Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 04/05/2021 às 18h35

A pandemia agravou outra pandemia que a sociedade já enfrenta há 30 anos, mas que vinha sendo silenciada por causa da estigmatização: a da saúde mental. “A gente tem a oportunidade de agora realmente escutar”, afirma Leandro Pereira Garcia, gerente sênior de gestão de saúde populacional na Amil /UHG. O médico participou de uma Live do Valor sobre o tema no último dia 29. Uma pesquisa recente feita pela Fundação Dom Cabral (FDC) e Talenses Group, obtida com exclusividade pelo Valor, indica que a pandemia prejudicou a saúde mental de 73,8% dos 573 profissionais entrevistados. Do total, 40% ocupam posições gerenciais e 20,5% são diretores, VPs, C-Level ou conselheiro. Entre as mulheres (que são 45% dos entrevistados), a pandemia prejudicou mentalmente 80,92% delas. O indicador também foi alto entre os mais jovens. Na geração Z (nascidos a partir de 1991), 80,65% disseram ter sido afetados. “Uma primeira explicação é que as gerações mais novas têm pouca autonomia, recebem as atividades para fazer e há pouco espaço para colocar intencionalidade, seu próprio ponto de vista”, afirma o coordenador da pesquisa Paul Ferreira, professor de gestão estratégica e diretor do Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral. Isso vai contra o que boa parte dessa geração espera da carreira. “Os mais jovens aceitam o trabalho por algo além do salário, tem a questão do propósito, de ter a oportunidade de fazer ‘o que eu faço melhor’, de impactar a sociedade. Essas questões estão afetadas pela pandemia, por não haver interações sociais”, disse. As mulheres, por sua vez, têm a sobrecarga das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos, que ainda hoje recaem sobre o sexo feminino. “Percebemos que a produtividade das mulheres cai em relação a dos homens quando se tem uma ou duas crianças em casa”, afirma Luiz Valente, CEO do Talenses Group. “Em paralelo, notamos que mesmo com uma percepção semelhante sobre a mudança no nível de cobrança por parte dos gestores entre homens e mulheres, uma parcela maior delas se sente pressionada a trabalhar mais para mostrar sua produtividade aos respectivos gestores. Aspectos como esses podem influenciar e impactar de diversas maneiras a vida das mulheres de forma negativa.” É um ambiente que parece piorar algo que já não estava bom. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) obtidos em um levantamento do ano passado mostram que o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. “Com esse cenário, é urgente discutirmos o papel das organizações sobre o tema e as ações necessárias em prol da saúde mental dos colaboradores”, afirma Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Junto com a Sociedade Brasileira de Psicologia e a InPress Porter Novelli, a Rede Brasil do Pacto Global lançou recentemente o movimento #MenteEmFoco. “É um espaço gratuito para as empresas levarem as melhores práticas para outras companhias replicarem e gerar mais conhecimento nesse tema tão importante”, diz Pereira. A iniciativa já conta com a participação de Ambev, Unilever, Hospital Sírio-Libanês, UPS, Grupo Conexa, Mapfre e Afya Educacional. Ainda são poucas as empresas que endereçam o tema da saúde mental no Brasil: 18%, segundo Pereira. Mas algo, de fato, já está sendo feito. A Bee Touch, uma startup fundada em 2012 que oferece serviços de avaliação psicológica para empresas, registrou um aumento de avaliações durante a pandemia de 38%. “Mais empresas estão utilizando a plataforma para avaliar, predizer e monitorar os riscos psicossociais entre os seus colaboradores”, afirma Ana Carolina Peuker, CEO e fundadora da Bee Touch. Para a empreendedora, hoje há uma maior conscientização sobre o impacto da saúde mental na força produtiva e isso aumentou a demanda pelo monitoramento digital de saúde mental. “A crise pandêmica colocou uma lupa em problemas psicológicos que já existiam entre os colaboradores, mas que foram exacerbados pela crise. Hoje, atendemos clientes com diferentes graus de maturidade, desde os inativos, que não sabem quais ações tomar quanto às questões de saúde mental, até aqueles que já estão numa posição reativa, buscando agir.” Na Astellas Farma Brasil, falar de qualidade de vida está na pauta há alguns anos e, desde 2018 a companhia focou no pilar de saúde mental com o lançamento do “Origami-se”. Laís Mastantuono, diretora de recursos humanos da farmacêutica, diz que se trata de um programa de gestão emocional que tem como objetivo desmistificar o tema saúde mental e trazer para discussão tópicos considerados tabus, como ansiedade e depressão. Além disso, apresenta aos funcionários ferramentas de autoconhecimento e gestão do estresse. “O maior benefício observável do programa foi, sem dúvida, a criação de um ambiente ainda mais aberto e leve, uma maior conexão entre nossas pessoas e um maior senso de pertencimento, gerando ainda mais engajamento”, afirma Laís. Desmistificar o tema da saúde mental também foi o objetivo do feriado corporativo decretado pela SAP globalmente no último dia 27 de abril para seus mais de cem mil funcionários. “A proposta foi chamar atenção para a necessidade de se manter atento à saúde mental e passar uma mensagem clara sobre a necessidade de realizar um balanceamento saudável entre vida pessoal e profissional”, afirma Fernanda Saraiva, diretora de recursos humanos da SAP Brasil. “Esse equilíbrio se faz ainda mais necessário diante de um momento desafiador como o atual, e quisemos reforçar a necessidade de falar abertamente sobre o tema no ambiente corporativo, sem estigmas e pré-julgamentos.” Em pesquisa interna global, a empresa constatou que um terço de seus funcionários estava passando por níveis de estresse superiores aos níveis de satisfação no trabalho. A multinacional tem um programa de saúde mental chamado “Mental Health Matters” desde 2019. O objetivo é justamente criar um ambiente seguro e livre de preconceitos para se falar abertamente de doenças mentais, prevenção e bem-estar na área de saúde psicológica. Oferecer um ambiente psicologicamente seguro é fundamental para prevenir questões de saúde mental entre os funcionários. “O quão seguro psicologicamente é o ambiente de trabalho para permitir que o indivíduo diga que está sofrendo assédio moral, que seu sofrimento é devido a coisas que acontecem no ambiente de trabalho?”, questiona Lisiane Bizarro, da Sociedade Brasileira de Psicologia. Para a especialista, se há abertura e acolhimento para o diálogo, há maior chance de a queixa ser feita pelo funcionário e endereçada de maneira coletiva pela empresa. “Se houvesse resolução, talvez muitas coisas fossem evitadas. Mas se isso não é bem recebido, a pessoa vai acomodando aquele sofrimento começa a usar medicação. É um cenário que gera uma preocupação diária do que ela vai enfrentar, e vai minando a vida da pessoa. Afeta sua tomada de decisão em várias esferas.” Ana Carolina Peuker, da Bee Touch, diz ter observado na plataforma da startup dados “muito preocupantes” relacionados com alta prevalência de doenças mentais como ansiedade e depressão, abuso de drogas - álcool principalmente - e medicamentos de uso controlado, como ansiolíticos e antidepressivos. Transtornos do sono também foram comuns nos últimos mapeamentos realizados. “O local de trabalho pode ser protetor, oferecendo um ambiente seguro psicologicamente, para que todas as pessoas possam falar abertamente sobre quem elas realmente são e o que sentem”, afirma Lisiane. A construção de um ambiente seguro psicologicamente passa diretamente pelo exemplo da liderança. Carlo Pereira faz um comparativo ao mencionar a queda relevante dos acidentes de trabalho nas últimas décadas. “As empresas com caráter industrial têm o minuto para falar de segurança no trabalho antes de qualquer reunião”, diz. “Quando o CEO vai abrir um evento, ele sempre fala de segurança no trabalho. Isso foi internalizado de maneira efetiva na empresa. É um assunto trabalhado o tempo todo. Precisa ter isso para a saúde mental.” Para ele, a mensagem tem que vir da alta liderança. “Tem que ter o CEO comprando essa questão de maneira definitiva, passando essa mensagem para a empresa.” A solução para as questões de saúde mental no ambiente organizacional é complexa. “Quando se pensa em qualquer doença e estado de saúde, não se pode pensar de forma fragmentada, tem que se pensar de forma sistêmica”, diz Garcia da Amil. “As doenças têm múltiplos desencadeantes, e com a saúde mental não é diferente.” O médico explica que as condições que levam a uma boa ou má saúde mental vão desde a vida intrauterina e a infância até o trabalho, levando em conta o propósito pelo qual se exerce a atividade, a carga de trabalho e a segurança financeira, entre tantas outras razões. Para ele, quando se fala em abarcar a saúde mental, é preciso pensar em diversos aspectos: promoção e prevenção, identificação rápida e recuperação de quadros de agravo mental e inclusão. Para Garcia, pensar apenas em ações pontuais de bem-estar como mindfulness e ginástica não é suficiente. “O mindfulness é fantástico, mas não deve ser aplicado sozinho, como solução total”, diz. “Ações que foquem o sistema de trabalho como um todo, uma liderança acolhedora, um ambiente promotor do diálogo, de confiança tanto para o CEO como para quem está dirigindo o ônibus. Quando a gente pensa na estrutura social do trabalho como um todo os resultados tendem a ser melhores. Não é que uma coisa seja contra a outra. Mas não se pode ficar com a cereja do bolo e esquecer do bolo.”

ÉPOCA ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 04/05/2021 às 17h09

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta presta depoimento nesta terça (04/05) a senadores na CPI da Covid19, que investiga ações de omissões de autoridades na pandemia. Questionado pelos senadores se houve alguma proposta técnica do presidente Jair Bolsonaro ao ministério quando estava na pasta, Mandetta afirmou que não e que "o que havia ali era um mal estar". "O que havia ali era outro caminho, que ele decidiu, não sei se através de outras pessoas ou por conta própria", afirmou. "Era muito constrangedor explicar porque o ministério estava indo por um caminho e o presidente por outro." Mandetta também afirmou que Bolsonaro foi alertado das consequências de não ouvir a ciência, inclusive com a projeção de alto número de mortes caso as medidas indicadas pela OMS não fossem seguidas. "Todas as recomendações, as fiz. Em público, nos boletins, nos conselhos de ministros, diretamente ao presidente, a todos os secretários de Saúde", afirmou Mandetta. "Nunca tive discussão áspera, mas sempre coloquei (as recomendações) de maneira muito clara." Também afirmou que o isolamento social teria sido uma medida adequada no início da pandemia, quando era ministro. "Naquele momento era fundamental que se fizesse uma fala una em relação à prevenção e que se fizesse o isolamento", afirmou. "Primeiro porque tínhamos baixo número de casos. E porque essa doença entrou pelos ricos, estava no hospital Albert Einstein, no hospital Sírio-Libanês." O senador Renan Calheiros lembrou que o presidente da República se colocou contra o isolamento e defendeu o chamado "isolamento vertical", que seria apenas isolar idosos e vulneráveis. Mandetta já havia dito durante a sessão que uma das mentiras que o ministério teve que combater foi a "teoria de isolamento vertical" (de isolar apenas idosos) — algo que era defendido pelo presidente Bolsonaro. O foco dos senadores é descobrir o quanto Bolsonaro interferiu nas ações do ministério e se a postura de Bolsonaro contribuiu para a aceleração do contágio e do número de mortes causadas pelo coronavírus no Brasil, que já superam 400 mil. A Comissão Parlamentar de Inquérito é composta majoritariamente por senadores oposicionistas e independentes, com 4 dos 11 senadores governistas. Mandetta afirmou que não foi diretamente pressionado pelo presidente a tomar medidas contrárias ao que era recomendado pela ciência, mas que foi publicamente confrontado, o "que dava uma informação dúbia à sociedade". "Sim, a postura (do presidente) trouxe um impacto (negativo). Você tem que ter, na pandemia, uma fala única. Esse vírus ataca a sociedade como um todo. Ele ataca o sistema de saúde a ponto de derrubá-lo", afirmou. O depoimento de Mandetta na CPI começou com atraso, porque a sessão virou campo de batalha entre governistas e opositores. Os senadores governistas pediram para fazer uma questão de ordem e reclamaram do fato de que os primeiros depoimentos são relativos à investigação das ações do governo federal. Eles queriam que houvesse alternância de depoimentos de pessoas que depusessem em relação à investigação sobre uso de recursos para o combate à pandemia nos Estados. O ex-ministro Nelson Teich, que ficou menos de um mês no cargo após Mandetta e saiu pelos mesmos motivos, também será ouvido. Recusa de campanha governamental sobre covid Questionado sobre quais eram as orientações do presidente e se ele fez alguma orientação no sentido de evitar a previsão da época de 80 mil mortes (hoje já chegamos a 400 mil), Mandetta disse que, quando explicava a situação para o presidente, Bolsonaro parecia entender — mas depois publicamente contrariava as orientações do ministério. O ex-ministro afirmou que o governo se recusou a fazer campanha oficial para orientação sobre covid, como é praxe em casos de doenças infecciosas, apesar das orientações do ministério na época. "Me lembro de ele perguntar sobre a cloroquina, falar sobre isolamento vertical, que era algo que a gente não recomendava... Mas ele tinha provavelmente alguma outra fonte, aí teria que perguntar pra ele", afirmou. Senadores perguntaram se Bolsonaro não se aconselhava com seus ministros. "Olha, eu testemunhei várias reuniões de ministros onde o filho do presidente, que é vereador no Rio de Janeiro (Carlos Bolsonaro), estava lá tomando notas da reunião", disse Mandetta. "Por essas questões indiretas, reuniões com outros médicos, eu imagino que ele construiu alguns aconselhamentos que os levaram para essas decisões, mas eu não saberia nominar." Vacinas Questionado se havia possibilidade de vacina no horizonte quando era ministro, Mandetta afirmou que tinha convicção de que a humanidade iria conseguir desenvolver vacinas contra a doença, mas que na sua época no ministério as vacinas ainda estavam em concepção ou em fase inicial. Mas disse que, se houvesse possibilidade de encomendar vacinas durante sua gestão, "teria ido atrás das vacinas" como se tivesse fome e elas fossem um prato de comida. Visto como possível candidato de oposição a Bolsonaro em 2022, Mandetta passou quase 20 minutos listando as ações tomadas pelo Ministério da Saúde nos primeiros meses de 2020, sob seu comando, para combater a pandemia. "A posteriori, vimos muitas coisas não serem continuadas", afirmou. Disse que trabalhava para haver uma resposta conjunta de vários órgãos e instâncias à crise e que o Tribunal de Contas da União foi envolvido no grupo de trabalho para garantir a "lisura de contas". O ex-ministro afirmou que se pautava em três pilares: defesa intransigente da vida, o SUS como meio para atingir esse objetivo e o uso da ciência para orientar a ação. "O Brasil poderia ter feito mais (no combate à pandemia)", afirmou Mandetta, e disse que o país poderia ter tido vacinas muito antes se o governo seguisse a ciência. Testagem e respiradores O ex-ministro foi questionado por Renan Calheiros porque sua gestão, assim como as outras que se seguiram, não iniciou um processo de testagem em massa. Mandetta afirmou que não havia testes, mas que iniciou o processo de aquisição dos testes e que isso era sua estratégia — que depois não foi implementada pelos ministros subsequentes. Mandetta também foi questionado porque havia disputa entre Estados por compra de respiradores. O ex-ministro afirmou que o ministério interveio neste momento para centralizar a compra, mas que isso não impedia que os Estados tentassem o mesmo individualmente. Demissão Mandetta foi demitido em 16 de abril de 2020, após um mês de conflitos com Bolsonaro sobre a condução do combate a pandemia, que havia começado em março. As discordâncias iam da necessidade do isolamento social e uso de máscaras até o uso de tratamentos sem comprovação científica. Bolsonaro se recusava a aceitar recomendações científicas para o enfrentamento da pandemia e promoveu o uso de remédios como o cloroquina, que não têm eficácia contra a covid. O presidente queria que a pasta da Saúde incentivasse o uso desses medicamentos, algo que Mandetta se recusou a fazer. Na CPI, Mandetta afirmou que não pediria jamais exoneração do cargo e que foi demitido por "não negociar" "Eu tinha uma paciente doente, eu tinha que ficar com meu paciente. Eu acho que o presidente não gostou, não quis, achou por bem ter outro ministro", afirmou. Dificuldades com China e com Estados "Era mais do que necessário que tivéssemos boas relações com a China, para importar insumos, eu dependia muito do ministério das Relações Exteriores", afirmou Mandetta. No entanto, disse, não pôde contar com o Itamaraty e teve dificuldade em superar os conflitos com a China estimulados pela família Bolsonaro. "O filho, Eduardo, tinha rotas de colisão com a China por tweets, falas", afirmou. O ex-ministro também afirmou que a decisão do STF que permitiu que Estados e Municípios continuassem tomando medidas contra a pandemia foi acertada e que uma harmonia com os Estados e municípios era "exatamente" o que ele imaginava que poderia ser melhor para todos. Pazuello avisa que não irá Na quarta (05/05), o dia tinha sido integralmente reservado ao depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, No entanto, a informação citada na CPI nesta terça foi de que o general teve contato com militares que estavam doentes e não poderá comparecer na quarta por risco de estar com covid. Pazuello já teve covid e se recuperou, mas existe a possibilidade de contrair a doença mais de uma vez. "Ele vai sem máscara para o shopping e não pode vir para a CPI", reclamou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que não é titular da comissão mas participava da seção como observadora. Senadores governistas tentaram fazer com que o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello fosse virtual. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que, se Pazuello precisa fazer quarentena, a comissão poderia aguardar 14 dias, mas o depoimento das pessoas convocadas precisa ser presencial. "O Exército tem fé pública, se o comandante do exército disse que Pazuello teve contato com militares contaminados, eu não preciso de exames, a gente aguarda 14 dias e pronto", afirmou Aziz. Depoimento mais aguardado Pazuello ficou dez meses no cargo e foi demitido em março. Ele se alinhou totalmente aos desejos de Bolsonaro no combate à pandemia e chegou a dizer que não tinha conflitos com o presidente porque "um manda e outro obedece". Como foi o ministro que ficou mais tempo no cargo durante a pandemia, enfrenta as acusações de maior responsabilidade sobre a escalada de mortes no país. O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), elencou uma lista de problemas que devem ser temas de questionamento a Pazuello: Preocupado com o bombardeio previsto contra Pazuello, o governo elaborou uma lista de 23 possíveis acusações a serem enfrentadas na CPI, e solicitou aos ministérios que preparem respostas a essas questões. O documento, elaborado pela Casa Civil e revelado pelo portal UOL, inclui acusações como: Além de preparar material para municiar as respostas de Pazuello, a Casa Civil também está treinando o general para depor na CPI, segundo reportagem do jornal O Globo. O ex-ministro tem sido alvo até mesmo de "fogo amigo". Em recente entrevista à revista Veja, Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, atribuiu à "incompetência e ineficiência" da gestão Pazuello o fracasso na aquisição de 70 milhões de vacinas da Pfizer. A CPI deve aprovar nesta terça a convocação para Wajngarten depor na próxima semana. Na quinta, serão ouvidos o atual ministro Marcelo Queiroga e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Como a CPI começou A CPI foi aberta por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido de senadores que afirmavam que a Presidência do Senado estava ignorando o pedido para instalação da comissão, mesmo com os três requisitos formais cumpridos. O pedido de autorização para CPI foi feito ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em fevereiro, mas não foi levado a diante pelo senador, que contou com apoio de Bolsonaro para comandar o Senado. Conforme esses parlamentares, o pedido de autorização havia sido feito em fevereiro ao presidente do Senado, que contou com apoio de Bolsonaro na eleição para comandar a Casa no último mês de fevereiro. Pacheco afirmou ao STF que estava esperando o "momento oportuno", mas o Supremo decidiu que a criação da CPI não está sujeita a "omissão ou análise de conveniência política por parte da Presidência da Casa Legislativa" caso seus três requisitos sejam cumpridos. O STF já determinou a instalação de comissões parlamentares de inquérito anteriormente. Nos governos petistas, foi o caso da CPI dos Bingos, em 2005, e da CPI da Petrobras, em 2014. O governo reagiu defendendo a ampliação do escopo da investigação, inicialmente centrada no governo federal. Assim, após requerimento feito pelo senador Eduardo Girão (Pode-CE), também serão discutidos os repasses federais a Estados e municípios.