Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 21h08

As máscaras caseiras precisam seguir uma série de orientações para serem eficazes e só devem ser usadas quando sair de casa for inevitável. Em São Paulo, a dona Ivanilda, que é costureira, está fazendo máscaras para compensar a falta de trabalho. "Eu trabalho com uniformes operacionais, aí teve muita venda que foi cancelada. Aí pessoas me procuraram fazer as máscaras e eu comecei a confeccionar as máscaras. Hoje eu estou confeccionando, mais ou menos, 150 peças por dia para pronta-entrega”, diz. É possível fazer máscaras de pano em casa. Uma opção é pegar um pano, dobrar duas vezes, colocar elásticos um em cada lado e em seguida dobrar as pontas e puxar os elásticos. A máscara está pronta. O Ministério da Saúde dá essas orientações: a máscara deve ter, pelo menos, duas camadas de tecido e pode aproveitar o tecido de uma roupa velha ou de uma cortina, por exemplo. Ela deve cobrir bem a boca e o nariz, e precisa de elásticos ou tiras para amarrar acima das orelhas e abaixo da nuca. A máscara é individual - não deve ser compartilhada. O ministério alerta que cada um da família precisa ter as suas próprias máscaras. Mais de uma para cada pessoa, porque cada máscara deve ser usada por, no máximo, duas horas. Se você realmente precisar sair de casa, leve ao menos uma máscara reserva, protegida de qualquer sujeira, e uma sacola para guardar a máscara suja depois. Na volta para casa, as máscaras usadas devem ser lavadas com água sanitária, em molho durante dez minutos. Mirian dal Bem, infectologista do Sírio-Libanês, explica como colocar a máscara: “Na hora da colocação da máscara, garantir mão higienizada com água e sabão ou álcool gel, para evitar mão potencialmente contaminada próxima das mucosas. Coloca a máscara, garantir que a máscara está aderida ao rosto. Se for fazer em casa, escolher modelo que fique bem aderente ao rosto. Durante uso da máscara, evitar de levar mãos ao rosto. Se precisar ajustar a máscara, sempre higienizar as mãos para evitar contaminação, e na hora de tirar a máscara fazer a mesma coisa. Higieniza a mão com água e sabão ou álcool gel e retira a máscara por trás ou pelo elástico ou por aquela amarraçãozinha de pano.” Agora: dependendo de como você usa, a máscara não serve para nada. Pior: ela pode, até, aumentar o risco de contaminação. Colocar a mão no rosto, perto do nariz, da boca ou dos olhos, é a forma mais comum de levar esse vírus para dentro do nosso corpo. E os médicos alertam que quem não está acostumado a usar máscara acaba colocando a mão - porque ela incomoda, pode dar a sensação de calor, coceira. É preciso prestar muita atenção. E lembrar que a máscara é apenas mais um recurso contra o vírus. O mais importante é não sair de casa, manter o isolamento social e cuidar da higiene das mãos. O infectologista Jamal Suleiman, do hospital Emílio Ribas, alerta: não dá pra relaxar nas medidas de segurança só por estar de máscara. “Quando você estimula o uso desse tipo de equipamento, é exatamente o que vai acontecer. A pessoa se sente segura, porque ela está de máscara”, diz. Renan Neves dos Reis faz entregas como motoboy, um serviço essencial. Ganhou uma máscara de pano da avó. Repórter: Toda hora que você vai entregar você coloca a máscara? Motoboy: Isso, coloco a máscara. Então, a gente se previne e previne as outras pessoas. Em São Paulo, a dona Ivanilda, que é costureira, está fazendo máscaras para compensar a falta de trabalho. "Eu trabalho com uniformes operacionais, aí teve muita venda que foi cancelada. Aí pessoas me procuraram fazer as máscaras e eu comecei a confeccionar as máscaras. Hoje eu estou confeccionando, mais ou menos, 150 peças por dia para pronta-entrega”, diz. É possível fazer máscaras de pano em casa. Uma opção é pegar um pano, dobrar duas vezes, colocar elásticos um em cada lado e em seguida dobrar as pontas e puxar os elásticos. A máscara está pronta. O Ministério da Saúde dá essas orientações: a máscara deve ter, pelo menos, duas camadas de tecido e pode aproveitar o tecido de uma roupa velha ou de uma cortina, por exemplo. Ela deve cobrir bem a boca e o nariz, e precisa de elásticos ou tiras para amarrar acima das orelhas e abaixo da nuca. A máscara é individual - não deve ser compartilhada. O ministério alerta que cada um da família precisa ter as suas próprias máscaras. Mais de uma para cada pessoa, porque cada máscara deve ser usada por, no máximo, duas horas. Se você realmente precisar sair de casa, leve ao menos uma máscara reserva, protegida de qualquer sujeira, e uma sacola para guardar a máscara suja depois. Na volta para casa, as máscaras usadas devem ser lavadas com água sanitária, em molho durante dez minutos. Mirian dal Bem, infectologista do Sírio-Libanês, explica como colocar a máscara: “Na hora da colocação da máscara, garantir mão higienizada com água e sabão ou álcool gel, para evitar mão potencialmente contaminada próxima das mucosas. Coloca a máscara, garantir que a máscara está aderida ao rosto. Se for fazer em casa, escolher modelo que fique bem aderente ao rosto. Durante uso da máscara, evitar de levar mãos ao rosto. Se precisar ajustar a máscara, sempre higienizar as mãos para evitar contaminação, e na hora de tirar a máscara fazer a mesma coisa. Higieniza a mão com água e sabão ou álcool gel e retira a máscara por trás ou pelo elástico ou por aquela amarraçãozinha de pano.” Agora: dependendo de como você usa, a máscara não serve para nada. Pior: ela pode, até, aumentar o risco de contaminação. Colocar a mão no rosto, perto do nariz, da boca ou dos olhos, é a forma mais comum de levar esse vírus para dentro do nosso corpo. E os médicos alertam que quem não está acostumado a usar máscara acaba colocando a mão - porque ela incomoda, pode dar a sensação de calor, coceira. É preciso prestar muita atenção. E lembrar que a máscara é apenas mais um recurso contra o vírus. O mais importante é não sair de casa, manter o isolamento social e cuidar da higiene das mãos. O infectologista Jamal Suleiman, do hospital Emílio Ribas, alerta: não dá pra relaxar nas medidas de segurança só por estar de máscara. “Quando você estimula o uso desse tipo de equipamento, é exatamente o que vai acontecer. A pessoa se sente segura, porque ela está de máscara”, diz. Renan Neves dos Reis faz entregas como motoboy, um serviço essencial. Ganhou uma máscara de pano da avó. Repórter: Toda hora que você vai entregar você coloca a máscara? Motoboy: Isso, coloco a máscara. Então, a gente se previne e previne as outras pessoas.

FOLHAMAX/CUIABÁ
Data Veiculação: 02/04/2020 às 21h00

Médicos, enfermeiros e fisioterapeutas da rede pública e privada do município de Sorriso vão participar nesta sexta-feira (03), das 19h às 20h30, de um curso de capacitação sobre a utilização de respiradores com o médico intensivista do Hospital Sírio Libanês Wilder Reverte da Costa. A iniciativa busca assegurar a prestação de atendimento adequado aos pacientes que vierem a ser acometidos pelo novo coronavírus. O curso será transmitido ao vivo pelo Telesaúde da Secretaria de Estado de Saúde. Posteriormente, também será divulgado na plataforma de Ensino a Distância (EAD) do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e encaminhado à Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). De acordo com os organizadores, a capacitação ocorrerá na Unidade de Pronto Atendimento de Sorriso (UPA), localizada na Avenida Porto Alegre, 586, centro da cidade. Na recepção da unidade será disponibilizado álcool gel para higienização e máscaras cirúrgicas aos participantes. Além de ser médico intensivista pelo Hospital Sírio Libanês, o palestrante também é membro titular da Associação de Medicina Intensiva Brasileira e da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 18h53

A Folha responderá neste espaço às dúvidas dos leitores sobre o novo coronavírus. Quer saber se o que está sentindo são sintomas da Covid-19? Se pode fazer ginástica na academia? Que tipo de produto deve ser usado para limpar superfícies? Mande sua pergunta para duvidascoronavirus@grupofolha.com.br. As respostas serão atualizadas regularmente. Veja abaixo alguns conteúdos já publicados que podem servir de ponto de partida: - Quais são os sintomas do novo coronavírus? - Tudo o que você precisa saber sobre o novo coronavírus - Vídeo mostra como lavar as mãos; saiba como se proteger - Veja eventos, feiras e passeios afetados pelo mundo - Mapa mostra disseminação da doença no mundo - O que o turista precisa saber sobre coronavírus antes de viajar - Veja onde procurar informação oficial sobre o coronavírus FILTRAR TODOSHIGIENE E LIMPEZAGRUPOS DE RISCOPROTEÇÃO E TRATAMENTOSCONTÁGIO E TRANSMISSÃOCONVÍVIO SOCIAL E ISOLAMENTOFAKE NEWS 18h28 2.abr HIGIENE E LIMPEZA Coronavírus não consegue se reproduzir em tapetes ou outras superfícies Recebi uma mensagem de que foi constatado na Alemanha, que o tapete na porta de entrada pode ser um criadouro do vírus. Isso procede? Diferentemente das bactérias, os vírus só conseguem se reproduzir dentro de uma célula viva.Por isso, não é verdade que o coronavírus, ou outros tipos de vírus, consigam se reproduzir e proliferar em qualquer tipo de superfície. A reportagem também não encontrou registros de que tenha ocorrido contaminação por tapetes na Alemanha. Estudos feitos até o momento mostraram que o coronavírus consegue sobreviver durante horas em alguns tipos de superfícies. Apesar do comportamento do Sars-Cov-2 em tapetes não ter sido descrito, o professor do Instituto de Química da USP Reinaldo Bazito explica que é possível imaginar que nessa superfície o vírus tenha comportamento semelhante ao observado pelos cientistas sobre o papelão. "São basicamente fibras de materiais naturais. O vírus pode permanecer ativo nessas superfícies, provavelmente, mas se as pessoas mantiverem a higiene básica de calçados ao entrar em casa e a higienização periódica dos tapetes, a princípio não deveria haver uma maior preocupação", diz. Bazito conta que, em sua própria casa, tem adotado o procedimento de tirar os sapatos na porta e higienizar a sola com um pano do tipo perfex ou similar molhado com solução diluída de água sanitária com um pouco de detergente (1 xícara de café de água sanitária por litro de água). O professor afirma ainda que é um exagero recomendar a substituição do capacho pôr panos molhados com água sanitária e que higienizar a sola dos sapatos já basta. "Isso é provavelmente contraproducente. O hipoclorito de sódio [princípio ativo da água sanitária] vai se degradando com o tempo. O pano ficaria sujo e a água sanitária iria progressivamente perdendo o efeito desinfectante". Vale também a recomendação geral para evitar tocar o rosto após ter contato com superfícies e de trocar de roupa ao voltar pra casa, especialmente para quem pega transporte público e fica mais exposto ao contágio. *(Géssica Brandino) table(articleGraphic). |/3.(articleGraphicSpace). |(articleGraphicCredit). Eduardo Knapp/Folhapress|/3.(articleGraphicSpace). | |(articleGraphicImage). Capachos não são criadouros de vírus de nenhum tipo| |(articleGraphicCaption). Capachos não são criadouro de vírus de nenhum tipo| Compartilhar 14h00 2.abr GRUPOS DE RISCO Nível elevado de açúcar no sangue piora a resposta imune ao novo coronavírus, diz especialista Não tenho diagnóstico de diabetes, mas estou sempre batendo no teto quanto à glicose em meus exames: devo tentar eliminar o consumo de açúcar para ficar mais fora dos grupos de risco? Assim como hipertensão e condições cardíacas, a diabetes aparece frequentemente na lista das doenças que podem elevar os riscos na enfermidade causada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2, a Covid-19. Isoladamente, é a segunda causa mais associada a quadro grave em pacientes diagnosticados para o novo coronavírus -doenças cardíacas são a principal. Segundo Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a diabetes está associada a um quadro agravado de Covid-19 por acarretar uma piora no sistema imunológico. "A toxicidade da glicose elevada no sangue piora em muito a resposta imune", diz. Assim, quando um paciente está sem controle do nível de açúcar no sangue, qualquer doença infectocontagiosa pode se desenvolver em um quadro clínico mais sério. Cohen explica que os pacientes de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, se estiverem tomando medicamentos para controle dessas enfermidades, poderão ter um ganho imunológico, uma vez que o organismo está sob controle. O médico frisa que o controle por medicamentos e do consumo de açúcar não evitam o contágio, mas podem diminuir a chance da evolução do quadro para uma forma crítica. No entanto, é importante saber que taxa de glicose elevada isoladamente não é indicativo de diabetes ou de quadro agravado. O especialista ressalta ainda que, se nos exames a glicemia em jejum dá alterada junto com outros índices, como hemoglobina glicada e triglicérides, esses valores já representam um diagnóstico de diabetes. Do contrário, não existe nenhum indicativo de que a alta do açúcar vá agravar um quadro infeccioso como o contágio do novo coronavírus. "Em outras epidemias virais respiratórias, como a gripe H1N1, nenhum dos estudos apontou uma relação de agravamento do quadro em pacientes com taxa de glicose alta", afirma. Os cuidados, no entanto, são importantes para evitar a associação com outras enfermidades. Os pacientes com a chamada síndrome metabólica -sobrepeso, sedentarismo, glicemia, colesterol e triglicérides elevados no sangue- associados a outras enfermidades, como hipertensão, apresentam risco dez vezes maior de ter uma piora em qualquer tipo de infecção, bacteriana ou viral, segundo Cohen. "Nós temos discutido nos grupos de médicos que a melhor orientação é conversar com os nossos pacientes e adequar a medicação nessa época de pandemia, pois ela vai ajudar a controlar o sistema imunológico. E isso aliado a uma alimentação saudável e prática de exercícios físicos", completa. (Ana Bottallo) 24.mar.20 - FRANCK FIFE/AFP Mulher usa aparelho para medir índice de glicemia no sangue em Paris, França, durante a quarentena determinada pelo governo para conter o avanço da Covid-19 causada pelo novo coronavírus Mulher usa aparelho para medir índice de glicemia no sangue Compartilhar 12h00 2.abr PROTEÇÃO E TRATAMENTOS Por ora, ainda não há exame de sangue acessível à população para determinar anticorpos para o novo coronavírus, dizem especialistas Sabendo que várias pessoas poderão ter tido a doença de forma assintomática ou muito leve, como eu poderia saber se já estou imunizado, se eu for um caso destes? Existe algum exame que possa comprovar esta imunização? O debate sobre quais seriam os anticorpos produzidos contra o Sars-CoV-2 no nosso organismo e como detectá-los não deve ser resolvido tão cedo. Estudos recentes indicam que já é possível identificar, com uma certa confiabilidade, anticorpos no sangue de pessoas que já tiveram Covid-19 em até quatro dias após a contaminação. "Quando temos uma infecção viral, nosso organismo responde primeiro com a produção dos chamados IgM, que são característicos da fase aguda da contaminação. Eles podem aparecer em pacientes com sintomas já a partir do segundo ou do terceiro dia de infecção", explica Renato Astray, farmacêutico e pesquisador de virologia do Laboratório Multipropósitos do Instituto Butantan, em São Paulo. Astray relata que, após essa fase de infecção aguda, vem uma resposta imunológica mais específica, que é a produção de anticorpos que vão se ligar diretamente ao agente viral, os chamados IgG. "Os anticorpos IgG estão associados à memória imunológica e, em uma segunda infecção, o corpo vai produzir diretamente essas células de defesa para conter a infecção e impedir o quadro agudo", completa. Em relação às pessoas assintomáticas, o cientista explica que os sintomas de uma infecção, seja ela viral ou bacteriana, têm mais relação com a resposta imunológica do nosso corpo do que com o agente contagiante em si. "O vírus está lá entrando nas células humanas e replicando seu material genético. O nosso sistema imune identifica que aquela não é uma célula normal e produz anticorpos para atuar em cima. E é a partir daí que vêm os sintomas -febre e inflamação são alguns dos efeitos desse combate", explica. De acordo com o cardiologista Luiz Francisco Cardoso do Hospital Sírio-Libanês, é por isso que existe a possibilidade de pacientes assintomáticos voltarem para casa e apresentarem sintomas de febre até uma semana depois. "Na fase aguda, existe o teste [para o Sars-CoV-2] do RT-PCR (reação em cadeia de polimerase em tempo real), que identifica a presença do vírus. Mas esse teste pode dar falso negativo em até 40% dos casos. Aí o paciente volta para casa e, se tiver sintomas alguns dias depois, faz novo teste e pode detectar anticorpos IgM e IgG", diz. O exame que busca anticorpos de memória é muito usado para infecções como a mononucleose ou a toxoplasmose, nas quais o paciente nem sabia que teve, explica Cardoso. Existe ainda, no entanto, a possibilidade que estes anticorpos sejam de memória para outros coronavírus com os quais a população humana já teve contato. "No futuro poderemos realizar esses testes mais específicos [de anticorpos para o novo coronavírus] em exames de sangue de rotina. O problema é que agora o custo é elevado e não tem como ser aplicado em larga escala, ainda mais com uma pandemia em curso", conclui. (Ana Bottallo) NELSON ALMEIDA/AFP Vista aérea do hospital de campanha construído no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, que foi entregue na última quarta-feira (1) Vista aérea do hospital de campanha construído no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, que foi entregue na última quarta-feira (1) Compartilhar 10h02 2.abr CONTÁGIO E TRANSMISSÃO Conjuntivite é sintoma pouco frequente do novo coronavírus É possível ter tido sintoma do coronavírus apenas nos olhos? Estou com uma conjuntivite viral fortíssima que peguei em Nova York. Tive muita dor, desconforto e gânglios inchados. Estudos realizados na China mostram que a conjuntivite foi um sintoma relatado por de 3% a 5% dos pacientes com diagnóstico de Covid-19, mas não houve registros no Brasil até o momento, segundo o presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e professor da Universidade Federal de Goiás, José Beniz Neto. O médico afirma que a prevalência de casos de conjuntivite sobe para 30% em pacientes com quadro grave do novo coronavírus. A inflamação costuma aparecer no período de 3 a 7 dias a partir da infecção. Para saber se a conjuntivite está relacionada à Covid-19, é preciso observar se há outros sintomas, como tosse seca e febre. "É mais difícil aparecer sozinha, mas não impossível. O mais comum é acompanhar outros sintomas". Nos quadros leves e moderados de conjuntivite, o tratamento é feito por meio de lubrificação com colírios. Medicamentos devem ser usados somente em casos mais graves, conforme recomendação médica. Antibióticos não são indicados, uma vez que a causa é viral. "Normalmente, a conjuntivite é reversível, autolimitada e tem um período de cura como qualquer virose, que ocorre com a recuperação do organismo. No momento ainda não houve relatos de que possa causar cegueira", afirma. O oftalmologista diz que até o momento há controvérsia sobre a presença do vírus na lágrima. Para evitar o contágio, ele recomenda evitar contato com outras pessoas e não coçar os olhos. Beniz afirma que, devido ao contato mais próximo com os pacientes, médicos oftalmologistas e otorrinos têm tido maior ocorrência de coronavírus em outros países. A orientação é que os profissionais, assim como os pacientes, utilizem equipamentos de proteção individual durante a consulta, como máscaras cirúrgicas e luvas quando houver contato nos olhos. (Géssica Brandino) Danilo Verpa/Folhapress Conjuntivite pode aparecer, com pouca frequência, como um sintoma de Covid-19 Conjuntivite pode aparecer, com pouca frequência, como um sintoma de Covid-19 Compartilhar 18h54 1.abr GRUPOS DE RISCO Obesidade pode estar associada a quadros mais graves de infecção por novo coronavírus Obesidade (sem diabetes e hipertensão) é fator de risco? Os dados levantados sobre a nova pandemia em todo o mundo mostram que a obesidade é um fator que eleva o risco de desenvolver quadro grave de Covid-19. No Reino Unido, 7 em cada 10 pacientes com o Sars-CoV-2 em UTIs são obesos –na população geral, eles são 64%. Segundo o médico Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, uma das principais consequências que a obesidade traz ao organismo é a deficiência no sistema imunológico. De acordo com Cohen, a gravidade de qualquer quadro infeccioso é aumentada por essa resposta imune defasada. "É importante ressaltar que o paciente obeso vai ter um quadro agravado se ele não puder controlar esse ganho de peso. A chamada síndrome metabólica, quando o nível de glicemia e colesterol está lá nas alturas, acarreta uma resposta muito tardia do sistema imunológico", diz. Como medida de prevenção, Cohen destaca que os pacientes devem se consultar com seus endocrinologistas para adequar tratamentos, caso sejam usuários de medicamentos para controle de glicemia e colesterol, por exemplo. Ressalta ainda que suspender medicação não é recomendado de maneira alguma. "O uso do medicamento obviamente não vai reverter o quadro daquele paciente da noite para o dia, mas o importante não é perder peso, e sim evitar o ganho de novo peso, mantendo assim o sistema imune ativo", completa. Nesta quarta-feira foi reportada a morte de um jovem de 23 anos por Covid-19. Com quadro de obesidade, o gastrólogo do Rio Grande do Norte tornou-se a vítima mais jovem da doença no Brasil até o momento. (Ana Bottallo) World Obesity Federation Pessoas com obesidade devem evitar ganho de peso, que pode agravar quadro de Covid-19 Pessoas com obesidade devem evitar ganho de peso, que pode agravar quadro de Covid-19 Compartilhar 16h16 1.abr HIGIENE E LIMPEZA Luz solar pode inativar o vírus, mas maior prevenção ainda é higienização Qual a resistência do Sars-CoV-2 à exposição solar? Objetos sensíveis ao álcool ou à água e sabão, tais como celulares, embalagens de papelão, carteiras de couro e outros, podem simplesmente ser deixados ao sol para matar o vírus? Segundo o farmacêutico e pesquisador do Laboratório de Multipropósitos do Instituto Butantan Renato Astray, os raios UV presentes na luz solar podem ajudar a inativar o vírus. "Em experimentos em laboratório a inativação é muito rápida, em questão de segundos, devido à alta intensidade de raios UV." No entanto, outros especialistas colocam em questão a eficácia desse método no cotidiano. O professor do Instituto de Química da USP Reinaldo Bazito argumenta que a luz solar que incide na superfície passa por filtros naturais como a camada de ozônio, chegando com uma quantidade de raios UV-C -que seriam capazes de inativar o vírus- muito pequena, quase nula. "A princípio podem acelerar um pouco a inativação, mas nada que ocorresse rapidamente", afirma. Bazito lembra que, mesmo objetos delicados como os citados na pergunta podem, em algum grau, ser higienizados com uso de panos úmidos com quantidades diluídas de água e sabão ou de álcool isopropílico. No caso de artefatos de couro, o sol resseca o material, o que traria ainda mais danos. O maior problema, segundo o químico, são as superfícies que muitos tocam, depositando o vírus por contato, ou que poderiam receber gotículas aerossóis quando alguém espirra, tosse ou fala. "Quanto de vírus se deposita em uma carteira de couro ou mochila? Se a pessoa não compartilhou o objeto ele não deve ter grande exposição ao vírus." No caso de objetos pessoais, o cuidado com a higiene é importante, mas seguindo recomendações técnicas dos especialistas, conclui Bazito. (Ana Bottallo) 01.abr.20 - Filippo Monteforte/AFP Um homem sem teto lê jornal em um banco enquanto toma sol no centro de Roma durante a quarentena total que o país italiano vive desde o início de março Um homem sem teto lê jornal em um banco enquanto toma sol no centro de Roma durante a quarentena total que o país italiano vive desde o início de março Compartilhar 14h17 1.abr PROTEÇÃO E TRATAMENTOS Produtos à base de mel não servem para tratar coronavírus Por que não foram criados compostos à base de mel para tratar os sintomas do coronavírus, com substâncias como bromelina, própolis concentrado em meio alcoólico, lembrando que álcool consegue matar o coronavírus na porcentagem adequada que todos sabemos ser em torno de 70%? Eliminar um vírus do organismo humano é uma tarefa que exige medicamentos capazes de destruí-lo sem com isso matar as células infectadas. No caso do novo coronavírus, esse medicamento ainda não existe e cientistas de diversos países trabalham para desenvolvê-lo. Sobre mel e produtos derivados, a infectologista Raquel Stucchi afirma que eles não têm qualquer efeito para eliminar o coronavírus ou mesmo outros vírus que provocam doenças respiratórias, como H1N1 e influenza. A professora de fitoterapia da UFMG Maria das Graças Lins Brandão afirma que remédios caseiros, como mel e chás, só são indicados para tratar problemas de saúde simples. "O vírus é extremamente patogênico, virulento e remedinho caseiro nenhum dará conta de combatê-lo" diz. Sobre o mel, a farmacêutica explica que seu efeito é como demulcente, ou seja, alivia a irritação das mucosas, ajudando na tosse. "A princípio não haveria uma contraindicação, mas, num quadro grave como o que vivemos, a procedência do produto é o mais importante, porque ele pode ter contaminações e até sujidades que vão prejudicar. Infelizmente a qualidade desses produtos naturais no Brasil é muito precária", diz. Em relação à própolis, ela alerta que, pelo fato de ser um antibiótico, o uso frequente pode baixar a imunidade, o que também não é recomendado no momento, e que o álcool presente no produto não tem efeito. Vale lembrar que a ingestão de álcool não protege contra o vírus e que boatos sobre seu uso via oral mataram dezenas de pessoas no Irã. Sobre a bromelina, Brandão diz que é uma enzima muito instável presente no abacaxi e que não vê de que forma poderia ajudar. Em vídeo com alertas sobre mentiras em torno do coronavírus, o médico Drauzio Varella ressalta que não existe medicamento que melhore o sistema imunológico contra o vírus e que é preciso desconfiar de informações que circulam na internet e seguir as orientações dos órgãos de saúde. (Géssica Brandino) Leia mais Eduardo Knapp/Folhapress Não há nenhuma evidência que aponte o mel com um medicamento eficaz contra o novo coronavírus Não há nenhuma evidência que aponte o mel com um medicamento eficaz contra o novo coronavírus Compartilhar 12h00 1.abr CONTÁGIO E TRANSMISSÃO Ter tido dengue não coloca paciente em grupo de risco do coronavírus, diz epidemiologista Tive dengue duas vezes. Por esse histórico, tenho risco de ter complicações mais sérias se contaminado pelo coronavírus? Pessoas em tratamento estão mais suscetíveis? Uma vez infectadas pelos dois agentes simultaneamente, o risco é maior? O novo coronavírus chegou ao Brasil no período em que o país convive com uma epidemia mais conhecida, a da dengue. Dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que, de 29 de dezembro a 21 de março, foram registrados mais de 441 mil casos prováveis da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, com número maior de casos na região centro-oeste, no Acre e no Paraná. A epidemiologista Glória Teixeira afirma que não há registro de que pessoas que tiverem qualquer dos diferentes tipos de dengue venham a ser consideradas parte dos grupos com maior risco do novo coronavírus. "Até onde li nas publicações científicas, não tem nenhum trabalho dizendo que se você tem anticorpos para um vírus da dengue você tem agravamento do quadro clínico da Covid-19", diz a médica, que é pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz. Pelo fato de boa parte da população de algumas cidades já ter tido dengue, caso isso se comprovasse, o cenário no país seria pior do que o registrado até o momento, acrescenta Teixeira. "Seria uma catástrofe maior do que a que já estamos vendo. Faria com que a nossa epidemia fosse muito mais grave." Quem está tratando uma infecção por dengue deve fazer repouso e se alimentar adequadamente para melhorar a defesa do corpo, diz a médica. "Se você tem dengue e imediatamente depois a Covid-19, obviamente suas defesas estão mais frágeis, mas isso não significa que essa pessoa está mais suscetível à doença do que os outras." Segundo a epidemiologista, é rara a possibilidade de coinfecção -em que uma pessoa tem duas infecções virais ao mesmo tempo. Em Singapura, ela afirma que testes de pacientes com Covid-19 chegaram a dar falso-positivo para dengue, por isso alerta para que os agentes de saúde estejam atentos aos sinais da doença, como marcas na pele, dor abdominal e manifestações hemorrágicas. "É preciso dar atenção básica desde a porta de entrada e pensarmos que simultaneamente está acontecendo o aumento dos casos de dengue, chikungunya, zika e de Covid-19. O que mais preocupa é um paciente que chega com dengue não ter a hidratação correta e os profissionais de saúde não estarem atentos ao fato de que estamos vivendo a epidemia [da doença transmitida pelo mosquito]", afirma. (Géssica Brandino) Fotolia O mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus da dengue O mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus da dengue compartilhar 9h59 1.abr CONTÁGIO E TRANSMISSÃO Contágio em sauna pública na China indica que coronavírus resiste a alta umidade e calor A que temperatura o vírus morre? O contágio de oito pessoas pelo novo coronavírus em uma sauna na província de Jiangsu, China, pode indicar que o Sars-CoV-2 é resistente à alta umidade e ao calor. O estudo de caso, publicado na revista científica Jama (Journal of the American Medical Association), analisou dados coletados de janeiro a fevereiro de 2020 em uma sauna pública para homens na cidade de Huai'an, que fica a 700 km a nordeste de Wuhan, epicentro da pandemia. A sauna é um complexo de mais de 270 m2 com chuveiros, piscinas e saunas. A temperatura nos diferentes ambientes varia de 25 até 41 ºC, e a umidade do ar é de aproximadamente 60%. Com isso, os cientistas apontam que os resultados contrastam com o senso comum de que o vírus teria uma capacidade de transmissão limitada em condições muito úmidas e quentes. Não foi possível saber qual foi o trajeto dos infectados na sauna, com exceção do paciente nº1 que, segundo Qilong Wang, um dos autores do estudo, utilizou apenas o chuveiro no complexo. As atividades realizadas no local pelos demais pacientes são desconhecidas. Wang disse à Folha apenas que não houve contato direto entre eles -nenhum dos frequentadores se conhecia. "As rotas de transmissão podem ser as [já conhecidas] gotículas respiratórias ou contato, mas os nossos resultados apontam que a fonte de transmissão do novo coronavírus pode continuar infectante no ambiente com altas temperaturas e umidade", completa Wang. Leia mais Zhao Qirui - 30.mar.20/Xinhua Estudantes passam por ponto de checagem de temperatura corporal em Huai'an, na China, onde foi feito estudo de caso sobre sauna Estudantes passam por ponto de checagem de temperatura corporal em Huai'an, na China, onde foi feito estudo de caso sobre sauna Compartilhar 18h01 31.mar HIGIENE E LIMPEZA Vinagre e bicarbonato de sódio não servem para nenhum tipo de limpeza Posso usar vinagre para matar o coronavírus? E bicarbonato de sódio? No conhecimento popular, diz-se que vinagre ou bicarbonato de sódio são bons produtos para a limpeza doméstica. Na verdade, são totalmente ineficazes. "Para limpeza, normalmente é necessário, como componente ativo, um detergente (tensoativo), que é o ingrediente que permite remover sujidades. Vinagre (um ácido fraco diluído) e bicarbonato de sódio (um sal) não têm essas características", explica o professor do Instituto de Química da USP, Reinaldo Bazito. Ele explica que uma solução possível, recomendada por exemplo pelo Ministério da Saúde da Austrália, é fazer uma dissolver 1 xícara de café de água sanitária em 1 litro de água, ainda com adição de detergente, para também tornar-se limpante. Clauber Larre - 13.mar.2020/Folhapress Prateleiras com falta de sabonetes e desinfetantes no Madrid Supermercados, em São Paulo Prateleiras com falta de sabonetes e desinfetantes no Madrid Supermercados, em São Paulo A aplicação deve ser feita com pano úmido e deve-se deixar o produto fazer efeito por ao menos dez minutos, sem seca-lo após a aplicação. Bazito alerta que a mistura pode danificar metais, mas é boa para outras superfícies. O professor a usa para limpar os sapatos quando chega da rua. "A questão é inativar o vírus, remover a capa que recobre o seu RNA", finaliza. Para as mãos, ele lembra, o melhor mesmo é água com sabão e, se não for possível, álcool em gel. (João Gabriel)

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 17h56

A alegria de voltar pra casa após o diagnóstico de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o empresário José Agostinelli conhece bem. Ele é de Gravatal, no Sul catarinense, e precisou ficar 12 dias internado. Em vídeo mostrado no Jornal do Almoço desta quinta-feira (2), ele destacou a sensação de usufruir da vida. "Gostaria de deixar um recado para que todo mundo fique em casa, todo mundo obedeça a orientação da Vigilância Sanitária", disse. Recuperada da Covid-19, professora de SC reforça a importância do isolamento social “Quem diria que há duas semanas atrás eu poderia ter a felicidade de estar caminhando assim pelo meu jardim”, declarou em vídeo. “Passei dias terríveis dentro do hospital porque o isolamento mexe muito com o psicológico e com o físico da pessoa. A pessoa está debilitada", disse. Sintomas e transmissão do coronavírus — Foto: Amanda Paes/Arte G1 Ele ficou internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e não teve o estágio mais grave da doença, não precisando de ventilação mecânica. Mas nem por isso sentiu menos medo. Só depois dos dias de angústia, veio o alivio. “Foi uma coisa que, além do físico, o psicológico tem que trabalhar muito porque a gente está isolado. A recuperação, graças a Deus, foi muito boa. Agora eu estou aqui, estou usufruindo já da vida, que é tão boa”, declarou. O médico pneumologista Márcio Ávila afirmou que esse acompanhamento domiciliar é importante porque as pessoas que passam bem pela infecção do coronavírus tendem à cura. "E mesmo assim necessitam manter uma quarentena domiciliar entre 10 e 14 dias, dependendo do caso”, disse. Números de SC Até as 17h30 desta quinta, Santa Catarina tinha 247 casos confirmados de Covid-19, e duas mortes pela doença. Os números foram divulgados pelo governo do estado em coletiva na noite de quarta (1º). Recuperada da Covid-19, professora de SC reforça a importância do isolamento social “Quem diria que há duas semanas atrás eu poderia ter a felicidade de estar caminhando assim pelo meu jardim”, declarou em vídeo. “Passei dias terríveis dentro do hospital porque o isolamento mexe muito com o psicológico e com o físico da pessoa. A pessoa está debilitada", disse. Ele ficou internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e não teve o estágio mais grave da doença, não precisando de ventilação mecânica. Mas nem por isso sentiu menos medo. Só depois dos dias de angústia , veio o alivio. “Foi uma coisa que, além do físico, o psicológico tem que trabalhar muito porque a gente está isolado. A recuperação, graças a Deus, foi muito boa. Agora eu estou aqui, estou usufruindo já da vida, que é tão boa”, declarou. O médico pneumologista Márcio Ávila afirmou que esse acompanhamento domiciliar é importante porque as pessoas que passam bem pela infecção do coronavírus tendem à cura. "E mesmo assim necessitam manter uma quarentena domiciliar entre 10 e 14 dias, dependendo do caso”, disse. Até as 17h30 desta quinta, Santa Catarina tinha 247 casos confirmados de Covid-19, e duas mortes pela doença. Os números foram divulgados pelo governo do estado em coletiva na noite de quarta (1º).

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 16h38

O Brasil registrou nesta quinta-feira, 2, em plataforma do Ministério da Saúde, 7.910 casos confirmados da covid-19, transmitida pelo novo coronavírus. Foram 1.074 novas confirmações nas últimas 24 horas. As mortes pela doença subiram de 241 para 299. A taxa de mortalidade está em 3,8%. Número de casos de coronavírus em cada Estado e região do Brasil O Estado de São Paulo segue sendo o mais afetado pela doença, com 3.506 casos confirmados e 188 óbitos. Em seguida, vêm Rio de Janeiro (992 casos, 41 óbitos), Ceará (550 casos, 20 óbitos), Minas Gerais e Distrito Federal (Cada um com 370 casos e 4 óbitos). A região sudeste é a que concentra o maior número de casos: 4.988, o equivalente a 63% do total. Já a região Norte, menos afetada, tem 377 casos confirmados da doença, o equivalente a 5% do total. Sistema de Saúde Embora o pico da pandemia ainda não tenha sido alcançado no Brasil, os sistemas de saúde público e privado já enfrentam sobrecarga por causa do aumento do número de internações e registram até 38% de seus leitos ocupados por pacientes com infecção suspeita ou confirmada da doença. Segundo levantamento feito pelo Estado de dados e relatos de profissionais e pacientes de 12 hospitais da rede pública e particular do País, entre eles os Hospitais Albert Einstein, o Sírio Libanês, hospitais da rede Sancta Maggiore, a Santa Casa de São Paulo e o Hospital São Paulo, o número crescente de internações por problemas respiratórios nas unidades já leva UTIs ao limite, pacientes esperam mais de 24 horas por leitos e hospitais veem sua capacidade ser tomada cada vez mais por pacientes com sintomas da covid-19. Para retardar o avanço da doença e conter a sobrecarga do sistema de saúde, o Ministério da Saúde recomenda isolamento social. Conforme publicado hoje pelo jornal O Globo e confirmado pelo Ministério da Saúde ao Estado, a pasta está sem estoques de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, para distribuir a profissionais de saúde, e aguarda resultado de negociação com fornecedores do exterior. A expectativa é que a reposição do estoque seja encaminhada ainda na noite desta quinta-feira, 2.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 14h45

O Brasil e o mundo vivem a incerteza da pandemia do novo coronavírus. Mas quais são as perspectivas para o tratamento do contágio? Esta foi uma das questões debatidas na edição de hoje do programa UOL Debate A edição desta quinta-feira da edição reuniu Drauzio Varella, médico e escritor; Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP; Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês; e Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. Para Sidney Krajner, embora diversos estudos a respeito do vírus estejam sendo realizados em vários países, ainda é cedo para dizer quais conclusões serão encontradas. "Os estudos que estão sendo feitos com medicamentos estão muito no início e não tem como afirmar qual é melhor para tal tipo de paciente. Alguns até colaborativos - o Sírio, o Einstein, existem cientistas trabalhando com vacinas, colaborações do mundo inteiro. Não é uma epidemia do Brasil, mas de todos os países", lembrou Krajner, que, por outro lado, vislumbra um legado positivo para a saúde frente à pandemia. "Vai existir uma mudança de estilo de vida, como lidamos com saúde, higiene. Vai impactar no aparecimento de formas de tratamento e prevenção, com vacinas ou medicamentos. Isso vai ser ano, ano e meio", previu. O prazo é o mesmo previsto por Marilda Siqueira. "A vacina será um grande trunfo, mas dificilmente será injetada no braço de alguém antes de um ano, um ano e meio", disse, que também espera mudanças da sociedade diante do novo coronavírus. "Uma das lições é que temos que trabalhar em uma questão de solidariedade em um mundo que cada um tem um compromisso maior com seu país, mas também do outro, desmatamento, China com mercados, falta de controle. Mudar hábitos em diversos locais e diversos países, não jogar garrafa pet na rua. Responsabilidade social. Espero que isso seja o legado desse sofrimento que o mundo está passando. Temos que sair com lições aprendidas e legado social importante como seres humanos", completou. A abordagem foi semelhante à de Drauzio Varella, tanto na expectativa por mudanças da sociedade quanto na da espera pela vacina. "A gente sabe que uma vacina vai levar tempo e não vai nos ajudar agora, mas pode surgir um tratamento com uma droga já existente que possa impedir que esses casos evoluam para uma fase de insuficiência respiratória. Vimos isso com a epidemia de Aids, remoto, que aconteceu em 1981. Quarenta anos atrás, a medicina era outra. Agora temos condição de ter um tratamento que possa mudar o curso da doença. É o melhor que a gente pode esperar", analisou. Segundo a pesquisadora Ester Sabino, "é uma epidemia de mobilidade, mas também com meio ambiente". "Não é só a China; aqui também tem muito tráfico de animais, aumenta a capacidade de doenças. Não entendemos muito bem o que aconteceu com a febre amarela. Tem outros agentes que temos que aprender e pensar em uma vida talvez menos consumista, e que destrua menos o que está ao nosso redor. Tem que parar e pensar o que é importante na sociedade", refletiu, abordando também a questão do tratamento da covid-19. "Eu acho que qualquer medicamento que diminuísse a doença grave seria mais fácil e mudaria a forma como estamos tratando o vírus. Qualquer marcador de quem já se infectou, está imune, já pode liberar algumas pessoas. A Alemanha está correndo atrás disso — tudo indica que a pessoa já esta imune, porque elas não se infectariam de novo", afirmou, citando os testes sorológicos realizados no país europeu. Já Paulo Chapchap também lembrou os esforços feitos na Alemanha e tentou tranquilizar a população diante dos números da pandemia. "Não existe uma epidemia que não tenha terminado. Seria inusitado que tivéssemos uma epidemia que ficasse para sempre. Não existe uma que tivesse mudado radicalmente o comportamento humano. Elas se encerram na medida em que as pessoas vão desenvolvendo imunidade, o vírus não encontra um hospedeiro e termina aquela ponte. Se tivermos indivíduos com imunidade, a epidemia vai se esvaindo e voltamos a uma situação de normalidade. Quando a gente diz que não está otimista, estamos falando da epidemia, do pico e do platô, mas o que aconteceu na Coreia do Sul, em Wuhan (China), mostra que existe uma tendência a uma vida mais perto a normalidade depois. Já estamos começando a usar testes sorológicos desenvolvidos na Alemanha", analisou.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 14h31

O quinto episódio de UOL Debate aconteceu nesta quinta-feira (2) e reuniu alguns dos principais protagonistas da área da saúde brasileira para avaliar as perspectivas de curto e médio prazo da crise do coronavírus. A situação do sistema de saúde brasileiro, a volta da vida ao normal, a importância essencial do isolamento social no achatamento da curva de contágio e as perspectivas para tratamento e vacinas foram os principais temas debatidos. O episódio foi mediado por Lúcia Helena de Oliveira, jornalista especializada em saúde e colunista de VivaBem. "Sua vida normal vai demorar a voltar a acontecer. Daqui a quanto tempo? Não tenho ideia", enfatizou Drauzio Varella, médico e escritor. "Estamos pagando o preço da desigualdade social. Sempre encaramos isso com naturalidade. Vamos pagar o preço de termos construído estádios na Copa [em 2014] que hoje estão sendo transformados em hospitais. Não sabemos como a epidemia vai se disseminar em um país com essa desigualdade social". "Estamos em uma situação de guerra. Esquece a vida normal, ela não vai existir por muito tempo. Não vai ser normal porque não poderá ser. É impossível fazer previsões sobre o futuro. A realidade é muito dura. Ainda bem que temos o SUS (Sistema Único de Saúde), o vilipendiado SUS, que todo mundo xinga", vocifera o médico e escritor. "Sobrevive, não necessariamente o mais inteligente, nem o mais forte, mas o que mais se adapta", foi citando Charles Darwin que Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fiocruz, ressaltou a importância do isolamento social. "Estamos numa fase de adaptação, temos que nos adaptar. Cada um de nós deve fazer a sua parte. Estamos vivendo uma situação de solidariedade". Todo mundo vai pegar? Alguns vídeos que circulam em grupos de WhatsApp, até em tom de piada, dizem que todo mundo vai ser contaminado pelo coronavírus. O assunto também foi abordado pelos especialistas. "É um vírus que, provavelmente, chegou para ficar. Provavelmente todos vamos nos infectar, a questão é saber quando. Vamos ter o vírus circulando ano que vem? Ninguém sabe", salientou Marilda Siqueira. "Tínhamos uma esperança de que o novo coronavírus seria parecido com o Sars, de 2003, os especialistas afirmam que a ciência está trabalhando para que haja uma vacina ou fármacos contra o vírus dentro de um ano. "O período de silêncio [da infecção], está para 3 a 5 semanas. Entre o início do quadro clínico e a piora do quadro pulmonar está passando de 7 a 10 dias e, mesmo na internação inicial, passa um período de mais uma semana, 10 dias. Temos um período de silêncio longo que atrapalha relação de políticas públicas", explicou Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio Libanês (SP). Subnotificação x testagem em massa em relação à subnotificação de casos de covid-19, Drauzio diz que estamos no escuro. "Os números não são confiáveis. Nós não temos testes, nós não, ninguém tem, os americanos não têm teste. Nós não temos a menor ideia. Estamos no escuro, completamente. Enquanto não testarmos todo mundo, não saberemos", ressaltou, frisando a importância da testagem em massa. Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, diferencia que o teste pode ser usado para diagnóstico para saber o tipo de gripe que o paciente pegou e também como mapeamento epidemiológico para responder até quando vai o confinamento, por exemplo: "Para saber quem já está imunizado", exemplificou. "Teste em massa tem mais um caráter epidemiológico, para entender o comportamento do vírus, do que de diagnóstico. Haja visto que a recomendação no Brasil foi para que quem está com sintomas leves e assintomáticos não seja testado", completou. "Não é um teste que vai fazer você internar um paciente". "Nenhuma epidemia tem o número de infectados que corresponde ao número real de infectados. O Brasil tem um gap importante de não ter a capacidade de produzir os testes aqui, como a Coreia do Sul. A gente não precisa saber de todos que estão, mas sim ter um bom índice que indiretamente nos diga quantos indivíduos estão infectados", pontuou Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Sabino reforça que devemos procurar bons índices que norteiem as medidas governamentais como fechar ou abrir comércio e acabar com o isolamento social, por exemplo. "Nós estamos aprendendo a entender melhor vários aspectos relacionados ao coronavírus", explicou Marilda Siqueira. "Parece que os assintomáticos excretam uma quantidade menor de vírus. No entanto, foi publicado um trabalho que mostra que vários assintomáticos possuem uma carga viral bastante alta que facilitaria a transmissão", afirmou Siqueira. "É como construir avião e voar ao mesmo tempo", exemplifica Ester Sabino. Máscara: é para usar ou não? Um assunto que se tornou polêmico nos últimos dias foi a utilização ou não de máscaras por toda a população. Os especialistas ainda foram reticentes em recomendar o uso geral. "Em ambientes em que há bastante gente têm se falado em usar a cirúrgica. Pode ser que isso faça faltar ao profissional de saúde que precisa mesmo, não só para se proteger, mas proteger o indivíduo. Como cidadão, é óbvio que a utilização mais larga dessa máscara poderia ser a recomendada. Como não existe, começaram a aparecer outros tipos, como a máscara de pano. Cuidado com ela. Tem que ter várias e lavar várias vezes. Se você molhar, ela vira fonte de retenção de vírus e bactérias e você pode estar respirando em um ambiente pior ainda", pontuou Chapchap. "Máscaras passarão, depois da pandemia, a ser um novo adorno para quem lida com o público", disse Klajner. "Espero que não", rebateu Chapchap. "Acho que a gente tem que lembrar a população que essa máscara não pode estar úmida, deve estar sem secreções. O perigo dela é dar uma falsa sensação de proteção. O uso não exclui lavar as mãos, não tocar olhos, cuidados mínimos que não podem ser deixados de lado", ressalta a pesquisadora da Fiocruz. Estrutura dos hospitais brasileiros Lucia Helena, mediadora do debate, pediu aos especialistas comentarem como está a estrutura dos hospitais brasileiros, tanto na rede pública quanto privada. Drauzio foi enfático e disse que o país não tem estrutura para enfrentar a epidemia. "Morro de medo quando vejo as UTIs que conheci no Norte, Nordeste, mas não só, é muito precária a assistência médica oferecida. O isolamento é importante porque não pode chegar todo mundo com dispneia no hospital, vai morrer com falta de ar. Temos que reduzir ao máximo o número de pessoas que chegam aos hospitais", disse. "Temos que focar na prevenção primária, para que as pessoas não se contaminem. Nenhum sistema de saúde do mundo trabalha com ociosidade suficiente para acomodar uma pandemia. O nosso menos ainda", explicou Chapchap, do Sírio. "Prevenção máxima para a gente tentar evitar o cenário dantesco de empilhamento de corpos. Só tem uma forma de mitigar que é o afastamento social".

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 14h09

A desigualdade social é um fator que contribui para o contágio do novo coronavírus no Brasil, que demorará "muito tempo" para retomar os hábitos anteriores à pandemia. É o que afirmou hoje o médico e escritor Drauzio Varella no programa UOL Debate que debateu o momento atual do vírus no país. "Nós estamos pagando o preço da desigualdade social. Sempre encaramos isso com naturalidade. Vamos pagar o preço de termos construído estádios na Copa (do Mundo de 2014) que hoje estão sendo transformados em hospitais. Não sabemos como a epidemia vai se disseminar em um país com essa desigualdade social. Sabemos o que está acontecendo em países ricos. No Brasil, não, agora vamos saber", disse Drauzio, que ainda não faz previsões para que a população retome a rotina anterior à pandemia. "Tínhamos visão benigna, mas estamos numa situação de guerra. Esquece a vida normal, ela não vai existir por muito tempo. Não vai ser normal porque não poderá ser. Daqui a quanto tempo vai acontecer? Não tenho ideia, ninguém tem ideia. Na prática, estamos aí, quando começou? Em dezembro, em janeiro sabemos de lá. Tem três meses, é impossível fazer previsões sobre o futuro", acrescentou o médico, defendendo o Sistema Único de Saúde (SUS) no combate ao novo coronavírus. "A realidade é muito dura. Ainda bem que temos o SUS, que todo mundo xinga, que não serve para nada. Imagina agora se não teria. Será que vai ter vaga para mim no (Hospital Albert) Einstein? E se não existisse o SUS, para onde eu iria?" Além de Drauzio, a edição de hoje do reuniu Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP; Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês; e Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 14h00

O médico Drauzio Varella afirmou hoje no UOL Debate que não está otimista em relação à pandemia de coronavírus. "Não temos estrutura para lidar com uma epidemia dessas", disse o médico. Drauzio alertou que esse momento é de diminuir todas as ocorrências hospitalares. "Temos que reduzir ao máximo o número de pessoas que chegam aos hospitais". O diretor-geral do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap, concordou. "Temos que por toda nossa força nesse momento de transmissão primeira, temos que achatar a curva", afirmou. Para o oncologista, as regiões norte e nordeste não tem capacidade de enfrentar uma crise sanitária tão grave. "Não vamos ter possibilidade de atender essas pessoas como no Einstein", destacou. Drauzio contou que nem mesmo os hospitais mais ricos de Nova York estão tendo os materiais necessários para combater o coronavírus. Já o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidnei Klajner, pediu para que a população leve a sério as medidas de contenção. Segundo ele, "seguir a prevenção é fundamental".

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 13h42

Os casos assintomáticos são vetores importantes no contágio do novo coronavírus. A questão foi uma das propostas no programa UOL Debate de hoje. A edição reuniu Drauzio Varella, médico e escritor; Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP; Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês; e Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. Nesta sexta-feira, a discussão girou em torno o momento que vivemos da pandemia. Para Marilda Siqueira, os casos assintomáticos não estão isentos de perigo para si e para outros em meio à pandemia. "Parece que os assintomáticos excretam uma quantidade menor de vírus. No entanto, foi publicado um estudo relatando que vários assintomáticos possuem uma carga viral bastante alta, e que teriam um papel importante na transmissibilidade", disse. Para ela, o cenário do novo coronavírus é diferente do apresentado anteriormente por vírus semelhantes. E ele pode ter vindo para ficar. "Quando esse coronavírus começou a circular, tínhamos a esperança de que pudesse ser como o Sars de 2003, que desapareceu. O Sars significa um vírus da família coronavírus que causa uma síndrome respiratória aguda grave. Tivemos esse vírus da mesma família circulando na Ásia e no Canadá em 20003. Mas depois de alguns meses, deixou de circular", lembrou. "Agora, logo no início, em 2020, tinha uma esperança que ia ficar na China e não ia espalhar. Na realidade, está com uma apresentação totalmente diferente. Muito provavelmente chegou para ficar. A questão é que todos vamos nos infectar, mas a questão é quando", acrescentou, indo além. "Uma questão importante é o ministério (da Saúde) falando de ficar em casa, achatamento da curva. Para os grupos de mais riscos, podemos não nos infectar esse ano, ninguém sabe como vai ser a sazonalidade dele, se vai ser sempre na mesma época do ano ou se vai ser pingadinho, sempre circulando. O importante é o avanço científico para que consigamos rápido — um ano, um ano e meio — a vacina para protegermos a população", completo

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 13h22

O Ministério da Saúde divulgou no fim da tarde de ontem seu último balanço do novo coronavírus no Brasil: 6836 casos, com 241 óbitos. Mas dá para confiar nos dados divulgados até aqui pelas autoridades? Para o médico e escritor Drauzio Varela, não. No programa UOL Debate de hoje, Drauzio se mostrou preocupado com a subnotificação de casos em meio à pandemia no país — resultado, entre outros motivos, de casos assintomáticos e da falta de testes. "Eu acho que uma doença dessas é muito complicada. Você pode ter desde casos assintomáticos ou só um arranhãozinho na garganta, até casos graves com falta de ar que vão parar nas UTIs. Contar número de mortos é mais fácil. Mas assintomáticos, nós não temos. Essa foi uma das causas de confusão no início da epidemia. Começou na China, mas quando foi para a Coreia do Sul, os coreanos começaram a testar todo mundo — foram muitos casos assintomáticos, mas a mortalidade foi muito baixa, porque a base do iceberg foi enorme", disse Drauzio. "Foi quando chegou na Itália que tivemos ideia do nos esperava. Os números não são confiáveis, os americanos não têm teste. Não temos ideia de quantas pessoas infectadas existem. Estamos no escuro. As previsões não têm precisão científica. É uma doença que pode dar desde sintomas muito discretos até quadros muito graves; enquanto não testarmos grandes amostras, estaremos no escuro", acrescentou. Mas diante de uma população de mais de 200 milhões, como a do Brasil, Drauzio acredita que não há solução viável para essa falta de testes. "Eu acho que não. Seria maravilhoso se diagnosticássemos as (pessoas) assintomáticas. (Mas) não temos teste para isso", acredita. A opinião foi semelhante à de Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. "Não temos ideia do número de casos de infectados. A curva que publicamos é de mortalidade. A gente consegue, em pequenos clusters, ter ideia do que está acontecendo", alertou. O UOL Debate de hoje reúne, além de Drauzio Varella e Paulo Chapchap, Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP; e Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. Nesta edição, o programa debate qual é o momento que vivemos da pandemia.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 12h42

Em conversa com investidores e analistas do Banco Santander, na manhã desta quinta (2), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) fez críticas ao presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes. "A única entrevista que eu vi dele é tratando de isolamento, eu acho que ele deveria estar tratando de liquidez, não de isolamento vertical ou horizontal", disse Maia, referindo-se a declarações do presidente do BB contra as medidas de proteção sanitária, como o fechamento do comércio. Como mostrou o Painel, Novaes mandou mensagens dizendo que a vida não tem "valor infinito" e que a "depressão econômica também mata, principalmente os mais pobres". Avaliando a atuação dos bancos públicos na emergência do coronavírus, Maia disse que os anúncios da Caixa "vão na linha correta", mas que ouve muitas críticas de empresários de que os anúncios não têm se convertido em realidade. O parlamentar disse que já ofereceu ao BNDES discutir no Parlamento, caso haja alguma lei que esteja impedindo a sua atuação, mas que até o momento não recebeu demandas. Para o parlamentar, é preciso abrir linhas de crédito específicas para a rede hospitalar privada, que ainda não foi atendida por recursos oferecidos para as Santas Casas e não têm o fôlego de grandes redes, como Einstein e Sírio Libanês.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 12h00

Aproximadamente 33% dos municípios brasileiros têm, no máximo, dez respiradores mecânicos nos hospitais públicos e privados. O equipamento é essencial para garantir a sobrevivência de pacientes com quadros severos da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, há 65.411 ventiladores mecânicos no país, sendo que 46.663 estão no Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 3.639 encontram-se em manutenção ou ainda não foram instalados. Não é viável prever, com exatidão, de quantos aparelhos o Brasil necessitará nas próximas semanas - dependerá do número de contaminações. Mas é possível dizer que a distribuição dos respiradores é desigual. Veja um resumo da reportagem: Em 861 cidades, há apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos equipamentos está concentrada nas capitais. A previsão de um órgão latino-americano é de que, em um cenário de baixo impacto, faltem respiradores no Brasil em 15 dias. Os respiradores são os principais equipamentos necessários para o atendimento de casos graves da Covid-19. Provavelmente, faltarão profissionais de saúde para trabalhar nas UTIs e operar os respiradores mecânicos. Nos casos graves, pacientes com o novo coronavírus têm insuficiência respiratória. Os músculos trabalham mais para garantir a troca gasosa - e, com o esforço excessivo, sobrecarregam o coração. O ventilador mecânico trabalhará para auxiliar a respiração e "empurrar" o oxigênio para dentro dos pulmões. Sem o equipamento, um paciente em estado grave pode ter falência de órgãos e morrer. Os respiradores são caros. Por isso, universidades federais estão desenvolvendo projetos de aparelhos mais baratos, que possam ser usados em situações de emergência. Distribuição desigual não há cidades sem nenhum equipamento. Mas, em 861 municípios, existe apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos respiradores está nas capitais: elas concentram 47% do total de aparelhos. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife - as cinco capitais com maior quantidade absoluta - possuem 26% dos respiradores do Brasil. Levando em conta o tamanho da população de cada Estado, os que têm melhor oferta são: Distrito Federal (1.420 habitantes para cada respirador), Rio de Janeiro (2.303), São Paulo (2.490), Mato Grosso (2.503) e Espírito Santo (2.760). As situações mais críticas, em que o número de habitantes para cada respirador é maior, estão nos seguintes locais: Amapá (9.122 moradores para um aparelho), Piauí (7.285), Maranhão (6.677), Pará (6.139) e Alagoas (6.087). Segundo o Ministério da Saúde, há a expectativa de adquirir 17 mil respiradores. "Já adiantamos uma possível compra de 8 mil deles. Daria para acalmar São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as capitais", afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa na quarta-feira (1º). Ele ressaltou que não é possível assegurar que todos esses equipamentos serão entregues - de acordo com o ministro, a disputa pelos aparelhos é grande. Mesmo depois da assinatura do contrato, alguém oferece mais dinheiro ao fornecedor e compra os aparelhos por um preço mais alto. Estimativa de órgão latino-americano prevê falta de respiradores A dificuldade de prever o déficit de ventiladores mecânicos no país é explicada por Gustavo Zabert, presidente da Associação Latino-Americana do Tórax e pneumologista na Argentina. Segundo ele, as estimativas não conseguem levar em conta: idade dos pacientes contaminados, doenças de base que eles podem apresentar, distribuição desigual de respiradores pelas cidades do mesmo país, nível socioeconômico dos atingidos e possibilidade de seguir o isolamento social. Fazendo as ressalvas acima, Zabert elaborou um modelo matemático que considera o número de ventiladores disponíveis em cada país latino-americano, o tamanho da população, a incidência de síndromes respiratórias no cenário anterior à pandemia e o número de internações observado na Itália. O cálculo básico admite que 80% dos casos do novo coronavírus serão leves e 20% exigirão a ida ao hospital. Do total, 5% devem requerer o uso do ventilador respiratório. Tendo como base, portanto, os critérios acima, e considerando que é apenas uma estimativa, Zabert calcula três cenários diferentes. No de baixo impacto, o Brasil teria respiradores por até 14 dias. No quadro mais grave, em que 2.300 pessoas são contaminadas a cada 1 milhão de habitantes, o país apresentaria déficit do equipamento antes do fim do terceiro dia. Veja as tabelas: Simulação de déficit de ventiladores mecânicos em cenário de baixo impacto, segundo órgão latino-americano — Foto: G1 Simulação de déficit de ventiladores mecânicos em cenário de médio impacto, segundo órgão latino-americano — Foto: G1 Simulação de déficit de ventiladores mecânicos em cenário de alto impacto, segundo órgão latino-americano — Foto: G1 Não precisamos apenas de respiradores Especialistas reforçam que, com o agravamento da pandemia, há outros elementos, além do respirador, que também são necessários para os casos graves da Covid-19. O levantamento acima leva em conta apenas os ventiladores, porque são os equipamentos mais importantes. Segundo Paulo Cesar Bastos Vieira, coordenador da UTI da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também são exigidos, em ordem de relevância: o oxímetro (aparelho para medir a oxigenação do sangue), o capnógrafo (monitor de gás carbônico exalado) e as bombas de infusão (equipamentos que administram medicamento no sangue). Além deles, há os tubos, os bicos plásticos, a cama, a tomada que fornece energia e os demais acessórios do aparelho. E é preciso reforçar: não basta ter todos os equipamentos, nem mesmo adquirir mais respiradores, se não houver profissionais da saúde habilitados para fazer o monitoramento dos pacientes. “A área de recursos humanos talvez tenha um gargalo ainda maior. Em condições normais, um médico da UTI fica responsável por até 10 pacientes. Mas é um atendimento multidisciplinar, com diversas especialidades, com enfermeiros e fisioterapeutas. Já há uma carência de equipe em condições normais, imagine em uma crise”, afirma Eduardo Leite, da Comissão de Terapia Intensiva da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Respirador é utilizado em casos graves da Covid-19 — Foto: Divulgação/ Prefeitura de Nova Odessa Nas previsões do especialista, não será possível, no auge de contaminações, aceitar apenas que intensivistas operem o respirador mecânico. “Publicamos um protocolo de como ventilar corretamente um paciente. A ideia é que, se chegarmos ao ponto de saturação, qualquer médico consiga seguir a receita e ajudar a monitorar o aparelho”, diz. Nos Estados Unidos, por exemplo, a carência de profissionais já levou o governo a flexibilizar os critérios para validar diplomas médicos. VÍDEOS explicam principais aspectos do novo coronavírus A seguir, entenda: como os ventiladores mecânicos funcionam; por que são tão importantes para pacientes com Covid-19; quais são as alternativas, caso faltem respiradores; que iniciativas estão em andamento, para fabricar aparelhos mais baratos. Como os ventiladores mecânicos funcionam? Para explicar o funcionamento de um ventilador mecânico, o primeiro passo é entender o mecanismo básico da nossa respiração. De forma simples: há uma troca de gases. Nós respiramos o ar, cuja composição é de 21% de oxigênio, e ele entrará pelas vias superiores, até chegar a um tubo, chamado traqueia. De lá, seguirá para os pulmões. Neles, há pequenos saquinhos de ar, chamados de alvéolos, cheios de vasos sanguíneos bem fininhos, onde o oxigênio é absorvido e o gás carbônico, liberado. O sangue oxigenado vai ser bombeado para todos os órgãos. Quando o paciente está com insuficiência respiratória, a troca gasosa fica comprometida. Os músculos tentam acelerar o ritmo da respiração, para conseguir garantir a entrada do oxigênio e a saída do gás carbônico. “Nas doenças respiratórias graves, o esforço muscular excessivo leva à fadiga. Aí é que entra a importância da intervenção médica, para não sobrecarregar o coração”, afirma Vieira, da Unifesp. O aparelho chamado “ventilador mecânico” vai exercer uma pressão para dentro de nossos pulmões, para que a troca gasosa se mantenha. “É como encher uma bola de futebol. No começo, é mais difícil, precisamos fazer uma força inicial maior. Depois, com menos esforço, dá para terminar de encher”, exemplifica Vieira. Com o respirador, o princípio é o mesmo. “Regulamos o aparelho com uma pressão inicial que vença a resistência do tórax e das vias respiratórias. Depois, o ventilador deve exercer uma pressão menor, para não correr o risco de estourar o pulmão do paciente. Se você distender demais o órgão, o organismo libera substâncias inflamatórias que pioram o quadro.” Para o paciente não ficar desconfortável, ele é sedado. O ventilador, em geral, é colocado na boca, e o tubo irá até a traqueia. Depois de alguns dias, o médico pode avaliar a necessidade de trocar pela traqueostomia (quando, por um procedimento cirúrgico, é feito um pequeno buraco no pescoço do paciente, para que a conexão com a traqueia seja direta). Pelo ventilador, os profissionais de saúde podem escolher a porcentagem de oxigênio no ar fornecido ao paciente - índices maiores que o atmosférico, de 21%. Quanto mais comprometidos estiverem os alvéolos (aqueles saquinhos de ar do pulmão), mais oxigênio será necessário. “Quando a pessoa está sedada, o cérebro não manda que ela respire, está ‘desligado’. Tudo vai depender do respirador. Controlamos a quantidade de oxigênio, a frequência respiratória, a pressão”, explica André Nathan, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês. “Conforme o paciente for melhorando, poderá assumir algumas funções. Ele puxa o ar, o ventilador percebe e só ajuda a exercer a pressão”, diz. Os médicos devem seguir avaliando a pessoa e monitorando principalmente o nível de oxigenação do sangue (por um exame chamado oximetria). Com base nos resultados, alteram os parâmetros do respirador. É importante entender que o aparelho não é um tratamento. Ele apenas poupa o organismo do esforço de respirar, até que o sistema imunológico reaja e combata o vírus, no caso da Covid-19. Por que os respiradores são tão importantes para pacientes com Covid-19? Nos casos mais graves, o novo coronavírus agride os alvéolos pulmonares. "A agressão vai inchar a membrana. Os vasos sanguíneos vão dilatar e ficar mais largos e porosos. Com isso, a troca de gases é prejudicada", explica Vieira. Leonardo José Rolim Ferraz, médico intensivista e clínico-geral do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), afirma que a chamada "síndrome de desconforto respiratório agudo" faz com que o paciente não receba a quantidade de oxigênio que os tecidos necessitam. A pessoa passará a sentir falta de ar - uma sensação descrita como "se afogar no seco". "É puxar o ar, tentar respirar, mas não parecer suficiente. Em geral, a frequência respiratória aumenta, dá para notar. O fôlego fica curto", explica Ferraz. Sem oxigênio no corpo, haverá falência de órgãos. "O organismo vai desligando: rim, coração, cérebro", descreve Nathan, do Sírio-Libanês. Com o respirador mecânico, o pulmão pode “repousar”, já que o nível de oxigênio no sangue será controlado pelo aparelho. Por quanto tempo o paciente precisa do respirador? No caso da Covid-19, os casos mais severos já registrados indicam que a recuperação é mais lenta que em outras doenças respiratórias. O paciente pode ficar cerca de duas semanas na UTI, com a ventilação mecânica. O tempo extenso preocupa os especialistas: não há como liberar o aparelho rapidamente, para que outra pessoa possa usá-lo. E não são apenas os casos de coronavírus que exigem o uso do respirador. “O sistema respiratório tem muitos componentes. Se um deles falhar, o equipamento pode ser necessário. São pessoas que tiveram acidente vascular cerebral, derrame ou traumatismo craniano, que entram em coma e que precisam da ventilação, por exemplo. Nem há relação com o pulmão, mas, com o sistema nervoso comprometido, não há como respirar sem auxílio”, afirma Ferraz. Existem também doenças como bronquite crônica ou enfraquecimento de músculos do diafragma. “Os hospitais vão continuar recebendo casos de emergência além da Covid-19. O atendimento não pode parar”, diz o médico. Quais as alternativas, caso faltem respiradores? Quando o paciente chega ao hospital com o quadro de falta de ar severa, a primeira tentativa é menos invasiva: os médicos colocam um cateter no nariz da pessoa, para gerar um fluxo de oxigênio contínuo. É possível aumentar a fração de oxigênio para até 30% ou 40%. “Se, em uma ou duas horas, o quadro não melhorar, é preciso entubar, usar o respirador. Não dá para esperar”, diz Vieira. Uma alternativa entre o cateter e o respirador invasivo seria a máscara respiratória. Colocada no rosto do paciente, ela dispensaria a sedação. “O problema é que a máscara produz aerossóis. Quando o paciente respira, a quantidade de vírus que ficará no ambiente vai aumentar, porque parte do fluxo de ar ofertado pelo aparelho escapa”, explica Ferraz, intensivista do Einstein. Segundo Eduardo Leite, vários países estão evitando o uso da máscara para casos de Covid-19. “O paciente precisaria estar em um box totalmente fechado, sendo atendido por profissionais com todos os equipamentos de segurança. Caso contrário, a equipe médica vai ser contaminada”, diz. Além disso, o fato de o doente não ficar sedado tem uma desvantagem, conforme explica Bastos. “Ele começa a se incomodar com a máscara, reclama e tira do rosto em alguns momentos. Ao falar e ao tossir, espalha gotículas e contamina a sala de emergência. Na China, estudos mostram que médicos estavam se contaminando quando receitavam o uso da máscara”, afirma. O que fazer, então, quando o cateter não é suficiente e a máscara passa a ser uma alternativa arriscada? Os médicos explicam que o único recurso para o paciente com baixa oxigenação no sangue é mesmo o ventilador mecânico. Na falta dele, as chances de sobrevivência diminuem. Não há como reverter o quadro. Que iniciativas estão em andamento, para fabricar aparelhos mais baratos? Há diversos modelos de ventiladores respiratórios: dos mais simples, usados quando o paciente está em deslocamento (como em ambulâncias ou no trajeto entre a UTI e a sala de exame) até os mais modernos, com diversos ajustes de parâmetros respiratórios. Desde a epidemia de poliomielite, no começo do século XX, os equipamentos foram muito aprimorados. Mas, com o aumento da complexidade deles, os preços se mantiveram altos: partem de R$ 15 mil e podem chegar a custar R$ 150 mil. Por isso, durante a pandemia do novo coronavírus, países buscam, desesperadamente, encontrar alternativas mais baratas para elevar a produção de respiradores e diminuir ou acabar com o déficit dos equipamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ao G1, nesta semana, que há três ventiladores mecânicos sendo analisados. O prazo médio atual de aprovação, segundo o órgão, é de cinco dias. “Estamos dando total prioridade para análise de produtos relacionados à estratégia do governo brasileiro de combate à Covid-19”, diz a nota. Veja, abaixo, algumas iniciativas conduzidas por universidades federais: 1- UFRJ: Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro elaboram um equipamento de exceção, como eles mesmos definem, para ser usado apenas quando o ventilador completo não estiver disponível. Jurandir Nadal, coordenador do Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe/UFRJ, explica que todos os pesquisadores envolvidos são voluntários, o que colabora para diminuir o custo do produto. Também há o auxílio financeiro de empresas, como a Whirpool, e o emprego de peças mais baratas do que as usadas convencionalmente. Não há um monitor acoplado, por exemplo - são sensores que fazem o acompanhamento dos índices do paciente. Protótipo de ventilador mecânico desenvolvido na UFRJ — Foto: Divulgação Esses fatores fazem com que o custo do respirador fique em torno de R$ 2 mil ou R$ 3 mil, segundo Nadal. “Se colocarmos um sensor de pressão, talvez suba para cerca de R$ 10 mil. O importante é que seja algo seguro”, diz. Dois modelos estão sendo desenvolvidos pela equipe - o que for mais viável de ser comercializado será enviado para o Comitê de Ética, que decidirá se pode ser testado em humanos. “Gostaria que tudo fosse concluído, no máximo, até a semana que vem. Estamos trabalhando incansavelmente. Tarefas que levariam um mês estão sendo feitas em dois dias”, afirma Nadal. 2- Poli-USP: Pesquisadores da Universidade de São Paulo criaram um ventilador pulmonar para emergências. Segundo eles, o aparelho pode ser fabricado em duas horas e tem um custo de cerca de R$ 1 mil. Respirador desenvolvido na Poli-USP — Foto: Divulgação/Poli-USP Segundo o professor Raul Gonzáles Lima, especialista em engenharia biomédica e coordenador do projeto, o equipamento usa o máximo de peças existentes já no mercado brasileiro, para não depender da importação. O protótipo está pronto e sendo testado em laboratório. De acordo com a previsão da equipe da Poli, estará disponível em meados de abril, caso seja aprovado. O projeto tem licença aberta para os interessados em produzi-lo. 3- UFPI: Na Universidade Federal do Piauí, a ideia não é fabricar um novo ventilador respiratório, e sim adaptar os já existentes para que um mesmo equipamento seja dividido por até quatro pacientes. Uma iniciativa semelhante foi testada em Nova York - mas é contraindicada por especialistas. Entre os problemas apontados por eles, estão a dificuldade de acompanhar os índices de cada um dos pacientes e o risco de contaminação cruzada. Além disso, para que uma mesma central ajude na respiração de duas pessoas, a equipe precisaria encontrar uma dupla que tenha quadro semelhante - ou seja, que exija os mesmos índices de pressão e de volume de ar. Adaptação de respirador para até quatro pacientes é elaborada na UFPI — Foto: Caio Damasceno/UFPI Segundo Caio Damasceno, professor de engenharia elétrica da UFPI, a intenção do projeto da universidade brasileira é elaborar um protótipo que resolva todos os problemas apontados. “No nosso sistema, válvulas diferentes impediriam a contaminação cruzada. E o sistema também permitiria o controle individual dos pacientes, por meio de sensores de pressão pontuais para cada um”, diz. “Se um dos dois precisar de mais ar, seria possível só fornecer a ele essa quantidade maior. O outro que estiver ligado ao mesmo respirador não receberá a mesma proporção de oxigênio, porque o excedente será liberado para o ambiente, por uma válvula”, explica Damasceno. Ele afirma que, se um dos pacientes tiver um desequilíbrio nos índices de oxigenação do sangue, o sensor sonoro apitará e a luz de LED acenderá. Mesmo sendo possível conectar pessoas com características diferente, o ideal, segundo o pesquisador, é que todos os pacientes ligados ao respirador tenham um quadro parecido. Para facilitar o procedimento, um aplicativo abrigaria uma espécie de banco de dados e informaria ao hospital quando um doente com quadro semelhante estivesse internado na mesma região da cidade. “Não é gambiarra, é pesquisa. Se tudo der certo, a adaptação custará cerca de R$ 2 mil”, diz. A equipe está fazendo testes com pulmões artificiais, como é possível ver na foto abaixo. Apenas depois da aprovação no Comitê de Ética é que o aparelho será testado em humanos. Cada "saquinho" simula o pulmão de um paciente. — Foto: Caio Damasceno/UFPI “O projeto está sendo desenhado para um cenário de caos, para que os médicos não precisem escolher quem salvar. Não é para ser um aparelho usado em condições normais, e sim no contexto de ‘guerra’”, explica Caio. CORONAVÍRUS VÍDEOS: Coronavírus: perguntas e respostas GUIA ILUSTRADO: sintomas, transmissão e letalidade Veja o que é #FATO ou #FAKE sobre o coronavírus Quanto tempo o novo coronavírus vive em uma superfície ou no ar? Máscaras servem para proteção contra o novo coronavírus? Como se prevenir do coronavírus? Coronavírus, Covid-19, Sars-Cov-2 e mais: confira os termos da pandemia Segundo o Ministério da Saúde, há 65.411 ventiladores mecânicos no país, sendo que 46.663 estão no Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 3.639 encontram-se em manutenção ou ainda não foram instalados. Não é viável prever, com exatidão, de quantos aparelhos o Brasil necessitará nas próximas semanas - dependerá do número de contaminações. Mas é possível dizer que a distribuição dos respiradores é desigual. Veja um resumo da reportagem: Em 861 cidades, há apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos equipamentos está concentrada nas capitais. A previsão de um órgão latino-americano é de que, em um cenário de baixo impacto, faltem respiradores no Brasil em 15 dias. Os respiradores são os principais equipamentos necessários para o atendimento de casos graves da Covid-19. Provavelmente, faltarão profissionais de saúde para trabalhar nas UTIs e operar os respiradores mecânicos. Nos casos graves, pacientes com o novo coronavírus têm insuficiência respiratória. Os músculos trabalham mais para garantir a troca gasosa - e, com o esforço excessivo, sobrecarregam o coração. O ventilador mecânico trabalhará para auxiliar a respiração e "empurrar" o oxigênio para dentro dos pulmões. Sem o equipamento, um paciente em estado grave pode ter falência de órgãos e morrer. Os respiradores são caros. Por isso, universidades federais estão desenvolvendo projetos de aparelhos mais baratos, que possam ser usados em situações de emergência. Não há cidades sem nenhum equipamento. Mas, em 861 municípios, existe apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos respiradores está nas capitais: elas concentram 47% do total de aparelhos. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife - as cinco capitais com maior quantidade absoluta - possuem 26% dos respiradores do Brasil. Levando em conta o tamanho da população de cada Estado, os que têm melhor oferta são: Distrito Federal (1.420 habitantes para cada respirador), Rio de Janeiro (2.303), São Paulo (2.490), Mato Grosso (2.503) e Espírito Santo (2.760). As situações mais críticas, em que o número de habitantes para cada respirador é maior, estão nos seguintes locais: Amapá (9.122 moradores para um aparelho), Piauí (7.285), Maranhão (6.677), Pará (6.139) e Alagoas (6.087). Segundo o Ministério da Saúde, há a expectativa de adquirir 17 mil respiradores. "Já adiantamos uma possível compra de 8 mil deles. Daria para acalmar São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as capitais", afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa na quarta-feira (1º). Ele ressaltou que não é possível assegurar que todos esses equipamentos serão entregues - de acordo com o ministro, a disputa pelos aparelhos é grande. Mesmo depois da assinatura do contrato, alguém oferece mais dinheiro ao fornecedor e compra os aparelhos por um preço mais alto. A dificuldade de prever o déficit de ventiladores mecânicos no país é explicada por Gustavo Zabert, presidente da Associação Latino-Americana do Tórax e pneumologista na Argentina. Segundo ele, as estimativas não conseguem levar em conta: idade dos pacientes contaminados, doenças de base que eles podem apresentar, distribuição desigual de respiradores pelas cidades do mesmo país, nível socioeconômico dos atingidos e possibilidade de seguir o isolamento social. Fazendo as ressalvas acima, Zabert elaborou um modelo matemático que considera o número de ventiladores disponíveis em cada país latino-americano, o tamanho da população, a incidência de síndromes respiratórias no cenário anterior à pandemia e o número de internações observado na Itália. O cálculo básico admite que 80% dos casos do novo coronavírus serão leves e 20% exigirão a ida ao hospital. Do total, 5% devem requerer o uso do ventilador respiratório. Tendo como base, portanto, os critérios acima, e considerando que é apenas uma estimativa, Zabert calcula três cenários diferentes. No de baixo impacto, o Brasil teria respiradores por até 14 dias. No quadro mais grave, em que 2.300 pessoas são contaminadas a cada 1 milhão de habitantes, o país apresentaria déficit do equipamento antes do fim do terceiro dia. Veja as tabelas: Especialistas reforçam que, com o agravamento da pandemia, há outros elementos, além do respirador, que também são necessários para os casos graves da Covid-19. O levantamento acima leva em conta apenas os ventiladores, porque são os equipamentos mais importantes. Segundo Paulo Cesar Bastos Vieira, coordenador da UTI da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também são exigidos, em ordem de relevância: o oxímetro (aparelho para medir a oxigenação do sangue), o capnógrafo (monitor de gás carbônico exalado) e as bombas de infusão (equipamentos que administram medicamento no sangue). Além deles, há os tubos, os bicos plásticos, a cama, a tomada que fornece energia e os demais acessórios do aparelho. E é preciso reforçar: não basta ter todos os equipamentos, nem mesmo adquirir mais respiradores, se não houver profissionais da saúde habilitados para fazer o monitoramento dos pacientes. “A área de recursos humanos talvez tenha um gargalo ainda maior. Em condições normais, um médico da UTI fica responsável por até 10 pacientes. Mas é um atendimento multidisciplinar, com diversas especialidades, com enfermeiros e fisioterapeutas. Já há uma carência de equipe em condições normais, imagine em uma crise”, afirma Eduardo Leite, da Comissão de Terapia Intensiva da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Nas previsões do especialista, não será possível, no auge de contaminações, aceitar apenas que intensivistas operem o respirador mecânico. “Publicamos um protocolo de como ventilar corretamente um paciente. A ideia é que, se chegarmos ao ponto de saturação, qualquer médico consiga seguir a receita e ajudar a monitorar o aparelho”, diz. Nos Estados Unidos, por exemplo, a carência de profissionais já levou o governo a flexibilizar os critérios para validar diplomas médicos. VÍDEOS explicam principais aspectos do novo coronavírus A seguir, entenda: como os ventiladores mecânicos funcionam; por que são tão importantes para pacientes com Covid-19; quais são as alternativas, caso faltem respiradores; que iniciativas estão em andamento, para fabricar aparelhos mais baratos. Para explicar o funcionamento de um ventilador mecânico, o primeiro passo é entender o mecanismo básico da nossa respiração. De forma simples: há uma troca de gases. Nós respiramos o ar, cuja composição é de 21% de oxigênio, e ele entrará pelas vias superiores, até chegar a um tubo, chamado traqueia. De lá, seguirá para os pulmões. Neles, há pequenos saquinhos de ar, chamados de alvéolos, cheios de vasos sanguíneos bem fininhos, onde o oxigênio é absorvido e o gás carbônico, liberado. O sangue oxigenado vai ser bombeado para todos os órgãos. Quando o paciente está com insuficiência respiratória, a troca gasosa fica comprometida. Os músculos tentam acelerar o ritmo da respiração, para conseguir garantir a entrada do oxigênio e a saída do gás carbônico. “Nas doenças respiratórias graves, o esforço muscular excessivo leva à fadiga. Aí é que entra a importância da intervenção médica, para não sobrecarregar o coração”, afirma Vieira, da Unifesp. O aparelho chamado “ventilador mecânico” vai exercer uma pressão para dentro de nossos pulmões, para que a troca gasosa se mantenha. “É como encher uma bola de futebol. No começo, é mais difícil, precisamos fazer uma força inicial maior. Depois, com menos esforço, dá para terminar de encher”, exemplifica Vieira. Com o respirador, o princípio é o mesmo. “Regulamos o aparelho com uma pressão inicial que vença a resistência do tórax e das vias respiratórias. Depois, o ventilador deve exercer uma pressão menor, para não correr o risco de estourar o pulmão do paciente. Se você distender demais o órgão, o organismo libera substâncias inflamatórias que pioram o quadro.” Para o paciente não ficar desconfortável, ele é sedado. O ventilador, em geral, é colocado na boca, e o tubo irá até a traqueia. Depois de alguns dias, o médico pode avaliar a necessidade de trocar pela traqueostomia (quando, por um procedimento cirúrgico, é feito um pequeno buraco no pescoço do paciente, para que a conexão com a traqueia seja direta). Pelo ventilador, os profissionais de saúde podem escolher a porcentagem de oxigênio no ar fornecido ao paciente - índices maiores que o atmosférico, de 21%. Quanto mais comprometidos estiverem os alvéolos (aqueles saquinhos de ar do pulmão), mais oxigênio será necessário. “Quando a pessoa está sedada, o cérebro não manda que ela respire, está ‘desligado’. Tudo vai depender do respirador. Controlamos a quantidade de oxigênio, a frequência respiratória, a pressão”, explica André Nathan, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês. “Conforme o paciente for melhorando, poderá assumir algumas funções. Ele puxa o ar, o ventilador percebe e só ajuda a exercer a pressão”, diz. Os médicos devem seguir avaliando a pessoa e monitorando principalmente o nível de oxigenação do sangue (por um exame chamado oximetria). Com base nos resultados, alteram os parâmetros do respirador. É importante entender que o aparelho não é um tratamento. Ele apenas poupa o organismo do esforço de respirar, até que o sistema imunológico reaja e combata o vírus, no caso da Covid-19. Nos casos mais graves, o novo coronavírus agride os alvéolos pulmonares. "A agressão vai inchar a membrana. Os vasos sanguíneos vão dilatar e ficar mais largos e porosos. Com isso, a troca de gases é prejudicada", explica Vieira. Leonardo José Rolim Ferraz, médico intensivista e clínico-geral do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), afirma que a chamada "síndrome de desconforto respiratório agudo" faz com que o paciente não receba a quantidade de oxigênio que os tecidos necessitam. A pessoa passará a sentir falta de ar - uma sensação descrita como "se afogar no seco". "É puxar o ar, tentar respirar, mas não parecer suficiente. Em geral, a frequência respiratória aumenta, dá para notar. O fôlego fica curto", explica Ferraz. Sem oxigênio no corpo, haverá falência de órgãos. "O organismo vai desligando: rim, coração, cérebro", descreve Nathan, do Sírio-Libanês. Com o respirador mecânico, o pulmão pode “repousar”, já que o nível de oxigênio no sangue será controlado pelo aparelho. No caso da Covid-19, os casos mais severos já registrados indicam que a recuperação é mais lenta que em outras doenças respiratórias. O paciente pode ficar cerca de duas semanas na UTI, com a ventilação mecânica. O tempo extenso preocupa os especialistas: não há como liberar o aparelho rapidamente, para que outra pessoa possa usá-lo. E não são apenas os casos de coronavírus que exigem o uso do respirador. “O sistema respiratório tem muitos componentes. Se um deles falhar, o equipamento pode ser necessário. São pessoas que tiveram acidente vascular cerebral, derrame ou traumatismo craniano, que entram em coma e que precisam da ventilação, por exemplo. Nem há relação com o pulmão, mas, com o sistema nervoso comprometido, não há como respirar sem auxílio”, afirma Ferraz. Existem também doenças como bronquite crônica ou enfraquecimento de músculos do diafragma. “Os hospitais vão continuar recebendo casos de emergência além da Covid-19. O atendimento não pode parar”, diz o médico. Quando o paciente chega ao hospital com o quadro de falta de ar severa, a primeira tentativa é menos invasiva: os médicos colocam um cateter no nariz da pessoa, para gerar um fluxo de oxigênio contínuo. É possível aumentar a fração de oxigênio para até 30% ou 40%. “Se, em uma ou duas horas, o quadro não melhorar, é preciso entubar, usar o respirador. Não dá para esperar”, diz Vieira. Uma alternativa entre o cateter e o respirador invasivo seria a máscara respiratória. Colocada no rosto do paciente, ela dispensaria a sedação. “O problema é que a máscara produz aerossóis. Quando o paciente respira, a quantidade de vírus que ficará no ambiente vai aumentar, porque parte do fluxo de ar ofertado pelo aparelho escapa”, explica Ferraz, intensivista do Einstein. Segundo Eduardo Leite, vários países estão evitando o uso da máscara para casos de Covid-19. “O paciente precisaria estar em um box totalmente fechado, sendo atendido por profissionais com todos os equipamentos de segurança. Caso contrário, a equipe médica vai ser contaminada”, diz. Além disso, o fato de o doente não ficar sedado tem uma desvantagem, conforme explica Bastos. “Ele começa a se incomodar com a máscara, reclama e tira do rosto em alguns momentos. Ao falar e ao tossir, espalha gotículas e contamina a sala de emergência. Na China, estudos mostram que médicos estavam se contaminando quando receitavam o uso da máscara”, afirma. O que fazer, então, quando o cateter não é suficiente e a máscara passa a ser uma alternativa arriscada? Os médicos explicam que o único recurso para o paciente com baixa oxigenação no sangue é mesmo o ventilador mecânico. Na falta dele, as chances de sobrevivência diminuem. Não há como reverter o quadro. Há diversos modelos de ventiladores respiratórios: dos mais simples, usados quando o paciente está em deslocamento (como em ambulâncias ou no trajeto entre a UTI e a sala de exame) até os mais modernos, com diversos ajustes de parâmetros respiratórios. Desde a epidemia de poliomielite, no começo do século XX, os equipamentos foram muito aprimorados. Mas, com o aumento da complexidade deles, os preços se mantiveram altos: partem de R$ 15 mil e podem chegar a custar R$ 150 mil. Por isso, durante a pandemia do novo coronavírus, países buscam, desesperadamente, encontrar alternativas mais baratas para elevar a produção de respiradores e diminuir ou acabar com o déficit dos equipamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ao G1, nesta semana, que há três ventiladores mecânicos sendo analisados. O prazo médio atual de aprovação, segundo o órgão, é de cinco dias. “Estamos dando total prioridade para análise de produtos relacionados à estratégia do governo brasileiro de combate à Covid-19”, diz a nota. Veja, abaixo, algumas iniciativas conduzidas por universidades federais: 1- UFRJ: Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro elaboram um equipamento de exceção, como eles mesmos definem, para ser usado apenas quando o ventilador completo não estiver disponível. Jurandir Nadal, coordenador do Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe/UFRJ, explica que todos os pesquisadores envolvidos são voluntários, o que colabora para diminuir o custo do produto. Também há o auxílio financeiro de empresas, como a Whirpool, e o emprego de peças mais baratas do que as usadas convencionalmente. Não há um monitor acoplado, por exemplo - são sensores que fazem o acompanhamento dos índices do paciente. Esses fatores fazem com que o custo do respirador fique em torno de R$ 2 mil ou R$ 3 mil, segundo Nadal. “Se colocarmos um sensor de pressão, talvez suba para cerca de R$ 10 mil. O importante é que seja algo seguro”, diz. Dois modelos estão sendo desenvolvidos pela equipe - o que for mais viável de ser comercializado será enviado para o Comitê de Ética, que decidirá se pode ser testado em humanos. “Gostaria que tudo fosse concluído, no máximo, até a semana que vem. Estamos trabalhando incansavelmente. Tarefas que levariam um mês estão sendo feitas em dois dias”, afirma Nadal. 2- Poli-USP: Pesquisadores da Universidade de São Paulo criaram um ventilador pulmonar para emergências. Segundo eles, o aparelho pode ser fabricado em duas horas e tem um custo de cerca de R$ 1 mil. Segundo o professor Raul Gonzáles Lima, especialista em engenharia biomédica e coordenador do projeto, o equipamento usa o máximo de peças existentes já no mercado brasileiro, para não depender da importação. O protótipo está pronto e sendo testado em laboratório. De acordo com a previsão da equipe da Poli, estará disponível em meados de abril, caso seja aprovado. O projeto tem licença aberta para os interessados em produzi-lo. 3- UFPI: Na Universidade Federal do Piauí, a ideia não é fabricar um novo ventilador respiratório, e sim adaptar os já existentes para que um mesmo equipamento seja dividido por até quatro pacientes. Uma iniciativa semelhante foi testada em Nova York - mas é contraindicada por especialistas. Entre os problemas apontados por eles, estão a dificuldade de acompanhar os índices de cada um dos pacientes e o risco de contaminação cruzada. Além disso, para que uma mesma central ajude na respiração de duas pessoas, a equipe precisaria encontrar uma dupla que tenha quadro semelhante - ou seja, que exija os mesmos índices de pressão e de volume de ar. Segundo Caio Damasceno, professor de engenharia elétrica da UFPI, a intenção do projeto da universidade brasileira é elaborar um protótipo que resolva todos os problemas apontados. “No nosso sistema, válvulas diferentes impediriam a contaminação cruzada. E o sistema também permitiria o controle individual dos pacientes, por meio de sensores de pressão pontuais para cada um”, diz. “Se um dos dois precisar de mais ar, seria possível só fornecer a ele essa quantidade maior. O outro que estiver ligado ao mesmo respirador não receberá a mesma proporção de oxigênio, porque o excedente será liberado para o ambiente, por uma válvula”, explica Damasceno. Ele afirma que, se um dos pacientes tiver um desequilíbrio nos índices de oxigenação do sangue, o sensor sonoro apitará e a luz de LED acenderá. Mesmo sendo possível conectar pessoas com características diferente, o ideal, segundo o pesquisador, é que todos os pacientes ligados ao respirador tenham um quadro parecido. Para facilitar o procedimento, um aplicativo abrigaria uma espécie de banco de dados e informaria ao hospital quando um doente com quadro semelhante estivesse internado na mesma região da cidade. “Não é gambiarra, é pesquisa. Se tudo der certo, a adaptação custará cerca de R$ 2 mil”, diz. A equipe está fazendo testes com pulmões artificiais, como é possível ver na foto abaixo. Apenas depois da aprovação no Comitê de Ética é que o aparelho será testado em humanos. “O projeto está sendo desenhado para um cenário de caos, para que os médicos não precisem escolher quem salvar. Não é para ser um aparelho usado em condições normais, e sim no contexto de ‘guerra’”, explica Caio.

EL PAÍS/BRASIL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 09h49

Alexandre Cunha, infectologista do hospital Sírio-Libanês, diz que uso de hidrocloroquina, associada a outros remédios, pode aumentar a toxicidade do vírus e agravar quadro de pacientes Enquanto o Brasil já soma, nesta quarta-feira, 240 mortos por Covid-19 e 6.836 infectados, com uma taxa de letalidade de 3,5%, e o presidente Jair Bolsonaro questiona a gravidade da pandemia e espalha notícias falsas, autoridades de saúde de todo o mundo continuam defendendo a importância do isolamento social para frear a curva de contágio por coronavírus. É o caso do infectologista Alexandre Cunha, médico do Hospital Sírio-Libanês e referência na área no Brasil. “As medidas de isolamento social, embora com um peso econômico enorme, não podem ser relativizadas por conta de clamor popular. É preciso usar critérios epidemiológicos e muito cuidado”, alerta o especialista em entrevista ao EL PAÍS. Desde a chegada do coronavírus ao Brasil, o Hospital Sírio-Libanês adotou um protocolo de vigilância e segurança para afastar, por 14 dias, profissionais de qualquer área que apresentem sintomas (mesmo leves) de gripe ou compatíveis com a Covid-19. Desde fevereiro, 100 profissionais do Hospital entraram em quarentena. “A Covid-19 não é uma doença grave, do ponto de vista da saúde individual. Se uma pessoa pega, a chance de falecer é de 1 para 10.000. Mesmo nas pessoas mais velhas, a chance de morte é de 1 para 1.000″, diz Cunha. O problema, segundo o infectologista, é que se novos casos não forem evitados e se o país registrar um contágio massivo, não haverá leitos para tratar todos os pacientes. "Nesse cenário, aqueles que ficarem em estado grave vão morrer por falta de assistência. E as pessoas que tiverem complicações por diabetes, infarto ou derrame, por exemplo, também vão morrer por falta de leitos”, explica Cunha sobre o efeito dominó da crise sanitária. O médico insiste na importância de diminuir a velocidade de contágio para não sobrecarregar o sistema de saúde brasileiro. Pergunta. O que o senhor tem visto na linha de frente do combate ao coronavírus? Resposta. A grande maioria dos casos que a gente vê são casos suspeitos, com sintomas respiratórios leves. Essa é a apresentação mais comum da doença. Dentre esses, existem alguns casos graves, mas são a minoria. Tanto no consultório quanto nos hospitais, recebemos mais casos leves, que vão para casa e que, muitas vezes, não são confirmados devido à pouca disponibilidade de testes laboratoriais. Acabamos testando só os casos mais graves. P. De que maneira o déficit de testes impactará o resultado final dessa pandemia no Brasil? R. Os testes são muito importantes para as estatísticas, para que tenhamos dados reais sobre a disseminação do vírus, a velocidade dessa disseminação e aspectos como a mortalidade da doença. Isso dificulta bastante o manejo epidemiológico. P. A população brasileira é mais jovem do que a de países como Itália ou Espanha, mas o Brasil gasta menos em saúde do que essas nações. Qual o resultado dessa matemática? R. O fato de termos uma população mais jovem do que esses países europeus é uma vantagem, já que o maior coeficiente de letalidade se dá entre os idosos. Na Itália, por exemplo, onde os dados estão mais consolidados, a idade média das vítimas fatais é de 80 anos. Por outro lado, nosso sistema de saúde, que por um lado tem uma proporção razoável do número de leitos de UTI por habitantes, por outro, é muito desigual. E 80% da nossa população só tem acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Isso é problemático quando vemos que já enfrentamos uma superlotação nesse sistema. P. Sabe-se que os idosos estão entre os grupos de risco, mas o que explica os óbitos de pessoas jovens e sem doenças prévias, como já acontece no Brasil e em outros países? R. O que acontece é que, em toda conta, temos que ver o numerador e o denominador. Em Nova York, por exemplo, grande parte dos casos graves foram de pacientes jovens. Mas isso é só o numerador, o denominador equivale a quantas pessoas pegaram o coronavírus. E essa maioria é de jovens mesmo, porque eles são a maioria da população. Então, se a gente tem 1.000 jovens infectados e três idosos, mesmo que a mortalidade dos idosos seja muito maior, teremos mais mortes de jovens por números absolutos. Hipoteticamente falando, se a mortalidade em jovens for de 1% e, em idosos, for de 10%, mas tivermos 1.000 jovens infectados, morrerão 10 jovens e um idoso. O que temos que entender é que os jovens são mais infectados, porque, além de serem maioria da população, os idosos se recolhem mais. P. Isso significa que nas próximas semanas, quando se espera o crescimento da curva de contágio no Brasil, teremos mais mortes de jovens? R. Sim. É importante notar que isso é devido ao número enorme de casos. Quando falamos que no Brasil registraram-se 1.000 casos e já tem três mortes, por exemplo, falamos apenas de casos confirmados. O número real de casos pode ser de 10.000, 20.000 casos...sempre é um número muito maior, então não dá para calcular a letalidade. P. O SUS tem uma grande capilaridade e um sistema de vigilância que funciona. O senhor acredita que o sistema de saúde brasileiro está pronto para enfrentar uma crise como essa? R. Isso depende do tamanho da crise. O Brasil realmente tem um sistema de vigilância epidemiológica muito bom, mas o sistema de assistência médica é muito heterogêneo. Enquanto temos hospitais de alta complexidade de excelência, em grandes capitais, temos pequenos municípios que sequer têm um pequeno hospital. Nesses casos, o paciente precisa ser deslocado de uma cidade a outra. Então, essa falta de homogeneidade complica a ação diante de uma crise como essa. Se tivermos muitos casos em um curto período de tempo, isso levará à superlotação das unidades públicas de saúde, e aí não há jeito de conter a epidemia. P. A província de Hubei, na China, marco zero do coronavírus, que adotou medidas muito restritivas de isolamento social e chegou a usar agentes de segurança para tirar as pessoas da rua, ficou dois meses em quarentena. O que podemos esperar do Brasil, dado o cenário atual? R. Embora Hubei tenha adotado essas medidas drásticas, elas foram implantadas tardiamente, quando a epidemia já estava em franca evolução. Os demais países, tendo a China como exemplo, puderam se antecipar. Aqui no Brasil, tem cidades que, mesmo sem ter casos confirmados ou com poucos casos, já adotaram políticas de isolamento social. Se mantivermos essas medidas, não teremos um quadro tão grave como o da China ou da Itália. P. Como tem sido feito o procedimento de testagem nos hospitais brasileiros? Em quanto tempo, em média, o paciente tem o resultado? R. É importante lembrar que o resultado, em si, não altera o tratamento do paciente. Uma vez que não existe um tratamento específico para a Covid-19, o que se pode fazer é adotar medidas de suporte respiratório. A única alteração é nas medidas de isolamento, para a conter a disseminação. Sobre o teste, o RT-PCR, a reação da cadeia polimerase em tempo real, que é o padrão para diagnóstico do coronavírus, tem alguns problemas: ele pode dar até 30% de falso negativo. E a maioria dos hospitais, mesmo os privados, está restringindo os testes para pacientes graves internados, porque, se fizermos a testagem nos pacientes ambulatoriais, os exames se esgotarão muito rapidamente. O exame demora entre dois e quatro dias, dependendo do centro de saúde [há relatos de demora de até sete dias, em locais mais sobrecarregados]. P. De que maneira pessoas com comorbidades, como doenças crônicas, têm maior risco em relação à Covid-19 do que as demais? R. O risco de contrair a doença depende só do grau de isolamento social. O que acontece é que essas pessoas têm maior risco de desenvolver formas graves da doença caso a contraiam. Ou seja, um idoso, um imunossuprimido ou um jovem que tenha boa imunidade têm a mesma chance de contrair o vírus, se se expuserem da mesma maneira. Mas idosos, hipertensos, diabéticos, cardiopatas, pneumopatas e imunossuprimidos, por exemplo, têm o risco de desenvolver pneumonias mais graves e maior risco de óbito. P. De que forma o coronavírus ataca os pulmões? R. No início, ele causa sintomas respiratórios leves e, depois, causa uma pneumonia, uma inflamação no pulmão, e essa pneumonia pode ser extensa o suficiente para impedir a troca de oxigênio, levando o paciente à insuficiência respiratória e, muitas vezes, com necessidade de intubação para ventilação mecânica através de aparelhos. P. Qual a real gravidade da Covid-19? R. A Covid-19 não é uma doença grave, do ponto de vista da saúde individual. Se uma pessoa pega, a chance de falecer é de 1 para 10.000. Mesmo nas pessoas mais velhas, a chance de morte é de 1 para 1.000″, diz Cunha. Mas o problema não é a probabilidade de as pessoas morrerem individualmente. O problema é que se 100 milhões de brasileiros pegarem a doença, não há leito para todas elas, e aqueles pacientes que ficarem em estado grave vão morrer por falta de assistência. E as pessoas que tiverem complicações por diabetes, infarto ou derrame, por exemplo, também vão morrer por falta de leitos. P. O Ministério da Saúde informou no dia 25 de março que o Brasil enfrentará uma “tempestade perfeita”, com a coincidência do pico de contágio por coronavírus, com o pico da influenza e da dengue. De que forma isso irá agravar o combate à pandemia? R. Todo ano temos epidemias de dengue bastante significativas, o que sobrecarrega nosso sistema de saúde. A influenza varia a cada ano, dependendo da cobertura vacinal, que este ano deve ser bastante extensa, mas tem anos em que a vacina funciona melhor do que outras, por peculiaridades biológicas, e agora temos essa nova pandemia. Essa superposição de epidemias pode esgotar muito mais rapidamente os recursos de saúde do que em países europeus que não têm doenças como a dengue, por exemplo. P. O Ministério da Saúde também anunciou que vai usar hidroxocloroquina, um medicamento ainda em fase de testes, para tratar casos graves de Covid-19. Como o senhor avalia essa medida? R. Eu e outros profissionais acreditamos que esse uso não deveria ser feito. Quando um medicamento não está aprovado em estudos bem desenhados, quando se trata de um medicamento experimental, como é a hidroxocloroquina, a gente pode fazer o chamado uso compassivo, que é quando o paciente tem uma doença muito grave e com altíssima mortalidade, o que nos permite lançar mão de terapias que não sabemos se funcionam. A questão é que esse não é o caso da Covid-19. Olhando os números, vemos que 99% dos casos têm boa evolução sem uso de nenhuma medicação específica. E você submeter 99 pessoas ao uso de uma medicação —que pode trazer efeitos colaterais— para quem sabe, ajudar uma pessoa, é um benefício absolutamente teórico para uma minoria absoluta, com um risco palpável para uma maioria absoluta. Essa é minha primeira crítica ao uso da hidroxocloroquina antes de estudos mais sérios. Os estudos existentes têm um péssimo desenho metodológico. Espero que eu esteja errado, mas, muito provavelmente, os estudos que virão mostrarão que essa substância não tem nenhuma eficácia. O que acontece no final, com a prescrição massiva de hidroxocloroquina, ou azitromicina, que já está sendo associada à hidroxocloroquina, ou imunoglobulina, ou medicações para HIV, é que elas acabam por aumentar a toxicidade do vírus e agravar o quadro de pacientes que talvez tivessem melhor prognóstico sem elas. Porque esses pacientes recebem muito volume de medicação, o que pode encharcar os pulmões… É que nós médicos temos o costume de fazer coisas para ajudar o paciente, seja dar um remédio, fazer uma cirurgia, resolver as coisas. E a sensação de impotência diante de uma doença que pode ser grave e a gente não pode fazer nada nos leva a fazer alguma coisa, mesmo que essa coisa não seja benéfica. Só que, às vezes, a melhor coisa a fazer é não fazer nada. Várias vezes isso acontece na Medicina. O Covid-19 tem causado uma sensação muito ruim nos médicos de estarmos só observando o curso da doença. Mas é o melhor que podemos fazer, por enquanto. P. E o que dizer os anúncios de cura de pacientes com Covid-19, se não há tratamentos específicos nem uma vacina? Essa cura corresponde, então, ao processo de evolução da própria doença? R. Isso, é uma cura espontânea. É como a dengue, que não tem um remédio específico. As pessoas pegam dengue, a maioria sofre um bocado no curso da doença, mas ela passa. Uma minoria absoluta vai a óbito. O paciente curado é aquele que passou pela Covid-19 e se restabeleceu. Esses casos de cura, por exemplo, aconteceram sem o uso de cloroquina ou hidroxocloroquina. Acontece que agora dirão que as pessoas estão sendo curadas porque tomaram esses medicamentos, o que não será verdade. Os pacientes vão se curar exatamente como os outros. Essa é a preocupação que devemos ter para fazer estudos clínicos mais bem desenhados, em que metade dos pacientes tome a droga e a outra metade, não. Assim, poderemos analisar, no final, os benefícios dessa substância. A Sociedade Brasileira de Infectologia e o Hospital das Clínicas da USP já se pronunciaram veementemente contra a prescrição de cloroquina fora do protocolo de pesquisa clínica, à despeito da liberação da droga pelo Ministério da Saúde. P. Quais são os riscos da cloroquina? R. Tanto a hidroxocloroquina quanto a azitromicina, que está sendo usada em associação, são medicações seguras, já que são usadas para malária, lúpus e outras doenças. Acontece que o que é seguro para um paciente ambulatorial pode não ser para alguém que já esteja em estado crítico, na UTI. O principal efeito colateral dessas medicações é a arritmia cardíaca, o que pode acontecer no caso de pacientes com Covid-19, já que essa doença causa miocardite, uma inflamação do músculo do coração. Essa inflamação pode levar, por si só, a arritmias cardíacas, então, a associação de dois medicamentos que podem potencializar essa arritmia pode ser pior. Essa medicação precisa ser diluída em soro, ou seja, vai aumentar a quantidade de soro que o paciente recebe. Ele já tem uma inflamação nos pulmões, e essa sobrecarga de volume pode piorar o quadro pulmonar. A gente precisa de muito cuidado com a empolgação e com a prescrição de um medicamento que não tem comprovação científica alguma só pela sensação de que temos que fazer algo. Repito: muitas vezes, fazer nada é melhor do que adotar uma medida que faça mal. Todo mundo está achando que podemos ficar tranquilos, porque descobrimos a cura da Covid-19, mas isso é uma falácia. A hidroxocloroquina não é bala mágica contra o coronavírus. P. Há, de fato, a possibilidade de uma vacina contra o coronavírus? R. Essa é uma questão bastante delicada, porque, por exemplo, quando o H1N1 surgiu em 2009, já tínhamos tecnologia para vacinas contra influenza e só tivemos que adaptá-la. Não temos vacina em humanos para nenhum tipo de coronavírus. Dessa maneira, o procedimento de desenvolvimento da vacina e dos testes em humanos demora mais um ano, o que não é tempo suficiente para pensar nisso como alternativa de contenção dessa pandemia.

TERRA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 05h11

Embora o pico do surto de coronavírus não tenha sido alcançado no Brasil, os sistemas de saúde público e privado já enfrentam sobrecarga por causa do aumento do número de internações e registram até 38% de seus leitos ocupados com pacientes com infecção suspeita ou confirmada da doença. O Estado coletou dados e ouviu relatos de profissionais e pacientes de 12 hospitais da rede pública e particular do País. As informações mostram que, com o número crescente de internações por problemas respiratórios nas unidades, UTIs já estão no limite, pacientes esperam mais de 24 horas por leitos e hospitais vêem sua capacidade ser tomada cada vez mais por pacientes com sintomas da covid-19. Só na rede de hospitais Sancta Maggiore, que conta com oito unidades administradas pela operadora Prevent Senior, já são 275 pessoas hospitalizadas com suspeita ou confirmação da doença, o equivalente a 38% de um total de 727 leitos. Nos Hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, os pacientes com quadro provável de covid-19 já ocupam mais de 20% dos leitos existentes. No Sírio, são 120 hospitalizações de um total de 479 leitos, o equivalente a 25% da capacidade. No Einstein, são 128 internados com suspeita ou confirmação de coronavírus para 637 leitos (20% do total). Ao menos 37 deles estão na UTI. Hospitais de fora de São Paulo e de menor porte também já observam o impacto da epidemia. No Albert Sabin, unidade com 60 leitos na Lapa (zona oeste), metade da UTI já está preenchida por pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus. No Moinhos de Vento, um dos hospitais mais importantes de Porto Alegre, 62 leitos estão ocupados por pacientes com sintomas de covid-19 e 25% da UTI tem pacientes com quadros graves da doença. Leitos de UTI são os que estão sofrendo primeiro o impacto da alta demanda provocada pelo surto, conforme relatos de médicos ouvidos pelo Estado. "Hoje abrimos a terceira UTI exclusiva para pacientes com suspeita da doença. Abrimos uma, lotou. Abrimos a segunda e lotou. Se continuar assim e não forem abertos locais extras, daqui a duas semanas não teremos leitos suficientes", relata o infectologista Munyr Ayub, do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC paulista. O especialista, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que cada uma das UTIs do hospital comporta 14 pacientes e está sendo ocupada rapidamente. Situação semelhante é observada na Santa Casa de São Paulo. "Da semana passada para cá começaram a chegar mais casos graves. A UTI de adulto já está no limite porque, além do aumento de casos, o tempo de permanência dos pacientes graves é alto. Então chegam novos pacientes e não conseguimos liberar o leito de quem chegou na semana passada porque não tem uma rotatividade rápida", conta Marco Aurélio Safadi, médico da Santa Casa e professor de infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. No Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, uma das UTIs já foi dedicada exclusivamente aos pacientes com covid-19. Ao menos 30 pacientes estão em estado grave na unidade, segundo funcionários relataram à reportagem. A alta demanda também faz doentes encontrarem dificuldades para internação em UTI. No último fim de semana, a aposentada N., de 74 anos, esperou 24 horas sentada em uma cadeira de plástico por um leito de UTI no pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina, na zona leste. Com dores no peito e febre, ela ficou confinada em uma sala pequena com outros quatro pacientes à espera da vaga. "Ela chegou às 20 horas do sábado, fez tomografia e o médico disse que já tinha lesão no pulmão e provavelmente era por covid-19. Como ela é idosa, ele já encaminhou para UTI, mas só foram liberar o leito dela às 20 horas do domingo. Isso porque ela estava na parte do convênio e não do SUS", conta a filha de N., que não quis se identificar porque a mãe ainda está internada no local. Procurado, o Santa Marcelina não respondeu aos questionamentos da reportagem. A velocidade com que as hospitalizações têm crescido em poucos dias chama a atenção dos profissionais e gestores dos centros médicos. No Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o número de hospitalizados com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus dobrou em apenas quatro dias - passou de 24 pacientes no dia 27 de março para 46 no dia 31, segundo boletins publicados no site da instituição. De acordo com os hospitais, só não há falta de leitos porque, com o adiamento de procedimentos eletivos, houve uma diminuição das internações por outras causas, deixando mais vagas livres para pacientes com covid-19. As redes também apostam em ampliação de leitos para pacientes graves. Einstein e Sírio também estão transformando leitos comuns em UTIs. "Cancelamos todos os nossos atendimentos não urgentes e estamos prontos para abrir três novos hospitais nos próximos meses por causa do surto", afirma Pedro Batista Junior, diretor-executivo da Prevent Senior. A Hapvida, maior operadora de planos de saúde do Nordeste e que já tem 68 pacientes com a doença, também anunciou que transformará 220 leitos de baixa complexidade em UTI

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 05h00

SÃO PAULO - Embora o pico do surto de coronavírus não tenha sido alcançado no Brasil, os sistemas de saúde público e privado já enfrentam sobrecarga por causa do aumento do número de internações e registram até 38% de seus leitos ocupados com pacientes com infecção suspeita ou confirmada da doença. O Estado coletou dados e ouviu relatos de profissionais e pacientes de 12 hospitais da rede pública e particular do País. As informações mostram que, com o número crescente de internações por problemas respiratórios nas unidades, UTIs já estão no limite, pacientes esperam mais de 24 horas por leitos e hospitais vêem sua capacidade ser tomada cada vez mais por pacientes com sintomas da covid-19. Só na rede de hospitais Sancta Maggiore, que conta com oito unidades administradas pela operadora Prevent Senior, já são 275 pessoas hospitalizadas com suspeita ou confirmação da doença, o equivalente a 38% de um total de 727 leitos. Nos Hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, os pacientes com quadro provável de covid-19 já ocupam mais de 20% dos leitos existentes. No Sírio, são 120 hospitalizações de um total de 479 leitos, o equivalente a 25% da capacidade. No Einstein, são 128 internados com suspeita ou confirmação de coronavírus para 637 leitos (20% do total). Ao menos 37 deles estão na UTI. Hospitais de fora de São Paulo e de menor porte também já observam o impacto da epidemia. No Albert Sabin, unidade com 60 leitos na Lapa (zona oeste), metade da UTI já está preenchida por pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus. No Moinhos de Vento, um dos hospitais mais importantes de Porto Alegre, 62 leitos estão ocupados por pacientes com sintomas de covid-19 e 25% da UTI tem pacientes com quadros graves da doença. Leitos de UTI são os que estão sofrendo primeiro o impacto da alta demanda provocada pelo surto, conforme relatos de médicos ouvidos pelo Estado. “Hoje abrimos a terceira UTI exclusiva para pacientes com suspeita da doença. Abrimos uma, lotou. Abrimos a segunda e lotou. Se continuar assim e não forem abertos locais extras, daqui a duas semanas não teremos leitos suficientes”, relata o infectologista Munyr Ayub, do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC paulista. O especialista, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que cada uma das UTIs do hospital comporta 14 pacientes e está sendo ocupada rapidamente. Situação semelhante é observada na Santa Casa de São Paulo. “Da semana passada para cá começaram a chegar mais casos graves. A UTI de adulto já está no limite porque, além do aumento de casos, o tempo de permanência dos pacientes graves é alto. Então chegam novos pacientes e não conseguimos liberar o leito de quem chegou na semana passada porque não tem uma rotatividade rápida”, conta Marco Aurélio Safadi, médico da Santa Casa e professor de infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. No Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, uma das UTIs já foi dedicada exclusivamente aos pacientes com covid-19. Ao menos 30 pacientes estão em estado grave na unidade, segundo funcionários relataram à reportagem. A alta demanda também faz doentes encontrarem dificuldades para internação em UTI. No último fim de semana, a aposentada N., de 74 anos, esperou 24 horas sentada em uma cadeira de plástico por um leito de UTI no pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina, na zona leste. Com dores no peito e febre, ela ficou confinada em uma sala pequena com outros quatro pacientes à espera da vaga. “Ela chegou às 20 horas do sábado, fez tomografia e o médico disse que já tinha lesão no pulmão e provavelmente era por covid-19. Como ela é idosa, ele já encaminhou para UTI, mas só foram liberar o leito dela às 20 horas do domingo. Isso porque ela estava na parte do convênio e não do SUS”, conta a filha de N., que não quis se identificar porque a mãe ainda está internada no local. Procurado, o Santa Marcelina não respondeu aos questionamentos da reportagem. A velocidade com que as hospitalizações têm crescido em poucos dias chama a atenção dos profissionais e gestores dos centros médicos. No Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o número de hospitalizados com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus dobrou em apenas quatro dias - passou de 24 pacientes no dia 27 de março para 46 no dia 31, segundo boletins publicados no site da instituição. De acordo com os hospitais, só não há falta de leitos porque, com o adiamento de procedimentos eletivos, houve uma diminuição das internações por outras causas, deixando mais vagas livres para pacientes com covid-19. As redes também apostam em ampliação de leitos para pacientes graves. Einstein e Sírio também estão transformando leitos comuns em UTIs. “Cancelamos todos os nossos atendimentos não urgentes e estamos prontos para abrir três novos hospitais nos próximos meses por causa do surto”, afirma Pedro Batista Junior, diretor-executivo da Prevent Senior. A Hapvida, maior operadora de planos de saúde do Nordeste e que já tem 68 pacientes com a doença, também anunciou que transformará 220 leitos de baixa complexidade em UTI.

BLOGS-O GLOBO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 04h00

O hospital Sírio-Libanês vetou a presença de seus médicos em uma reunião realizada nesta quarta-feira (1o.) com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto sobre o uso da cloroquina em tratamentos para a covid-19. A coluna apurou que a ordem veio da cúpula do hospital. A avaliação é que ainda é prematuro ter qualquer conclusão sobre o uso do medicamento no combate ao coronavírus. Como o tema do encontro seria esse, a determinação foi de que nenhum médico do hospital poderia participar do encontro, nem os da unidade de Brasília. O Sírio-Libanês é um dos mais renomados hospitais do País. Em parceria com o Hospital Albert Einstein e o Hospital do Coração, realiza uma pesquisa sobre a eficiência da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. O estudo científico envolve 1.400 pacientes de 70 hospitais de todo Brasil. Em entrevista à coluna ontem, o médico Luciano Cesar Pontes de Azevedo, um dos coordenadores da pesquisa e que faz parte do quadro do Sírio, enfatizou que vai demorar “ao menos dois meses” para que se chegue a uma conclusão. Procurado, o Sírio-Libanês informou que “não pôde enviar representantes para essa reunião”. A Secretaria de Comunicação da Presidência não respondeu o contato da coluna. Integrantes do governo que participaram da reunião com Bolsonaro afirmaram que os médicos compareceram de “forma autônoma”, sem vínculos com instituições de saúde. Bolsonaro tem defendido reiteradamente o uso da cloroquina como a solução contra a covid-19, quando médicos reafirmam que não há comprovação sobre sua eficácia e que, inclusive, sua utilização pode causar danos.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 03h00

Covid já pressiona SUS e hospitais privados em SP Há unidades no País com quase 40% dos Leitos ocupados por pacientes com infecção suspeita ou confirmada pelo coronavírus WERTHER SANTANA/ESTADÃO Logística. Soldado com carga de material hospitalar, em SP Fabiana Cambricoli Paula Felix Embora o pico do surto de coronavírus não tenha sido alcançado no Brasil, os sistemas de saúde público e privado já enfrentam sobrecarga por causa do aumento do número de internações e registram até 38% de seus leitos ocupados com pacientes com infecção suspeita ou confirmada da doença. O Estado coletou dados e ouviu relatos de profissionais e pacientes de 12 hospitais da rede pública e particular do País. As informações mostram que, com o número crescente de internações por problemas respiratórios nas unidades, UTIs já estão no limite, pacientes esperam mais de 24 horas por leitos e hospitais vê em sua capacidade ser tomada cada vez mais por pacientes com sintomas da covid-19. Só na rede de hospitais Sancta Maggiore, que conta com oito unidades administradas pela operadora Prevent Sênior, já são 275 pessoas hospitalizadas com suspeita ou confirmação da doença, o equivalente a 38% de um total de 727 leitos. Nos Hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, os pacientes com quadro provável de covid-19 já ocupam mais de 20% dos leitos existentes. No Sírio, são 120 hospitalizações de um total de 479 leitos, oequivalentea25% da capacidade. No Einstein, são 128 internados com suspeita ou confirmação de coronavírus para 637leitos (20% do total). Ao menos 37 deles estão na UTI. Hospitais de fora de São Paulo e de menor porte também já observam o impacto da epidemia. No Albert Sabin, unidade com 60 leitos na Lapa (zona oeste), metade da UTI já está preenchida por pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus. No Moinhos de Vento, um dos hospitais mais importantes de Porto Alegre, 62 leitos estão ocupados por pacientes com sintomas de covid-19 e 25% da UTI tem pacientes com quadros graves da doença. Leitos de UTI são os que estão sofrendo primeiro o impacto da alta demanda provocada pelo surto, conforme relatos de médicos ouvidos pelo Estado. “Hoje abrimos a terceira UTI exclusiva para pacientes com suspeita da doença. Abrimos uma, lotou. Abrimos a segunda e lotou. Se continuar assim e não forem abertos locais extras, da- • Limite “A UTI de adulto já está no limite.” Marco Aurélio Safadi MÉDICO DA SANTA CASA DE SÃO PAULO qui a duas semanas não teremos leitos suficientes”, relata o infectologista Munyr Ayub, do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC paulista. O especialista diz que cada uma das UTIs do hospital comporta 14 pacientes e está sendo ocupada rapidamente. Situação semelhante é observada na Santa Casa de São Paulo. “Da semana passada para cá começaram a chegar mais casos graves. A UTI de adulto já está no limite porque, além do aumento de casos, o tempo de permanência dos pacientes graves é alto. Então chegam novos pacientes e não conseguimos liberar o leito de quem chegou na semana passada porque não tem uma rotatividade rápida”, conta Marco Aurélio Safadi, médico da Santa Casa e professor de infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da instituição. No Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, uma das UTIs já foi dedicada exclusivamente aos pacientes com covid-19. Ao menos 30 pacientes estão em estado grave na unidade, segundo funcionários relataram à reportagem. A alta demanda também faz doentes encontrarem dificuldades para internação em UTI. No último fim de semana, a aposentada N., de 74 anos, esperou 24 horas sentada em uma cadeira de plástico por um leito de UTI no pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina, na zona leste. Com dores no peito e febre, ela ficou confinada em uma sala pequena com outros quatro pacientes à espera da vaga. “Ela chegou às 20 horas do sábado, fez tomografia e o médico disse que já tinha lesão no pulmão e provavelmente era por covid19. Como ela é idosa, ele já encaminhou para UTI, mas só foram liberar o leito dela às 20 horas do domingo. Isso porque ela estava na parte do convênio e não do SUS”, conta a filha de N., que não quis se identificar porque a mãe ainda está internada no local. Procurado, o Santa Marcelina não respondeu aos questionamentos da reportagem. A velocidade com que as hospitalizações têm crescido em poucos dias chama a atenção dos profissionais e gestores dos centros médicos. No Hospital São Paulo, o número de hospitalizados com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus dobrou em apenas quatro dias, chegando a 46. Segundo os hospitais, só não há falta de leitos porque, com o adiamento de procedimentos eletivos, houve uma diminuição das internações por outras causas, deixando mais vagas livres para pacientes com covid-19. Einstein e Sírio também estão transformando leitos comuns em UTIs. A Hapvida, maior operadora de planos de saúde do Nordeste e que já tem 68 pacientes com a doença, também anunciou que transformará 220 leitos de baixa complexidade em UTI.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 03h00

Nas entrelinhas Luiz Carlos Azedo luizazedo.df@dabr.com.br m £ Z- 0 ponto fraco Enquanto a maioria esmagadora da sociedade vê a epidemia de coronavírus como uma terrível ameaça, a aposta do presidente Jair Bolsonaro foi de que era uma oportunidade de encurralar os adversários políticos, principalmente os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB); do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC); e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que enfrentam mais dificuldades na crise. Fez um movimento de altíssimo risco: responsabilizá-los pela paralisia da economia, que entraria em recessão inevitavelmente, até porque a retração é global. Para isso, porém, Bolsonaro se lançou contra a política de distanciamento social e conclamou comerciantes, ambulantes, diaristas e outros trabalhadores informais a saírem da quarentena, entrando em choque aberto com a política de seu próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Bolsonaro cometeu um crasso erro: se aventurar num terreno que não conhece, a saúde pública. Não percebeu que a gravidade da situação estava acima de suas disputas políticas e fez uma aposta no ponto futuro, a retomada da economia, que não será nada fácil, outro assunto que não domina. Se isolou dentro do próprio governo, porque os generais que hoje formam seu estado-maior administrativo não concordaram com essa estratégia de alto risco, bem como os ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes. Enquanto o primeiro barrou qualquer possibilidade institucional de confrontação com os governos estaduais, o segundo deu um salto triplo carpado na política econômica: abandonou as reformas ultraliberais e abriu os cofres da União para atender aos trabalhadores que ficaram sem nenhuma fonte de renda por causa do confinamento. O núcleo político que assessora Bolsonaro, liderado pelos filhos e pela equipe de comunicação do Planalto, tentou uma reação, mas fracassou. O apoio a Bolsonaro nas redes sociais está sendo volatilizado e o presidente da República passou a ser cobrado pela demora na liberação dos recursos, que exigem uma agilidade da administração federal, que, até agora, não foi revelada. Tanto os governadores como o Congresso passaram a cobrar do governo que os recursos fossem repassados imediatamente para a população, enquanto a força-tarefa de ministros formada para gerenciar a crise, coordenada pelo ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto, passou a ser uma espécie de fiadora da política de Mandetta no governo. Para se fragilizar ainda mais, Bolsonaro demorou a sancionar a lei que concedeu uma ajuda de R$ 600 aos sem nenhuma atividade econômica, o chamado "corona voucher”. Enquanto Bolsonaro saía às ruas no Sudoeste, em Ceilândia, em Taguatinga, em Brasília, para estimular que comerciantes e ambulantes mantivessem suas lojas funcionando, a maioria da população preferiu seguir a orientação do Ministério da Saúde, dos governadores e dos prefeitos e se manteve dentro de casa, se resguardando da epidemia. A adesão da sociedade ao isolamento social é o ponto forte na crise. Mesmo assim, os números estão dobrando a cada três dias. No balanço de ontem, já eram 241 mortes e 6.836 casos confirmados, a uma taxa de 3,5% de letalidade. Na terça-feira, eram 201 mortes e 5.717 casos confirmados de infectados pelo novo coronavírus, o que aumentou a tensão entre os profissionais de saúde. Como há escassez de testes, o número de óbitos e casos confirmados está subnotificado. O próprio ministro Mandetta admitiu ontem que pode ser muito maior o contingente de infectados. Equipamentos O ponto fraco do sistema, por ora, não é a falta de leitos, é de equipamentos de proteção para o pessoal da saúde. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) já registrou 2.600 denúncias de falta, escassez e restrição de equipamentos de proteção entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. As denúncias vão desde relatos de proibição de uso do material existente na instituição, para não instaurar pânico na população atendida, à falta de equipamentos básicos. Entre aqueles que fizeram as denúncias, 87% relatam a falta de máscaras do tipo N95 ou PF2, indicadas para o atendimento de casos da doença, e a falta do álcool em gel com 70% de álcool, em 28% das denúncias. Além disso, em 51% dos locais denunciados, faltam de quatro a sete tipos diferentes de materiais, como luvas, gorro e álcool. Mesmo os hospitais de referência estão tendo problemas. O Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês já afastaram 452 funcionários. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), 125 profissionais foram afastados por infecção. O hospital utiliza, em média, 5.700 máscaras. Com o coronavírus, passaram a ser 40 mil máscaras. O consumo de álcool em gel passou de 1.330 litros para 6.700 litros mensais; aventais, de 15 para 45 mil, e toucas, de 105 mil para 211 mil. Esse é o cenário mais delicado no momento. É grande o risco de o sistema de saúde entrar em colapso por causa do número de casos da epidemia, daí a importância do confinamento. Há que se considerar, sobretudo, a situação dos médicos e enfermeiros, principalmente intensivistas e infectologistas. Ontem, por exemplo, o infectologista Hélio Bacha, de 70 anos, do Alberto Einstein, confirmou que está com coronavírus. “Mesmo os hospitais de referência estão tendo probLemas. Os hospitais ALbert Einstein e Sírio-Libanês já afastaram 452 funcionários; o Hospital das Clínicas, 125 profissionais"

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 03h00

AMAURI SEGALLA MERCADO S/A risegalla@diariosassociados.com.br ENQUANTO NOS ESTADOS UNIDOS 0 DINHEIRO LIBERADO POR DONALD TRUMPJÁ CHEGOU A PATRÕES E TRABALHADORES, NO BRASIL NOTA-SE CERTA HESITAÇÃO DO TIME LIDERADO PELO MINISTRO PAULO GUEDES Empresários à beira de um ataque de nervos Os empresários começaram a reclamar da demora do governo em colocar em prática as medidas de combate ao coronavírus. Enquanto nos Estados Unidos o dinheiro liberado por DonaldTrump já chegou a patrões e trabalhadores, no Brasil nota-se certa hesitação do time liderado pelo ministro Paulo Guedes em fazer os recursos alcançarem rapidamente o caixa das empresas e o bolso das pessoas. “Até na Argentina o governo tem sido mais ágil”, reclama o fundador de uma grande rede de franquias. “Não quero demitir ninguém, mas não vou conseguir se o governo ficar parado do jeito que está.” Os empresários também demonstram desconforto com a falta de articulação entre os poderes. “Não existe diálogo neste país, o que é uma coisa absurda”, escreveu em um grupo de WhatsApp o presidente de uma montadora. Ele prosseguiu: “No Brasil, tudo parece ser mais complicado. A saída é simples: o governo precisa liberar tudo e rapidamente. Estamos em guerra.” Denny/CLicAcao 22/9/11 ** A crise talvez seja uma oportunidade civilizatória" Antônio Delfim Netto Reproducão/Facebook BRF e Renner não vão demitir A crise é feia, mas algumas empresas dão bons exemplos. Ontem, o presidente da BRF, Lorival Luz, afirmou que irá preservar todos os empregos da companhia. “Esperamos que tenhamos passado da fase mais crítica da doença até maio", disse o executivo. Também nesta semana, a Lojas Renner informou a decisão de não demitir, por tempo indeterminado, colaboradores sem justa casa mesmo com todas as suas lojas no Brasil, Argentina e Uruguai fechadas. 50,4% foi quanto caiu, em dólar, a Bolsa brasileira no primeiro trimestre de 2020. É o pior desempenho do mundo. Depois do Brasil, as maiores quedas foram da Bolsa da Namíbia (45,9%) e Argentina (45,6%). Os bancos estão segurando empréstimos? Micros e pequenos empresários relatam que estão enfrentando dificuldades para conseguir dinheiro emprestado nos bancos. Na maioria das vezes, as instituições simplesmente dizem ‘não’. Isso é grave. O governo brasileiro, afinal, irrigou o sistema com dezenas de bilhões de reais e não faz sentido os bancos segurarem os recursos em plena crise do coronavírus. Não será a primeira vez. Durante a hiperinflação, nos anos 80, era quase impossível conseguir empréstimos nas casas financeiras. Para maioria dos brasileiros, coronavírus não é “gripezinha" A Pesquisa FSB/BTG Pactuai consultou, entre 26 e 27 de março, 2.132 brasileiros a respeito da pandemia do novo coronavírus. O resultado mostra que a população não acha que a doença é apenas uma “gripezinha”, como disse o presidente Jair Bolsonaro. Segundo o estudo, 66% consideram a doença grave ou muito grave. Outros 20% avaliam como mais ou menos grave e apenas 14% como pouco grave ou nada grave. O medo em relação à pandemia é grande ou muito grande para 64% dos entrevistados. RAPIDINHAS » A montadora sul-coreana Hyundai vai coLocar miL carros da frota d e test-d rive de suas concessionárias no Brasil à disposição de pessoas com mais de 60 anos, médicos e profissionais de saúde em geral. 0 programa deve duraraté 15 de abril, mas poderá ser estendido se o coronavírus continuaravançando. » As vendas da Páscoa, um dos eventos mais importantes do comércio, estão ameaçadas. Segundo reLatórios preLiminares das empresas de chocolates, a procura nos supermercados por ovos e produtos típicos da data tem decepcionado. A nova preocupação é o Dia das Mães, que só perde em faturamento para o Natal e a Black Friday. » 0 Sírio-Libanês assinou um convênio com o Ministério da Saúde e se tornou o único dos grandes hospitais do setor privado a compor o grupo de enfrentamento da Covid-19 do governo federal. Segundo os líderes do projeto, o Sírio foi escolhido por sua experiência em ações Ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). » A startup americana Kinsa Health diz que o Lockdown está reduzindo o contágio do coronavírus nos Estados Unidos. A empresa desenvolveu um termômetro conectado à internet que é capaz de medir o número de pessoas com febre. Segundo seus registros, o total de americanos febris caiu drasticamente nos últimos dias. AKin sat em um milhão de termômetros instalados.

YAHOO!NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 00h00

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quinta-feira que o governo ainda não desenhou uma política para financiar os hospitais médios no Brasil. Em teleconferência realizada pelo banco Santander, Maia afirmou que o país precisa de mais investimentos para atender os infectados e assim enfrentar a crise do coronavírus. - Para financiar a rede de hospitais, o governo até agora não deu uma solução. Não são todos que são um (hospital Albert) Einstein, Sírio-Libanês ou da rede D'Or. Muitos hospitais médios também não são Santas Casa. Mas nós vamos precisar de todos os leitos, não só dessas grandes redes. E não vi até agora uma preocupação articulada do BNDES ou outro banco público, ou do próprio governo, pensando em como garantir a liquidez (para os demais hospitais) - disse Maia. Durante a teleconferência, o presidente da Câmara voltou a criticar a postura do governo para lidar com a consequências da crise. Ele disse que a falta de "um grande pacote" o deixou preocupado no nas últimas semanas, mas que agora esse cenário "já está dado". A preocupação para o Legislativo, de acordo com Maia, deve ser evitar a tomada de medida descoordenadas que possam prejudicar a sociedade. - O que me preocupa daqui para frente é uma questão muito simples. Se a coisa não tiver organizada por quem precisar comandar, vamos ter muitas boas ideias. Eu tenho sempre dito nos meus discursos que a soma de boas ideias, de interesses particulares, ela não resulta necessariamente no interesse coletivo. Então o que está me assustando agora é que está todo mundo tendo boa ideias. Um para atingir o setor público, outro para o setor privado. Só que no final esses conflitos podem acabar desorganizando o processo. Neste sentido, Maia também criticou a política do BNDES para o setor aéreo. O banco deve abrir ainda este mês uma linha de financiamento para as companhias. O presidente da instituição, Gustavo Montezano, também sinalizou que poderia socorre-las com debêntures (títulos de empréstimo) conversíveis em ações. - Do jeito que o BNDES quer, vai virar dono de todo o setor aéreo. Do jeito que quer emprestar dinheiro ou comprar participação, não sei como vai fazer... Então, não dá. Em um governo liberal, o BNDES caminha para uma linha, pela crítica que estou ouvindo, que vai acabar sendo dono das companhias. Maia disse ainda que deve votar, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o "orçamento de guerra" na sexta-feira. Ele ressaltou que há dificuldades pontuais no sistema de votação virtual, pois trata-se de uma ferramenta "mais lenta", sem a celeridade de sessões presenciais. Segundo Maia, já há consenso para votá-la. - Na Câmara, acho que sexta nós temos condição de terminar a votação em dois turnos. Ela tem a sua vigência na data da decretação da calamidade, uma sinalização de conforto aos servidores que estão tomando as decisões demandadas pela política, seja pelo governo ou parlamento, mas estou otimista. O sistema (de votação remota) é muito lento. Muitas vezes o volume de mensagens no meu telefone é muito grande. Eu perco um deputado. Tem um líder que precisa falar pelo regimento. É um sistema que funciona bem, mas é mais lento, até porque eu tenho que abrir aos poucos microfones, para que todos possam participar. O presidente da Câmara destacou ainda que "forte apoio à PEC da Guerra" é um sinal de que o congresso continua reformista e deve se empenhar nesta pauta após a crise. Mas ressaltou que é necessário "reconstruir minimamente a relação com o Executivo". - A reforma tributária está bem encaminhada e a administrativa estamos esperando que o governo encaminhe. Às vezes o governo fala das reformas, mas trabalhar com reforma fantasma eu tenho dificuldade. Mas agora também não é hora de encaminha essa reforma, vamos esperar uns 30 dias.

MSN BRASIL
Data Veiculação: 02/04/2020 às 00h00

A médica pneumologista Carmen Sílvia Valente Barbas, fisioterapeuta da equipe médica que cuidou do presidente Jair Bolsonaro no tratamento de saúde após a facada da campanha eleitoral, está internada no Hospital Albert Einstein, vítima da infecção pelo novo coronavírus. Ela se recupera da doença, depois de ter sido entubada logo após a internação. O hospital Albert Einstein não nega nem confirma a internação e a família de Carmen Valente Barbas não quer comentar a hospitalização. Amigos e pacientes torcem para uma rápida recuperação da médica. Por redes sociais, ela recebe mensagens de força e melhoras enviadas por amigos, colegas e alunos, comovidos com o estado de saúde da médica. Acompanhe nossa cobertura sobre o coronavírus. Últimas notícias, perguntas e respostas e como se cuidar. Doutora em Pneumologia pela Universidade de São Paulo, professora da USP, Carmem Valente Barbas é especialista em insuficiência respiratória, ventilação mecânica protetora, recrutamento alveolar, lesão pulmonar aguda, hemorragia alveolar e vasculites pulmonares. Segundo o currículo da especialista, publicado em rede social, a profissional tem estudos também na área de desconforto respiratório de crianças. Apoio ”Tenho grande admiração e gratidão por esta médica, que nos atendeu em muitos momentos difíceis no Einstein e no seu consultório a qualquer momento", afirmou a psicóloga Denise Gaspar Cieplinski. "É uma médica humana e com conduta eficaz com seus pacientes. Espero que seu sofrimento com a covid-19 seja breve e que seja merecedora apenas da imunização natural como infectada", afirmou a psicóloga. “Carmen, aqui torcendo por sua recuperação! É também o que expressam todos os colegas da 67!”, postou o amigo Claudio Maierovitch Pessanha Henriques?. “Melhoras Dra Carmen Barbas. Estamos em orações por sua melhora”, escreveu outro amigo, Manoel Alves, também na rede social da médica. “Estamos em orações, professora”, postou Natália Maria Costa. No início da tarde desta terça-feira, 31, a família agradeceu, via rede social, as manifestações dos amigos. “A família Valente Barbas agradece a manifestação de carinho e orações pela saúde da dra. Carmen”, informou Ines valente, em nome da família. Logo depois, apagou o agradecimento. Nos últimos dias, Carmen Barbas vinha trocando informações sobre a covid-19 com grupos de colegas, discutindo a gravidade da infecção pulmonar. No dia 23, ela compartilhou nas redes sociais material que mostra a gravidade da doença quando ela ataca os pulmões. Nesta segunda-feira, o hospital Israelita Albert Einstein informou que cerca de 350 pessoas da equipe hospitalar foram afastadas por causa da nova doença. Pelo menos 15 profissionais do Einstein foram hospitalizados com a doença no próprio hospital, segundo nota do hospital. No Sírio Libanês, uma centena de funcionários também foi afastada do trabalho por causa da contaminação da covid-19. Outros médicos famosos de São Paulo, como os cirurgiões Raul Cutait e Roberto Kalil, também foram hospitalizados, estes no hospital Sírio-Libanês, ambos com a doença, além do médico David Uip, que está em isolamento em casa, igualmente afetado pelo novo coronavírus

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 02/04/2020 às 00h00

O quarto episódio de UOL Debate reúne alguns dos principais protagonistas da área da saúde brasileira para avaliar as perspectivas de curto e médio prazo da crise do coronavírus - a situação dos hospitais, os diagnósticos, os tratamentos e o desenvolvimento de vacinas. Esta edição, que acontecerá hoje, às 13 horas, terá as participações de: , médico e escritor Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz Paulo Chap Chap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein O debate terá a mediação de Lúcia Helena de Oliveira, jornalista especializada em saúde e colunista de VivaBem UOL. O UOL Debate reúne especialistas e nomes conhecidos do público para abordar o impacto da desaceleração da economia sobre as pessoas e as empresas, a reação dos governos aos enormes desafios impostos pelo coronavírus, os efeitos de uma sociedade em quarentena para a saúde mental e a educação das crianças, como esportistas e artistas estão lidando com a crise e as perspectivas para seus campos de atuação, entre muitos outros temas. UOL Debate será transmitido na home do UOL e no canal do UOL no YouTube e também nos perfis do UOL no Twitter e no Facebook.