Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

IG/SÃO PAULO
Data Veiculação: 01/10/2020 às 00h00

Um estudo conduzido pelo Hospital Sírio-Libanês, realizado com cerca de 40 pacientes em Unidades de Terapia Intensiva para tratar a Covid-19, apontou um dado importante sobre a perda muscular nos casos mais severos, que pode chegar a 2% por dia. A pesquisa reforça a importância de reabilitação imediata após a recuperação da infecção, especialmente em pessoas idosas com alguma limitação de mobilidade prévia. Entre os pacientes que apresentaram maior perda muscular, estão os que necessitaram de intubação e imobilização para respiração mecânica. No caso da Covid-19, o processo é potencializado pelo tempo maior de internação, que pode ser superior a 15 dias. "O paciente mais grave de Covid-19 perde em apenas um ou dois dias o que uma pessoa com idade de 50 a 60 anos perde em dois anos. É como se ele tivesse um super envelhecimento", explicou à Folha de São Paulo a coordenadora médica do Hospital Sírio-Libanês e líder da pesquisa, Isabel Chateaubriand.

LAES HAES
Data Veiculação: 01/10/2020 às 00h00

Os detalhes foram explicados pelo diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein O 1º Congresso Virtual da SBPC/ML tem trazido muitas informações de extrema importância sobre o que o setor de Medicina Laboratorial está fazendo a fim de estudar e entender melhor sobre o novo Coronavírus e contribuir para o tratamento de tantas pessoas que sofrem com a doença. O Dr. Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, trouxe uma importante contribuição, quando falou sobre o tema Repositório COVID-19 Data Sharing/BR: o primeiro repositório de dados para pesquisa sobre COVID-19 do Brasil”. Na ocasião, ele apresentou o repositório de dados COVID-19, uma iniciativa pioneira que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) montou, com o gerenciamento da Universidade de São Paulo (USP) e a participação do Grupo Fleury e os Hospitais Sírio Libanês e Hospital Israelita Albert Einstein, com o objetivo de compartilhar dados de alta relevância, a fim de gerar informações não só para um grupo restrito de especialista, mas para outros que têm os mesmos interesses. “Isso é absolutamente fundamental. Quando permitimos que outros vejam nossos resultados, também adquirimos conhecimento e nos aprimoramos”, explica. Já são dois trabalhos publicados com os dados colocados nessa plataforma. “Temos a impressão de que as pessoas que analisarão os dados conseguirão ver coisas que talvez nós não enxerguemos. Estamos monitorando com muito cuidado essas análises externas publicadas, e isso tem sido útil para melhorar ainda mais nosso desempenho. De acordo com o Dr. Luiz, atualmente, as três instituições juntas possuem um conjunto de dados composto por 120 mil pacientes testados para COVID-19. “Usamos esses dados com uma frequência bastante razoável. O Einstein publicou mais de 50 trabalhos em resposta à pandemia de COVID-19 em diversas áreas do cuidado com a saúde”. O médico ainda diz que a possibilidade de compartilhar abertamente na internet essas informações fará com que os dados sejam cada vez mais úteis para a humanidade. É importante ressaltar que se trata de um ambiente extremamente seguro e a privacidade dos pacientes preservada. O site é o https://repositoriodatasharingfapesp.uspdigital.usp.br/. Por esta nova mídia, dois trabalhos já firam publicados, o que é uma coisa importante. “Um deles é foi relacionado a computação, que analisou como conseguimos produzir tantos dados de um indivíduo só, ou seja, somente uma pessoa é capaz de produzir alguns terabytes de informação”. O especialista afirma que “uma das poucas coisas que ganhamos nessa pandemia é o entendimento de que só teremos o melhor desfecho para a humanidade trazendo para a discussão todos os possíveis atores e fatos científicos. Isso por si só é algo bom diante de um cenário horroroso de tantas mortes. Outra vantagem é dividir com outras instituições que gostariam de participar conosco de um processo de excelência de obtenção e curadoria de dados”, conclui. Fonte: Advice Comunicação Corporativa.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 01/10/2020 às 23h15

Quase 9 milhões de máscaras, 2,2 milhões de "face shields" (protetores faciais) e 2,1 milhões de frascos individuais de álcool em gel. O material será usado para proteção e higienização de mesários e eleitores nas eleições municipais de novembro em meio à pandemia de coronavírus e está sendo distribuído pelo país em uma logística que, segundo a Justiça Eleitoral, lembra uma operação de guerra. Tudo foi doado por 27 empresas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que elaborou um plano sanitário para o dia da votação com profissionais da Fiocruz e dos hospitais Sírio-Libanês e Einstein. O tribunal recebeu doações que envolveram tanto materiais de proteção, demarcação do espaço e sinalização dos protocolos de segurança quanto de logística e distribuição dos kits pelo país. "É quase uma operação de guerra, com uma logística muito complexa", afirma Aline Osório, secretária-geral do TSE. Para evitar o contágio por coronavírus nas eleições, a Justiça Eleitoral definiu uma série de regras, como o uso obrigatório de máscaras nos locais de votação, o distanciamento de pelo menos 1 metro entre as pessoas e a distribuição de kits para mesários —que inclui "face shields", máscaras, álcool em gel individual e álcool 70% para higienização de superfícies e canetas. Segundo Aline, a maior parte dos itens doados sairão de São Paulo para os Tribunais Regionais Eleitorais nos estados. A maioria dos doadores entregou os itens em um depósito do Mercado Livre em Cajamar, na Grande São Paulo, que fez a segregação do material quantitativo que foi definido para cada um dos estados, segundo a secretária-geral do TSE. Quase toda a distribuição será feita via terrestre —140 carretas fazem parte da operação. Outras 40 toneladas de material, encaminhados para os TREs do Amazonas e de Roraima, chegam de avião, a partir de Guarulhos, em cinco voos para Manaus. Leia mais sobre as eleições em meio à pandemia de coronavírus Entenda protocolo sanitário para eleitores e mesários na votação em meio à pandemia Veja o que fazer para reduzir o risco de contágio por coronavírus no dia da eleição A previsão é de que os materiais cheguem a seus respectivos estados até o início da próxima semana, com exceção do Amapá, que receberá sua parcela até o dia 9. Aline diz que, assim que os materiais chegarem aos respectivos estados, os tribunais regionais ficam encarregados de segregar e distribuir os itens para os locais de votação. "Nada ficará estocado até a data das eleições." A logística da distribuição de urnas pelos estados será ampliada para dar conta das doações deste ano no contexto da pandemia. Desde que o edital foi lançado pelo TSE e as empresas foram selecionadas, há dois meses, representantes dos dois lados têm se reunido semanalmente para verificar o acompanhamento de produção e entrega. Trata-se de uma distribuição perigosa, já que envolve materiais inflamáveis, afirma a secretária-geral do TSE. "Estamos quase no final dessa operação com poucos atrasos, vamos completar isso de forma muito positiva. A realização das eleições nesse contexto excepcional é, sem dúvidas, um objetivo nobre que tem unido os esforços de muitas empresas." Materiais doados para as eleições 8,9 milhões de máscaras 2,2 milhões de "face shields" (protetores faciais) 2,1 milhões de frascos individuais de álcool em gel de 190g 500 mil canetas 760.122 pôsteres 2 milhões de adesivos de marcação 8.100 embalagens de papelão 2.132.680 de frascos de álcool em gel de 400g 420.896 frascos de álcool líquido 70% Empresas doadoras Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) Associação Brasileira de Bancos (ABBC) Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) Associação Brasileira de Logística (Abralog) Cervejaria Ambev Azul Linhas Aéreas Brasileiras Caoa Chery Automóveis Cosan Companhia Nacional do Álcool Falconi Consultores Empresa de Serviços Hospitalares (Esho) Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Fundação Itaú para a Educação e Cultura General Motors do Brasil Gol Linhas Aéreas Inteligentes Ifood.com Agência de Restaurantes Online Lojas Quero-Quero Klabin Latam Airlines Brasil Magazine Luiza Martins Comércio e Serviços de Distribuição Mercadolivre.com Atividades de Internet Modern Transporte Aéreo de Carga Movida Raízen Energia Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) – Departamento Regional de São Paulo União da Agroindústria da Cana de Açúcar do Estado de São Paulo (Única)

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 01/10/2020 às 17h26

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta quinta-feira (1º) uma resolução que incorpora o Protocolo de Segurança Sanitária às normas das eleições municipais de 2020. O protocolo foi elaborado pela Justiça Eleitoral em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês e tem o objetivo de evitar o contágio pela Covid-19 durante o pleito. Entre as orientações médicas que ganham força de regra eleitoral estão a obrigatoriedade do uso de máscara, ampliação do horário de votação, que começará às 7h, e treinamento remoto dos mesários. Também foi aprovado o novo procedimento de votação, que inclui, dentro do rito de votação, momentos para a higienização das mãos e elimina as etapas que implicam em contato direto entre eleitor e o mesário. O relator da resolução foi o próprio presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso. Barroso é um dos signatários do Plano junto com a secretária-geral do Tribunal, Aline Osório, e os médicos David Uip, Luis Fernando Camargo e Marília Santini.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 01/10/2020 às 16h59

Em tempos de pandemia, os profissionais da saúde estão se desdobrando para criar e adaptar protocolos de atendimento aos pacientes com Covid-19. E a revisão da prescrição pelos farmacêuticos clínicos do Hospital Sírio Libanês de São Paulo, resultou em economia de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos enfermeiros. Com o agrupamento dos horários de uso dos medicamentos, sem prejuízos aos tratamentos, houve uma redução de cerca de 30% na quantidade de entradas nas UTIs e, consequentemente, na utilização de EPIs, item de primeira necessidade no enfrentamento à Covid-19. Esse e outros cases exitosos estão sendo divulgados durante a campanha do Conselho Federal de Farmácia (CFF) pelo Dia Internacional do Farmacêutico, 25 de setembro, como forma de reconhecimento ao trabalho prestado por esses profissionais à saúde pública neste momento. A campanha reforça que, distribuídos em dez áreas de atuação e 135 especialidades, os farmacêuticos estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus e, por isso, merecem todo o reconhecimento da sociedade – para conferir todo o conteúdo da campanha acesse diainternacionaldofarmacêutico2020.cff.org.br. A farmacêutica coordenadora do setor no hospital, Lívia Barbosa, diz que, diante do surgimento dos primeiros casos de Covid-19, foi preciso coordenar as ações de forma rápida. “Como a unidade não foi uma das primeiras a receber pacientes com o vírus, houve tempo para a preparação dos protocolos internos. O hospital criou um comitê de crise, que se reunia diariamente. Enfatizo a necessidade de ter agilidade, considerando que o paciente hoje está muito bem e amanhã ele pode ficar grave. No início da pandemia, como era uma coisa totalmente imprevisível, o dia a dia era de muita expectativa: a gente precisava planejar para comprar, decidir as terapias que teríamos disponíveis”, lembra. Para otimizar recursos e preservar ao máximo a saúde dos que atuam diretamente com esses pacientes, Lívia Barbosa explica que foi criada uma evolução padrão dos pacientes para que a equipe conseguisse acompanhar melhor os pacientes. “Um aspecto importante foi no sentido de reduzir o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), à época, já escassos. Por um lado, era preciso proteger os profissionais e, por outro, garantir o material para aqueles que não poderiam deixar de estar dentro da UTI. A estratégia utilizada foi a revisão das prescrições, uma iniciativa simples que teve um impacto muito bacana.” Outra iniciativa de destaque da equipe de farmácia clínica foi o acompanhamento dos pacientes pelo telefone. “É até interessante porque a gente percebia certa carência por parte dos pacientes. Então, às vezes, uma coisa que a gente levava 10 minutos para fazer acabava demorando 40, porque o paciente queria alguém conversando com ele, se sentia muito solitário”. Com relação ao uso de medicamentos de forma não indicada na bula, off label, para os pacientes com o vírus da Covid-19, Lívia explica que a equipe médica do Hospital Sírio Libanês tem procurado interagir com os farmacêuticos e adotar tratamentos personalizados. “No caso da hidroxicloroquina, por exemplo, houve uma grande aposta que não se concretizou, os resultados dos trabalhos mostraram que os benefícios não superaram os riscos e o uso reduziu bastante. Havíamos preparado nossos estoques e atualmente o uso é bem pontual. Lívia relata que houve casos de pacientes que apresentarem alteração visual após o uso da cloroquina e a equipe realizou ativamente o monitoramento desses pacientes. “Isso foi uma das coisas que da atuação da farmácia clínica acho que tem um destaque bem bacana. A farmacovilância é essencial”. A farmacêutica também alerta sobre os riscos da automedicação. “Recebemos uma paciente que havia utilizado muitos medicamentos, inclusive hidorxicloroquina e dois anticoagulantes, mesmo sem estar infectada. Ela tinha um quadro de intoxicação grave. Existe um certo desespero. E algumas pessoas estão recorrendo às farmácias e tomando medicamentos mesmo sem ter Covi-19. O nosso papel em evitar que as pessoas façam isso é muito importante”.

ACIDADEON/RIBEIRÃO PRETO
Data Veiculação: 01/10/2020 às 15h56

Doutor Lapena está respondendo ao tratamento (Patriota) (Foto: Amanda Rocha) O candidato a prefeito doutor Lapena (Patriota) está respondendo positivamente ao tratamento dispensado para covid-19, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês, na capital paulista. Em nota divulgada pela assessoria do candidato, ele segue internado na ala de tratamento da doença e se encontra estável. PARA RELEMBRAR Doutor Lapena estava trabalhando quando foi diagnosticado com covid-19 no último dia 22 de setembro. Dois dias depois apresentou dificuldade respiratória e precisou ser internado no Hospital São Paulo, em Araraquara. Com o agravamento em seu quadro pulmonar, o médico e candidato a prefeito foi transferido para o hospital Sírio Libanês na última terça-feira (29).

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 01/10/2020 às 15h31

A restrição de movimentos durante o tratamento da Covid-19 em unidades de terapia intensiva (UTIs), aliada à infecção do novo coronavírus e os remédios usados estão contribuindo para que pacientes em estágio mais grave da doença percam até 2% de músculos por dia durante a internação. As evidências são de um estudo realizado no Hospital Sírio-Libanês com 40 pacientes da Covid-19 em estado crítico, geralmente intubados ou imobilizados com suporte de respiração mecânica. O volume e a qualidade de músculos foram medidos a partir de uma técnica que usa imagens de ultrassom. Os músculos são importantes para a mobilidade, a digestão e o funcionamento de órgãos como o coração. A perda deles acontece naturalmente ao longo dos anos mas, enquanto uma pessoa saudável pode perder até 10% da massa muscular entre os 50 e os 60 anos, os pacientes mais graves da Covid-19 estão perdendo até 2% deste tecido por dia. A perda é intensa porque os pacientes fazem tratamento com corticoides e sofrem com a inflamação provocada pelo vírus nos nervos e no tecido muscular. Ela é mais grave nos pacientes idosos pela soma de fatores da doença e idade e mais fácil de ser recuperada entre os jovens. A reabilitação imediata desses pacientes é uma das estratégias para a recuperação. Ela envolve o acompanhamento de fisioterapeutas, a prática de exercícios físicos, uma dieta saudável e estímulos elétricos nos músculos.

FOLHA DE PERNAMBUCO/RECIFE | GERAL
Data Veiculação: 01/10/2020 às 03h00

Pacientes graves perdem até 2% de músculos por dia ESTUDO SÃO PAULO (Folhapress) - Estudo do Hospital Sírio-Libanês feito com 40 pacientes no estado mais grave de Covid-19 revelou que a perda muscular nesses casos pode chegar a 2% por dia no período crítico da infecção -quando são necessárias a intubação e a imobilização para a respiração mecânica. O dado reforça a necessidade de a reabilitação do paciente começar o quanto antes para agilizar 0 processo de recuperação, especialmente em idosos que já tenham alguma limitação de mobilidade e que podem perder qualidade de vida e se tornarem mais dependentes após a saída do hospital. A sarcopenia (perda de massa muscular) acontece naturalmente nos mais velhos, mas pacientes que ficam na UTI por longos períodos podem ter 0 processo acelerado por falta de movimentou até por ação de alguns medicamentos.

AGORA SÃO PAULO/SÃO PAULO | Geral
Data Veiculação: 01/10/2020 às 03h00

Pacientes graves perdem até 2% de másculos por dia ■ Estudo do Hospital SírioLibanês, em São Paulo, feito com 40 pacientes no estado mais grave de Covid-19 revelou que a perda muscular nesses casos pode chegar a 2% por dia no período crítico da infecção —quando são necessárias a intubação e a imobilização para a respiração mecânica. 0 dado reforça a necessidade de a reabilitação do paciente começar o quanto antes para agilizar o processo de recuperação muscular, especialmente em idosos que já tenham alguma limitação de mobilidade e que podem perder qualidade de vida e se tornarem mais dependentes após a saída do hospital. A sarcopenia (perda de massa muscular) acontece naturalmente nos mais velhos, mas pacientes que ficam na UTI por longos períodos podem ter o processo acelerado por falta de movimento ou até por ação de alguns medicamentos. No caso da Covid19, o dano é potencializado pelo período maior de internação —que passa de 15 dias em alguns casos—, uso de corticoides para combater infecções e possível ação do vírus e da inflamação que ele desencadeia no tecido muscular e nos nervos, explica Isabel Chateaubriand, coordenadora médica da Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês e líder da pesquisa. "0 paciente mais grave de Covid-19 perde em apenas um ou dois dias o que uma pessoa com idade de 50 a 60 anos perde em dois anos. É como se ele tivesse um superenveIhecimento." Segundo ela, entre os 50 e 60 anos uma pessoa pode perder até 10% da massa muscular naturalmente.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 01/10/2020 às 03h00

Saude coronavirus Paciente grave da Covid19 perde até 2% de músculos por dia Condição pode ser revertida nos mais jovens, mas idosos carregam sequelas Everton Lopes Batista são paulo Estudo do Hospital Sírio-Libanês realizado com 40 pacientes no estado mais grave de Covid-19 revelou que a perda muscular nesses casos pode chegar a 2% por dia no período crítico da infecção — quando são necessárias a intubação e a imobilização para a respiração mecânica. O dado reforça a necessidade de a reabilitação do paciente começar o quanto antes para agilizar o processo de recuperação, especialmente em idosos que já tenham alguma limitação de mobilidade e que podem perder qualidade de vida e se tornarem mais dependentes após a saída do hospital. A sarcopenia (perda de massa muscular) acontece naturalmente nos mais velhos, mas pacientes que permanecem na UTI por longos períodos podem ter o processo acelerado por falta de movimento ou até por ação de alguns medicamentos. No caso da Covid-19, o dano é potencializado pelo período maior de internação — que passa de 15 dias em alguns casos—, pelo uso de corticoides para combater infecções e pela possível ação do vírus e da inflamação que ele desencadeia no tecido muscular e nos nervos, explica Isabel Chateaubriand, coordenadora médica da Reabilitação do Hospital Sírio-libanês e líder da pesquisa. “O paciente mais grave de Covid-19 perde em apenas um ou dois dias o que uma pessoa com idade de 50 a 60 anos perde em dois anos. É como se ele tivesse um super envelhecimento.” De acordo com ela, entre os 50 e 60 anos uma pessoa pode perder até 10% da massa muscular naturalmente. Dor muscular e fraqueza são dois dos sintomas mais frequentes em pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2. Em editorial de junho deste ano, o periódico internacional Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle afirmou que o músculo esquelético possui o receptor ECA2, ao qual o novo coronavírus se liga para danificar as células. De acordo com Chateaubriand, o relato de dores musculares e fadiga mesmo em casos mais brandos da doença indicam lesão nos músculos. Segundo ela, as perdas são notadas em pessoas de todas as idades, mas são mais intensas nos mais velhos, que já passam por um processo natural de redução dos músculos. Os pacientes mais jovens e com melhor condicionamento físico são os que têm maiores chances de reverter o quadro completamente. "Uma pessoa de 35 anos que teve a doença e perdeu cerca de 20% da sua reserva de músculos pode ter dificuldade para andar no começo. Se o paciente tiver mais de 50 anos, as dificuldades serão ainda maiores”, diz. “Outras funções também podem ficar prejudicadas; precisamos dos músculos para fazer digestão, fazer o coração baterí’ A Covid19 pode deixar consequências em diversas partes do corpo como pulmão, coração, vasos sanguíneos, rins e cérebro. A perda de olfato, sintoma comum durante a doença, também pode durar por meses. Como se trata de uma doença nova, não se sabe ao certo por quanto tempo esses efeitos podem permanecer. "Por muitos meses, nós pensamos só em como manter o paciente vivo, e as estratégias de reabilitação ficaram em segundo plano. Passado o primeiro impacto, é hora de pensar em como devolver o paciente para sua casa da melhor forma possível”, afirma a médica. Os pesquisadores do Sírio Libanês usaram uma técnica baseada em imagens de ultrassom para medir a qualidade e a perda de músculos nos pacientes. Os estudos sobre a sarcopenia que possibilitaram os últimos resultados estão em andamento há pelo menos dois anos na instituição. “Quando veio a pandemia, notamos que os pacientes perdiam músculos muito rapidamente e decidimos usar a mesma técnica para medir essa perda”, afirma Chateaubriand De acordo com a coordenadora médica, está claro que iniciar a fisioterapia e a terapia ocupacional o quanto antes acelera a recuperação. As abordagens para a reabilitação incluem exercícios, melhorias na nutrição e estímulos elétricos para o músculo. Pacientes com melhor condicionamento físico e maior reserva de músculos tendem a reagir mais rapidamente durante a recuperação, diz. Chateaubriand lembra da necessidade de manter músculos saudáveis e em proporção adequada para o melhor enfrentamento e recuperação de doenças. Estudo anterior realizado pelo mesmo grupo mostrou que pessoas com maior reserva de músculos têm uma melhora mais rápida após ser submetido a uma cirurgia. Para conseguir fazer esse reservatório, Chateaubriand recomenda cerca de 150 minutos de atividade aeróbica (corrida, caminhada, natação, entre outras) e duas sessões de exercícios de força por semana, além de nutrição adequada e controle doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Desnutrição e obesidade também levam a uma perda de músculo s mais rápida, afirma a especialista do Hospital Sírio-Libanês.