Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

CRESCER ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 05/03/2020 às 14h45

Em tempos de coronavírus (COVID 19), as crianças devem ir à escola? Essa dúvida já deve ter passado pela cabeça de muitos pais. Até o momento, não há nenhuma recomendação para os pequenos ficarem em casa, se não estiverem com os sintomas. No entanto, é preciso ficar de olho nos cuidados que devem ser tomados para evitar a contaminação e propagação do vírus, visto que o Brasil já confirmou quatro casos de pessoas que foram infectadas pelo COVID 19. Para esclarecer as dúvidas dos leitores, conversamos com especialistas, que revelaram o que se sabe por enquanto sobre o vírus e deram dicas de como proteger as crianças, tanto na escola como em casa. Confira! Quais são os riscos para as crianças? Elas não estão no grupo dos quadros mais graves.

Até o momento, a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês (SP), diz que a letalidade nessa faixa etária é próxima de zero. Mas, é preciso avaliar cada caso, já que crianças que passaram por um transplante recente ou estão realizando sessões de quimioterapia podem ter comportamentos diferentes. Os especialistas ainda não sabem porque o coronavírus estaria "poupando" as crianças. De acordo com informações do Today Parents, na China, onde o surto começou, as crianças representam apenas 2,4% dos casos de infecções pelo COVID 19. E desses casos, apenas 2,5% apresentaram sintomas mais graves. Além disso, em todo mundo, ainda não foram relatados casos de crianças que foram a óbito.

Quais são os cuidados na escola?

Quando chegam à escola, as crianças brincam juntas e compartilham brinquedos. Sendo, assim, é quase impossível controlar esse contato. No entanto, a infectologista Mirian explica que uma das dicas mais essenciais é conscientizar os alunos quanto à etiqueta da tosse (cobrir a boca com a parte interna do braço quando for tossir ou espirrar) e à higienização das mãos, não só devido ao coronavírus, mas também por causa de várias outras viroses que podem ser transmitidas. Para Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas e Maternidade Pro Matre Paulista (SP), o ideal, assim, é lavar bem as mãos e várias vezes. Toda a superfície delas deve ser lavada, inclusive embaixo das unhas e entre os dedos. O álcool em gel também é extremamente eficaz. Quanto ao uso de vinagre para lavar as mãos, não há nenhum estudo que comprove sua eficácia.

Meu filho pode ir à escola?

Depende. Se a criança não demonstra nenhum sintoma de febre, tosse ou coriza, não há nenhuma recomendação para ela ficar em casa. No entanto, se ela começar a apresentar esses sintomas, os pais devem evitar de levá-las à escola, porque o vírus, mesmo que seja o de umaa gripoe comum, pode se propagar. Quando devo levar meu filho ao hospital? Ao constatar que estão doentes, as pessoas, geralmente, pensam em ir ao pronto-socorro. Isso se agrava quando falamos de crianças, já que elas são mais vulneráveis. Mas, nem sempre ir a um hospital é o mais recomendado, pois nesse tipo de lugar, há grande circulação de vírus e outras doenças contagiosas. Como o coronavírus tem sintomas semelhantes aos da gripe, como tosse, febre e dor de garganta, é possível que as pessoas fiquem assustadas e corram logo para o hospital sem necessidade.

Por isso, é preciso manter a calma e avaliar os sintomas. No caso das crianças, os pais devem acompanhar seu quadro clínico. Se o filho estiver mais cansado, respirando com dificuldade, com febre e sem vontade de brincar, o recomendado é levá-lo ao médico, porque é possível que ele precise de um suporte para a respiração.

É recomendado o uso de máscaras em lugares com aglomeração, como o transporte público?

Não. De acordo com a especialista Rosana Richtmann, as máscaras são eficazes em situações específicas. Para profissionais da saúde, por exemplo, o uso é recomendado porque a proximidade com os pacientes que já tem algum sintoma aumenta o risco de infecção. Outra situação em que a máscara é extremamente eficaz é para o paciente doente, pois ela diminui a chance de ele disseminar partículas de saliva contaminada no ambiente. Agora, o que está acontecendo é uma procura muito grande por máscaras entre a população em geral e os hospitais, onde as máscaras são essenciais para a rotina, estão começando a ter dificuldade de compra.

As crianças que viajaram para um país com grande circulação do vírus devem fazer o teste?

Não. As crianças só devem ir ao hospital fazer o diagnóstico do coronavírus se estiverem doentes. "Ir sem os sintomas não é recomendado. Mesmo que a criança tenha viajado para uma área com grande risco de infecção. Essa atitude pode lotar os pronto-socorros sem necessidade", diz Mirian.

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Data Veiculação: 05/03/2020 às 10h41

Ministério da Saúde confirmou primeiro caso de coronavírus no Brasil (Foto: Reprodução/ Twitter) Ministério da Saúde disse que menina aguardava a contraprova (Foto: Reprodução/ Twitter) O Minisério da Saúde incluiu a menina de 13 anos na lista de infectados com coronavírus (COVID 19). A informações foi divulgada pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (5). No início da manhã, o órgão havia divulgado que como a paciente não apresentou sintomas como febre e dificuldade para respirar, eles não a incluiriam na lista de confirmados, mas logo depois o ministério voltou atrás e confirmou o quarto caso. De acordo com o ministério a decisão foi tomada por um grupo de especialistas que estiveram reunidos nesta quinta-feira (5), em Brasília.

"Quatro elementos levaram a definição do caso como confirmado: resultado do exame de contraprova realizado pelo Instituto Adolf Lutz (IAL); local provável de infecção (Itália); possibilidade do uso de medicação para tratar uma lesão que pode ter mascarado os sintomas; e, ainda, a possibilidade de a paciente apresentar sintomas provocados pelo coronavírus nos próximos dias", afirma a nota do ministério. Após retornar da Itália neste domingo (1), a menina fez um teste em um laboratório particular e recebeu o resultado positivo, mas ainda esperava a contraprova que seria realizada pelo Instituto Adolfo Lutz. Durante sua viagem, ela acabou sofrendo uma lesão de ligamento e teve que dar entrada em um hospital. Como ela foi a um ambiente hospitalar, ela decidiu fazer o teste de diagnóstico para o coronavírus, mesmo não tendo os sintomas. Segundo o ministério, a jovem foi atendida no Hospital Beneficência Portuguesa, na última terça-feira, onde coletaram a amostra que foi encaminhada ao Laboratório Fleury. O resultado do exame foi positivo. A contraprova foi realizada pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).

O IAL realizou e comprovou o resultado do laboratório particular. Com a confirmação do resultado, a menina segue em isolamento domiciliar e seus familiares estão sendo monitorados. Até o momento, o Brasil está monitorando 531 suspeitos. É possível ter vírus e ser assintomático? De acordo com a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês (SP), baseado no comportamento de outros vírus respiratórios, é possível que uma pessoa tenha o vírus e não desenvolva os sintomas. No entanto, no caso da menina que espera a contraprova, a especialista alerta que ainda é cedo para falar que ela é totalmente assintomática. "Ela pode não ter tido febre ou falta de ar, mas pode ter sentido uma leve dor de garganta. Ainda é preciso apurar melhor", diz.

A especialista afirma ainda que, mesmo a menina sendo assintomática aparentemente, não é necessário pânico quanto ao diagnóstico do coronavírus. A infectologista recomenda que a ida hospital só seja realizada se o paciente tiver os sintomas do coronavírus. No entanto, caso alguma pessoa tenha ido para uma área de grande propagação do vírus, é indicado que não tenha contato com grupos de riscos, como os idosos. "Não existe um remédio específico para o coronavírus, nós tratamos apenas os sintomas, se não há sintomas, não há quadro clínico",