqui, a do Amazonas e outra, em estágio mais inicial, no Rio de Janeiro. O mundo, por outro lado, começa a colher os resultados positivos da vacinação em massa, combinados às políticas mais eficazes de isolamento social. No Reino Unido, a vacinação de pessoas com mais de 70 anos reduziu o risco de internação dos imunizados em 80%. Nos Estados Unidos, o número de mortes entre residentes de casas de repouso despencou 66%. Os bons ventos começam a fazer com que as fronteiras internacionais pouco a pouco se abram. O Brasil, porém, permanece como um pária. Há restrições para os brasileiros em diversos países de todos os continentes. O jornal americano The New York Times categorizou a situação do país como um alerta de risco para o mundo, sobretudo pelo surgimento da variante nascida em Manaus e o avanço vagaroso da imunização. A publicação mira na falta de liderança sem embasamento científico do presidente Jair Bolsonaro. O nível de irresponsabilidade chegou a tal ponto que se fala no Congresso em uma CPI da Covid. Apurar responsabilidades por essa catástrofe é importante, mas a situação exige priorizar um acordo nacional para acelerar ao máximo a imunização. Todos os esforços têm de ser direcionados na busca das doses necessárias — um processo que está em andamento e num momento péssimo. Depois, haverá bastante tempo para punir os responsáveis. O pacto pela vida pode ser resumido assim: vacina, vacina, vacina. Colaboraram Tatiana Farah e Alexandre Senechal Publicado em VEJA de 10 de março de 2021, edição nº 2728

VEJA/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 05/03/2021 às 03h00

VEJA ouviu especialistas e analisou as experiências bem-sucedidas de outros países. No cenário mais otimista, com a entrega das doses compradas e o aumento do ritmo de vacinação, os números de mortes e casos cairão ainda neste semestre t .-u \ 1'%** r- ' i Í wi j rf — VEJA ouviu especialistas e analisou as experiências bem-sucedidas de outros países. No cenário mais otimista, com a entrega das vacinas compradas, o número de casos e mortes pode cair ainda neste semestre MARIANA ROSÁRIO, GABRIEL MASCARENHAS E EDUARDO GONÇALVES 22 10 OE MARÇO. 2021 CAPA: MONTAGEM CXM FGTC6 DE SHlfTTERSTOCX FILA Drive-thru em São Paulo: “As próximas duas semanas serão as mais duras e graves" diz João Doria fiin do ano passado, o Brasil demorou até o dia 17 de janeiro para começar as aplicações, ainda assim, graças à insistência do governador paulista João Doria (PSDB) e ao trabalho do Instituto Butantan no desenvolvimento da CoronaVac em parceria com os chineses da Sinovac, vacina combatida e ironizada por Jair Bolsonaro durante muito tempo por picuinhas com o político tucano, até que a falta de alternativas o levou a ceder. Até hoje, ela é responsável por oito em dez vacinas aplicadas no Brasil. Desde 18 de janeiro, início da imunização nacional, foram distribuídas irrisórios 18,4 milhões de doses aos postos de saúde e drive-thrus. Sem a CoronaVac, a situação seria ainda pior. “As próximas duas semanas serão as mais duras e graves", afirmou Doria, ao anunciar na quarta 3 a re| gressão de São Paulo à fase mais se! vera de restrições de circulação, me§ dida de emergência adotada também § por vários outros estados, como Rio 3 Grande do Sul e Bahia. O sufoco atual da vacinação a con- Vacina, vacina, vacina. O mundo inteiro sabia que essa era a principal forma de combater a pandemia. A ciência fez a sua parte e entregou em prazo recorde mais de uma solução. Sem estar protegido contra males como o negacionismo, a busca por uma pílula mágica de tratamento preventivo e a falsa dicotomia entre saúde e economia, o país fez praticamente tudo de errado desde o início na guerra contra o vírus e está fracassando agora também na campanha de imunização. Por aqui, o ritmo diário de vacinação não tem passado de 0,1 para cada 100 pessoas. Israel, maior referência atual no mundo nessa questão, avança onze vezes mais rápido e colhe os frutos desse esforço, com redução de 41% de casos de Covid. Enquanto a nação do Oriente Médio já protegeu mais da metade de sua população com uma dose, o Brasil atingiu até agora apenas 3.5% das pessoas. Não por acaso, vem batendo recordes sucessivos de casos e de mortes, o que levou os hospitais públicos e privados a um nivel de exaustão inédito na história. Tamanho atraso é fruto direto de uma catástrofe de planejamento. Enquanto outras nações já haviam iniciado o processo de imunização no ta-gotas só começará a ser aliviado a partir do fim de abril, quando a Fiocruz entregará o primeiro lote (30 milhões) do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório AstraZeneca, mas agora formulado e envasado na instituição do Rio de Janeiro (principal aposta do governo federal para proteger a população, as vacinas do tipo aplicadas até agora no Brasil foram importadas da índia). Em paralelo, o Butantan vem aumentando sua capacidade de entrega. Em breve, ao que tudo indica, será a vez dc as vacinas da Pfizer e da Janssen engrossarem a lista. Na quarta-feira, como revelou a coluna Radar, o governo brasileiro oficializou a intenção de com- 10 DE MARÇO. 2021 23 DESOLAÇÃO Pazuello e a cidade de Brasília fechada (ao lado): “A situação fugiu completamente do controle" pra de 138 milhões de doses dessas fabricantes para 2021. Caso esses contratos sejam realmente assinados (a expectativa é que isso ocorra na próxima semana), o Brasil tem acertado para receber de abril até dezembro 465 milhões de doses, quantidade suficiente para imunizar toda a população (além de CoronaVac, Oxford/ AstraZeneca, Pfizer e Jansscn, o pais firmou acordos com a indiana Covaxin e o consórcio Covax). Os avanços recentes representam um alivio, mas o movimento ainda é insuficiente para garantir o aumento Substancial na velocidade de imunização de que o Brasil precisa diante da crise. Uma conta dá a dimensão do desafio. De acordo com cálculos de especialistas consultados por VEJA, se o país tivesse para distribuição imediata os 465 milhões de doses, nada menos que 70% da população estaria imunizada até o fim do ano. Infelizmente, não é factível contar imediatamente com todas essas vacinas, dados os prazos de entrega dos fabricantes e os consideráveis enroscos burocráticos ainda a ser superados. Mas o Brasil precisa se aproximar dessa meta o máximo possível — e o cenário para os meses seguintes permite algum otimismo. Do total de 465 milhões de doses garantidas ou cm vias de ser contratadas, cerca de 45% têm um cronograma definido para distribuição até julho. Elas serão suficientes para vacinar todas as pessoas mais vulneráveis, como homens e mulheres acima de 60 anos. A imunização vai gerar um impacto em 76% das mortes e 56% de internações, no mínimo. O problema é que, mesmo no caso dos contratos já assinados, não será simples cumprir à risca o plano em um ambiente em que os fabricantes enfrentam dificuldades para honrar com os prazos devido à enorme e urgente demanda mundial. Por aqui, percalços do tipo levaram a interrupção da campanha de vacinação no mês passado por alguns dias em cidades como o Rio. Nas negociações em estágio avançado de andamento, o desafio será maior. Tome-se como exemplo o caso da Pfizer. Os contatos começaram em agosto e, em dezembro. o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a anunciar a possibilidade de receber um primeiro lote ainda em 2020. Nada disso aconteceu e, enquanto as conversas com o governo 0 TAMANHO DO DESAFIO Os cenários possíveis para que a atual campanha de vacinação atinja no Brasil a chamada “Imunidade do rebanho”, com 70% da população imunizada, e a projeção de quanto tempo é preciso para que os números de mortes comecem a regredir alo concreto veio no mesmo dia com aprovação no plenário da Câmara do projeto dc lei 534/21, que prevê que a União, estados e Distrito Federal e municípios assumam os riscos relacionados a eventuais efeitos adversos que possam ter as vacinas — a cláusula foi colocada sob medida para destravar a negociação com a Pfizer. Qualquer demora nessa fase de garantir uma vacinação em massa é fatal, como bem ilustra o caso brasileiro. A falta de planejamento e as falhas de gestão contribuíram decisivamente para milhares de mortes desnecessárias, um saldo trágico que federal se arrastavam, a farmacêutica negociou com mais de sessenta paiscs. Agora, o Brasil vai entrar na Fila de espera. A previsão inicial é de 8 milhões de doses em junho, e o restante, 92 milhões, somente para o Fim do ano. As negociações com a empresa americana avançaram no último Fim de semana com ajuda do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que virou o mediador entre o Planalto e os gestores estaduais. Ele foi o responsável por dar a boa noticia aos governadores em almoço na terça 2.0 primeiro A SITUAÇÃO ATUAL A No ritmo do momento de aplicações, com as vacinas já compradas e a distribuição de 0.1 dose para cada 100 habitantes, seriam necessários nunca será apagado da história. O cenário nas UTIs é de enorme preocupação. Levantamento da Fiocruz revelou que dezoito estados mais o Distrito Federal têm lotação de leitos acima dos 80%. A nova escalada de casos no Brasil está ligada, sobretudo, ao abandono progressivo das medidas de isolamento e às inaceitáveis aglomerações vistas no Fim do ano e no Carnaval. O isolamento social no pais. que jamais chegou ao desejável patamar de 70%, atingiu agora míseros 33%. “Está claro que o comportamento de risco resultou no aumento da doença", diz o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês e reitor do Centro Universitário Saúde ABC. Para além do quesito comportamental, não se pode ignorar o papel das novas mutações do coronavírus. A brasileira, originada cm Manaus, tem uma potência dez vezes maior de transmissão. Para enfrentar esse inimigo implacável. o país contou até agora com apenas duas armas, a CoronaVac e a Oxford/AstraZeneca. Por falta de mais munição, em vez de vacinar 1 milhão dc pessoas por dia, que é a capacidade inicial brasileira, a média diária raramente ultrapassa 20% desse potencial. No dia 17 de fevereiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, entregou uma planilha aos governadores com a previsão da chegada dos novos lotes de vacina. Extremamente otimista, esse plano inclui acordos de compra ainda não totalmente formalizados (Pfizer e Janssen) e outros em estágios ainda mais embrionários de negociação com os fabricantes e sem aprovação da Anvisa, a exemplo da Sputnik V, da Rússia. O documento tinha o objetivo de tranquilizar os políticos. que começaram a se desesperar Para as taxas de mortes começarem a regredir com a Imunização, seriam necessários 1357 dias + 686 dias Aproximadamente 3 anos e 7 meses i Aproximadamente 1 ano e 10 meses A PROMESSA DO GOVERNO Se todas as doses reservadas pelo Ministério da Saúde começarem a ser usadas agora, a população estaria protegida em 203 dias Para as taxas de mortes começarem a regredir com a imunização, seriam necessários + 96 dias M= * As projeções incluem o acordo de intenção de compra dos 138 milhões de doses da Pf izer e Janssen oficializado em 3 de março * * Dias esnmados para que a popUaçôo de risco, formada por idosos com mais de 60 anos, profissionais de saúde, indígenas e portadores de doenças crônicas, seja imunizada — ela corresponde a 76% das mortes e 56% das hospitalizações por Covid-19 no Brasil 10 DE MARÇO. 2021 2S BRASIL y JÀ. SAÚDE com o tamanho da crise. O gesto teve efeito colateral, aumentando a sensação de insegurança dos governadores quanto à atuação de Pazuello. Até a logística, a suposta maior especialidade do ministro, provou-se um fiasco. Na semana passada, um avião levou 78 0 00 frascos de vacina destinados ao Amazonas para o Amapá, que esperava apenas 2000 doses. Segundo agentes que acompanharam a trapalhada, o erro foi da equipe da planilha do Ministério da Saúde, que trocou os lotes na hora do registro, e só percebeu a confusão quando a aeronave já havia decolado. A barbeiragem foi consertada no dia seguinte. O comandante de Bolsonaro na linha de frente da pandemia tem a exata medida da catástrofe produzida pelo coronavírus. Numa conversa recente com um integrante da base aliada. Pazuello admitiu: “A situação fugiu completamente do nosso controle". I lá pouco mais de duas semanas, o Ministério da Saúde emitiu uma nota oficial em que pedia ajuda à Casa Civil para destravar as negociações com Pfizer e Janssen, dois laboratórios, que, segundo o governo, vinham fazendo exigências que não são permitidas pela legislação brasileira. O que parecia apenas uma solicitação de cooperação entre dois braços do Executivo na verdade expõe uma antiga insatisfação de Pazuello. Desde o fim do ano passado, ele vinha se queixando a pessoas de sua confiança que considerava injustas as cobranças pelo insucesso das conversas com Pfizer e Janssen. Achava que isso não podia cair na sua conta. Justificava que sua caneta não tinha tamanho para assinar um contrato que desrespeitava as leis brasileiras e que tal passo dependería de uma decisão de governo. Em outras palavras, Pazuello estava dizendo que cabia ao Palácio do Planalto, e não ao seu ministério, dar uma solução ao imbróglio. O ministro também anda dizendo a amigos que se sente injustiçado por ser alvo de uma investigação aberta pela PGR para apurar, entre outras coisas, por que sua pasta estimulou o tratamento de Covid-19 com hidroxicloroquina. Em conversas particulares, Pazuello diz ainda que nunca foi ncgacionista, tampouco defensor ideológico desse remédio. Defende-se dizendo que reza a cartilha de seu chefe e põe na rua as políticas públicas desenvolvidas pelo corpo técnico. Para mais de uma pessoa, já EVOLUÇÃO PREOCUPANTE 0 número de casos e de mortes do Brasil, na média móvel de sete dias, têm aumentado em 2021 na comparação com Estados Unidos, Reino Unido e Israel, países com os programas de vacinação mais avançados m ESTADOS UNIDOS K BRASIL B3 E ISRAEL X BRASIL E3 CASOS JAN m 6329822 BS 1528758 n FEV 2498366 1346528 PORCENTAGEM 00 TOTAL AMERICANO 24,2% MAR* 119831 95667 In i i > 53,9% 79,8% MORTES 97384 29555 li 30,3% FEV 73587 30438 MAR* 2885 2419 0 I I i * 41,4% 83,8% CASOS IAN FEV =£= 223921 134587 S3 1528758 1346528 MAR' 4557 95667 682% 1000% 2099% 26 10 0E MARÇO. 2021 deixou claro que não compactua com uma parte considerável das pregações do capitão. “O problema é que o ministro da Saúde na verdade se chama Jair Bolsonaro. Apesar de ser uma pessoa afável, o Pazuello é inepto, não se comunica bem e, quando fala, é inseguro, nunca tem certeza de nada’’, critica um governador. A lentidão da pasta em acelerar o programa de imunização levou os chefes de executivo estaduais a tentar resolver o caso negociando diretamente novos contratos com os fabricantes. Eles se uniram em um consórcio encabeçado por Rui Costa (PT), da Bahia, visitaram fábricas e fizeram reuniões com as embaixadas da Rússia, China e índia c com empresários. O resultado mais concreto que o movimento gerou até aqui foi o de aumentar a pressão sobre o Ministério de Saúde. A retomada de conversas com a Pfizer foi con- SEM NOÇÃO Bolsonaro em mais uma aglomeração: o negaclonismo do presidente continua em alta tabilizada pelo grupo como uma vitória dessa tática de atuação para tirar a pastada inércia. No momento em que o pais mais precisa de ações coordenadas, nunca foram tão grandes as diferenças entre as autoridades estaduais e federais. Nos últimos dias. de forma a evitar o desgaste de levar sozinhos a culpa pelas medidas restritivas de circulação (necessárias e urgentes, mas altamente impopulares), os gestores estaduais pediram ao Ministério da Saúde que baixasse uma determinação em prol do isolamento social em nível nacional. Na opinião deles, uma simples declaração do presidente ou do titular da pasta nesse sentido já poderia ser mais eficaz do que um lockdown para manter a população em casa. “Teríamos uma adesão maior da população’’, afirma Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde. De Pazuello, só veio o silêncio. E de Bolsonaro, a postura totalmente contrária. Em um espaço de dois dias, o presidente conseguiu desacreditar com pa- m REINO UNIDO X BRASIL B2 MORTES JAN 1421 29555 2079% FEV 979 30438 3109% MAR* 44 2419 * O 5497% CASOS JAN 1363200 1528758 MORTES FEV MAR* JAN FEV MAR* 374 431 11490 33023 17134 248 1346528 95 667 29555 30438 2419 Eil ^ at. II £ FfflCEWAGEM 00 TOTAL BRITÂNICO III I • • • * 112% 359% 832% 89.5% 177% 975% ' Até o d>a 2 de março 10 OE MARÇO. 2021 27 lavras e atitudes as duas ferramentas cientificamente comprovadas que podem ajudar a conter a pandemia. Em uma live, desestimulou o uso da máscara ao citar um “estudo” de uma “universidade alemã" que dizia que elas eram prejudiciais às crianças — na verdade, a pesquisa se referia a uma enquete on-line feita por cinco docentes da pouco conhecida Universidade YVitten/Herdeck. No dia seguinte, Bolsonaro provocou aglomeração de centenas de pessoas ao inaugurar obras viárias em Tianguá, no Ceará — estado que vive o seu pior momento na crise. Ameaçou ainda os governadores de que não enviaria o dinheiro do auxílio emergencial àqueles que decretassem o lockdown. Como cereja do bolo de sandices, divulgou em redes sociais dados distorcidos sobre repasses de verbas aos estados, levantando suspeitas sobre desvios de recursos por parte de governadores. A reação veio em forma de uma carta dura, assinada por dezenove chefes de Executivos estaduais. Segundo o texto, a gestão Bolsonaro usa “instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público”, para produzir “informação distorcida e gerar interpretações equivocadas”. Enquanto se abre um novo capítulo da crise federativa, o capitão segue firme na cruzada negacionista. Até quem entra no seu gabinete com o rosto protegido ganha cara feia como se fosse uma ofensa direta a ele. No último domingo, Bolsonaro recebeu os ministros Pazuello, Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco (DEMMG), respectivamente, para uma reunião no Palácio da Alvorada. Na ocasião, abriu seu repertório de palavrões para criticar os tockdowns decretados em alguns estados. No mesmo encontro, porém, sinalizou que o governo deve agilizar a compra de vacinas, tão bombardeadas por ele desde sempre. Em outra reunião recente, o presidente da Anvisa, Antonio Barra forres, repetiu em privado o que já havia dito numa live: gostaria de se vacinar ao lado do chefe. Bolsonaro rechaçou na hora e reiterou que não dará o braço a torcer. Aos olhos internacionais, o Brasil virou exemplo de tudo o que não se deve fazer no combate à pandemia e, diante do descalabro de gestão, tornou-se também um perigoso laboratório para o desenvolvimento de novas cepas — já são pelo menos duas novas mutações nascidas aqui, a do Amazonas e outra, em estágio mais inicial, no Rio de Janeiro. O mundo, por outro lado, começa a colher os resultados positivos da vacinação em massa, combinados às políticas mais eficazes de isolamento social. No Reino Unido, a vacinação de pessoas com mais de 70 anos reduziu o risco de internação dos imunizados em 80%. Nos Estados Unidos, o número de mortes entre residentes de casas de repouso despencou 66%. Os bons ventos começam a fazer com que as fronteiras internacionais pouco a pouco se abram. O Brasil, porém, permanece como um pária. Há LONGE DO IDEAL O Isolamento social no pais nunca atingiu a taxa de 70%, o índice mínimo para o controle de casos na pandemia ■ 19 DE FEVEREIRO DE 2020 Ames da primara morte no Brasil, com a divulgação de casos na Europa ■ 22 DE MARÇO DE 2020 A maior taxa registrada, nas primaras semanas de quarentena ■ 2 DE MARÇO DE 2021 0 menor índice registrado neste ano 28 10 DE MARÇO. 2021 ALÍVIO 0 primeiro-ministro britânico Boris Johnson: redução de 80% nos riscos de internação restrições para os brasileiras em diversos países de todos os continentes. O jornal americano The New York Times categorizou a situação do pais como um alerta de risco para o mundo, sobretudo pelo surgimento da variante nascida em Manaus e o avanço vagaroso da imunização. A publicação mira na falta de liderança sem embasamento cientifico do presidente Jair Bolsonaro. O nível de irresponsabilidade chegou a tal ponto que se fala no Congresso em uma CPI da Covid. Apurar responsabilidades por essa catástrofe é importante, mas a situação exige priorizar um acordo nacional para acelerar ao máximo a imunização. Todos os esforços têm de ser direcionados na busca das doses necessárias — um processo que está em andamento e num momento péssimo. Depois, haverá bastante tempo para punir os responsáveis. O pacto pela vida pode ser resumido assim: vacina, vacina, vacina. ■ Colaboraram Tatiana Farah e Alexandre Senechal