Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 01/04/2021 às 17h14

Especialistas em saúde, acadêmicos e empresários divulgaram, nesta quinta-feira (1°/4), um documento no qual defendem um lockdown de três semanas para evitar 22 mil mortes em decorrência da Covid-19 em abril. Entre os 30 profissionais que assinam o texto, estão nomes como o de Pedro Hallal, epidemiologista e coordenador do Epicovid-19; Rubens Belfort Jr., presidente da Academia Nacional de Medicina; Monica de Bolle, professora da Johns Hopkins University e Acacio Sousa Lima, presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. Também assinam a carta, André Lara Resende, ex-diretor do Banco Central do Brasil (BACEN); Rubens Ricupero, ex-ministro do Meio Ambiente, da Amazônia e ex-ministro da Fazenda. Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e Ligia Bahia, professora Associada da UFRJ. No documento, os especialistas se dirigem ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) bem como aos governadores e prefeitos do país. Segundo eles, três semanas de fechamento total de atividades não essenciais podem reduzir a média móvel de mortos pela metade, além de evitar a marca de 5 mil óbitos em um único dia, proporcionar tempo para a vacinação de quase todos os idosos acima de 60 anos e dificultar o surgimento de novas variantes. As perdas econômicas poderiam ser neutralizadas caso o governo concedesse o auxílio emergencial em parcela única para indivíduos e micro e pequenas empresas, de acordo com o comunicado. Os profissionais sugerem algumas medidas nesse sentido, baseadas em estudos conduzidos pela Impulso Gov, organização brasileira de saúde pública que monitora o avanço da vacinação contra a Covid-19 no país. Confira a íntegra do texto: “Carta Aberta ao Presidente da República, Governadores e Prefeitos Brasileiros Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimos(as) Senhores e Senhoras Governadores(as), Excelentíssimos(as) Senhores e Senhoras Prefeitos(as), Nós, organizações, pesquisadores e especialistas de Saúde Pública, Economia e Políticas Públicas, nos unimos, hoje, para recomendar a Vossas Excelências a adoção de medidas baseadas em evidências e estudos científicos que tem como objetivo reverter o cenário de calamidade que hoje acomete o país. O referido conjunto de medidas, intitulado “Abril pela Vida”, postula a adoção imediata de 3 semanas de lockdown, que seriam responsáveis por salvar pelo menos 22 mil vidas, acompanhado de auxílio emergencial que seria capaz de neutralizar os efeitos econômicos negativos do lockdown. 1. Contexto A pandemia de COVID-19 tem sido responsável por retirar, diariamente, a vida de milhares de brasileiros. Na última semana, atingimos a marca de 300,000 mortos. Além disso, a pandemia tem sido responsável por sobrecarregar o sistema de saúde, hoje incapaz de atender toda a demanda de pacientes com COVID-19, bem como de tratar outras patologias. A pandemia tem sido responsável por dilapidar, igualmente, nossa já fragilizada economia, haja vista a longa duração da crise e a desconfiança econômica dela proveniente por parte de consumidores e investidores. Estudos desenvolvidos pela Impulso Gov, organização brasileira de saúde pública, suprapartidária e sem fins lucrativos, apontam que o avanço da vacinação no país terá impactos positivos a partir do mês de maio, podendo reduzir à metade a média móvel de óbitos no país e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde2. Tal cenário se justifica pelas seguintes evidências: Todas as vacinas testadas até agora mostraram alto potencial para prevenir hospitalização e morte. Mais de 70% dos óbitos registrados no Brasil até aqui foram de pessoas acima de 60 anos. O atual ritmo de produção nacional indica que teremos doses para vacinar quase todos os idosos (+60 anos) até o final de abril. Todavia, para que esse cenário se torne realidade, é preciso reduzir a circulação do vírus de forma significativa e imediata. Caso contrário, podemos atingir a marca de 5 mil mortes diárias, conforme previsões de pesquisadores da Fiocruz; e podemos não ter leitos disponíveis, nem para pacientes com Covid-19 nem para aqueles com outras patologias, nas próximas semanas – cenário que infelizmente já é realidade em parte do país. Nesse sentido, é fundamental que medidas de lockdown sejam adotadas, de forma coordenada pela União, Estados e Municípios brasileiros, pelas próximas 3 semanas com vistas a reduzir a circulação de pessoas e, assim, salvar vidas. Estudos internacionais comprovam a eficácia da medida em 41 países, com efeito especialmente forte da redução de quaisquer aglomerações de mais de 10 pessoas; e recentemente observou-se a eficácia da medida também no Brasil. Após um mês de medidas restritivas, incluindo 10 dias de lockdown rígido como poucas vezes se viu no país, a cidade de Araraquara (SP) registrou, em 26 de março, o primeiro dia sem nenhuma morte causada por COVID-19, além de redução significativa no número de casos e da positividade dos testes. 2. Propostas Apresentamos abaixo duas medidas emergenciais, parte da estratégia “Abril pela Vida”, com vistas a reverter o cenário atual de calamidade no país e salvar vidas. Cientes de que as medidas de lockdown podem expor indivíduos em situação de vulnerabilidade ao risco econômico e reduzir a sua adesão às medidas, propomos soluções econômicas emergenciais que podem ser adotadas pelos três níveis de governo, com vistas a reduzir os impactos negativos que a menor circulação de pessoas pode ter sobre populações vulneráveis e, igualmente, sobre as economias locais. a. Lockdown rígido em abril Proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas, bem como quaisquer aglomerações de indivíduos que não residem juntos. Toque de recolher das 20h às 6h. Fechamento de bares, restaurantes e praias. Medidas de redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; transportes de trabalhadores dos serviços essenciais devem ser organizados pelas empresas, inclusive supermercados, farmácias e postos de gasolina. Suspensão do funcionamento dos seguintes estabelecimentos: comércio atacadista, lojas de material de construção civil, casas de peças e oficinas de reparação de veículos automotores, comercialização de produtos e serviços de cuidados animais (permitido o funcionamento de clínicas médicas veterinárias e comercialização de alimentos), agências bancárias (permitindo o atendimento presencial para recebimento de benefícios) e instituições financeiras de fomento econômico, casas lotéricas; e atividade de pesca de lazer no mar (permitida a pesca comercial). Adoção de trabalho remoto sempre que possível. Instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, inclusive considerando fechamento de aeroportos e transporte interestadual. Os hotéis e pousadas com capacidade de ocupação limitada a 30% dos quartos. Ampliação de testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento de casos suspeitos e monitoramento dos contatos. b. Auxílio emergencial de parcela única Concessão de parcela única de auxílio emergencial, para indivíduos e micro e pequenas empresas. O valor do benefício seria: – Para indivíduos, equivalente ao valor médio de uma cesta básica em cada estado. – Para micro e pequenas empresas, no valor de mil reais. Critérios de elegibilidade: ̵ Indivíduos: maiores de idade, desempregados ou informais, que não recebem aposentadoria, Benefício de Prestação Continuada, Seguro Desemprego ou qualquer outro programa social (exceto Bolsa Família) e tem rendimento domiciliar per capita abaixo de meio salário-mínimo. – Micro e pequenas empresas: para setores mais afetados pela pandemia (Alojamento, Alimentação e Atividades Artísticas, Criativas e de Espetáculos) para empresas do Simples Nacional e MEIs. Estima-se que, considerando todos os estados brasileiros, seriam 67 milhões de indivíduos elegíveis e 3,3 milhões de estabelecimentos beneficiados; os números exatos por estado estão disponíveis sob demanda. Seriam necessários cerca de R$ 36 bilhões para financiar o auxílio para indivíduos e R$ 3,3 bilhões para as pequenas e micro empresas. Este programa, que, além de permitir a adoção das medidas restritivas, teria o efeito de neutralizar as perdas geradas pelo lockdown; números por estado estão disponíveis sob demanda. 3. Resultados esperados A adoção da estratégia “Abril pela Vida” permitirá aos Governos e Municípios observar os seguintes resultados: 1. Reduzir a média móvel de mortos pela metade, o que pode significar pelo menos 22 mil vidas salvas; 2. Dispor de leitos para tratamento de COVID-19 e de outras patologias; 3. Reduzir a probabilidade de surgimento de novas variantes, capazes de superar a imunidade gerada pelas vacinas já desenvolvidas, com consequências globais desastrosas; 4. Neutralização de perdas econômicas, em razão do auxílio emergencial. Sem a adoção das medidas supracitadas, teremos pelo menos 22 mil mortes adicionais, e podemos nos deparar com o surgimento de novas variantes, além de acentuarmos a crise de saúde pública e falta de leitos de UTI. A inação, além de causar impactos severos sobre o nosso sistema de saúde, exigirá medidas restritivas por mais tempo, e trará impactos econômicos ainda mais severos. A redução prolongada da atividade econômica por mais de quatro meses poderá anular completamente as possibilidades de crescimento econômico previstas para 2021. À luz do exposto, e haja vista a competência dos Governos Federal, Estadual e Municipal para adotarem medidas eficazes no combate à pandemia, recomendamos aos Municípios, Estados e à União que adotem as medidas supracitadas, em esforço coletivo e coordenado para reverter o avanço da pandemia de COVID-19 no Brasil, salvando milhares de vidas e socorrendo a economia brasileira. Caso se faça necessário, estamos à disposição para esclarecer eventuais questionamentos de Vossas Excelências, compartilhar estudos técnicos e simulações que embasaram as propostas aqui presentes e apresentar possibilidades de financiamento do auxílio, além de apoiar, individualmente, os Estados e Municípios na adequação e implementação imediata das medidas propostas ao contexto local. Respeitosamente, Impulso Gov Vital Strategies Brasil Acacio Sousa Lima, Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil Adriano Massuda, Médico Sanitarista, Professor e Pesquisador da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e da Universidade Federal do Paraná Ana Luiza Bierrenbach, Professora da Pós-Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital Sírio-Libanês e da Universidade Federal de Goiás Ana Maria Malik, Professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenadora do GVSaúde e membro do conselho da Associação Latina Para Análise dos Sistemas de Saúde (ALASS) André Lara Resende, Ex-diretor do Banco Central do Brasil (BACEN) e Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Andre Portela Souza, Professor de Economia da EESP-FGV Fátima Marinho, Professora da Pos-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Gabriela Spanghero Lotta, Professora e Pesquisadora de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Guilherme Werneck, Pesquisador e Professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Hannah Arcuschin Machado, Gerente de Projetos da Vital Strategies João Moraes Abreu, Diretor Executivo da Impulso Gov Ligia Bahia, Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luciano Coutinho, Professor titular no Instituto de Economia da UNICAMP e Ex-Presidente do BNDES Luis Eugenio de Souza, Professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Vice-presidente da Federação Mundial de Associações de Saúde Pública (WFPHA) Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas Luiz Gonzaga Belluzzo, Professor Titular do Instituto de Economia da Unicamp (Aposentado) Luiza Dickie Amorim, Consultora da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health Manoel Pires, Pesquisador do IBRE/FGV e da UnB. Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Marcelo Medeiros, Professor da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Márcia Castro, Doutora em Demografia e Professora Associada da Harvard School of Public Health Marco Brancher, Coordenador de Dados da Impulso Gov e Pesquisador da FGV Maria Amelia de Sousa Mascena Veras, Professora Adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Monica de Bolle, Professora da Johns Hopkins University Nelson Gouveia, Professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Nelson Marconi, Professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) Naomar de Almeida Filho, Professor de Epidemiologia e ex-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Paulo José da Silva e Silva, Professor de Matemática Aplicada da Universidade Estadual de Campinas e Pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria. Paulo Schor, Médico, Professor e Diretor de Inovação da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Paulo Saldiva, Professor Titular de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Pedro do Carmo Baumgratz de Paula, Professor da FGV Direito SP (FGVLaw) e Diretor-Executivo da Vital Strategies Brasil Pedro Hallal, Epidemiologista, Professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Epicovid-19 Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina Rubens Ricupero, Ex-Ministro do Meio Ambiente, da Amazônia e Ex-Ministro da Fazenda. Soraya Smaili, Reitora da Universidade Federal de São Paulo Vanessa Elias de Oliveira, Professora de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC)”.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 01/04/2021 às 15h05

Uma carta aberta assinada por mais de 30 cientistas, pesquisadores e economistas defende a adoção de um conjunto de medidas com recomendações para conter o avanço da Covid-19 no Brasil. O texto (veja íntegra abaixo) foi divulgado nesta quinta-feira (1) e foi endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, aos governadores e aos prefeitos. Os especialistas afirmam que três semanas de lockdown em abril poderiam: Para neutralizar perdas econômicas, o documento propõe a concessão de parcela única de auxílio emergencial para indivíduos e micro e pequenas empresas e mostra o caminho para tornar isso possível. A proposta é fundamentada em estudos desenvolvidos pela Impulso Gov, organização brasileira de saúde pública, que apontam que o avanço da vacinação no país terá impactos positivos a partir do mês de maio. Veja abaixo a íntegra do texto: "Carta Aberta ao Presidente da República, Governadores e Prefeitos Brasileiros Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimos(as) Senhores e Senhoras Governadores(as), Excelentíssimos(as) Senhores e Senhoras Prefeitos(as), Nós, organizações, pesquisadores e especialistas de Saúde Pública, Economia e Políticas Públicas, nos unimos, hoje, para recomendar a Vossas Excelências a adoção de medidas baseadas em evidências e estudos científicos que tem como objetivo reverter o cenário de calamidade que hoje acomete o país. O referido conjunto de medidas, intitulado “Abril pela Vida”, postula a adoção imediata de 3 semanas de lockdown, que seriam responsáveis por salvar pelo menos 22 mil vidas, acompanhado de auxílio emergencial que seria capaz de neutralizar os efeitos econômicos negativos do lockdown. 1. Contexto A pandemia de COVID-19 tem sido responsável por retirar, diariamente, a vida de milhares de brasileiros. Na última semana, atingimos a marca de 300,000 mortos. Além disso, a pandemia tem sido responsável por sobrecarregar o sistema de saúde, hoje incapaz de atender toda a demanda de pacientes com COVID-19, bem como de tratar outras patologias. A pandemia tem sido responsável por dilapidar, igualmente, nossa já fragilizada economia, haja vista a longa duração da crise e a desconfiança econômica dela proveniente por parte de consumidores e investidores. Estudos desenvolvidos pela Impulso Gov, organização brasileira de saúde pública, suprapartidária e sem fins lucrativos, apontam que o avanço da vacinação no país terá impactos positivos a partir do mês de maio, podendo reduzir à metade a média móvel de óbitos no país e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde2. Tal cenário se justifica pelas seguintes evidências: Todavia, para que esse cenário se torne realidade, é preciso reduzir a circulação do vírus de forma significativa e imediata. Caso contrário, podemos atingir a marca de 5 mil mortes diárias, conforme previsões de pesquisadores da Fiocruz; e podemos não ter leitos disponíveis, nem para pacientes com Covid-19 nem para aqueles com outras patologias, nas próximas semanas - cenário que infelizmente já é realidade em parte do país. Nesse sentido, é fundamental que medidas de lockdown sejam adotadas, de forma coordenada pela União, Estados e Municípios brasileiros, pelas próximas 3 semanas com vistas a reduzir a circulação de pessoas e, assim, salvar vidas. Estudos internacionais comprovam a eficácia da medida em 41 países, com efeito especialmente forte da redução de quaisquer aglomerações de mais de 10 pessoas; e recentemente observou-se a eficácia da medida também no Brasil. Após um mês de medidas restritivas, incluindo 10 dias de lockdown rígido como poucas vezes se viu no país, a cidade de Araraquara (SP) registrou, em 26 de março, o primeiro dia sem nenhuma morte causada por COVID-19, além de redução significativa no número de casos e da positividade dos testes. 2. Propostas Apresentamos abaixo duas medidas emergenciais, parte da estratégia “Abril pela Vida”, com vistas a reverter o cenário atual de calamidade no país e salvar vidas. Cientes de que as medidas de lockdown podem expor indivíduos em situação de vulnerabilidade ao risco econômico e reduzir a sua adesão às medidas, propomos soluções econômicas emergenciais que podem ser adotadas pelos três níveis de governo, com vistas a reduzir os impactos negativos que a menor circulação de pessoas pode ter sobre populações vulneráveis e, igualmente, sobre as economias locais. a. Lockdown rígido em abril b. Auxílio emergencial de parcela única 3. Resultados esperados A adoção da estratégia “Abril pela Vida” permitirá aos Governos e Municípios observar os seguintes resultados: 1. Reduzir a média móvel de mortos pela metade, o que pode significar pelo menos 22 mil vidas salvas; 2. Dispor de leitos para tratamento de COVID-19 e de outras patologias; 3. Reduzir a probabilidade de surgimento de novas variantes, capazes de superar a imunidade gerada pelas vacinas já desenvolvidas, com consequências globais desastrosas; 4. Neutralização de perdas econômicas, em razão do auxílio emergencial. Sem a adoção das medidas supracitadas, teremos pelo menos 22 mil mortes adicionais, e podemos nos deparar com o surgimento de novas variantes, além de acentuarmos a crise de saúde pública e falta de leitos de UTI. A inação, além de causar impactos severos sobre o nosso sistema de saúde, exigirá medidas restritivas por mais tempo, e trará impactos econômicos ainda mais severos. A redução prolongada da atividade econômica por mais de quatro meses poderá anular completamente as possibilidades de crescimento econômico previstas para 2021. À luz do exposto, e haja vista a competência dos Governos Federal, Estadual e Municipal para adotarem medidas eficazes no combate à pandemia, recomendamos aos Municípios, Estados e à União que adotem as medidas supracitadas, em esforço coletivo e coordenado para reverter o avanço da pandemia de COVID-19 no Brasil, salvando milhares de vidas e socorrendo a economia brasileira. Caso se faça necessário, estamos à disposição para esclarecer eventuais questionamentos de Vossas Excelências, compartilhar estudos técnicos e simulações que embasaram as propostas aqui presentes e apresentar possibilidades de financiamento do auxílio, além de apoiar, individualmente, os Estados e Municípios na adequação e implementação imediata das medidas propostas ao contexto local. Respeitosamente, Impulso Gov Vital Strategies Brasil Acacio Sousa Lima, Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil Adriano Massuda, Médico Sanitarista, Professor e Pesquisador da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e da Universidade Federal do Paraná Ana Luiza Bierrenbach, Professora da Pós-Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital Sírio-Libanês e da Universidade Federal de Goiás Ana Maria Malik, Professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenadora do GVSaúde e membro do conselho da Associação Latina Para Análise dos Sistemas de Saúde (ALASS) André Lara Resende, Ex-diretor do Banco Central do Brasil (BACEN) e Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Andre Portela Souza, Professor de Economia da EESP-FGV Fátima Marinho, Professora da Pos-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Gabriela Spanghero Lotta, Professora e Pesquisadora de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Guilherme Werneck, Pesquisador e Professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Hannah Arcuschin Machado, Gerente de Projetos da Vital Strategies João Moraes Abreu, Diretor Executivo da Impulso Gov Ligia Bahia, Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luciano Coutinho, Professor titular no Instituto de Economia da UNICAMP e Ex-Presidente do BNDES Luis Eugenio de Souza, Professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Vice-presidente da Federação Mundial de Associações de Saúde Pública (WFPHA) Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas Luiz Gonzaga Belluzzo, Professor Titular do Instituto de Economia da Unicamp (Aposentado) Luiza Dickie Amorim, Consultora da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health Manoel Pires, Pesquisador do IBRE/FGV e da UnB. Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Marcelo Medeiros, Professor da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Márcia Castro, Doutora em Demografia e Professora Associada da Harvard School of Public Health Marco Brancher, Coordenador de Dados da Impulso Gov e Pesquisador da FGV Maria Amelia de Sousa Mascena Veras, Professora Adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Monica de Bolle, Professora da Johns Hopkins University Nelson Gouveia, Professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Nelson Marconi, Professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) Naomar de Almeida Filho, Professor de Epidemiologia e ex-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Paulo José da Silva e Silva, Professor de Matemática Aplicada da Universidade Estadual de Campinas e Pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria. Paulo Schor, Médico, Professor e Diretor de Inovação da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Paulo Saldiva, Professor Titular de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Pedro do Carmo Baumgratz de Paula, Professor da FGV Direito SP (FGVLaw) e Diretor-Executivo da Vital Strategies Brasil Pedro Hallal, Epidemiologista, Professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Epicovid-19 Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina Rubens Ricupero, Ex-Ministro do Meio Ambiente, da Amazônia e Ex-Ministro da Fazenda. Soraya Smaili, Reitora da Universidade Federal de São Paulo Vanessa Elias de Oliveira, Professora de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC)"

ISTOÉ DINHEIRO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 01/04/2021 às 03h00

Não há para onde correr. Na rede pública de saúde, o cenário é de caos. Pacientes nos corredores, falta de vagas, a necessidade de instalação de hospitais de campanha e a difícil escolha sobre quais pacientes vão ocupar os leitos disponíveis. O colapso atingiu em cheio também os hospitais privados, igualmente afetados pela má gestão de Jair Bolsonaro no combate à Covid-19. As redes particulares sentiram o impacto financeiro provocado pelo adiamento de cirurgias eletivas desde o início da pandemia. As perdas beiram os R$ 12 bilhões. E a queda na receita só não foi maior por ter sido neutralizada pelo alto custo do paciente de Covid19. O reflexo da falta de uma política central de combate à doença e de estímulo a medidas de prevenção gera efeito em cadeia: mais pessoas contaminadas, mais necessidade de leitos e de medicamentos, mais mortes. O cenário dramático da crise nos hospitais privados foi evidenciado pelos pedidos feitos ao Sistema Único de Saúde (SUS) de vagas de UTI para seus pacientes. A última atualização da plataforma Monitora Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, no dia 29 de março, 25 estados estavam em alerta crítico de ocupação de leitos de UTI. Amazonas e Roraima foram os únicos em alerta médio, um grau abaixo. Para um País que lidera o ranking mundial de mortes diárias, onde a média móvel de casos ultrapassa a marca de 75 mil por dia 36 Dinheiro 07/04/Z021 1 foto: edilson dantas/agência o globo 25 ESTADOS ESTÃO EM ALERTA CRÍTICO DE OCUPAÇÃO DE LEITOS DE UTI, SEGUNDO MONITOR DA FIOCRUZ e apenas 2,28% da população foram imunizados com as duas doses da vacina, as perspectivas são desoladoras. Pesquisa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Demais Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (SindHosp), feita com 81 hospitais paulistas entre 23 e 26 de março, mostra que 89% precisaram aumentar o número de leitos de UTI-Covid nos últimos 10 dias (leia na página 38). Também revela que 76% das unidades de saúde privadas estão com taxa de ocupação de leitos de UTI entre 91% e 100%, sendo que 17% dos hospitais estão com índice acima de 100%. Para Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, o prejuízo dos hospitais em relação a procedimentos eletivos atinge cerca de 10% do faturamento das unidades de saúde particulares. “A queda no volume de cirurgias foi determinante para isso e afetou diretamente na receita dos hospitais. O que equilibroué que a receita média do pacien- te Covid é cerca de 30% superior aos demais e o tempo de permanência em UTI é quase o triplo.” O faturamento dos hospitais brasileiros é da ordem de R$ 120 bilhões, com fontes de receita das operadoras, dos pacientes particulares e do SUS. Segundo o dirigente, a linha de crédito de R$ 2 bilhões liberada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado aos hospitais privados com faturamento anual acima de R$ 300 milhões não atendeu à necessidade. “E muito difícil hospital com faturamento deste tamanho. Se atendeu 50 hospitais foi muito”, afirmou Balestrin. Levantamento de 2019 da Federação Brasileira de Hospitais (FBH) contalilizou a existência de 4.267 hospitais privados no Brasil. Deles, 57% são entidades com fins lucrativos e 43% são santas casas e instituições filantrópicas. O estado de São Paulo lidera, com 859 unidades de saúde, seguida por Minas Gerais, com 543. Presidente do Instituto Coalizão Saúde, o médico Cláudio Lottenberg, que também preside o Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, entende que a má condução da política de saúde amplificou a crise sanitária e a superlotação. “Não houve uma liderança que conseguisse construir um cenário de união. Ao invés de terem dado espaço para técnicos, deram a políticos”, afirmou. Segundo ele, “o preço está sendo um bando de remendos em algo que poderia ser mais estruturado.” No Hospital Sírio-Libanês, há uma lista de espera de pelo menos 30 pacientes de outras cidades e estados para serem transferidos. O problema não se resume a leitos, mas abrange toda a infraestrutura, incluindo mão de obra para garantir o atendimento médico. Na terça-feira (30), a taxa de ocupação de leitos era de 87%. “E necessário preparar pessoas. De novembro para cá, contratamos mais 700 profissionais e seguimos ampliando”, disse o diretor-geral do Sírio Libanês, Paulo Chapchap. Antes da pandemia, o hospital realizava entre 70 e 80 cirurgias eletivas diariamente. Hoje, esse número gira em torno de 25. “Diminuiu para um terço porque a gente só está fazendo o que é absolutamente necessário. Os casos mais críticos continuam a ser tratados e os adiáveis podem esperar por algumas semanas”, afirmou Chapchap. A receita do Sírio de 2020, segundo o executivo, foi cerca de 10% menor que a de 2019, quando fechou com R$ 2,27 bilhões. PARALISAÇÃO Para garantir que os poucos leitos de UTI disponíveis sejam reservados a pacientes da Covid-19, entidades do setor de saúde têm defendido a suspensão de cirurgias eletivas. O presidente da Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo de Camargo Scheibe, apoia a paralisação das operações não urgentes em até 60 dias. “Estamos numa guerra. Há falta de medicamentos, mão de obra, estrutura. Os planos de saúde da Abramge ampliaram 2 mil leitos no ano passado. Isso signfica mais gastos de material, com aumento de custos”, disse. “Precisa ser feito só os atendimentos necessários. Tudo que for possível deve ser postergado. Não dá para fazer agora cirurgia estética”, afirmou. Para Lottenberg, essa interrupção pode afetar a sustentabilidade financeira dos hospitais privados. “Não é tão simples imaginar que se mostrem viáveis somente com pacientes Covid19”, disse. “Tem que pensar bem, porque pode haver internados por um período longo e a estrutura do hospital pode não suportar.” A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) defende uma análise Dinheiro 07/04/2021 I 37 NEGÓCIOS mais criteriosa, e não a interrupção direta, e a dilatação dos prazos para aprovação das cirurgias. Para a diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente, é uma decisão que passa totalmente pela equipe de saúde. “No ano passado, houve redução de eletivas por decisão médica e de pacientes, em um adiamento responsável. No fim do ano, aconteceu a retomada desses processos, com demanda até maior do que em 2019”, disse. “Esse retorno está relacionado à necessidade de garantir essas cirurgias e, com isso, assegurar o faturamento. E o julgamento é do médico. A operadora não pode interferir.” Em 2019, o faturamento do setor de saúde suplementar no Brasil, segundo a FenaSaúde, alcançou R$ 207,6 bilhões. De acordo com o Observatório 2020 da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), 89,91% da receita dos hospitais associados veio de recursos administrados pelas operadoras de planos de saúde. O resultado do ano ainda não foi fechado. A operadora Prevent Sênior, que no início da pandemia enfrentou desgaste por causa do grande número de casos nos hospitais da rede, investiu R$ 15 milhões para realização de testes do tipo PCR em cerca de 90% dos 530 mil beneficiários do plano de saúde. Segundo o diretor-executivo, Pedro Benedito Batista Júnior, o objetivo é diminuir a contaminação entre pacientes e familiares, e gastos na operação. “A gente enxerga a possibilidade de ter a informação antes de a pessoa evoluir com sintomas. Isso ajuda até a diminuir custos de tratamentos, já que 80% das ANTECIPAÇAO A Prevent Sênior j afirmou investir * R$15 milhões em testes PCR para Covid-19 em 90% de seus 530 mil Nãohouve uma liderança que conseguiu construir um cenário de união. Ao invés de técnicos, deram espaço a políticos” CLÁUDIO LOTTENBERG PRESIDENTE DO INSTITUTO COALIZÃO SAÚDE Estamos numa guerra. Há falta de medicamentos, estrutura, mão de obra. Tudo que for preciso deve ser postergado. Não dá para fazer agora cirurgia estética” REINALDO SCHEIBE PRESIDENTE DA ABRAMGE internações estão entre 50 e 74 anos”, disse. As análises começaram no dia 18, em cinco postos (três na capital paulista, um em Santos e outro no Rio de Janeiro). Até segunda-feira (29), tinham sido realizados 29.046 testes, com 629 resultados positivos (o que representa 2,16%). Com a ampliação de leitos na rede privada, surgiu outro problema: o baixo estoque de medicamentos dos hospitais, principalmente kits de intubação. Lottenberg criticou a decisão recente do Ministério da Saúde em realizar requisição administrativa na prática é um confisco, de medicamentos da indústria farmacêutica para a rede pública. “Não só não resolve o que não está com suprimentos adequados, como inviabiliza o que está funcionando corretamente.” Para Francisco Balestrin, do SindHosp, há somente um caminho para o governo Jair Bolsonaro minimizar a enorme desorganização na saúde criada por ele próprio: “Bastanão atrapalhar e deixar que aqueles que têm bom senso trabalhem”. Um bom começo. H I A SITUAÇÃO CRÍTICA DA REDE PRIVADA 1 . jjjj Al A ll ê ê q/ disseram que preços de remédios UU aumentaram acima de 100% ■■■■ ■ ■■■ ■■■■ j;|; aaq/ aumentaram número jjjj MM '0 de internações nos últimos 10 dias :::: jjjj Q C0/n ^eram n J ,u aumento médio de permanência na UTI . 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